Brasil – nota baixa em educação

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Segue em anexo a planilha em power-point com dois gráficos, indicando a posição do Brasil. Basta clicar em cima da frase.

Brasil – nota baixa em educação

Teste com 85 mil estudantes de 15 anos, em 44 países, coloca estudantes brasileiros entre os piores na capacidade de solucionar problemas ligados a questões cotidianas.

Diante de questões como escolher o trajeto mais curto em uma linha de metrô ou regular um aparelho eletrônico seguindo certas instruções, os brasileiros tiveram um dos piores desempenhos entre 85 mil jovens de 44 países.

O questionário aplicado a estudantes de 15 anos, para avaliar sua capacidade de solucionar problemas concretos, pôs o Brasil na 38ª colocação, conforme divulgou ontem a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As questões do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) exigem que o estudante acione determinados processos cognitivos e correspondem a diferentes níveis de complexidade, classificados de 1 a 6. A média dos brasileiros foi de 428 pontos, bem abaixo dos asiáticos que lideram o ranking – Cingapura (562 pontos), Coreia do Sul (561) e Japão (552).

Nos países que ficaram nas primeiras posições, 11% dos estudantes responderam corretamente às perguntas de nível 5 e 6 – as mais complexas. No Brasil, o percentual foi de 2%.

A Professora do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Diuali Fagundes Jost sintetiza a explicação para o fraco desempenho dos Alunos em uma frase:

– Não são as Escolas que ensinam, mas os Alunos que aprendem.

Para ela, as instituições brasileiras focam mais a abordagem dos conteúdos do que a troca de conhecimentos e a construção do aprendizado. Assim, o Aluno precisa ser motivado a aprender: quem foi ensinado simplesmente cristalizou – às vezes, decorou – um conhecimento, enquanto quem efetivamente interagiu e foi instigado a buscar respostas acostumou-se a achar soluções pelo próprio esforço.

O fraco desempenho não preocupa o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Chico Soares. Para ele, o resultado é um indicador de que a política educacional do país está no caminho certo. Como exemplo, Soares cita o Exame Nacional do Ensino médio (Enem), cujas questões envolvem situações cotidianas, sinalizando para a necessidade de uma formação Escolar voltada para a vida:

– Na América Latina, só o Chile está à frente do Brasil. Nas perguntas de nível 5 e 6, que são as da inovação, a diferença entre o Brasil e os países mais consolidados é a menor em todas as edições do Pisa. Isso nos mostra que a Educação está caminhando.

A avaliação é aplicada desde 2000, de três em três anos, para medir a proficiência de estudantes em leitura, matemática e ciências. Esta foi a primeira vez que o teste mediu a capacidade dos Alunos de solucionar problemas. Os resultados nas outras áreas do conhecimento haviam sido divulgados em dezembro de 2013 e colocam o Brasil em 58º lugar dentre 65 países – em 2009, o país ocupava a 54ª posição.

Segundo a OCDE, Alunos que se dão bem em matemática, leitura e ciências tendem a mostrar maior rendimento na solução dos problemas, porque estão mais bem equipados para desenvolver representações mentais coerentes, planejar de forma focalizada e mostrar flexibilidade para incorporar informações.

Errar é importante

O resultado da avaliação mostra a necessidade de se repensar algumas práticas adotadas em sala de aula. Deve-se dar mais ênfase ao desenvolvimento das habilidades não cognitivas e à chamada avaliação formativa, quando o Professor comenta com os Alunos suas fortalezas e debilidades, focando o processo de aprendizagem.

Não se trata simplesmente de verificar se o Aluno sabe ou não sabe, se está certo ou errado, mas como ele chega às respostas. No Pisa, os estudantes que informaram que recebem avaliações formativas reportaram níveis altos de perseverança e abertura para a resolução de problemas. O erro, inclusive, deve ser considerado no processo de aprendizagem, segundo Flavio Comim, Professor de Economia da UFRGS, um dos coordenadores do projeto Círculo da Matemática no Brasil.

