Egoísmo, Hedonismo e Narcisismo

E ele morreu por todos, para que os que vivam, não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” – 2ª Co 5.15

INDIVIDUALISMO E A INDIVIDUALIDADE

Nunca se ouviu falar tanto em individualismo ou individualidade. Estamos vivendo em uma época de exaltação a este conceito. O ser humano em busca de sua individualidade, ou seja, do que é peculiar ao seu caráter, a sua personalidade, acaba assumindo uma postura individualista.

Individualidade x Individualismo.

A individualidade é algo inerente a cada um de nós e não precisa ser mudado pra tornar-se parecido com o jeito de ser de outra pessoa, sendo assim não encontraríamos a riqueza das diferenças. Porém, o individualismo traz a ideia de egocentrismo, onde a pessoa pensa ser ela o centro de tudo inclusive da vida de outras pessoas. Enquanto a individualidade é uma benção em nossas vidas e nos traz a lição do respeito ao próximo, por justamente saber que ele é diferente de nós, o Individualismo é uma maldição, pois nos engana, colocando um sentimento em nós de superioridade em relação ao nosso próximo. Individualismo não é individualidade, e sim “um sistema que prefere o interesse individual ao coletivo; ou um sistema filosófico que considera o indivíduo como um fim de todas as leis morais e políticas” (Ruth Rocha). Individualidade, é o que se refere ao próprio indivíduo, são características de um determinado indivíduo. Assim, o individualismo não cabe e nem pode ser adaptado aos conceitos cristãos, mas a individualidade sim. 
A individualidade não anula o senso de responsabilidade e de comunhão, pelo contrário, ela é usada como ferramenta para uma construção equilibrada na vida comunitária, ou seja, a individualidade ajuda a criar pontes, a alcançar locais inalcançáveis por alguns. A individualidade anda junto com novas perspectivas, novas possibilidades, e com a construção do respeito ao próximo, possibilitando o ouvir, o enxergar, o analisar. A individualidade constrói novas cores, novos sabores. 
O individualismo anda na contramão, desbota, acinzenta, enegrece. O individualismo causa cegueira gradual e contínua, minando a capacidade de visualizar tons e cores, minando a capacidade de sentir aromas e sabores e consequentemente causando a desumanização da humanidade. O individualismo alimenta o egoísmo, que se torna sinônimo de adjetivos que qualificam quem o pratica. São as “desculpas” que qualificam os comportamentos inadequados. Tudo isso, tem sido gerado pelo individualismo. 
Conselhos têm sido dados a partir de uma visão individualista, ações têm sido praticadas a partir de uma visão individualista, e até mesmo, muitas boas obras têm sido efetuadas a partir de uma visão individualista. E o mundo mergulha no caos de sua verdade. Luara Quaresma cita: “O mundo ainda vai se acabar no seu individualismo e congelar na frieza das pessoas que aqui vivem. Eu estou tentando não ser uma delas. Não aqui, nesse mundo”. 
Viver fora da comunidade cristã é optar pelo farisaísmo, onde o conforto do “somos salvos e conhecedores da verdade” se torna o fim de todas as coisas. Viver fora da comunidade é não experimentar o novo. Viver em comunidade é saborear sempre o novo e saber distinguir os sabores, os doces e os amargos, os ácidos… os sabores que trazem vida. Viver em comunidade torna-se uma experiência individual enriquecedora. Onde se aprende na prática “que é melhor dar do que receber”, pois é dando que se recebe. Esta experiência só pode ser vivenciada em uma vida comunitária, em uma vida desprendida dos conceitos e valores que a sociedade, o mundo impõe. 
