Resolução de Ano Novo: Seja Real! X O perigo está na rede

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Por Robert J. Tamasy

As inovações em comunicações têm sido espantosas. Podemos facilmente manter contato com amigos e colegas e nos reconectar com pessoas que conhecemos no passado. E-mails e mensagens de texto se tornaram a forma preferida de comunicação rápida (graças à qual o Maná da Segunda chega a centenas de milhares de pessoas em mais de 20 idiomas diferentes). 

A Internet nos possibilitou o uso de blogs com que compartilhamos experiências e opiniões. Outros recursos nos conectam face a face a milhares de quilômetros de distância. Podemos apreciar vídeos para diversão ou mensagem séria. Quando as ligações telefônicas não são atendidas, sempre há o correio de voz. 

Quem pode prever os próximos avanços em comunicações? Embora extremamente benéficos e práticos, todos carecem de uma dimensão importante: o contato pessoal. Um antigo slogan sugeria: “Alcance e toque alguém!”. Falta esse “toque” em mensagens de texto, emails, blogs ou mensagens de voz. 

Pesquisadores descobriram que somente 7% da nossa comunicação é verbal e se dá através do olhar, linguagem corporal, gestos, expressão facial, tom de voz e ritmo da fala. Por e-mail ou SMS parte da mensagem se perde. Não apenas isso, mas o toque gentil, sorriso amistoso ou piscadela só podem ser trocados pessoalmente. Em um mundo cada vez mais impessoal, essas atitudes “não verbais” nos ajudam a dizer: “Você é alguém, existe e é importante”. 

Ao olhar para 2015, uma resolução que talvez valha a pena, seria nos tornarmos “reais” e determinarmos estar presentes para outras pessoas, apesar de prazos, pressões e agendas apertadas. A Bíblia faz observações muito úteis: 

O impacto da presença pessoal. Quando estamos na presença de outros, não nos comunicamos apenas com palavras, mas enfatizamos também a mensagem que transmitimos com nosso exemplo pessoal. Jesus Cristo seguia este princípio: “(Jesus) Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com Ele, e os enviasse a pregar” (Marcos 3.14). 

A inspiração de estar junto. Quando estamos juntos, compartilhando o senso comum de uma missão, podemos nos estimular e inspirar mutuamente. “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros” (Hebreus 10.24-25). 

A instrução na interação pessoal. Passando tempo uns com os outros, lado a lado no ambiente de trabalho, podemos compartilhar sabedoria, desafiar-nos uns aos outros com criatividade, ajudando-nos mutuamente a crescer profissionalmente.“Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” (Provérbios 27.17).

Desfrute dos benefícios da comunicação eletrônica, mas lembre-se: não há substituto para interação humana face a face, olho no olho!

MANÁ DA SEGUNDA

(Adaptei a mensagem para o ano de 2015)

www.cbmc.org.br          

X

O perigo está na rede

Cresce maciçamente o uso de redes sociais pelos crentes, mas o risco de heresias preocupa.