– Quando um Aluno diz uma coisa errada, e o Professor passa para a próxima resposta sem considerar aquilo que foi dito, ele perdeu aquele Aluno no raciocínio que estava tentando construir. O erro é importante do ponto de vista da inclusão. Ele tem de aparecer no quadro-negro também.

O resultado mostra ainda a importância de o Aluno se dedicar a problemas sem solução imediata. No Japão, um dos países com melhores notas, todos os estudantes têm a chance de se engajar em estudos profundos. Os Professores trabalham com a ideia de que tempo de projeto é tempo de aprendizado.

Mas é preciso considerar o contexto em que os estudantes vivem, segundo Elisabete Zardo Búrigo, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Matemática na UFRGS, já que algumas questões do exame mostram situações cotidianas com as quais a maioria dos brasileiros não está familiarizada. Para a especialista, os testes de múltipla escolha são limitados, e seria preciso criar instrumentos de avaliação nos quais os Alunos possam mostrar a forma como pensam.

Editorial: Desafio de todos

Burocracia, jeitinho e má gestão são causas conhecidas para a falta de Professores nas Escolas estaduais, comprovada por levantamento feito por ZH em 54 estabelecimentos do Estado. É uma combinação de fatores que conspira há muito tempo contra o Ensino público e aos quais se agregam o desalento com a falta de perspectivas para a categoria e os baixos salários. A consulta feita pelo jornal constatou que 26 colégios têm falta de Professores. Não é uma pesquisa científica, mas a amostragem de uma realidade que em nada surpreende. Mesmo que o governo do Estado insista em reafirmar que não há carência de profissionais, é certo que os colégios enfrentam deficiências. Percebe-se claramente que essa não é uma situação pontual.

O que se revela difícil, no enfrentamento entre Cpers e governo, é a apuração da real dimensão do problema, já que o sindicato pede pelo menos mais 7 mil Professores e o secretário de Educação refere-se a ausências eventuais. Afirma o senhor Jose Clovis de Azevedo que, de qualquer forma, o Estado enfrenta, entre outros desafios, a debandada diária de até 200 Professores em contrato temporário. Enquanto essa fuga acontece, o Cpers cobra que pelo menos parte de 12 mil concursados assuma as vagas existentes. É no mínimo paradoxal que o governo admita a saída voluntária de Professores não efetivos e não consiga administrar a chamada de aprovados que resolveriam em definitivo as carências crônicas.

É evidente que concursos públicos, em quaisquer áreas, são realizados para que se faça a gestão dos quadros de servidores. Surpreende que o próprio secretário admita enfrentar dificuldades para administrar o que ele, singelamente, define como “movimento de Professores entrando e saindo”. Alunos, pais e comunidades já foram exauridos por esse embate, reeditado todo ano, que compromete a qualidade do Ensino público do Estado e a aprendizagem de centenas de crianças.

http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/29973/brasil-tem-nota-baixa-em-ranking-de-ensino/

Desempenho do ensino médio em matemática é o pior desde 2005

Segue abaixo os gráficos respectivos, registrados em paint.

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pec-do-teto-de-gastos

Todo ensino deve provocar uma mudança. Se não há mudança, não há aprendizado.

(Lições Bíblicas CPAD, 1º/T de 2017)

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6 respostas para Brasil – nota baixa em educação

  1. Aprender com evidências

    Aprender com evidências

    Na última prova da avaliação internacional Pisa, estudantes de 15 anos do Brasil se saíram muito mal. Entre 70 países avaliados, o país ficou no 65º em matemática, 63º em ciências e 59º em leitura.

    A situação preocupante do ensino público no país resulta de múltiplos fatores, da formação acadêmica deficiente dos professores a modas pedagógicas ultrapassadas, da indisciplina dos alunos ao absenteísmo de profissionais. Apesar disso, muitos insistem na solução única e simples: mais verbas.

