O Divórcio – Lições Bíblicas – A Família Cristã no Século XXI – Protegendo seu lar dos ataques do inimigo

TEXTO ÁUREO

Mateus 19:9

“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.”

Verdade Prática

       O divórcio, embora admissível em caso de infidelidade, sempre traz sérias consequências à família. Por isso Deus o odeia.

Leitura Bíblica em Classe

Mateus 19:3_12

“Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?

Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez,

E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?

Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.

Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?

Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.

Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.

Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.

Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.

Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.”

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

        Por ser algo traumático, o divórcio é sempre um assunto difícil de ser tratado. Existem pessoas que não o aceitam em nenhuma condição. Há pessoas que, sob determinadas circunstâncias são favoráveis, e há até os que buscam base nas Sagradas Escrituras para admiti-lo em qualquer situação. Qual a posição da Bíblia? É o que estudaremos nesta lição.

I – O DIVÓRCIO NO ANTIGO TESTAMENTO

1- A lei de Moisés e o divórcio.

        O capítulo 24 do livro de Deuteronômio trata a respeito do divórcio. Como a prática havia se tornado comum em Israel, o propósito da lei era regulamentar tal situação a fim de evitar os abusos e preservar a família. Nenhuma lei do Antigo Testamento incentivava alguém a divorciar-se, mas servia como base legal para a proibição de outros casamentos com a mulher divorciada. O divórcio era um ato extremo (Ml 2:16). Infelizmente, muitos que conhecem a Palavra do Senhor se divorciam por qualquer motivo.

       O casamento é uma aliança de amor, inclusive com Deus, um pacto que não pode ser quebrado, sobretudo por motivos fúteis e torpes.

2- A carta de divórcio.

       Uma vez que recebia a carta de divórcio, tanto o homem quanto a mulher estavam livres para casarem novamente. Todavia, segundo a lei, a mulher que fora repudiada, depois de viver com outro marido, não poderia retornar para o primeiro, pois tal atitude era considerada abominação ao Senhor (Dt 24:4). Divorciar-se não era fácil, pois havia várias formalidades, e somente o homem podia pedir o divórcio. A mulher não tinha tal direito. A Lei de Moisés, apesar de não incentivar o divórcio, dispunha de vários mecanismos para torna-lo mais humano (Dt 24).

QUANDO AS ESCRITURAS NÃO CONDENAM O DIVÓRCIO

Infidelidade conjugal

Ele [Jesus] permite o divórcio em caso de adultério; sendo que a razão da lei contra o divórcio consiste na máxima: “Serão dois numa só carne” Se a esposa [ou o esposo] se prostituir e se tornar uma só carne com um adúltero [ou uma adúltera], a razão da lei cessa, e também a lei. O adultério era punido com a morte pela lei de Moisés (Dt 22:22). Então, o nosso Salvador suaviza o rigor, e determina que o divórcio seja a penalidade”.

(HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento: Mateus à João 1. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p.242). 

Abandono do cônjuge

A iniciativa de romper os laços do casamento deve partir do descrente, por não estar disposto a viver tal situação (v.15). O texto grego é expressivo: ‘se o descrente se apartar, [chorizo, como no verso 10], aparte-se’. O gênero masculino de ‘descrente’ é usado de modo inclusivo, assim como o restante do verso indica. ‘Neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão’. Não está sujeito à servidão em que sentido? […] Não está sujeito a permanecer solteiro, mas casar-se novamente (Hering 53; Bruce, 70)”.

(ARRINGTON, French L.;STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2 ed. Rio de Janeiro: CPAD,2004, pp 974-75).   

II – O ENSINO DE JESUS A RESPEITO DO DIVÓRCIO

1- A pergunta dos fariseus.

      Procurando incriminar Jesus, e imbuídos da ideia difundida pela escola do rabino Hilel (que defendia o direito de o homem dar carta de divórcio à mulher “por qualquer motivo”), os fariseus questionaram: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mt 19:3b). Respondendo aos acusadores, Jesus relembrou o “princípio” divino para o casamento, quando Deus fez o ser humano, “macho e fêmea”,  “ambos uma só carne” (cf. Gn 2:24). Assim, o Mestre concluiu: ”Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19:6b). Essa é a doutrina originária a respeito da união entre um homem e uma mulher; ela reflete o plano de Deus para o casamento, considerando-o uma união indissolúvel.

2- O ensino de Jesus.

      Os fariseus insistiram: “Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?” (Mt 19b) Respondendo à insistente pergunta, Jesus explicou que Moisés permitiu dar carta de repúdio às mulheres, “por causa da dureza dos vossos corações”. Uma mulher abandonada pelo marido ficaria exposta à miséria ou à prostituição para sobreviver. Com a carta de divórcio ela poderia casar-se novamente. Deus não é radical no trato com os problemas decorrentes do pecado e com o ser humano. Ele se importava com as mulheres e sabia o que elas iriam sofrer com a dureza do coração do homem, e tornou o trato desse assunto mais digno para elas.

