Estudo de Iniciação Cristã – GERE – Os dons do Espirito Santo

Os Dons são uma dádiva, um presente de Deus para sua igreja e não devem ser ignorados (1ªCo 12:1). A finalidade dos dons é a edificação, exortação e consolação da igreja (1ªCo 14:3).

       Os dons são distribuídos segundo a vontade de Deus (1ªCo 12:11).

       Os dons não são distribuídos por mérito pessoal (Ef 2:8_9).

Ef 4:12,13

“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,”

12.1- A CLASSIFICAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

       Há nas Escrituras Sagradas cinco (5) listas de Dons do Espírito Santo, porém estudaremos a princípio apenas a primeira lista de 1ªCo 12:8_10.     

       Os dons espirituais, para serem mais bem compreendidos, são divididos em três categorias:

a) Dons de Revelação (1ªCo 12:8). 

(*)O dom da revelação, ou conhecimento, é a capacidade especial que Deus concede a alguns membros do corpo de Cristo, que os capacita a receber conhecimento específico para corrigir um processo, indicar soluções ou confirmar propósitos para o bem-estar e crescimento da igreja.

(*)https://institutoparacleto.org/2017/03/17/no-reino-de-deus-evite-resistir-ou-fugir-dos-seus-planos/

-Palavra de Sabedoria (Mt 21:24; 2ªRs 3:15_17).

-Palavra de Conhecimento (Jo 1:48).

-Discernimento de espíritos (1ªCo 12:10; At 8:23; 13:6_13; 16:16_18).

       O discernimento para os cristãos abrange mais do que distinguir espíritos; trata-se também de usar a razão para tomar decisões no dia a dia. Como cristãos comprometidos com a igreja e uma vida de adoração, a prática do discernimento é um desafio para estarmos atentos à rotina e identificarmos a interação de Deus conosco. reconhecendo a oportunidade para rejeitar o mal, buscar uma vida de santidade e praticar o amor e a justiça para abençoar as pessoas ao nosso redor. Em Cristo, guiados pelo Espírito Santo, podemos refinar nosso discernimento a fim de identificar a vontade de Deus para nossa vida e responder à voz divina.

b) Dons verbais ou de Alocução (1ªCo 12:10).

-Profecia: Trata-se de um dos mais conhecidos e procurados. Mas também é o mais perigoso, devido ao seu mau uso.  Não tem finalidade de estabelecer normas ou dirigir a igreja. Também não deve ser visto como forma de consultar o futuro.

-Variedade de Línguas.

A NATUREZA DAS LÍNGUAS

A glossolalia. É a manifestação das línguas estranhas no batismo no Espírito Santo bem como das línguas como um dos dons espirituais. Trata-se um termo técnico de origem grega glossa, “língua, idioma”, e de lalía, “modo de falar” (Mt 26:73), conjugado à “linguagem” (Jo 8:43), substantivo derivado do verbo grego lalein, “falar”. A expressão lalein glossais, “falar línguas” (1ª Co 14:5), é usada no Novo Testamento para indicar “outras línguas”. É importante saber que as línguas manifestas no dia de Pentecostes são as mesmas que aparecem na lista dos dons espirituais (1ª Co 12:10,28; 14:2). Ambas são de origem divina e sobrenatural, mas são diferentes apenas quanto à função.

A xenolalia é, ao mesmo tempo, a mais difícil variação da glossolalia para documentar e a mais amplamente registrada. Por exemplo, Emílio Conde relatou, na obra História das Assembleias de Deus no Brasil, p.67, que no primeiro batismo nas águas na cidade de Macapá (AP), em 25 de dezembro 1917, a nova convertida Raimunda Paula de Araújo, ao sair das águas foi batizada com o Espírito Santo. Ela falou em línguas estranhas com tanto poder que os assistentes encheram-se de temor de Deus. Os judeus negociantes da cidade haviam comparecido ao batismo. Um deles, Leão Zagury, ficou tão emocionado e maravilhado com a mensagem que ouvira que não se conteve e clamou em alta voz no meio da multidão; “Eis que vejo a glória do Deus de Israel, pois esta mulher esta falando a minha língua”. O judeu não era crente. Porém, Deus, através da crente Raimunda, falou-lhe em hebraico.”

*Glossolalia

“[Do gr. glosso, língua + lalia, falar em língua] Dom sobrenatural concedido pelo Espírito Santo, que capacita o crente a fazer enunciados proféticos e de enaltecimentos a Deus em línguas que lhe são desconhecidas. […]A glossolária, conhecida também como dom de línguas, línguas estranhas ou variedade de línguas, é um dom  espiritual que, à semelhança dos demais, não ficou circunscrito aos dias dos apóstolos: continua atual e atuante na vida da Igreja”.

-Interpretação de Línguas.

c) Dons de Poder (1ªCo 12:9_10).

-Dom da Fé: Aqui não se revela a fé salvadora, ou seja, aquela que é necessária para a salvação. Antes, está em foco uma fé especial, um alto grau de fé. Foi essa modalidade de fé que sustentou os cristãos que foram perseguidos e martirizados, porém conservaram sua fé em Cristo (At 6:8_15).

