Eleição e Predestinação

TEXTO ÁUREO

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4,5).

VERDADE PRÁTICA

Segundo a sua presciência, Deus elegeu e predestinou para a salvação os que creriam e perseverariam na fé em Cristo Jesus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Efésios 1.4-12.

4 — como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,

5 — e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

6 — para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.

7 — Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,

8 — que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência,

9 — descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,

10 — de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

11 — nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade,

12 — com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo;

OBJETIVO GERAL

Informar que Deus soube de antemão, por meio de sua presciência, quais pessoas creriam e que, em Cristo, seriam predestinadas a receber bênçãos espirituais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

  • I. Esclarecer a diferença bíblica entre eleição e predestinação;
  • II. Explicar como ocorreu a eleição divina desde antes à fundação do mundo;
  • III. Constatar que a predestinação bíblica retrata as bênçãos concedidas aos eleitos.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Eleição e predestinação são termos importantes no estudo sobre a doutrina da salvação. Por isso é preciso estudá-los detidamente a fim de apresentar uma aula com bom embasamento doutrinário no sentido de edificar a vida dos nossos alunos. A doutrina da Eleição em Cristo é gloriosa. Nele, fomos eleitos para a salvação e predestinados a desfrutar das mais ricas bênçãos espirituais. Que essa maravilhosa certeza seja uma verdade no coração dos nossos alunos. Que cresçamos mais no conhecimento da Palavra de Deus e na maturidade da fé.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

A eleição e a predestinação são termos importantes na compreensão da doutrina da salvação. Esses vocábulos ligados entre si elucidam o plano divino de salvar os pecadores. Nesta lição abordaremos os conceitos bíblicos e a interpretação pentecostal referente à eleição e à predestinação.

PONTO CENTRAL

A eleição é segundo a presciência de Deus.

I. ELEITOS PARA UMA VIDA SANTA E IRREPREENSÍVEL

A dádiva da eleição precede a nossa existência. Antes da fundação do mundo, Deus planejou salvar e capacitar para uma vida de santidade os que Ele elegeu de antemão.

1. A Eleição divina. 

Primeiramente, a eleição é um “ato soberano de Deus em graça”. Deus não tem a obrigação de escolher ninguém, visto que todos são igualmente pecadores, merecendo assim a condenação. Em segundo lugar[…], eleição é Cristocêntrica – “pelo qual escolheu em Jesus Cristo”. A eleição do indivíduo ocorre somente em união com Jesus Cristo pela fé. Não existe eleição fora de Cristo[…] a eleição contempla “aqueles que de antemão sabia que o aceitariam”. A compreensão da relação entre a eleição e a presciência de Deus é sumamente importante para o entendimento adequado da doutrina.

Essa conceituação fundamenta-se nas Escrituras Sagradas, e tal interpretação foi defendida por grandes parcelas dos Pais da Igreja e, no período da Reforma Protestante, foi sustentada por Jacó Armínio e boa parcela dos primeiros reformadores do século XVI. Mais tarde, em 1619, essa compreensão foi condenada pelos calvinistas por ocasião do Sínodo de Dort. E, apesar de a interpretação de Armínio ter sido ferozmente combatida pelo calvinismo, atualmente cerca de 80% dos evangélicos são de confissão soteriológica arminiana.

Eleição traz a ideia de escolha. Aos Efésios (1.4), Paulo menciona três aspectos dessa escolha: (1) Em quem fomos escolhidos? Em Jesus, por isso ela é Cristocêntrica; (2) Em que tempo se deu essa escolha? O tempo é dito como “antes da fundação do mundo”; (3) E qual a finalidade? Para que fôssemos “santos e irrepreensíveis”. Donald Stamps, editor da Bíblia de Estudos Pentecostal, afirma que a eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo e que ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé. O teólogo arminiano Henry Clarence Thiessen menciona três pontos importantes dessa doutrina bíblica da Eleição divina:

