Os Principais Cismas do cristianismo e a Reforma Protestante

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O cisma ou Seita (do Inglês traduzido no conceito do Indu, da Índia antiga) é uma separação de uma pessoa ou grupo de pessoas do seio de uma organização ou movimento, geralmente religioso. O termo costuma referir-se a uma divisão que acontece no âmbito de um corpo religioso, com organização e hierarquia definidas.

Por derivação de sentido, a palavra pode aplicar-se a qualquer desacordo ou dissidência.

O adepto de um cisma é designado pelo adjetivo “cismático”.

Índice

1-Etimologia

O termo foi recebido pelo português a partir do grego σχίσμα skhísma, “separar, dividir”, através do latim eclesiástico schisma. A palavra já era registrada no vernáculo em 1393, evoluindo de “cisma” para “sisma”, no século XV, até a forma atual.

2-Cismas da cristandade

A palavra “cisma” é quase exclusivamente usada para designar as divisões ocorridas no cristianismo. Os principais cismas cristãos foram:

2.1-O Cisma do Oriente tradicionalmente datado em 1054;

O Cisma do Oriente separou a Igreja Católica em duas: Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, a partir do ano 1054, quando os líderes da Igreja de Constantinopla e da Igreja de Roma excomungaram-se mutuamente.

2.1.1-Motivos do Cisma

As relações entre Oriente e Ocidente por muito tempo se amarguravam pelas disputas eclesiásticas e teológicas. Proeminente entre essas estavam as questões sobre a fonte do Espírito Santo (“Filioque“), se devesse usar pão fermentado ou não fermentado na eucaristia, as alegações do papa de primazia jurídica e pastoral, e a função de Constantinopla em relação à Pentarquia.

O distanciamento entre as duas igrejas cristãs tem formas culturais e políticas muito profundas, cultivadas ao longo de séculos. As tensões entre as duas igrejas datam no mínimo da divisão do Império Romano em oriental e ocidental, e a transferência da capital da cidade de Roma para Constantinopla, no século IV.

Uma diferença crescente de pontos de vista entre as duas igrejas resultou da ocupação do Ocidente pelos outrora invasores bárbaros, enquanto o Oriente permaneceu herdeiro do mundo clássico. Enquanto a cultura ocidental foi-se paulatinamente transformando pela influência de povos como os germanos, o Oriente permaneceu desde sempre ligado à tradição da cristandade helenística. Era a chamada Igreja de tradição e rito grego. Isto foi exacerbado quando os papas passaram a apoiar o Sacro Império Romano-Germânico no oeste, em detrimento do Império Bizantino no leste, especialmente no tempo de Carlos Magno. Havia também disputas doutrinárias e acordos sobre a natureza da autoridade papal.

A Igreja de Constantinopla respeitou a posição de Roma como a capital original do império, mas ressentia-se de algumas exigências jurisdicionais feitas pelos papas, reforçadas no pontificado de Leão IX (1048-1054) e depois no dos seus sucessores. Para além disso, existia a oposição do Ocidente em relação ao cesaropapismo bizantino, isto é, a subordinação da Igreja oriental a um chefe secular, como acontecia na Igreja de Constantinopla.

Uma ruptura grave ocorreu de 856 a 867, sob o patriarca Fócio. Este sabia que contribuía para aumentar o distanciamento entre gregos e latinos, e usou a questão do Filioque como ponto de discórdia, condenou a sua inclusão no credo do cristianismo ocidental e lançou contra ela a acusação de heresia. Desse modo, para o futuro as pendências não seriam apenas de natureza disciplinar e litúrgica, mas também de natureza dogmática, com o que se comprometia de modo quase irremediável a unidade da Igreja,

2.1.2-O Cisma

Quando Miguel Cerulário se tornou patriarca de Constantinopla, no ano de 1043, deu início a uma campanha contra as Igrejas latinas na cidade de Constantinopla, ordenando o fechamento de todas em 1053, envolvendo-se na discussão teológica da natureza do Espírito Santo, questão que viria a assumir uma grande importância nos séculos seguintes.

Em 1054, o legado papal viajou a Constantinopla a fim de repudiar a Cerulário o título de “Patriarca Ecumênico” e insistir que ele reconheça a alegação de Roma de ser a mãe das igrejas. O principal propósito do legado papal foi procurar ajuda do Império Bizantino em vista da conquista normanda do sul da Itália, e lidar com recentes ataques por Leão de Ácrida contra o uso de pão não fermentado e outros costumes ocidentais, ataques que tinham apoio de Cerulário. Em face da refusa de Cerulário em aceitar as demandas, o líder do legado, cardeal Humberto, excomungou-o, e Cerulário por sua vez excomungou Humberto e os outros legados.

O Massacre dos Latinos (1182), a retaliação do Ocidente com o Saque de Tessalônica (1185), o cerco e saque de Constantinopla (1204) na Quarta Cruzada, e a imposição dos patriarcas latinos pelo Império Latino que durou 55 anos tornou a reconciliação mais difícil, e aprofundou ainda mais a ruptura e a desconfiança mútua.

Houve várias tentativas de reunificação, principalmente nos concílios ecumênicos de Lyon (1274) e Florença (1439), mas as reuniões mostraram-se efêmeras. Estas tentativas acabaram efetivamente com a queda de Constantinopla em mãos dos otomanos, em 1453, que ocuparam quase todo o antigo Império Bizantino por muitos séculos. As mútuas excomunhões só foram levantadas em 7 de dezembro de 1965, pelo papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I, de forma a aproximar as duas Igrejas, afastadas havia séculos. As excomunhões, entretanto, foram retiradas pelas duas igrejas em 1966. Somente recentemente o diálogo entre elas foi efetivamente retomado, a fim de tentar recomeçar juntas, apagando o cisma.

Em 12 de fevereiro de 2016 o Papa Francisco tem um encontro histórico com o patriarca da Igreja Russa Ortodoxa, em Cuba. Os dois líderes se reúnem privadamente no aeroporto de Havana por duas horas e apresentam uma declaração conjunta, na presença do presidente Raul Castro. Um dos principais motivos para o encontro de reaproximação das igrejas é a violência que ameaça extinguir a presença de cristãos – católicos e ortodoxos – no Oriente médio e na África. Ambas se manifestam contra os ataques extremistas islâmicos e a destruição de monumentos cristãos, especialmente na Síria. É o 1.° encontro de líderes das igrejas desde o Grande Cisma.

2.2-O Cisma do Ocidente

Chamado Grande Cisma, datado entre 1378 e 1417, quando havia dois pretensos Papas, um residindo em Roma e outro (os chamados antipapas) na cidade de Avinhão, na França.

