Libertador para Israel

Lição 2 - Um Libertador para Israel

Texto Áureo

Êxodo 3:14

“E disse Deus a Moisés: EU SOU o QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós”.

VERDADE PRÁTICA

Assim como Moisés, usado por Deus, libertou Israel do cativeiro, Cristo nos liberta da escravidão do pecado e do mundo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Êxodo 3.1-9.

1 – E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe.
2 – E apareceu-lhe o Anjo do SENHOR em uma chama de fogo, no meio de uma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.
3 – E Moisés disse: Agora me virarei para lá e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima.
4 – E, vendo o SENHOR que se virava para lá a ver, bradou Deus a ele do meio da sarça e disse: Moisés! Moisés! E ele disse: Eis-me aqui.
5 – E disse: Não te chegues para cá; tira os teus sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa.
6 – Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.
7 – E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores.
8 – Portanto, desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do a morreu, e do ferezeu, e do heveu, e do jebuseu.
9 – E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem.

INTERAÇÃO

Deus tinha um plano traçado para o seu povo através de Moisés. Este o conduziria até Canaã. Moisés foi dia a dia preparado e lapidado pelo Senhor para cumprir os propósitos divinos. A formação de um líder requer tempo, mas infelizmente muitos na atualidade não querem respeitar o momento de Deus. Vivemos em uma sociedade imediatista onde as pessoas não admitem mais esperar.
O enfoque da lição de hoje é o preparo de Moisés para se tornar o libertador do povo de Deus. Quando assumiu a missão de conduzir os israelitas pelo deserto, Moisés já havia sido preparado pelas universidades egípcias e pelo próprio Todo-Poderoso. O Deus que levantou Moisés não mudou, Ele continua a levantar e preparar pessoas para serem usadas na sua obra. Você está disposto a servir mais a Deus? O Senhor deseja usá-lo em sua obra para que muitos sejam libertos da escravidão do pecado e da ignorância espiritual.

INTRODUÇÃO

Palavra Chave
Libertador: O que liberta; que concede a liberdade.

Um líder cristão não é feito da noite para o dia. É preciso que sua liderança seja amadurecida pelo tempo. Na lição de hoje, veremos que Moisés foi preparado lentamente pelo Senhor ao longo dos anos até que se tornasse o libertador do seu povo. Moisés era um homem manso e ao que parece não era muito eloquente, porém Deus viu que ele seria obediente e capaz de libertar o seu povo da escravidão egípcia.

I. MOISÉS — SUA CHAMADA E SEU PREPARO (Êx 3.1-17)

  1. Deus chama o seu escolhido. Quando o Senhor escolheu e chamou Moisés para libertar seu povo, ele estava pastoreando ovelhas — um excelente aprendizado para quem mais tarde iria ser o pastor do povo de Deus, Israel (Sl 77.20). É Deus que chama e separa aqueles que vão dirigir seu rebanho, e Ele continua vocacionando e capacitando para o santo ministério. O Senhor chama, mas cabe ao homem cuidar do seu preparo para ser útil a Deus.
    O que muito nos edifica no versículo seis é Deus identificar-se não somente como “o Deus de Abraão e o Deus de Isaque”, mas igualmente como “o Deus de Jacó”. Ele é, portanto, o Deus de toda graça, compaixão e paciência, uma vez que Jacó teve sérios incidentes negativos na sua vida em geral (1Pe 5.10; Jo 1.14,16).
  2. O preparo de Moisés (Êx 3.10-15). Moisés foi chamado e recebeu treinamento da parte de Deus para que cumprisse sua missão com êxito. Deus ainda chama e prepara seus servos. Talvez Ele o esteja chamando para a realização de uma obra. Qual será sua resposta?
    Moisés experimentou o silêncio e a solidão do deserto em Midiã (Êx 3.1). Em sua primeira etapa de 40 anos de vida viveu no palácio real e frequentou as mais renomadas universidades. O conhecimento adquirido por Moisés, e empregado com sabedoria, foi-lhe muito útil em sua missão de libertador, condutor, escritor e legislador na longa jornada conduzindo Israel no deserto.
  3. O objetivo da chamada divina (Êx 3.10). O propósito divino era a saída do povo de Israel do Egito liderada por Moisés. Deus pode, segundo o seu querer, agir diretamente. Contudo, o seu método é usar homens e mulheres junto aos seus semelhantes. Hoje, em relação a muitas igrejas, Deus está dizendo à seus dirigentes: “Tira o ‘Egito’ de dentro do meu povo”. É o mundanismo entre os crentes, na teoria e na prática; no viver e no agir, enfraquecendo e contaminando a igreja. É Israel querendo voltar para o Egito (Êx 16.3; 17.3). Deus com mão poderosa tirou Israel do Egito, mas não tirou o ‘Egito’ de dentro deles, porque isso é um ato voluntário de cada crente que, quebrantado e consagrado, recorre ao Espírito Santo.
    “Certamente eu serei contigo” (v.12). Isso era tudo o que Moisés precisava como líder espiritual do povo de Deus. Hoje, muitos já perderam essa divina presença em sua vida e em seu ministério, por acharem que são alguma coisa em si mesmos, daí, a operação do Espírito Santo cessar em sua vida. Paulo exclamou: “Nada sou” (2ªCo 12.11). Tudo que temos ou somos na obra de Deus vem dEle (1ªCo 3.7).

