A história do islã: uma trilha de sangue

Artigo compilado

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Nos primeiros mil anos o islã foi avançando, e a cristandade recuando sob a ameaça dessa nova força. A nova fé conquistou os antigos países cristãos do Levante [Palestina] e África do Norte, e invadiu a Europa, dominando por algum tempo a Sicília. [… ] Nos últimos trezentos anos, desde o fracasso do segundo cerco turco em Viena, em 1683, e devido ao crescimento dos impérios colonialistas da Europa na Ásia e África, o islã tem estado na defensiva, e a civilização cristã e pós cristã da Europa e suas filhas têm trazido o mundo todo, incluindo o islã, para dentro de sua órbita.

O artigo de Lewis apareceu na revista Atlantie Month! J;, em setembro de 1990, exatamente onze anos antes dos ataques terroristas ao World Trade Center e ao Pentágono. Nesses anos, os muçulmanos cumpriram as expectativas de Lewis e retomaram, em números sem precedentes, a suas posições originais: o mundo se divide entre a Casa do Islã e a Casa dos Incrédulos. Do ponto de vista muçulmano, Lewis escreveu: “A maior parte do mundo continua fora do islã, e mesmo dentro dos países islamitas, de acordo com a visão dos radicais, a fé islâmica tem sido enfraqueci da e sua lei abolida. A obrigação da guerra santa, por conseguinte, inicia-se em casa e continua fora de casa, contra o mesmo inimigo infiel”.

À medida que o islã volta ao modelo que orientou seu primeiro milênio, os descrentes de qualquer raça, credo ou contexto cultural são “animais de caça” para os guerreiros muçulmanos. Nessas novas cruzadas, o Oriente está engajado em uma batalha que é política no processo, mas religiosa em essência.

CONCLUSÃO

Várias conclusões devem ser traçadas dos mil e quatrocentos anos de história entre cristãos e muçulmanos:

  • Com a infeliz exceção das Cruzadas, os muçulmanos começaram quase todas as guerras, principalmente devido à filosofia do jihad.
  • A guerra não é um acessório da história do islã: ela é o instrumento principal para a expansão religiosa. É dever do muçulmano trazer paz ao mundo por meio da espada.
  • Muçulmanos conservadores veem a cultura ocidental como destrutiva para as tradições e crenças islâmicas.
  • Enquanto as pessoas modernas estão familiarizadas somente com o islã defensivo dos últimos trezentos anos, a religião nunca esqueceu os mil anos anteriores de conquistas a serviço de Alá. É o islã conquistador tradicional que voltou a emergir.

Hoje a alma do muçulmano é perseguida por uma luta interior cultural, política, teológica e social. Como explica Lewis, ocorreu uma derrota tripla em relação aos ideais muçulmanos: primeiro, o islã perdeu domínio; segundo, por meio da invasão de estrangeiros e de suas ideias, a autoridade muçulmana foi enfraquecida em seus próprios países; terceiro, o desafio social do modernismo encorajou a emancipação das mulheres e a rebelião dos filhos. “Também era natural que essa ira [muçulmana] fosse direcionada principalmente contra o inimigo milenar e deveria tirar suas forças de crenças e lealdades antigas”.

Muitos muçulmanos fiéis acreditam que não têm escolha, a não ser ir para a ofensiva. Quanto mais intensa for a crença de que o Ocidente tem degradado os valores islâmicos, tanto maior é o risco de reação violenta. Por exemplo, muitos acontecimentos ocorrem enquanto escrevemos este livro:

  • A Fronteira de Salvação Nacional e o Grupo Islâmico Armado esperam subjugar os líderes moderados na Argélia.
  • Em 1996, o Partido Islâmico do Bem-Estar, de orientação tradicional, tornou-se o maior partido político no parlamento turco.
  • Desde a libertação do Kuwait, pelos Estados Unidos, da invasão do Iraque na guerra do Golfo, o Kuwait tem declarado ilegal a educação não islâmica e qualquer proselitismo cristão.
  • O governo de Brunei, sob um manto de liberdade religiosa, está pressionando as escolas cristãs a substituir as aulas de religião cristã por instrução islâmica. Reuniões de cristãos com mais de cinquenta pessoas são ilegais.
  • Todos os cidadãos da Mauritânia devem ser muçulmanos sunitas. Tentar abandonar a fé é crime.
  • Embora a constituição de Bangladesh garanta liberdade religiosa, uma emenda em 1998 estabelece o islã como a religião do Estado.
  • Os líderes islâmicos do Quênia têm declarado jihad contra a African Inland Church e a Visão Mundial Internacional.
  • Em 1992, o governo da Tanzânia baniu toda pregação religiosa fora das igrejas.