O Grande Cisma do Ocidente, Cisma Papal ou simplesmente Grande Cisma foi uma crise religiosa que ocorreu na Igreja Católica de 1378 a 1417.

Entre 1309 e 1377, a residência do papado foi alterada de Roma para Avignon, na França, pois o Papa Clemente V foi levado (sem possibilidade de debate) pelo rei francês para residir em Avignon. Em 1378, o Papa Gregório XI voltaria para Roma, onde faleceria. A população italiana desejava que o papado fosse restabelecido em Roma. Foi então eleito Urbano VI, de origem italiana. No entanto, ele demonstrou ser um papa muito autoritário, de modo que uma quantidade considerável do Colégio dos Cardeais, anularia a sua votação e foi realizado um novo conclave, sendo eleito Clemente VII, que passou a residir em Avignon. Iniciara-se assim o Cisma, em que o Papa residia em Roma e o Antipapa residia em Avignon , reclamando ambos para si o poder sobre a Igreja Católica. Posteriormente, surgiria outro Antipapa em Pisa. O cisma terminou no Concílio de Constança em 1417, quando o papado foi estabelecido definitivamente em Roma.

2.2.1-História

De 1309 a 1377, o papa não residia em Roma, mas em Avignon, um período geralmente chamado de Cativeiro Babilônico, em alusão ao exílio bíblico de Israel na Babilônia. O Papa Gregório XI deixou Avinhão e restabeleceu a Santa Sé em Roma, onde morreu em 27 de março de 1378. A eleição de seu sucessor definiria a residência do futuro papa em Avignon ou em Roma. O nome do Bartolommeo Prignano, Arcebispo de Bari, considerado com uma rígida moral e inimigo da corrupção, foi proposto. Os 16 cardeais italianos presentes em Roma reuniram-se em conclave em 7 de abril. No dia seguinte escolheram Prignano. Durante a eleição houve grande perturbação na cidade, pois o povo de Roma e dos arredores esforçou-se para influenciar a decisão dos cardeais, que tomaram meios para evitar possíveis dúvidas. No dia 13 eles realizaram uma nova eleição e, novamente, escolheram o Arcebispo Prignano para se tornar papa. Durante os dias seguintes todos os membros do Colégio dos Cardeais aprovaram o novo papa, que tomou o nome de Urbano VI e tomou posse. Um dia depois, o cardeais italianos notificaram oficialmente a eleição de Urbano aos seis cardeais franceses em Avignon, que o reconheceram como papa e, em seguida, escreveram ao Imperador e aos demais soberanos. Tanto o cardeal Roberto de Genebra, o futuro Antipapa Clemente VII de Avignon, e Pedro de Luna de Aragão, o futuro Antipapa Bento XIII, também aprovaram sua eleição.

O Papa Urbano não atendeu às necessidades de sua eleição, criticou os membros do Colégio dos Cardeais e recusou-se a restaurar a sede pontifical em Avignon. Os cardeais italianos, então, em maio de 1378, se retiraram para Anagni, e em julho para Fonti, sob a proteção da Rainha Joana de Nápoles e Bernardon de la Salle, iniciaram uma campanha contra a sua escolha, preparando-se para uma segundo eleição. Em 20 de setembro, treze membros do Colégio do Cardeais fizeram um novo conclave em Fondi e escolheram Roberto de Genebra como papa, que tomou o nome de Clemente VII. Alguns meses depois, esse antipapa, apoiado pelo Reino de Nápoles, assumiu sua residência em Avignon. O cisma começava.

Clemente VII mantinha relações com as principais famílias reais da Europa. Os estudiosos e os santos da época normalmente apoiavam o papa adotado pelo seu país. A maior parte de estados italianos e alemães, a Inglaterra e a Flandres apoiaram o papa de Roma. Por outro lado, França, Espanha, Escócia e todas as nações aliadas da França apoiaram o antipapa de Avignon. O conflito rapidamente deixou de ser um assunto da Igreja para se tornar um incidente diplomático disseminado pelo continente europeu:

Avignon Roma

França, Aragão, Castela, Leão, Chipre, Borgonha, Condado de Saboia, Nápoles e Escócia reconheceram o reclamante de Avignon.

Portugal, Dinamarca, Inglaterra, Flandres, o Sacro Império, Hungria, Norte da Itália, Irlanda, Noruega, Polônia e Suécia reconheceram o reclamante de Roma.

Os papas excomungaram-se mutuamente, nomeando outros cardeais para compensar as deserções, enviando mensageiros para a cristandade defendendo sua causa e estabelecendo sua própria administração. Posteriormente Bonifácio IX sucedeu a Urbano VI em Roma e Bento XIII sucedeu a Clemente em Avinhão. Vários clérigos reuniram-se em concílios regionais na França e em outros lugares, sem resultado definitivo. O rei da França e seus aliados em 1398 deixaram de apoiar Bento, e Geoffrey Boucicaut sitiou Avignon, privando o antipapa de comunicação com todos aqueles que permaneceram fiéis a ele. Bento retomou a liberdade somente em 1403. Inocêncio VII já tinha sucedido Bonifácio de Roma, e após um pontificado de dois anos, foi sucedido por Gregório XII.

Na época do cisma ocorriam na península Ibérica as guerras fernandinas e a crise de 1383-1385, ambas opondo os reinos de Castela e Portugal por questões dinásticas. Assim, no tempo de Fernando I de Portugal a sua desastrosa política externa levou-o a apoiar o Papa de Avignon, que também tinha o apoio de Castela; depois da crise sucessória, como Castela continuasse a defender o Papa de Avignon, não será de estranhar que João I de Portugal, para mostrar bem a sua independência, fosse pelo Papa romano.

Em 1409, um concílio que se reuniu em Pisa acrescentou um outro antipapa e declarou os outros dois depostos. Depois de muitas conferências, discussões, intervenções do poder civil e várias catástrofes, o Concílio de Constança (1414) depôs o Antipapa João XXIII, recebeu a abdicação do Papa Gregório XII, e finalmente, conseguiu depor o Antipapa Bento XIII. Em 11 de novembro de 1417, o concílio elegeu Odo Colonna, que tomou o nome de Martinho V, com o que terminou o grande cisma do Ocidente e foi restabelecida a unidade.

O prestígio do papado foi profundamente afetado com esta crise, o que causou a criação da doutrina conciliar, que sustenta que a autoridade suprema da Igreja encontra-se com um concílio ecumênico e não com o papa, sendo efetivamente extinta no século XV.

2.3-A Reforma Protestante

Iniciada pelo Luteranismo, baseado nos ideais teológicos do padre Martinho Lutero.