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Moisés foi chamado e preparado por Deus para que cumprisse sua missão com excelência.

II. AS DESCULPAS DE MOISÉS E A SUA VOLTA PARA O EGITO

  1. O receio de Moisés e suas desculpas. O Moisés impulsivo que matou o egípcio e o enterrou na areia já não existia mais. Ele havia sido mudado e moldado pelo Senhor, e agora precisava crer não no seu potencial, mas no Senhor que o chamara. Ao ser chamado pelo Senhor para ser o libertador dos hebreus, Moisés apresentou algumas desculpas — “eles não vão crer que o Senhor me enviou”; “não sou eloquente”. Quantas desculpas também não damos quando Deus nos chama para um trabalho específico? As escusas de Moisés, assim como as nossas, nunca são aceitas pelo Senhor, pois Ele conhece o mais profundo do nosso ser. Se o Senhor está chamando você para uma obra, não tema e não perca tempo com desculpas. Confie no Senhor e não queira acender a ira divina como fez Moisés, que tentou protelar sua chamada dando uma série de desculpas a Deus (Êx 4.14).
  2. Deus concede poderes a Moisés. A fim de encorajar Moisés e confirmar o seu chamado, o Senhor realiza alguns sinais (Êx 4.1-9). Da mesma forma Deus ainda demonstra sinais para nos mostrar o seu poder e a sua vontade.
  3. O retorno de Moisés. Moisés não revelou ao seu sogro Jetro o que ele faria no Egito. Ainda não era a hora certa para isso. O líder precisa saber o momento adequado para revelar seus projetos. Entretanto, Moisés não poderia partir sem o consentimento de sua família, assim ele disse a Jetro que iria ao Egito rever seus irmãos: “Eu irei agora e tornarei a meus irmãos que estão no Egito, para ver se ainda vivem” (Êx 4.18). Jetro prontamente liberou Moisés dizendo: “Vai em paz”. Moisés não saiu sem a bênção dos seus parentes. Para realizar a obra de Deus o líder precisa ter o apoio e cooperação da sua família. Se você ainda não o tem, ore a Deus nesse sentido.

SINOPSE DO TÓPICO (II)

Deus não aceitou as escusas de Moisés. Ele também não aceitará as nossas, pois Ele conhece o mais profundo do nosso ser.