Esses são apenas alguns casos do surgimento da militância islâmica. O islã está emergindo como um poder a ser respeitado e considerado.

APRENDENDO COM O PASSADO

Em 1524, o anabatista Baltazar Hubmaier (1480-1528), em seu livro On heretics and those whoburnthem [Sobre heréticos e aqueles que os queimam], defendeu uma liberdade religiosa total.

Hubmaier representa um modelo de comportamento para os Cristãos modernos em relação aos muçulmanos. Ele escreveu que os muçulmanos turcos “não podem ser vencidos com nossas obras, nem pela nossa espada, nem pelo fogo, mas somente pela paciência e súplica, por meio das quais nós pacientemente aguardamos o julgamento divino”. Hubmaier foi Contra o sistema político vingativo dos seus dias e, a certa altura, foi morto devido a suas idéias, incluindo sua simpatia pelos turcos.

Leve em conta a tradição de Hubmaier. E o dever do crente em Jesus Cristo convencer os muçulmanos com compaixão; espere por eles com paciência e ore por eles com seriedade.

http://www.cacp.org.br/a-historia-do-isla-uma-trilha-de-sangue/

Uma reflexão à luz da barbárie na Revista Charlie Hebdo

       O dia 07 de janeiro de 2015 ficará marcado na história como o maior ataque à liberdade de imprensa. Doze pessoas foram assassinadas, entre elas o diretor da Revista e quatro chargistas conhecidíssimos no mundo, que trabalhavam na Revista Charlie Hebdo, em Paris. Dois terroristas ligados a Al Qaeda entraram no prédio da Revista e executaram barbaramente os chargistas e outros funcionários da empresa. Sabemos que os extremistas islâmicos estão dispostos a matarem e morrerem por sua crença em um deus vingativo e déspota. A religião islâmica é extremada, impaciente e violenta. Atacam todos aqueles que “ferem” a sua crença. Há um trabalho muito intenso de “evangelizar” o máximo de pessoas em todo o mundo e “convertê-las” ao islamismo. A religião islâmica é preconceituosa e implacável. Os países islâmicos não admitem a liberdade de outros credos em seus territórios, mas querem liberdade nos territórios alheios para onde se dirigem seus “missionários” e cidadãos que buscam trabalho. Os sunitas e os xiitas são inimigos, lutam entre si, e de forma bárbara. Eles estão crescendo muito na Europa e já chegaram também na América Latina.

O ataque à Revista Charlie Hebdo é uma demonstração do que os extremistas islâmicos são capazes de fazer, como acontece em áreas da Síria e do Iraque dominadas pelo Exército Islâmico, formado por homens sanguinários que matam mulheres e crianças. Temos visto as atrocidades cometidas por esse exército aos cristãos e outros grupos que não professam o seu credo. A religião é um sistema de escravidão, vingativo e destruidor. Ela enfatiza o mérito humano em detrimento da graça divina. O homem vale pelas obras que faz. O deus do islamismo é um deus legalista, intransigente e implacável. Alá é o deus do islamismo, o Corão é o seu livro-texto e Maomé o seu maior profeta. O Islamismo professa a “guerra santa” e o seu alvo é conquistar o mundo para Alá utilizando estratégias diversas.

A barbárie ocorrida na Revista Charlie Hebdo é uma demonstração da violência e do espírito assassino que é fortíssimo no extremismo islâmico. A religião muçulmana não admite qualquer brincadeira com Alá, o Corão e Maomé. Temos o exemplo de Salman Rushdie, escritor britânico de origem indiana, que, por causa dos versos satânicos (uma interpretação jocosa de alguns versos do Corão) foi condenado à morte pelo aiatolá Khomeini, do Irã. Até hoje ele vive escondido e protegido pela Policia britânica. Esta atitude é de gente medíocre, extremada, preconceituosa, intolerante e com um espírito assassino. O Senhor Jesus Cristo, o Deus encarnado, em nenhum momento respondeu com violência as provocações, humilhações, sofrimento atroz, e, finalmente, a morte pelos judeus e romanos. Sendo Deus, se entregou por nós na cruz e nos ensinou a amar os nossos inimigos, a bendizer os que nos maldizem e abençoar os que nos amaldiçoam e a perdoar os que nos ofendem e nos odeiam, como relata Mateus 5.43-48.

