Aborto: Minha posição e a ética cristã

Encontrei algo sobre o tema “Aborto” no site do CACP e na revista Lições Bíblicas – Adulto, o assunto é tratado no contexto da Ética Cristã. Em face disto, fiz a composição dos textos para gerar o tema desta postagem. Outrossim, o Pr Natanael Rinald em outro momento, condena a posição de Edir Macedo A Bíblia defende sim o aborto”, através de um áudio do mesmo site, que reproduzo abaixo:

“Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele.” (Ec 6.3)

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INTRODUÇÃO

O tema aborto implica agressão  à dignidade humana e a inviolabilidade do direito à vida. Em nossos dias, muitos segmentos da sociedade se mostram favoráveis ou simpatizantes à pratica do aborto. Acerca do assunto a Bíblia assegura que Deus é o autor e a fonte da vida(Gn 2:7; Jo 12:10), e somente Ele tem poder sobre a vida e a morte (1ªSm 2:6).

   Aborto: Conceito Geral e Bíblico

       Aborto é a interrupção da gravidez. Parte da sociedade o considera como um direito da mulher, mas a Bíblia trata-o como um crime contra a vida.

1-Conceito geral de aborto

       A palavra “aborto” é formada por dois vocábulos latinos: “ab” (privação) e “ortus” (nascimento), que juntos significam a “privação do nascimento”. O substantivo “aborto” é derivado do verbo latino “aborior” (falecer ou sumir), expressão que indica o contrário de “orior” (nascer ou aparecer). Assim, conceitualmente, o aborto é a interrupção do nascimento por meio da morte do embrião ou do feto. Esta interrupção pode ser involuntária ou provocada.

2-O aborto no contexto legal

       O código de Hamurabi (1810-1750 a.C.) condenava o aborto. No código de Napoleão (1769-1821) era crime hediondo. No Código Criminal do Império no Brasil (1830) era proibido. Hoje, a legislação brasileira permite apenas nos casos de risco de morte à mulher, estupro e anencefalia. Nos demais casos o aborto ainda é crime (Art. 124, CP). No entanto, no Congresso Nacional, Projetos de Lei tramitam com a proposta de legalizá-lo em qualquer caso.

3-Conceito bíblico de aborto

       Na lei mosaica, provocar a interrupção da gravidez de uma mulher era tratado como ato criminoso (Ex 21:22_23). No sexto mandamento, o homem foi proibido de matar (Ex 20:13), que significa literalmente “não assassinar”. Os intérpretes do Decálogo concordam que o aborto está incluso neste mandamento. Assim, quem mata o embrião, ou o feto, peca contra Deus e contra o próximo.

4-O aborto na historia da Igreja

“O ensino dos dez apóstolos” (século I), chamado de Didaquê, condena o aborto: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido” (Didaquê 2,2). O apologista Tertuliano (150-220) ensinou que a morte de um embrião tem a mesma gravidade do assassinato de uma pessoa já nascida e que impedir o nascimento é um homicídio antecipado. O polemista Agostinho (354-430) e o teólogo Tomás de Aquino (1225-1274) consideravam pecado grave interromper a gestação e o desenvolvimento da vida humana.

5-Qual a posição da Igreja?

Apoiada nas Escrituras, a Igreja de Cristo defende a dignidade humana desde a concepção. Ensina que a vida humana é sagrada e não pode ser violada pelo homem (1ªSm 2:6). Que toda ideologia que seculariza os princípios bíblicos deve ser combatida(2ªTm 3:8). Sabiamente, a posição oficial das Assembleias de Deus no Brasil foi assim exarada: “A CGADB [Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil] é contrária a essa medida [aborto], por resultar numa licença ao direito de matar seres humanos indefesos, na sacralidade do útero materno, em qualquer fase da gestação, por ser um atentado contra o direito natural à vida” (Carta de Brasília, 41ªAGO, 2013).

Conclusão

A valorização da dignidade humana, o direito à vida e o cuidado à pessoa vulnerável são princípios e doutrinas imutáveis do Cristianismo. Em uma sociedade secularizada o cristão precisa tomar cuidado com relativismo e estar alerta quanto às ações de manipulação de sua consciência e o desrespeito à vida humana (1ªTm 4:1,2).

As estatísticas acusam o Brasil de ser um dos campeões mundiais em assassinatos. Como não temos certeza dos números, não podemos afirmar que as milhares de vidas perdidas a cada ano superam os números de outros países violentos como Sudão e Coréia do Norte, onde a vida é ainda mais desvalorizada. E lamentamos os tiroteios nas favelas onde jovens disputam um espaço vantajoso no tráfico de drogas.

Mas devemos nos preocupar igualmente com a destruição de vidas de crianças antes mesmo de elas nascerem no Brasil. Não é somente nossa geração que mostra uma atitude de descaso diante dos seres humanos fracos e dependentes. Antes de o cristianismo protestar contra o assassinato de crianças não desejadas no velho Império Romano, elas eram abandonadas, expostas ao frio e fome, até a morte aliviar seu sofrimento. Na Idade Média, crianças excepcionais e mentalmente retardadas foram afogadas. O pretexto que acalmava as consciências dos assassinos era a suposta ausência de alma nessas crianças. Os nazistas mataram judeus e pessoas com problemas mentais, achando válido o argumento de que, assim, a raça ariana ficaria mais pura. Líderes de governos marxistas acreditaram na evolução materialista sem interferência divina. Assim, foi fácil concluir que não há crime moral nem pecado em, deliberadamente, abortar uma criança antes de ela nascer.