    Verdade que pagar melhores salários ajudará a recrutar docentes mais qualificados, mas não garantirá, por si só, seu bom desempenho em sala de aula. Para tanto se faz necessário dar-lhes treinamento em técnicas didáticas de eficácia comprovada e, em seguida, monitorar sua aplicação e recompensar os mais bem-sucedidos.

    Pesquisa piloto conduzida no Ceará, patrocinada pelo Banco Mundial e outras entidades, demonstrou que pequenas intervenções na gestão do tempo podem fazer diferença considerável.

    O experimento abarcou 350 escolas. Em 175 delas, tudo permaneceu igual; na outra metade, cada integrante do corpo pedagógico recebeu uma cópia do livro “Aula Nota 10”, de Doug Lemov.

    Além disso, coordenadores tiveram três sessões de treinamento sobre práticas didáticas. Também lhes foi franqueado acesso a especialistas por meio digital.

    O objetivo central era aumentar o número de horas dedicadas à aula propriamente dita, ou seja, instrução. Para tanto, os orientadores compartilhavam com docentes sugestões para diminuir o tempo aplicado em tarefas administrativas, como fazer chamadas, e no combate à indisciplina em classe.

    As escolas do Brasil são campeãs mundiais no desperdício. Por aqui, um quinto do período em sala de aula acaba dissipado em atividades e tarefas não educacionais.

    Ao longo de 2015, os estabelecimentos cearenses submetidos à intervenção experimental tiveram um ganho médio de 59 horas de fato dedicadas a ensinar. É o mesmo que duas semanas a mais de aula.

    Quanto à aprendizagem, esses colégios obtiveram em média 4 pontos a mais em matemática no sistema de avaliação do Ceará, o que equivale a um terço do que se aprende num ano letivo. Em português, foram dois pontos.

    É assim, com pequenas conquistas, várias e somadas, que o Brasil pode vencer a batalha da qualidade do ensino —desde que haja clareza sobre objetivos a alcançar e se desfaça a miragem de que basta despejar recursos na educação.

    http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/11/1936390-aprender-com-evidencias.shtm

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  2. editorial

    Ensino reprovado

    O Brasil tem feito esforços na área educacional que não se traduzem em melhoria da qualidade do ensino médio e, por consequência, da aprendizagem dos jovens.

    A mais recente evidência dessa defasagem foi expressa pelos resultados de 2015 do Pisa, exame aplicado a cada três anos pela OCDE (organização que reúne países desenvolvidos e alguns emergentes), divulgados nesta semana.

    O desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos em leitura, ciências e matemática —as três áreas avaliadas— não progrediu. Mais grave ainda, o Brasil ficou estagnado em um patamar de desempenho educacional muito baixo.

    Num universo de 70 países avaliados, estamos entre os dez piores em matemática e ciências. Em leitura, na 59ª posição.

    O rendimento medíocre ocorreu a despeito de um aumento do gasto por aluno de 6 a 15 anos, que representava 32% da média da OCDE em 2012 e, no ano passado, atingiu 42%.

    Há quem argumente que um dos grandes problemas do Brasil ainda é o investimento relativamente baixo por estudante, em comparação ao realizado por países ricos.

    No quadro de grave recessão em que o país se encontra, seria ilusório imaginar aportes vultosos em educação e mesmo em outras áreas essenciais, como saúde e infraestrutura. Pode-se avançar muito, todavia, na eficiência dos investimentos.

    Uma comparação com o Chile evidencia essa constatação. O país vizinho tem um gasto por aluno muito próximo ao brasileiro (equivalente a 44% da média da OCDE). Seus alunos de 15 anos, no entanto, estão 19 posições à frente dos nossos no ranking de Pisa de ciências.

    Outros países latino-americanos, como México, Colômbia e Uruguai, conseguiram fazer seus estudantes avançarem mais que os brasileiros, gastando menos.