Este cisma, separou inicialmente estados alemães da Igreja Romana, a partir da excomunhão papal em 3 de Janeiro de 1521, e posteriormente, estes ideais se alastraram por toda a Europa, separando da autoridade espiritual de Roma vários outros países e estados, posteriormente sub-dividindo-se em diversos grupos motivados pelos mais diversos ideais, até os dias de hoje.

Foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero, quando através da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517  na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, propondo uma reforma no catolicismo romano. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco Solas.

Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento.

O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o protestantismo.

Entende-se por Reforma o movimento permanente na igreja para restaurar a energia e a espiritualidade eventualmente reduzidas ou perdidas por causa da fragilidade dos seus membros. A reforma de uma igreja oferece a oportunidade ímpar para se rever qualquer desvio não só de comportamento mas também de ordem dogmática (Conversas com Lutero – História e pensamento, p.98).

3-Pena canônica

A Igreja Católica excomunga os cismáticos(cristãos), tal como sucedeu a Lutero.

4-Referências

-Wikipédia, a enciclopédia livre.

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9 respostas para Os Principais Cismas do cristianismo e a Reforma Protestante

  1. 500 ANOS DEPOIS, AS DIFERENÇAS NÃO DEFINEM MAIS CATÓLICOS E PROTESTANTES

    Os principais postulados da Reforma Protestante e algumas diferenças históricas não dividem mais os cristãos como há quinhentos anos. Ao celebrar o quingentésimo aniversário da Reforma, as declarações sola gratia, solus Christus, sola fide e sola Scriptura parecem ameaçadas pela secularização, pela indiferença ou desconhecimento tanto de católicos como de protestantes. Pelo menos é o que dizem algumas das mais recentes pesquisas do Pew Research Center, conduzidas na Europa e nos Estados Unidos.

    Mais iguais versus mais diferentes
    O quadro abaixo poderia chocar não apenas os cristãos dos séculos passados, mas até mesmo famílias do interior de Minas Gerais algumas décadas atrás. Para católicos e protestantes da Europa e dos Estados Unidos, existem mais semelhanças do que diferenças entre os dois grupos.

    null

    As solas da Reforma: sola fide e sola Scriptura
    Enquanto os católicos norte-americanos permanecem alinhados com o ensino e as tradições da igreja, a redescoberta da autoridade das Escrituras (sola Scriptura) e da fé salvadora (sola fide) ainda divide os protestantes.

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  2. As Escrituras Sagradas revelam a identidade do Espírito Santo, sua deidade absoluta e sua personalidade, sua consubstancialidade com o Pai e o Filho como Terceira Pessoa da Trindade e suas obras no contexto histórico-salvifico. Todos esses dados da revelação só foram definidos depois do Concílio de Nicéia.

    Lições Bíblicas do 3° Trimestre de 2017 Adultos CPAD

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  3. Ao ler a Revista Ultimato de Maio/Junho de 2017 encontrei vários infográficos interessantes, associados aos 500 anos de protestantismo.

    Ele apresenta um panorama das mudanças do protestantismo ao redor do mundo a partir do marco da Reforma Protestante em 1517.
    É importante esclarecer alguns parâmetros. Primeiro, as informações do infográfico são sobre o “protestantismo”, e não sobre o cristianismo. Segundo, em suas pesquisas o Centro, que trabalha com dados de 234 países, usa como categorias do cristianismo seis tradições principais: católicos romanos, ortodoxos, protestantes, anglicanos, independentes e heterodoxos. Os protestantes são todas as denominações que se desenvolveram a partir da Reforma Protestante do Século 16. Os independentes são os cristãos que escolhem se dissociar de todas as outras tradições históricas denominacionais. Os heterodoxos são pessoas que afirmam a maior parte das doutrinas cristãs tradicionais (mórmons etc.), mas que têm diferenças significativas em relação à maioria das outras pessoas que se identificam como cristãs.
    O terceiro ponto a esclarecer é sobre a obtenção de dados. Ela é feita a partir de duas perspectivas: do ponto de vista do Estado e da sociedade em geral (como os censos e as pesquisas de opinião pública) e do ponto de vista das igrejas, quando as denominações relatam o número de seus membros (algumas delas incluem as crianças na contagem).
    O caso da China chama a atenção. É comum ouvir que o número de crentes no país chega a 100 milhões. No infográfico a informação é de apenas 26.556.000 protestantes. Boa parte dos cristãos entrou na categoria independentes.
    Independentemente da exatidão dos dados, Lutero e os outros reformadores não poderiam imaginar que a Europa, berço do protestantismo, em 2050 terá menos de 10% de protestantes, segundo estimativas. Nem que a África abriga hoje 41% de todos os protestantes, com expectativa de que em 2050 eles cheguem a ser 53%.

    Disponibilizo os mesmos abaixo.

    500 anos de PROTESTANTISMO

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  4. A importância do Concílio de Nicéia

    A importância do Concílio de Nicéia

    por Prof. Paulo Cristiano da Silva

    O Concílio foi a forma em que a igreja cristã, enquanto organização estabelecida e espalhada por todo o Império, encontrou para dirimir os problemas de ordem eclesiológica, doutrinária e litúrgica.

    Ao ser ameaçada interna ou externamente a Igreja reúne seus líderes para deliberarem sobre questões de ordem diversas desde questões litúrgicas à excomunhão de hereges.

    A palavra concilio faz parte do vocabulário das igrejas católica romana, ortodoxa e protestante de tradição histórica tais como, os luteranos, presbiterianos e anglicanos.

    O presente trabalho tratará brevemente sobre o tema dos concílios e sua importância e por fim analisará o Concílio de Nicéia como de maior importância dentro dos chamados concílios ecumênicos.

    Concílio ou Sínodo, definindo os termos

    Antes de falarmos sobre o concílio em si, é interessante averiguarmos uma diferença básica entre concílio e sínodo, haja vista muitas igrejas protestantes se reunirem em sínodos e não em concílios.

    Apesar dos dois termos serem semelhantes em sua natureza e finalidade eles diferem quanto à extensão. Enquanto ambos se referem a uma reunião de bispos, o concílio (palavra de origem latina), entretanto, é uma reunião de todos os bispos da cristandade, portanto tem um alcance geral, enquanto o sínodo (palavra de origem grega) é uma reunião regional ou local e representativa destes líderes eclesiásticos. Por exemplo, há muitos estudiosos que entendem que o Concílio de Jerusalém, na verdade foi um Sínodo. Na história do Cristianismo os protestantes principalmente de vertente histórica, tendem a reunirem em sínodos. Isto porque a diversidade dentro do protestantismo dificulta a realização de um concílio ecumênico semelhante a um Vaticano II.