O cristianismo autêntico está na contramão do islamismo em todas as suas formas. Nós, cristãos, não seguimos uma religião, mas seguimos e servimos a Jesus Cristo, nosso Salvador e Senhor – Aquele que voluntariamente morreu por nós na cruz, nos ensinou a amar, a tolerar os contrários e viver em paz com todos. Ele disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Aquele que nasceu de novo vive uma vida de amor e compaixão; solidariedade e serviço; alegria e contentamento; paz e convivência amistosa. Paulo sofreu perseguição, foi atacado, esbofeteado, chicoteado, mas não revidou. Para ele, sofrer por Cristo era um privilégio, uma honra. Ele nunca promoveu extremismo, violência, intolerância, vingança e nem agressão. A sua pregação consistia em testemunhar da Obra de Cristo na cruz e na ressurreição. O seu assunto era Jesus Cristo e este crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1ª Co 1.12; 2.1-5). Então, o Antigo e o Novo Testamento revelam um Deus de amor, que nos desafiou a amá-lo de todo o coração, alma, entendimento e com todas as forças, e ao próximo como a nós mesmos.

A verdadeira fé não agride, não mata, não age com intolerância, não rejeita, não atua com preconceito, mas ama sempre apresentado a verdade que é Cristo Jesus, que liberta do jugo da religião. Lá da cruz, sofrendo dores terríveis por nós, que não suportaríamos, ele disse: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. O Mestre era cheio de amor, ternura e aceitação para com o perdido, devasso, maltrapilho e pródigo. Ele não aceita as pessoas por mérito delas, mas pela graça mediante a fé no Seu sacrifício na cruz. Cristãos genuínos, mesmo sendo criticados,vilipendiados, perseguidos pelos cartunistas de Paris ou qualquer outro grupo, jamais reagiriam como os terroristas islâmicos. Devemos barrar a intolerância pelo amor e pela aplicação da lei. Não podemos aceitar qualquer tipo de violência, de ataque aos que pensam diferente de nós. O ataque à Revista Charlie Hebdo deve ser condenado veementemente pelas pessoas de bem. Os terroristas devem ser exemplarmente presos e condenados pelas leis da França. Os nossos protestos devem ser pacíficos. Não devemos ser vingativos, mas vivermos em amor como Cristo Jesus, nosso Senhor.

O Jornal Batista Ano CXIV Edição 04 2015

Islamismo espalha ódio na Europa

 

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5 respostas para A história do islã: uma trilha de sangue

  1. O que os cristãos pensam sobre o Islã?

    Uma pesquisa feita pelo Centro de Reflexão Missiológica Martureo ouviu 423 cristãos sobre como eles enxergam outras religiões, especialmente, o Islã.
    Martureo – Centro de Reflexão Missiológica

    Confira alguns resultados:

    Confira alguns resultados:

    – 10% creem que o Islamismo é um esquema desenvolvido e realizado pelo diabo.
    – 51,7% acham que Maomé foi “um carismático líder profético e religioso que acreditava genuinamente que havia recebido um chamado profético divino para seu povo”.
    – 45,3% acreditam que “os muçulmanos não serão salvos, pois não chegaram ao conhecimento de Cristo”.
    – 59,6% entendem que as melhores formas de interagirem com os muçulmanos são o uso do Alcorão, da Bíblia e de outros elementos de ambas as tradições.
    – 72,2% não concorda que “o Estado de Israel tenha o direito de atuar contra os árabes palestinos para garantir o que Deus lhe concedeu”.
    – 78,5% nunca fizeram nenhum curso sobre o Islã.

    http://ultimato.com.br/sites/blogdaultimato/2016/03/31/o-que-os-cristaos-pensam-sobre-o-isla/

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  2. Quem tem medo dos muçulmanos?