-Dom de Curar: Significa que alguém será usado por Deus para ministrar curas de enfermidades. Porém, isso não quer dizer que essa pessoa está habilitada para curar todos os doentes.

-Dom da Operação de Milagres: Todos nós temos em mente uma forma bem definida sobre o que vem a ser um milagre. Para exemplificar esse dom, apresentamos o ministério de Jesus (Mt 8:26, Jo 6:11).

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10 respostas para Estudo de Iniciação Cristã – GERE – Os dons do Espirito Santo

  1. Discernimento do Espírito: um dom necessário

    O QUE É DISCERNIMENTO

    O discernimento é uma prática espiritual que todo crente deve desenvolver no seu relacionamento com o Senhor. O apóstolo Paulo recomendou aos filipenses que eles crescessem em sabedoria e em conhecimento para que pudessem escolher as coisas excelentes. Assim, poderiam viver sem culpa e agradar a Deus até a volta de Cristo (Fp 1:9_11). Ter sabedoria e conhecimento remete a discernir, julgar ou escolher entre duas ou mais opções. O conselho paulino, então, expressa que devemos desenvolver uma reflexão crítica que nos ajude na nossa santificação para sermos melhores servos de Deus e cumprirmos os propósitos divinos na nossa vida.
    Praticar o discernimento é reconhecer quando Deus está se comunicando com alguém, ou se é alguma distração. Como escreveu Richard Peace, teólogo e professor de formação espiritual, discernimento é uma maneira para distinguir as diversas vozes, impulsos, conselhos e intuições. Isso não é fácil para aqueles que vivem uma rotina carregada de atividades. A sensibilidade do reconhecimento depende da intimidade que se tem com o Senhor, de quanto se está atento para ouvir e seguir as orientações dadas pelo Espírito Santo (1ªCo 2:11_16). Terão dificuldades em identificar a voz divina aqueles que não buscam a presença do Senhor.
    O uso do discernimento considera tanto a tomada de decisão em assuntos corriqueiros da vida humana quanto também o discernimento de espíritos. Há diferentes tipos de discernimentos porque as escolhas também variam. O teólogo A.W. Tozer exemplifica esse ponto no seu artigo “Como o Senhor guia”. Ele classificou quatro tipos de escolhas com que os cristãos se deparam no cotidiano. As duas primeiras estão relacionadas às coisas que foram proibidas ou permitidas por Deus e estão registradas na Bíblia. A terceira é aquela em que usamos o bom senso, a inteligência e a preferência que Deus nos dá. A quarta refere-se aos problemas que não se encaixam nas três anteriores, por isso exigem atuação especial do Senhor para evitar enganos. Independentemente do tipo de escolha, podemos perceber que o Senhor é quem guia em todas elas, seja uma decisão simples ou complicada.
    A passagem de 1ªCo 12:8_10 fala sobre dons espirituais relacionados ao ato de discernir; são eles: sabedoria, conhecimento e discernimento de espíritos. Seguindo a interpretação dos assembleianos brasileiros, como expresso na
    Declaração de fé das Assembleias de Deus, “o dom da sabedoria é um recurso extraordinário proveniente do Espírito Santo, cuja finalidade é a solução de problemas igualmente extraordinários” (p. 173). É para resolver algo que está além das condições humanas e que só a intervenção divina soluciona. O outro dom, o do conhecimento, é uma compreensão que também só provém de Deus, manifestada pelo Espírito Santo. Da mesma forma é o discernimento de espíritos: só pelo Espírito Santo é possível identificar as imitações malignas. Esses dons apresentados em 1ªCo 12 são aqueles relacionados a situações excepcionais que somente a atuação divina pode solucionar, independentemente do esforço ou da inteligência humana. Na classificação de Tozer, são esses os casos do quarto tipo de escolha.
    Nós, que vivemos o período da igreja, temos o privilégio de desfrutar a operação do Espírito Santo no mundo. Podemos ter conhecimento da vontade de Deus porque o Espírito Santo foi dado à igreja e a cada crente para nos guiar em toda a verdade (Jo 16:12_15). Essa atuação é consequência de Pentecostes (At 2). Dessa forma, nossa capacidade de discernir qualquer que seja o caso, algo básico do cotidiano ou uma situação impossível, depende de quanto estamos aptos a escutar a voz divina.
    Esse privilégio, no entanto, pode se tornar uma distração que confunde o ato de julgamento da pessoa. Isso ocorre quando se fala que Deus disse algo quando na verdade, Deus não disse. Embora seja resultado da ação do Espírito Santo, há o risco de subestimar ou superestimar a voz divina, acrescentando ou reduzindo a mensagem conforme a vontade pessoal desejar. Esse tipo de abuso é um perigo porque impede alguns de viverem de maneira que glorifique o nome de Deus, levando outros a desconfiarem da atuação do Espírito Santo e escandalizando outros, que se afastam da presença do Senhor. A manifestação do Espírito Santo é vista com reservas por alguns, que acreditam que as pessoas se deixam dominar pelas emoções. O desafio, então, é deixar que Deus use mente e emoções.