  • Um estudo recentemente publicado confirma o perigo de que muita gente já desconfiava, mas ao qual faltava fundamentação: o uso inadequado das redes sociais acompanha o declínio estatístico na frequência às igrejas. O cientista Allen Downey, da Olin College de Engenharia da Computação, em Massachussets (EUA), encontrou fortes indícios de que a queda na filiação religiosa tem ligações com o aumento do uso da internet e, particularmente, de ferramentas como Facebook e Twitter, que não só tomam tempo excessivo das pessoas como as expõem a uma série de informações, conceitos e comportamentos prejudiciais à fé cristã. “O aumento do uso da rede mundial nas últimas duas décadas causou grande impacto na filiação religiosa”, defende o pesquisador. Ele traçou paralelos entre a importância crescente das redes sociais no cotidiano das pessoas e a sua expressão de fé – e a correlação entre uma e outra ficou clara – em alguns cruzamentos de dados, o absenteísmo à igreja, entre usuários cristãos ativos de redes sociais, beira os trinta por cento. “É fácil imaginar que uma pessoa que foi educada em uma determinada religião possa se afastar dela, mas a proporção atual foge das tendências ao longo da história”, conclui Downey.
  • Isso é apenas uma ponta do iceberg. Desde que as redes sociais entraram no ar para valer – a maior delas, o Facebook, acaba de completar dez anos e já contabiliza 1,2 bilhão de usuários –, seu uso, para todos os fins, só faz crescer. Pesquisa da Intel mostrou que os brasileiros são os que mais discutem religião na internet móvel e nas redes sociais. Tamanha multiplicidade de possibilidades tem tornado possíveis mudanças em diferentes aspectos relacionados à vida humana – inclusive, claro, a fé e a espiritualidade. “Já se pode falar em uma ‘religiosidade cibernética’, formato para expressão da fé surgida com o avanço da internet e das novas tecnologias”, aponta a jornalista e doutora em Comunicação Social Magali do Nascimento Cunha, membro da Igreja Metodista e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Para ela, no ambiente virtual, isso significa uma nova dimensão no controle do sagrado e da doutrina, prerrogativa secularmente consolidada nas mãos da instituição religiosa e do líder espiritual. “Basta ter uma conta sem custo nas mais populares redes sociais digitais, como Facebook ou Twitter, e o espaço está garantido para a livre manifestação”.
  • Nessa FaceChurch sem templo e sem púlpito, prossegue Magali, as tradições teológicas passaram a ser relativizadas, bem como a autoridade dos líderes clássicos. “Questionamentos são feitos a todo tempo, doutrinas e posturas teológicas contrários às perspectivas denominacionais são pregadas”. Já é possível encontrar, por exemplo, comunidades virtuais como a Igreja Evangélica Virtual Deus Todo-poderoso, que oferece serviços como pedido de oração e aconselhamento. Entre os católicos, qualquer fiel já pode realizar o sacramento da confissão ou acender velas virtuais nas páginas do Face, e que procura algo mais moderninho – para dizer o mínimo – pode acessar a página do grupo Cristãos Libertos, cujo objetivo, dizem os mantenedores, é “demonstrar que o sexo antes e fora do casamento não é pecado”. Nos comentários, é possível encontrar coisas de todo tipo, desde acusações de perversão sexual até elogios à postura “ousada e libertadora” do grupo. CRISTIANISMO HOJE tentou contato com os responsáveis pelo Cristãos Libertos, mas não obteve resposta. Já o responsável pela página da Igreja Evangélica Virtual, Dagoberto Prata, diz que realiza o trabalho sem nenhum interesse pessoal e que age sozinho, sem vínculo com igreja ou religião.
  • É claro que grande parte das pessoas que interage espiritualmente através das redes sociais tem a melhor das intenções e deseja, apenas, aprender mais sobre o Cristianismo e compartilhar a fé, discutir temas ligados à espiritualidade e manter contato com irmãos de perto e de longe. A pesquisa da Intel revelou que 39% dos entrevistados afirmaram ter o hábito de tratar do tema religião em celulares e tablets. Outro fator revelado pelo estudo é o grande número de brasileiros que admitem manter, no ambiente virtual, uma personalidade diferente daquela da vida real – cerca de 33 por cento. E outros 23% admitem postar informações falsas nas redes sociais de que participam. “A falta de ética e respeito pelos valores cristãos torna as redes sociais um caminho perigoso que pode levar até ao afastamento da fé e à apostasia”, adverte o pastor e escritor João Chinelatto, de Brasília, que faz de sua página no Face e do Twitter, no qual diz ter 75 mil seguidores, uma extensão de seu ministério. “Existem obreiros fraudulentos, que usam essa ferramenta para enganar e se aproveitar da boa fé de muitos evangélicos.”