    Terrorismo, Estado Islâmico, drama de refugiados, conflitos culturais. Diante deste cenário, devemos ter medo dos muçulmanos? Como o cristão deve enxergar e se relacionar com um seguidor do Islã? Nós fizemos estas e outras perguntas a Marcos Amado, pastor e atual diretor do Movimento de Lausanne para América Latina, e um estudioso no tema. Confira.

    ***

    Portal Ultimato – O terrorismo, o surgimento do Estado Islâmico e o drama dos refugiados, entre outros temas, têm trazido à tona questões polêmicas sobre o Islamismo, como sua radicalidade e violência. Que pontos mais delicados o Ocidente precisa resolver com o Islã? Como você vê este momento que vivemos hoje?

    Marcos Amado – O momento que vivemos hoje em relação aos muçulmanos é de muita preocupação. Infelizmente o radicalismo islâmico é um fenômeno que veio para ficar por um bom tempo. Mas temos que ter muito cuidado com o que talvez poderíamos chamar de “miopia histórica”. O fenômeno do radicalismo islâmico não é novo e começou a se desenvolver com mais intensidade a partir do momento em que as nações europeias (principalmente Inglaterra e França) colonizaram os países árabes, e se exacerbou a partir do momento em que os árabes entenderam que a divisão da palestina proposta pelas Nações Unidas não era justa, considerando que o número de árabes palestinos (cristãos e muçulmanos) era bem maior em 1947 que o número de judeus, e possuía a maioria da terra existente na região. Apesar disso, a ONU decidiu dar a maior parte do território, e das terras produtivas, para o que acabou se transformando no Estado de Israel a partir de 1948. Se não fosse pela forma que o Estado de Israel foi criado, não haveria, por exemplo, grupos terroristas como o Hamas (na faixa de Gaza) e o Hezbollah (no Líbano).

    Portanto, o Ocidente tem uma dívida histórica com o povo árabe. Essa dívida envolve promessas não cumpridas e outras traições e manobras políticas que defendiam apenas o interesse do Ocidente.

    Podemos justificar a violência e radicalidade muçulmana? De forma alguma. Mas o Ocidente não pode se isentar do que está acontecendo, pois é fruto de sua própria política expansionista e colonizadora.

    Portal Ultimato – Com relação à questão dos refugiados, alguns defendem que os países europeus têm o direito de não acolhê-los. Alguns cristãos temem que o acolhimento de refugiados muçulmanos poderia causar uma “islamização”. O que você acha disso?

    Marcos Amado – Na verdade, eu creio que seria um excelente momento para que os cristãos de todo o mundo se organizassem e aproveitassem a oportunidade para testemunhar de Cristo (em palavras e obras) para os refugiados muçulmanos que estão indo para a Europa. Muitas vezes não podemos testemunhar para eles em seus próprios países, mas agora eles estão se mudando para regiões do mundo onde é permitida a pregação do Evangelho.

    É uma falácia dizer que o influxo de imigrantes muçulmanos vai fazer com que haja uma “islamização” da Europa. Dados recentes do Pew Forum importante instituto de pesquisa norte-americano, diz que a previsão é que até o ano 2030 o número de muçulmanos na Europa não ultrapasse os 8%.

    Porém, é importante que os governos europeus tenham planos concretos para que estes imigrantes realmente se adaptem ao seu novo país, em vez de viverem em “guetos muçulmanos”, como já acontece hoje em algumas partes da Europa.

    Pessoalmente creio que somente haverá uma radicalização maior do Islã na Europa, se os governos não fizerem corretamente o seu papel, e os cristãos de todo o mundo não aproveitarem esta oportunidade para testemunhar aos “povos não alcançados” que estão chegando às portas de suas casas.

    Portal Ultimato – O que o Estado Islâmico tem de islâmico?

    Marcos Amado – Muito! Creio que o Presidente Barack Obama está se equivocando ao dizer que o ISIS [Estado Islâmico do Iraque e do Levante] não representa o Islã. Eu não estou de acordo. Porém, o ISIS representa uma versão do Islã, que é a mais radical e cruenta. Eles se baseiam numa interpretação literal do Alcorão que não é compartilhada pela maioria dos muçulmanos ao redor do mundo.