    A MENTE RENOVADA E O DISCERNIMENTO

    A base do discernimento pessoal está apresentada no ensino de Paulo. Com base em Romanos 12:1,2, é preciso ter compromisso com Deus, a mente renovada e uma vida em comunhão com uma igreja. Dessa forma, a vontade de Deus pode ser conhecida. Esses são elementos imprescindíveis para a vida cristã, não só para discernir o bem do mal.
    Ter compromisso com Deus significa entregar a vida ao Senhor. Esse pensamento paulino é identificado por A.W. Tozer em “Como o Senhor guia”. Segundo o autor, para ter discernimento, é fundamental que o crente se dedique à glória de Deus e se entregue ao Senhorio de Jesus Cristo. A natureza humana é pecaminosa, “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Portanto, o primeiro passo é ter consciência dos pecados e confessá-los ao Senhor. Devemos, então, ter uma vida santa e nos oferecer por completo ao Senhor – física, espiritual e emocionalmente, isso é o culto racional. Essa atitude de ter compromisso com Deus leva a transformação de vida. Antes era o pecado que dominava a pessoa, mas, em Cristo, o pensamento e as emoções são trabalhados por Deus (Rm 8: 9,10).
    Aqueles que não se dedicam à santificação não são capazes de andar segundo o Espírito de Deus porque não é o esforço humano que transforma, mas Cristo (Rm 8:1_4). Estar em Cristo é não viver pelo pecado, mas sim ser guiado pelo Espírito Santo. Segundo Craig Kreener, em A mente do Espírito, “racional” significa que a mente determinará como o corpo servirá a Deus. Assim, “a mente renovada discerne a vontade de Deus (12:2), inclusive o lugar em que o indivíduo pode ser produtivo no corpo de Cristo (12:_8)” (p.229). A transformação é a reversão do intelecto corrompido, porque a mente degenerada, não consegue avaliar a vontade de Deus. Pela fé em Cristo, a vida pecaminosa é transformada em uma vida reta. Assim, a renovação da mente significa deixar o pecado e viver de acordo com os padrões divinos, tendo em vista não o presente, mas a era vindoura. O resultado é o cristão usar seu corpo para servir a Cristo.
    Tendo uma vida dedicada ao Senhor com uma mente guiada pelo Espírito, o cristão ainda precisa estar ligado a outros crentes. Estar em comunhão com a igreja, ou o corpo de Cristo, significa cuidar dos membros (Rm 12:4), aprender a viver em submissão aos outros (Rm 12:5), sobretudo à liderança. Estar em comunhão com os irmãos e as irmãs ajuda a entender a operação divina por meio do Espírito Santo e a esclarecer a vontade de Deus. Isso, porque há um vínculo entre os membros: um sente quando o outro está enfrentando problemas ou dúvidas, sendo capaz de encorajar e dar assistência quando necessário.
    Nos versos 1 e 2 de Romanos 12, vemos que o discernimento da vontade de Deus para nossa vida é o resultado da atividade mental humana. O culto racional dispensa “truques mágicos” e não pode ser reduzido a emoções. Tendo um relacionamento sólido com o Senhor, o Espírito Santo trabalha em nossa vida por completo, e assim somos capazes de reconhecer o que é bom da perspectiva divina.

    O DISCERNIMENTO NA PRÁTICA

    As Escrituras, por meio da operação do Espírito Santo, desempenham um papel importante na vida humana (Cl 3:16) e servem de controle para a prática do discernimento. Por meio delas, aprendemos sobre a salvação, Deus e sua revelação em Jesus, e nossa fé é fortalecida. O texto bíblico é a referência do cristão, e nenhuma mensagem que lhe é entregue está acima do texto inspirado pelo Espírito Santo. Isso aponta para as limitações do discernimento humano. Embora tenhamos a capacidade de avaliar o que é moralmente certo ou errado, as mensagens recebidas são uma garantia interna de que Deus esta conosco e não podem ser impostas as outras como regra.
    A oração é uma ferramenta fundamental para o discernimento, por se tratar de relacionamento e comunicação com Deus. Como se ora, no entanto, precisa ser avaliado. Se o objetivo é a busca por melhor compreensão, a oração não deve ser intercessora ou peditória. Ao contrário, é uma conversa em que se fala e em seguida, se cala para ouvir; é uma oportunidade para se ficar em silêncio na presença do Senhor.
    O discernimento pode ser tanto pessoal quanto coletivo. Por pertencer a uma igreja local, muitas vezes surgem ocasiões em que é preciso decidir sobre algo que afetará todos os irmãos e irmãs. A prática do discernimento em grupo, como explica Nancy Bedford em “Pequenas ações contra a destruição”, envolve seguir o caminho de Jesus Cristo com criatividade, levando em consideração não só a vida pessoal, mas também o impacto das suas ações na família, na igreja, no bairro, no trabalho e outras dimensões da nossa vida social. Isso demanda organização de grupos de oração, análise os problemas e reflexão para busca de possíveis soluções.
    Quando discernimos a voz de Deus, é o momento de responder a ela. Essa atitude reflete nosso interesse em nos relacionarmos com o Senhor. São diversas as maneiras como podemos responder: com louvor, arrependimento, quebrantamento, confissão de pecado, agradecimento e mudança de atitude. Essa atitude, então, mostra que estamos abertos a viver e ser transformados conforme a vontade de Deus, e não conforme a nossa própria vontade.

