Maravilhosa graça

Ef 2.8

“Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.” 

Você já parou para pensar o que é graça? Graça é a mais clara demonstração de carinho que você e eu já recebemos; é o transbordar generoso do amor de Deus por meio de Jesus Cristo!

Vejo isto muito claramente na vida de três homens. O primeiro deles é o inglês William Cowper, nascido em 1731. Aos 6 anos ele perdeu sua mãe; aos 10 anos seu pai o enviou para um internato onde viveu uma vida horrível e cheia de desapontamentos. Aos 32 anos desistiu do sonho de ser um magistrado em consequência de uma profunda depressão, que o levou a tentar o suicídio muitas vezes. Tentou pular no rio Tâmisa, mas foi impedido; ingeriu veneno, porém foi encontrado a tempo por alguém que o socorreu; atirou-se sobre uma faca, mas a lâmina quebrou com o peso do seu corpo; tentou enforcar-se, contudo um vizinho o encontrou e cortou a corda antes que ele morresse; tomou muitos comprimidos antidepressivos, mas foi salvo por sua empregada. Sofrendo de depressão aguda e profunda inquietação mental, beirando a loucura, voltou-se cada vez mais para Cristo.

Um ano após suas tentativas de suicídio, lendo a Bíblia no jardim de sua casa, uma passagem o marcou: “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva. Deus ofereceu Cristo como sacrifício para que pela sua morte na cruz, Cristo se tornasse o meio das pessoas receberem o perdão dos seus pecados, pela fé nele” (Rm 3.24-25). O Espírito Santo atuou em seu coração através daquelas palavras e ali mesmo rendeu-se a Cristo, sendo salvo dos seus pecados. O próprio Cowper afirma: “Não sei como, mas num momento, recebi poder para crer e o sol da justiça brilhou em meu coração. Vi claramente a suficiência do sacrifício feito por Cristo; o perdão através do seu sangue; a completa e ampla justificação”.

Aos 34 anos, restaurado da depressão, Cowper compôs 64 hinos cristãos e muitas poesias, sendo considerado um dos maiores poetas inglês. Além da música e da poesia, ele lutou pela causa dos pobres e dos escravos!

O segundo homem a receber a graça de Deus foi o inglês John Newton, nascido em 1725. Coincidentemente ele também perdeu sua mãe muito cedo, mas sempre se lembrava das orações que ela fazia por ele, ajoelhada ao lado da cama.

Quando jovem, Newton tentou desertar da marinha inglesa, porém, como punição, foi açoitado.

Aos 25 anos iniciou seu trabalho como comandante de navio negreiro. Ele transportava escravos africanos para América. Os escravos eram marcados com ferro quente e transportados no porão do navio com os pés, mãos e pescoço acorrentados, sentados lado a lado ao longo da viagem. Quando algum escravo apresentasse diarreia, algo muito comum naquela situação, eram feitos supositórios de cordas para controlar o fluxo; se morressem, eram arremessados ao mar. Estas coisas eram feitas sob a supervisão do comandante do navio, que por vezes também açoitava os escravos. E esta era a função de John Newton.

Em uma dessas viagens, o navio enfrentou uma grande tempestade e estava prestes a afundar. Temendo a morte, e ouvindo o gemido dos negros acorrentados no porão, Newton ofereceu sua vida à Cristo: “Senhor, tem misericórdia de nós”. O Senhor veio em seu auxílio e acalmou as águas. Quando voltou para a cabine, Newton refletiu e entendeu que Deus falava com ele através da tempestade, e que a sua graça havia se manifestado.