    Quanto ao termo ecumênico oikouméne, que significa basicamente “mundo habitado”, diz respeito à abrangência geográfica do concílio. Entretanto, o termo também pode ser empregado para denotar também o impacto e abrangência que as decisões doutrinárias advindas destas reuniões tiveram em toda a cristandade.

    O Concílio de Nicéia

    O Concílio leva o nome da cidade onde se realizou, Nicéia, até então capital do império. Foi a primeira vez que bispos do oriente (maioria da cristandade na época) e do ocidente se reuniam para tratar de um assunto comum. Um assunto que estava abalando o império – a cristologia.

    Ário, presbítero de Alexandria, entrou em um debate teológico com Alexandre bispo de Alexandria sobre a divindade do filho. Para a teologia ariana, a cristologia resumia-se em afirmar que Cristo não era igual a Deus, mas uma criatura do Deus verdadeiro, portanto, para ele houve um tempo na eternidade que Cristo não existia.

    Ário foi condenado no Concilio pela maioria dos bispos e exilado. No entanto, havia muitos adeptos da teoria ariana de influencia no império os quais fizeram regressar Ário à Igreja de Alexandria. No entanto, nesta época o diácono Atanásio, grande adversário do arianismo havia subido ao bispado da Igreja Alexandrina.

    Os partidários de Ário fizeram banir Atanásio duas vezes.

    O Concilio além da questão maior cristológica que culminou na confissão de fé do “Credo de Nicéia”, tratou sobre diversos temas secundários tais como a data correta sobre a celebração da páscoa, a condenação do cisma do bispo Melécio de Licópolis, o batismo de heréticos e outros que foram tratados nos vinte cânones produzidos pelo Concílio.

    A importância do Concílio e sua influencia

    Dos seis primeiros concílios, acredito que Niceia deve vigorar como o mais importante deles, não só pelo seu pioneirismo, mas pela sua influencia duradoura para toda a Igreja cristã. Nicéia lança com bastante sucesso um padrão que será repetido por muitos séculos.

    Nicéia passa a ser um paradigma para as disputas doutrinárias posteriores, mas com um diferencial: as decisões oriundas dos líderes eclesiásticos ganha força de lei imperial. Por exemplo, antes do Concílio de Nicéia, a doutrina de Ário, já havia sido condenada em um Sínodo local, na cidade de Alexandria (320-1). Todavia, as decisões dos Sínodos até então se restringiam apenas na esfera eclesiástica. A influencia política do Imperador Constantino faz com que o Sínodo ecumênico tivesse um caráter fortemente político, o que será repetido pelos seus sucessores.

    O primeiro Concilio Ecumênico da História do Cristianismo lançaria ainda as bases da doutrina da Trindade que seria mais bem elaborada nos escritos posteriores de Atanásio e nos escritos dos “pais capadócios”: Basílio de Cesaréia, Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa no Concílio de Constantinopla (381).

    Os cânones elaborados pelo Concílio são passíveis de discussão até o dia de hoje. Podemos dividir as decisões canônicas em três grupos: os aplicáveis apenas àquele contexto histórico, como foram os cânones 6 que trata sobre as jurisdição do bispo de Alexandria e; o cânon 7 sobre a honorificação do bispo de Aélia. Os demais cânones são seguidos mais pelas igrejas católicas ortodoxas e romanas e menos pelas protestantes.

    A própria decisão sobre a divindade de Cristo não logrou grande êxito em princípio, haja vista uma parte dos bispos do oriente ainda continuarem partidários do arianismo. Como exemplo dessa resistência pode-se citar a evangelização de tribos bárbaras pelos arianos como foram os Godos. O arianismo foi paulatinamente perdendo força para ser ressuscitado em seitas cristãs menores como as Testemunhas de Jeová.

    Considerações finais

    Os concílios foram importantes na história da Igreja Cristã, pois foi um modo democrático encontrado para dirimir problemas, propor soluções e tomar decisões de diversas ordens.

    Dos 21 concílios catalogados pelos historiadores, entendo que apenas os seis primeiros possuem ampla aceitação para os três grandes ramos do cristianismo. As principais decisões tomadas de ordem doutrinária, no tocante aos temas da trindade e da cristologia fazem até hoje parte do credo tanto de protestantes quanto de católicos.

    Todavia, a religião também se configura como espaço político, no sentido mais amplo dessa palavra. As decisões tomadas pela igreja seja ela local ou não, tem caráter político, pois trata da distribuição e impetração do poder exercido hierarquicamente dentro de uma sociedade comunitária de fé. Mas com Nicéia, temos uma expansão da política social para a política imperial, onde as decisões tomaram caráter legal. Esse novo modelo de intromissão imperial foi seguido por algum tempo dentro do cristianismo.

    O modelo Constantiniano é um bom exemplo para analisar até que ponto Estado e Religião podem andar juntos. Quais seriam os limites e as consequências para a laicidade do Estado? São questões pertinentes que poderiam ser exploradas em futuras pesquisas.
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    http://www.cacp.org.br/a-importancia-do-concilio-de-niceia/

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  5. Concílio

    Um concílio é uma reunião de autoridades eclesiásticas com o objetivo de discutir e deliberar sobre questões pastorais, de doutrina, fé e costumes (moral). Os concílios podem ser ecumênicos, plenários, nacionais, provinciais ou diocesanos, consoante o âmbito que abarquem.

    O primeiro concílio ocorreu em Jerusalém, conforme pode ser lido no livro dos Atos dos Apóstolos, quando os Apóstolos se reuniram para tratar sobre os temas que estavam dividindo os primeiros cristãos: de um lado os judaizantes (judeus convertidos) e do outro os gentios (não-judeus convertidos).

    História da Igreja

    O que é um concílio?

    Concílio provém do latim “concilium”, reunião, assembleia. É a reunião de bispos e outros dignitários eclesiásticos, feita com regularidade, para tratar e legislar em matérias de interesse para as Igrejas de determinada região.

    O hábito de reunir, para ponderar e deliberar, cedo entrou na prática da comunidade cristã. A reunião de Jerusalém, narrada nos Atos dos Apóstolos (15, 6-29), foi um acontecimento modelar para uma prática que se irá impor a nível local, zonal e universal.

    A penetração do cristianismo em áreas de cultura grega vai pedir uma nova linguagem e uma organização diversa, capazes de responder à vitalidade das novas comunidades. Para dirimir discrepâncias e conseguir consensos, sentiu-se a necessidade da instituição conciliar como a mais apta para unir as comunidades na caridade e na doutrina.

    Há três tipos de concílio: provinciais, plenários e ecumênicos. Os primeiros destinam-se às dioceses da mesma província eclesiástica – em Portugal existem as de Braga, Lisboa e Évora. Celebraram-se vários em Portugal, sobretudo em tempos passados, nomeadamente os de Braga.