    A reforma do ensino médio, em tramitação na Câmara dos Deputados, embora encaminhada de maneira discutível, é um passo na direção correta, bem como a Base Nacional Comum Curricular, que deixa claros os objetivos e conhecimentos a serem alcançados a cada etapa.

    Falta ainda ao país tomar outras medidas que promovam o aprimoramento dos professores. Além de investir em reciclagem e continuar a valorizar a remuneração (cuja média se elevou, mas ainda não é a ideal), é preciso implementar um sistema de incentivos. Atingir metas de desempenho estabelecidas e avançar no aperfeiçoamento profissional são méritos que devem ser reconhecidos e premiados.

    editoriais@grupofolha.com.br

    http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/12/1839773-ensino-reprovado.shtml?cmpid=newsfolha

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  3. Mais da metade das escolas do país têm piora na nota no Enem

    Um retrato da desigualdade de acesso à educação aparece no desempenho das escolas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2015. Dos colégios públicos, 91% ficaram abaixo da média nacional; entre os privados, 17%.

    O quadro ainda reflete a crise do ensino médio vista no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgado no mês passado.

    Em quase 6 de cada 10 escolas públicas (59%) houve queda na nota do Enem em relação a 2014. Na rede privada, as médias caíram em 53%. O cálculo leva em conta os colégios com médias divulgadas nas duas edições do exame.

    Os dados do Enem por escola devem ser analisados com cautela para avaliar a qualidade das redes, segundo especialistas. “O que o Enem faz é retratar a desigualdade do Brasil na oferta educacional”, pondera o professor da USP Ocimar Alavarse.

    Entre as escolas com notas altas, destacam-se as particulares pequenas, que têm maioria de alunos “importados” (que migraram de colégio, sem estudar no mesmo local nos três anos do ensino médio). Já as melhores públicas são federais ou colégios técnicos, que selecionam alunos.

    O perfil dos estudantes é algo em comum entre elas. Das 200 escolas com notas maiores, 180 têm níveis socioeconômicos alto e muito alto –os dois maiores intervalos entre os sete níveis de classificação do Ministério da Educação.

    O resultado corrobora as evidências de que a condição socioeconômica é um fator de peso no sucesso educacional.

    Escolas particulares que atendem alunos mais ricos têm, por exemplo, uma média em matemática 47% maior do que unidades também privadas, mas que atendem alunos mais pobres. É mais que o dobro da diferença nessa disciplina entre as redes públicas e particulares.

    As médias do Enem foram divulgadas nesta terça (4). Para calcular a média geral das escolas, a Folha considerou as notas das quatro provas objetivas do exame: linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza.

    Levando em conta todas as escolas do país (públicas e privadas) com dados divulgados, a média no exame fica em 515,8. Das 8.732 escolas públicas com notas, 7.973 ficaram abaixo desse nível.

    Foram 1.061 escolas particulares, de um total de 6.266, com notas abaixo da média.

    Só escolas em que ao menos metade dos alunos fizeram o Enem têm suas notas divulgadas. Também é necessário um mínimo de dez alunos participantes. Dessa forma, 60% das escolas públicas brasileiras ficam fora da lista de médias do Enem. No Estado de SP, por exemplo, 75% das unidades não aparecem.

    A participação na prova nas escolas particulares é o oposto. Só 23% das escolas privadas do país não atingiram o critério de divulgação.

    No total, 14.998 escolas de ensino médio tiveram a média no Enem 2015 conhecida.

    O Enem é usado como vestibular por praticamente todas as universidades federais do país. A USP, que é estadual, vai selecionar 21% dos alunos no próximo ano pelas notas no exame.

    ‘IMPORTADOS’

    Em 19 das 100 melhores escolas, ao menos 80% dos alunos não cursaram os três anos do ensino médio no mesmo local. Em 2014, eram 15.

    Além disso, 42 delas têm até 60 alunos –sendo 17 delas com até 30 estudantes.

    Criar escolas pequenas com os melhores alunos, muitos tirados de outras escolas, têm sido uma estratégia para despontar no ranking. A prática é criticada por especialistas.

