História, raio X da Escola Bíblica Dominical (EBD) no Brasil e no Mundo e Escola Dominical encontra-se em declínio no Brasil”, alerta pastor Renato Vargens

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Ao mestre, com carinho: “… Se é ensinar haja dedicação ao ensino” – Rm 12.7

História

A minúscula semente de mostarda que se transformou numa grande árvore

Por Ruth Doris Lemos

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Sentado a sua mesa de trabalho num domingo em outubro de 1780 o dedicado jornalista Robert Raikes procurava concentrar-se sobre o editorial que escrevia para o jornal de Gloucester, de propriedade de seu pai. Foi difícil para ele fixar a sua atenção sobre o que estava escrevendo, pois os gritos e palavrões das crianças que brincavam na rua, debaixo da sua janela, interrompiam constantemente os seus pensamentos. Quando as brigas tornaram-se acaloradas e as ameaças agressivas, Raikes julgou ser necessário ir à janela e protestar o comportamento das crianças. Todos se acalmaram por poucos minutos, mas logo voltaram às suas brigas e gritos.

Robert Raikes contemplou o quadro em sua frente; enquanto escrevia mais um editorial pedindo reforma no sistema carcerário. Ele conclamava as autoridades sobre a necessidade de recuperar os encarcerados, reabilitando-os através de estudo, cursos, aulas e algo útil enquanto cumpriam suas penas, para que ao saírem da prisão pudessem achar empregos honestos e tornarem-se cidadãos de valor na comunidade. Levantando seus olhos por um momento, começou a pensar sobre o destino das crianças de rua; pequeninos sendo criados sem qualquer estudo que pudesse lhes dar um futuro diferente daquele dos seus pais. Se continuassem dessa maneira, muitos certamente entrariam no caminho do vício, da violência e do crime.

ed02A cidade de Gloucester, no Centro-Oeste da Inglaterra, era um polo industrial com grandes fábricas de têxteis. Raikes sabia que as crianças trabalhavam nas fábricas ao lado dos seus pais, de sol a sol, seis dias por semana. Enquanto os pais descansavam no domingo, do trabalho árduo da semana, as crianças ficavam abandonadas nas ruas buscando seus próprios interesses. Tomavam conta das ruas e praças, brincando, brigando, perturbando o silêncio do sagrado domingo com seu barulho. Naquele tempo não havia escolas públicas na Inglaterra, apenas escolas particulares, privilégio das classes mais abastadas que podiam pagar os custos altos. Assim, as crianças pobres ficaram sem estudar; trabalhando todos os dias nas fábricas, menos aos domingos.

Raikes sentiu-se atribulado no seu espírito ao ver tantas crianças desafortunadas crescendo desta maneira; sem dúvida, ao atingir a maioridade, muitas delas cairiam no mundo do crime. O que ele poderia fazer?

Por um futuro melhor

Sentado a sua mesa, e meditando sobre esta situação, um plano nasceu na sua mente. Ele resolveu fazer algo para as crianças pobres, que pudesse mudar seu viver, e garantir-lhes um futuro melhor! Pondo ao lado seu editorial sobre reformas nas prisões, ele começou a escrever sobre as crianças pobres que trabalhavam nas fábricas, sem oportunidade para estudar e se preparar para uma vida melhor. Quanto mais ele escrevia, mais sentia-se empolgado com seu plano de ajudar as crianças. Ele resolveu neste primeiro editorial somente chamar atenção à condição deplorável dos pequeninos, e no próximo ele apresentaria uma solução que estava tomando forma na sua mente.

Quando leram seu editorial, houve alguns que sentiram pena das crianças, outros que acharam que o jornal deveria se preocupar com assuntos mais importantes do que crianças, sobretudo, filhos dos operários pobres! Mas Robert Raikes tinha um sonho e este estava enchendo seu coração e seus pensamentos cada vez mais! No editorial seguinte, expôs seu plano de começar aulas de alfabetização, linguagem, gramática, matemática, e religião para as crianças, durante algumas horas de domingo. Fez um apelo, através do jornal, para mulheres com preparo intelectual e dispostas a ajudar-lhes neste projeto, dando aulas nos seus lares. Dias depois um sacerdote anglicano indicou professoras da sua paróquia para o trabalho.

O entusiasmo das crianças era comovente e contagiante. Algumas não aceitaram trocar a sua liberdade de domingo, por ficar sentadas na sala de aula, mas eventualmente todos estavam aprendendo a ler, escrever e fazer as somas de aritmética. As histórias e lições bíblicas eram os momentos mais esperados e gostosos de todo o currículo. Em pouco tempo, as crianças aprenderam não somente da Bíblia, mas lições de moral, ética, e educação religiosa. Era uma verdadeira educação cristã.

Robert Raikes, este grande homem de visão humanitária, não somente fazia campanhas através de seu jornal para angariar doações de material escolar, mas também agasalhos, roupas, sapatos para as crianças pobres, bem como mantimentos para preparar-lhes um bom almoço aos domingos. Ele foi visto frequentemente acompanhado de seu fiel servo, andando sob a neve, com sua lanterna nas noites frias de inverno. Raikes fazia isto nos redutos mais pobres da cidade para levar agasalho e alimento para crianças de rua que morreriam de frio se ninguém cuidasse delas; conduzindo-as para sua casa, até encontrar um lar para elas.