    O DISCERNIMENTO E A BATALHA ESPIRITUAL

    No contexto evangélico brasileiro, em que predominam os que acreditam na manifestação sobrenatural dos dons espirituais, é preciso tomar cuidado para não entender o discernimento como uma prática mágica. Esse tipo de atitude transfere o discernimento a determinadas pessoas que seriam capazes de distinguir as mensagens divinas das demoníacas ou receber informações privilegiadas sobre os eventos. Essa crença cultural, então, pode ser levada para a igreja, e os crentes passam a nomear pessoas que teriam poderes especiais para realizar proezas. São diversas as implicações desta prática que banalizam a operação do Espírito Santo. Fica no esquecimento que Deus deseja interagir com cada pessoa, e o cristão não é incentivado a submeter-se e a desenvolver um relacionamento com Deus. Corre-se o risco de reduzir a prática do discernimento a emoções. Cria-se a imagem de um Deus oferecedor de bens materiais.
    Alguns pontos podem servir como referência para avaliar se o discernimento diante de determinada situação é de providência divina. Um bom indicador é observar se a mensagem que recebemos é compatível com a mensagem da Bíblia. Se a consequência de nossos atos é pecaminosa, Deus certamente não está pedindo que a pessoa tome essa posição ou se comporte dessa maneira. Além disso, é um bom critério observar a qualidade do resultado de nossas ações decorrentes da mensagem que recebemos. Outra maneira de avaliar a mensagem recebida é conversando com pessoas de confiança na igreja que frequentamos ou outros crentes.
    Discernimento é para a vida cristã como um todo, e não só para momentos de decisão ou discernimento dos espíritos malignos. Portanto, ter bom discernimento e direção está relacionado a viver na presença de Deus. O relacionamento íntimo se desenvolve por meio da oração, do conhecimento e prática da sua Palavra (Sl 119:105), deixando que nossa mente seja guiada pelo Espírito Santo (1ªPe 5:7) e pedindo por sabedoria quando ela for necessária (Tg 1:5,6).

    Bibliografia:

    Batalha Espiritual – O povo de Deus e a Guerra Contra as Potestades do Mal – Livro de Apoio das Lições Bíblicas do 1ºT 2019 Adulto CPAD.

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  2. O DOM DE PROFECIA

    Antes de qualquer coisa, é muito importante saber diferenciar o dom de profecia e o ofício de profeta… O cânon das Escrituras está fechado e Deus não revela mais nada novo nos dias de hoje para a sua igreja, pois tudo que Deus quis revelar para a humanidade está na sua Palavra e ninguém pode acrescentar mais nada e nem tirar nada. Gálatas 1.8 diz: “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja anátema!”

    O que é o dom de profecia?

    O dom de profecia hoje (neste contexto) é exatamente a exposição e a explicação da Palavra de Deus conforme escrito nas Escrituras. Romanos 12.6 “De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé.” A medida da fé utilizada nesse trecho significa o conteúdo da verdade ou o conteúdo das Escrituras. Paulo está dizendo que, se você profetiza, deve ser conforme o conteúdo das Escrituras.

    Em 1ª Pedro 4.11, lemos: “Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus.” Aqui fica claro que aquele que fala, prega ou profetiza, deve fazer totalmente dentro do que já foi revelado nas Escrituras. Caso seja algo novo, ou seja, fora das escrituras: Seja anátema! Descarte!

    Em 2ª Timóteo 4.2, Paulo nos orienta: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina.” Devemos pregar A Palavra e não sobre A Palavra. Ou seja, a Palavra deve ser todo o conteúdo da pregação. Resumindo: O que é profecia? É a pregação (inspirada) da palavra de Deus!

    É por isso que Paulo diz em 1ª Coríntios 14.5 “Prefiro que profetizem”. Todos devem saber pregar a Palavra de Deus. Não se trata de um papel exclusivo do pastor. Isso está ao alcance de todos aqueles que foram salvos por Jesus, leem a Bíblia, entendem a Bíblia e pregam a Bíblia. Quem faz isso (inspirado pelo Espírito Santo) está profetizando.

    Erros a respeito do dom de profecia

    “Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito. Se vier uma revelação a alguém que está sentado, cale-se o primeiro. Pois vocês todos podem profetizar, cada um por sua vez, de forma que todos sejam instruídos e encorajados. Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz.” 1ª Coríntios 14.29-33

    O dom de profecia não é proclamado em estado de ecstasy. Não é correto a situação em que a pessoa tenta interromper todos para falar. Há muitos casos em que pessoas dizem falar por meio do Espírito, mas não estão fazendo isso.