Pensando apenas na biologia, a vida começa com a concepção e continua até a morte. É impossível demonstrar um momento em que a alma foi acrescentada ao feto. O código genético que controla o desenvolvimento do ser humano existe desde o primeiro momento de união das células do pai e da mãe. O que a criança em formação necessita é um ambiente favorável à manutenção da vida e alimento adequado para sobreviver.

A Bíblia não fala diretamente sobre aborto, mas os judeus, através de sua história, trataram a vida com muito respeito. Josefo (Contra Apion II, 202) apresenta a convicção dos contemporâneos de Jesus: “A Lei… proíbe as mulheres de causar o aborto ou destruir o feto; uma mulher que assim faz é considerada infanticida porque ela destrói uma vida e diminui a raça” (citado por E.E. Ellis, Human Rights and the Unborn Child). O Didachê dos Doze Apóstolos (2.2) do início do século II mostra a posição cristã: “Não procure abortar nem praticar infanticídio”.

É impossível escapar da conclusão de que abortar deliberadamente uma criança é pecado grave contra Deus e contra a humanidade. Disse Helmut Thielicke (The Ethics of Sex, 1964, p.227). “Tudo o que é necessário é se referir a alguns fatos simples biológicos para mostrar que o embrião tem vida autônoma, e estes fatos devem ser suficientes para estabelecer seu status como ser humano” (citado por E.E. Ellis, ibid).

Os argumentos que persuadiram a maioria dos juízes da corte suprema dos Estados Unidos (Roe vs. Wade) a legalizar e apoiar o aborto se basearam na dificuldade encontrada em definir quando o feto começou a viver. As crianças ainda não nascidas foram tratadas como não-pessoas sem proteção da lei. Um minuto depois de nascer, se alguém deliberadamente matar essa criança, a atitude será tratada como infanticídio culpável, com punição severa pela lei. A incoerência da decisão da maioria dos juízes da Suprema Corte torna-se mais do que evidente.

A oposição maciça ao aborto legalizado no Brasil pela Igreja Católica Romana tem mantido a posição tradicional – o aborto nunca pode ser justificado. O pensamento protestante justificou o aborto nos casos em que a vida da mãe corria perigo. A secularização da sociedade cada vez mais enfraquece as barreiras éticas e religiosas. Os protestantes liberais pouca oposição fizeram à lei americana que favorece a decisão que dava à mulher grávida o privilégio de abortar seu filho se quisesse, sem nenhuma punição do estado.

Enquanto a teoria da evolução se torna cada vez mais convincente aos formadores de opinião, apresentada como fato nas universidades e escolas mais valorizadas do país, que esperança haverá para que o aborto se torne mais do que uma decisão puramente privada? Será que os evangélicos vão se posicionar contra o aborto com a convicção daqueles que crêem que Deus é o Autor da vida e somente Ele tem o direito de tirá-la?

Que Deus nos abençoe;

Russel Shedd

http://www.cacp.org.br/aborto-qual-e-a-nossa-posicao/

Valores Cristãos – Enfrentando as questões morais de nosso tempo – Lições Bíblicas do 2ºT 2018 Adulto CPAD

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Uma resposta para Aborto: Minha posição e a ética cristã

  1. As três táticas

    Acima, um esquema gráfico produzido pelo Cultura da Vida que estou compartilhando.

    As 3 táticas de Dr. Bernard Nathanson para legalizar o aborto em qualquer país
    Se você algum dia já presenciou um debate aonde o assunto é aborto, certamente já reparou algumas constantes no lado pró-legalização:

    • cifras incríveis sobre aborto ilegal e mortalidade materna
    • redução da problemática ao âmbito sanitarista como “questão de saúde pública”
    • acusações à Igreja Católica de se envolver em questões fora de sua alçada
    • invocação do já antigo Estado Laico para justificar a marginalização do cristão de decisões públicas (curioso que quando a Igreja é contra o sequestro e o estupro, ninguém diz que o Estado é Laico)
    • negação da natureza humana do nascituro
    • relativização do comprovado fato de quando se inicia a vida humana

    Apesar do variado escopo de argumentos pró-aborto, sempre se nota uma certa estratégia por de trás delas, de modo que se fossemos agrupá-las por temas, acabaríamos quase sempre caindo em 3 frentes: números de aborto ilegal, ataques ao catolicismo e desumanização do nascituro.

    O que pouca gente sabe, é que essas 3 linhas da frente pró-aborto não possuem nada de novo, e na realidade, já possuem 4 décadas de uso, desde que foram cunhadas pelo então médico abortista, responsável por mais de 75 mil abortos nos EUA e um dos pilares da legalização do aborto nesse país, o Dr. Bernard Nathanson.

    Apesar dos grandes números feitos no lado pró-aborto por Dr. Nathanson, este ficou realmente famoso após sua conversão ao movimento pró-vida e pela sua militância a causa do nascituro e da maternidade. De seus livros, filmes e vastos conteúdos pró-vida, se destacam suas “confissões”, aonde Dr. Nathanson narra como construiu toda a estratégia de introdução na mídia e na opinião pública da causa abortista.

    Nessas confissões que datam toda a arquitetura sociológica do aborto desde a década de 60, percebemos que pouca coisa mudou desde então, e que em todo país que acaba legalizando o aborto, suas 3 táticas principais continuam sempre as mesmas: fraude, malícia e mentira, especialmente em cima de muita gente de boa intenção mas pouca formação e que acabam servindo de massa de manobra para a indústria abortista.

    Informação, informação e mais informação continuará sendo sempre a melhor forma de alertar as pessoas a respeito do ato abominável do aborto, a começar, pela própria história da causa pró-aborto.

    http://culturadavida.blogspot.com/2012/05/as-3-taticas-de-dr-bernard-nathanson.html?

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