    Em setembro de 2014 um grupo de mais de 120 teólogos muçulmanos de todo o mundo de grande destaque na liderança muçulmana internacional escreveu uma “Carta Aberta” ao líder supremo do ISIS. Na carta eles explicavam porque não estavam de acordo com o que o ISIS está fazendo, e deram todas as razões corânicas e históricas. Infelizmente a mídia internacional, assim com a evangélica, não dá destaque a este tipo de documentos.

    Portal Ultimato – Você é um pastor batista e missionário experiente. Também é um grande estudioso do Islamismo há anos. Como você acha que a igreja brasileira enxerga os muçulmanos?

    Marcos Amado – À medida que viajo pelo Brasil, tenho a impressão de que a igreja evangélica brasileira vê o Islamismo e os muçulmanos de uma maneira muito bélica. Parece que em nossas pregações e em nossos centros de capacitação missionária, estamos ensinando aos brasileiros a se defenderem dos muçulmanos, em vez de ensiná-los a amá-los. Estamos nos esquecendo que, apesar dos grupos radicais, os muçulmanos são pessoas como você e eu, que foram criados à imagem e semelhança de Deus. Se não formos até eles, eles não encontrarão a salvação em Cristo Jesus.

    Por isso, o Centro de Reflexão Missiológica Martureo [do qual Marcos Amado é diretor] está fazendo uma pesquisa para tentar entender melhor esta questão. Esperamos ter os resultados em breve.

    Portal Ultimato – Não é raro conhecer cristãos com “chamado para trabalhar com muçulmanos”. No último CBM (Congresso Brasileiro de Missões), em outubro de 2014, você informou que no passado o Islamismo e o Cristianismo já se deram muito bem. Como um missionário brasileiro deveria se relacionar com um muçulmano?

    Marcos Amado – Logo que o Islamismo conquistou as “terras cristãs” do Oriente Médio por volta do ano 650, eles permitiram que os cristãos continuassem tendo seus cultos, suas igrejas, seus livros teológicos, seus trabalhos na administração pública, etc. Foi apenas séculos mais tarde que a situação se tornou conflitiva.

    O Dr. Martin Accad, teólogo cristão evangélico formado pela Universidade de Oxford, afirma que existem basicamente cinco formas de nós, cristãos, nos relacionarmos com um muçulmano: as interações sincretista, existencial, apologética, polemista e kerigmática. Apesar de quase todas elas terem, em determinadas situações, o seu lugar, ele define que a kerigmática é a mais apropriada. Para os partidários dessa abordagem, a religião é uma parte natural da existência humana, mas Deus está “acima de qualquer sistema religioso”. Maomé deve ser visto como alguém que, mesmo equivocado, genuinamente acreditou ter sido chamado por Deus e que passou por diferentes estágios como ‘profeta’ e estadista. O Alcorão deve ser entendido como uma tentativa, não inspirada, mas sincera de Maomé de comunicar aquilo que ele acreditava ser a mensagem que já havia sido transmitida por Deus aos judeus e cristãos. Ele diz:

    ‘Muito embora os muçulmanos tenham como sua principal preocupação agradar a Deus, eles carecem da habilidade desse relacionamento profundo e pessoal com Deus, algo que, de acordo com os Evangelhos, só é possível para aqueles que respondem ao convite de Cristo para se aproximarem de Deus como Pai, por meio de uma filiação fraternal com ele mesmo.’

    Na minha opinião, esta é a forma correta de interagirmos com os muçulmanos: entendendo que eles estão no caminho equivocado, mas que possuem uma desejo de conhecer a Deus. Cabe a nós fazermos esta parte.

    Portal Ultimato – Muito da perseguição contra cristãos ocorre em ambientes muçulmanos. O que isso diz sobre o Islamismo?

    Marcos Amado – Isso mostra que existe um determinado tipo de clérigo muçulmano que, com uma interpretação particular do Alcorão, incita o povo contra os cristãos. Muitos desastres estão acontecendo ao redor do mundo por esta razão.

    Porém, devemos ser cuidadosos: os radicais e certos líderes muçulmanos incitam o ódio contra os cristãos e contra todos os muçulmanos que não leem na mesma cartilha deles. No entanto, a grande massa muçulmana não tem essa atitude.

    Portal Ultimato – Até onde o diálogo com o islamismo poderia ir?