As crianças se reuniam nas praças, ruas e em casas particulares. Robert Raikes pagava um pequeno salário às professoras que necessitavam, outras pagavam suas despesas do seu próprio bolso. Havia, também, algumas pessoas altruístas da cidade, que contribuíam para este nobre esforço.

Movimento mundial

ed04No começo Raikes encontrou resistência ao seu trabalho, entre aqueles que ele menos esperava – os líderes das igrejas. Achavam que ele estava profanando o domingo sagrado e profanando as suas igrejas com as crianças ainda não comportadas. Havia nestas alturas algumas igrejas que estavam abrindo as suas portas para classes bíblicas dominicais, vendo o efeito salutar que estas tinham sobre as crianças e jovens da cidade. Grandes homens da igreja, tais como João Wesley, o fundador do metodismo, logo ingressaram entusiasticamente na obra de Raikes, julgando-a ser um dos trabalhos mais eficientes para o ensino da Bíblia.

As classes bíblicas começaram a se propagar rapidamente por cidades vizinhas e, finalmente, para todo o país. Quatro anos após a fundação, a Escola Dominical já tinha mais de 250 mil alunos, e quando Robert Raikes faleceu em 1811, já havia na Escola Dominical 400 mil alunos matriculados.

A primeira Associação da Escola Dominical foi fundada na Inglaterra em 1785, e no mesmo ano, a União das Escolas Dominicais foi fundada nos Estados Unidos. Embora o trabalho tivesse começado em 1780, a organização da Escola Dominical em caráter permanente, data de 1782. No dia 3 de novembro de 1783 é celebrada a data de fundação da Escola Dominical. Entre as igrejas protestantes, a Metodista se destaca como a pioneira da obra de educação religiosa. Em grande parte, esta visão se deve ao seu dinâmico fundador João Wesley, que viu o potencial espiritual da Escola Dominical e logo a incorporou ao grande movimento sob sua liderança.

A Escola Bíblica Dominical surgiu no Brasil em 1855, em Petrópolis (RJ). O jovem casal de missionários escoceses, Robert e Sarah Kalley, chegou ao Brasil naquele ano e logo instalou uma escola para ensinar a Bíblia para as crianças e jovens daquela região. A primeira aula foi realizada no domingo, 19 de agosto de 1855. Somente cinco participaram, mas Sarah, contente com “pequenos começos”, contou a história de Jonas, mais com gestos,do que palavras, porque estava só começando a aprender o português. Ela viu tantas crianças pelas ruas que seu coração almejava ganhá-las para Jesus. A semente do Evangelho foi plantada em solo fértil.

Com o passar do tempo, aumentou tanto o número de pessoas estudando a Bíblia, que o missionário Kalley iniciou aulas para jovens e adultos. Vendo o crescimento, os Kalleys resolveram mudar para o Rio de Janeiro, para dar uma continuidade melhor ao trabalho e aumentar o alcance do mesmo. Este humilde começo de aulas bíblicas dominicais deu início à Igreja Evangélica Congregacional no Brasil.

No mundo há muitas coisas que pessoas sinceras e humanitárias fazem sem pensar ou imaginar a extensão de influência que seus atos podem ter. Certamente, Robert Raikes nunca imaginou que as simples aulas que ele começou entre crianças pobres e analfabetas da sua cidade, no interior da Inglaterra, iriam crescer para ser um grande movimento mundial. Hoje, a Escola Dominical conta com mais de 60 milhões de alunos matriculados, em mais de 500 mil igrejas protestantes no mundo. É a minúscula semente de mostarda plantada e regada, que cresceu para ser uma grande árvore cujos galhos estendem-se ao redor do globo.

Ruth Dorris Lemos é missionária norte-americana em atividade no Brasil, jornalista, professora de Teologia e uma das fundadoras do Instituto Bíblico da Assembleia de Deus (IBAD), em Pindamonhangaba (SP)

A CPAD e a Escola Dominical

ed05A CPAD tem uma trajetória marcante na Escola Dominical das igrejas brasileiras. As primeiras revistas começaram a ser publicadas em forma de suplemento do primeiro periódico das Assembleias de Deus – jornal Boa Semente, que circulou em Belém, Pará, no início da década de 20. O suplemento era denominado Estudos Dominicais, escritos pelo missionário Samuel Nystrom, pastor sueco de vasta cultura bíblica e secular, e com lições da Escola Dominical em forma de esboços, para três meses. Em 1930, na primeira convenção geral das Assembleias de Deus realizada em Natal (RN) deu-se a fusão do jornal Boa Semente com um outro similar que era publicado pela igreja do Rio de Janeiro, O Som Alegre, originando o MENSAGEIRO DA PAZ. Nessa ocasião (1930) foi lançada no Rio de Janeiro a revista Lições Bíblicas para as Escolas Dominicais. Seu primeiro comentador e editor foi o missionário Samuel Nystrom e depois o missionário Nils Kastberg.

Nos seus primeiros tempos a revista Lições Bíblicas era trimestral e depois passou a ser semestral. As razões disso não eram apenas os parcos recursos financeiros, mas principalmente a morosidade e a escassez de transporte de cargas, que naquele tempo era todo marítimo e somente costeiro; ao longo do litoral. A revista levava muito tempo para alcançar os pontos distantes do país. Com a melhora dos transportes a revista passou a ser trimestral.

