Corrupção, protestos e o espaço público

Jovens das igrejas protestantes ecumênicas estiveram na organização das marchas que tomaram as metrópoles brasileiras no meio do ano, e levaram mais de um milhão de brasileiros às ruas e avenidas para protestar contra o Estado irresponsável, a corrupção política, o abuso do sistema econômico parasitário e atrelado às políticas governamentais. A sociedade autoritária reprovou-os.

Conheço alguns dos jovens que estiveram nas manifestações de junho de 2013. E as vielas, ruas, avenidas da cidade, reclamam os seus direitos, hoje, da mesma maneira. O que é chocante, impactante, nas manifestações pacíficas no meio do ano (2013), por direitos políticos e cidadania crítica, também ocupando assembleias legislativas estaduais e municipais? O enfoque invertido sobre os reais problemas das urbes e do país, que políticos escamoteiam, enquanto se perpetuam nos cargos públicos, motivam os manifestantes. A geração que imita as oligarquias tradicionais, autoritárias, mereceu a rejeição da juventude, dos maduros e dos velhos. E ela trouxe às ruas e avenidas o protesto, à revelia do Estado — sem pedir licença à religião -, porque os espaços públicos são privatizados sistematicamente, câmaras vigiam quem busca o direito, a liberdade e a justiça.

São espaços em direção e funções de interesses políticos, comerciais e de consumo, neste momento. Até o lazer é privatizado. Descobriram os jovens, porém, que esse espaço deve ser público, gratuito, coletivo e democrático. Foi nele que ocorreu o “plebiscito espontâneo” da sociedade oprimida por políticas públicas que se entregaram à ganância e ao consumismo irresponsável. Homens e mulheres deram o aviso. Querem gozar do espaço público livremente, viver, divertir-se, amar e sonhar sem ter que pagar aos que tomaram e privatizaram seu lugar natural.

Muitos dos manifestantes apontam superficialmente, de modo abstrato, a culpa dos governantes, sem atinar para as raízes e as causas dos desvios democráticos, como a generalização da pobreza sem assistência habitacional, escolar, hospitalar; transporte público a custos desproporcionais aos ganhos dos trabalhadores, enquanto o Estado camufla sua incompetência para gerenciar empresas a serviço da ganância, inclusive instituições financeiras e seus lucros exorbitantes, porquanto escorcham a população. Acreditariam os manifestantes na responsabilidade implícita do seu voto nesses governantes?

Acreditariam que, ao votar, inclusive, deve-se exigir uma atuação parlamentar pela erradicação da pobreza extrema, da fome e das epidemias cíclicas; exigir educação completa da alfabetização à universidade; exigir cuidados com o meio ambiente degradado? A maioria da população capixaba, como exemplo, não sabe para que serve a Assembleia Legislativa. Pesquisa do Instituto Futura apontou que 54,2% dos eleitores desconhecem a utilidade da instituição, fundada em 1835, e também chamada, curiosamente, de Casa do Povo.

Mesmo sem conhecer as funções da instituição, 51,2% disseram que ela não as cumpre; apenas 7% dos pesquisados sabem para o que servem os legislativos1. Mas poderiam ser conscientes de que toda a população de Marrocos equivale à população brasileira submersa na miséria; que 600 municípios brasileiros, nos 13 bolsões permanentes de pobreza extrema, são necessitados de água potável, esgotos, escola em mínima qualidade, saúde pública, e que é por meio do voto que se pode corrigir tudo isso. E demonstrar consciência da abrangência dos direitos cidadãos da população total ou da coletividade.

É nesse espaço, também, que se expõem as raízes e as causas dos desvios do poder público desfocado, ignorante de suas funções cidadãs: a generalização da pobreza sem assistência habitacional, escolar, hospitalar; transporte a custos desproporcionais, enquanto o Estado camufla sua incompetência para gerenciar e controlar empresas privadas que o servem, devorando ou desumanizando o cotidiano das pessoas comuns. Inclusive instituições financeiras, bancos e seus lucros exorbitantes, independentes e livres de controle, porquanto escorcham a população com ajuda governamental.