    Há um relato de um pastor que durante o culto recebeu um bilhete de uma senhora muito bem vestida que dizia assim: “O Espírito Santo me enviou aqui e me condicionou uma palavra a essa igreja”. Obviamente o pastor não lhe concedeu espaço para falar e, ao final do culto, ela estava muito brava na porta da igreja dizendo que o pastor havia impedido que o Espírito Santo falasse a igreja naquele dia. O pastor esclareceu dizendo que ele era o profeta daquela igreja. Esclareceu que ele tinha a responsabilidade de pregar a palavra ali e que, por ele não a conhecê-la, nem seus pensamentos e nem suas crenças, estaria disposto a ouvi-la e, após isso, avaliaria se o conteúdo era pertinente à igreja. Caso fosse, ela teria a oportunidade de repassar a todos em um momento pertinente. Naquela mesma semana, todos tiveram conhecimento das mentiras e confusões que aquela pessoa estava espalhando por algumas igrejas daquela cidade.

    Nós não temos a obrigação de achar que toda pessoa que se diz falando pelo Espírito Santo de Deus, está realmente falando pelo Espírito. Não podemos crer que o dom de profecia é a situação em que a pessoa fala em ecstasy e todos precisam aceitar sem questionar. Por isso, o versículo 29 diz que precisamos questionar e julgar.

    O fato de julgarmos, não significa que devemos ir para a igreja desconfiando ou criticando tudo e, muito menos, que devemos ir buscando uma falha do pregador para ficar ressaltando isso. O que Paulo está dizendo, é que não devemos ser ouvintes sem critérios, sem crivo e sem discernimento espiritual. Paulo elogiou a igreja de Beréia, pois mesmo ele pregando, examinavam as Escrituras para ter certeza se o que ele falava era realmente a verdade. Não importa se o pregador é alguém famoso, se é Pedro ou Paulo: a igreja deve estar atenta para saber se, de fato, o que está sendo pregado está de acordo com as Escrituras.

    O pregador sempre se sujeitará ao julgamento dos outros. Há humildade nisso. Ele também sempre estará no controle de si mesmo. 1ª Coríntios 14.3 diz: “Quem profetiza o faz para a edificação, encorajamento e consolação dos homens.” Assim como a descrição da Palavra de Deus de 2ª Timóteo 3.16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.”

    Com base nisso tudo, conseguimos entender claramente o que Paulo nos orienta dizendo: “Mas se entrar algum descrente ou não instruído quando todos estiverem profetizando, ele por todos será convencido de que é pecador e por todos será julgado, e os segredos do seu coração serão expostos. Assim, ele se prostrará, rosto em terra, e adorará a Deus, exclamando: “Deus realmente está entre vocês!” (1ª Coríntios 14:24-25)

    Um resumo de 1ª Coríntios 14 é:

    1-5: Paulo orienta sobre Edificação

    6-25: Paulo orienta sobre Entendimento

    26-40: Paulo orienta sobre Ordem

    A igreja de Corinto:

    O grande problema da igreja de Corinto era a desordem. Sabemos, inclusive, que havia o problema de mulheres que entravam com roupas inadequadas ao local de culto e queriam profetizar. Era como se fossem roupas de banho nos dias de hoje. É necessário ter essa informação para entender o contexto em que Paulo orienta a igreja. Naquele momento, muitas mulheres estavam se convertendo oriundas de religiões politeístas, onde adoravam a deusa Afrodite de forma promíscua e entravam em ecstasy a ponto de falar descontroladamente, sem ordem e sem equilíbrio emocional. E, agora, pendiam a ter dentro da igreja as mesmas atitudes de um culto pagão.

    Nesta igreja, estava se tornando comum interromperem o pregador e começarem a falar durante a pregação, atrapalhando a ordem do culto. Por isso, buscando a ordem, Paulo orientou que as mulheres deveriam ficar caladas na igreja e, em casa, perguntar aos seus maridos. Em nenhum momento Paulo proibiu as mulheres de falarem na igreja, pois no capítulo 11 ele diz que as mulheres oravam e profetizavam no culto. Não há contradição e nem incoerência, apenas a busca da ordem.

    Finalmente, fica claro que Paulo está alertando a igreja sobre o perigo de novas revelações além da Palavra de Deus. Vale a pena reforçar que se tratava de uma igreja que questionava, inclusive, a autoridade e o apostolado de Paulo. Contextualizando, é como se a igreja questionasse a necessidade de um pastor, de uma pessoa que se preparou e enfrentou um seminário. Isso se refere diretamente sobre descartar lideranças alegando que o Espírito Santo fala diretamente com todos.

    Acaso a palavra de Deus originou-se entre vocês? São vocês o único povo que ela alcançou? Se alguém pensa que é profeta ou espiritual, reconheça que o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor. Se ignorar isso, ele mesmo será ignorado. Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar e não proíbam o falar em línguas. Mas tudo deve ser feito com decência e ordem. 1ª Coríntios 14.36-40

    Paulo deixa claro que, se alguém se diz profeta, é necessário se submeter a autoridade apostólica. Ou seja, o profeta verdadeiro se coloca debaixo da autoridade que há nas Escrituras. Se alguém diz que possui uma revelação de Deus, mas não está alinhado com os ensinamentos das Escrituras, então trata-se de um falso profeta. Se alguém ignora A Palavra, esse alguém deve ser ignorado.

