Deixemos a história do crescimento numérico dos evangélicos por conta do IBGE

É possível dividir a história da evangelização do Brasil em três períodos distintos e naturais: nos séculos 16 a 18, missionários católicos cristianizaram o país; no século 19, missionários protestantes evangelizaram o país; e, no século 20, missionários e obreiros brasileiros pentecostalizaram o país (com o auxílio dos carismáticos católicos).

No início ocorreu a pré-evangelização; no século seguinte, a evangelização propriamente dita; e, no século passado, a pós-evangelização. Em todo o mundo, o século 16 foi o grande século missionário católico; o século 19, o grande século missionário protestante; e o século 20, o grande século pentecostal.

Embora tenha havido um intervalo de apenas 57 anos entre a primeira missa católica (1500) e a primeira celebração da Santa Ceia protestante (1557), os evangélicos demoraram mais de três séculos e meio para dar início à obra missionária em terra brasileira.

As cinco primeiras denominações a se instalar no Brasil foram, por ordem cronológica, os congregacionais (1855), os presbiterianos (1859), os metodistas (1867), os batistas (1882) e os episcopais (1889).

A igreja evangélica brasileira é muito jovem: tem apenas 150 anos. Todavia espalhou-se por todos os cantos da nação e cresceu muito. Tornou-se uma igreja missionária, com não poucos brasileiros trabalhando em favor do evangelho em países de todos os continentes.

O crescimento sempre traz riscos. Ele pode embebedar as pessoas e provocar euforia demasiada. Euforia é quase sinônimo de assanhamento, aquela manifestação de uma criança elogiada que começa a fazer gracinhas para chamar atenção. Essa euforia pode criar uma espécie de ideia fixa de crescimento numérico, em grave detrimento do crescimento qualitativo. Outro sério risco é a busca do crescimento numérico como fonte de visibilidade, projeção, riqueza, glória e poder.

História da evangelização é uma coisa, e história do crescimento da igreja é outra. A diferença talvez não seja muito visível, mas é enorme. A história da evangelização é o registro de todo o esforço feito pela igreja (como assembléia dos salvos) para proclamar Jesus Cristo como Senhor e Salvador, “por cuja obra o homem se liberta tanto da culpa como do poder do pecado, e se integra aos planos de Deus, a fim de que todas as coisas se coloquem sob a soberania de Cristo” (René Padilla). Já a história do crescimento (divorciado da evangelização) é o registro de todo o esforço feito para encher os bancos vazios e, em sua versão mais escandalosa, aumentar o número de dizimistas.

Tenhamos coragem suficiente para escrever a história da evangelização da pátria amada. Deixemos a história do crescimento numérico da igreja com o IBGE!

  • Revista Ultimato Setembro-Outubro 2006 edição 302

“O cristianismo de hoje não transforma as pessoas. Pelo contrário, está sendo transformado por elas. Não está elevando o nível moral da sociedade; está  descendo ao nível da própria sociedade, congratulando-se com o fato de que conseguiu uma vitória, porque a sociedade está sorrindo enquanto o cristianismo aceita a sua própria rendição”. A.W.Tozer

 

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