Os véus que obscurecem a face de Deus – Reconheça os véus – Parte I

Fp 3:13-14

“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”

 

       A mensagem, os objetivos e os métodos do Novo Testamento permanecem adormecidos.  Atos realizados no nome do senhorio de Jesus Cristo são senhorio só no nome. Substituindo o verdadeiro de Cristo, introduzimos a nossa própria mensagem, os nossos próprios objetivos e os nossos próprios métodos para alcançar estes objetivos que são, em todos os casos, absolutamente não bíblicos.

        Seria heresia – será que se constitui uma mente radical – se você orasse pedindo que Deus purificasse a intensão do seu coração com o indizível dom de sua graça? Essa, claro, é a grande oração do autor de A nuvem do não saber: “Deus […] suplico-te que purifique a intensão de meu coração com o indizível dom de sua graça, para que eu possa amar-te perfeitamente e louvar-te dignamente”.

       Ansiar amar a Deus e louvá-lo dignamente deve significar mais que as palavras que você pronuncia. Deve custar-lhe tudo. Seria heresia? Alguém deveria ser preso por isso? Deveria por isso ser condenado ao ostracismo de acordo com a nossa hinódia, de acordo com nossos livros devocionais, de acordo com a história da Igreja remontando até Paulo e de acordo com a vida de todos os santos? Não, não penso que seria.

       O apóstolo Paulo disse que, para ganhar Cristo, teria renunciado a todo este mundo (v. Filipenses 3:7,8). Ele queria que todos conhecessem Cristo como uma experiência consciente, para usar uma linguagem moderna, e para receber o Reino dos céus. Informou que orava todo tempo pedindo que Cristo habitasse no coração de cada cristão (v. Ef 3:17). Declarou aos Coríntios: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados!” (2ªCo 13:5). E aos romanos: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo” (Rm 8:9). É pela habitação de Jesus que recebemos as riquezas de Deus e vemos seu rosto sorridente.

       Infelizmente, entre os cristãos e a face de Deus tem-se desenvolvido o que chamarei de “véus de obscuridade”. Esses véus escondem as preciosas riquezas de Deus daqueles dentre nós que prosseguem rumo à perfeição. O efeito é que já não conseguimos ver a face sorridente de Deus.

RECONHEÇA OS VÉUS

       Num dia nublado e escuro, o brilho do Sol fica obscurecido. O Sol ainda está lá, mas a nossa capacidade de aproveitar os raios solares fica grandemente reduzida. Assim é no mundo espiritual. Há certos véus que se colocam entre nós e Deus e têm efeito semelhante. Esses véus são em geral de confecção nossa. Permitimos que se desenvolvam na nossa vida e, na maior parte das vezes, nem temos consciência do impacto que exercem sobre nós. Deixe-me descrever alguns dos véus mais problemáticos.

Orgulho e teimosia

        Sem dúvida os primeiros e mais fortes desses véus são o orgulho e a teimosia. Nada é mais adâmico que isso. A raiz de ambos é uma opinião inflada sobre nós. Aquilo que nos causa o maior problema é o que mais honramos.

       O termo muitas vezes usado nesse sentido é a palavra “ego”. Essa única palavra expressa a raiz de todos os nossos problemas com nós mesmos, com a nossa família, os nossos amigos e certamente com o nosso Deus. É quando usurpamos o lugar que cabe a Deus que ocorrem os problemas. O motivo pelo qual fazemos isso é que temos opinião mais elevada sobre nós mesmos do que sobre todos os outros, inclusive Deus.

       Mesmo quando achamos que estamos errados, a teimosia nos impede de reconhecer esse fato, de modo que não conseguimos seguir adiante. O problema com o orgulho e a teimosia é que eles se concentram em nós e obscurecem a face Deus, aquele que em todos os casos provê a solução para nossos problemas. O orgulho e a teimosia distorcem a importância da autoridade de Deus na nossa vida.

Vontade própria

       Associada ao orgulho e à teimosia, está a vontade própria. O aspecto perigoso desse véu é que se trata de algo muito religioso. No mundo natural, a vontade própria é algo positivo. Levada ao contexto da igreja, contudo, pode ser devastadora.

       A vontade própria sempre usurpa a vontade de Deus. À primeira vista parece muito boa, mas passe por pessoas com vontade própria e veja o que acontece. Deixe que algo desafie a vontade própria de alguém, inclusive a sua, e veja como isso é realmente. A vontade própria distorce a face sorridente de Deus e esconde o fato de que a vontade de Deus tem em mente o nosso melhor interesse a longo prazo. A vontade própria só se importa com o agora.

Ambição Religiosa

       A ambição religiosa é provavelmente o mais enganoso de todos os véus. Uma pessoa pode ser ambiciosa de maneira muito religiosa. Vemos isso o tempo todo. Infelizmente, a ambição religiosa em geral distorce a vontade de Deus.

       Ela funciona mais ou menos assim. A maioria das pessoas deseja que sua igreja cresça e seja uma força poderosa para Deus na comunidade. E isso é admirável. Mas junto vem uma pessoa religiosamente ambiciosa que gera tanta empolgação entre o povo que este se esquece de todo propósito da comunidade. O que Deus honra não é a grandeza. Aliás, na maior parte do tempo, vastas multidões impedem o que Deus realmente quer fazer.

       Alguns pastores estão empurrando suas igrejas além do escopo da autoridade divina. Algumas igrejas estão mais interessadas na política. Outras, nas questões sociais. Para outras, ainda o grande interesse é a educação. Todas essas coisas são boas, mas nenhuma delas faz parte da comissão que Deus deu à igreja. O fato de uma pessoa simplesmente revestir algo de terminologia cristã não o torna uma obra aprovada por Deus.

       A ambição religiosa distorce facilmente a aprovação de Deus sobre um grupo de pessoas.

A VIDA CRUCIFICADA – COMO VIVER UMA EXPERIÊNCIA CRISTÃ MAIS PROFUNDA

A.W.TOZER

EDITORA VIDA

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