Esse entendimento da maioria dos cristãos também é a compreensão do pentecostalismo clássico. Além disso, o conceito de eleição entre os pentecostais “inclui previsão de Deus quanto aquilo que o homem irá fazer com a sua própria liberdade, mas depende, para sua realização, da graça soberana de Deus”. Nesse sentido, não há nenhum conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana. Outro detalhe a ser considerado na eleição é o seu aspecto corporativo, que inclui os indivíduos em associação com o corpo de Cristo, a Igreja. Eis a posição da Declaração de Fé das Assembleias de Deus: 

Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, antes da fundação do mundo [Ef [Ef 1:4], segundo a sua presciência [1ªPe 1.2; 2ªTs 2:13]. O Senhor estabeleceu um plano de salvação para toda a humanidade […] (Tt 1:2); pois essa é a sua vontade [1ªTm 2:3,4]. Assim como Deus não elegeu uma nação já existente, mas preferiu criar uma nova a partir do patriarca Abraão [Gn 12:2], o Senhor Jesus Cristo, da mesma forma, criou um novo povo formado por judeus e gentios (Ef 2:14[1ªCo 12:13]).

Esse enunciado atesta que a eleição é corporativa. Significa que e eleição em Cristo é, primeiramente coletiva, ou seja, trata-se da eleição de um povo, a igreja (1:4,5,7,9; 1ªPe 1:1; 2:9). Efésios menciona a eleição no plural: “nos elegeu”(1:4). Em toda a Epístola, os eleitos são tratados em conjunto: um corpo(1:23), um povo (2:14), uma família (2:19), um edifício (2:20_22) e a Igreja (3:10, 5:23ss). A Epístola assinala que Deus elegeu de antemão um conjunto de pessoas para a salvação, a Igreja. Nesse caso, “o foco da eleição não é o indivíduo, mas o grupo, o corpo, a Igreja, formada por todos aqueles que creram em Cristo e permanecerão até o fim”.

Desse modo ratifica-se que a eleição é corporativa (coletiva) e também cristocêntrica – pois somente é “eleito” quem estiver em Cristo. Esse também é o parecer de Donald Stamps, editor geral da Bíblia de Estudo Pentecostal: “[…] a eleição é coletiva e abrange o ser humano como indivíduo, somente à medida que este se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira”.

2. As condições da eleição. 

Bíblia de Estudo Pentecostal ensina que a eleição para a salvação em Cristo é oferecida a todos (Jo 3.16; 1ªTm 2.4-6), e torna-se uma realidade para cada pessoa de acordo com seu prévio arrependimento e fé (2.8; 3.17). Entretanto, esse meio não é meritório e ninguém pode cumpri-lo sem a graça de Deus. Desse modo, fomos eleitos por iniciativa divina por causa da graciosa Obra de Cristo e não pelas nossas obras (2.8-9).

A declaração arminiana afirma que “Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e por cada um dos homens, de modo que obteve reconciliação e remissão dos pecados por sua morte na cruz, porém, ninguém é realmente feito participante dessa remissão, exceto os crentes. Esse entendimento equivale a acreditar na revelação contida na Bíblia Sagrada, isto é, que Deus amou o mundo e enviou o seu filho “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus corrobora com esse ensino bíblico:

Por isso, o Pai enviou o seu amado filho Jesus Cristo [1ªJo 4:9] para morrer em nosso lugar [1ªCo 5:7], providenciando-nos uma salvação, eterna, completa e eficaz [Hb 5:9]. O evangelho contempla a todos e a ninguém exclui: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2:11). Por conseguinte a salvação está disponível a todos os que creem [Jo 3:15, 16]. Sim, todos nós, sem exceção, podemos ser salvos através dos méritos de Jesus Cristo, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus.

A doutrina calvinista, no entanto, discorda que Cristo morreu por todos. Para os seguidores de Calvino, “a expiação é limitada”, ou seja, Cristo morreu somente por alguns – apenas para os eleitos. Nessa visão, o sacrifício de Cristo é diminuído, e o calvário torna-se mera formalidade, uma vez que a salvação não está disponível a todos. A partir desse pressuposto, os calvinistas defendem que a eleição é “incondicional”. Conforme Calvino asseverou, significa acreditar que Deus elegeu uns para a salvação outros para a perdição.