Lembro-me da fábula do imperador chinês. Ele era impossibilitado de dormir no palácio construído sobre um rochedo porque o mar, quebrando-se em vagalhões ruidosos contra o penhasco, incomodava o governante e seus hóspedes. S.M. decide então baixar um decreto proibindo as ondas de baterem contra as pedras. É isso que a sociedade autoritária, amante do fascismo histórico, pretende dos governantes nesses dias de manifestação coletiva?

A sociedade civil é o mundo tomado por males reais, coletivos, tão concretos quanto os de ordem econômico-social, expostos no cotidiano da violência urbana, camuflados no falso repúdio e vergonha do grupo autoritário insensível à essência imunda e maligna da miséria, mas que reclama por sua tranquilidade, porque não quer ser incomodado em seu conforto.

Como sociedade — o país ocupa um lugar mundial entre as nações onde a corrupção faz parte do cotidiano cidadão desde o camelô, o guarda de trânsito, ao chefe do legislativo –, o Brasil está na 69ª posição entre os países mais corruptos, crescendo assim no ranking mundial.

Na América Latina, os brasileiros ficam atrás apenas dos chilenos e uruguaios – estes no 20º lugar, segundo a Transparência Internacional. Deve-se protestar, exigindo dos governantes o combate abstrato da corrupção? “Corruptio optimi pessima est”. A expressão latina consegue sintetizar uma grande verdade: “a corrupção dos melhores é a pior que existe”. Eles existem, mas devem ser cobrados, do contrário irão mais cedo ou mais tarde para a vala tradicional onde transitam com desenvoltura juízes, empresários e políticos inimputáveis (do ponto de vista do senso comum).

Derval Dasilio

É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor de livros como “Pedagogia da Ganância” (2013) e “O Dragão que Habita em Nós” (2010).

http://www.ultimato.com.br/conteudo/corrupcao-protestos-e-o-espaco-publico

Blog Paracleto

“Os Governos ímpios perseguem os que creem. Os Governos justos promovem a liberdade de expressão.”

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4 respostas para Corrupção, protestos e o espaço público

  1. Cidadãos do reino, cidadãos do mundo

    Por Wilson Costa

    Deve o crente em Jesus Cristo envolver-se com causas justas neste mundo?

    No início de 2012, Vitor, um jovem de 21 anos, foi espancado por cinco rapazes ao tentar impedir que batessem em um mendigo no Rio de Janeiro. Foi notícia no Brasil todo. Ele quase morreu, sofreu muitas cirurgias e ficou hospitalizado por muito tempo.

    Seis meses depois, um juiz criminal determinou o cancelamento da prisão preventiva dos acusados, abrandando também a natureza do crime, livrando os de um júri popular. O estudante lançou uma petição na internet para cobrar punição adequada aos seus agressores, para obter 20 mil assinaturas de repúdio às mudanças, exigindo que a justiça fosse feita. Em poucos dias já havia obtido 15 mil assinaturas.

    Este é um episódio sobre justiça e impunidade. Justiça é um valor do reino de Deus com o qual o crente necessariamente precisa estar conectado. E se os crentes do Rio de Janeiro e do Brasil olhassem uma causa dessa como algo em que eles deveriam se envolver? Não poderíamos ter as 20 mil assinaturas em apenas um dia?

    O nosso bem-estar depende do bem-estar da cidade

    O profeta Jeremias escreveu ao povo de Deus, que tinha sido levado cativo para a Babilônia: “Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao SENHOR em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”. (Jr. 29.7, NVI).