 

BOATOS E HERESIAS

 

  • Segundo a Socialbakers, uma das maiores empresas de análise de público e tecnologia digital do mundo, o país é o vice-líder em acessos no Facebook, reunindo quase 80 milhões de usuários registrados na bilionária rede social. Líderes evangélicos já descobriram que as redes sociais são uma extensão praticamente ilimitada de seus púlpitos. Hoje, pastores já contabilizam milhões de seguidores no Twitter e têm suas páginas no Face acessadas por multidões que jamais caberiam numa igreja. O pastor e conferencista Cláudio Duarte, conhecido por suas mensagens bem humoradas sobre vida cristã e sexualidade, tem quase 1,7 milhão de fãs. Os polêmicos bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, e pastor Silas Malafaia, da igreja Vitória em Cristo, também arrastam multidões no Face e no Twitter. No microblog, tem aumentado exponencialmente as discussões sobre religião. A R18, empresa de monitoramento e análise de dados sediada em São Paulo, aferiu o pertencimento religioso de quem faz postagens desse tipo: 41% são veiculadas por católicos e 28,7%, por evangélicos, o que representa um aumento percentual ainda maior do segundo grupo.
  • “Não há nenhum outro grupo no Brasil com mais poder de mobilização na rede social do que os evangélicos”, destaca o blogueiro Danilo Fernandes, editor do site Genizah, especializado em apologética e informação para o público cristão. “Há um enorme poder multiplicador, e as notícias, entre nós, se propagam rapidamente”. De acordo com Danilo, isso acontece porque o crente, em geral, dá muita credibilidade ao que outros evangélicos dizem. Assim, uma notícia, novidade ou simples boato pode ganhar força de verdade. Foi assim, por exemplo, quando correu no Facebook a notícia de que o presidente americano, Barack Obama, teria anunciado que apenas as pessoas que tivessem implantado um microchip sob a pele teriam acesso a serviços de saúde no país. Alardeado pelos crentes como a marca da besta, prevista no Apocalipse, o boato mobilizou as páginas dos evangélicos até sucumbir por falta de comprovação. Muita gente também postou retumbantes “glórias a Deus” ante a informação de que 16 pessoas mortas nas enchentes na Região Serrana do Rio de Janeiro, há três anos, haviam ressuscitado graças às orações das igrejas locais. Infelizmente, nem elas e nem nenhuma outra das quase mil vítimas fatais voltaram à vida.
  • Para Danilo Fernandes, um dos maiores perigos dessa busca religiosa pelas redes sociais é justamente a falta de controle e a disseminação de heresias. “Isso está em todo lugar. Até gente com perfis fake atraem seguidores”, aponta. Conhecido por sua mensagem radical, o blogueiro Julio Severo é um desses livre-pensadores que expõem, na grande rede, as mais diversas ideias. Ninguém conhece seu verdadeiro nome, como se sustenta e como vive sua fé. A pregação furiosa contra o homossexualismo já lhe rendeu diversos problemas – em entrevista a CRISTIANISMO HOJE, há cerca de cinco anos, ele se disse perseguido pelo governo brasileiro e ameaçado de morte – e sua homepage reúne os próprios textos, além de colaborações e citações de outros autores. “Ele é o cara que ninguém sabe, ninguém viu, mas faz um barulho danado”, brinca Danilo. Mesmo assim, tem muilhares de seguidores – gente que não só reproduz o que posta, criando verdadeiros virais, como defende com unhas e dentes.
  • “A grande questão a ser considerada é a motivação com que o internauta utiliza a rede social”, pondera o teólogo Ricardo Agreste, mestre em Missões Urbanas e pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas (SP). “E este é o aspecto mais crítico e que precisa ser considerado com cuidado por todos que fazem uso dessas mídias”. Ativo no Facebook, Agreste observa que, neste verdadeiro big brother cotidiano, a ânsia por ser notado e ouvido faz com que muitas pessoas se exponham demais. “O desejo de ser e fazer notícia e saber acerca da intimidade alheia move milhões de usuários das mais variadas faixas etárias, classes sociais e confissões religiosas. No Facebook, qualquer indivíduo pode deixar o anonimato, mostrando ao maior número de pessoas o que faz, o que come, como se sente, o que veste e, na minoria das vezes, o que pensa”.
  • Daí para o exagero e o pecado é um pulo, como adverte Augustus Nicodemus Lopes, ministro presbiteriano e professor de Teologia: “As mesmas pessoas que postam declarações de fé e amor a Jesus também transmitem conteúdo com palavras chulas e palavrões do pior tipo – até mesmo, fotos eróticas”, critica. Com mais de 3 mil amigos na sua rede social, mas acessado por muito mais gente que procura suas reflexões e artigos publicados, Nicodemus defende que essa vulgarização é reflexo da superficialidade do Cristianismo brasileiro. “A pureza e a santidade requeridas na Bíblia para os cristãos abrangem não somente seus atos como também seus pensamentos e suas palavras.”