Contrariando esse ensino calvinista, a Bíblia Sagrada apresenta cerca de 80 textos comprobatórios que apontam para a “expiação ilimitada” – a morte de Cristo em favor da salvação de todos os homens, e não somente para alguns (Is 53:6; Mt 11:28_30; 18:14; Jo 1:7;1:29; 3:16,17; 6:51; 12:47; Rm 3:23_24; 5:6; 5:15; 10:13; 1ªTm 2:3_6; 4:10; Tt 2:11; Hb 2:9; 2ªPe 3:9; 1ªJo 2:2; 4:14, etc.). Outro aspecto doutrinário refere-se ao ensino em que a eleição para a salvação é “condicional”, e não “incondicional”. Eleição condicional significa que Deus escolhe por meio das condições que ele próprio estabeleceu. Por isso, são eleitos somente aqueles que preenchem estas condições, e não de um modo arbitrário (incondicional). John Wesley (1703-1791), pregador anglicano, discordava do sistema calvinista, que transformava a eleição do Deus de amor em eleição de um Deus tirano e insensível para com os pecadores.

O ensino arminiano explica, como já dito, que “por meio da presciência divina, Deus sabe desde a eternidade, quais indivíduos creriam e perseverariam na fé, e a essas pessoas Deus elegeu”. Isso, portanto, não implica entender como calvino, ou seja, que Deus tenha elegido uns para a vida e outros para danação, porque segundo as Escrituras, Ele não quer “que alguns se percam, senão que todos venham arrepender-se” (2ªPe 3:9). Desse modo, ratifica-se que tanto a expiação ilimitada como a eleição condicional foram estabelecidas pelo próprio Deus.

Assim, a condição mais elementar para a salvação é estar em Cristo (Ef 1:1_4). Isso implica em ratificar que a eleição é cristocêntrica, isto é, ninguém é eleito sem estar unido a Cristo. A eleição torna-se uma realidade para cada pessoa consoante o seu prévio arrependimento e fé (2:8; 3:17). Entretanto esse meio não é meritório, e ninguém pode cumpri-lo sem a graça de Deus. Desse modo, fomos eleitos por iniciativa divina por causa da graciosa obra de Cristo, e não pelas nossas obras (2:8_9).

3. Vida Santa e irrepreensível. 

Paulo enfatiza que a eleição tem a finalidade específica de sermos “santos e irrepreensíveis diante dEle” (1.4). Nesse aspecto, o vocábulo grego hagios (santo) significa “separado do pecado” (1ªPe 1.15,16); o adjetivo grego amõmos (irrepreensível) expressa algo “sem defeito” ou “inculpável” (Fp 2.15). Os termos apontam para a santificação, isto é, o mais alto padrão ético e moral de vida para agradar a Deus, que nos elegeu em Cristo (5.1-3).

Nesse sentido, a eleição condicional (daqueles que atendem ao chamado divino) predestina (o destino desses escolhidos) para uma vida afastada do pecado e da conduta ilibada. O uso paulino dos termos “santo e irrepreensível” evidencia que as palavras mutuamente se correspondem e complementam-se. O ser santo denota um estado de pureza interior que reflete no ser irrepreensível – uma condição de pureza externa. O apóstolo reitera que fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (2:10 NAA).

Portanto, não se pode conceber que os salvos em Cristo ainda possam viver na prática do pecado (1ªJo 3:6; 5:18).

4. A nova vida dos eleitos. 

O tema é apresentado com exortações contra a velha conduta, tais como: mentira, furto, palavras torpes, amargura, ira e cólera (4.22,25, 28,29,31). E ainda severas advertências contra a fornicação, impureza, avareza e embriaguez (5.3,15,18). A finalidade é apresentar a Deus uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga… mas santa e irrepreensível” (5.27). Não obstante, somente o Espírito Santo capacita o crente para esse novo estilo de vida (Gl 5.22-25). Trata-se, portanto, de um processo contínuo de santificação até a glorificação final no dia de Cristo (2ªCo 3.18).

