Tudo tem seu tempo certo

Família

Jaime Kemp

Cada família precisa aprender a desenvolver a arte de permanecer juntos, amadurecer… e ajustar-se diante das circunstâncias

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Primavera, verão, outono e inverno. Cada estação tem suas características próprias. Temperaturas, cores, flores e fauna diferentes. Quando eu era criança, entre oito e dez anos, enquanto crescia nas montanhas, na zona rural do norte da Califórnia, nos Estados Unidos, sempre gostei mais do verão. Não que eu não gostasse das outras estações, como, por exemplo, o inverno. O frio daquela região da América vinha acompanhado de muita neve, e isso me incentivou a aprender a esquiar com apenas sete anos de idade.
Ah, mas o verão! O verão anunciava o final do período escolar, além de colocar à disposição de um menino levado e cheio de energia a inesgotável diversão da vida no campo. Eu nadava nos lagos e pescava trutas nos rios, acampava ao lado do riacho com meu melhor amigo, Grant Landenslager, caçava faisão, coelhos e esquilos. O verão era, sem dúvida, a minha estação predileta.
Assim como o transcorrer do ano é marcado por diferentes estações, também no casamento existem diferentes fases, com suas alegrias e prazeres, lutas e dificuldades. Creio que posso mencionar pelo menos sete fases entre o dia do casamento e o dia da morte de um dos cônjuges. Todas elas carregam desafios, tentações, contentamentos e lutas.
Cada casamento é único, singular, entretanto cada casal, cada família precisa aprender a desenvolver a arte de permanecer juntos e amadurecer, enfrentar crises, tomar decisões, resolver problemas e ajustar-se diante das circunstâncias, sejam elas adversas ou não. Como disse o sábio rei Salomão em Eclesiastes 3.1: “Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião”. E no versículo 11, ele afirma: “Deus marcou o tempo certo para cada coisa…”.

As fases do casamento

Casamento é para ser um dueto, mas às vezes mais parece um duelo. O casal precisa aprender a viver em harmonia sob o mesmo teto, a fazer refeições juntos à mesma mesa e dormir na mesma cama.

Adaptação

Para alguns, o primeiro ano de casamento pode ser o mais difícil. Por quê? Bem, ao unir a “família Pereira” à “família Oliveira” eles percebem que cada uma tem suas tradições, suas idiossincrasias e sua maneira de encarar a vida. Dependendo da maturidade de cada cônjuge será mais tranquilo ou não conviver em harmonia. Mas, infelizmente, alguns casais não conseguem ajustar-se nesta primeira fase e logo no início da vida conjugal decidem separar-se.

Filhos pequenos

A segunda fase do casamento é aquela que anuncia a chegada dos filhos. Ela pode perdurar entre 5-10 anos, mas para alguns pode durar bem mais. Conheço casais que, depois de terem dois ou três filhos já nos primeiros cinco anos de casados, estão certos de que “fecharam a fábrica”, porém passados alguns anos, surpresa! Inesperadamente são presenteados com “uma raspinha de tacho”, como o povo gosta de dizer.
Essa fase projeta uma época de grande alegria, pois “os filhos são um presente do Senhor; eles são uma verdadeira bênção” (Salmos 127.3 – NTLH). Bebê e crianças pequenas são egoístas por natureza e querem (às vezes até mesmo exigem) que suas necessidades sejam satisfeitas imediatamente. Como costumo dizer, se não fosse pelo fato de as crianças serem pequenas e frágeis, a maioria estrangularia os pais num acesso de raiva descontrolada.
A responsabilidade de educar os filhos pequenos, associada à sabedoria de saber lidar com os quase constantes momentos de raiva descontrolada, urgências e emergências que eles têm, pode corroer o romantismo que o casal viveu serenamente durante a primeira fase do seu casamento. Algumas vezes uma criança pode unir mais o casal ou distanciá-lo, conforme a maneira como, de comum acordo, ambos decidem criar os filhos e do tempo que reservam e dedicam para cultivar e desenvolver seu relacionamento.
 

Filhos adolescentes

Esta é uma época, entre 10-17 anos, de mudanças e desafios para os filhos. Ela também pode ser uma fase de alegria para os pais, enquanto observam o amadurecimento gradual dos filhos, esforçando-se sempre para compreender e respeitar a velocidade de desenvolvimento e a facilidade ou dificuldade apresentada por cada um.
De uma coisa tenho certeza: os pais devem dobrar seus joelhos constantemente e pedir que Deus lhes dê sabedoria, muita paciência e graça para lidar com os filhos.
Muitas vezes, o que também pode dificultar essa fase é o fato de o homem, marido e pai deparar-se com o que chamamos de crise da meia-idade, entre os 35-45 anos. É um período difícil, quando aparentemente muitos homens vivem uma “segunda adolescência”, em geral justamente na época em que seus filhos estão chegando à primeira, na idade adequada. Isso explica a faísca de atrito que passa a existir entre eles. Também a mulher, esposa e mãe, pouco mais tarde, entra na menopausa, que, para muitas, causa desconforto e depressão.
Uma definição de maturidade é a habilidade de aceitar a vida como ela é, contudo nem todos são capazes. As pessoas lutam contra suas perdas, sonhos não realizados, frustração sexual, situação financeira e a monotonia do cotidiano.
 