    Essas unidades não representariam uma escola real, acessível às famílias. As unidades defendem que buscam criar condições específicas para alunos acima da média.

    Levando em conta a rede pública, a federal tem 36 unidades entre as 100 primeiras. O restante é de escolas técnicas, como as Etecs de São Paulo, e unidades de aplicação ligadas a universidades ou fundações municipais.

    As redes estaduais concentram 84% das matrículas no ensino médio –a melhor colocada dessas escolas, no entanto, está só em 1.700º lugar na lista geral do país.

    Trata-se da escola Gomes Carneiro, de Porto Alegre (RS), que obteve nota superior à média da rede privada.

    A diretora, Susana Souza, 50, aponta a baixa rotatividade de professores e envolvimento dos pais como parte do sucesso. Mas dificuldades, como atraso da verba de merenda, preocupam. “Nossa forma de protestar é mostrando o nosso melhor”, diz.

    No anúncio dos dados, em Brasília, representantes do MEC voltaram a defender o projeto de reforma do ensino médio do governo Temer (PMDB). “Muitos alegam que a reforma vai aumentar a desigualdade, mas é o contrário, ela vai promover maior equidade ao sistema”, disse secretária-executiva da pasta, Maria Helena Guimarães.

    Uma medida provisória já foi publicada com as mudanças, que preveem diversificação do currículo. Antes prevista para 2018, Guimarães cogitou a possibilidade de que só em 2019 a implementação ocorra. O Congresso tem quatro meses para validar a medida.

    Segue abaixo o link completo da mensagem, inclusive com os infográficos e avaliações do ENEM de cada unidade escolar.

    Muito bom, este material.

    Eu, particularmente, entendo que na medida em que nós docentes como um todo estivermos bem atualizados com notícias e meios de comunicação que atenuem, aproximem cada um de nós do dia a dia da educação no geral é um bom passo para sermos pessoas bem esclarecidas participantes das decisões tomadas, a nível dos poderes executivo, judiciário e legislativo.

    Um exemplo é um canal de comunicação da câmara parlamentar, com opções de votação em projetos que estão tramitando na mesma:
    http://www.parlamentaronline.com

    “A educação exerce um papel terapêutico na sociedade em todos os graus.”

    Mais da metade das escolas do país têm piora na nota no Enem

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  4. O Jornal o Globo veiculou em 21/09/2016, um texto, muito bom, que comenta algo sobre o Novo Ensino Médio.

    Há, inclusive gráficos sobre o assunto.

    Sugiro a leitura.

    O novo ensino médio

    MEC esclarece que não haverá corte de nenhuma disciplina

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  5. Desempenho do ensino médio em matemática é o pior desde 2005

    O nível de aprendizado dos estudantes brasileiros no ensino médio piorou em matemática e chegou, em 2015, ao pior resultado desde 2005, início da série histórica do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).

    A nota da etapa em português subiu, mas a situação ainda é de estagnação.
    Por outro lado, o país melhorou o desempenho das duas disciplinas nos dois ciclos do ensino fundamental. O avanço é maior no 5º ano.

    As médias nas avaliações do Saeb foram obtidas pela Folha. Junto com as taxas de fluxo (reprovação e evasão), as notas na prova compõem o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
    A previsão é que os dados do Ideb de 2015 sejam divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Ministério da Educação.

    O Ideb é calculado a cada dois anos, com as médias do Brasil, Estados, municípios e por escola. Os últimos indicadores disponíveis até agora se referem a 2013.

    INADEQUADO
    Os resultados nas avaliações de português (leitura) e matemática reforçam as dificuldades do país no ensino médio. Apesar da melhora em português, que passou de 264 para 267, o indicador fica abaixo do apurado em 2011.
    O nível considerado adequado para essa etapa é de 300, segundo critério do Movimento Todos Pela Educação. Abaixo disso, os alunos não são capazes de, por exemplo, identificar informação implícita em textos poéticos mais complexos, como poemas modernistas.
    A situação mais grave é em matemática, tendo uma segunda queda consecutiva. A última evolução nessa disciplina foi em 2009.