 

“MÁS REFERÊNCIAS”

 

  • O professor Rafael Shoji, com pós-doutorado em Ciências da Religião, aponta especialmente os grupos neopentecostais como os que mais rapidamente têm se adaptado às redes. Pesquisador do Centro de Estudo de Religiões Alternativas (Ceral), entidade ligada à Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, ele frisa que o marketing tem migrado para a internet e existem várias técnicas de comunicação específicas desse meio, tanto do ponto de vista de produção da mensagem quanto do acompanhamento das reações, opiniões e dos sentimentos provocados. “Qualquer um que queira ter um impacto social hoje tem de atuar também no mundo digital”, diz. O pastor Justin Vollmar é um dos religiosos que tiveram impacto na vida de muitos cristãos. Criador de uma página no Face intitulada Virtual Deaf Church (“Igreja virtual para surdos”) e utilizando a linguagem de sinais, ele fazia pregações, divulgava material de cunho teológico e ganhou enorme visibilidade. Só que, recentemente, anunciou o fim de seu ministério com uma justificativa bombástica: tornou-se ateu. Em vídeo também divulgado pela rede, Vollmar admite que não crê mais em Deus e que está abandonando tudo. “Minha mente mudou completamente para o outro lado”, diz. “No final, eu estou completamente convencido de que não há verdadeiramente nenhum Deus. É tudo bobagem”.
  • “É preciso ter sinceridade de dizer que não temos boas referências produzidas pelos evangélicos. Então, buscamos verificar as tendências das grandes marcas e adesão do público, inclusive em âmbito internacional, para assim incluir a Igreja em projetos que busquem sua relevância no mundo, o que é mais importante”, defende o diretor de Comunicação da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo, Thiago Crucitti. “É um erro ficar aderindo a todas as novidades que aparecem sem senso crítico”. Um estudo publicado na revista Science confirma a tendência. Segundo os pesquisadores, um post que recebe aprovação dos leitores tem muito mais chance de receber as chamadas curtidas de outras pessoas, independentemente do conteúdo. Mas há quem use a maior rede social do planeta para ganhar almas no mundo virtual e trazê-las para a comunidade presencial. Uma das “manias” cristãs dos últimos tempos no Facebook é a campanha intitulada Lançai a Palavra. O desafio, lançado no início deste ano, tem feito milhares de internautas cristãos ligarem a webcam e pegar a Bíblia. “Em vez de ficar postando bobagens, os jovens estão compartilhando a Palavra de Deus”, elogia o militar Phelippe da Silveira Knupp, crente batista de Campinas (SP). Entusiasmado com a proposta, Knupp faz pelo menos uma postagem por semana. Suas passagens favoritas são extraídas dos evangelhos. “As pessoas ficam impressionadas quando leio alguma coisa sobre o sermão do monte ou os milagres que ele realizava”. A iniciativa tem dado tantos resultados que Knupp já recebeu, em sua igreja, a visita, em carne e osso, de amigos virtuais que fez através do Lançai a Palavra. “Dois deles já manifestaram o desejo de seguir a Cristo”, comemora. (Colaborou Carlos Henrique Silva)