Nessa nova vida, segundo a Revelação das Escrituras, o crente salvo deve pautar as suas atitudes segundo a moral bíblica, baseada na integridade, e não de acordo com o contexto social em que se está inserido. Foi nesse diapasão que Paulo apresentou o primeiro contraste entre a nova e a velha vida: “Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo” (4:25). Esse ponto é nevrálgico para o autentico cristão que sempre dirá a verdade, ainda que a mentira possa trazer-lhe alguma vantagem pessoal ou favorecer a coletividade.

Na sequência de orientações para o viver em Cristo, Paulo faz severas advertências contra a prostituição, a impureza, a avareza e a embriaguez (5:3,15,18). O propósito é apresentar a Deus uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga[…], mas santa e irrepreensível” (5:27). Não obstante, ratifica-se que somente o Espírito Santo capacita o crente para esse viver (Gl 5:16_25). Trata-se de um processo contínuo até a glorificação final no dia de Cristo (2ªCo 3:18).

Desse modo, um crente fiel não só deve fazer a diferença, como também o seu comportamento deve ser referencial para a sociedade, como resultado, velhos hábitos são abandonados, condutas reprováveis são descartadas,, e nítidas mudanças comportamentais são percebidas. Assim, aqueles que desenvolvem “a nova natureza de Cristo adquirem caráter que não somente perdura, como também transforma”.

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

A eleição ocorre por iniciativa do próprio Deus, por causa da Obra de Cristo, sem mérito humano.

SUBSÍDIO DIDÁTICO—PEDAGÓGICO

O que é Eleição? Quais as condições da eleição bíblica? O que se espera da nova vida dos eleitos? A necessidade de se ter uma vida santa e irrepreensível é um dos propósitos da eleição? Essas são algumas perguntas que você pode fazer para introduzir a lição, mais especificamente, o primeiro tópico. O tema desta lição é muito importante para uma compreensão bíblica adequada acerca do desdobramento do milagre da salvação na vida do crente. Por isso, prepara-se para essa aula e, com o auxílio das perguntas anteriores, estimule a classe a refletir sobre a importância do assunto. Deixe claro que Deus nos elegeu em Cristo para a salvação, bem como para viver uma vida santa e irrepreensível.

II. PREDESTINADOS PARA FILHOS DE ADOÇÃO

A palavra “predestinar” mostra que o destino dos eleitos foi feito na eternidade.

1. A predestinação

O termo grego proorizõ , traduzido como predestinação (1.5a), é formado pelo vocábulo oridzõ que significa “determinar” e pela preposição pro que indica algo feito “antes”, ou seja, predestinar significa literalmente “determinar antes”. A Bíblia de Estudo Pentecostal esclarece que a predestinação se aplica aos propósitos de Deus inclusos na eleição. Que a eleição é a escolha feita por Deus, “em Cristo”, de um povo para si mesmo (1.4), e que a predestinação abrange o que acontecerá ao povo escolhido por Deus (1.5). Por conseguinte, nossa Declaração de Fé ensina que a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que diante do chamamento do Evangelho recebem a Cristo como seu Salvador pessoal e perseveram até o fim (Rm 8.29,30). Logo, foi vontade de Deus reconciliar os pecadores e torná-los seus filhos (1.5b).

Esse conceito ratifica que a predestinação não se refere à escolha de alguns para a salvação e de outros para a perdição. Não significa que Deus predestinou alguns para amá-lo e outros para desprezá-lo, ou, na melhor das hipóteses a ser indiferente à Ele. O ensino onde Deus aleatoriamente salva uns e condena os demais não é coerente com o testemunho bíblico. Nas escrituras, a salvação – com já enfatizado – é um chamado universal a toda humanidade (Is 45:21ss; Jo 7:37ss; Ap 22:17).

Não se trata de uma dádiva concedida arbitrariamente para alguns e negada para outros. A salvação é uma benção disponível a todos que cumprirem a condição de crer em Cristo (Mc 16:16; Jo 17:20; Rm 9:33; 10:11; Fp 1:29; 1ªTm 1:16; 1ªPe 2:6). Isso indica que Cristo morreu por todos e por cada um, todavia nem todos serão salvos, não por um ato arbitrário de Deus, mas por não preencherem as condições divinamente estabelecidas. Deus concedeu ao ser humano o livre-arbítrio; logo a oferta da salvação pode ser recusada (Jo 7:16,17).