    Os plenários, por seu lado, abrangem as dioceses da mesma conferência episcopal; em Portugal realizou-se um em 1926.

    Quanto aos ecumênicos (universais), o de Niceia (325) é considerado o primeiro dos 21 que se lhe seguiram até ao Vaticano II (1962-1965).

    O termo “ecumenismo” provém do grego “Ecumene”, que significa a parte habitada da terra, de onde deriva o conceito de universalidade. A palavra designa o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas.

    História

    Os concílios provinciais, chamados também de sínodos, são historicamente os mais antigos, a exemplo do Concílio Apostólico de Jerusalém, realizado no ano de 49 d.C. e que, na realidade, foi um sínodo. Não obstante de ser apenas um sínodo, esta reunião dos primórdios do cristianismo foi de uma importância vital, porque teve como principal decisão libertar a Igreja cristã nascente das regras antigas da Sinagoga, marcou definitivamente o desligamento do cristianismo do judaísmo e confirmou para sempre o ingresso dos gentios (não-judeus) na cristandade. Por isso, a sua importância não é inferior a qualquer dos concílios ecuménicos, que só surgiram no século III.

    A partir do segundo século, houve uma maior urgência de reuniões (ou concílios) eclesiásticas para decidir os rumos da igreja e sua doutrina. Estas reuniões eram convocadas por bispos a partir de suas sedes. Assim ocorreram em Jerusalém, Antioquia, Alexandria e Constantinopla e outros, estes denominados concílios regionais ou provinciais.

    No século III, os concílios regionais foram institucionalizados. Temos assim os Concílios de Toledo, o Concílio regional de Laodiceia, em 360, o Concílio regional de Hipona, em 393, o Concílio Provincial de Mérida, em 666. Alguns deles foram apenas sínodos conciliares a exemplo do Concílio de Clermont, em 1095.

    Em 325 d.C., foi convocado o Primeiro Concílio Ecumênico, por Constantino, em Niceia (cidade da Bitínia), o qual seria presidido pelo bispo Ósio de Córdoba. Este foi então o primeiro dos 21 concílios ecumêncios (ou universais) em toda a História da Igreja Católica, os demais concílios não o foram, embora tivessem suas decisões acatadas por todo ou grande parte do clero e desempenhassem um papel fundamental na Igreja de seu tempo. Não obstante isso, nem sempre significaram um consenso.

    http://www.snpcultura.org/o_que_e_um_concilio.html

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  6. Por que retornar à Reforma?

    Por Klênia Fassoni

    Por que retornar à Reforma

    Em todo o mundo, os 500 anos da Reforma Protestante estão sendo comemorados desde o ano passado: viagens para os lugares onde tudo aconteceu, inúmeros eventos considerando o impacto e a atualidade da Reforma, pronunciamentos e celebrações oficiais, publicações etc.

    As consequências da Reforma Protestante extrapolam o mundo protestante.

    A Folha de São Paulo do dia primeiro de janeiro de 2017 publicou o artigo Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo. Miriam Leitão, a autora, afirmou: “Apesar de ter nascido de uma discussão teológica e doutrinária, a Reforma é, sobretudo, uma efeméride laica porque representou valores universais que marcaram o fim da Idade Média e prenunciaram o Iluminismo.” (…) “Por ter tido educação protestante, nunca achei que 31 de outubro é o dia das bruxas. Sempre foi o dia em que Lutero, em 1517, começou uma revolução”.

    Lucas Cranach, o artista que mais representou Lutero, jamais imaginaria que ele se tornaria o boneco sucesso de vendas da Playmobil. Lançado em fevereiro de 2016 na Alemanha, em apenas 72 horas foram vendidas 34 mil unidades tornando-o o boneco mais vendido da história da empresa, quando alcançou a marca de meio milhão.

    Martinho Lutero

    Luterinho – de 7,5 cm – tem um semblante alegre, está vestido de uma capa preta e traz nas mãos uma pena e uma Bíblia aberta [foto ao lado]. Na caixa com as peças há também um folder informativo sobre ele. Foi criado em cooperação com a Central Alemã de Turismo, a Central de Congressos e Turismo de Nurembergue e a Igreja Evangélica Alemã.

    Bonecos à parte, voltar à Reforma é importante para a Igreja, especialmente nestes tempos em que a identidade evangélica é tão fluida.

    Não se trata apenas de recordar – de novo – a história. Mas de voltar aos princípios básicos da fé e aplicá-los. E nem de endeusar Lutero e outros representantes da Reforma Protestante. (Leopoldo Cervantes-Ortiz, escritor, dá uma boa contribuição ao chamar atenção para o grande número de pessoas que participaram da Reforma ao listar 100 Reformadores numa série de 7 artigos.

    Se você ficou surpreendido com o sucesso do Lutero da Playmobil, possivelmente ficará surpreso também ao saber que Castelo Forte, o mais clássico hino da Reforma, foi apreciado por Bach, Beethoven, Debussy, Meyerbeer, Mendelssohn, Wagner e outros.

    Leia abaixo a história do hino, contada por Henriqueta Rosa Fernandes Braga (durante os primeiros anos da revista Ultimato ela escreveu para a seção “Música Sacra”), e assista ao vídeo produzido por Hinologia Cristã.

    Em Ultimatoonline temos publicado várias matérias sobre a Reforma, muitas das quais estão ou estiveram entre os textos mais lidos do portal. Durante 2017 continuaremos publicando textos sobre este tema.

    *****

    A marselhesa da Reforma

    Castelo forte é nosso Deus, espada e bom escudo;
    Com seu poder defende os seus em todo o transe agudo.
    Com fúria pertinaz persegue Satanás,
    Com ânimo cruel; astuto e mui rebel.
    Igual não há na terra.

    A força do homem nada faz, sozinho está perdido.
    Mas nosso Deus socorro traz, em seu Filho escolhido.
    Sabeis quem é? Jesus, o que venceu na cruz,
    Senhor dos altos céus; e, sendo o próprio Deus
    Triunfa na batalha.

    Se nos quisessem devorar demônios não contados,
    Não nos poderiam dominar, nem ver-nos assustados.
    O príncipe do mal, com seu plano infernal,
    Já condenado está; vencido cairá
    Por uma só palavra.

    De Deus o verbo ficará, sabemos com certeza
    E nada nos perturbará, com Cristo por defesa.
    Se temos de perder família, bens, prazer,
    Se tudo se acabar e a morte nos chegar,
    Com ele, reinaremos!
    Amém

    “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”. Assim começa o salmo 46 cuja paráfrase por Lutero deu origem ao muito famoso “Coral da Reforma”, por ele mesmo posto em música de maneira magistral. O vigor, a profundidade e a nobreza de linha melódica têm maravilhado e inspirado numerosos compositores que a vem utilizando através dos séculos em várias produções e o levaram ao célebre poeta lírico alemão Henrique Heiner a denominá-lo a “Marselha da Reforma”.

