A ovelha procura o Pastor

Julio Oliveira Sanches

Na mensagem bíblica é sempre o pastor que procura a ovelha. Apascenta, conduz às águas tranqüilas, leva-a aos pastos verdejantes. Protege-a contra os lobos cruéis. Defende-a dos salteadores. Pensa-lhe as feridas. Fortalece as cansadas. Sai pelos campos à procura da ovelha que se desgarrou. São belíssimas as figuras bíblicas que representam o pastor cuidando do rebanho. A luta do pastor para salvar um pedacinho da orelha da ovelha que foi vítima do inimigo (Amós 3.12). Todas essas ações de amor do pastor pela ovelha são resumidas na bela afirmação de Jesus: “… o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10.11b).

Até mesmo quando a ovelha se recusa ao pastoreio do pastor. Ouve as vozes dos estranhos. Rebela-se contra o pastor, ferindo-o com maldade e insensibilidade. Não admite ser alimentada, ainda assim é o pastor que procura a ovelha. Esta é a sua missão, a sua vocação, o seu chamado, mesmo que o faça com lágrimas. É a recompensa do pastoreio. Na visão da ovelha todo o mal estar que acomete o rebanho é culpa do pastor. A ovelha “nunca” se sente culpada pelas doenças do rebanho. Cabe ao pastor providenciar o remédio e o antídoto para as mazelas do rebanho, embora a culpa seja da ovelha rebelde, que introduz parasitas no rebanho.

O inverso do conceito bíblico é real na atualidade. As ovelhas estão à procura de pastores. Por que a ovelha procura o pastor? Os motivos são múltiplos e as respostas preocupantes. Quando invertemos o padrão bíblico normal ficamos à mercê de possíveis catástrofes. Isto é realidade em todos os aspectos da existência. A ovelha procura o pastor quando se sente ameaçada em sua integridade frente aos inimigos que desejam devorá-la. Ela crê, ao procurá-lo, que o pastor é superior aos inimigos ameaçadores. Possui armas que podem auxiliá-la na busca da vitória. A ovelha sempre vê o inimigo com forças inferiores ao poderio do pastor. No seu pensar o pastor possui arsenal capaz de destruir o mais terrível inimigo. Caso o pastor não se disponha a ajudá-la ou a encaminhe ao pastor auxiliar, revela-se ocupado em demasia com outros afazeres, “mais importantes do ministério”, a ovelha sente-se repelida, desprezada, sem alento para prosseguir e tentada a abandonar o rebanho. O pastor perde a ovelha.

A ovelha procura o pastor quando afligida por problemas pessoais, que não “podem” ser compartilhados com outros. Ela crê que o pastor guardará o seu segredo, mesmo que este seja de algum pecado “horrível”. O pecado a aflige, machuca, dilacera seu relacionamento com Deus. Ela crê que o pastor possui o poder, a sensibilidade de suportar e carregar sozinho os pecados do rebanho. Ao procurar o pastor a ovelha não espera repreensão ou “bronca”, mas a palavra amiga que repete: “Não te condeno, vai em paz e não continue pecando” (João 8.11). São os difíceis segredos e mistérios do ministério. Embora o pastor saiba que tal ovelha, no futuro, vai agredi-lo e machucá-lo. O pastor tem todas as armas para se defender contra a investida da ovelha ingrata, mas movido pelo amor sofre todos os ataques em silêncio, sem jamais revidar ou revelar a verdadeira identidade da ovelha.

A ovelha procura o pastor confiante que este a conduzirá aos pastos verdejantes. O pastor conhece as fontes dos nutrientes à boa saúde do rebanho. Possui o segredo da íntima comunhão com Deus e sabe como conduzir o rebanho a se alimentar corretamente. Por conhecer o pão e a água da vida, o pastor zela por não oferecer ao rebanho alimentos deteriorado pelos micróbios satânicos. O pastor sabe que no decorrer da semana a ovelha é tentada a experimentar toda sorte de alimentos que não edificam. Não promovem o bem estar e a saúde espiritual do rebanho. Convicto, o pastor se esmera em preparar o melhor cardápio bíblico para o rebanho. Isso exige tempo, preparo dedicação e conhecer o segredo da despensa divina. O pastor é o bom despenseiro da graça e dos mistérios de Cristo que dão saúde ao rebanho (I Cor. 4.1-2 e I Pd. 4.10). O pastor já se alimentou da despensa de Cristo e sabe como preparar deliciosos pratos para saciar a fome do rebanho. Por isso a ovelha o procura para receber alimento.