    No meio do povo havia falsos profetas dizendo, em outras palavras: “não se importem com esta terra, a Babilônia, pois não é a terra de vocês e logo Deus os levará de volta pro lugar de vocês”. Parecido com o discurso dos crentes que dizem: “não precisamos nos preocupar com este mundo, não; logo Jesus vai voltar e este mundo será consumido pelo fogo e nós vamos para nossa pátria celestial”.

    O profeta de Deus orienta o povo de Deus olhe para a Babilônia como a terra deles agora, na qual eles devem servir a Deus, viver as suas vidas e ser luz para aquela nação. Eles devem agir para produzir e desfrutar do Shalom, mesmo no exílio. Shalom envolve saúde integral, bem-estar material e espiritual, harmonia com Deus, com o próximo e com a criação.

    Não foi exatamente isso que Jesus deu como motivo para sua vinda? “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” (Jo 10.10) Será que ele estava falando da vida no céu? Ou será que podemos viver em vitória na Babilônia?

    Não é um crente em Jesus um exilado neste mundo?

    A resposta é sim! Foi o próprio Senhor Jesus que disse: “Eles não são do mundo, como eu também não sou”. Por isso rogou ao Pai: “santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Desta forma, Jesus já apontava o tipo de vida piedosa e reta que os seus teriam no mundo, à luz da verdade manifestada por suas palavras. O sentido de santificado é que somos separados para Deus, dedicados a Deus, mesmo vivendo neste mundo. Por isso, no meio dessa oração, há uma declaração de envio: “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo”. (Jo 17.16-18) O apóstolo Pedro compreendeu bem isso. Ao escrever sua Carta, refere-se aos crentes em Jesus como “estrangeiros” e “peregrinos”. Tal qual os do povo de Deus que foram deportados para a Babilônia.

    Como viver neste mundo sem ser do mundo?

    Não somos do mundo, mas somos enviados ao mundo pelo próprio Senhor que nos separou para servi-lo. No meio dessa sociedade desconectada com Deus, somos reconciliados com Deus por meio de Jesus e somos chamados a testemunhar do amor de Deus às pessoas, a quem Deus ama e por quem sacrificou seu único Filho.

    Precisamos ter o sentimento de Jesus: “E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. (Lc 19.41, 42).

    Os crentes manifestam o governo de Deus para a cidade

    Deus é o Rei das nações e ele governa todo o mundo. Isso é cantado muitas vezes nos Salmos. É anunciado por Jesus que, por sua vida, ensino e obras, manifestavam o reino de Deus.

    Podemos ilustrar isso assim:

    A igreja, que representa a comunhão dos seguidores e seguidoras de Jesus, está no mundo. E abrangendo a igreja e o mundo está o governo de Deus. Deus lida com a igreja, mas também lida com o mundo. Não há por que não levarmos a sério a recomendação de Jeremias, “orai pela prosperidade da cidade”; e o ensino do apóstolo Pedro: “Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, (…) Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que (…) observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção.” (1Pe. 2.11, 12).

    Boas obras, evidência da fé salvadora

    O apóstolo Pedro está relembrando o ensino de Jesus: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mt 5.16). A luz de Cristo resplandece no mundo por meio da vivência do Evangelho pelos seguidores e seguidoras de Jesus.

    O apóstolo Paulo relembra isso quando escreve aos Efésios: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, (…) somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.” (2.8-10). Então, a salvação não vem das obras, mas se manifesta nas boas obras.

    Com este entendimento podemos compreender a ênfase de Tiago:“Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.” (2.17, 18).

    Deus nos chama para a prosperidade da cidade

    Para que nossas cidades desfrutem do shalom de Deus elas precisam experimentar mais da manifestação da justiça de Deus no meio da sociedade. A prosperidade da cidade depende de muitos fatores: estabilidade institucional e política, com bons governantes, bons legisladores, bons juízes. Também depende da economia, com oportunidade de empregos, acesso à alimentação, à moradia, à educação, à saúde. As cidades precisam de segurança, meios de transporte urbano, espaços de lazer e convivência social.