Enquanto o mundo nos empurra ao consumismo, ao individualismo, ao egocentrismo, a busca das realizações pessoais e a filosofia do “eu primeiro”, a vida cristã comunitária nos inclina a buscarmos justamente o contrário e a enxergar a beleza no ser, na criação, na criatura, naquilo que está oculto, escondido, pois é precioso demais para estar como mercadoria no mundo. A vida cristã nos faz crer e buscar o sentido real da palavra amor, e que esse amor pode ser vivido ainda que não de forma perfeita, mas de forma que possa estar em crescente aperfeiçoamento. Só se descobre o sentido da palavra amor quando se descobre a vida em comunhão.
Deus, quando criou o homem, deu-lhe características particulares que só ele tem. Diferente de todas as outras criaturas, o homem pensa, decide, sonha. E, embora todos nós, seres humanos, tenhamos uma estrutura física semelhante: cabeça, tronco, membros, coração, fígado, etc; tenhamos ações iguais: andamos, falamos, dormimos, comemos; somos totalmente diferentes uns dos outros. Temos personalidades diferentes, pensamos, reagimos de modo diferente uns dos outros. Isso é individualidade. Embora parecidos, somos únicos nesta Terra. Deus fez de cada homem um universo único. Não existe ninguém igual a você. Diante de Deus, você e eu somos pessoas distintas, alguém especial e Ele olha especificamente para mim e para você. Isso não é maravilhoso? Deus, em Seu sublime trono, no meio de uma multidão, olha a cada um de nós como alguém único, especial. Precisamos aprender, com isso, que as pessoas são diferentes umas das outras, têm histórias diferentes, algumas são mais rápidas, outras são mais lentas; umas aprendem mais rápido, outras precisam de um pouco mais de tempo; umas falam mais, são mais sociáveis, outras mais caladas e retraídas, tímidas. Podemos levar ainda em consideração a cultura de cada povo, de cada região, pois os costumes são diferentes. Diante disso, precisamos respeitar a todos, compreendendo as dificuldades e os limites de cada um. E não só respeitar os outros, mas respeitar a si mesmo, reconhecendo a sua individualidade, se auto-aceitando e aceitando os outros como são. Não esqueça que, como pessoas únicas, somos responsáveis, diante de Deus, por todos os nossos atos e palavras. No meio de uma grande multidão, Deus conhece a cada um de nós, conhece o nosso coração, e sabe cada um dos nossos pensamentos. Individualmente, iremos nos apresentar diante do Pai. Apresente a Ele uma vida de amor, respeito, carinho, serviço, alegria, paz; um coração puro e santo. Alegre o coração do Pai.
O princípio da individualidade nos traz o cuidado, zelo e atenção de um Deus Soberano que se importa com nossas vidas. Deus respeita a sua individualidade, afinal foi Ele que a criou. Ele sabe distinguir cada filho Dele, reconhece suas limitações e medos, como também, seus pontos fortes. A individualidade de um ser nos mostra quem ele é. Seja tímido ou extrovertido, cantor ou dançarino, brincalhão ou observador. E tudo o que somos foi pensado e planejado por Deus na nossa criação! A individualidade também se faz presente na maneira como Deus se revela a cada um de nós, Ele fala e se manifesta da maneira como O iremos compreender! Para a viúva Ele é o Marido, para a noiva Ele é o Noivo, para o órfão Ele é o Pai. Basta você lembrar como foi a sua conversão, de que maneira Ele lhe chamou, e perceber como foi diferente da experiência de seus amigos e familiares. E é justamente nessas diferenças que consiste as riquezas do Reino dos Céus. É no serviço dentro do Reino que a individualidade de cada um desponta, e tendo o foco em Jesus o Corpo passa a usar essas diferenças como algo para somar e não dividir!

