Gêneros Literários nas Escrituras Sagradas

Muitas pessoas nas nossas igrejas têm uma compreensão errada da expressão “PALAVRA DE DEUS”, entendendo-a como se Deus tivesse chamado os escritores da Bíblia e ditado para eles palavra por palavra, sílaba por sílaba, letra por letra, sem respeitar as características de cada escritor. Se assim fosse a leitura da Bíblia seria enfadonha porque seria apenas um ditado do professor para o aluno, sem qualquer ênfase própria de cada escritor; seria um livro apenas de Deus e não um livro divino-humano como realmente é a Bíblia. É a história da redenção plena do homem.

Definimos como gênero literário os diversos modos de exprimir as mesmas coisas; não escrevemos, por exemplo, a um amigo do mesmo modo que a um cobrador. Há diferentes modos de narrar. Mas, mais profundamente, estes diferentes modos de apresentar as coisas (que são os “gêneros literários”) correspondem a necessidades diferentes da vida de um grupo. A existência de qualquer grupo faz nascer certo número de textos. Tomemos como exemplo, uma pequena sociedade de pescadores: ela comporá escritos de tipos jurídicos (seus estatutos), senhas para se darem a conhecer, narrações e às vezes escritos floreados, verdadeiras “epopeias”.

Assim, para existir, toda sociedade tem necessidade de criar uma literatura. Uma nação tem suas leis, discursos, celebrações, narrativas do passado, epopeias, poemas e canções…

O fato de Israel existir como povo fez, pois, surgir toda uma literatura com seus gêneros. Eis alguns deles:

  • As narrações. Era necessário recordar o passado para dar a todos uma mentalidade comum. Ouvindo as histórias dos antepassados cada um ia tendo consciência de pertencer à mesma família.
  • A epopeia. Também aqui se narrava o passado, mas se procurava, sobretudo suscitar o entusiasmo e celebrar os heróis, mesmo que para isso fosse necessário florear os detalhes.
  • As leis. Visavam a organizar o povo e permitiam a vida comum.
  • A liturgia. As celebrações, os ritos (os sacrifícios, por exemplo), exprimiam, a vida em comum, como a refeição festiva une a família. OS atos religiosos manifestavam o vínculo que se tinha com Deus.
  • Os poemas, os cânticos, os salmos eram expressões dos sentimentos e da fé do povo.
  • Os oráculos dos profetas – palavras solenes ditas da parte de Deus – recordavam a verdadeira fé.

O ensinamento dos profetas e dos sacerdotes podia ser feito na forma de instrução, mas também na de narrações e de histórias (parábolas).

Os escritos de sabedoria eram reflexões sobre as grandes questões humanas: a vida, a morte, o amor, a dor, etc.

Cada modo de exprimir, cada gênero, tem a sua verdade. Não se critica uma biografia romanceada pelo fato de ser menos exata do que um livro de história. Também a narração da criação (Gn 1) não deve ser lida como se tratasse de uma exposição científica, já que ela é um poema litúrgico; e a narração da passagem do Mar Vermelho (Ex 14) não dever considerada uma “reportagem em cima dos fatos”, ela é uma epopeia.

É necessário, portanto, sempre que possível, perguntar-se qual é o gênero literário do texto que se lê e qual o seu tipo de verdade ou mensagem.

BIBLIOGRAFIA:

APOSTILAS COMPLETAS DO VT E NT SEMINÁRIO BETEL

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Bíblia, Estudo Biblico. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s