“O homem moderno foi condenado a ser manipulado pelo excesso de comunicação, a oferta maior do que a procura. O mundo virtual é um salto sem rede no espaço. Uma bobeira pode terminar em tragédia.”
Carlos Heitor Cony, escritor

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4 respostas para Resolução de Ano Novo: Seja Real! X O perigo está na rede

  1. O ódio escondido no universo virtual, e nós dos do reino!

    Wellison Magalhaes Paula, pastor da Primeira Igreja Batista do Grajaú-RJ, jornalista, autor de alguns livros, dentre eles “Paternidade de A a Z” e “Simplesmente Igreja”.

    Um torcedor de um clube é morto em uma briga entre torcidas, no final de uma tarde qualquer. Um dos clubes vence a partida, dentro do campo, sem que houvesse qualquer relação com o ocorrido fora do estádio.

    Na rede social, um torcedor do time vencedor se orgulha da vitória, enquanto o outro, também orgulhoso, afirma que seu clube, pelo menos, lutou até o fim. O torcedor do clube vencedor retruca: “Mas nós matamos um de vocês, seu otário!”.

    Fecha o pano e descemos, ou subimos, depende da ótica, aos palcos religiosos e deparamos com um post,escrito e publicado por um líder religioso, sobre a greve da Polícia Militar no Rio de Janeiro e as mulheres que encabeçaram o movimento: “Essas mulheres, ao invés de dar tchau para câmeras de TV, deveriam lavar uma louça ou varrer o chão de casa”. Imediatamente, alguém critica o religioso e afirma que aquela não deveria ser a posição de alguém que cuida de pessoas. Em ato contínuo, o pastor responde: “Das minhas ovelhas cuido eu, você não me conhece e eu não lhe conheço e, pelo que vejo, não faço a mínima questão de conhecer”. Em tréplica, do outro lado, a pessoa suspira em letras: “Meu Deus, o que é isso?”.

    Esses dois exemplos reais, retirados das páginas de um site de relacionamento, descrevem o que se tornou o universo virtual.
    Seja por religiosos ou não, o embate em bytes tornou-se terreno comum, motivado por uma ausência de consciência e respeito ao próximo e por uma grade invisível que protege acusado de acusador, delinquentes, bandidos, santos ou demônios, nas mais perversas relações.
    O ciberespaço está presente nesta sociedade pós-moderna, faz parte do cenário em que homens e mulheres se encontram, se cruzam, se batem. Unem-se e distanciam-se, ao mesmo tempo.
    (…) É o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo (LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo. Editora 34, 1999 – o grifo é meu).

    A partir da afirmação de Levy, cabe a pergunta: o que tem sido alimentado? Há um ambiente de ódio, vingança, empoderamento sem critério, e crítica sem autocrítica provocada pelas pessoas.
    Mas de onde nasce, ou onde está o problema quando falamos de espaço virtual? Será que não demonizamos o objeto errado e jogamos sobre ele a responsabilidade que não lhe pertence?
    De fato, precisamos ponderar três importantes fatores que tem a ver com o ser humano e pode ser explicado à luz das Escrituras:

    1º – Há um mal natural dentro do homem, que se espalha pelas redes sociais. A Bíblia diz: “Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem” (Mt 15.18). O mundo virtual recebe uma cachoeira de maldade, procedente do coração endurecido do ser humano. Quando se alegra com a morte de alguém, ou quando se viraliza, sem pudor, a intimidade de outro, o que está sendo feito é apenas embalar a perversidade plantada na alma e coração do ser humano.

    2º – A natureza virtual tem por si só um forte escudo de proteção às barbáries. As pessoas falam e fazem coisas atrás de um teclado, que jamais fariam em um ambiente que exigisse o face to face. Há uma covardia, escondida atrás de posts, publicações, imagens ou bate papos, que se explica pela ausência física do outro.
    A abscondicidade é uma ferramenta, uma opção que a virtualidade permite, e que é, de fato, utilizada com fartura por aqueles que desejam fazer o mal pelas redes sociais.