HEDONISMO

Das diversas correntes de pensamento mais comuns na pós-modernidade, uma delas é o hedonismo. Embora sua origem remonte a cerca de 435 anos antes de Cristo, poucas filosofias são tão perigosamente atraentes por se relacionarem diretamente àquilo que se tornou o objetivo de vida de tantas pessoas: o prazer. Para o hedonista, só se deve buscar aquilo que dá prazer, enquanto qualquer fonte de dissabores tem que ser imediatamente eliminada em prol de uma vida voltada exclusivamente para satisfazer a própria vontade. Nem é preciso pensar muito para perceber erros e enganos nesta filosofia, mas vamos nos voltar à visão cristã e conferir o que a Bíblia diz a respeito.

Origem 

O fundador da filosofia hedonista seria o grego Aristipo de Cirene, um dos vários filósofos que surgiram na época de Sócrates. Para Aristipo, a alma humana tinha dois estados, sendo a dor e o prazer. O prazer seria o “movimento suave do amor” e, assim, é o único caminho para a felicidade. Além disso, entendia que a importância do prazer corpóreo era tão grande que não importava sua origem, ou seja, vale tudo: estupro, pedofilia, bestialidade, incesto, homossexualidade e todo tipo de bizarrice.
Mesmo naquela época, o hedonismo “cru” era considerado uma prática reprovável, a ponto de ser alterada por outros pensadores, como Epicuro de Samos, fundador do Epicurismo, que reafirmava a importância do prazer, desde que ele viesse da eliminação de elementos que causam a dor, inclusive aos outros. Em outras palavras, os epicureus tentaram redirecionar a busca do prazer sem parâmetro dos hedonistas para algo que não fosse apenas sexual ou sensorial, mas um pouco mais construtivo, como boas atitudes para com o próximo e socorro aos necessitados. O epicurismo também não é materialista e entende que adquirir bens não necessariamente leva a um estado de prazer. Mesmo assim, o epicurismo é uma maquiagem, pois o cerne do conceito hedonista ainda está lá: o prazer é o fim, o motivo de existência do homem na face da terra. Paulo, em sua visita a Atenas, discutiu com epicureus ao pregar o Evangelho do Reino (At. 17:18).
O que importa é ser feliz? 
Os atuais hedonistas não assumem exatamente a visão de Aristipo (pelo menos não de forma aberta), mas tentam minimizar suas práticas. Segundo demonstram, o prazer deve ser achado em tudo: trabalho, alimentação, família, estudos, vida amorosa. Tudo na vida do hedonista precisa trazer uma experiência sensorial prazerosa. E aquilo que não tem esse efeito deve ser removido em detrimento de algo que alcance essas expectativas.
Não é muito difícil notar o quanto essa filosofia está engendrada na sociedade atual. Casamentos duradouros são cada vez mais raros, pois, afinal, há muitos dissabores e contrariedades no caminho de uma relação longa e estável. Se manter casto até o casamento é uma opção que chega a ser digna de dó. Não se valer de práticas corruptas para se beneficiar é bobagem, pois, afinal, todo mundo faz isso. “Se quer fazer alguma coisa, faça, não importa o que seja”, afinal, “nesta vida o que não pode é passar vontade”. Tudo isso nos leva ao mote maior desta filosofia de vida, que se escuta na boca de qualquer um e em qualquer lugar: “O importante é ser feliz”. Curiosamente, o conceito de felicidade de cada um tem que ser inviolável e inquestionável. E se você se sente infeliz é porque não está aproveitando a vida 100%. Se tornou politicamente incorreto ser infeliz no mundo atual.
Uma pesquisa do psicólogo Martin Seligman, professor da Universidade da Pensilvânia/EUA, constatou que aquilo que as pessoas entendem como “felicidade” é baseado em 3 pilares: Prazer, Engajamento e Significado. A constatação de Seligman é justamente que a sociedade ocidental consumista vem buscando a felicidade justamente no mais fraco dos pilares, o prazer. É importante sentir prazer, mas tornar isso o objetivo de vida leva as pessoas justamente a se afastarem dos demais pilares. A busca do prazer a todo custo torna as pessoas egoístas, centradas em si mesmas, com uma visão deformada a respeito do próximo, além de consumistas ao extremo. Curiosamente, a pesquisa de Seligman aponta que Engajamento e Significado são a melhor maneira de se alcançar a felicidade. Engajamento diz respeito a seu trabalho, sua família e até sua igreja, onde você pode se envolver, produzir algo, usar seu talento e imaginação para criar, se desafiar a novas metas. Já o Significado diz respeito a fazer parte de algo maior, a Fé, a crença, ou seja, servir a Deus e se submeter à sua vontade nos traz felicidade.
Uma maneira interessante de perceber a diferença é notar como a história dos apóstolos e dos pais da igreja quase sempre terminava. Todos sofreram perseguição, prisões, exílio e muitos foram feitos mártires. Contudo, na história desses homens, sua caminhada para o martírio não é descrito que os mesmos sentiam tristeza, pesar ou medo, mas iam para a morte com um brilho nos olhos e a certeza da salvação, honrados por sofrerem pelo nome de Cristo. Certamente não falamos aqui de masoquistas, pois é óbvio que todos prefeririam viver, mas saber que a morte não era o fim e ter certeza de sua salvação criava um novo significado para a vida destes homens.
 
