Antes da missão, o amor

        A ordem dos fatores não altera o produto, diz os matemáticos. No caso a seguir tem alterado, com prejuízos incalculáveis para a Igreja. Ao chegar ao final de seu ministério terreno, Jesus dedicou tempo especial a preparar os discípulos para viver os seus ensinos. A obra que viera realizar estava completa. O conteúdo havia sido transmitido em parte. A incapacidade dos discípulos em compreender a essência do Evangelho levou o Mestre a afirmar: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (Jo 16.12). Não havia maturidade suficiente para entender todos os mistérios estabelecidos por Deus para redimir a criatura decaída no pecado. A imaturidade dos discípulos servia como empecilho à revelação divina.

       Jesus promete-lhes que o Espírito Santo, que já estava com eles e neles habitava (Jo 14.17) que os levou a ver em Jesus o Cristo de Deus (Jo 6.69); continuaria a obra iniciada por Jesus. Apesar de revelar de modo claro o ministério e ação do Espírito Santo na continuação da obra redentora realizada por Jesus, a Igreja no correr dos tempos não conseguiu e, ainda não consegue, entender em sua inteireza o ministério do Espírito Santo.

       Esta não compreensão fica claro na inversão da ênfase proposta por Jesus. A primeira ênfase na continuidade da missão que Jesus entregou à Igreja está clara nas palavras do Mestre antes da crucificação e ressurreição. “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros“ (Jo 13.34-35). Jesus deixa claro que o amor entre seus seguidores seria a força propulsora que levaria sua mensagem aos confins da terra. O amor seria visto, vivido, concretizado de tal modo na vida dos seus seguidores, que não haveria como negar que a presença de Cristo na vida dos salvos é real. O pecador veria Jesus na experiência diária do salvo. Tão forte seria a mensagem transmitida pelo amor que o convencimento realizado pelo Evangelho seria frutífero. Importante que Jesus não os manda pregar ou realizar missões, mas sim, AMAR.

       A ordem de pregar e realizar missões ocorreu após a ressurreição (At 1.8). Tão importante como o novo mandamento, mas ineficaz sem a presença do amor nos relacionamentos dos salvos.

       Cedo a Igreja descobriu que era mais fácil realizar o IDE de Jesus, mas, difícil a prática do amor. Conflitos os mais variados marcaram a história da Igreja. Ao inverter o projeto de Cristo, a Igreja passou a enfrentar dissabores e males que não ocorreriam se o amor fosse praticado. A desavença das viúvas dos hebreus com as gregas. A desavença entre Paulo e Barnabé. A exortação aos salvos da Galácia que estavam se devorando (Gl 5.15). As desavenças na Igreja em Corinto, levando Paulo a exaltar a supremacia do Amor (I Cor 13) como fundamento do verdadeiro cristianismo. As exortações do apóstolo João ao escrever sua primeira carta, levam-nos a concluir que os salvos nunca tiveram dificuldades com o IDE, mas jamais conseguiram colocar em prática o novo mandamento deixado por Jesus.

       Apesar de dois milênios de cristianismo, da expansão missionária promovida pela Igreja, o AMOR continua desafiando os salvos a revelar Jesus, como Ele é: a expressão máxima do AMOR do Pai ao mundo perdido. Temos realizado Missões em todas as partes.

       Construímos suntuosos templos para a adoração que dedicamos a Deus. Montamos complexa estrutura administrativa para cumprir o IDE de Jesus, mas, falhamos na hora de revelar amor verdadeiro ao irmão em Cristo. Os salvos continuam se mordendo, os pastores não se entendem, as Igrejas sofrem com divisões carnais, a critica ferina é a sobremesa de todas as reuniões, e o AMOR não consegue revelar Jesus ao mundo.