Na década de 50 o avanço da CPAD foi considerável. A revista Lições Bíblicas passou a ter como comentadores homens de Deus como Eurico Bergstén, N. Lawrence Olson, João de Oliveira, José Menezes e Orlando Boyer. Seus ensinos seguros e conservadores, extraídos da Bíblia, forjaram toda uma geração de novos crentes. Disso resultou também uma grande colheita de obreiros para a seara do Mestre.

ed06As primeiras revistas para as crianças só vieram a surgir na década de 40, na gestão do jornalista e escritor Emílio Conde, como editor e redator da CPAD. A revista, escrita pelas professoras Nair Soares e Cacilda de Brito, era o primeiro esforço da CPAD para melhor alcançar a população infantil das nossas igrejas. Tempos depois, o grande entusiasta e promotor

Usava-se o texto bíblico e o comentário das Lições Bíblicas (jovens e adultos) para todas as idades. Muitos pastores, professores e alunos da Escola Dominical reclamavam das dificuldades insuperáveis de ensinar assuntos sumamente difíceis, impróprios e até inconvenientes para os pequeninos.da Escola Dominical entre nós, pastor José Pimentel de Carvalho, criou e lançou pela CPAD uma nova revista infantil, a Minha Revistinha , que por falta de apoio, de recursos, de pessoal, e de máquinas apropriadas, teve vida efêmera.

ed07Na década de 70 acentuava-se mais e mais a necessidade de novas revistas para a Escola Dominical, graduadas conforme as diversas faixas de idade de seus alunos. Isto acontecia, principalmente, à medida que o CAPED (Curso de Aperfeiçoamento de Professores da Escola Dominical), lançado pela CPAD em 1974, percorria o Brasil.

Foi assim que, também em 1974, com a criação do Departamento de Escola Dominical (atual Setor de Educação Cristã), começa-se a planejar e elaborar os diversos currículos bíblicos para todas as faixas etárias, bem como suas respectivas revistas para aluno e professor, e também os recursos visuais para as idades mais baixas.

ed08O plano delineado em 1974 e lançado na gestão do pastor Antônio Gilberto, no Departamento de Escola Dominical, foi reformulado e relançado em 1994 na gestão do irmão Ronaldo Rodrigues, Diretor Executivo da CPAD, de fato, só foi consumado em 1994, depois que todo o currículo sofreu redirecionamento tendo sido criadas novas revistas como as da faixa dos 15 a 17 anos e as do Discipulado para novos convertidos, desenhados novos visuais, aumentado a quantidade de páginas das revistas de alunos e mestres e criado novo padrão gráfico-visual de capas e embalagem dos visuais.

Após duas edições das revistas e currículos (1994 a 1996 e 1997 a 1999), a CPAD apresentou em 2000, uma nova edição com grandes novidades nas áreas pedagógicas, gráficas e visuais.

ed09Depois desse período, em 2007, a Editora lançou um novo currículo fundamentado nas concepções e pressupostos da Didática, Pedagogia e Psicologia Educacional. Após sete anos, a CPAD, sempre em fase de crescimento, inovou mais uma vez. Em comemoração pelos 75 anos de existência, a Casa lançou mais uma nova edição para a Escola Dominical que começou a ser utilizado no primeiro trimestre de 2015. A novidade surpreendeu até mesmo quem não conhecia o projeto. Antes, o currículo era dividido em dois segmentos: infanto-juvenil e adultos, depois dessa data ele ganhou mais um material exclusivo para o público jovem (a partir dos 18 anos): a revista Lições Bíblicas Jovens.

A importância da EBD

Hoje nas nossas igrejas temos muitos professores [as] nas EBD, inclusive, expresso aqui meu apreço e admiração destes que, voluntariamente se dispõem para este serviço tão necessário, e, acima de tudo, vital para que o novo e o velho convertido aprenda a “guardar todas as coisas…”[Mt 28.20] que Jesus Cristo e seus discípulos ensinaram. E a importância é de tal forma que é nela que os crentes são formatados como cristãos. É na EBD que o novo crente cresce espiritualmente, i.é., aprende: a Bíblia, a louvar, aprende as doutrinas, os atributos de Deus, sana todas as suas dúvidas, em fim, cria raiz espiritual. Na verdade, a mensagem do púlpito tem cunho essencialmente [principalmente no domingo] evangelística, sua finalidade é levar ao arrependimento e conversão,  já a EBD, tem uma mensagem de cunho edificador.

Tradicionais X Pentecostais

As igrejas tradicionais como: Presbiteriana, Batistas, Metodistas, sempre se destacaram nesse campo. Em contra-partida tem menos conversões nos seus cultos em comparação com as co-irmãs pentecostais. Que paradoxo, hein? A explicação é simples. Nas igrejas pentecostais como Assembléia de Deus, quase todos os cultos são de cunho evangelístico, sempre tem apelos, a preocupação maior sempre foi ganhar almas. Isso salta aos nossos olhos quando vemos as estatísticas comparativas entre as igrejas tradicionais e pentecostais. Porém, as pentecostais estão investindo mais no ensino aos seus fiéis, especialmente nas EBD, para que estes não somente se convertam, mais também permaneçam crentes e com raízes espirituais profundas. Já as igrejas tradicionais, apesar de terem menos conversões em seus cultos, quando acontece, esses novos convertidos recebem muito ensino nas EBD. Para começar, o professor da classe de discipulado sempre é um pastor que realmente esteve num seminário por cinco longos anos, e, que tenha vocação para ensino. Eis a diferença, se ganha poucas almas, porém essas recebem muito ensino e de qualidade.