    Marcos Amado – A palavra ‘diálogo’ tem tido uma conotação muito negativa no nosso meio. Por isso, tenho preferido a palavra ‘interação’. Essa interação deve ter como objetivo uma compreensão fiel, por parte do muçulmano, sobre quem é Jesus e o que ele fez por nós. Porém, como nos admoesta o Apóstolo Pedro, isso deve ser feito com “gentileza e respeito” (1 Pedro 3.15).

    Portal Ultimato – O que você acha que pode acontecer nas próximas décadas na relação entre Islamismo e Cristianismo?

    Marcos Amado – Depende de nós, cristãos. Se mudarmos nossa compreensão sobre o Islã e o muçulmano, e passarmos a amá-los da mesma forma que Deus os ama, então muita coisa pode acontecer. Aliás, nos últimas duas décadas mais muçulmanos chegaram ao Senhor (inclusive, através de sonhos) do que durante todo o século passado.

    Portal Ultimato – O que as Escrituras nos ensinam sobre a relação com outras religiões?

    Marcos Amado – Deus, inclusive através de Jesus, não suporta as religiões nem os religiosos. O que vemos na Bíblia é um convite a um relacionamento com o Deus Trino, como resultado da morte e ressurreição no nosso Senhor Jesus.

    Marcos Amado é pastor e atual diretor do Movimento de Lausanne para América Latina. Tem mestrado em missiologia pelo “All Nations Christian College” da Inglaterra e atualmente está fazendo seu segundo mestrado no Instituto de Estudos do Oriente Médio em Beirute, no Líbano. É missionário da SEPAL e recentemente fundou o Cento de Reflexão Missiológica Martureo, em associação com o Seminário Servo de Cristo em São Paulo (SP).

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  3. rfbarbosa1963 disse:

    Sob o horror

    Ariovaldo Ramos

    A questão dos ataques de fundamentalistas radicais continua em pauta. O grupo Boko Haram, por exemplo, luta por estabelecer a sharia na Nigéria. Trata-se de um grupo cujo nome significa “nenhuma educação que não seja muçulmana é permitida”.

    O grupo radical fez o sequestro ignominioso de estudantes, arrancando-as dos bancos escolares. Em cinco dias de incursões, assassinou cerca de 2 mil pessoas em Baga, no nordeste da Nigéria. E atacou uma base do exército da República dos Camarões, na fronteira da Nigéria — num primeiro momento, o grupo foi rechaçado, porém já conseguiu vitórias em Camarões.

    Diante de quadros como esse, chega a ser desolador ver atores da sociedade moderna reagindo a partir de posicionamento que classifica os protagonistas em “de esquerda” ou “de direita”.

    Os termos “direita” e “esquerda” dividem os seres humanos segundo sua posição ideológica quanto a questões socioeconômicas e políticas. O fundamentalismo radical os divide em fiéis e infiéis. Estamos sendo envolvidos num quadro totalmente diferente do ambiente ideológico. Houve, na história da humanidade, um tempo em que os seres humanos foram classificados dessa forma, chamado de Idade das Trevas. E o foi, pelo equívoco na noção de fé.

    A fé não é para defender ou proteger Deus, nem mesmo para impor a vontade de Deus. Um ser que precise desse expediente não pode ser considerado Deus, por definição.
    Não nos iludamos: o radicalismo fundamentalista é trans-religioso, ou seja, não é privilégio de uma religião em particular.

    Por exemplo, nos comentários sobre o que aconteceu na França, em que o comentador enfatizava que não era “Charlie”, foi comum encontrar frases como: “Não concordo com as mortes, mas, também, não dá para conviver com o deboche dos cartunistas…”.

    Fica a pergunta: o que significa a frase “não dá para conviver”? Será que a pessoa não percebe que, quando diz isso, está justificando, de alguma forma, a intolerância para com o que crê de forma diferente? Será que ela não se dá conta de que está abrindo a porta para o assassínio que produz mártires?

    Usamos o termo “terror” para denunciar tais atos, porém trata-se de um termo que nasceu para distinguir o guerrilheiro por uma causa do combatente niilista, para quem a violência é um fim em si mesma. Entretanto, insisto, estamos diante de um outro fenômeno, que nos leva para a era pré-moderna e que os termos da modernidade não conseguem abranger.