    João Sebastião Bach tomou-o como tema básico da sua cantata nº 80; Beethoven dele fez um cânos para vozes masculinas; Meyerbeer usou-o em sua ópera “Huguenots”; Mendelssohn utilizou-o em sua Sinfonia da Reforma e Wagner na célebre “Marcha do Imperador” que escreveu para comemorar o vitorioso regresso do Imperador Guilherme, após a Guerra Franco-Prussiana; Debussy apresentou-o no nº 3 de suas peças a dois pianos intituladas “Em preto e branco”. Isto para só citar as principais apropriações deste renomado Coral de Lutero.

    Ao tempo da Reforma, “Castelo forte” divulgou-se rapidamente tornando-se hino nacional da Alemanha protestante. Insistentemente cantado por Lutero e seus companheiros, igualmente o foi nos lares, nas ruas e no campo, infundindo coragem aos fracos e incentivando os heróis a novas conquistas na tremenda luta em que se empenhavam. Ontem, como hoje, se mantém atual pelas profundas verdades que encerra e pela segurança que infunde ao crente em vibrantes versos como estes:

    “Com Seu poder defende os Seus
    em todo transe agudo”.
    “E nada nos assustará
    com Cristo por defesa”.

    Sobre o momento exato em que foi escrito há controvérsia. Pensam alguns, entretanto, haja sido produzido no Castelo de Wartburgo no período em que ali esteve refugiado, o Reformador, quando também iniciou a tradução da Bíblia para o alemão. Trabalho com que se fixou esse idioma, tornando-se um dos seus monumentos, e que está para ele, como os “Lusíadas” de Camões para a língua portuguesa.

    Acha-se este coral traduzido para várias línguas, sendo que a tradução vernácula, da autoria do professor Eduardo Von Hafe que trabalhou no Porto, Portugal, data de 1886.

    Ultimato, ano 3, edição 34, outubro de 1970

    http://www.ultimato.com.br/conteudo/por-que-retornar-a-reforma

    Castelo Forte – Martinho Lutero – Hinologia Cristã – Cantos da Fé Cristã

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  7. E a arte? O que a Reforma teve a ver com ela?

    Imagine o seguinte cenário: alguns amigos se engajam em uma partida de um jogo de tabuleiro, e a brincadeira até começa bem, mas aos poucos esses jogadores vão se distanciando do que foi proposto no manual. Um deles percebe esses desvios e avisa aos outros, para voltarem a jogar de acordo com as regras.

    E a arte?

    Leva tempo e dedicação, mas o esforço de jogar do jeito certo vale a pena. Assim como na Reforma Protestante valeu o esforço de voltar a um cristianismo autêntico. Só que, em alguns pontos, a tentativa de mudança traz ainda mais conflitos. Assim como nas relações entre fé cristã e arte lá pelo século 16.

    Com a proposta de mudança nos moldes da religião cristã, a Reforma também acarretou o declínio da forma da “arte cristã” como produzida até então. Um dos efeitos imediatos foi a aversão à decoração dos templos. Enquanto a experiência sensorial no catolicismo era rica em símbolos, no protestantismo as representações físicas capazes de promover adoração e devoção eram evitadas. Ainda hoje, para quem já esteve em um local ou momento de culto católico e evangélico, é fácil perceber como a arte é geralmente muito incorporada no primeiro contexto e bem pouco no segundo.

    Grande parte da recusa protestante em fazer arte de cunho religioso pode ser explicada pela proibição da criação de ídolos. Mas alguns viam a criação de imagens de outra forma. A ênfase desse mandamento está na repreensão à adoração dos ídolos, o que atribuía a ícones materiais a glória que era devida somente a Deus.

    “Onde, porém, imagens ou estátuas são produzidas sem idolatria, então a fabricação delas não é proibida”, disse Lutero. “Meus confinadores devem também deixar-me ter, usar, e olhar para um crucifixo ou uma Madonna (…) Contanto que eu não os adore, mas apenas os tenha como memoriais”1.

    Mesmo com Lutero, um dos expoentes da Reforma Protestante, tendo uma visão clara sobre o papel e a presença da arte na igreja, outro dos efeitos imediatos do movimento foi o de que muitas das manifestações de cunho religioso, como estátuas, vestes, murais, vitrais e manuscritos ilustrados foi destruída e queimada por protestantes por toda Europa.

    O estudioso das obras de Shakespeare, G.B. Harrison, afirma que “A reforma, sob o comando de Eduardo VI foi o pior desastre artístico que já aconteceu na Inglaterra. (…) Além disso, a demanda dessas obras de arte subitamente cessou e as tradições de gerações de artesãos se perderam”2.

    Durante o período em que estava no centro do poder europeu, a igreja de Roma foi a maior patrocinadora da pintura e da escultura. Artistas como Rafael e Michelangelo, ambos entre o fim do século 15 e início do 16, produziam diversas obras por encomenda com temas explicitamente religiosos para adornar os templos, lugares de adoração, funerais ou atividades eclesiásticas.

    No contexto da época, as telas e vitrais presentes nesses locais não eram apenas belos, mas funcionavam como uma espécie de liturgia visual, apresentando a criação do homem, o nascimento de Cristo, a via crúcis e outras narrativas sagradas para aqueles que não tinham acesso ao texto bíblico e nem conheciam o latim, língua na qual as cerimônias eram realizadas. É válido questionar várias das engrenagens que moviam esse sistema, mas desvalorizar as tradições artísticas nele presentes chega a ser desonesto.

    Com a autoridade do catolicismo enfraquecida, seu potencial de atuação como benfeitor de artistas foi reduzida. Sem um forte discurso religioso contrário ao acúmulo de riquezas, as encomendas aos artistas passaram a ser de obras com temas de interesses pessoais, como retratos e paisagens. As experiências diárias dos cristãos comuns da Europa, antes dificilmente retratadas nas obras artísticas, passaram a também ter seu lugar.

    A afirmação dos reformadores de que Cristo era senhor não apenas nos períodos de oração, adoração e estudo bíblico, mas sobre todas as coisas, legitimava a reivindicação dos aspectos não religiosos da vida para Deus, o que trouxe uma nova perspectiva ao que poderia constituir uma “arte cristã”.

    Assim, realizar obras para Deus não significava produzir telas, artefatos e qualquer tipo de manifestação artística que apresentasse ligação direta com temas religiosos ou com o momento de culto, mas sim produzir tais expressões de arte para glorificar o nome de Cristo.