    3º – O ser humano perdeu-se em ideologias e ideias nas relações interpessoais. Não importa quem você agrida o que importa é impor suas ideias, sejam elas esportivas, políticas ou religiosas, de um modo que o outro não tenha alternativa. Já encontrou lugar comum nas páginas pelo mundo: “Não gosta do que eu falo, use a tecla deletar ou excluir”. Cada vez mais individualista, egoísta e maniqueísta, este mundo vai se reorganizando, em uma ordem que pode catapultar a falência de muitas relações. Lipovetsky vai afirmar que esta sociedade é individualizada, que exalta o bem-estar e a vida privada. Ou seja, estamos lidando cada vez mais com uma tríade de isolacionismo, que vai ver o mundo apenas pela ótica das teclas, dos Whatsapps, desconsiderando completamente o fervor das relações pessoais.

    Eu trago uma proposta para nós, cristãos, utilizarmos as redes sociais e o ciberespaço, a fim de produzir interligação, diálogo e compromisso que valorize o Reino de Deus.

    1º – Pense. Antes de produzir texto, comentário ou publicar nas redes sociais. O enter do seu computador tem controle, e está dentro de você. O desejo insano de responder a altura, de provocar a ira, ou ainda, emitir a opinião pelo simples fato do direito de fazê-lo, não contribui para agregar valores ao tão combalido mundo. “Se depender de vós, tendes paz…”, afirma o apóstolo Paulo, em Romanos 12.18.

    2º – Debata ideias que possam mudar o mundo para melhor. Sua capacidade intelectual pode ser usada para incentivar outras pessoas a mudarem suas vidas. Seja positivo e alimente o mundo com mais generosidade e bondade. Uma campanha que fiz no Facebook, há alguns anos, chamava a atenção para viver melhor com todos e a campanha era “Seja Gentil por 7 Dias”.

    3º – Olhe com os olhos de Jesus de Nazaré o mundo em que você está. Se você é um cristão, e associa sua fé ao Cristo, Filho de Deus, não pode haver espaços para espalhar ódio, rancor, mentiras ou outros sentimentos pertinentes a quem não O conhece. Olhe a vida como o Mestre olharia. Olhe as pessoas como Ele o faria. Estamos neste mundo para contribuir para que os valores do Reino de Deus se estabeleçam. Traga para o mundo virtual as boas ideias, as boas virtudes, as boas atitudes, as Boas Novas e você verá que a internet não será nosso problema, será nossa aliada.

    http://www.batistas.com/OJB_PDF/2017/OJB_10.pdf

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  2. Smartphone ou despertador?

    Quero um despertador! A explicação para o meu desejo é simples e não tem nada haver com uma moda retrô, ou com um estilo vintage. A questão toda é com relação a minha insônia e minhas noites mal dormidas, ou pouco dormidas. Além do mais, tem a ver com a excelente oportunidade que perco para um bom diálogo ou uma boa leitura.

    O que isso tem haver com um despertador? Tudo!

    Minha geração e as gerações mais novas não têm tanto contato com o despertador (digo, aquele despertador antigo, ou até mesmo o rádio despertador). Nosso despertador é o celular, na verdade o celular vem com quase tudo o que precisamos – o que, por sinal, é muito bom (ou não).

    Como qualquer pessoa normal desse presente século, meu despertador está no celular, por isso quando vou dormir coloco o meu celular bem ao lado da minha cama – mas bem do ladinho mesmo. Fica bem próximo de mim e durmo confiante que na manhã seguinte ele despertará.

    Até aí tudo bem, não há problema algum com o meu aparelho. Na verdade, o problema está comigo, pois sempre que deito para dormir, sou tentado a dar uma última olhada nos milhares de aplicativos. É nesse momento que acabo passando do horário para dormir, acabo adentrando a madrugada e assim perco o sono diante da luz do celular. Percebo ir embora os últimos minutos do dia, que poderiam ser aproveitados em uma conversa com minha esposa ou na leitura de um livro (o que para mim funciona como um sonífero), enfim, não me desligo.