III. MOISÉS SE APRESENTA A FARAÓ (Êx 5.1-5)

  1. Moisés diante de Faraó. Chegando ao Egito, Moisés e seu irmão Arão procuraram Faraó para comunicar-lhe a vontade de Deus para o povo de Israel. Quão difícil e arriscada era a tarefa de Moisés. Após o encontro que já tivera com Deus, ele estava preparado para apresentar-se ao rei do Egito. Faraó recusou de imediato o pedido de Moisés. Além de recusar deixar o povo ir embora, Faraó agora aumenta o volume de trabalho do povo (Êx 5.8,9). Moisés fez tudo como Deus lhe ordenara, porém, sua obediência não impediu que ele e seu povo sofressem. Talvez você esteja realizando alguma obra em obediência ao Senhor, mas isto não vai impedir que surjam dificuldades, problemas e aflições. Esteja preparado. Não podemos nos esquecer de que “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). Enquanto estivermos neste mundo, estamos sujeitos às dificuldades (Jo 16.33).
  2. A queixa dos israelitas (Êx 5.20,21). O povo hebreu fica descontente com Moisés e Arão e logo começam a murmurar. Certamente todos esperavam que a saída do Egito fosse imediata. Mas este não era o plano de Deus. Moisés, aflito com a piora da situação, busca o Senhor e faz várias indagações. Quem de nós em semelhantes situações, estando em obediência a Deus, na vida cristã e no trabalho, já não indagou: “Por que Senhor?”. Moisés não conseguia entender tudo o que estava ocorrendo, mas Deus estava no controle. Às vezes não conseguimos entender o motivo de certas dificuldades, mas não podemos deixar de crer que Deus está no comando de tudo.
  3. Deus promete livrar seu povo (Êx 6.1). A saída de Israel do Egito seria algo sobrenatural e esta promessa foi totalmente cumprida quando Israel, finalmente, saiu do Egito. Deus, nos seus atributos e prerrogativas, ia agora redimir o povo de Israel (v.6), adotá-lo como seu povo (v.7), e introduzi-lo na Terra Prometida. Todo o Israel, assim como os egípcios, teriam a oportunidade de ver o poder de Deus.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

Depois do encontro que Moisés tivera com Deus, ele estava finalmente preparado para apresentar-se ao rei do Egito.

CONCLUSÃO

Na lição de hoje aprendemos como o grande “Eu Sou” escolheu e preparou Moisés para que ele libertasse seu povo da escravidão egípcia. Deus continua a levantar e preparar homens para a sua obra. Você está disposto a ser usado pelo Senhor? Moisés apresentou algumas desculpas, mas não foram aceitas. Não perca tempo com justificativas, mas diga “sim” ao chamado de Deus.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Bibliológico

“O Encontro entre Deus e Moisés (3-5)


O termo hebraico para ‘sarça’ (seneh) só aparece no Antigo Testamento aqui e em Deuteronômio 33.16, quando Moisés canta que Deus era ‘[aquele] que habitava na sarça (ardente)’. Quão oportuno que as últimas palavras de Moisés registradas nas Escrituras sejam, entre outras coisas, sobre seu primeiro encontro com Deus na sarça ardente! Essa palavra hebraica faz soar e faz lembrar a palavra ‘Sinai’ (sny e snh). Por duas vezes, Deus apareceu a Moisés de forma incandescente. Primeiro em uma snh (capítulo 3), depois no sny (capítulo 19). Deus costuma aparecer nos locais mais inesperados, como em uma sarça. Foi próximo a um arbusto que Ele apareceu para Agar [Gn 21.15, com uma outra palavra hebraica para ‘arbusto’, (siah)] e foi em um arbusto, ou sarça, que apareceu pela primeira vez a Moisés. Falando em lugares inesperados, talvez seja possível estabelecer uma analogia entre o anjo de Deus que apareceu no meio do nada para o pastor Moisés, fazendo um importante anúncio; e os anjos que apareceram diante de um grupo de pastores, no meio do nada, a fim de fazer um importante anúncio (Lc 2.8-20)”

(HAMILTON, V. P. Manual do Pentateuco. 2 ed., RJ: CPAD, 2007, p.160).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico

“Capacitou e transformou o seu caráter
O ser humano deve reconhecer a sua deficiência em realizar a obra de Deus com perfeição. Moisés, reconhecendo a sua incapacidade de fazer o que o Senhor lhe ordenara, relutou e perguntou humildemente: ‘Quem sou eu?’ (Êx 3.1). Certamente o valente e afoito príncipe herdeiro do trono egípcio sentia-se incapaz de cumprir a ordem do Senhor, pois muitos anos se haviam passado, e ele pouco ou nada sabia sobre o Egito de então. E, depois, voltar ao país de origem para libertar seu povo da escravidão seria uma missão muito árdua. Assim sendo, preferiria ficar no deserto pastoreando os rebanhos de seu sogro. Sentia-se mais útil. Além disso, a rejeição de seus irmãos o abatera fortemente.
Como se vê, o tempo passara e tudo havia se transformado; o homem também. Contudo, o Todo-Poderoso permanecera imutável, pois nEle não há sombra de variação. Moisés sentiu-se desanimado, mas Deus o fortalecera, dizendo: ‘Eu serei contigo’ (Êx 3.12-15). A promessa da presença real de Deus é a resposta para toda fraqueza humana” (COHEN, A. C. Comentário Bíblico Êxodo. 1 ed., RJ: CPAD, 1998, p.32).

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Um Libertador para Israel

Moisés foi sendo preparado dia a dia pelo Senhor a fim de que se tornasse o líder do seu povo e os conduzisse rumo à Terra Prometida. Aprendemos com a segunda lição do trimestre que Deus vocaciona e chama líderes para sua obra, porém aqueles que forem chamados precisam fazer a sua parte preparando-se. Se você tem um chamado de Deus em sua vida, prepare-se. Faça a sua parte e deixe que o Senhor faça a dEle.

Moisés é preparado para se tornar o libertador (Êx 3.1-22)
Moisés viveu seus primeiros anos de vida na casa de seus pais. Certamente uma família humilde, porém temente a Deus. Em seu lar ele foi preparado para poder viver mais tarde no palácio de Faraó. Segundo os historiadores, como príncipe, Moisés teve uma educação primorosa, pois o texto bíblico de Atos 7.22 declara que ele foi “instruído em toda a ciência dos egípcios”. O conhecimento adquirido por Moisés não foi certamente desperdiçado, mas muito o ajudou como líder do seu povo, profeta, escritor e legislador.
Deus tinha um propósito definido ao chamar Moisés, Ele também tem um propósito definido em sua vida. Porém, muitos não querem assumir um compromisso com Deus e a sua obra. Você deseja assumir um compromisso com o Todo-Poderoso?
Ao chamar Moisés, Deus foi bem enfático quanto ao seu propósito: “Para que tires o meu povo do Egito” (Êx 3.8-10). Deus desejava redimir o seu povo e organizá-lo como nação a fim de que todas as famílias da terra fossem abençoadas. O Senhor precisava de um único homem, Moisés, para redimir seu povo da escravidão. Na Nova Aliança, Deus também necessitava de um único homem, porém este deveria ser perfeito. Então o Todo-Poderoso enviou seu próprio Filho, Jesus Cristo. Jesus atendeu ao Pai, se fez homem e habitou entre nós para nos libertar da escravidão do pecado (Jo 3.16).
Quantos, ao serem chamados pelo Senhor para alguma obra já não apresentaram uma lista vasta de desculpas? Com Moisés não foi diferente, ele também apresentou a Deus várias dificuldades. Porém, assim como nós, ele se esqueceu de que Deus é o nosso Criador. Ele nos conhece melhor do que nós mesmos. As escusas de Moisés, assim como as nossas, não vão impressionar o Senhor. Confie naquEle que está chamando você e não queira perder tempo com desculpas.
Quem sabe o Senhor não esteja também chamando você para a realização da sua obra? Evite as escusas. Confie no Senhor e permita que Ele use seus dons e talentos para que muitos sejam libertos da escravidão do pecado.

Libertação do Povo Hebreu do Egito | A Saída dos Hebreus do Egito

Libertação do Povo Hebreu do Egito | A Saída dos Hebreus do Egito

A história da libertação do povo Hebreu do Egito não termina até que o exército do Faraó é derrotado totalmente. Isso só acontece no Yam Suf, o Mar Vermelho. Este evento é narrado no Livro do Êxodo 14:10-31 e depois celebrado em uma canção poética, o cântico de Moisés -Êxodo 15:1-18.