Como isso aparece na igreja? 
Atualmente, “ter” uma igreja se tornou um negócio muito rentável. As pessoas estão dispostas a pagar para não terem mais problemas e chateações na vida. Para estas igrejas e seus líderes, Deus está aí para isso mesmo. A suposta doutrina de igrejas desse tipo deixa clara a função de Deus: nos abençoar. Deus mandou seu filho, que nos fez irmãos e co-herdeiros com ele, logo, se ele é o rei, somos príncipes. E, como príncipes, temos acesso direto ao Rei, podemos pedir o que quisermos, temos autoridade, temos poder e devemos usar isso em benefício próprio. Crente “cheio do Espírito Santo” não fica doente, pois doença é coisa do Diabo, e “quem é o Diabo para tocar nos filhos do Rei!”. Privações financeiras, então, é coisa de quem não está firme na fé, e não ter bens materiais significa que você não está servindo a Deus direito. É notório que igrejas assim geralmente são muito mais cheias do que as que pregam um evangelho de provações e resignação, que, por sinal, é muito mais bíblico, mas também mais difícil de seguir. Um evangelho do “eu pago e Deus faz a parte dele” é bastante atraente e prático, além de que pode ser um ótimo negócio.
Mesmo teólogos renomados e respeitados no meio cristão às vezes apresentam doutrinas questionáveis a esse respeito. John Piper, um dos mais influentes pregadores batistas calvinistas e autores do século XXI, lançou a doutrina do “hedonismo cristão”. Segundo Piper, a maior vocação do homem é buscar sua própria felicidade ao buscar a Deus. Em outras palavras, o homem foi realmente feito para ser feliz e deve fazer isso, buscando a felicidade de Deus, usando como texto base Salmo 37:4 (“Agrada-te do Senhor e ele satisfará os desejos do teu coração”) . Não vamos abordar com profundidade os argumentos de Piper nesse momento, mas basta dizer que o simples termo “hedonismo” remete ao prazer como objetivo-fim, ainda que baseado em atos com alvos nobres, como pregava o epicurismo. Continua sendo existir para ter prazer e, nesse caso, servir a Deus “só porque dá prazer”, o que nem sempre é fato.
O que a Bíblia diz a respeito
Servir a Deus não é garantia de que tudo vai nos dar prazer o tempo todo. Muitos servos de Deus passaram por adversidades e nem por isso estavam fora da vontade de Deus. O próprio livro de Jó é um excelente exemplo. Alguns pregadores querem insistir que Jó ainda não era um servo de Deus de fato e que ainda não havia experimentado uma real conversão quando passou por toda a provação infernal imposta por Satanás. Se isso fosse verdade, por que Deus se refere a Jó como seu servo desde a primeira menção do Senhor a ele? E qual seria o mérito do teste, senão provar a Satanás que as provações não fariam que Jó negasse a Deus, já que ele ainda não era “convertido”? A história de Jó tão somente é a prova maior de que servir a Deus não é nenhuma garantia de prazer contínuo e nulidade de sofrimento. Veja que não é o mesmo que gostar de sofrer ou conformar-se com a dor. Jó reclama de sua situação diversas vezes, mas em momento algum confronta ou nega a Deus pelas suas perdas.
 