    Eu sei, talvez você diga: “Mas o problema é com você, isso é falta de disciplina!”. Tem razão, passa por aí, mas vai dizer que esse aparelho não tem um poder “enfeitiçador”? Vai me dizer que mesmo deitado, se ele der uma vibrada e uma apitada, você não fica tentado a dar uma olhadinha?

    Não quero correr o risco, por isso passei a deixar o celular na sala e ir para a minha cama com o único objetivo de dormir, me desligar. O celular pode funcionar 24 horas/dia, mas eu não. Preciso de uma noite bem dormida, sem perder nenhum minuto.

    Os judeus entendiam muito bem esse lance da necessidade do descanso. Por essa razão, seguiam bem a risca o shabat, recomendação divina para guardar o sábado. Uma lembrança de Deus de que não somos máquinas, precisamos de descanso, precisamos de uma noite bem dormida, um dia de lazer bem aproveitado, precisamos nos desligar, mesmo que seja por um dia, ou em épocas tão corridas, por uma noite!

    • Calebe Ribeiro é um dos pastores de jovens da Igreja Presbiteriana do Recreio, no Rio de Janeiro (RJ). É também missionário da Missão Jovens da Verdade.

    http://ultimato.com.br/sites/jovem/2016/03/11/smartphone-ou-despertador/?

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  3. rfbarbosa1963 disse:

    A grande serpente da atualidade

    Paulo Francis Jr., colaborador de OJB

    Um homem cruza uma tempestade de neve, quando escuta um ruído. Vê uma cobra ferida e quase morta de frio. “Me ajuda”, diz. “Você é perigosa”, responde o homem. “Não vê que estou quase morrendo e não posso lhe fazer mal nenhum”, implora a serpente. Compadecido, o homem a recolhe e leva para a sua casa. Durante algum tempo, convivem em harmonia. Mas, um dia, enquanto acariciava a cabeça da cobra, ele recebe a picada fatal. “O que é isso?”, diz o homem, à beira da morte. “Salvei sua vida, lhe dei comida, carinho e agora você me envenena?”. E a serpente responde: “Mas, você sabia que eu era uma cobra, não sabia?”.
    Recorro à Folha de São Paulo do dia 13 de setembro de 1994 para justificar parte do que eu me proponho a dizer. São as palavras do escritor Paulo Coelho que nos alertam: “A essência pode esconder o mal”.
    Havia prometido aos leitores retornar a este tema quando a ocasião aparecesse.

    Então, dia após dia, estamos ouvindo relatos incríveis sobre a ferramenta mais usada na atualidade: o computador. Sozinho, até que ele tem grande serventia. Com a internet então, nem se fala. O danado é que também apresenta uma malignidade sem precedentes na história da humanidade. Nenhum invento criado até hoje está conseguindo fazer tanta destruição no ceio da família quanto à cibernética. É claro que a internet tem o seu lado útil, prático e bom. Todavia, seu poder aniquilador nem sempre é perceptível aos seus incautos usuários.

    No Brasil, a internet já está embutida na quase totalidade dos divórcios. O sujeito tem uma “briguinha” com a esposa ou vice-versa e já quer saber como funciona o “face”. Muitos estados já apresentam a internet como a campeã, a causadora principal das separações. Como a serpente que perturbou Eva até a consumação do pecado, este novo instrumento rasteja como víbora pelas nossas casas por cima de camas, mesas e estofados. Está em um inocente telefone celular. Seu veneno mortal chama-se: “redes sociais”. Do Twitter passando pelo Facebook até chegar ao WhatsApp, as informações indiscretas, os golpes, as fofocas e os flertes proibidos assolam as famílias mais estruturadas.

    Até respeitáveis donas de casa estão se entregando ao fatídico instrumento e já aparecem na “rede” em roupas minúsculas. Às vezes, até sem nada.

