Na vanguarda do combate à dependência química

Tiago Monteiro – Redação de Missões Nacionais

       O Rio de Janeiro virou palco de discussões sobre a estrutura de tratamento para usuários de drogas e a possibilidade de internação compulsória. No contexto missionário, os debates são um sinalizador da necessidade de ações rápidas e cada vez mais abrangentes. Por isso, enquanto teorias são levantadas sobre a dependência química, a Cristolândia realizou no mês de outubro ações de grande impacto, mostrando praticidade e dinamismo em questões que requerem urgência.    

       Numa tarde de quarta–feira (17/10), missionários radicais e voluntários se uniram para alcançar dezenas de usuários que estão vivendo debaixo do viaduto localizado na entrada da comunidade do Parque União. Com quentinhas nas mãos e garrafões de suco nos ombros, o grupo de “amarelinhos” anunciava que Jesus Transforma. A mensagem transmitida abria portas e garantia acesso irrestrito aos drogados. A presença de Cristo também organizava o caos, formando uma fila respeitosa e comportada. Eram os alimentos espiritual e físico gerando vida.

       Em meio à turba, alguns rostos eram reconhecidos pelos alunos (líderes da missão em fase de formação) da Cristolândia. “Aquele ali fumava comigo”. De repente veio a ele um rosto familiar e um abraço inesperado surgiu, seguido de confiança e desabafo: “Cara, não acredito que é você. Eu também pretendo sair dessa vida, mas ainda não tenho forças”, disse um dos usuários. Ele foi acolhido, compreendido e de seus olhos brilhou uma fagulha de esperança. Havia uma saída. Havia quem apontasse o Caminho.

       Entre os voluntários daquele dia estava Sara Silva, da Igreja Batista do Tauá. Emocionada com a experiência, ela confessou: Sempre foi um sonho participar de um projeto social e desde que o pessoal do coral (da Cristolândia) foi à minha igreja, eu fiquei impactada. Fui conhecer o projeto na Central do Brasil, mas hoje também não resisti e vim. “É um trabalho lindo e gostaria de continuar participando disso”. O seminarista Diogo Santos, da Igreja Batista Betel de Resende, é outro apaixonado pelo trabalho desenvolvido na Cristolândia. Antes de conhecer missões, refletia o evangelho apenas sob a perspectiva litúrgica, mas hoje vive para a transformação de vidas. “Depois que conheci missões, vi que o meu evangelho era totalmente diferente da proposta de Cristo. Evangelho são vidas, transformação através de Cristo. Fazer isso é simples, é só ir. No caminho você vai aprendendo como fazer porque as pessoas não estão se importando com o que você sabe ou deixa de saber, eles querem simplesmente o Jesus que é capaz de transformar”.

       A ação também chamou a atenção de quem passava pelo local. Olhares acompanhavam cada movimentação e, do trânsito, um ou outro motorista demonstrava irritação quanto ao que acontecia, lançando palavras impiedosas: “Tem que deixar morrer!”. Por outro lado, havia também os que se admiravam, parabenizando os voluntários pelo belo trabalho. Naquele dia um senhor decidiu deixar para trás as drogas e seguiu para a Cristolândia, disposto a seguir os passos de Cristo. Talvez essa tivesse sido sua última chance. Deus sabe.

Mutirão Social

       Em outra ocasião, no dia 20 de outubro, dois ônibus chegaram ao Centro de Formação Cristã de Rio Bonito. Eles traziam alunos e professores da Universidade do Grande Rio (Unigranrio) para a realização de atendimentos nas áreas jurídica, médica, odontológica e de serviço social. Cerca de 140 internos da Cristolândia foram beneficiados, tendo acesso a cuidados que somam ao processo de dignificação humana. A parceria com a Unigranrio foi viabilizada pela irmã Márcia Lopes que, ao ouvir falar sobre a Cristolândia no Acampamento de Promotores de Missões do RJ, sentiu o desejo de se aproximar deste projeto da JMN.

       “Não sou funcionária da universidade, mas trabalho em uma instituição que funciona dentro da mesma. Ali eu vi a oportunidade de estar fazendo contato com as pessoas da área da saúde, mas, após uma reunião com a diretoria da Unigranrio, vimos que outras áreas também poderiam participar”, lembrou Márcia, que é membro da Igreja Batista do Bosque do Ipê, em Duque de Caxias. “Eu agradeço muito a Deus porque foi uma oportunidade única que tive. Não tenho recurso nenhum para ajudar a Cristolândia, mas sabia que a universidade tinha esses recursos. Então eu vi a necessidade e pensei: ‘se eu pelo menos perguntar se podem fazer… ’ E agora estamos aí com a odontologia, enfermagem, jurídico, serviço social e a possibilidade de atendimento ambulatorial também”, completou.

       Para o professor de Direito Juarez da Silva Rezende, que também é membro da Igreja Batista Memorial de Mesquita, a parceria foi positiva, fazendo valer a garantia à salvação eterna e a reinserção social. Analisando cada caso e dando orientações sobre a regularização de possíveis pendências com a Justiça, ele afirmou: “Alguns são crimes de médio potencial ofensivo, podendo ser a pena privativa de liberdade substituída por prestação de serviço à comunidade, o que pode viabilizar tanto a reinserção física, quanto evidentemente o restabelecimento espiritual, que é o grande projeto de salvação deles”. Uma das alunas do curso que esteve contribuindo com a análise jurídica foi Verônica. Para ela, foi uma experiência importante. “A gente conheceu pessoas que foram transformadas através de um projeto muito bem estruturado e não termina aqui, mas engloba vários pontos que a pessoa precisa para ter uma vida digna, pra voltar dentro de uma sociedade que é até preconceituosa. Foi uma experiência gratificante de exercer a profissão que você quer para a vida toda em benefício de outras pessoas”.

       A professora Anadir Herdy, diretora da Escola de Odontologia e coordenadora da caravana da Unigranrio, contou que apoiar a Cristolândia era um sonho de sua mãe, já falecida. Durante a abertura do mutirão social, na capela do CFC Cristolândia, ela se emocionou e agradeceu o apoio de alunos, professores e à JMN pela parceria.

       Também participaram do mutirão social voluntários das Igrejas Batistas Bosque do Ipê e Bacaxá. Eles apoiaram com a alimentação dos alunos e demonstraram grande amor pela obra missionária. Presente à ocasião, o pastor José Ricardo – IB Bosque do Ipê – falou sobre o apoio que a igreja tem dado aos projetos da JMN. “Como igreja começamos a buscar um projeto missionário que fosse parte do nosso momento com missões e encontramos o projeto de Linda Flor (RN). Em meio a tudo isso, sempre de olhos naquilo que o senhor está fazendo, através da irmã Márcia, encontramos uma porta de parceria com a Unigranrio. Com isso também desejamos acompanhar de perto esse movimento e estamos aliançando uma nova parceria com a Cristolândia para que possamos avançar. Acredito que é um privilégio nosso de participar de um projeto tão extraordinário, que está na vanguarda do enfrentamento à dependência química”.

       Os desafios se apresentam todos os dias, a todo instante. Mas você pode fazer a diferença, mobilizando outros para que juntos possamos ser luz em um Brasil em trevas. Se este é o seu desejo, torne-se um parceiro da Cristolândia, entrando em contato através da central de atendimentos (4007-1075 / 0800-1818 / 21.2107-1818), ou pelo e-mail pambrasil@missoes-nacionais.org.br.

 

O Jornal Batista edição n º45 em 04/11/2012

 

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