Apesar de sobejarem textos bíblicos acerca dessa verdade, João Calvino, em uma interpretação particular em sua obra A Instituição da Religião Cristã – conhecida também como Institutas – define predestinação de forma absolutamente determinista:

Chamamos predestinação ao decreto eterno de Deus pelo qual determinou o que fazer de cada um dos homens. Porque Ele não os cria com a mesma condição, mas antes ordena a uns para a vida eterna, e a outros, para a condenação perpétua. Portanto, segundo o fim para o qual o homem é criado, dizemos que está predestinado à vida ou à morte.

Na Bíblia Sagrada, ao contrário da teologia de Calvino, a pré-destinação não abrange a condenação eterna de ninguém (2ªPe 3:9). Conquanto eleição e predestinação sejam intrinsecamente ligadas, elas não são a mesma coisa. Outro equívoco da teologia determinista é tratara predestinação como sendo dupla, isto é, tendo dois lados: a salvação e a condenação. Reiteramos que a Bíblia somente se refere a predestinação em relação aos salvos em Cristo. Conforme assevera Donald Stamps, “a predestinação abrange o que acontecerá ao povo de Deus – todos os crentes genuínos em Cristo.

Na eleição, Deus definiu como condição o crer em Cristo (eleição condicional); já na predestinação, Deus planejou o destino e as benesses dos crentes em Cristo que atenderam o chamado divino. No plano divino, a predestinação dos escolhidos, dentre outros, possui três objetivos específicos: (1)Serem filhos por adoção em Jesus Cristo; (2)Serem herdeiros com Cristo (1:11); e (3)Serem conforme a imagem de Cristo(Rm 8:29).

2. Filhos por adoção. 

Paulo é o único escritor do Novo Testamento que emprega o termo “adoção” (Rm 8.15,23; 9.4; Gl 4.5; Ef 1.5). Essa prática não fazia parte do sistema legal judaico, mas era comum entre os romanos e perfeitamente conhecida entre os gregos. Assim, o apóstolo enfatiza que foi agradável a Deus inserir, no plano da salvação, a adoção dos eleitos como filhos “segundo o beneplácito da sua vontade” (1.5b). Ele ainda assinala que o amor foi o que moveu o Pai a nos adotar (2.4,5). Se noutro tempo éramos estranhos e inimigos de Deus, agora estamos reconciliados com Ele em Cristo e somos Seus filhos (Cl 1.21; Rm 8.17). Essa posição nos é imerecida, contudo, aprouve ao Pai fazê-la assim (Mt 11.26). Nessa perspectiva, Mathew Henry apresenta a seguinte compreensão:

A predestinação se refere às bençãos para as quais estão destinados [os eleitos], especialmente a benção que nos predestinou para filhos de adoção. Era o propósito de Deus que no devido tempo chegássemos a ser seus filhos adotivos, e dessa forma tivéssemos o direito a todos os privilégios e à herança de filhos […]. O que enaltece essas bençãos é o fato de serem produto do desígnio eterno.

3. Os privilégios da adoção. 

Deus criou o ser humano para estar em comunhão com Ele, mas o pecado rompeu com essa dádiva (Gn 1.26; 3.23,24). Entretanto, em Cristo, o Pai reconciliou-se com os homens, adotando os escolhidos (1.5). Nesse sentido, o apóstolo Paulo usa uma analogia da adoção na sociedade romana, em que o filho adotado recebia o direito ao nome e aos bens de quem o adotava. Igualmente, na filiação divina, Deus predestinou as bênçãos de um novo nome e de uma nova imagem — a imagem de Cristo — aos eleitos (Rm 8.29; Ap 2.17). Então, Deus concede a redenção e a remissão de pecados (1.7,8) e restabelece a comunhão com o pecador, dando-lhe o direito de clamar “Aba, Pai” (Gl 4.6), isto é, o direito de ter intimidade com o Pai. Isso significa que passamos a ser herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm 8.17), das promessas a Abraão (Gl 3.29) e da vida eterna (Ef 3.6; Tt 3.7). Tendo sido aceitos por Deus, fomos transformados em filhos para Seu louvor e glória (1.6).