Forma e conteúdo

Contudo, observamos e é visível, salta aos nossos olhos, que muitos desses professores voluntários que estão na EBD não possuem a mínima capacitação teológica para o exercício de tal função. Cadê os “pastores e mestres” ou “mestres” de Efésios 4.11, nas EBD? Alguns docentes, sequer nunca leram a Bíblia Sagrada na íntegra, i.é., toda ela, de Gênesis a Apocalipse! Não investem numa biblioteca pessoal e muito menos em leituras teológicas, detestam cursos teológicos, seminários, conferências e ou simpósios dessa natureza. Pasmem! Mas é a realidade. Os nossos filhos, que qualidade de ensino bíblico estão recebendo nas EBD? Pois, se essas aulas nunca mudam, são contadas as mesmas histórias anos afim, não incluem uma dinâmica, não se usa vídeos num data-show, não se ensina mais as crianças a guardarem nomes dos livros da Bíblia, versos, etc. Muitas igrejas tem forma de igreja, tem tudo de igreja, é bonita, tem salas, professores, alunos, porém, ensino teológico que é bom, não tem, são fracas. Muitos professores exercem tal função sem o mínimo de capacitação para tal, fazem pelo status, porque estão na igreja há tempo, então, assim conclui-se que detêm o conhecimento. Logo, as EBD hodiernas, tem forma, entretanto, não conteúdo de qualidade.

As salas de aula

Via de regra, não são nada boas, i.é., oferecem poucas condições. Usa-se carteiras à moda antiga, aquelas com assento e encosto de madeira e base metálica, que são muito desconfortáveis, depois de trinta minutos sentados sente-se a sensação de estar sendo agredido pela cadeira. Fica difícil assistir as aulas assim. O espaço físico é minúsculo, apertado, com pouca aeração, i.é., sem janelas ou então com muito pouca entrada de ar. E os quadros? Claro que ainda usamos aqueles antigos que nossos avós conhecem, de giz é lógico, que é anti-higiênico e é barato! Ainda falta dizer sobre a limpeza, higienização das salas. Ora, se as salas tem carteiras antigas, espaço minúsculo e pouco arejados, quadros antigos, imaginem como será a limpeza dessas salas, será que cheiram bem ou cheiram a poeira? Será que os alunos não sujam as suas roupas ao sentarem-se nas cadeiras, no chão, ou ao encostarem nas paredes? A avaliação não é nada boa, não pensem que estou exagerando. Há poucos dias, estive numa de nossas congregações onde havia falecido uma pessoa conhecida, e, em dado momento fui conhecer uma das salas de aulas de EBD, quase que eu chorei mais pelos alunos da EBD daquela igreja, do que pela perda do que havia falecido. Um abandono total. A descrição foi esta que lhes dei acima e por incrível que pareça, na maioria das igrejas que visito, e, sempre espio as salas de aulas da EBD, a avaliação não é diferente. São raríssimas as exceções, que na verdade, essas exceções deveriam ser regras e não o contrário.

Em algumas igrejas, onde não existe salas, se usa o próprio templo, e, se o espaço for grande, divide-se em mais de uma sala de aula no interior do templo, o que não é nada bom, uma vez que a atenção do aluno não será exclusiva para o seu professor, mais será dividida com todo o que lhe chamar a atenção, i.é, as outras salas. O ideal seria que cada classe tenha a sua sala separadamente e com todas as condições.

Há lugares, especialmente no campo fazendo missões ou em lugares muito pobre de recursos, que as aulas são dadas debaixo de arvores, choupanas ou algo assim, porém, a qualidade do conteúdo oferecido não deve ser negligenciado mesmo nessas condições.

As lições

Geralmente se usa revistas com treze lições, o que atende a três meses de aula. Isto é muito bom, mais não pode o professor ter somente o conteúdo de sua revista como fonte. A lição ficará muito pobre de conteúdo. Ainda mais se o mestre, professor, ensinador cristão, não tiver uma boa capacitação. Diz um velho provérbio: “Nós só damos aquilo que temos”. O ideal é que o mestre tenha um equilíbrio na entrega desta lição, ofereça teologia, contexto histórico, uma boa interpretação e por fim faça uma boa aplicação.

Os mestres – Professor, ensinador cristão, mestre [Ef 4.11], doutor da Lei [Jo 3.10], este um conceito muito alto para a avaliação de mérito de nossos mestre hodiernos. Mestre, doutor, indica que realmente tem um conhecimento profundo e que o ensina na mesma profundidade real deste conhecimento, sendo visto isto pela persuasão e integridade, retidão moral deste mestre ou doutor. Via de regra, nossos professores são os crentes mais antigos ou que conhecem mais de Bíblia do que os outros. Muitos não possuem formação teológica, um aperfeiçoamento, uma capacitação mais apurada, são autodidatas, tem aversão a seminários teológicos e afins. Tem discipulados que sabem mais do que o discipulando. E isso tudo para a vergonha da igreja.