Newton converteu-se, abandonou os navios negreiros e começou a estudar para ser pastor, função que exerceu nos últimos 43 anos de sua vida trabalhando em uma capela em Londres. Lá se tornou amigo do poeta William Cowper e juntos eles trabalharam nos cultos semanais e nas reuniões de oração. Também compuseram hinos, entre eles “Amazing Grace”, que Newton dedica ao dia da sua salvação na tempestade, dentro do navio negreiro:

“Maravilhosa graça! Como é doce o som
que salvou um pecador como eu!
Estava perdido uma vez, mas agora fui encontrado;
era cego, mas agora posso ver.
Essa graça ensinou meu coração a temer,
é a graça que alivia meus medos;
como é preciosa a graça que apareceu
no momento em que eu acreditei nela.
Terminados muitos perigos, labutas, e armadilhas,
eu estou voltando;
essa graça trouxe-me seguro até aqui,
e a graça conduzir-me-á para casa.
O senhor prometeu-me bondade,
sua palavra me dá esperança;
meu escudo e porção será,
enquanto minha vida existir.
Sim, quando esta carne e coração falharem,
e a vida mortal cessar,
eu possuirei, atravessando o véu,
uma vida da alegria e da paz.
Quando nós estivermos lá por dez mil anos,
brilhando como o sol,
não teremos menos dias para louvar a Deus
do que quando nós começamos.”

Mas o plano de Deus não se limitou apenas em juntar Willian Cowper e John Newton. Em um culto onde os amigos cantavam, um jovem chamado William Wilbeforce, recém convertido ao cristianismo, procurou o pastor Newton para ser seu conselheiro. A amizade entre eles fez brotar um anseio ardente pelo fim da escravatura, e, inspirado pelo pastor, Wilbeforce começou a levantar mais cedo para orar e ler a Bíblia. Em uma de suas devocionais, ele entendeu que sua missão era lutar pelo fim da escravatura. Então disse: “A perversidade da escravatura é tão grande, medonha e irremediável que estou completamente preparado para lutar pela abolição, seja qual forem as consequências. Nunca descansarei até conseguir a abolição da escravatura”. Apesar da fragilidade de sua saúde, ele lutou diariamente contra a escravidão.

Estes três homens ilustram a graça de Deus. Suas histórias foram entrelaçadas, como um bordado; antes da graça, víamos o bordado pelo lado avesso, sem entender como um emaranhado de fios poderia resultar em alguma coisa. Mas Deus sabe o que está bordando.

Cowper morreu em 1800, com 69 anos de idade. William Wilbeforce, em 1833, e alcançou o seu objetivo: o fim da escravatura. O hino composto por seu pastor, “Amazing Grace”, foi o hino de sua luta. Newton, antes de morrer em 1807, com 82 anos, disse: “Minha memória quase se foi, mas recordo duas coisas: eu sou um grande pecador e Cristo é meu grande salvador!”. Ele foi enterrado no jardim da igreja que pastoreava e em sua lápide está escrito a frase que ele mesmo havia escolhido: “John Newton, pastor, uma vez um infiel e libertino, foi pela rica misericórdia do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, preservado, restaurado, perdoado e chamado para pregar a fé que eu mesmo antes tentei destruir”.

Isto é a graça de Deus, e ela foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo (Ef 4.7). Se hoje você se sente escravizado, lembre-se: Cristo pode quebrar suas algemas! Fique na graça do Senhor Jesus Cristo, no amor de Deus, e na comunhão do Espírito Santo.

• Márcia Heuko, bacharelando em teologia pela Faculdade Fidelis, é coordenadora do Ministério de Ensino Didaskalia da Igreja Irmãos Menonitas Refúgio das Águias, em Curitiba, da qual é membro. mrheuko@hotmail.com

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2 respostas para Maravilhosa graça

  1. A Finalidade da Lei

    Talvez em nenhuma outra passagem da Escritura o objetivo da Lei esteja tão bem explicado como na carta aos Gálatas. O apóstolo Paulo pergunta para que é a lei, e em seguida responde: ‘Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita, e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro’. E mais adiante: ‘De maneira que a Lei serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé, fôssemos justificados’ (Gl 3:19,24).