O cristão não vive apenas para os prazeres desse mundo
O apóstolo Paulo disse a seu discípulo Timóteo que, nos últimos tempos, tudo seria mais difícil e, entre outras coisas, as pessoas seriam mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus (2ª Tm 3:1-5) e que só ouviriam o que lhes interessariam, recusando a verdade (2ª Tm 4:3-5). Jesus mesmo preveniu a seus discípulos que servir a Ele não era garantia de vida tranquila, mas que muitas vezes seriam alvo de ódio (Mt 24:9-13). Mesmo na antiga aliança, já se sabia que a busca exacerbada de prazer era fútil (Ec 2:1) e razão da ruína (Pv 21:17). As dores, dificuldades e provações fazem parte da trajetória de fé e nos ensinam a amar e confiar em Deus. O apóstolo Pedro não apenas confirma esta posição, mas também afirma que é melhor sofrer fazendo o bem do que fazer o mal (1ªPe 3:14-17). Novamente Paulo, quando passava por uma provação que ele mesmo chamou de “espinho na carne”, afirma que provações assim são necessárias para que o Espírito seja aperfeiçoado. O prazer deve estar em servir ao Senhor por amor, fazendo tudo segundo a Sua santa vontade (Salmo 1:1-2), ainda que isso gere dores, dissabores e provações nesta vida. Na bastante conhecida Galeria da Fé, em Hebreus, o autor relembra que os verdadeiros servos de Deus sempre foram detestados pelo mundo, que nem mesmo era digno deles, e muitas vezes tiveram um fim atroz para suas vidas terrenas (Hb 11:1-40). O autor de Hebreus ainda lembra que todo pai que ama o filho às vezes precisa recorrer à correção e ao castigo, e que com Deus não é diferente; o filho só alcançará a compreensão de que essa atitude é necessária e importante quando crescer e amadurecer, por isso cabe a nós aceitarmos e tentarmos entender o querer de Deus para nós (Hb 12:5-16). A provação da fé produz perseverança e nos torna servos melhores (Tg 1:2-3).
 
Deus não prometeu a ninguém uma vida livre de dor e sofrimento. 
É uma questão de perspectiva bíblica. Deus não prometeu uma vida livre de dor e sofrimento neste mundo. Já próximo ao fim da vida, Paulo antevia o que lhe aguardava em breve, crendo que seria levado a salvo ao Reino Celestial (2ª Tm 4:18), independente do que acontecesse a ele nesta vida. Em Apocalipse, a Bíblia descreve a visão dos glorificados, aqueles que foram redimidos pelo sacrifício de Jesus, dizendo que nunca mais passarão por privações como fome, sede ou o ardor do sol e, além disso, “Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 7:14-17).

O hedonismo é incoerente com a vida cristã, uma vez que esta é feita de renúncia diária (Mc 8.34). Negar a si mesmo é oferecer o outro lado da face, é perdoar e amar os nossos inimigos, bendizer os que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem.  Ter a mesma humildade de Cristo, andar em santidade como Ele andou, guardando os seus mandamentos e fazendo a vontade do Pai. Isso é negar a si mesmo. Não há nada prazeroso em renunciar o que quer que seja. Jesus é o nosso maior exemplo: esvaziou-se de sua glória, foi humilhado e morreu após uma vida inteira de serviço e amor ao próximo.

 

NARCISISMO

 
Quem já ouviu falar de Narciso?
Pois é! De acordo com a mitologia greco-romana, Narciso foi um jovem que, por causa de uma maldição, se apaixonou pela própria imagem refletida na lagoa de Eco. A admiração pela própria imagem fazia Narciso pensar que era semelhante a um deus! Em sua mente, tudo girava em torno de sua beleza!
 
Parece-me que hoje, cada vez mais, as pessoas são encorajadas a olharem para si mesmas com os olhares de Narciso! Impressiona-me, por exemplo, como tudo gira em torno de entretenimento! Vale tudo para fazer as pessoas se sentirem bem, alegres e felizes, mesmo que isso aconteça às custas da realidade! Além disso, existe entre nós uma espécie de existencialismo barato, que faz com que o mundo em que vivemos seja o mundo da autoajuda e do estilo de vida baseado na busca pelo prazer, o que muitos confundem com felicidade.  O problema é que a moda pegou, e pegou muitos cristãos! Sim, os cristãos têm acreditado nessa mentira e, junto com os ímpios, fazem coro dizendo que “o que importa é a minha felicidade e nada mais”! Você já parou para ouvir os cânticos da moda? Já percebeu como eles disfarçadamente colocam o homem e suas necessidades no centro, ao invés da obra e pessoa de Cristo? Você já entrou numa livraria evangélica e viu quantos títulos existem tratando de autoajuda? O que dizer, por exemplo, da liturgia de algumas igrejas, que incentiva a sensualidade e a extravagância? E as pregações que tratam de “5 passos para felicidade” ou “8 passos para uma vida de sucesso”? Meus irmãos, a velha mentira (de que seríamos como deuses) faz mais parte da nossa realidade do que imaginamos!
 
Um antídoto contra o narcisismo gospel!
 