Plano de aula – Esta é uma pratica que é realidade em algumas igrejas e que realmente quando bem feita, surte o seu efeito. O que é o plano de aula? Ora, promove-se uma aula magna daquela lição para os professores, antes que eles apliquem a lição aos seus alunos. Evidentemente que este [plano de aula], deve ser dado por alguém que tenha domínio pleno do assunto, teológico, contextual e interpretativo, e, ainda culmine numa aplicação prática viável e pertinente com a realidade do aluno. O ideal é que este plano de aula seja um dia antes da lição, a fim de sanar todas as duvidas do professor, ou então, cerca de uma hora antes da aula. Infelizmente muitas igrejas ainda não fazem assim e o conteúdo/aula fica paupérrimo.

Didática & Metodologia

Será que os nossos mestres da EBD estão sendo hábeis em usar todas as ferramentas para o exercício ora conferido a eles? Os pedagogos até estremecem só em pensarem no assunto. O escritor Augusto Cury em seu livro “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes” [pg. 119 a 154], sugere dentre muitos ensinos, três que valem muito a pena: 1. Sentar em círculo ou formato de U. Realmente funciona mesmo, coíbe as conversas paralelas, anula a timidez dos alunos e ajuda na exposição da aula; 2. Exposição integrada, a arte da interrogação. É ideal que o professor faça perguntas inteligentes aos seus alunos, semelhante às que Jesus Cristo fazia aos seus ouvintes [Mt 16.13]. Isto estimulará o aluno e o levará aos seus limites de conhecimento. O resultado é que o aluno conhecerá mais; 3. Exposição dialogada. Expor dialogando, naturalmente é diferente de somente o professor expor e os alunos somente ouvir, o que na verdade é um monólogo. Então a pratica da didática e de uma boa metodologia facilita o ensino da lição.

Sugere-se que apesar das dificuldades, o professor utilize-se de ferramentas atuais, como filme, power point, etc., via data show ou televisão durante a lição. Isso no máximo três minutos do tempo.

Sala de aula padrão

Para as igrejas que já tem algumas salas de aula, sugiro construir ou tornar uma dessas salas, padrão. Isso visando o futuro, de forma que o objetivo seja o de que as outras um dia serão como esta padrão. Composição: amplo espaço físico, bem arejada, se possível climatizada e com cadeiras confortáveis, suporte das cadeiras retrátil [a parte de colocar o caderno para escrever]. Limpa, i.é., bem higienizada e com quadro branco para uso de pincel atômico. Telão retrátil, data-show fixo e caneta laser, ideal para se usar filmes de dois a três minutos durante uma lição ou ainda power points. Porém, o professor deve ser familiarizado com todas as ferramentas que a sala oferece, a fim de não perder tempo durante a aula, seja dinâmica, objetiva e rica em conteúdo. Obviamente, a administração da EBD depende do seu caixa, entretanto, tudo na vida tem um preço, principalmente conhecimento.

Avaliar o Desempenho e Performance do professor – ADP:

Criei este método cunhando-o em duas premissas básicas: 1. O professor, conhecer a si mesmo [Conhece-te a ti mesmo – Sócrates]. Ele fará uma leitura de si mesmo e verá o que tem feito, se tem tido êxito na sua missão e principalmente verá suas qualidades e defeitos; 2. Sim, nós Podemos [Yes, we can – Obama]. O bom professor faz de si mesmo um laboratório. A idéia é potencializar-se, ser mestre no que faz. Particularmente, tenho adotado o método para mim mesmo como professor no Instituto Bíblico – IBADETRIM e também na EBD da igreja que sou membro. Você se surpreenderá e crescerá muito. Sim, eu e você, i.é., nós podemos melhorar!

Dicas para Avaliar o Desempenho e Performance:

direcionei essas dicas para a prática da lição da EBD, i.é., entrega da lição. Porém, podem ser adaptadas para outra aula em sala.

1. Abertura: Capacidade de assumir a direção da aula, valorizar o aluno, visitas, e, iniciar a lição. É a 1ª chance de ganhar a atenção dos alunos, não deve ser desperdiçada. Usar o tempo máximo de 1 minuto. Deve-se: cumprimentar os alunos, valorizar as visitas, atrair a atenção à aula e começar a lição. Isso tudo em um minuto.

2. Introdução da Lição: Capacidade de arrebatar a atenção dos alunos, com uma síntese clara e precisa da idéia geral da lição. Aqui, o Profº é obrigado a atrair toda atenção dos alunos. Aliada à didática, a síntese da lição deve ser brilhante, apresentar uma visão panorâmica da lição e arrebatar os alunos para o assunto. Usar entre 1 a 2 minutos.

3. Tópicos: Capacidade intrínseca do ensinador cristão [mestre] de explicar todos os tópicos da lição de forma clara e convincente, usando argumentos bíblicos e não conhecimento empírico. Fazer aplicação no contexto atual. Responder perguntas de alunos sem fugir da lição. Usar entre 7 a 10 minutos para cada tópico e subtópicos. Aqui é importante que ao começar explicar um tópico não migrar para outro antes de terminar este. As respostas e esclarecimentos devem ser embasados na bíblia.