    Essa compreensão foi essencial para o contexto da arte criada por cristãos. Mesmo que não tratasse de temas explicitamente bíblicos, era possível que a arte fosse impregnada de valores do reino. O jornalista britânico Steve Turner destaca a obra de Rembrandt, que foi educado em uma igreja reformada e não idealizava os temas em suas obras, que retratam uma mistura de glória e queda, sendo criticado por usar lavadeiras como modelos, por exemplo.

    Rembrandt retratava cidadãos comuns como Jesus os retrataria, “valorizando-os por sua natureza humana e não por sua posição social ou riqueza. Trata-os com ternura, mas com honestidade. Vê a alma por trás da pele que perde a firmeza”3.

    Mas mesmo sem o compromisso com temas divinos, o relacionamento entre o Cristianismo e as artes ainda permaneceu em tensão, por conta da divisão entre o secular e o sagrado. Segundo Turner, apreciar uma arte que lida com a vida diária, quando ela não apresenta relações ou conclusões explicitamente espirituais, ainda se mostrava uma tarefa de difícil assimilação.

    Um ponto essencial para essa discussão, abordado pelo teólogo Francis Schaeffer, influenciado pelas ideias do crítico de arte Hans Rookmaaker, que foram contemporâneos no século 20, é a noção de que uma obra de arte tem valor em si mesma. E isso primeiramente porque ela é uma obra de criatividade, que tem valor porque Deus é criador.

    Tal princípio pode parecer óbvio, mas ainda hoje para muitos cristãos é algo impensável, por isso sua menção, que é indispensável para que não se perca a essência da arte. “A arte não é algo que simplesmente analisamos ou avaliamos por seu conteúdo intelectual. É algo a ser apreciado. A Bíblia diz que as obras de arte no tabernáculo e no templo estavam lá pela beleza”4.

    Em um extremo, Ulrico Zuínglio, reformador de Zurique, proibiu a arte na igreja, mesmo a produzida por e voltada para cristãos, porque ele focava na centralidade única das Escrituras e dos sacramentos. O que é curioso, visto que ele mesmo era instrumentista e fundou a orquestra da cidade.

    Já Calvino tinha o entendimento de que tudo que é verdadeiro, bom e belo no homem procede da graça de Deus. Mesmo sendo pecador, o homem não estaria inteiramente privado da graça divina que é comum a toda humanidade. Sobre haver momentos de verdade em todos os homens, mesmo na condição de pecadores, Calvino escreve:

    “Quantas vezes, pois, [quando] entramos em contato com escritores profanos, somos advertidos por essa luz da verdade que neles esplende admirável, de que a mente do homem, quanto possível decaída e pervertida de sua integridade, no entanto é ainda agora vestida e adornada de excelentes dons divinos. Se reputarmos ser o Espírito de Deus a fonte única da verdade, a própria verdade, onde quer que ela apareça, não a rejeitaremos, nem a desprezaremos, a menos que queiramos ser insultuosos para com o Espírito de Deus. Ora, nem se menosprezam os dons do Espírito sem desprezar-se e afrontar-se ao próprio Espírito”5.

    Feito à imagem de Deus, além de amar, pensar e sentir, o homem também é capaz de criar. Nesse quesito, vale ressaltar que mesmo tendo valor em si, a arte produzida por homens nem sempre vai ser moral e intelectualmente boa, uma vez que todos estão corrompidos, o que faz com que nem toda criação seja uma nobre expressão de arte.

    Quando o valor da obra de arte em si não é levado em consideração, os protestantes – de ontem e de hoje – caem no erro de pensar a arte apenas como uma mensagem, um meio para um fim, o que faz com que com frequência nas igrejas ela acabe reduzida à propaganda, um suporte para o evangelismo. Esse obstáculo ainda se une à equivocada percepção de que a arte só pode ter algo de cristão se for sempre explicitamente religiosa, abordando apenas temas bíblicos, histórias de mártires e alegorias de relacionamentos pessoais com Deus.

    Em meio a restaurações, libertações, validações e amplificações nas relações entre fé e arte no período da Reforma Protestante, houve também o oposto, com restrições, destruições, proibições e divisões. E 500 anos depois ainda é possível observar vários desses conflitos na igreja.

    Conhecer o histórico dessas relações é importante para aprender os princípios certos e para tentar não cometer as mesmas falhas. Assim, naquele cenário do jogo de tabuleiro que vai saindo dos trilhos, vamos constantemente tentando assimilar melhor o que foi estipulado por quem o idealizou, fazendo da Reforma não só um marco histórico, mas mantendo sua essência viva em nós.

    Referências
    1 – LUTERO. Contra os Profetas Celestiais. 1525; LW, Vol. 40
    2 – HARRISON. Introducing Shakespeare. Londres: Penguin, 1939
    3 – TURNER. Cristianismo Criativo? – Uma visão para o cristianismo e as artes. São Paulo: W4Editora, 2006
    4 – SCHAEFFER. A Arte e a Bíblia. Viçosa: Ultimato, 2010
    5 – CALVINO. Institutas, II.2.15

    Amanda Almeida tem 23 anos e é formada em Comunicação Social pela UFMG. Sua monografia tratou de jornalismo cultural, arte e cristianismo. Amanda escreve para o blog Ultimato Jovem sobre cinema.

    http://www.ultimato.com.br/conteudo/e-a-arte-o-que-a-reforma-teve-a-ver-com-ela?

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  8. O evangelho pertence a uma denominação?

    Martinho Lutero jamais pretendeu tornar-se o centro das atenções. Era um estudante de direito atormentado por uma angústia. Tinha consciência de que não conseguia ser o que Deus queria que ele fosse. Sabia-se endividado diante de Deus. Em 1505 ele entrou num convento com hábitos rigorosos para obter a certeza do perdão divino. Essa recomendação da igreja medieval dava a todos que a buscavam. Assim, abdicou ao mundo e submeteu-se aos exercícios espirituais com extremo rigor. No entanto, isso não aliviou sua angústia. Pelo contrário, a potenciou. Seu superior, não sabendo mais o que lhe recomendar, ordenou que se dedicasse ao estudo da Bíblia. Assim, em 1512, Lutero tornou-se professor de Bíblia numa universidade provinciana onde começou a dar aulas sobre os Salmos.

