A Terceirização da Educação

 

       Não é de hoje, que há de se notar a importância na educação do indivíduo, seja ele de qualquer raça, gênero e cultural. Interessante notar que, a relação que o indivíduo desenvolve com a educação, expressa luta. Então, a educação é luta, luta contra si mesmo. Contra a cultura, contra a sociedade. Luta esta, que se caracteriza em relações históricas do homem com o mundo ao redor de si mesmo, com a cosmovisão pós-moderna da terceirização.

       Estes apontamentos expressam uma preocupação necessária à educação brasileira. Milito na educação por imposição ou por produção de conhecimento?

Uma questão de imposição

       Segundo E. Durkheim, o indivíduo não existe. O que existe é a sociedade. O que existe são as relações sociais. Deste modo, os parâmetros da socialização primária e secundária, tornam-se imposições. Imposições de um modelo. De um ritmo. De uma postura. De um valor sem valor, porque da imposição surge à terceirização. A terceirização que desprestigia a produção do conhecimento do processo de ensino aprendizagem.

        Ao passo que, vamos ao encontro da realidade brasileira, nos deparamos com um contingente desagregador. Educar no Brasil é caro e raro. Além de não nos esquecermos dos subalternos, dos marginalizados, dos homens e mulheres do cotidiano, sem voz e sem história. Porque educar o pobre, se ela não precisa de informação?

Uma questão de Cultura

       No Brasil, podem-se abarcar os estudos culturais em torno de alguns conceitos fundamentais, tais como representação, imaginário, sensibilidades, memória e subjetividade. Robert Darnton, com sua História Cultural atenta ao universo mental dos homens comuns. E é neste imaginário de configurações que se estabelece a relação indivíduo, cultura e educação.

       Preocupa-me a manifestação cultural de nossos discentes quanto à necessidade da educação. Já que somos o que a cultura determina, para que estudar? Outros já despercebidos destas imposições, sequer são capazes de pensá-la, e já agem espontaneamente, mecanizados pela globalização tecnológica.

       O aluno hoje é despreocupado com sua percepção intelectual. É relaxado. É conduzido a desmotivação de sua vida estudantil. O programa educacional brasileiro hoje, não conduz o aluno à amplificação de suas fronteiras educacionais. Não possuímos um método. Não alcançamos uma formação. Pensando nas relações sociais, de igualdade e exploração, o salário deveria ser maior, se a produção também fosse maior. Mas como o indivíduo será valorizado, se não é informado, se não é estudado.

Uma questão de Existência

       Mas quais são as especificidades matriciais do indivíduo, enquanto participante ativo do processo de ensino aprendizagem. E é o sujeito. Ele é o condutor na luta contra a terceirização de educação. Ele luta contra ela.

       O indivíduo se torna o sujeito na medida em que entende, como afirma a Doutora da Universidade Federal do Maranhão, Dourivam Camara Silva de Jesus, “estudo é fisiológico”. Ninguém pode estudar por mim. Estudar é necessidade, e se faz necessário. A mudança começa em mim. É interior. É comprometimento. E a minha parte, na parte da apropriação do conhecimento. É a agregação do valor, sobre os valores impostos da sociedade. É cultura fomentando cultura. Não é difícil de perceber, que precisamos transmitir estas verdades aos nossos, e não descartar aqueles que ainda não se entenderam como partes integrantes do processo de ensino aprendizagem.

       A autonomia do sujeito, como parte fundente do processo de ensino aprendizagem, norteia a configuração da sociedade. Profissionais que atuam com destreza e desenvoltura, então assumiram em algum momento de sua manifestação existência, a condução como sujeitos ativos do processo educacional pessoal.

Uma questão de Militância

       Sou militante. Mas da educação. Mas do conhecimento técnico, científico, cultural e pessoal. E por esta militância eu visto a camisa. E por esta bandeira, eu ergo minhas mãos. E por este valor, eu suo a camisa. Vale à pena. Pena que muitos de nossos companheiros de educação já não acreditam mais. Atuam por atuar. Não são mais os atores principais do processo de ensino aprendizagem. E quando atuam, não são mais os protagonistas da educação, são meros coadjuvantes. Pena! Ricardo Barbosa afirma que devemos lutar contra toda preguiça intelectual, a começar da nossa. Na verdade, o militante se coloca a favor da reflexão, ele abre um caminho, ele constrói matrizes, e o mais importante, ele deixa um legado para as gerações futuras. Por isso, sou contra a terceirização da educação. Sou contra os caminhos alternativos do processo de aprendizagem. Como o sistema não garante a compra do nosso alvo em questão, a educação, é necessário protegermos da miséria intelectual nossos meninos e meninas do solo canarinho. É necessário dar-lhes conhecimento técnico, orientação sobre o poder, apoio na visão de mundo, para alicerçarmos condutas éticas.

       Contra a terceirização para a formação de pessoas conscientizadas de seu papel na sociedade. Contra a terceirização para o resgate da imagem do ser humano.

Caio Falcão – Pastor, Historiador, Graduando em Pedagogia pela UFMA- MA

O Jornal Batista Ano CXII Edição 21 – Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira

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Uma resposta para A Terceirização da Educação

  1. rfbarbosa1963 disse:

    A um bom tempo desejava escrever algo da área de educação. Como todos devem saber, além de profissional de ensino médio, exerço o magistério. Estas duas áreas, a meu ver, se complementam, mesmo porque as minhas atividades como profissional de nível médio ocorrem em horário administrativo de 2ª à 6ªFeira (8,0 horas diárias), e as atividades do magistério ao longo da semana à noite (normalmente de 18hs às 22hs). É um pouco cansativo, mas perfeitamente associável.
    Interessante que ao longo de +/- 25 anos, o exercício da educação tem sido constante em minha vida.
    Como profissional de nível médio durante um bom tempo ministrei curso na área de especialização, ou seja, cromatografia gasosa. Há poucos anos apliquei este curso aos técnicos químicos recém-contratados pela empresa na UP da Bahia, foram 16 horas/aula de conhecimentos básicos de cromatografia gasosa.
    Nas minhas atividades eclesiásticas exerço o diaconato na área de educação como professor de escola dominical na AD J25 agosto em Duque de Caxias. Na IPNV de Mal Hermes fui professor do SETEB (Seminário Teológico de Base).
    Exerço também o magistério como professor de química em escola pública de 2ª à 6ªfeira após as 18hs. O magistério é algo que exerço com prazer, mas de certa forma sou sensível ao magistério com relação ao salário e a valorização do docente, além das longas jornadas que vários professores exercem para terem um bom salário. É muito raro encontrar alguém que não tenha mais do que duas matrículas no estado e/ou município. Muitas das vezes sobrecarregando sua carga horária e reduzindo a qualidade do ensino da área. Atualmente há um processo que costumeiramente chamamos de otimização das turmas de uma instituição, que na prática significa redução das turmas ao longo do ano em face da desistência ou transferência de vários alunos, levando os docentes a repor sua carga horária em outro turno ou outra instituição ao longo do ano. Não fiz uma pesquisa, mas posso mensurar a insatisfação do corpo docente, e tanto isto é verdade que há poucos anos atrás houve um acampamento dos professores próximo à assembleia legislativa. Particularmente acredito que primeiramente devem-se sentar à mesa de negociação os representantes dos docentes, representantes da assembleia legislativa e profissionais da secretaria de educação, até se chegar a um consenso.

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