       Segundo ensinou o Senhor Jesus, o divórcio é permitido somente no caso de infidelidade conjugal.

       Ao invés de satisfazer o desejo dois fariseus, que admitiam o divórcio “por qualquer motivo”, o Mestre disse ”Eu vos digo, porém que qualquer que repudiar a sua mulher, não sendo por causa de prostituição, a casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”(Mt 19:9). Numa outra versão bíblica, lê-se: “exceto por causa de infidelidade conjugal” ou “relações ilícitas”. Essa foi a única condição que Jesus entendeu ser suficiente para o divórcio.

3- Permissão para novo casamento.

       Pelo texto bíblico, está claro que Jesus permite o divórcio, com a possibilidade de haver novo casamento, somente por parte do conjugue fiel, vítima de prostituição, ou infidelidade conjugal. Deus admite a separação do casal, não como regra, mas como exceção, em virtude de práticas insuportáveis relacionadas à sexualidade, que desfazem o pacto conjugal. Do contrário, um servo ou uma serva de Deus seria lesado duas vezes: pelo Diabo, que destrói casamentos e, outra pela comunidade local, que condenaria uma vítima a passar o resto da vida em companhia de um ímpio, ou viver sob o jugo do celibato, que não faz parte do plano original de Deus (Gn 2:18). Todavia, em Jesus o crente tem forças para perdoar e fazer o possível para restaurar seu casamento.

 III – ENSINOS DE PAULO A RESPEITO DO DIVÓRCIO

 1- Aos casais crentes

       Paulo diz: “Todavia, aos casados, mando não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem se casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1ª Co 7:10, 11). Esta passagem refere-se aos casais crentes, os quais não devem divorciar-se, sem que haja algum dos motivos prescritos na Palavra de Deus (Mt 19:9; 1ª Co 7:15). Se há desentendimentos o caminho não é o divórcio, mas a reconciliação acompanhada do perdão sincero ou o celibato por opção e não por imposição eclesiástica.

2- Quando um dos cônjuges não é crente

       Paulo ensina que, se o cônjuge não crente concorda em viver (dignamente) com o crente, que este não o deixe (1ª Co 7:12_14). O crente agindo com sabedoria poderá inclusive ganhar o descrente para Jesus (1ª Pe 3:1).

3- O conjugue fiel não está sujeito à servidão.

       O apóstolo, porém, ressalva: “Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz. Porque donde sabes ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?” (1ª Co 7:15, 16). Ou seja, o cristão fiel, esposo ou esposa, não é obrigado a viver até a morte sob a servidão de um ímpio. Nesse caso, ele ou ela, pode reconstruir a sua vida de acordo com a vontade de Deus (1ª Co 7:27, 28, 39). Entretanto, aguarde o tempo de Deus na sua vida.

CONCLUSÃO

       O divórcio causa sérios inconvenientes à igreja local, ás famílias e à sociedade. No projeto original de Deus, não havia espaço para o divórcio. Precisamos tratar cada caso de modo pessoal sempre em conformidade com a Palavra de Deus. Não podemos fugir do que recomenda e prescreve a Bíblia Sagrada. E não podemos nos esquecer de que a Igreja é também uma “comunidade terapêutica”.

Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013 – A Família Cristã no Século XXI – Protegendo seu lar dos ataques do inimigo

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3 respostas para O Divórcio – Lições Bíblicas – A Família Cristã no Século XXI – Protegendo seu lar dos ataques do inimigo

  1. A questão do divórcio e novo casamento

    Uma análise das clausulas de exceção no Evangelho de Mateus

    (Mt 19:9 – ARA)
    “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério]”.

    Para a maioria dos estudiosos, trata-se de uma exceção óbvia ao ensino de que aquele que se divorcia e casa com outra pessoa cometerá adultério; por outro lado, alguns argumentam que não se trata de uma exceção; outros ainda sugerem que seja uma exceção apenas ao divórcio, mas não ao novo casamento. Enfim, essa frase e seu contexto é o objeto mais comentado e debatido sobre o tema, de modo que ela é conhecida nesses círculos como cláusula de exceção.

    Com base nisso, o objetivo deste estudo é analisar o significado e a aplicação teológica das cláusulas de exceção no evangelho de Mateus, a fim de determinar sua relevância em relação ao debate sobre o tema do divórcio e novo casamento. Qual o sentido das cláusulas de exceção? São elas determinantes para o estudo do tema? Quais são as implicações teológico-pastorais que essas cláusulas geram para a ortopraxia cristã? Essas e outras questões serão consideradas neste trabalho.