4. Perguntas da Revista e Conclusão: Capacidade de responder [durante a aula] as perguntas inseridas na revista, dando-lhes o devido destaque. Fazer a conclusão, sintetizando toda a lição, aplicando teologicamente de forma relevante e significativa. A conclusão deve ser curta, rápida e objetiva. Aqui o prof. Usa seu poder de síntese. Usar entre 1 a 2 minutos para a conclusão. Nada de empirismo nas respostas. A Bíblia se auto-responde, use-a para tal, o professor está ali para este fim. Ah, valorizar sempre as perguntas e participações dos alunos. Isso é muito importante, deixa eles ligados na aula.

5. Posturas e Gestos: Capacidade especial do ensinador [mestre] ao se apresentar diante dos alunos, chamando a atenção para a lição e não para si. Evitar cenas bizarras e caricatas [ex: se cocar, sentar durante a aula, escorar, gestos agressivos ou pejorativos]. A postura deve ser simples e elegante. Os gestos podem ser suaves ou fortes, porém coordenados. O professor destaca-se por várias coisas e as mais importantes são: conhecimento teológico com que argumenta, esclarece a lição e sua postura quando o faz. Não deve se dar ao luxo de relaxar durante sua aula.

6. Verbalização: Capacidade natural ou adquirida do ensinador de verbalizar, expressar, explicar com qualidade de voz, boa tonalidade e bom volume, sem agredir aos ouvidos. Aqui, não se avalia o conteúdo teológico, avalia-se o conteúdo verbal. É importante alternar nos momentos certos o tom de voz.

7. Apresentação Pessoal e Asseio: Capacidade peculiar ao ensinador, de vestir-se com trajes próprios à função. Não atrair a atenção para sua vestimenta. Cumprir a instrução administrativa de sua EBD. Evitar roupas muito justas, curtas, transparentes ou com misturas de cor. Cuida bem do cabelo, barba, unhas, etc. Cuide de sua higiene pessoal, os alunos se miram nos seus professores, sem dizer que outros gostam de se aproximar e ficar por perto.

8. Invista na preparação da lição: gaste bastante tempo preparando sua lição.

9. Leia bíblica e de livros teológicos: É importante ler muito a bíblia e livros teológicos. Tem professores que exercem a função há dez anos e jamais leram a Bíblia na integra. Leia também jornais e revistas deste seguimento. Também há muitos blogs bons.

10. Biblioteca pessoal Sugiro pelo menos três Bíblias de estudo, um dicionários bíblicos, três comentários bíblicos e Livros de cunho teológico.

11. Jornais: Conheço e leio o jornal Mensageiro da Paz e o Jornal Presbiteriano, são muito bons, sugiro.

12. Objetivos gerais da ADP:
a. Proporcionar à Adm/EBD, conhecer seus professores;
b. Avaliar, medir, aquilatar a qualidade do ensino teológico oferecida aos alunos;
c. Potencializar a EBDU, em excelência de ensino bíblico e doutrinário;
d. Proporcionar estreitar laços entre Adm/EBD e professor;
e. Levar, professor e alunos a valorizarem as lições bíblicas contidas na revista;
f. Proporcionar ao professor, conhecer-se como tal, se auto-avaliar e buscar a excelência no ensino.

10 DICAS PARA SER UM PROFESSOR EFICIENTE

  • Considere a importância de cada aluno. Os melhores mestres entendem que o foco principal da aula é o aluno. Saber suas necessidades, ouvir suas sugestões e prestar atenção nos gestos irão ajudá-lo a elaborar uma aula melhor.
  • Prepare-se. Não há coisa pior do que um professor despreparado, sem conhecimento do material ou do assunto abordado na sala. Procure treinar a aula antes de aplicada.
  • Preste atenção. O sucesso de uma aula está nos 30 segundos iniciais e 15 segundos finais. Toda a aula pode ser prejudicada se você cometer um erro nesses momentos. Procure dar o seu melhor.
  • Ofereça segurança. Decorar as paredes com os trabalhos dos alunos ou criar uma maneira específica de começar a aula ajudam a criar um ambiente seguro para o aluno e permitem que ele mesmo descubra o que não sabe.
  • Repita os pontos importantes. A primeira vez que você diz alguma coisa, as pessoas escutam. Se você fala uma segunda vez, as pessoas reconhecem aquilo. E se você fala uma terceira vez, elas aprendem.
  • Faça boas perguntas. Procure fazer perguntas abertas, que estimulem a discussão.
  • Permita que seus alunos te ensinem. Você não é a única fonte de conhecimento disponível a seus alunos. Eles também aprendem entre si. Permita que eles discutam entre si e cheguem às respostas.
  • Seja sincero. Você não precisa ter todas as respostas. Dizer “eu não sei” não significa que sua classe vai acreditar menos em você. Ao contrário, seus alunos irão admirá-lo ainda mais.
  • Seja criativo e simples. Surpreenda seus alunos, invista em sua criatividade e dê asas à imaginação. Procure falar de maneira simples e abuse de exemplos e analogias. Uma aula bem elaborada e criativa dificilmente será esquecida.
  • Não perca a paciência. Parte do sucesso da aula depende de como você lida com situações inesperadas. Responda a uma pergunta de maneira rude ou desinteressada e você perderá qualquer simpatia que a classe poderia ter por você. Seja educado, solícito e apaixonado por lecionar.