Filhos jovens

A quarta fase pode predizer algum alívio. Os filhos estão cursando o colegial, a faculdade ou procurando emprego. Mas ela também traz desafios: a dificuldade de abertura de mercado para os filhos encontrarem um emprego, a responsabilidade de pagar a faculdade, que, geralmente, sobrecarrega o orçamento financeiro dos pais. Sei bem o que isso significa, pois paguei os quatro anos de faculdade para cada uma de minhas três filhas, sem falar nas despesas dos seus casamentos. Não é fácil. Mas isso não quer dizer que, além de desafios, existem muitas alegrais nessa fase. 

O ninho vazio

Quero alertar os casais a manterem a chama do amor bem viva ou correrão o perigo de chegar a essa fase bem distanciados emocionalmente. Talvez esse distanciamento seja o motivo por que muitos casais que vivem a realidade do ninho vazio, isto é, com os filhos praticamente ou já fora de casa, se separam, pois não têm mais nada para compartilhar, não cultivaram seu relacionamento durante as fases anteriores e então preferem terminar o casamento.
Embora os filhos sejam adultos, esse tipo de solução é tremendamente prejudicial a eles. Eu sei, pois foi exatamente isso que aconteceu com os meus pais. Por esse motivo, todo casamento precisa se reabastecer, do início ao fim, por meio do companheirismo, do romantismo, do amor e compartilhamento, especialmente quando o ninho fica vazio.

O casal fica sozinho novamente

As estatísticas provam que quando o ninho fica vazio, um grande número de casais desiste do casamento porque são surpreendidos pela triste constatação de que não têm mais nada em comum, que, com os filhos criados e assumindo sua própria vida, mais nada restou para uni-los.
Sempre digo que não existe nada mais bonito do que o amor e o romantismo demonstrados por dois jovens no dia do casamento, esperando com ansiedade a sua lua de mel. Não há nada mais bonito a não ser o amor e o carinho de duas pessoas idosas experimentando essa nova proposta de vida conjugal com adequação e conscientização, amor e afeto, aproveitando ao máximo seu “anos dourados”, dedicando-se juntos ao crescimento dos netos.

Missão cumprida

No início deste artigo contei que quando o inverno chegava com a neve, eu me divertia esquiando, com toda a energia de uma criança. Mas os anos passaram e agora estou vivendo a sétima e última fase da minha vida e do meu casamento com a minha querida esposa, Judith. Porém, meus 74 anos de idade não me impedem de sonhar e colocar minha esperança e o que resta da minha energia no ministério. Estamos atentos, na expectativa, aguardando o que Deus vai nos propor em relação a isso.
Olho para trás e penso em tudo o que vivi ao lado de minha esposa, minhas filhas, meus amigos e no meu ministério e sinto-me feliz. Quero continuar assim até o dia em que o Senhor nos chamar, eu e Judith, e nos “promover” para viver junto d’Ele.
Realmente não tenho mais a energia daquele menino que se acabava de tanto brincar, descendo a montanha em alta velocidade, destemido, num skate rudimentar, mas muito resistente, que meu pai fez para mim. Ainda me sinto animado e forte para viajar pelo Brasil e ensinar 200, 300 adolescentes e jovens sobre namoro, noivado, casamento e sexo.
 

Alguns segredos

Quero finalizar dizendo que cada fase do casamento e da vida familiar necessita de alguns fatores essenciais para sua estabilidade e harmonia:
1. O amor entre os cônjuges precisa ser cultivado em cada fase do casamento;
2. O compromisso de fidelidade deve ser respeitado, não importa a tempestade que venha desabar sobre a relação;
3. As expectativas devem ser reais e plausíveis em cada fase;
4. É necessário haver uma visão bíblica, séria, prática e acordada entre ambos a respeito de finanças;
5. Uma vida sexual sem egoísmo, que realize os dois;
6. Uma comunicação aberta, autêntica e crescente;
7. Uma vida espiritual sólida em que ambos desenvolvam o hábito de compartilhar a Palavra de Deus e a prática da oração.

Oro para que, seja qual for a sua idade, sejam quais forem as circunstâncias que o rodeiam, seu passado ou situação atual, você se sinta encorajado a encarar a vida como um atraente desafio e tenha a capacidade e a determinação de viver e aproveitar cada fase dela e do seu casamento segundo a vontade de Deus. Só dessa maneira você poderá desfrutar verdadeiramente de tudo o que ela pode lhe oferecer.