    Nem membros de grupos religiosos estão imunes a esta tentação. Os relatos “peçonhentos” são fora do comum. As pessoas estão adicionando aos seus contatos indivíduos estranhos, que antes de qualquer conversa já sabem tudo sobre o outro. Tem nas mãos a relação de amigos e parentes; do emprego onde trabalham e, os mais imprudentes, deixam à mostra os números dos seus telefones.

    Sei perfeitamente que este é um grande invento. Necessário, entretanto, tudo o que é usado de maneira exagerada, não presta. E o que vemos? Os afazeres domésticos sendo colocados de lado. A prioridade é ver o que se passa na internet. Não há mais diálogos pessoais. Não há mais tempo para isso. Filhos estão sendo deixados desarrumados. De um lado, as esposas são esquecidas. Do outro, nem parece que os maridos estão em casa. Como tudo serve para destruir, as refeições são resumidas em uma frase: “Come o que tiver na geladeira. Não me amola!”. Se alguma discussão ocorrer, neste exato momento tem sempre um candango no “face” dizendo assim para a esposa: “Como você está bonita! Uau… Que coisa linda!”. A desgraça começa aí.

    Outro dia, li no Jornal “Agora”, de São Paulo, que um sujeito estava em um campo de futebol entretido com o jogo e a esposa, ao lado, teclando “carícias” no celular com outro. Alguém percebeu e colocou um bilhete no bolso do “fanático” torcedor, alertando para que verificasse o telefone da esposa quando chegasse em casa. E há algo ainda mais alarmante envolvendo tudo isso, além das obrigações rotineiras de um casal que estão sendo deixadas. Acredite se quiser: até a frequência nos cultos está sendo prejudicada pelas novas tecnologias. Essa é a essência, a tragédia da coisa. Na história, Cleópatra faleceu de uma picada de víbora auto-infligida. O apóstolo Paulo, ao ajuntar um punhado de gravetos na Ilha de Malta, foi surpreendido por uma cobra. No caso da internet, ninguém pode mais continuar alegando que não conhece a sua periculosidade, seu mal; tão grande, mas tão grande, que pode levar à perdição eterna.

    O JORNAL BATISTA
    Órgão oficial da Convenção Batista
    Brasileira. Semanário Confessional,
    doutrinário, inspirativo e noticioso.
    Ano CXIV
    Edição 18

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  4. rfbarbosa1963 disse:

    Resolvi postar os documentos, devido a similaridade da mensagem, apesar do 2º ser um texto longo. Muito bom para reflexão.

    A princípio hoje penso que o perigo maior do uso contínuo de redes sociais, tais como o Twitter, whatsApp e Facebook por parte das pessoas como um todo, está na falta de contacto e comunhão entre irmãos.
    As redes sociais são excelentes para quem, por exemplo, são pessoas muito ocupadas, introvertidas e meticulosas em suas perguntas e/ou dúvidas. Isto é um fator extremamente positivo e esclarecedor.
    Mas a Koinonia e o contacto pessoal, entre irmãos pode ficar bastante prejudicado.
    Eu mesmo hoje utilizo o meu blog como ambiente de evangelismo e ensino bíblico devido, principalmente a minha saúde. Sou um homem com m-paresia dos membros inferiores direito além de nos últimos dias ter sofrido uma queda e como consequência fraturei o fêmur direito, sendo necessário o implante de uma haste intra-medular bloqueada. A frequência de visita no blog atualmente em setembro de 2014 é de +/- 1300 visitas/mês.
    Mas antes como exerço o diaconato em Escola Bíblica Dominical, já tinha uma prática de leitura frequente de periódicos, livros e apostilas em geral.
    Logo, atualmente uni o útil ao agradável e tenho encontrado descanso para o meu corpo e faço o meu evangelismo virtual, produzindo textos ou mesmo, selecionando textos diversos que possuem uma excelente frequência de visitas.

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