    Terminamos esse estudo reforçando-o com um texto que se encontra no artigo V da Confissão da Igreja Reformada da França, adotada em 1559, que pontua muito bem o compromisso que precisamos ter com a Palavra de Deus: “Não é lícito aos homens, nem mesmo aos anjos, fazer, nas Santas Escrituras, qualquer acréscimo, diminuição ou mudança. Por conseguinte, nem a antiguidade, nem os costumes, nem a multidão, nem a sabedoria humana, nem os pensamentos, nem as sentenças, nem os editos, nem os decretos, nem os concílios, nem as visões, nem os milagres, devem contrapor-se a estas santas Escrituras; mas, ao contrário, por elas é que todas as coisas se devem examinar, regular e reformar”.

    A igreja está debaixo das Escrituras. Que Deus nos ajude a sermos uma Igreja fiel, submissa e obediente a Sua Palavra.

    ———–

    Autor: Hernandes Dias Lopes (adaptado de um sermão do YouTube)

    http://www.cacp.org.br/i-co-14-linguas-e-profecias-na-igreja/

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  3. A revelação precisa encontrar os corações abertos e a mente preparada para discernir com sabedoria os próximos eventos. De diferentes formas, os homens resistem ou fogem do Plano de Deus. Não foi assim com a vida do profeta Jonas? O Amor de Deus é que nos atrai com cordas de Paz e Justiça.

    https://institutoparacleto.org/2017/03/17/no-reino-de-deus-evite-resistir-ou-fugir-dos-seus-planos/

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  4. Profecias bizarras e incoerentes

    por Artigo compilado

    Profcias bizarras e incoerentes

    Recentemente, dois vídeos ligados a falsas profecias “viralizaram” nas redes sociais. Num deles, um milagreiro — que diz ter visitado mais países do que os reconhecidos pela ONU — resolveu revelar a cinco irmãos, em um culto, os números de uma famosa loteria. Disse ele: “O Senhor falou para mim que tem cinco pessoas que vão se tornar milionárias, pois vão acertar na Mega-Sena. Cinco irmãos que jogam na Mega-Sena levantem a mão. Não tenham medo; não tenham vergonha”. E, por incrível que possa parecer, eles se manifestaram! O “profeta”, então, lhes disse: “Anote aí: 7, 8, 3, 4, 2, 0. Se anotou, recebeu a bênção”. E o povo o aplaudiu.

    No segundo vídeo, um famoso “apóstolo” — que costuma desafiar e amaldiçoar pessoas que se lhe opõem — profetizou a um candidato a vereador: “Está selado; eu ligo na terra. Se a boca de Deus fala por mim, amanhã por essas horas você vai estar cantando o hino da vitória. Ou Deus não fala por mim”. Resultado: o candidato não obteve nem cinco por cento dos votos que precisava para ser eleito! Este episódio e o anterior me fizeram lembrar de imediato do que está escrito em Deuteronômio 18.22: “Quando o tal profeta falar em nome do SENHOR, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele”.

    De acordo com as Escrituras, os dons do Espírito Santo jamais contrariam a Palavra de Deus, a qual nos orienta a ganhar dinheiro trabalhando, e não por meio de jogos de azar (cf. Gn 3.19). Ademais, Deus não incentiva ninguém a querer ser um milionário (1ªTm 6.9-10). Ressalte-se, ainda, que o “profeta” do primeiro vídeo sequer sabia do que estava falando, pois demonstrou total ignorância quanto ao tipo de loteria mencionada, fomentando ainda mais a zombaria por parte dos inimigos da fé evangélica. Tanto o primeiro vídeo como o segundo, igualmente grotescos, nos levam a meditar a respeito do que é a profecia e suas finalidades, à luz da Palavra de Deus.

    Como pentecostais, cremos nos dons do Espírito, mas também sabemos que a verdadeira profecia, proveniente de Deus, de fato, é apresentada quando um servo seu, fiel à sua Palavra, transmite uma mensagem específica por meio da inspiração direta do Espírito Santo (1ªCo 14.30 e 2ªPe 1.21). Trata-se de uma manifestação sobrenatural, cuja função precípua é a edificação das igrejas (1ªCo 14.3-4). Sendo proveniente de Deus, uma profecia é coerente e lógica, e não esdrúxula e contraditória.

    Nos tempos do Antigo Testamento, os profetas eram intermediários entre o Senhor e os seus servos. Estes consultavam aqueles e recebiam sua mensagem sem questionamento, como se fora da parte de Deus (1ªSm 3.20; 8.21-22 e 9.6-20). Esse tipo de ministério durou até João Batista (Lc 16.16). Na Igreja, o profeta não é uma espécie de mediador, pois temos a Bíblia completa e podemos consultar a Deus diretamente por meio do Senhor Jesus (1ªTm 2.5; Ef 2.13; Hb 10.19-22; Gl 6.16 e Fp 4.6). Há um ministério profético hoje — que é diferente do ministério veterotestamentário — e também o dom de profecia, mas ambos devem ser julgados segundo os critérios prescritos na Palavra de Deus (At 19.6; 21.9 e 1ªCo 14.29).