    Enquanto o índice adequado é 350, os estudantes brasileiros alcançaram, na média, a nota 267. Em 2013, o resultado havia ficado em 270.
    De acordo com a escala de proficiência do Saeb, os estudantes não seriam capazes, por exemplo, de fazer cálculos simples de probabilidade.
    Participaram da avaliação em 2015 todas as escolas públicas com, pelo menos, 20 estudantes no 5º e 9º anos. No ensino médio, a aplicação é por amostragem (por isso, não há divulgação de Ideb por escola dessa etapa).
    Para Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, o ensino médio chegou ao “fundo do poço”. “Não dá mais para esperar, é preciso mudanças. A boa notícia é que há caminhos a seguir, como escola de tempo integral.”
    Ramos ressalta que a piora em matemática é mais séria, por colocar em risco o desenvolvimento de áreas como engenharia e tecnologia.
    A presidente do Movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, diz que será difícil o país melhorar os indicadores mantendo a estrutura atual do ensino médio, com 13 disciplinas fixas.
    “A reforma e a flexibilização da etapa [em discussão no Congresso] são um passo importante”, diz. “Mas o [ensino] médio ainda sofre com o acúmulo de defasagens dos anos anteriores. Em salas de 40 alunos, cada um com uma dificuldade, fica difícil.”

    FUNDAMENTAL
    O Brasil manteve em 2015 uma tendência de avanço nos anos iniciais do fundamental (até o 5º ano) registrada desde 2007. As duas disciplinas melhoraram nesse caso.
    Nos anos finais do fundamental (6º ao 9º ano), houve uma pequena reação à estagnação vista de 2011 a 2013.
    Português passou de 246 para 252 e matemática, de 252 para 256. É considerado adequado 275 em português e 300 em matemática.
    Com esses níveis, os estudantes brasileiros do 9º ano não teriam competência para inferir efeitos de ironia ou humor em narrativas curtas e para resolver problemas matemáticos com apoio de recurso gráfico, envolvendo noções de porcentagem.

    PORTUGUÊS
    O avanço que o país registrou em português no 5º ano do ensino fundamental na avaliação federal de 2015 fez com que, pela primeira vez, a nota média dos estudantes brasileiros superasse o indicador considerado adequado para essa etapa.
    Os dados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) de 2015 mostram um avanço de 12 pontos no desempenho de língua portuguesa (a prova realizada é de leitura). A nota passou de 196 para 208 —o maior salto desde 2005, início da série histórica da avaliação.
    O parâmetro considerado adequado é de 200 para essa etapa, segundo critério desenhado pelo Movimento Todos Pela Educação.
    Em matemática, o indicador passou de 211, em 2013, para 219, em 2015. Nessa disciplina, a média brasileira ainda está abaixo do que seria esperado. Com esse desempenho, os estudantes ainda têm dificuldades de ler informações e dados apresentados em tabelas.
    Para o professor Rubem Klein, consultor da Cesgranrio e especialista em avaliação, o avanço obtido, sobretudo em português, pode ser considerado bastante positivo. “Houve um bom ganho inicial. Tomara que essa geração produza melhoria nos anos seguintes”, disse.
    Priscila Cruz, do Todos Pela Educação, afirma que os resultados podem ser reflexo de uma atenção maior que o país deu para a alfabetização.
    “Essa preocupação cresceu muito nos últimos três ou quatro anos. Mesmo que os níveis de alfabetização ainda não sejam os melhores, há um reflexo”, diz.
    Em 2011, o governo federal, na gestão da presidente Dilma Rousseff, lançou o PNAic (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa). De acordo com dados da última ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização), menos de 50% das crianças brasileiras até 8 anos estavam completamente alfabetizadas. A última avaliação é de 2014.