Deus nos fez para A Sua glória! (Is 43.7)
Ele é a medida de todas as coisas! Tudo o que existe, existe para que Ele seja magnificado e glorificado! Nada foge deste propósito! Assim, precisamos entender que não somos o centro do universo! Não nos bastamos! Não estamos aqui para encontrar a felicidade! Aliás, nenhuma perspectiva pode ser mais egocêntrica do que esta! Imagine que, harmoniosamente, todas as coisas no universo declaram a glória do grande Deus! Agora imagine que o homem, ao contrário de toda a criação, insiste em perceber o mundo a partir de si mesmo! Se Deus é incomparável e de valor inigualável, não percebê-lo como fonte e centro de toda a existência seria uma prova de imenso egoísmo.
 
A Bíblia não é um livro de autoajuda (2ª Pe 1.19-21)
A Bíblia não é uma caixinha de promessas! A Bíblia não é uma espécie de amuleto ou tarô gospel, onde as pessoas, aleatoriamente (e misticamente), buscam uma palavra mágica! A Bíblia não é um livro de autoajuda comprometido com a minha satisfação e autoaceitação! Ao contrário, a Bíblia é a revelação de Deus, comprometida com a glória dEle! Na Bíblia, Deus revela a si mesmo (sozinhos não poderíamos compreendê-lo) a homens pecadores! Dessa forma, a Bíblia deve ser entendida como um todo, um todo que revela a Glória de um Deus que escolheu, por graça, redimir um povo por meio do Seu Filho. Assim, pregações como “5 passos para o sucesso” ou até “atitudes que liberam a benção” não fazem o menor sentido biblicamente, porque removem a pessoa e obra de Cristo do centro (ainda que textos bíblicos sejam usados) e colocam o homem! Portanto, nos coloquemos diante do Livro dos livros, entendendo que Deus é glorificado quando nós conhecemos e reconhecemos a Sua glória revelada em cada página dele! E sabemos que isto está acontecendo quando o resultado da nossa leitura bíblica nos faz estimar mais a Cristo e menos a nós mesmos!
 
Precisamos de uma perspectiva correta de nós mesmos! (Sl 139.13,14)
Precisamos entender que o fato de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus não me dá nenhuma prerrogativa para autoglorificação ou autogratificação! Muitas pessoas têm entendido esta doutrina de maneira equivocada! O fato de termos sido criados de forma admirável e assombrosa, aponta para a magnitude do Criador e não para a nossa, visto que todas as coisas têm como objetivo revelar a glória de Deus! Portanto, ao invés de dizer “amem-se” ou “valorizem-se”, o discurso deveria ser “valorizem a Deus por aquilo que vocês são, colocando à disposição dEle seus dons e talentos”! Percebe? Não precisamos nos sentir bem conosco mesmos! Precisamos é reconhecer que Deus já nos deu tudo o que precisamos em Cristo, e que se precisamos nos sentir bem conosco mesmos para sermos felizes e tudo o mais, estamos reconhecendo que estas coisas estão em nós e não em Cristo!
 

Muitas vezes a palavra “narcisismo” é utilizada no senso comum de maneira pejorativa, para designar um excesso de apreço por si mesmo. Para a psicanálise, trata-se de um aspecto fundamental para a constituição do sujeito. Um tanto de amor por si é necessário para confirmar e sustentar a autoestima, mas o exagero é sinal de fixação numa identificação vivida na infância.  A ilusão infantil de que o mundo gira ao nosso redor é decisiva nessa fase, mas para o desenvolvimento saudável é necessário que se dissipe, conforme deparamos com frustrações e descobrimos que não ser o centro do universo tem suas vantagens. Afinal, ser “tudo” para alguém (como acreditamos, ainda bem pequenos, ser para nossa mãe) é um fardo pesado demais para qualquer pessoa. Alguns, no entanto, se iludem com o fascínio do papel e passam sua vida almejando o modelo inatingível de perfeição. 

http://ebdbelasartes.blogspot.com.br/2016/09/licao-11-egoismo-hedonismo-e-narcisimo.html

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37 respostas para Egoísmo, Hedonismo e Narcisismo

  1. Pluralismo versus narcisismo

    Por Rubem Amorese

    Talvez os dois principais “motores” da Renascença sejam as grandes navegações e a prensa de Gutenberg. Esses elementos “pluralizantes” estão por trás dos movimentos que levaram à passagem do pensamento medieval para o que se chamou depois de Iluminismo. O Ocidente percebeu que havia outros modos de agir, trabalhar, pensar, crer, fazer arte etc. As consciências acompanharam as mudanças nos meios e modos de produção da vida.

