BEBÊS

       Pedro compara seus leitores a bebês recém-nascidos porque eles nasceram de novo (1ªPe 1:23). Mas o que é o novo nascimento? Dizer que é o que acontece quando somos batizados como membros da igreja é um erro. De fato, o batismo é o sacramento do novo nascimento. Porém não devemos confundir o símbolo com a realidade, ou a placa com o que é representado.

       O novo nascimento é uma mudança profunda, interior e radical, realizada pelo Espírito Santo em nossa personalidade humana, que nos concede um novo coração e uma nova vida e nos faz uma nova criatura. Além do mais, como Jesus afirmou em sua conversa com Nicodemos, ele é indispensável. “Importa-vos nascer de novo” (Jo 3:7), disse ele.

       O problema é que não emergimos do novo nascimento com o entendimento e o caráter de um cristão maduro, nem com asas angelicais totalmente desenvolvidas (!), mas, em vez disso, “como crianças recém-nascidas” – fracas, imaturas, vulneráveis e, acima de tudo, precisando crescer. É por isso que o Novo Testamento fala da necessidade de crescer em conhecimento, santidade, fé, amor e esperança. Assim, Pedro escreve que seus leitores devem “crescer” em sua salvação (v.2). Isso quer dizer que eles devem se desfazer de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências “(v.1), pois (deduz ele) essas coisas são infantis. Então devemos deixá-las e crescer na semelhança com Cristo.

       Porém, como devemos crescer? Tendo em mente a figura de um bebê recém-nascido, observamos no versículo 2 a referência de Pedro ao “genuíno leite espiritual”: “Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação”.

         Em outras palavras, assim como, para uma criança, o segredo do crescimento saudável é a regularidade de uma dieta correta, a alimentação diária e disciplinada é a principal condição para o crescimento espiritual.

       Então que leite devemos consumir para crescer em maturidade cristã? De acordo com a Bíblia Almeida Revista e Atualizada, é o “genuíno leite espiritual”. O adjetivo grego é logikos. Essa palavra pode ter o significado literal de “metafísico”, oposto ao leite da vaca, ou “racional”, que quer dizer alimento para a mente e para o corpo, ou “a palavra de Deus”, como em 1ªPedro 1:23. A Palavra de Deus é certamente tão indispensável para o nosso crescimento espiritual quanto o leite materno o é para o crescimento do bebê. “Deseje-o ardentemente”, incentiva Pedro, “se é que já tendes a experiência que o Senhor é bondoso” (1ªPe 2:3). O teólogo Edward Gordon Selwin, em seu comentário, sugere que Pedro tem em mente “o entusiasmo de uma criança amamentada”. Pedro parece dizer: “Vocês já provaram, agora saciem-se”.

       Na vida cristã a disciplina diária é uma profunda necessidade. William Temple, arcebispo de Canterbury durante a segunda Guerra Mundial, disse para uma multidão de jovens:

  • A lealdade dos jovens cristãos deve ser primeira e principalmente ao próprio Cristo. Nada pode tomar o lugar do tempo diário de comunhão íntima com o Senhor […]. De alguma forma, encontre tempo para isso e assegure-se de que é uma experiência verdadeira.

John Stott – O discípulo radical

 

“Assim, se queremos desenvolver uma maturidade verdadeiramente cristã, precisamos acima de tudo, de uma visão renovada e verdadeira de Jesus Cristo – principalmente de sua supremacia absoluta, da qual Paulo fala em Colossenses 1:15_20. É uma das passagens cristológicas mais sublimes de todo o Novo Testamento.”

O Discípulo Radical – John Stott

 

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Uma resposta para BEBÊS

  1. A Necessidade de Novo Nascimento

    “Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo”. (Jo 3:7).

    Cremos na necessidade absoluta do novo nascimento pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo.

    Não existe salvação sem Jesus (Jo 14:6). Nicodemos e Paulo eram israelitas e professavam a religião dos seus antepassados, Abraão, Isaque, Jacó, Samuel, Davi e outros patriarcas, reis e profetas do Antigo Testamento. Mas Cornélio era romano e, mesmo assim, talvez por influência da religião judaica, era “piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus” (At 10:2). Observe que essas atitudes de Cornélio tinham a aprovação divina (At 10:4). Mas ninguém é salvo pelas obras (Gl 2:16). Por isso o apóstolo Pedro foi enviado para falar a Cornélio sobre a salvação em Cristo. A descrição bíblica da conduta de Cornélio se repete ao longo da história humana nas mais diversas culturas e civilizações. A conversão envolve fé, arrependimento e regeneração. A salvação é um dom de Deus mediante a fé em Jesus (Ef 2:8,9).
    É nossa tarefa como cristãos e comunicadores do evangelho falar sobre a necessidade do novo nascimento não somente ao pecador contumaz, mas também aos muitos “Nicodemos” e “Cornélios” que estão à nossa volta.

    Não basta ser bom religioso, Gandhi estava equivocado. Nicodemos, Cornélio e Saulo de Tarso, entre tantos outros, eram também bons religiosos; no entanto, Jesus disse que Nicodemos precisava nascer de novo para ver o reino de Deus (Jo 3:1_5); Cornélio precisou se converter a Cristo (At 10:1_6), e Saulo, com toda a sua sinceridade e religiosidade (At 26:5; Gl 1:14), reconheceu depois de sua experiência com Jesus no caminho de Damasco o seu estado de miséria espiritual: “a mim, que dantes, fui blasfemo, e perseguidor, e opressor; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade” (1ª Tm 1:13), e conclui afirmando ser o “principal dos pecadores” (1ª Tm 1:15).

    A vontade de Deus não tem nada que ver com religião; o que ele deseja é a comunhão com suas criaturas inteligentes. Quando Adão pecou no Éden, ele e sua mulher por si mesmos procuraram se esconder do Criador, mas a iniciativa de comunhão de uma relação que acabara de ser rompida foi do próprio Deus (Gn 3:7_10). Quando Deus mandou Moisés construir o tabernáculo, disse: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Ex 25:8). Era o lugar santíssimo, também chamado de “santo dos santos” (1ªRs 6:16; Hb 9:3), uma das dependências do tabernáculo, onde ficava a arca da aliança (Ex 26:33; Lv 16:2,3). Nesse lugar santíssimo, Deus se revelava aos filhos de Israel e falava ao povo, a princípio port meio de Moisés (Ex 25:22; Nm 7:89) e depois falava com o povo por meio do sumo sacerdote (1ª Rs 8:10,11). a importância do tabernáculo e posteriormente do templo não estava nos sacrifícios, mas na presença de Deus. Tudo isso se consumou na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”
    (Jo 1:14). O restabelecimento da plena comunhão com Deus por Jesus Cristo será no mundo vindouro: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21:3).
    A vontade de Deus não é que as pessoas se tornem religiosas, mas a sua comunhão com elas. Essa comunhão com Deus é restabelecida no novo nascimento: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se ferz novo” (2ª Co 5:17). É assim que o pecador é transformado e regenerado pelo poder do Espírito Santo.

    A Razão da Nossa Fé – Assim cremos, assim vivemos – Livro de Apoio do 3ºT 2017 Adulto CPAD

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