A ovelha procura o pastor para ser amada e porque ama o pastor. Toda ovelha é carente do verdadeiro amor que nasce no coração do Bom Pastor. Ao sentir-se amada, sente-se segura, confiante no pastoreio que recebe.

Cumprem-se as palavras de Jesus “De modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele…” (João 10.5). Tal verdade gera alegria, compensação, segurança e desejo de continuar servindo por amor e em amor. A ovelha sente-se feliz em ser pastoreada e o pastor sente-se  realizado por exercer o seu ministério. Nada mais triste do que uma ovelha faminta machucada, doente a procura de um pastor que a conduza com e em segurança. As ovelhas clamam por PASTORES.

www.sanches.blog.br

O Jornal Batista Digital Ano CXII Edição 37

 

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Uma resposta para A ovelha procura o Pastor

  1. rfbarbosa1963 disse:

    Este texto fez-me lembrar do momento de conversão descrito sucintamente no blog em:

    https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/testemunho-de-conversao/

    Considero-me bem aventurado pelo fato de que eu trabalhava na mesma empresa e setor do meu Pastor em meus primeiros anos de vida cristã. Escrevo desta forma, pois sei como ninguém como é difícil este período de transição na vida de um homem ou mulher de Deus em seus primeiros anos de vida cristã em todos os seguimentos de sua vida, inclusive em seu ambiente de trabalho. Mesmo porque lidamos no dia a dia com pessoas, que muitas das vezes nos conhecem antes de darmos o passo de fé e depois. Há também um conflito em nosso ser com relação a essa transição, pois as nossas conversações, atitudes e posturas também sofrem mudanças, algumas facilmente percebidas, outras só observadas por quem temos certa intimidade, mas são observadas. O apóstolo Paulo afirma isto em:

    Gl 5:16_25
    “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.

    Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.

    Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.

    Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia,

    Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,

    Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

    Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.

    Contra estas coisas não há lei.

    E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.

    Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. “

    Neste contexto a presença pastoral é uma referência para um homem ou mulher recém convertido, não só pela presença em si, mas pelo que está descrito no texto deste post (A ovelha perdida procura o pastor). Várias vezes quando encontrava alguma dificuldade procurava o pastor ou mesmo observava meu pastor em suas atitudes mediante situações diversas do dia a dia. Daí, a importância do testemunho ético e moral, da idoneidade e do respeito. Pr Fernando Siqueira do Amor Divino era um homem queridíssimo no trabalho, e procurada diariamente não só por mim, mas por várias pessoas, que muitas das vezes interferiam em suas responsabilidades para exercer a sua função como profissional. Hoje escrevo com tranquilidade. Já afirmei em outro texto do blog (Uma abordagem da função pastoral) que o Pastor precisa de tempo, para ouvir a voz de Deus, ouvir a ovelha, tratar da ovelha, zelar, ensinar, corrigir, tirar os vetores, apascentar. Mas precisa também de recursos para viver, para cuidar da família, para alimentar a família, exercer a sua cidadania, suas responsabilidades profissionais com ética, respeito, zelo divino. Este equilíbrio é primordial, por isto que a função pastoral é um privilégio, mas também um fardo que não é dado a qualquer pessoa.

    Já afirmei também em outro momento que nós somos seres gregários, de relacionamento interpessoal e nossos relacionamentos também passam por esta transição, principalmente se a mudança de vida acontece ao longo da jornada. Porque as pessoas procuravam Jesus? Viam e observavam nele algo que os outros não tinham. Cura para o corpo, alma e mente, alimentando as ovelhas, apascentando-as, livrando-as dos lobos devoradores.

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