    Pluralismo X Narcisismo

    Se, até aqui, a sociedade era uma quitanda, transformou-se em um supermercado. Se o queijo oferecido era único, agora competia nas prateleiras com seus inúmeros congêneres. E a consciência de que para tudo havia opções nos tornou plurais. E também hedonistas, pois agora escolhíamos de acordo com nossos gostos pessoais. Essas opções se alastraram para todas as esferas da vida, gerando uma nova consciência, que passou a ser chamada de “síndrome do consumidor”. “Eu pago, eu comparo, eu exijo. Se você não tem o que desejo, procuro outro fornecedor.”

    Foi assim com os canais de TV – e surgiu o zapping. Entretanto, foi assim também com amizades, modos de vestir, doutrinas de fé, cores do carro, casamentos e, hoje, opções de gênero. Já posso fazer zapping de amizades, de igrejas, de look pessoal etc. E quem poderá me criticar? Diante de uma prateleira abarrotada de massas de tomate, você escolhe a que mais gosta, não? Olhamos um para o outro e evitamos qualquer crítica, porque o lema é “respeitar para ser respeitado”. Aprendemos a conviver com o dissenso.

    Charles Dickens olhou para o início disso tudo e afirmou: “É o melhor dos tempos; é o pior dos tempos”. Sim, ele via, maravilhado, o início de uma civilização pluralista, plena de brilhos, recursos, facilidades, seduções e, inclusive, perigos. Alguns não conseguirão se conduzir bem nesse novo ambiente e adoecerão. Por exemplo, o desejo de “ter” poderá endividar famílias inteiras ou torná-las ansiosas, superficiais nos relacionamentos, deprimidas, medrosas, solitárias etc., além de narcisistas.

    O narcisismo existe desde que Eva pensou em ser como Deus. No entanto, com a superficialização das relações e a mudança da forma como a sociedade avalia uma pessoa, ou seja, passando do seu caráter para o poder aparente, constituído de bens, beleza, fama, prestígio e outros acessórios, eis que surge o transtorno de personalidade narcisista (TPN). O Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5), elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria, descreve essa personalidade. Cito alguns traços dela: grandiosidade com expectativas de tratamento superior aos outros; fixação por fantasias de poder, sucesso, inteligência, atratividade etc.; autopercepção de ser único, superior e associado a pessoas e instituições de alto status; necessidade de ser admirado; exploração de outros para obter ganho pessoal; falta de empatia com os sentimentos, desejos ou necessidades dos outros; atitude pomposa, arrogante e invejosa.1

    Certo dia, “Plural” e “Narciso” ouvem, do evangelho, um chamado ao ágape: a um íntimo, profundo, significativo, caridoso, afetuoso, humilde, gracioso e sacrificial relacionamento com Deus e com os irmãos. Ouvem que isto se faz pelo poder de Deus, e que isso será, para eles, salvação.

    Nota
    1. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_narcisista.

    • Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista por vinte anos e também consultor legislativo no Senado Federal. É autor de, entre outros, Fábrica de Missionários e Ponto Final. Acompanhe seu blog pessoal: ultimato.com.br/sites/amorese.

    http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/370/pluralismo-versus-narcisismo

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  2. O Hedonismo (do grego He-dom, que significa “prazer”) é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer individual e imediato o bem supremo da vida humana. Surgiu na Grécia, na época pós-socrática.

    O hedonismo, também conhecido como a cultura do desejo e das fantasias é uma tendência que cresce em nossa sociedade, valorizando o prazer individual como objetivo de vida. Romper com essa cultura é um desafio para a igreja atual mesmo porque muitos dos “pecados” que envolvem a sexualidade de muitos cristãos não acontecem na prática em si mas são gerados e alimentados nas deturpações de mente.