    NÚMEROS
    Cruz pondera, entretanto, que a mesma priorização que tem ocorrido na alfabetização não ocorreu com o ensino de matemática. “Essa mesma importância não é dada para matemática, por isso não tem resultado tão bons”, diz. “Há uma dificuldade maior entre os professores, que já não tiveram uma boa formação na área”, completa.
    Apesar de mostrar uma variação positiva nos anos finais do ensino fundamental (9º ano), ainda não há reflexo nessa etapa da melhora dos últimos indicadores no primeiro ciclo.
    “Só com melhora dos resultados do ciclo 2 é que poderemos pensar em melhoria do ensino médio”, diz Rubem Klein, da Cesgranrio. “A verdade é que nos [anos] finais e no [ensino] médio, a situação toda é de estagnação”.

    MUDANÇAS
    Uma das apostas de especialistas para que os níveis de aprendizagem dos estudantes melhorem é a criação da Base Nacional Comum Curricular. Uma segunda versão do texto está em fase de revisão pelo Ministério da Educação e pelos Estados.
    O documento vai definir o que os estudantes devem aprender a cada ano. Os parâmetros existentes são considerados muito genéricos.
    A própria avaliação do Saeb deveria ser inspirada na base curricular.
    O documento deve ficar pronto até o final do ano, com exceção do texto do ensino médio. Esse bloco só será finalizado após definição da reforma da etapa, em discussão no Congresso Nacional.
    O MEC informou que só se posicionará sobre resultados educacionais nesta quinta-feira (8).

    http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/09/1811210-desempenho-do-ensino-medio-em-matematica-e-o-pior-desde-2005.shtml

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  6. OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO NO ENSINO DE CIÊNCIAS

    Não é fácil acreditar em “consensos” para a Educação mundial. Cada país apresenta problemas específicos e singularidades que não se transferem a outros, e, por essas razões, nem sempre o que possui sentido e valor para alguns, pode a outros se transferir.

    Mas essa diversidade e natural particularidade nacional de cada país rapidamente está se modificando com o processo de globalização mundial e com enorme facilidade que se abriu para que todos pudessem saber tudo sobre todos. Ao lado dessa maior visibilidade e capacidade de comparação internacional, também o imenso volume de informações que hoje se divulga e, sobretudo, os meios eletrônicos com que se podem as mesmas ser acessadas, trouxeram a necessidade de algum consenso e a busca de caminhos comuns. Afinal, já não mai s existe apenas o “cidadão nacional”, e as escolas de qualquer parte precisam se mostrar adequadas para os alunos que aprendem aqui e necessitam usar seus saberes em outras terras.

    Os frutos dessa globalização, associados a essa verdadeira “selva” de informações a selecionar para um ensino eficiente, levou a UNESCO a organizar em 1990, em Jomtien, na Tailândia, uma conferência mundial de Educação. Após cuidados e profícuos debates e análises se elegeu quatro pontos que devem representar o consenso de ema educação de qualidade e que, portanto, foram estabelecidos para que políticas nacionais de Educação se integrassem através de um mesmo olhar, caminhassem em busca de uma mesma direção.

    Esses quatro pilares da Educação mundial foram amplamente divulgados, mas em nosso país ainda sobrevivem mais como “intenções” do que como meta definida e enfoque preciso que todos, em todas as escolas, de todos os lugares, necessitam buscar. O que este breve capítulo pretende é que, em nossas aulas de Ciências, essas ideias estivessem se insinuando em todos os conteúdos conceituais transmitidos e, sobretudo, nos conteúdos procedimentais trabalhados.

