O cristão acredita em toda a Bíblia – Parte 1

O cristão acredita em toda a Bíblia

 1ªPe 3:18; 4:6

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito…”

“Pois para este fim foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.”

  Aqui está uma boa regra de trabalho para compreender corretamente a Bíblia: se você não tiver mais que um versículo para apoiar o que você lê, não ensine isso. Pois se algo não for encontrado em mais que um versículo para apoiar o que você lê, não ensino isso. Porque se algo não for encontrado em mais que um versículo da Bíblia, as possibilidades de não ser encontrado são nulas, e o que você considera uma passagem para ser ensinada, na verdade não o é, de forma alguma.

       Suponha que eu fosse discutir sobre a vida futura e escrevesse a pessoas que praticam o batismo pelos mortos, e disse-se a elas, “como você pode negar a vida futura, quando você pratica o batismo pelos mortos? Eu estaria dizendo, na verdade, “Agora você construiu para si uma vida futura, porque você está agindo como se pensasse que aquelas pessoas que morreram estivessem ainda vivas. “Portanto, você acredita em uma vida futura e sua própria prática de batismo pelos mortos prova isso.” Isso não significa que eu aprovei o batismo pelos mortos; somente mostra que eu estava discutindo que eles acreditavam em uma vida futura pelo fato de estarem tentando ajudar pessoas na vida futura.

       Paulo fez a pergunta, “Doutra maneira, que farão os que se batizam por causa dos mortos? Se, absolutamente, os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa deles?” (1ªCo 15:29) Isso não significa que ele aprovava esta prática, porque ele não aprovava de forma alguma o batismo pelos mortos, nem ele exortou a ninguém a fazê-lo, e nem há uma só linha na Bíblia que ensine isso. Mas ele apela para algo que alguns deles ao menos faziam e acreditavam, para mostrar o quão inconsistente eles eram ao dizer que não havia ressurreição dos mortos.  É obvio que as pessoas que disseram que não havia ressurreição eram as mesmas que praticavam o batismo pelos mortos.

       Então considere aquele famoso trecho: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; (Mt 16:19). Esta é obviamente um trecho obscuro. Eu nunca o ouvi satisfatoriamente explicado.

       Alguns negarão que a Bíblia tem qualquer autoridade sobre a igreja, fundamentados em que a Bíblia saiu da igreja, e não a igreja saiu da Bíblia. Eles negarão capítulos inteiros dela, porque argumentam, “Você não a entende, e do mais ela não é uma ligação entre nós, porque a Bíblia é filha da igreja, e não o contrário; portanto, a Bíblia não é uma autoridade sobre a igreja.” Mas se você reclamar que o papa não é o vice-regente de Cristo na terra, eles correrão para aquele trecho obscuro, “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus.” Eles dizem, “Como você se atreve a negar a Bíblia, pois ela diz, “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus”, e referia-se a Pedro, e o papa é o descendente de Pedro.”

 Escritura obscura atrai falso ensino

Eu não sei como chegamos isso, mas o falso ensino sempre caça uma passagem obscura. Isso me lembra o missionário Mórmon viajando, e alguém diz a ele, “Você acredita em uma variedade de esposas. Como você lida com aquela passagem que diz, seja o bispo marido de uma mulher?” Ele retruca, “Isso significa ao menos uma mulher.” Ele explicou, de qualquer modo.

       A heresia sempre caça a obscuridade, e o falso ensino sempre caça o texto difícil. Repare, é como se eu o levasse para a minha fazenda e dissesse a você, “Aqui você encontra maçãs, peras, uvas, melancias e batatas doce,” e eu citaria 15 ou 20 frutas, legumes ou grãos comestíveis, e diria, “Agora isso é tudo seu, assuma.” Então eu voltasse um mês depois e encontrasse meus hóspedes famintos, e dissesse a eles, “O que houve? Vocês parecem subnutridos.”

       Eles diriam, “Estamos subnutridos porque encontramos uma planta que não podemos identificar. Há uma planta atrás do antigo carvalho podado ali, perto do final do campo mais longínquo, no morro, e ficamos um mês tentando identificar essa planta.”

       “Mas vocês estão famintos! Vocês tiveram tantas outras plantas ao redor, e parecem doentes. O que aconteceu com vocês?”

       E eles replicariam, “Estávamos preocupados unicamente com essa planta.”

       É exatamente isso que muitos dos filhos de Deus fazem. Eles próprios se privam de alimento para morrer diante de um trevo de joelhos porque há uma pequena antiga planta atrás do tronco no trecho mais distante do campo que eles não conseguem identificar. Os hereges estão sempre famintos até a morte, enquanto se preocupam com aquele trecho obscuro da Bíblia. Não deixarei de fora este trecho de 1ª Pedro, para que ninguém venha e preocupe a você com isso, e diga que não sabia o que ele significa e, então tente provar que você está errado.

Leia o texto corretamente

Primeiramente, o que este versículo não ensina? Ele não ensina o universalismo. Universalismo é a crença na ressurreição de todos os seres decaídos para um estado de bem aventurança. Alguns deles acreditam somente na restauração de todos os seres humanos para a bem aventurança, e que não somente os Cristãos, mas também todos os seres humanos, vão finalmente ser bem aventurados. Então há outro tipo de universalismo moral exaustivo, o qual ensina que não somente na ressurreição de todos os seres humanos, mas também a restituição do diabo e de todos os anjos decaídos. Eles são muito generosos e aceitam tudo – cada humano e cada criatura que está decaída e pecou contra Deus.

      Este ensino universalista de que cada criatura moral estaria finalmente salvo é uma ilusão nascida do desejo e brota de motivos humanitários, s estabelece, em dúvida. Sentimentos humanitários, na melhor das hipóteses, nos levam a desejar a salvação de todos, mas não fala da Bíblia. A Bíblia especificamente estabelece, “Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” Isso retrata um inferno onde o diabo e seus anjos estão, e onde todos aqueles não encontrados no livro da vida estarão finalmente confinados. Então ensino da Bíblia é definitivamente não universalista, e o que quer que esse trecho ensine, não ensina universalismo.

       Segundo, ele não ensina uma segunda chance. Os Russelitas – eu não os chamo de Testemunhas de Jeová porque não quero sujar o santo nome identificando-o com quaisquer falsos ensinos – ensinam que há uma segunda chance. Eles dizem que aquele que morre terá uma chance no mundo futuro, e se ele rejeitar aquela chance será aniquilado, e deixará de existir. Quando um pecador morre, ele morre na terra, corpo e alma num estado de profunda inconsciência; então ao vir a ressurreição, ele será ressuscitado e receberá uma segunda chance. Se ele rejeitar essa chance, então será aniquilado e deixará de existir, e não haverá inferno. É isso que os Russelitas ensinam.  

       Claro, esse erro deriva de um texto difícil. Ele não consegue permanecer à plena luz da Bíblia; ele não pode permanecer diante dos ensinamentos de Jesus; ele não pode permanecer frente ao livro de Romanos, livro de Hebreus, Apocalipse, e não pode permanecer diante dos quatro Evangelhos. Esta heresia possivelmente não permanece diante de toda a luz da Bíblia. É uma agradável planta que floresce a sombra do pensamento humano; mas tão logo a colocamos voltada para a Bíblia como um todo, ela definha e morre.

BIBLIOGRAFIA: VIVENDO COMO UM CRISTÃO

EDITORA MOTIVAR

A.W. TOZER (1897 – 1963)

 

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