    Se cada servo ou serva de Deus, que vive em nossa sociedade, atuando em alguma dessas áreas da vida de nossa sociedade, for fiel a Deus exercendo bem o seu papel na sociedade, estará servindo não só a Deus, mas também à prosperidade da cidade. Assim, nossa vida encontra o caminho da vocação de Deus para o serviço e o testemunho. As pessoas verão a luz de Jesus em nossas vidas e serão atraídas para Deus e seu Filho Jesus.

    Por isso a resposta à pergunta que está no início deste artigo é: sim, todo seguidor e toda seguidora de Jesus deve se envolver com as causas justas neste mundo.

    Perguntas para reflexão

    Quais ensinamentos bíblicos oferecem base para que os crentes em Jesus se envolvam com causas justas neste mundo?

    O entendimento de muitos evangélicos de que a fé salvadora não envolve boas obras tem apoio no ensino bíblico?

    Como os crentes podem ser mais fiéis a esta palavra de Jesus: “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo”?

    • Wilson Costa é Diretor Executivo da Aliança Cristã Evangélica Brasileira.

    http://www.ultimato.com.br/conteudo/cidadaos-do-reino-cidadaos-do-mundo

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  2. O excesso de poder produz uma espécie de loucura, como aconteceu também com o rei da Babilônia e faraó do Egito. Este chegou a acreditar que o rio Nilo tinha sido feito por ele e era dele (Ez 29:3).

    Revista Ultimato
    Março/Abril 2017

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  3. O mundo clama por pessoas que se pareçam com Jesus

    Juvenal Netto, membro da Primeira Igreja Batista em São Pedro da Aldeia – RJ

    A eleição de Donald Trump a presidência da maior potência bélica e econômica do mundo tem trazido muitas preocupações e incertezas devido ao que apresentou durante a sua campanha, ao demonstrar posicionamentos polêmicos em variados temas discutidos. Dentre tantas incógnitas, pelo menos a uma conclusão o mundo pôde chegar com o resultado destas eleições: vivemos em meio a uma grave crise de lideranças globais, de homens que arrastem multidões voluntariamente; que possuam atributos inquestionáveis que cheguem ao ponto de fazer de seus seguidores pessoas determinadas, confiantes e que sonhem mais alto.
    Jesus Cristo é considerado o maior líder de todos os tempos por grandes pensadores do passado e presente. Conseguiu influenciar milhares e milhares de pessoas; sua liderança e ensinamentos deixam a todos atônitos, inclusive pessoas céticas, que O admiram, independente de fé, cultura ou religião. O mundo seria outro se houvesse homens determinados a exercerem as suas lideranças de forma a utilizar a figura deste Homem-Deus como parâmetro.
    Uma das marcas de um verdadeiro seguidor de Cristo deve ser, prioritariamente, a semelhança que possui com Ele. Existem aqueles que reconhecem que estão muito aquém deste objetivo e procuram uma justificativa pelo fato dEle ser Deus. Quando se estuda a Bíblia sistematicamente, Jesus Cristo é reconhecido por ter duas naturezas, sendo uma celestial e outra terrena, ou seja, sentia fome, sede, frio, etc., de acordo com Mateus 1.18- 23, 4.2, 21.18 e João 19.28. É evidente que nenhum ser humano conseguirá ser totalmente igual a Ele, entretanto, pelo testemunho de milhares de discípulos seus, chega-se a conclusão de que é sim possível, pelo menos, tornar-se parecido.
    Paulo, corajosamente, disse para os seus filhos na fé que eles deveriam ser seus imitadores assim como ele era de Cristo, isto é, deveriam imitar as suas atitudes até que as pessoas conseguissem identificá-las de forma inconfundível(1ª Coríntios 11.1). Pedro e João, logo após a ascensão de Cristo, foram reconhecidos como discípulos de Jesus, após terem respondido com tamanha ousadia, intrepidez e sabedoria as indagações feitas pelos integrantes do Sinédrio, um tipo de Tribunal religioso judaico. Eles apresentavam traços, gestos, palavras e comportamentos que os tornava visivelmente parecidos com Jesus (Atos 4.13).
    O mundo está exaurido pelas religiões; pelos líderes que não inspiram confiança; pela frieza absurda existente entre os seres humanos e entre a sua relação com a natureza. A resposta que a Igreja Cristã pode dar para este mundo em trevas e sem esperança é a de contagiá-lo pela influência pautada tão somente na vida e exemplos de Cristo, sendo fiéis imitadores seus. Seguindo e guardando os Seus ensinamentos quanto à prática do amor ao próximo, humildade, mansidão, benignidade, pureza de coração, obediência e santidade. É isso que todos precisam, ainda que não tenham se apercebido disso.