A narrativa do Mar Vermelho é grandemente permeada pela palavra hebraica יִרְאָה yirah, medo.

“E aproximando Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito [ וַיִּֽירְאוּ֙ vayir’u ] ; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor.” Êxodo 14:10.

A segunda vez que esta palavra aparece na passagem se dá depois que os Egípcios foram derrotados, sendo afogados no mar. Os Israelitas já tinham passado por terra seca, no meio do mar, e a Bíblia registra:

“E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egípcios; e temeu [ וַיִּֽירְאוּ֙ vayir’u ] o povo ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu servo.” Êxodo 14:31

E é aqui que se torna muito interessante observar que o medo que anteriormente os filhos de Israel tiveram de Faraó e dos exércitos Egípcios, se transforma, após passarem pelo meio do Mar Vermelho, em temor a Deus.

Uma grande transformação acontece nesta passagem. Primeiramente, os Israelitas temem os Egípcios, temem por suas vidas, e reclamam com Moisés que eles nunca deveriam ter saído do Egito:

“Não é esta a palavra que te falamos no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto.” Êxodo 14:12

Moisés, de forma inteligente e inspiradora, usa a mesma palavra hebraica, “Moisés, porém, disse ao povo: Não temais [ אַל־ תִּירָאוּ֒ al-tira]”, e assegura que Deus lutaria por eles.

Isto é exatamente o que acontece, e o resultado é que o temor que eles tinham de Faraó, é transformado em temor a Deus.

O que quer que tenha acontecido, enquanto o povo de Israel passava pelas águas do mar, foi um evento que os transformou. E quais seriam as circunstâncias dessa transformação?

Esta é uma passagem grandiosa, que contém muitos ensinamentos. Como poderíamos entender o simbolismo, e a transformação na travessia do mar? Quais são as lições que este texto bíblico quer nos deixar?

Para entendermos, temos que voltar um pouco na história, quando Deus intervém diretamente no caminho que os Israelitas percorreriam.

A saída dos Hebreus do Egito

“E aconteceu que, quando Faraó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte ao Egito.” Êxodo 13:17

Quando os Hebreus iniciaram a sua jornada, eles não estavam totalmente preparados, e Deus os leva por uma rota em círculos, para que eles não fossem direcionados diretamente à guerra, e temendo, voltassem ao Egito.

O verso 18, afirma que os Israelitas estavam armados:

“Mas Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto do Mar Vermelho; e armados, os filhos de Israel subiram da terra do Egito.” Êxodo 13:18

E o verso 19, que parece fora de seu contexto, pode nos dar uma pista muito interessante sobre as armas que os filhos de Jacó carregavam consigo.

Enquanto que os Hebreus estavam equipados com armas bastante primitivas, Moisés levava os ossos de Yosef, José do Egito.

Mais a frente, no capítulo 14, um antigo acampamento entre o Egito e o Mar Vermelho chama a nossa atenção:

“Então falou o SENHOR a Moisés, dizendo:

Fala aos filhos de Israel que voltem, e que se acampem diante de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom; em frente dele assentareis o campo junto ao mar.

Então Faraó dirá dos filhos de Israel: Estão embaraçados na terra, o deserto os encerrou.” Êxodo 14:1-3

Ali o povo é mandado a acampar em um lugar chamado Pi-Hairote, que é geralmente traduzido como “boca da liberdade”.

Rashi interpreta, por meio da tradição oral (o sentido simbólico do texto), o nome Pi-hahirote como Pi-hahayrut “a boca da liberdade”, “pois foi ali que os Hebreus se tornaram livres”, conforme ele mesmo explica:

“e que se acampem diante de Pi-Hairote” – Este lugar é Pitom, que a este ponto é chamado de Pi-hairote, porque aqui os Israelitas se tornaram homens livres.