Aprofundando a comparação com a adoção civil, os adotados em Cristo tornam-se “povo de propriedade exclusiva de Deus” (1ªPe 2:9, ARA), eleitos segundo a presciência de Deus Pai para a obediência a Cristo (Rm 6:16; 16:26; 2ªCo 10:5; 1ªPe 1:2). Prosseguindo nessa simetria, Deus predestinou os eleitos às bençãos de um novo nome e uma nova imagem – a imagem de Cristo (Rm 8:29; Ap 2:17). A redenção e a remissão de pecados são concedidas (1:7,8), e a comunhão é restabelecida com a intimidade de clamar “Aba, Pai” (Gl 4:6). Passamos a ser herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm 8:17) das promessas a Abraão (Gl 3:29) e da vida eterna (Tt 3:7; Ef 3:6). E, tendo sido aceitos por Deus, fomos transformados em filhos para o seu louvor e glória (Ef 1:6. Nesse aspecto, a abrangência da filiação tem uma dimensão simultaneamente presente e futura:

Essa maravilhosa filiação em Cristo, bem como os benefícios que dela advém, já pode ser desfrutada no tempo presente e será plena por ocasião da segunda vinda do Senhor. A condição para fazer parte desse glorioso evento é estar em Cristo. A filiação também abrange deveres com o Pai e com a família de Cristo – Igreja (Hb 12:7_16).

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Em seus decretos eternos, Deus predestinou os eleitos em Cristo a serem filhos por adoção e herdeiros de todas as bênçãos espirituais.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A predestinação genuinamente bíblica diz respeito apenas à salvação, sendo condicionada à fé em Cristo Jesus, estando relacionada à presciência de Deus. Portanto, a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que, diante do chamamento do Evangelho, recebem a Cristo como o seu Salvador Pessoal e perseveram até o fim. A predestinação do crente leva-o a ser conforme a imagem de Cristo; assim sendo, todos somos exortados a perseverar até o fim: ‘aquele que perseverar até ao fim será salvo’ (Mt 24.13). A graça divina tanto salva quanto nos preserva a alma neste mundo corrupto e corruptor. A fé antecede a regeneração: ‘Porque pela graça sois salvos por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus’ (Ef 2.8); ‘Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado’ (Mc 16.16); ‘Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo’” (SOARES, Ezequias (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017, pp.110,111).

III. A SUBLIMIDADE DO PROPÓSITO DIVINO NA PREDESTINAÇÃO

A excelência da predestinação está na provisão de bênçãos espirituais aos eleitos pela vontade divina em Cristo e por seu incalculável amor.

1. Predestinação e salvação. 

O Soberano Deus não predestinou incondicionalmente pessoa alguma à condenação eterna, mas deseja que todos se arrependam e convertam-se de seus maus caminhos (At 17.30). Nas seis vezes que a palavra aparece no Novo Testamento (At 4.28; Rm 8.29,30; 1ªCo 2.7; Ef 1.5,11), nenhuma delas faz referência a condenação de pecadores. Portanto, não houve uma dupla predestinação em que Deus decretou e escolheu que uns vão para o céu e outros para o inferno. Nossa Declaração de Fé assevera que a predestinação bíblica diz respeito apenas à salvação, sendo condicionada ao arrependimento e à fé em Cristo Jesus segundo a presciência divina (1.4,5; 1ªPe 1.2). John Wesley, na sua obra Predestinação Calmamente Considerada, faz objeção à idéia de Calvino da predestinação arbitrária de alguns para a perdição:

A respeito daquele que, sendo capaz de livrar milhões da morte apenas com um sopro de sua boca, se recusasse a salvar mais do que um dentre cem e dissesse: “Eu não faço porque não o quero”, como exaltaremos a misericórdia de Deus se lhe atribuirmos tal procedimento?