    Os quatro pilares da Educação mundial, é evidente, não foram pensados para esta ou para aquela disciplina, mas seus conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais necessitam ser refletidos, e através das disciplinas curriculares serem desenvolvidos. Por essa razão é que o ensino de Ciências não pode ficar de fora, e os professores, no planejamento dos cursos e das aulas, sejam quais forem os temas apresentados, necessitam sempre:

    1. Ensinar e conhecer
    O ensino não pode ter como eixo central apenas o assunto que se ensina, mas a condição de se fazer desse assunto uma oportunidade para que o aluno dele se utilize para outras coisas aprender. É por essa razão que toda aprendizagem significativa necessita sempre interligar natureza e humanidade, análise e síntese, conhecimento e aplicação, o ontem e o hoje manifestado em todas as aulas, em todos os momentos.

    2. Ensinar a fazer
    Bem aprender sempre está subordinado ao saber o que fazer com o que se aprendeu e, dessa maneira, mostrar ao aluno como aplicar os saberes na rua percorrida, nas relações descobertas, no mundo que se olha e onde se aprende a conviver. É por essa razão que em Ciências não existe e não pode existir um “capítulo especial” para competências (saber fazer) e habilidade (bem fazer), mas esta ação se constrói em cada assunto que se aprende e em cada aula que o professor ministra.

    3. Ensinar a compartilhar
    O homem é por essência, uma criatura social.
    Somos o que somos e alcançamos o que foi possível alcançar porque vivemos em grupo e porque descobrimos que sem o compartilhar não existe a família, não existe a comunidade, é impossível a nação, não há justificativas para o trabalho e para a busca da felicidade. É impossível felicidade pessoal sem relações interpessoais, é inviável a ciência da pessoa e do egoísmo em lugar de uma ciência que interliga gentes e estuda a sociedade. Ensinar a compartilhar é bem mais que revelar que sempre existem “outros” em cada um de nós, é ensinar como essa união pode ser construída. Ensinar a compartilhar significa analisar fracassos e sucessos nessas tentativas, fazendo com que o aluno perceba que trabalhar em grupo não é apenas estratégia de um projeto escolar, mas caminho na construção de uma felicidade coletiva.

    4. Ensinar a ser
    Esse outro pilar da Educação mundial integra e completa os outros três.
    O aluno, seja qual for o nível em que está matriculado necessita aprender a ser, sendo levado pelo professor a descobrir sua individualidade. Conhecendo bem a si mesmo, descobre-se se transformando com o outro e os outros transformando. Ainda uma vez a aprendizagem de Ciências, que ensina novas maneiras de se olhar o mundo, constitui instrumento essencial para essa revelação. Não se é professor de verdade se nossas aulas não estão ajudando nossos alunos a conhecer, por conhecer, saber fazer; por bem fazer, melhor compartilhar; e, assim, ao “ser” se autoconhecer e ajudar a mudar o mundo em que vive e onde aprende a conviver.

    • Aprender é se informar e, dependendo da natureza da informação, aprender também pode ser se transformar. Se, por exemplo, aprendemos a economizar água no lugar em que moramos ou estudamos, estamos colhendo uma informação que pode ser útil e às vezes necessária, mas que em nada nos transforma. Mas se, por exemplo, não sabemos como ajudar o mundo em que vivemos, temos essa intuição e nos mostramos capazes de compreender que nossa ação isolada, somada a outras ações isoladas, representa civismo e possibilidade de ação mundial, estamos nos transformando e, dessa maneira, mudando nossos procedimentos e, efetivamente, aprendendo.

    • Um aluno, por exemplo, pode se acostumar a olhar todos os dias uma notícia. Mas ele compreende as notícias que ouve quando, ajudado por um professor ou colega, descobre uma nova maneira de perceber coisas que antes não percebia, identificando, assim, sua capacidade de ação.

    • Nesse caso, o aluno não conquistou uma nova informação, mas aprendeu outra maneira de olhar o que sempre olhava e, assim, essa nova maneira o transformou. Isso vale para a compreensão de Ciências, mas vale de igual forma e com pequenas diferenças para Língua Portuguesa, Educação Física, Artes e Matemática.

    CIÊNCIAS E DIDÁTICA
    COLEÇÃO COMO BEM ENSINAR
    EDITORA VOZES

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