Pitom é constituído de duas grandes pedras verticais, e o cânion entre elas é chamado de “a boca das rochas.”

Rashi identificou o local de acampamento como sendo Pitom, um dos lugares construídos com o suor dos Hebreus, enquanto ainda eram escravos.

Passar por esta área era uma maneira de permitir que os agora ex-escravos atingissem a liberdade emocional e existencial.

Viajar como uma nação livre, passando pela torre que simbolizava a sua servidão, agora, eles não iriam construir, nem obedecer a um capataz, agora eles podiam simplesmente, observar, admirar aquelas rochas e seguir em frente.

O nome Pi-HaHirote é semelhante a palavra usada para descrever a escrita esculpida nas tábuas de pedra do Sinai, harut (esculpido).

Quando se fala dos versos que descrevem as tábuas de pedra da Lei, no Sinai, a Tradição Oral, por meio do Talmude, ensina que não devemos ler a palavra como harut (esculpido, gravado), mas deve se pronunciar heirut (liberdade),

“porque somente aqueles que buscam a palavra de Deus são verdadeiramente livres.”

Há alguns elementos nesta passagem que são estranhos. Rashi descreve o Pi (boca) [de Pi-HaHirote], como a formação de duas grandes pedras verticais que formam um cânion entre elas.

Mas o comentário de Rashi prossegue, e segue nas próximas palavras do verso, “diante de Baal-Zefom”:

“diante de Baal-Zefom” – Porque este era o último deus-ídolo do Egito que restava.

Pi HaHirote estava diante de Baal-Zefom, o último dos deuses Egípcios que permanecia de pé.

Mekhilta (uma coleção de regras de interpretação do texto sagrado), examinou a formação geológica daquelas rochas, em relação ao panteão Egípcio. E elas têm uma conotação específica, com aparência de macho e fêmea.

Aquele lugar sagrado para e religião Egípcia era símbolo da fertilidade. O Egito era mais do que apenas uma superpotência daquela época, era o epicentro da imoralidade. O Egito era um lugar de verdadeira depravação sexual.

Em sua primeira visita ao Egito, Sara é tomada de Abraão. Mais adiante na história, a esposa de Potifar se oferece a José.

Vários passos para a liberdade

“Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos levo, nem andareis nos seus estatutos.” Levítico 18:3

Deus exige que as práticas dos Egípcios e dos Cananeus sejam rejeitadas. Sair do Egito significa deixar as práticas idólatras e a corrupção moral, para poderem ser realmente livres.

A liberdade muitas vezes é gradualmente conquistada: Sair do Egito, atravessar o Mar Vermelho, beber das águas originalmente amargas que foram transformadas em Mara, até poder chegar ao Sinai.

Cada uma dessas fases libertou o povo de um aspecto correspondente à sua servidão, e cada uma delas trouxe o povo mais próximo de sua completa libertação.

Passar por Pi haHirote, enfrentando o deus Egípcio com sua imagem macho-e-fêmea, era mais um passo em direção a liberdade moral.

Esta observação nos traz de volta ao momento em que os Hebreus deixam o Egito. Eles estavam “armados”. Eles pensavam que estavam prontos para a guerra. Mas o fato é que eles não sabiam que tipo de batalha estariam pra enfrentar.

Os Israelitas não tinham consciência da extensão que a exposição ao padrão moral dos Egípcios tinha implantado neles mesmos. Os filhos de Jacó não tinham consciência dos diferentes aspectos da escravidão, que eles ainda precisavam ser libertos.

E Deus os leva por uma rota em círculos, um caminho que os levaria pelos vários estágios necessários para uma libertação verdadeira; preparando-os para as sucessivas batalhas que enfrentariam.

E Deus os continua protegendo, ainda que não tinham esse entendimento, até que chegam a um ponto em que sua provisão de água acaba, onde experimentam uma crise espiritual. Se questionam se Deus estava ou não no meio eles.