 Edição 138
Maio . Junho | 2014

http://www.revistalarcristao.com.br/138_materia.html

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Uma resposta para Tudo tem seu tempo certo

  1. O Pastor Jaime Kemp foi muito feliz ao afirmar:
    “Cada família precisa aprender a desenvolver a arte de permanecer juntos amadurecer…e ajustar-se diante das circunstâncias”.

    Por que afirmo isto????

    Simplesmente porque nós somos únicos em nossa personalidade, características pessoais e carácter, que muitas vezes são conflitantes com as características de outras pessoas da família.

    Veja bem, eu não estou afirmando de relacionamentos com outras pessoas que nos relacionamos diariamente e que não são família, parente.

    É difícil para muitos conseguir juntar todos em um só momento para, por exemplo, comemorar algo.

    Isto não é utopia não. É a mais pura realidade.

    Eu, por exemplo, sou casado e pai de um casal de filhos que possuem seus respectivos conjugues e uma neta.

    Um mora em Brasília (DF), e o outro mora no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.
    A esposa está morando na Rua Tauá (nosso apartamento), localizado no Bairro Jardim 25 de Agosto em Duque de Caxias, e eu estou habitando no Centro de Duque de Caxias, principalmente por duas coisas:
    1ª)Higiene pessoal

    Apresento uma bexiga neurogênica, que é uma sequela do AVC sofrido em 2006. Esta sequela não é impeditiva das minhas atividades diárias no geral (https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/testemunho-de-conversao/), mas são restritivas, sendo o motivo principal, no meu entendimento, pelos quais os meus peritos me liberaram para o exercício de minhas atividades de nível médio em horário administrativo, como celetista, e estatutário à noite, no magistério estadual como professor de ensino médio, na área de química. Atualmente, estou atuando como extra-classe e professor articulador pedagógico, após a minha readaptação.

    Esta bexiga neurogênica faz que eu apresente uma diurese noturna. Por mais cuidados, atividades físicas nas academias a vários anos e natação contínua, ainda apresento diurese noturna, e mesmo usando duas plenitude activas e uma frauda geriátrica a noite, pela manhã preciso lavar a minha roupa íntima, short, sunga, e camiseta.

    Está melhorando e muito, mas só o nosso Deus sabe quando vai findar. O odor de ureia, pela manhã, torna necessário eu ser mais higiênico do que o normal. Outrossim, a região que habito é tropical, ou seja, apresenta temperaturas relativamente altas e preciso frequentemente me hidratar, devido a sudorese. Então, este equilíbrio entre a hidratação do corpo e a diurese diária ocorre gradativamente e não repentinamente.

    2º) Mobilidade.

    Próximo do apartamento, temos mercados, peixaria, abatedouro, farmácias e/ou drogarias, entre outras coisas.

    Outrossim, aqui tenho facilidade para o meu deslocamento diário para uma diversidade de atividades associados ao magistério estadual, eclesiástico como Presbítero da ADJ25A, atividades físicas e natação no SESI, além de minhas consultas periódicas nos meus médicos. Claro, usando os meios de transporte mais confortáveis e rápidos, como por exemplo, os táxis de cooperativas ou UBER, entre outras coisas.

    Logo, estar aqui no Centro é o melhor para o casal.

    Rose, compra todas as minhas roupas íntimas (Frauda geriátrica e Plenitud Active), entre outras coisas mais pesadas e de difícil transporte e eu pratico atividades físicas em academia e natação (atualmente pratico as mesmas no SESI, localizado no bairro da Pauliceia, em Duque de Caxias, RJ) frequentemente, além de usar um antidiurético antes de dormir.

    Apesar destas ações, ainda apresento a diurese noturna.
    Então, eu estou no tempo da paciência.

    Logo, no meu caso a distância entre todos exerce um efeito terapêutico. Por que nos amamos. Queremos o melhor um para o outro e com absoluta certeza oramos frequentemente uns pelos outros.

    Então a arte de permanecer juntos depende apenas de nós individualmente reconhecer-mos a nossa fragilidade, diferenças de carácter e nossas “picuinhas” e aprendermos a nos relacionar apesar das nossas diferenças, e quando afirmo “relacionar”, significa “suportar-mos uns aos outros, conversar, sentar juntos, formar roda para as refeições, na mesa. Parar, chorar um pouco perto do outro e acima de tudo, orar”.

    O Papai aqui esteve muito enfermo, e isto não nego.

    O Papai aqui, apesar de tudo, tem se esforçado e muito mais, orado diariamente pala esposa, filhos, genro, nora e agora neta. Obviamente que incluo também a minha mãe, octogenária e viúva de meu pai, visto que sou filho único.

    Amém.

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