O DESPERTAR DAS IGREJAS

Apesar do pouco investimento, se comparado ao crescimento da igreja no Brasil – estima-se que o número de evangélicos brasileiros tenha ultrapassado a casa dos 26 milhões – as igrejas começam a despertar com relação ao ensino bíblico.

“Por muito tempo, a Escola Bíblica Dominical foi desprezada, principalmente por igrejas que se preocupavam apenas com o crescimento e achavam o método falido. Porém, de 20 anos para cá, muitos pastores têm retomado as classes para combater movimentos heréticos que atingiram muitas igrejas”, disse o chefe do setor de educação cristã da CPAD, pastor Marcos Tuler.

Com 27 anos de experiência e às vésperas de lançar seu quinto livro sobre educação cristã – Abordagens e Práticas da Pedagogia Cristã – o pastor defende que, para acontecer um crescimento real nas igrejas é preciso fundamentação bíblica, teológica e pedagógica.
“A EBD é apenas um setor da Educação Cristã. Precisamos avançar muito mais em educação profissional, vocacional, especial, artística, na formação de obreiros, em seminários teológicos para leigos e outras coisas mais”, disse Tuler.

No próximo mês, a CPAD vai realizar a 11ª Conferência de Escola Dominical, no Rio de Janeiro, onde vai apresentar o novo currículo escolar para as EBDs. A expectativa é que de 1,5 mil a 3 mil professores participem.

Atualmente, o principal desafio das igrejas tem sido o de atrair os membros a participarem da escola bíblica. E, para isso, o investimento deve começar cedo, com as crianças, como afirma o pastor da Igreja Batista Restauração, em Jardim América, Cariacica, Luivan Scheidegger.

Luivan – juntamente com a esposa, Dilzanir Pacheco da Rocha Scheidegger – também é diretor da Aliança Pró-Evangelização de Crianças (Apec) no Estado, instituição que, desde 1986, já levou o Evangelho a aproximadamente 500 mil crianças capixabas. Através de ensino bíblico em escolas, evangelismo pessoal nas ruas, creches, lares, igrejas, campanhas evangelísticas, escola bíblica de férias e treinamento de professores, os missionários da Apec têm resgatado crianças para Jesus e ensinado amplamente os valores cristãos.

“Sempre digo aos professores que culto infantil e escola dominical para criança não são para se brincar. Se a criança for incentivada ao estudo da Palavra, quando crescer não vai se desviar do Caminho. Muitas vezes a criança é levada à igreja, e não ao Senhor. Já evangelizei e discipulei muitas crianças que hoje são dirigentes de igrejas”, afirma Luivan.

Através dos cursos ministrados pela Apec, o ministério infantil Geração Vida, da Igreja de Nova Vida, em Goiabeiras, Vitória, implantou a Turma da Bíblia e fez das crianças que fazem parte do ministério “investigadores” da Palavra de Deus.

“Ensinamos o básico: quem é Deus, de onde viemos e para aonde vamos depois da morte, e outras coisas mais. Muitas vezes ensinamos as histórias, mas as crianças têm dúvidas sobre esses pontos básicos”, disse a coordenadora do ministério, Sunamita Braga Tosta.

Cerca de 20 crianças participaram da Turma da Bíblia, que durou dois meses com aulas no domingo à noite, durante os cultos da igreja. Durante oito aulas, as crianças de 4 a 10 anos puderam tirar dúvidas e, ao final, receberam um diploma de investigador.

“Eu não sabia que Jesus foi batizado e a tia me explicou que João Batista batizou Jesus. A tia falou também dos milagres de Jesus. Gostei muito da Turma da Bíblia, agora eu gosto mais da Bíblia e até levo a minha Bíblia para a escola”, enfatizou Beatriz Marçal da Silva, 6 anos, uma das alunas da Turma da Bíblia.

Em âmbito nacional, uma pesquisa sobre a Escola Bíblica brasileira começa a ser projetada pela Sepal. Ainda não há dados para uma perfeita e completa avaliação, porém já é notório que ainda há muito o que se fazer nessa área.

“O ensino bíblico determina a qualidade e o nível espiritual da igreja local. Pelo ensino, homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças adquirem uma fé mais robusta e madura e, se quisermos que os membros da igreja tenham pleno envolvimento acerca do seu papel em meio à sociedade secular, é melhor investirmos em educação”, completou Valmir.

DICAS DE LIVROS

Vencendo os inimigos da Escola Dominical
Lécio Dornas
Exodus

Ensino Participativo na Escola Dominical
Marcos Tuler
CPAD

Concluindo

Temos muito o que melhorar em termo aulas na EBD. Em muitíssimos lugares temos péssimas salas de aula, em todos os sentidos mesmo. Temos professores fracos em conhecimento, argumentação teológica e que expressam dificuldade de tornar o ensino relevante e útil ao aluno. O pior de tudo é que a administração dessas igrejas sabem disso e são omissos. Se queremos crentes enraizados nas doutrinas bíblicas e prontos argumentar naquilo em que forem arguidos, precisamos investir muito na EBD, especialmente, primeiro no professor e segundo no ambiente em si. Melhor seria se pudéssemos investir nos dois ao mesmo tempo, mas falta muita vontade de quem de direito.