Como Deus pode ser considerado um justo juiz se Ele condena o réu previamente? Como pode ser considerado benigno se Ele julga com parcialidade, permitindo que pelo mesmo erro, uns sejam absolvidos e outros condenados? Dessarte, se existe uma predestinação para condenação, então de que adianta a pregação? Nesse sistema, os que não são escolhidos estão fadados à danação, quer a Palavra seja pregada, quer não. A única resposta plausível, em conformidade com os atributos divinos, está em perceber o equívoco na interpretação de João Calvino e considerar a presença de equidade e igualdade no julgamento dos pecadores.

Por conseguinte – novamente – , reafirmamos pedagogicamente que predestinação não pode ser considerada dupla, isto é, não está relacionada com a condenação, mas diz somente respeito àqueles que são salvos, sendo condicionada à fé em Cristo Jesus e a presciência divina (1:4,5; 1ªPe 1:2). Essa interpretação está assim expressa no Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento: “A questão da predestinação não significa Deus decidindo antecipadamente quem será salvo ou não, mas decidindo antecipadamente o que planeja que os eleitos, em Cristo, sejam ou venham a ser”. Esse também é o parecer da Declaração de Fé das Assembleias de Deus:

O Soberano Deus não predestinou incondicionalmente pessoa alguma à condenação eterna, mas, sim, almeja que todos, arrependendo-se, convertam-se dos seus maus caminhos: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17:30). predestinação genuinamente bíblica diz respeito apenas à salvação […] A predestinação do crente leva-o a ser conforme à imagem de Cristo (Rm 8:29_30), assim sendo somos todos exortados a perseverar até o fim: “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24:13).

Diante dessas exaustivas citações e reiteradas afirmações quanto ao conceito bíblico da eleição e da predestinação, os salvos em Cristo devem resistir e fazer objeção a qualquer ensino contrário à revelação contida nas Escrituras Sagradas. Os dogmas elaborados pelo pensamento humano não podem sobrepor-se, em hipótese alguma, à autoridade da Palavra de Deus.

2. Predestinação e o amor. 

Antes de Deus criar qualquer coisa, o seu plano de redimir a humanidade e de definir o destino dos crentes estava estabelecido (1.4,5). Por conseguinte, a Bíblia mostra que a redenção divina não foi uma medida de emergência; ao contrário, era o plano imutável do amor de Deus desde sempre (2ªTs 2.13; 2ªTm 1.9). Aqui consiste a sublimidade dos propósitos eternos em prover a salvação: o amor de Deus (Jo 3.16, 1ªJo 4.10,19). Foi por amor que Ele nos elegeu e nos predestinou em Cristo (Rm 8.29, Ef 1.4,5). Isso implica dizer que a salvação, como “favor imerecido”, provém do amor de Deus (2.4,8). Não obstante, os que se achegam a Cristo não são coagidos, mas atraídos a Ele (Jo 12.32).

Acerca desse amor presente tanto na eleição quanto na predestinação, o Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal registra o seguinte:

A generosidade de Deus para conosco é concretizada pela nossa união com o seu muito amado Filho. Podemos dizer que o amor de Deus por seu único Filho o motivou a ter muito mais filhos – cada um dos quais seria igual a seu Filho (Rm 8:28_30) por estarem em seu Filho e por serem moldados à sua imagem.

Foi por amor que fomos eleitos por Deus e predestinados em Cristo (Rm 8:29; Ef 1:4,5). Isso implica dizer que o “favor imerecido”, a fé necessária para crer e o uso do livre-arbítrio para responder ao chamado, tudo isso provém do amor de Deus (2:4,8). Não obstante, os que se achegam a Cristo não são coagidos, mas atraídos a Ele (Jo 12:32).

