O REMÉDIO PARA O ESPÍRITO IRRITÁVEL

NO SALMO 37 o Espírito Santo admoesta a acautelar-nos com a irritação em nossa vida religiosa:

“Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade”.

       A palavra “indignes” traduz “fret”, que vem do anglo-saxão e traz consigo vários sentidos tais, que chegam a produzir doloroso sorriso em nosso rosto. Observe como eles nos desmascaram e nos localizam por traz dos nossos disfarces. O sentido primário da palavra é comer, e daí se estendeu com invulgar franqueza, passando abranger muitas das manifestações de uma disposição irritável. “Devorar, roer, atormentar; irritar; moer; mortificar; contrariar; afligir-se; agitar; consumir-se; é o que diz o dicionário Webster, e todos os que já experimentaram os efeitos extenuantes e corrosivos da irritabilidade sabem quão exatamente a descrição é pertinente aos fatos.

       Ora, a graça de Deus no coração humano atua acalmando a agitação que normalmente acompanha a vida no tipo de mundo em que vivemos. O Espírito Santo age como “mediador”, reduzindo ao mínimo a ira e sustentando a inquietação e irritação em suas fases mais grosseiras. Mas, para a maioria de nós, o problema não é tão simples assim. A irritabilidade pode ser raspada até o chão, e suas raízes permanecerem vivas nas profundezas da alma, ali crescendo e se propagando  de maneira totalmente insuspeita, enviando para cima as suas velhas e venenosas vergônteas com outros nomes e com outras aparências.

       As palavras “não te indignes” não foram ditas aos não regenerados, mas sim, a pessoas tementes a Deus, capazes de entender as realidades espirituais. Nós cristãos precisamos vigiar e orar para não cairmos em tentação, vindo a inutilizar o nosso testemunho cristão com um espírito irritável sob as tensões  e pressões da vida.

       Exige-se grande cuidado e um verdadeiro conhecimento de nós mesmos para distinguir-se um fardo espiritual de uma irritação religiosa. Não podemos cerrar nossas mentes para tudo que está sucedendo à nossa volta. Não ousamos repousar serenamente em Sião quando a igreja se acha tão desesperadamente necessitada de homens e mulheres espiritualmente sensíveis, que possam ver as suas faltas  e tentar chamá-la de volta às veredas da justiça. Os profetas e apóstolos dos tempos bíblicos levavam em seus corações fardos tão opressivos pelo desobediente povo de Deus, que podiam dizer: “As minhas lágrimas tem sido o meu alimento dia e noite”, e, “Oxalá a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos em fontes de lágrimas! Então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo”. Pesava sobre esses homens um verdadeiro fardo. O que sentiam não era irritada contrariedade, mas aquela preocupação com a honra de Deus e as almas dos homens.

       Algumas pessoas se irritam com facilidade, por natureza. Têm dificuldade em separar as suas antipatias pessoais de fardo do Espírito. Quando estão aborrecidas, dificilmente conseguem dizer se o que sentem é algo puro e benfazejo, ou mera irritação pelo fato de outros cristãos terem opiniões diferentes das suas.

       De uma coisa podemos estar certos: jamais poderemos fugir dos estímulos externos que causam contrariedade. O mundo está repleto deles e, ainda que nos retirássemos para uma caverna e vivêssemos sozinhos o resto de nossos dias, mesmo assim não poderíamos livrar-nos deles. O rústico teto da nossa caverna nos incomodaria, a atmosfera ambiente nos incomodaria, a atmosfera ambiente nos irritaria e o próprio silêncio nos afligiria.

       A libertação do espírito irritadiço pode dar-se por sangue e fogo, pela humildade, pela abnegação e pela maneira paciente de levar a cruz. Sempre haverá “malfeitores” e is que “praticam a iniquidade” e, na maioria, parecem ter sucesso, enquanto as forças da justiça parecem fracassar. Os ímpios sempre terão dinheiro, talento, publicidade e muitos companheiros, ao passo que os justos serão poucos, pobres e desconhecidos. O cristão que negligencia a oração certamente interpretará mal a sinais e se irritará com as circunstâncias. É contra isso que o Espírito nos adverte.

      Observemos com calma o mundo; ou melhor ainda, olhemos para ele lá embaixo, das alturas onde Cristo está sentado e onde nós, que estamos nele, estamos sentados também. Embora o ímpio se expanda “qual cedro do Líbano, apenas por um momento. Depressa passa e desaparece. Mas, “vem do Senhor a salvação dos justos, ele é a sua fortaleza no dia da atribulação”. Este conhecimento é medicina para o espírito irritadiço.

A fé cresce melhor no inverno da atribulação. Rutherford

Lv 6:13

“O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.”

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Uma resposta para O REMÉDIO PARA O ESPÍRITO IRRITÁVEL

  1. Mari disse:

    Texto maravilhoso, estou lendo o livro onde foi extraído esse texto, maravilhoso, tem me edificado muito! Deus abençoe esse post….benção de Deus os conteúdos do blog, Deus abençoe!

    Curtir

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