    O ministro de Deus que profetiza ao pregar a Palavra do Senhor (1ªCo 12.28) é diferente de quem entrega uma profecia esporadicamente em um culto (v.10), embora ambos sejam chamados de profetas nas páginas neotestamentárias (At 21.8-10). O dom de profecia pode ser concedido a qualquer pessoa que o busca (1ªCo 14.1,5,24,31), enquanto o ministério profético depende de chamada divina (Mc 3.13 e Ef 4.11). Quanto ao uso, o dom de profecia decorre de uma inspiração momentânea, sobrenatural; já o ministério profético é residente e está relacionado com a pregação da Palavra de Deus (At 11.27-28; 13.1 e 15.32).

    Quais são as finalidades da profecia nas igrejas? Edificação, exortação e consolação (1ªCo 14.3,4,12,17). Ela edifica: a Igreja é comparada a um edifício; o Senhor Jesus é o seu fundamento (1ªCo 3.10-14; Ef 2.22; 1ªPe 2.5), e a profecia é um dos meios pelos quais os salvos são edificados. Ela também exorta: incentiva e desperta o crente, fortalecendo-o na fé. E ela consola: o Senhor se utiliza dela para confortar o crente com palavras semelhantes às de Deuteronômio 31.8; Isaías 41.10 e 45.1-3.

    É, portanto, prática antibíblica consultar profetas em nossos dias, pedindo-lhes direção quanto a casamentos, viagens, negócios etc. (1ªCo 14.13,26,28). O dom de profecia não tem autoridade canônica; não se manifesta para alterar ou contradizer o que está escrito na Bíblia Sagrada (1ªTm 4.9; Sl 119.142,160; Ap 22.18-19 e Pv 30.6). Ele não é prioritário para o governo das igrejas. Suas finalidades, como vimos, são: edificar, exortar e consolar. O Espírito orienta as igrejas por meio dos dons espirituais (At 13.1-3 e 16.6-10), mas os ministros de Deus não devem se subordinar a “profetas” e “profetisas” (Ap 2.20-22; At 11.28-30 e 15.14-30).

    Por outro lado, por que vemos poucas manifestações genuínas do dom de profecia em nossos dias? Isso ocorre por causa da ignorância, pois pouco se fala nas igrejas acerca desse dom, como ocorria em Éfeso (At 19.2-3). Coisas supérfluas têm ocupado o lugar que devia ser destinado à manifestação do Espírito no culto (cf. 1ªCo 14.26). Em muitos lugares não tem havido lugar para o Espírito operar (1ªTs 5.19). Líderes há que, alegando preocupação com as “meninices”, desprezam as profecias (v.20), esquecendo-se de que é sua missão ensinar os “meninos” quanto ao uso correto desse dom (1ªCo 14.22-33; cf. 13.11).

    Se os crentes fossem ensinados a julgar as profecias, haveria menos espaço para falsos profetas. Haveria menos “revelações” risíveis e bizarras nos cultos, como “Jeová me disse que está curando uma irmã de câncer na próstata” ou “o homem de branco está dando um útero novo para um irmão, nesta noite”. O povo de Deus, como Corpo de Cristo — que está em perfeita sintonia com a Cabeça (Ef 4.14-15; 1ªCo 2.16; 1ªJo 2.20,27; Nm 9.15-22 e Jo 10.4,5,27) —, deve julgar a profecia por meio da Palavra de Deus (Jo 17.17; At 17.11 e Hb 5.12-14). E esta mostra que a verdadeira profecia se cumpre (Ez 33.33 e Jr 28.9), conquanto apenas isso não seja o suficiente para autenticá-la; o Senhor permite que, em alguns casos, predições de falsos profetas se cumpram, a fim de provar seu povo (Dt 13.1-4).

    Diante do exposto, ainda que Deus nos tenha outorgado a sua Palavra (Sl 119.105) e nos presenteado com o dom de discernir os espíritos (1ªCo 12.10-11; At 13.6-11 e 16.1-18), profecias e revelações ilógicas, incoerentes ou bizarras, como as mencionadas nos primeiros parágrafos deste texto, podem ser detectadas sem nenhuma dificuldade. Como vimos, basta conhecer um pouco da vida de certos “profetas” ou simplesmente usar de bom senso para julgar as suas “revelações” segundo a reta justiça (Jo 7.24).

    Ciro Sanches Zibordi
    Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz, Ano 86, número 1.579, dezembro/2016

    http://www.cacp.org.br/profecias-bizarras-e-incoerentes/

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  5. O discernimento de espíritos

    O ideal na vida do cristão é que cada crente realmente nascido de novo viva na esfera da maturidade cristã, plenamente desenvolvida, o que significa cultivar a prática de constante oração, ser cheio do Espírito, ler e meditar na Palavra de Deus, cuidar continuamente de sua santificação, dar um santo testemunho com a sua vida e seu modo de viver, servir alegremente e de coração na obra do Senhor da maneira que Deus lhe orientar.

    A vida cristã nesta dimensão conduz a um profundo discernimento, em geral, conforme as tarefas que o Senhor coloca à nossa frente. O apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios (1ªCo 2.10-16) fala muito bem disso, bem como em muitas outras passagens paralelas.

    Não esqueçamos que há também o discernimento humano, natural, introspectivo, que muitas pessoas já trazem do berço, contribuindo para isso o tipo de temperamento de que alguém é portador. Também contribuem decisivamente, para esta espécie de discernimento, a idade, o conhecimento, a sabedoria, a experiência, as provações da vida, a observação etc.