    O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso.
    Ano CXV Edição 50

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  4. “Não dê o que é santo aos cães”

    O QUE JESUS QUIS DIZER QUANDO DISSE PARA NÃO DAR “AOS CÃES O QUE É SANTO”?

    por Pr. Natanael Rinaldi

    O QUE JESUS QUIS DIZER QUANDO DISSE PARA NÃO DAR “AOS CÃES O QUE É SANTO”?

    Pr. Natanael Rinaldi Responde

    Em Mateus 7.6, Jesus disse: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem”.

    As interpretações desse versículo variam, e algumas vezes são completamente estranhas ao seu contexto. Alguns o aplicam literalmente, dizendo que é pecado dar as sobras da mesa (já abençoadas através da oração) ao cão doméstico. Mas, mesmo uma leitura superficial do contexto, o qual é a mensagem mais espiritual já transmitida ao homem, mostra que Jesus não está se referindo aqui a cães de estimação ou porcos. Sua mensagem é claramente espiritual.

    Jesus usa animais aqui, como em outros lugares, para representar as características espirituais de certas pessoas. Do mesmo modo, ele chamou Herodes de “essa raposa“ (Lucas 13.32) e os fariseus de “serpentes, raça de víboras“ (Mateus 23.33). Seus seguidores frequentemente foram chamados de ovelhas (João 10.27).

    No Velho Testamento, aos sacerdotes era permitido comer certos sacrifícios oferecidos ao Senhor (Êxodo 29.33; Levítico 2.3). Seria impensável para eles jogarem essa comida sagrada para algum cão vadio. O cão não seria capaz de apreciar o valor disso. Semelhantemente, um porco jamais pode apreciar a beleza e o valor de uma pérola rara.

    Há cães espirituais neste mundo, ou seja, pessoas que simplesmente não apreciam o valor das coisas espirituais. Jesus está dizendo que não se deve forçar o evangelho sobre tais pessoas. Por mais que queiramos guiar uma pessoa ao Senhor, não podemos obrigar ninguém a obedecer a Deus.

    Jesus usou uma linguagem mais clara para falar do mesmo assunto, quando enviou os apóstolos para pregar: “Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés” (Mateus 10.14).

    Hoje em dia, precisamos fazer a mesma coisa quando ensinamos o evangelho. Àqueles que estão famintos e sedentos de justiça, devemos dar todas as oportunidades para aprenderem a vontade de Deus. Mas, aqueles que já mostraram sua falta de interesse nas coisas espirituais, não devem e não podem ser forçados a obedecer. Admoestações constantes, não importa se bem intencionadas, não transformarão um cão num cordeiro.

    Precisamos ser cuidadosos aqui. Os apóstolos podiam discernir a atitude de uma pessoa somente depois de ter tentado ensiná-la. Não devemos desistir de ensinar alguém antes de lhe dar uma oportunidade para ouvir o evangelho. Somente Deus sabe o que realmente está no coração!

    http://www.cacp.org.br/nao-de-o-que-e-santo-aos-caes/

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