    Cartaviva

    Revista de Cultura e Informação Editada pelo Ministério Sal da Terra – Uberlândia- MG – Brasil | Ano 2010 Nº12

    Ministério Sal da Terra

    http://www.saldaterra.org.br

    SOLUÇÃO DE PROBLEMAS: A CAUSA, O RESULTADO E O REMÉDIO PARA PROBLEMAS
    (Tg 4:1_10)

           Tiago dá bastante atenção à questão da resolução de problemas. Ele começa fazendo uma pergunta: Qual é a origem dos conflitos que há entre seus leitores? Se depender de suas próprias forças, não conseguirão solucionar suas divisões e querelas: Quando Tiago aborda a questão, ele corta fundo na carne e revela tanto a causa como o remédio para os problemas deles.

           Bons líderes conseguem discernir rapidamente a causa dos problemas. e também apresentam soluções práticas. Na maioria das vezes, eles encontram problemas entre as pessoas:

    A causa de nossos problemas: hedonismo (vs. 1_3).
          Tiago apresenta uma resposta para sua própria pergunta. A origem de seus problemas? Sua busca egocêntrica pela satisfação de seus próprios prazeres. A palavra grega usada tem o radical da palavra “hedonismo”. Tem os sintomas de uma doença, e os sentimentos dela revelam objetivos egoístas: Luxúria, inveja, contendas e brigas.

    A consequência de nossos problemas; inimizades (vs. 4_6).
           O hedonismo sempre leva para a hostilidade. As pessoas ficam tão apegadas às suas próprias metas, que acabam se tornando hostis para as outras pessoas e Deus. Elas se tornam como adúlteros, que desejam tanto a satisfação de seus desejos, que se esquecem do seu casamento.

    A solução de nossos problemas: humildade (vs. 7_10).
           Visto que Deus se opõem aos arrogantes, mas se mostra favorável para com os humildes, a solução reside em pedirmos humildade pela graça de Deus. Essas pessoas não haviam pedido a ajuda de ninguém (vs. 2). Na maioria das vezes, a humildade resulta em paz e na solução dos problemas.

    Bíblia – Liderança Cristã – Tiago.

    Almeida Revista e Atualizada – SBB

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  5. rfbarbosa1963 disse:

    Nós vivemos em uma sociedade consumista e imediatista. Queremos tudo para “ontem” e já. Somos como que uma criança que pede algo aos pais e caso não receba imediatamente se aborrece até conseguir.

    Os meios de comunicação em geral tem de certa forma contribuído para que isto aconteça.

    Geralmente comento que o mundo é um “campo minado” (figuradamente falando), e só estando em Cristo e vivendo em conformidade com as escrituras sagradas poderemos caminhar neste mundo sem nos ferir ou ferir ao nosso próximo. Lembro-me de uma frase que o Bp Ubirajara citou a algum tempo(“O conhecimento intelectual da Bíblia não gera vida em nós, é preciso que a palavra entre no coração”).

    Concordo plenamente com o que o Bp Walter Mc-Alister escreveu no livro  “O fim de uma era”, pg. 46:

    “Históricamente, o hedonismo generalizado é um dos sinais de uma civilização que está morrendo. E nossa civilização está morrendo. Não somos mais movidos por idéias ou ideais, só queremos saber do agora, do prazer.

    Isso quer dizer que estamos vivendo o fim de uma era, tanto cristã quanto ocidental. O ocidente está agonizando. É extremamente importante que enxerguemos isto. Nós estamos à beira de uma mudança cataclísmica na estrutura e na face de nossa civilização. O mundo está para ser estremecido, mudando sua face, a maneira pela qual as pessoas se relacionam, as regras de convivência social, a definição do que é um “ser humano”. E, com o mundo, a Igreja como nós a conhecemos ou será reformada ou morrerá.  Hedonismo não é a doença, é um sintoma de algo muito mais profundo e grave.

    Livro – O FIM DE UMA ERA – Bp Walter Mc-Alister – Editora Anno Domini

    “Algumas pessoas são narcisistas, egocêntricas. Falar por uma hora e ser o centro das atenções as satisfaz”. Jonathan Alpert (Psicoterapeuta americana).

    PFC
    Quando morremos para o egocentrismo, vivemos para o Deus acima de nós.

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