    NOTA PESSOAL

    Com base no comentário acima descrito associado ao tema, resolvi acrescentar este material que o CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas) liberou. O texto é longo, logo deixarei disponível apenas o link para o acesso a quem deveras se interessar.

    http://www.cacp.org.br/a-questao-do-divorcio-e-novo-casamento/

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  2. rfbarbosa1963 disse:

    Eu nunca vou perdoar!

    Os autores Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski discutem a difícil questão do perdão no contexto familiar. De fato, a frase “Eu nunca vou perdoar”, infelizmente não é rara. Leia o artigo a seguir.

    ***

    Eu nunca vou perdoar!

    Esta frase está muitas vezes presente em conflitos familiares e conjugais e expressa os sentimentos de dor de uma pessoa que sofreu um dano ou foi ferida por condutas de uma pessoa próxima de quem esperava acolhimento e amor.

    Quando somos feridos, temos de fato uma decisão bastante difícil pela frente: perdoar ou manter a mágoa? Algumas pessoas dizem, com sinceridade, que perdoam, mas não conseguem esquecer o evento que causou a dor, tampouco conseguem relacionar-se novamente com quem lhes causou o dano e o sofrimento — mesmo quando tal pessoa é o próprio cônjuge.

    Aqui está um erro comum na interpretação do significado do perdão — “perdoar significa esquecer”. Nossa memória é o mais poderoso HD que existe e nenhuma de nossas experiências nela gravadas é apagada, salvo por alguma doença ou traumatismo. Muitas coisas podem ficar escondidas em cantos remotos da memória e serem de difícil acesso, especialmente quando acumulamos experiências, mas jamais são apagadas e com algum esforço podem ser acessadas.

    Então, se perdoar não significa esquecer, o que realmente é perdoar? Talvez a minha resposta não seja muito “teológica”, mas perdoar é livrar-se da compulsão neurótica da repetição. Explico melhor: enquanto não perdoamos o dano que sofremos, a nossa tendência é ficar repetindo para nós mesmos o que o outro nos fez, que não merecíamos isso (especialmente nos casos de traição conjugal), que aquilo que sofremos dói demais, que somos infelizes pelo dano que sofremos etc. Essa repetição contínua — para nós mesmos ou para os que nos rodeiam — é uma espécie de neurose. Livrarmo-nos disso é sempre um sinal de saúde emocional.

    Sendo assim, o perdão é o caminho que Deus nos oferece para nos livrarmos da compulsão neurótica da rememoração do dano e da dor sofridos. Perdoar é poder escolher de novo. É reconhecer que os outros não são responsáveis por nossa infelicidade. Entretanto, esse não é um caminho simples. Existem alguns aspectos que precisam ser observados no processo de perdão.

    Em primeiro lugar, precisamos entender que o perdão é algo que fazemos em benefício próprio. Por quê? Quando eu posso, de forma honesta e sincera, dizer: “Fui ferido, fui magoado, não merecia isso, mas aconteceu e agora quero parar de repetir isso e decido perdoar o outro”, então passo para uma nova dimensão — a da liberdade que posso experimentar.

    Todavia, somos relutantes em perdoar porque, em segundo lugar, perdoar é arriscar-se a ser ferido novamente. E se o outro fizer de novo? Vou passar por idiota? Como vai ficar minha autoestima? É preciso correr esse risco se queremos gozar de saúde emocional. Creio que seja por esse motivo que Jesus nos incentiva a perdoar 70 x 7 — por “nossa” saúde emocional.

    Por fim, o perdão nos leva à participação na comunicação trinitária, pois abre a possibilidade de criar o “novo”. O perdão conduz a pessoa a um novo âmbito relacional, reafirmando a coparticipação na vida — somos membros uns dos outros e isso nos constitui em um novo modelo de família. O perdão é a reintegração do filho que estava longe na busca de perversões oferecidas em outra região, mas que volta a si (estava fora de si — louco) e regressa para a casa do pai.

    Neste sentido, o exercício do perdão produz uma reestruturação familiar inclusiva — um “emparentamento”, fazendo do outro um parente, irmão em Cristo. Este é o ministério da reconciliação a que somos chamados (2ªCo 5).

    • Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. Acompanhe o blog pessoal dos autores.

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  3. rfbarbosa1963 disse:

    Resolvi postar este documento, pois este tema abordado pela Revista da CPAD está irrepreensível.
    Segue abaixo um link para acesso ao tema no blog paracleto:
    http://institutoparacleto.org/2011/12/13/casamento-e-divorcio-parte-i/

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