    Do texto bíblico, e a luz de todo o contexto, percebe-se que a lei, embora ordenada para o bem, não conseguiu justificar ninguém. Pelo contrário, foi alvo de muitas transgressões e culpas que deveriam levar o homem a conhecer a sua própria miséria e impotência e, partindo daí, a se humilhar diante de Deus, porque o justo viverá da fé’ (Gl 3:11).

    A lei, portanto, serviu ao israelita, a quem foi dada, como um pedagogo, ou aio, até que a fé viesse. Mas depois que a fé veio, não estamos mais sujeitos ao pedagogo. Em outras palavras, o objetivo último da lei é fazer que o pecador sinta a necessidade de justificação e perdão, e levá-lo, ao final, a confiar em Jesus Cristo e a recebê-lo como seu único Salvador e Senhor, recebendo dele a salvação do pecado e da consequência deste, a morte espiritual.

    Lições Bíblicas 4º Trimestre de 2017 – Adultos – A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Lição 7 – A Salvação pela Graça

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  2. rfbarbosa1963 disse:

    Hoje, ao ler este texto, trouxe a memória alguns acontecimentos em meu passado e refletir em duas passagens bíblicas:

    Lm 3:21_23
    “Entretanto disto me recordo, e portanto tenho esperança:

    As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, pois as suas misericórdias não tem fim.

    Novas são a cada manhã; grande é a tua fidelidade.”

    1ªPe 4:10

    “Servi uns aos outros, conforme o dom que cada um recebeu, como bons dispenseiros da multiforme graça de Deus.”

    Jeremias escreveu esta lamentação em um momento de grande desolação para a nação de Israel, porém o profeta conseguia enxergar com os olhos da fé a restauração da nação.

    Ao meditar nesta passagem (Lm 3:21_23) e no texto do post (Maravilhosa Graça), podemos trazer a memória os grandes feitos de Deus em nossas vidas e nos lembrar que apesar de sermos pecadores, uma vez que nos rendemos aos pés do Senhor Jesus, confessamos os nossos pecados e pedimos que ele entre em nossos corações e transforme o nosso ser, isto de fato acontece na medida da bondade de Deus, pois é sua vontade que sejamos restaurados, transformados.

    A multiforme graça de Deus são incontáveis apesar da jornada ser longa e muitas das vezes sofrida. Ele estará conosco todos os dias até a consumação dos séculos.

    Mt 28:20
    “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”

    Neste contexto entra o segundo texto:
    1ªPe 4:10
    “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.”

    Ou seja, servir uns aos outros na multiforme graça de nosso Senhor Jesus.

    O serviço cristão em si torna-se prazeroso em todos os segmentos da sociedade, igreja e família na medida que somos alcançados por Deus não, porque somos mais cultos, inteligentes, abastados ou capacitados, porém porque fomos criados a imagem e semelhança de Deus e passamos a refletir sua imagem e semelhança em nossas atitudes, comportamentos, em nossas reações em meio as adversidades do dia a dia, em nossos relacionamentos interpessoais, lembrando o que o nosso Senhor Jesus citou em “…vós sois o sal da terra”, “…vós sois a luz do mundo”.

    Quando lembro destes textos faço comentários que a função básica, primordial do sal não é temperar, salgar, dar sabor. A função principal do sal é preservar.

    Quando o Sr Jesus falou sobre isto, acrescentou:

    Mt 5:13
    “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.”

    A palavra insípido significa (Retirei o significado no Google):

    sem sabor, que não possui gosto;
    sem graça, enfadonho, monótono.

    Como professor de química do ensino médio em uma escola pública posso afirmar pelos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos que insipidez significa impureza e não decomposição como muitos pensam. Ou seja, Jesus afirmou naquele tempo que as impurezas retiram, maculam a sã doutrina. Por isto comentou que se o sal se tornasse insípido para nada mais prestava a não ser lançado fora e ser pisado pelos homens. Era uma prática naquele tempo de jogar o sal insípido nas “estradas” para serem pisados pelos homens. Obviamente o texto em Mt 5:13 é um exemplo do uso de uma figura de linguagem na língua portuguesa.

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