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

A predestinação não se refere à condenação, mas a salvação de pecadores. O ato de prover a salvação está diretamente relacionado ao amor de Deus.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“O verbo ‘predestinar’ ( proorizo ) ocorre seis vezes no Novo Testamento, uma vez em Atos (4.28) e nas outras cartas de Paulo (Rm 8.29,30; 1ªCo 2.7; Ef 1.5,11). Esse verbo significa ‘decidir antecipadamente’ e se aplica ao propósito de Deus compreendido pela eleição. A eleição é Deus escolhendo ‘em Cristo’ um povo para si mesmo, e a predestinação diz respeito ao que Deus planejou, antecipadamente, fazer com aqueles que foram escolhidos. Dessa forma, a questão da predestinação não significa Deus decidindo antecipadamente quem será salvo ou não, mas decidindo antecipadamente o que planeja que os eleitos, em Cristo, sejam ou venham a ser. Deus predestinou como os eleitos (isto é, aqueles que estão sendo salvos em Cristo) deveriam ser: em primeiro lugar, conforme a semelhança de seu Filho (Rm 8.29) e em seguida serem chamados (8.30), justificados (8.30), glorificados (8.30), santos e irrepreensíveis (Ef 1.4), adotados como seus filhos (1.5), redimidos (1.7), para o louvor de sua glória (1.11,12), aqueles que receberiam o Espírito Santo (1.13), destinatários de uma herança (1.14) e serem criados para realizar as boas obras (2.10)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Volume 2. RJ: CPAD, 2017, pp.396,397).

CONCLUSÃO

Cristo morreu por todos e por cada um dos pecadores. Desde a eternidade, segundo a sua presciência, em Cristo, Deus elegeu e predestinou os que creriam e perseverariam na fé a viver em santidade, receber a filiação divina e a desfrutar de todas as bênçãos espirituais divinamente estipuladas.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

ELEIÇÃO E PREDESTINAÇÃO

Nesta semana, estudaremos sobre a Eleição e a Predestinação. Veremos que, em Cristo, fomos eleitos para a salvação e predestinados a desfrutar das bênçãos espirituais preparadas por Deus aos eleitos em Cristo. Nesse sentido, a lição tem o objetivo geral de informar que Deus soube de antemão, por meio de Sua presciência, quais pessoas creriam e que, em Cristo, seriam predestinadas a receberem essas bênçãos. Nesse aspecto, você deve trabalhar pontos bem específicos: (1) esclarecer a diferença entre eleição e predestinação; (2) explicar como ocorreu a eleição divina desde antes da fundação do mundo; (3) constatar que a predestinação bíblica retrata as bênçãos concedidas aos eleitos. Basicamente, esses são os assuntos que permearão a lição.

Resumo da lição

Toda lição culminará para mostrar que a eleição é segundo a presciência divina. Esse é o ponto central do assunto. Sendo isso em mente, você desenvolverá o primeiro tópico mostrando que a eleição para a salvação ocorreu por iniciativa de Deus em Cristo Jesus e não por causa da obra humana. Nesse sentido, nós destacamos aqui o amor de Deus pelo pecador.

Distinguindo a eleição da predestinação, no segundo tópico você deve desenvolver o conceito de predestinação mostrando que o Altíssimo predestinou os eleitos para serem filhos por adoção, serem feitos à imagem de Cristo e serem herdeiros das bênçãos espirituais. Aqui, deve fi car claro que na Bíblia não existe a ideia de uma dupla predestinação, onde Deus decretaria que uns fossem para o céu e outros para o inferno.

Logo, se a predestinação não se refere à condenação eterna, o terceiro tópico reafirma essa verdade mostrando que ela está ligada diretamente à salvação e que esse ato está diretamente ligado ao amor de Deus.

Uma dica importante

Os termos “eleição” e “predestinação” são importantíssimos para serem bem dominados a fim de que você tenha segurança quando for expor a lição. Por isso, sugerimos algumas obras para a sua consulta e preparo: (1) Bíblia de Estudo Pentecostal; (2) livro “Arminianismo Puro e Simples”; (3) livro “Arminianismo — A Mecânica da Salvação”; (4) obra “Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal”; (5) e o “Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento”. Essas obras são editadas pela CPAD. Portanto, prepare-se bem.

Lições Bíblicas CPAD – 2º Trimestre de 2020 – Adultos – A Igreja Eleita – Redimida pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa

Livro de Apoio das Lições Bíblicas CPAD – 2º Trimestre de 2020 – Adultos – A Igreja Eleita – Redimida pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa

https://www.facebook.com/adj25aa/videos/3503751252974804/

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