    Uma Operação Divina

    A referência em apreço aqui é 1ªCo 12.10, que trata do referido dom concedido pelo Espírito Santo, mas há outras passagens que aludem ao assunto.

    É um dom divino altamente defensivo e necessário à Igreja do Senhor, como corpo coletivo, mas também aos seus membros em particular. Há três dons espirituais, que dada a sua semelhança, podem ser confundidos, caso o leitor não tenha maiores conhecimentos do assunto em pauta. Esses três são: a palavra da sabedoria, a palavra da ciência e o discernimento de espíritos (1ªCo 12.8-10). Convém notar, que no original não apenas “espíritos” está no plural, mas igualmente o termo “discernimento”. Isto é, é um dom divino multifacetado na sua operação. Assim, os espíritos serão desmascarados, seja qual for a tática e a estratégia que usem.

    A sabedoria, como dom espiritual aqui mencionado, manifesta-se através da direção divina, e opera na esfera do conhecimento, da pregação, do ensino da Palavra, da orientação, da escolha de obreiros; mas também no governo da igreja, nas emergências, e nas mais diversas situações. Vislumbres desse dom conseguimos ter já no Antigo Testamento, no caso de José (Gn 41.23-29; At 7.10), de Daniel (Dn 1.17), de Salomão (1ªRs 4.29-34), de Davi (no livro dos Salmos e em episódios da sua vida, conforme narrado nos livros históricos da Bíblia). Na vida de Jesus este dom se manifesta de modo incomparável (Mc 6.2; Lc 2.46-47; At 1.2).

    A ciência, como dom do Espírito Santo, conforme vemos na passagem já aludida, é conhecimento revelado. É ver o invisível. É uma fração da onisciência e onividência de Deus. Essa ciência ou conhecimento, de que trata esse dom espiritual, tem a ver com fatos, eventos, pessoas e coisas. Quanto a pessoas, esse conhecimento sobrenatural tem a ver com fatos pessoais, mas nunca a leitura de suas mentes e pensamentos. Deus não transfere esse direito a ninguém.

    Alguns casos bíblicos desse conhecimento sobrenatural, através do Espírito Santo, podemos ver em Samuel, tendo conhecimento antecipado sobre as jumentas perdidas de Quis (1ªSm 9.15-20) e também seu conhecimento antecipado dos sinais de confirmação do reinado de Saul (1ªSm 10.2-9). É o caso do profeta Eliseu, que sobrenaturalmente conheceu os movimentos do exército da Síria (2ªRs 6-8) e também o que se passava no íntimo de Geazi (2ªRs 5.20-26). É ainda o caso do profeta Aías, identificando e apontando a mulher de Jeroboão, antes que se aproximasse (1ªRs 14.6). Certamente temos casos desse dom operando em escala incomparável em Jesus (Mt 16.23; Lc 19.5; Jo 1.48; 2.25; 4.18).

    Os espíritos, como menciona a passagem de 1ªCo 12.10, são de três categorias: o espírito divino, o angelical e o humano, sendo que o angelical pode ser da parte de Deus, ou das trevas. O termo discernir, no original, significa “ver aquilo que está em oculto”. Na obra de Deus, este dom permite ao seu portador ver se o inimigo está mascarado, agindo disfarçadamente e prejudicando a obra de Deus, ou se o espírito humano está agindo de modo totalmente natural, carnal, temporal, secular. É, pois, um dom altamente defensivo para o povo de Deus que crê, busca e recebe os preciosos dons do Espírito Santo.

    O fato narrado em Atos 16.16-18 é claramente um caso de operação do dom de discernimento de espíritos através de Paulo. O demônio que atuava naquela moça escrava procurou agir de forma mascarada, tentando enganar os servos de Deus, proferindo inclusive palavras elogiosas e verdadeiras em relação a Paulo e Silas, bem como a Deus mesmo, pois ele disse (por meio da moça) que aqueles homens anunciavam o caminho da salvação e, em seguida, referiu-se a Deus como “Deus Altíssimo”, reconhecendo a sua soberania sobre tudo e sobre todos. Mas Paulo logo viu que era um demônio que estava camuflado ali, e em nome de Jesus ordenou que fosse embora. Este dom do Espírito, como os demais, não agem segundo a vontade do seu portador, mas segundo a vontade de Deus e para a sua glória. Isto é, não é a todo instante que ele está em ação no seu portador, mas sim conforme a vontade de Deus.

    Outrossim, o discernimento de espíritos não é simples empatia do espírito humano, mais avolumado em certas pessoas e noutras não. Certamente, o dom de que estamos tratando, discernimento de espíritos, está implícito no julgamento das profecias da igreja, como em 1ªCo 14.29. Vê-se, pois, que este dom divino é de grande valia para desmascarar enganadores e falsários, que se apresentam como pessoas inofensivas, cooperadoras e santificadas, sem, no entanto, apresentarem frutos que os comprovem.

    Pr. Antonio Gilberto da CPAD

    http://www.cacp.org.br/o-discernimento-de-espiritos/

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