       Ao inverter a ordem estabelecida por Jesus para sua Igreja, corremos o risco de pregar sem amor. Realizar Missões sem amor. Administrar sem amor. Conviver sem amor. Falar de Jesus sem amor. Como o resultado não depende só do salvo ao realizar o trabalho do Senhor, mas, sim do Espírito Santo que continua a convencer o pecador; acomodamo-nos, crendo que estamos fazendo o melhor. Bem diferente seria o resultado se seguíssemos a ordem estabelecida por Jesus. Revelar Jesus ao mundo pela força do Amor. Os resultados seriam multiplicados. Mais vidas seriam salvas. Como cristãos não teríamos tantas picuinhas a manchar o Evangelho. Não haveria mágoas nos corações. O salvo não precisaria virar o rosto ou atravessar a rua para não se defrontar com o irmão em Cristo. Ainda há tempo para seguir a ordem estabelecida por Jesus. Vamos experimentá-la!

JULIO OLIVEIRA SANCHES

http://www.pastorjuliosanches.org

O Jornal Batista Ano CXIII Edição 25 Domingo, 23.06.2013

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Uma resposta para Antes da missão, o amor

  1. rfbarbosa1963 disse:

    “Do lado de cá do mundo, nós estamos como sonâmbulos em nossa fé há muito tempo”.

    Irmão André, fundador e presidente da missão Portas Abertas

    É necessária uma reflexão muito séria e íntima para com as palavras escritas do Pastor Julio Sanches e do Irmão André, no tocante ao amor, fileo e agape. Estas são as expressões visíveis do Deus imortal, invisível, mas real. Por que escrevo desta forma? Simplesmente por reconhecer, primeiramente que somos pecadores (“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.” Romanos 3:10), outrossim (“Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nenhum só.” Romanos 3:12). Acredito sinceramente do fundo da minha alma que na medida em que nós nos desfazemos de toda e qualquer vanglória ou justiça própria e passamos a nos humilhar, nos vestir de saco e cinzas como alguns fizeram e relatado nas Escrituras Sagradas, poderemos partilhar de momentos de grande alegria e júbilo ainda nesta terra, apesar das adversidades que passamos, que no meu caso, não foram poucas.
    Amo meus colegas de trabalho e sempre que posso oro por eles. Igualmente quero o melhor para os meus amigos e colegas professores. Sou sensível a causa do magistério em todos os níveis. O que está ao meu alcance para exercer o magistério com integridade, oferecendo aos meus alunos um ensino de qualidade, não como que por obrigação, mas entendo que o magistério exerce uma função terapêutica para as pessoas como um todo.
    Igualmente, amo minha esposa e filhos, pais e parentes de igual maneira. Quero o melhor para Eles e oro continuamente.
    A mente está 100%, mas o corpo pede descanso. Em função disto é natural que priorize atividades físicas em academia continuamente, pois o meu próprio corpo responde a estas atividades positivamente. Reduzi ao máximo as minhas atividades, até porque sou uma pessoa com deficiência física (possuo m-paresia dos membros inferiores direitos devido ao comprometimento crônico parcial do nervo fibular inferior direito detectado em exame de neuromiografia dos membros inferiores) e uma pequena incontinência urinária, que me trouxe alguns inconvenientes no dia a dia, mas não são impeditivos para o exercício das minhas atividades profissionais e do magistério. Porém são limitadoras para exercê-la, caso estivesse totalmente são.
    De igual maneira pratico atividades físicas em uma academia.

    Mas tudo isto não é impeditivo para dar o meu testemunho de vida profissional e magistério a todos que me conhecem.

    Concluindo, apesar de todas as adversidades sofridas nos últimos anos, tenho encontrado abrigo a sombra do onipotente, e sempre que posso continuo cumprindo o ide do Sr Jesus, com os recursos disponíveis. O Blog “Saltaterraeluzdomundo” já foi visitado por pessoas em mais de 86 nações desde 25/02/2012 em todos os continentes da face da terra, tendo atualmente mais de 32975 visitas desde fevereiro de 2012.

    Is 1:18
    “Vinde então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.”

    1ªPe 4:8
    “Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.”

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