A batalha contra os Amalequitas

É em meio a esse cenário que aparece Amaleque:

“Depois toda a congregação dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acampou em Refidim; não havia ali água para o povo beber.” Êxodo 17:1

“Tendo pois ali o povo sede de água, o povo murmurou contra Moisés, e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?” Êxodo 17:3

“E chamou aquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não? Então veio Amaleque, e pelejou contra Israel em Refidim.” Êxodo 17:7-8

a travessia do mar vermelho

A Travessia do Mar Foi um Batismo Gigantesco.

No livro de Deuteronômio, há uma retrospectiva desta batalha, quando Moisés nos oferece um maior insight da mente do povo. Certamente, o sentimento de que Deus não estava com eles foi projetado em Amaleque.

“Lembra-te do que te fez Amaleque no caminho, quando saías do Egito;

Como te saiu ao encontro [קָֽרְךָ֜ korkha] no caminho, e feriu na tua retaguarda todos os fracos que iam atrás de ti, estando tu cansado e afadigado; e não temeu a Deus.

Será, pois, que, quando o Senhor teu Deus te tiver dado repouso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança, para possuí-la, então apagarás a memória de Amaleque de debaixo do céu; não te esqueças.” Deuteronômio 25:17-19

A Torá usa a palavra קָֽרְךָ֜ korkha para descrever o ataque de Amaleque aos filhos de Israel. É uma palavra que só aparece aqui nesta passagem e não é utilizada em nenhum outro texto bíblico.

O rabino Rashi oferece várias interpretações desta palavra, como forma de entendermos o comportamento dos Amalequitas.

Em uma interpretação, a palavra korkha deriva da palavra kar, que significa “frio”: Os Amalequitas esfriaram os Hebreus. Após terem saído do Egito, vendo os grandes milagres de Deus, os Hebreus estavam quentes, fervorosos em sua fé.

Mas o ataque de Amaleque esfriou o entusiasmo de Israel.

Numa outra interpretação, korkha deriva de keri, que é relacionada ao órgão genital masculino. Isto é baseado na Tradição Oral, que diz que a agressão de Amaleque incluía desvios morais que culminavam na mutilação dos órgãos masculinos.

Embora esta seja uma interpretação grotesca, ela traz uma visão muito profunda do texto bíblico. O ataque de Amaleque ocorreu quando os Israelitas se aproximavam do Sinai para receber a nova revelação da Lei de Deus.

Uma nova era de moralidade estava para descer sobre o mundo. E Amaleque literalmente rejeitava que o homem deveria ter limites, a ideia sobre a qual a moralidade está edificada.

A circuncisão, o símbolo do autodomínio, era algo horrendo para os Amalequitas.

Por isso, voltando a saída do povo de Deus do Egito, eles tomaram para si armas primitivas e precárias, achando que estavam preparados para batalha. Moisés sabia que não estavam. Assim, ele toma como arma algo diferente.

Algo que lhes daria a vitória nesta guerra espiritual. Moisés toma algo que representava a moralidade e o domínio próprio. Ele leva consigo os ossos de Yosef – José.

A Santidade Abriu o Mar

Yalkut Shimoni – uma coleção de explicações das passagens bíblicas baseada na agadá hebraica – ensina que a abertura do Mar Vermelho ocorreu no mérito de José:

Quando ele, correndo, deixa a casa de Potifar, fugindo da esposa de seu senhor, o termo usado é va’yanas – ele fugiu.

“E ela lhe pegou pela sua roupa, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu [ וַיָּ֖נָס va’yanas], e saiu para fora.” Gênesis 39:12

Esta é precisamente as mesmas palavras que foram empregadas para descrever o evento em que o mar se abriu para que os filhos de Israel passassem em terra seca:

“Quando Israel saiu do Egito, e a casa de Jacó de um povo de língua estranha, Judá foi seu santuário, e Israel seu domínio.” Salmos 114:1-2

“O mar viu isto, e fugiu [ וַיָּנֹ֑ס va’yanas ]; o Jordão voltou para trás.” Salmos 114:3

Shimon um homem de kritão disse:

[Deus disse:] “No mérito dos ossos de José Eu abrirei o Mar Vermelho”. Porque está escrito, “E ela lhe pegou pela sua roupa, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu” (Gênesis 39:12)

Por isso:

“O mar viu isto, e fugiu.” Salmos 114:3 (Mekhilta Beshallah, Vayehi 3)

Assim como José fugiu da esposa de Potifar, o mar, quando viu que os ossos de José se aproximavam, fugiu também. Agora não pense, caro leitor, que isto se tratava de algum tipo de resposta mágica aos restos mortais de Yosef.