    Outra consideração é que os ataques dos radicais não são contra a inexistência de limites ao direito de expressão, como muitos concluíram no caso do ataque à redação do jornal francês “Charlie Hebdo”. Tais ataques estão sendo desferidos contra a noção de Estado laico.

    Quando os cartunistas insistiram em manter a sua crítica à religião — ainda que de gosto duvidoso — insistiram no fato de que o Estado é laico e que o mesmo direito dado aos religiosos é dado aos críticos da religião. Isso faz sentido. Se num Estado em que todas as expressões religiosas são garantidas a religião não puder ser criticada, fica denunciada a falácia, isto é, temos um Estado laico de direito, mas não o temos de fato. É preciso compreender que num Estado laico não se legisla “sobre” religião, mas também não se legisla “a partir” da religião.

    Estamos assistindo à ressurgência do pré-moderno. Nossas categorias de avaliação precisam de revisão, mas nossa insistência no Estado laico não pode arrefecer.

    • Ariovaldo Ramos é escritor, conferencista e presbítero na Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo. Foi, por quatro anos, membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e é presidente da Visão Mundial no Brasil. É autor de Pare de Conjugar o Verbo Sofrer.

    http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/353/sob-o-horror

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  4. rfbarbosa1963 disse:

    Islã: religião de paz?

    Alderi Souza de Matos

    Os atentados terroristas verificados em Paris no início de janeiro de 2015, nos quais três extremistas islâmicos mataram dezessete pessoas, entre elas cinco cartunistas do periódico satírico “Charlie Hebdo”, suscitaram um intenso debate sobre a liberdade de expressão. Autoridades e articulistas se apressaram em isentar a religião islâmica de qualquer responsabilidade pelo ocorrido, buscando-se muitas explicações alternativas para as ações dos terroristas. Tanto líderes muçulmanos quanto não muçulmanos voltaram a insistir que o islamismo é uma religião pacífica. Os que expressaram opinião contrária foram tachados de islamofóbicos.

    Porém, divergindo da maioria politicamente correta, alguns observadores têm questionado se o islã é de fato uma religião tolerante. Quando se olha para a história, verifica-se que nos primeiros séculos o movimento de Maomé, ao lado de seu caráter militante e conquistador, tornou-se uma importante força intelectual e cultural. Os antigos califados foram centros de cultivo das mais diferentes áreas do saber. A Espanha islâmica destacou-se por sua magnífica arquitetura e por suas contribuições na matemática, na medicina e na filosofia. Nomes como Ibn Rushd (Averróis), Ibn Sina (Avicena), al-Kindi, al-Farabi e outros estão entre os grandes intelectuais do período áureo islâmico (750-1250). Mais importante, em muitas das regiões conquistadas, os muçulmanos se mostraram bastante respeitosos de outros grupos religiosos, havendo entre eles uma convivência relativamente pacífica.

    Todavia, em séculos mais recentes, por uma série de fatores ainda não suficientemente explicados, o islamismo tem experimentado forte declínio intelectual e ideológico. Na maioria dos países em que predomina, tornou-se uma religião fortemente conservadora e tradicionalista, controladora de todos os aspectos da vida e da sociedade, avessa à aceitação da diversidade religiosa e de cosmovisões alternativas. Essas atitudes foram exacerbadas durante o século 20 com o colonialismo europeu, a criação do Estado de Israel e um sentimento de inferioridade e injustiça em relação ao Ocidente cristão.

    Não se pode negar que existem muitos muçulmanos de mentalidade aberta, respeitosos dos que pensam de modo diferente. Todavia, na atualidade a atitude predominante se volta para a direção oposta. Existem muitas coisas no islã que são passíveis de diferentes entendimentos, mas hoje prevalecem as interpretações rígidas e radicais. Um exemplo disso são as problemáticas representações visuais de Maomé. Não há nada no livro sagrado, o Corão, que proíba tais desenhos. No entanto, segundo a tradição islâmica (“hadith”), o profeta teria se oposto a essa prática para que não fosse idolatrado. Ao mesmo tempo, sabe-se que em certos contextos artistas islâmicos retrataram o seu fundador. Porém, essa questão se tornou tão essencial para os muçulmanos atuais, que tais representações são tidas como blasfêmia, como um supremo insulto que merece vingança, até mesmo a morte.

