A vida do Cristão entre os não-cristãos – Parte 1

A vida do Cristão entre os não-cristãos 

 1ªPe 2:11

“Queridos amados, suplico-vos como estrangeiros e peregrinos, a vos absterdes das paixões carnais, que guerreiam contra a alma.”

A Igreja de Jesus Cristo é inundada por pessoas que assumem autoridade de Deus, autoridade que, na verdade, elas não têm. Se isto é um mal entendido das Escrituras ou um simples defeito na personalidade, está além da minha compreensão. Mas eu sei que nenhuma ostentação está fundamentada na Escritura.

       Pedro, como apóstolo, tinha toda autoridade que Deus jamais dera a outro homem na terra… maior autoridade que a desfrutada por Moisés, porque era mais amplo. No entanto, Pedro não dá ordens a estes Cristãos dispersos em outros lugares, mas lhes suplica e os chama de um jeito terno e cheio de afeição. “Queridos, amados, eu suplico a vocês.”

       A razão é que há determinados atos morais que não podem ser garantidos por mandamentos. Alguns outros sim. É totalmente possível controlar, “Não matarás”, porque o ato de matar pode ser contido, e se não matarmos alguém, teremos cumprido o mandamento, e uma vida humana é salva. Mas há alguns outros atos que devem ser voluntariamente executados, se forem genuínos, porque a vontade é uma parte do conteúdo moral deles, de maneira que ameaças e forças não podem garantir esses objetivos.

 Estar disposto a permanecer separado

Se Pedro tivesse dito, “ordeno a vocês que caminhem como peregrinos e estrangeiros e evitem a luxúria carnal,” ele estaria comandando uma impossibilidade. Conhecer o caráter de um peregrino e de um estrangeiro e viver diante de Deus em quebrantada humildade e pureza, que substitui os desejos da carne, é algo que somente pode ser alcançado por uma vontade espiritual; portanto, não pode ser ordenado.

        Permitam-me ilustrá-lo assim. Um homem pode voltar para casa vindo do seu trabalho como um homem brutal, grosseiro, ir até sua esposa e, com uma expressão zangada, ameaçá-la e dizer, “Qual é o motivo do jantar não estar na mesa?”, e mandar que ela sirva seu jantar. Ela tem medo dele e sabe que ele tem uma espécie de direito legal sobre ela, então ela se apressa e põe o jantar na mesa. Ele recebe seu jantar por mandamento, mas não pode ir até essa mesma mulher e dizer, “Eu ordeno que você me ame,” Ele não pode obter amor por mandamento, porque a atitude que parte da vontade e participação intima de uma gentileza voluntária são necessários para amar, mas não são necessários para a obediência a um mandamento. O homem de Deus não disse, “Eu ordeno”; ele disse, “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis vossos corpos com sacrifício vivo, santo, agradável a Deus” (Rm 12:1). A natureza desta consagração foi tal que eles tiveram que fazê-lo de bom grado, e sem represálias ou sanção, ou não o teriam feito de modo algum.

       Pedro lhes explicou que os Cristãos são estrangeiros na terra. A palavra “estrangeiro”, como Pedro a usa aqui, é o “que reside temporariamente”. Normalmente, refere-se a alguém que vive, por um tempo em um país estrangeiro, fora de casa e sem a intenção de permanecer, separados dos nativos pela vestimenta, pela conduta e geralmente pela cultura. O estrangeiro é uma pessoa de um país estrangeiro que não está em casa onde está, e não vai sossegar e sentir em casa ali, mas está temporariamente nesse país. Ele é separado pelo idioma, então ele fala com sotaque. Ele é separado pela vestimenta, costume, conduta, alimentação e cultura. Isso faz dele um estrangeiro.