    No preparo dessas aulas Lutero foi surpreendido por uma afirmação do Salmo 31: “Em ti, Senhor, me refugio; nunca permitas que eu seja humilhado; livra-me pela tua justiça”. Percebeu que o salmista não clamava “livra-me pela minha justiça”, mas que ele pedia a Deus “livra-me pela tua justiça”. Começou a se dar conta que a libertação da inclinação para o mal não resultava da justiça que nós produzimos. Descobriu que ela procede da justiça que Deus oferece gratuitamente por meio de Jesus Cristo. Quase 40 anos mais tarde o reformador recordaria o impacto deste aprendizado: “Dia e noite eu desejava entender Paulo em Romanos; noite e dia ponderei até perceber a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que o ‘justo vive pela fé’. Então eu entendi que a justiça de Deus é aquela pela qual Deus nos justifica na graça e pura misericórdia. Eu me senti completamente renascido e acolhido pelas portas abertas no paraíso. Toda a Escritura adquiriu um novo significado: se antes (a menção da) ‘justiça de Deus’ me enchia de ódio, agora tornou-se indescritivelmente doce e amável. Esta afirmação de Paulo tornou-se para mim num portal do paraíso.”

    Só em 1517 Lutero viria a público com este seu aprendizado pessoal. E ele o fez motivado por uma situação pastoral, pois encontrara um membro da igreja alcoolizado cuja confissão havia ouvido poucos dias antes. Quando Lutero questionou seu comportamento, o bêbado justificou-se, apresentando a indulgência, uma certidão emitida pela igreja que garantia perdão dos pecados a quem a comprava. Indignado, Lutero redigiu então as “95 Teses” sobre o verdadeiro arrependimento. Elas eram um roteiro para debater o assunto em sala de aula. Como de costume afixou-as na porta da igreja que funcionava como edital de avisos da faculdade. De lá as “95 Teses” viralizaram. Viraram panfleto impresso aos milhares. Em poucas semanas seriam conhecidas por toda Europa, de Roma a Londres, de Madrid e Paris a Praga.

    É verdade que depois outros interesses se conectaram e, não poucas vezes, sobrepujaram esse propósito de restaurar a fé na boa notícia da salvação graciosa por meio de Jesus. Ainda que a Reforma tenha impactado a estrutura eclesiástica, interferido na política e na economia da Europa, não se pode esquecer que ela se originou desta resposta à pergunta pela certeza da salvação que afligia a muitos. Apenas esta aflição generalizada explica o impacto do testemunho da Reforma.

    Por causa desse foco, nem Lutero nem qualquer outra liderança da Reforma – Zwinglio, Bucer, Menon, Calvino, etc –, postularam direitos autorais pela redescoberta da graça. Entenderam-se como meros instrumentos pelos quais Deus estava restaurando sua igreja. Lutero manifestou-se explicitamente sobre isso no prefácio da primeira edição alemã de suas obras: “Antes de tudo peço que não mencionem o meu nome e nem se chamem de luteranos, mas de cristãos. Quem é Lutero? A doutrina não é minha. Também não fui crucificado por ninguém. Em 1ªCoríntios 1 São Paulo não tolerou que se chamasse os cristãos de paulinos ou petrinos, mas (deveriam chamar-se apenas) cristãos. Como seria possível que filhos de Cristo fossem chamados pelo meu desgraçado nome, eu saco de vermes pobre e fedorento. Não seja assim, caros amigos, apaguemos todos os nomes partidários e sejamos (apenas) de Cristo, cujos ensinamentos temos. … Os cristãos não creem em Lutero, mas no próprio Cristo; (assim) abram mão de Lutero; apegue-se à palavra. […] Não sou, nem quero ser o mestre de ninguém. Somente Cristo é nosso mestre.”

    Ao aplicar a admoestação de Paulo à igreja em Corinto ao seu tempo, Lutero desafia também a nós a bebermos da fonte do evangelho e a perseverarmos na “obediência da fé” em Jesus Cristo (Rm 1.5 e 16.26). Só quem deixar de lado o sectarismo denominacional poderá anunciar a esperança em Cristo a quem vive na busca ansiosa pelo que dá sentido à vida. Assim lembramos o testemunho dos reformadores para “… livrar-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e correr com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.” (Hb 12.1-2).

    Martin Weingaertner, nascido em Santa Catarina (1949), é professor e diretor da Faculdade de Teologia Evangélica em Curitiba (FATEV) e editor do devocionário “Orando em Família”. Seu casamento com Ursula foi abençoado com 5 filhos e 8 netos.</strong

    http://www.ultimato.com.br/conteudo/o-evangelho-pertence-a-uma-denominacao?

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  9. Trago agora algumas considerações sobre os cismas do oriente e ocidente, além da reforma protestante.

    Já havia postado a alguns anos algo sobre a reforma protestante.

    Basicamente a biografia dos pré-reformadores e o ápice da reforma protestante com Martinho Lutero.

    Para encontrar, basta escrever em “Pesquisar Posts” dentro do blog, a palavra Reforma e surgirão as postagens respectivas associadas a este assunto.

    Outrossim, preparei um link que trata dos cinco solas da reforma protestante:

    Os cinco solas da Reforma Protestante.

    Encontrei também, em pesquisa, uma música belíssima do Quarteto Musical Arautos do Rei, chamada Graça (com legenda), que é um dos Solas da Reforma Protestante.

    …Pecado não se explica. Pecado, se paga. E Cristo pagou para mim.

    Arautos do Rei
    Informação geral

    Gênero(s):Música Sacra, Tradicional, Gospel
    Período em atividade:1962-Presente

    Integrantes

    Orador: Ivan Saraiva
    Diretor Musical: Jader Santos
    1º Tenor: Fernando Santos
    2º Tenor: Társis Iraídes
    Barítono: Dênis Versiani
    Baixo: Milton Andrade
    Técnico de Som: Victor Baía

    Arautos do Rei é um quarteto musical cristão de origem estadunidense com foco em música sacra. Foi um dos precursores do estilo musical a capela.

    Em 1962, foi formado o quarteto Arautos do Rei (versão brasileira do quarteto The King’s Heralds) acompanhando o Pastor Roberto Rabello no programa A Voz da Profecia (em inglês: Voice of Prophecy).

    Sugiro que ouça a mesma.

    Arautos do Rei – Graça (Com Legenda)

    Finalizando, há também um link que aborda um texto extraído de Revista Chamada da Meia-Noite (*) agosto de 2016.

    O Nome do Texto é: Por que os cristãos muitas vezes estão divididos?

    Cristãos Divididos

    (*)Durante alguns anos fui assinante ora da revista “Noticias de Israel”, ou “Chamada da Meia Noite”. Estas Revistas tratam bastante do assunto de escatologia, e como a muitos anos sou professor de escola dominical é comum escolher artigos, livros ou literatura associada a vários assuntos cristãos, incluindo escatologia.

    NOTA PESSOAL

    Discordo da visão teológica dos segmentos cristãos que não estejam totalmente em harmonia com os cinco solas, mesmo porque, sou cristão pentecostal.

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