    Quando se investiga a atitude do islã em relação à tolerância e à liberdade religiosa não basta olhar para os muçulmanos que vivem no Ocidente. Sendo grupos minoritários, eles são plenamente favoráveis a uma ampla liberdade, que muito os beneficia. Por outro lado, os defensores do islã dizem que o comportamento das turbas sanguinárias e de grupos extremistas como o Estado Islâmico e Boko Haram é totalmente excepcional, não fazendo justiça à corrente majoritária dessa religião. Porém, há uma terceira via de investigação, frequentemente esquecida pelos líderes e analistas ocidentais: a conduta dos países islâmicos em relação à liberdade religiosa. Aqui não se trata de movimentos periféricos e radicais, mas da maioria islâmica em sua atitude padrão diante de outros grupos.

    A Missão Portas Abertas, que monitora a intolerância religiosa ao redor do mundo, informa que cerca de 65 nações praticam alguma forma de repressão contra os cristãos, com diferentes graus de intensidade. A maior parte desses países violadores da dignidade humana no âmbito religioso (e em outras áreas) é composta de nações islâmicas. O melhor exemplo é a Arábia Saudita, o berço e centro principal do islã.

    Nesse país, 97% da população é muçulmana, sendo a maioria sunita de linha salafista, ultraconservadora. Os poucos cristãos são trabalhadores estrangeiros. A liberdade religiosa é severamente restringida: nenhuma outra religião pode ser praticada, templos não islâmicos são proibidos, mesmo as devoções privadas são vedadas e a polícia religiosa investiga as casas de cristãos. A conversão de muçulmanos é passível de pena de morte. O sistema penal, baseado na lei islâmica (“sharia”), prescreve castigos brutais como decapitação, apedrejamento, açoites e amputação de membros. O país não aceita a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sintomaticamente, o governo saudita alega o caráter islâmico especial do reino como justificativa para uma ordem social e política diferente.

    Esse péssimo precedente se espalha por todo o mundo muçulmano, especialmente as chamadas repúblicas islâmicas, verdadeiros estados totalitários conhecidos por suas amplas e graves violações dos mais elementares direitos humanos. Mesmo nações outrora tolerantes, como Jordânia, Turquia e Indonésia, têm experimentado um recrudescimento da perseguição contra as minorias religiosas. Multiplicam-se em muitos lugares horríveis massacres de cristãos, como no Sudão, no Egito e, mais recentemente, na Nigéria e no Níger, sob o olhar complacente dos governantes ocidentais. Essa desumanidade é um dos fenômenos mais chocantes do mundo contemporâneo e torna insustentáveis as alegações de que o islamismo é uma religião de paz e harmonia.

    No dia 12 de setembro de 2006, o papa Bento XVI fez um corajoso discurso na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, em defesa da liberdade religiosa, no qual conclamou os muçulmanos a condenarem a violência como meio de impor a fé. As reações negativas foram intensas, tanto de líderes islâmicos quanto de ocidentais que se recusam a denunciar uma dolorosa realidade. Usando argumentos que a cada dia parecem mais convincentes, o pontífice apelou aos seguidores de Maomé para buscarem, dentro de seus próprios recursos espirituais e intelectuais, argumentos islâmicos que defendam a tolerância religiosa e a distinção entre autoridade religiosa e autoridade política.

    A história cristã não está livre de tristes manifestações de violência como as cruzadas, a inquisição, as perseguições contra os judeus e a escravidão. Todavia, com o passar do tempo a cristandade evoluiu e hoje, de modo coerente com os ensinos de Jesus, defende plenamente a liberdade, a democracia e os direitos da pessoa humana. Esse é o grande desafio para o islã nesta grande encruzilhada da história, para o seu próprio bem-estar futuro e para a segurança e paz da humanidade.

    • Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e professor no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. É autor de “Erasmo Braga, o Protestantismo e a Sociedade Brasileira”, A Caminhada Cristã na História e “Fundamentos da Teologia Histórica”. Outros artigos de sua autoria estão disponíveis neste site

    http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/353/isla-religiao-de-paz

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  5. rfbarbosa1963 disse:

    Resolvi postar esta reflexão sobre a barbárie na Revista Charlie Hebdo de Oswaldo Luiz Gomes Jacob por ser equilibrada, sensata e madura.

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