“Escola Dominical encontra-se em declínio no Brasil”, alerta pastor Renato Vargens

“Os crentes optaram por fazer do domingo o seu dia de lazer deixando em segundo plano o estudo da Palavra de Deus”

Da Redação JM

 

Um dos ministérios basilares de uma igreja sadia, a Escola Dominical, tem sido descuidada em muitos lugares do Brasil, a ponto de ser substituída por outras “atrações” que venham entreter melhor os fiéis. Para o pastor Renato Vargens se não houver uma rápida mudança dessa visão dos líderes, a Escola Dominical poderá em breve ser extinta.

Vargens analisa que “excluindo as igrejas no interior, boa parte das Igrejas no Brasil tem tido uma assiduidade de menos 40% de participantes”.

154 anos se passaram desde que os Kalley organizaram a Escola Bíblica Dominical no Brasil, e de lá para cá muita água passou debaixo da ponte.

Sem titubeios afirmo que inúmeras gerações foram impactadas pelo ensino das doutrinas bíblicas nas salas de aula das escolas dominicais esparramadas pelo nosso imenso território nacional.

Hoje, em detrimento a pós-modernidade, o que era absoluto foi relativizado. Os que outrora pregavam sobre a importância da Escola Bíblica, não o fazem mais. Para piorar a situação, os crentes optaram por fazer do domingo o seu dia de lazer deixando em segundo plano o estudo da Palavra de Deus, o que por si só tem feito estragos inomináveis.

Para corroborar com a premissa de que a Escola Bíblica encontra-se em declínio no Brasil, Em minhas viagens por esse imenso país, tenho perguntado aos pastores como anda a Escola Bíblica em suas igrejas e a resposta sempre tem sido a mesma, isto é, pouca gente interessada. Na verdade, excluindo as igrejas no interior, boa parte das Igrejas no Brasil tem tido uma assiduidade de menos 40% de participantes, o que se deve a uma série de fatores, senão vejamos:

1- A agenda das pessoas está bem mais complicada do que há 20 anos atrás. Escola, universidade e trabalho tem exigido muito mais tempo do cidadão que outrora.

2- Num tempo onde o pragmatismo e o hedonismo se mostram presentes, para muitos cristãos dedicar tempo estudando a Palavra de Deus tornou-se “contraproducente.”

3- O Secularismo produziu um certo tipo de encanto nos crentes, levando-os a pensar que pelo fato da vida ser curta, torna-se mister dedicar tempo aos prazeres deste mundo e não efetivamente ao estudo das Escrituras.

4- O despreparo dos professores que por desconhecerem a Bíblia e a boa teologia não conseguem trazer respostas as perguntas que estão sendo feitas pelos crentes em Jesus.

5- Pela incapacidade dos pastores e da igreja de gerarem conteúdo programático salutar que ao mesmo tempo aborde as doutrinas fundamentais à fé cristã, como também ofereça ao crente uma cosmovisão bíblica sobre temas emblemáticos ao nosso tempo e sociedade.

Isto posto, penso que diante deste hercúleo desafio é fundamental que:

1- Que a Igreja e seus pastores entendam que a Escola Bíblica não precisa necessariamente ser dominical, o que em outras palavras me faz pensar que a Escola Bíblica pode funcionar, se necessário, em outro dia da semana, desde que atenda é claro, as demandas da comunidade local.

2- Que os pastores e igrejas invistam, treinem e capacitem professores para o desenvolvimento da missão de ensinar os cristãos com graça, qualidade e profundidade bíblica-teológica.

3- Seja elaborado um diferenciado conteúdo programático onde uma cosmovisão bíblica sobre temas nevrálgicos ao nosso tempo é apresentada aos alunos, contrapondo-se assim aos valores defendidos por uma geração absorta em valores anti e pós cristãos.

4- Que em vez de aulas sequenciais fundamentadas numa revista somente, a igreja ofereça módulos distintos onde temas distintos são discutidos à luz das Escrituras.

Concluo dizendo que  tenho plena convicção de que diante dos desafios da nossa era, bem como complexidades da sociedade que estamos inseridos, mais do que nunca a Igreja de Cristo precisa regressar a Palavra de Deus. Para tanto, torna-se indispensável que reconheçamos que não nos será possível construirmos um cristianismo relevante em nosso país sem que dediquemos tempo ao estudo das Escrituras.

Isto posto, oro na expectativa de que os pastores da igreja evangélica brasileira não negligencie a Escola Bíblica, antes pelo contrário, incentivem os membros de suas comunidades locais a dedicarem suas vidas ao estudo da Palavra de Deus, até porque, agindo assim evitaremos alguns desvios doutrinários e comportamentais.

Pense Nisso!

Renato Vargens

http://www.escoladominical.com.br/home/historia

http://wwwteologiavivaeeficaz.blogspot.com/2010/04/um-raio-x-de-nossas-escolas-biblicas.html

https://comunhao.com.br/dificuldades-escola-biblica/

https://www.jmnoticia.com.br/2018/11/13/escola-dominical-encontra-se-em-declinio-no-brasil-alerta-pastor-renato-vargens/

 

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