       A América não conhece tantos estrangeiros; nós os absorvemos muito rápido. Nós os diluímos tão rápido que quase não sabemos quem são eles. Tão logo superem sua primeira barreira original do sotaque, são americanos. Mas a Bíblia reconhece aqui alguém que reside temporariamente em uma terra onde estão somente por um período. É algo como os homens das Nações Unidas na cidade de Nova York. Eles estão ali somente temporariamente, não tem intenção de ficar, e não estão providenciando os papéis de naturalização; eles são forasteiros. Estão ali por um período, separados pelo idioma, costumes, conduta, passado, tradição, memórias, e todo o resto.

Não ficar confortável

       Tão logo um homem deixe de ser separado daqueles ao seu redor, ele não é mais um estrangeiro. Mas Pedro nunca reconheceu que nos naturalizamos ou superamos nossa característica como estrangeiros. Como Cristãos, somos estrangeiros na terra.

       Abraão e Ló são exemplos excepcionais de como homens podem ser estrangeiros e em seguida deixar de sê-lo. Abraão e Ló vieram de Ur dos Caldeus e entraram na terra da Palestina. Um dia, seus pastores brigaram. E Abraão e Ló tiveram uma reunião amigável, como dois parentes devem fazer, conversaram a respeito e decidiram que era melhor separarem-se. Eram grandes demais para crescer juntos, e havia um relacionamento hostil entre seus servos.

       Abraão, então disse, “Examine e vá pelo caminho que você quiser, e eu ficarei com o que sobrar.” Então, egoísta como era, Ló especulou as planícies do Jordão e se mudou nesta direção. Abraão ficou nas planícies de Manre, onde havia alguma grama, mas não muita.

       O homem Ló foi para onde a grama era verde e armou as suas tendas voltadas para Sodoma. Não demorou muito até que ele estivesse sentado à porta de Sodoma, o que muito equivale a dizer que ele não era o prefeito da cidade, ao menos estava numa posição oficial de destaque, porque eles tinham seus escritórios no portão da cidade, como temos o City Hall agora. Um dia, alguns outros reis apareceram, fizeram um ataque à cidade e a capturaram, e a Ló e seus pertences.

       Mais tarde, alguém que escapara veio à procura de ajuda. Onde eles procuram? Ló não estava em posição de ajudar, ele era uma das pessoas capturadas. Onde eles foram procurar por ajuda para aquela situação incomum? Eles disseram, “Vamos contar a Abraão, o hebreu.”

       A palavra “hebreu” significa “estrangeiro”. O único homem capaz de ajudar naquela crise era o homem que nunca tinha se misturado com eles, que permanecia separado deles. Somente alguém do lado de fora deles poderia resgatá-los de seu dilema. Assim mandaram buscar a Abraão, não a Ló. Ló já estava algemado, preso e paralisado como um porco pronto para ser levado ao mercado. Ló, que se sentava no portão, agora estava deitado na parte de trás de uma carroça em algum lugar, sendo arrastado com um pedaço de carne. Eles tiveram que mandar buscar a Abraão, o estrangeiro, a quem Sodoma tinha deixado livre, e a todo o seu povo. Abraão pegou seu pequeno exército, saiu, derrotou o inimigo e resgatou a Ló e sua gente.

       Outro exemplo. Dois cristãos começam juntos e um deles se envolve com as coisas deste mundo. Ele perde seu caráter como estrangeiro. Ele pode subir a um lugar onde se sente ao portão, mas ele perde algo que o outro homem tem. O outro homem se retira e se mantém separado tanto quanto possível dos caminhos do mundo, e vive a vida separada de um estrangeiro. Então problemas vêm e alguém desce a rua preso numa jaula. Qual deles é procurado? Ló, o assimilador? Não, ele está em tantos problemas quanto os demais. Eles sempre mandam buscar o homem que se separou e permanece separado, Abraão.   

BIBLIOGRAFIA: VIVENDO COMO UM CRISTÃO

EDITORA MOTIVAR

A.W. TOZER (1897 – 1963)

“A teologia da prosperidade surgiu como resposta ao vácuo deixado pela falta da missão integral. Os pobres precisam saber como sobreviver até chegarem ao céu. Se não há missão integral, eles precisam da Teologia da prosperidade.” (Pastor ugandense).

 

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