A mensagem que a Mekhilta se refere é que a identidade espiritual de José teve um impacto de natureza tanto literal como figurativa. Ele deixou um legado espiritual de valor imensurável.

José demonstrou um altíssimo nível moral, mesmo nas piores situações em que passou, foi vendido como escravo. E foi este fato que trouxe toda a família de Jacó para o Egito.

A vida de José foi um exemplo de integridade moral, e se constituiu num lembrete do que a desunião e a divisão familiar poderiam ocasionar.

A redenção da escravidão do Egito tinha que necessariamente passar pelo reconhecimento, compreensão e internalização do heroísmo moral de Yosef.

E se a ida dos filhos de Jacó para o Egito foi determinado por uma das cenas mais chocantes da Torá, irmãos envolvidos em conflitos, tornando-os divididos pela inveja e ódio, a história da redenção se torna completamente o oposto.

Na noite anterior, na Seder Pesach, as famílias dos filhos de Jacó se sentam para partir o pão e compartilhar em união, fazendo da história do Êxodo participante do tikkun, uma purificação para a desunião familiar.

Deixando uma vida de pecados

Voltando ao texto, em Pi haHirote os Egípcios estavam unidos em sua idolatria e imoralidade, tudo o que aquele local representava. E os filhos de Israel precisavam passar por aquele lugar. Era um teste em rumo à liberdade.

E eles passam no teste, e chegam até o mar, quando a natureza humana é derrotada, como quando José derrotou a sua própria natureza e fugiu da imoralidade e da esposa de Potifar. Do mesmo modo, o mar foge de diante deles.

Muito significante é o ato de Moisés, que carrega consigo os ossos de José, invocando este modelo de moral e santidade. Não é simplesmente que o Mar Vermelho fora aberto, pois mais do que isso, o mar fugiu deles, como está escrito no Salmos 114:3.

O mar fugiu por causa da santidade, do modelo de santidade que eles carregavam consigo. A santidade derrota e dobra a natureza, inclusive a natureza humana.

Deixar o Egito (que simboliza o mundo e o pecado) não era uma tarefa fácil. Requere transformação física, emocional e espiritual. E eles partem de Pi haHirote, um local que simbolizava a idolatria e a imoralidade.

Deixam simbolicamente uma vida pecaminosa e seguem pelo caminho da libertação, da revelação e da transformação, pela imersão nas águas de Yam Suf (Mar Vermelho), no que poderia ser descrito como um gigantesco Mikveh, um batismo nas águas de tamanho imensurável.

Significantemente, o evento no Mar Vermelho aconteceu sete dias após os Hebreus terem deixado o Egito.

É a mesma quantidade de tempo requerido para a reunificação entre marido e esposa, depois que a mulher passava pela cerimônia do Mikveh (um tipo de banho por imersão no Judaísmo).

Há uma interpretação que leva essa ideia ainda mais a fundo, descrevendo as sete semanas entre a Pesach (a Páscoa) e a Shavuot (o Pentecostes), entre o Êxodo e a Revelação no Sinai, como o tempo requerido para preparação.

Porque aos pés do Monte Sinai, Moisés declara uma estranha Lei: Maridos e Esposas devem estar separados em preparação para a revelação.

Isto foi para simbolizar o novo casamento que estava para ocorrer entre Deus e o homem, assim como entre cada casal.

Eles iriam começar novamente, um recomeço, em união baseada na santidade, através desse ato de separação, através desse ato de autodomínio.

Assim como José, eles estariam prontos para receber a Lei de Deus, em santidade e completamente livres.

“Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se.” Provérbios 25:28

obre o autor Israel Silva | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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