Orientação sobre o relacionamento conjugal

       Há uma considerável lista de fatores que contribuem para as dificuldades conjugais. Destacamos alguns dos problemas mais frequentes nas seções de aconselhamento como dificuldades financeiras; problemas sexuais; incompatibilidade de gênios; questões relacionadas a personalidade tais como a introversão e extroversão; nascimento de filhos, ou sua saída de casa com a maioridade; diferenças de educação; formação profissional; estilo de vida e objetivos; infidelidade conjugal; itens pertinentes à estética: beleza física; idade; etc.; problemas psicológicos e diferenças de credo e fé.

       Antes de abordar essas questões, mostraremos os elementos que são básicos para o fortalecimento da relação. Há três coisas básicas que considero como colunas  de sustentação do lar: a maturidade, a comunicação e o amor. Sem esses elementos, o relacionamento familiar torna-se prejudicado. Em seguida, abordaremos os principais conflitos e a maneira como resolvê-los.

AS TRÊS COLUNAS DE SUSTENTAÇÃO DO LAR

       A Bíblia é clara quando se trata da solidez da família e do matrimônio. Ela destaca os cuidados que se deve ter na construção de uma casa: “Quando algum de vocês construir uma casa nova, faça um parapeito em torno do terraço, para que não traga sobre a sua casa a culpa pelo derramamento de sangue inocente, caso alguém caia do terraço.” (Dt 22:8). Devemos dar sempre importância à segurança de nosso lar.

       Há textos que também falam da maturidade e da sabedoria indispensáveis para o bom relacionamento:

Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele. (Pv 29:20)

A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata derruba a sua. (Pv 14:1)

       Assim como uma casa precisa de colunas firmes para manter-se de pé, assim, também, o matrimônio precisa estar fundamentado em, pelo menos, três princípios, a fim de que o casamento resista às intempéries da vida. Maturidade, comunicação e amor são os três ingredientes indispensáveis para mantermos o lar bem estruturado e seguro.

I – A MATURIDADE EMOCIONAL

       A insegurança é um problema que atinge a maioria das pessoas. São inúmeras as situações que podem desencadear um sentimento de insegurança. Quem nunca se sentiu inseguro alguma vez em sua vida?

       Basta lembrar-se do primeiro na escola quando era criança, ou da primeira vez que teve que apresentar um trabalho diante da classe, ou então, do dia da formatura, da primeira viagem de avião, do primeiro dia no trabalho, ou ainda o dia do casamento, e assim sucessivamente.

       É natural sentirmo-nos inseguros diante de situações novas ou ameaçadoras. Existe, porém, uma forma extrema de insegurança, que é destrutiva e causada por um temor imaginário ou inexistente e algo amaçador. As pessoas que sentem esse tipo de problema criam as situações em sua mente e comportam-se como se elas de fato existissem desenvolvendo uma insegurança em relação a si mesma e ao mundo em sua volta.

       Há vários fatores que podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da insegurança emocional.

1 – A imaturidade e a estrutura da personalidade

       O problema da insegurança está mais relacionado à estrutura da personalidade de cada pessoa e a maneira como ela relaciona-se consigo mesma e com o seu mundo social (família, trabalho, igreja, amigos, etc.).

       Tudo depende do modo como a pessoa percebe as coisas e a valorização que dá a elas. Uma mulher insegura, com uma autoestima baixa, por exemplo, poderá sentir-se ameaçada ao ver o marido conversando com outra mulher, ou então se sentirá infeliz ao ver duas pessoas conversando  baixinho por acreditar que elas estejam falando a seu respeito.

       A insegurança mórbida e a carência efetiva produzem comportamentos instáveis que chamam a atenção de forma desagradável. Um exemplo claro desse tipo de insegurança é o ciúme doentio. O ciúme é externado por meio de atitudes imaturas como ira, ódio, decepção, tristeza, vergonha, humilhação, etc. A pessoa ciumenta desconfia do seu próprio valor, acha que não é tão importante ou que não é amada por seu parceiro(a).

2 – A imaturidade e os conflitos pessoais

       Outra demonstração de insegurança emocional está na manifestação de conflitos pessoais como os complexos. O complexo de inferioridade, por exemplo, leva a pessoa a sentir-se incapaz, pequena e indefesa diante dos outros, que passam a representar uma enorme ameaça. A pessoa sente-se inferiorizada, sem autoestima.

       Há outras situações que demonstram insegurança emocional como, por exemplo, a timidez excessiva, a autocrítica, o medo do fracasso, etc. Todas essas situações estão relacionadas a uma autoestima baixa. Uma pessoa cuja autoestima é baixa está fadada ao insucesso, a carências e à insatisfação pessoal.

       Quem possui esse tipo de insegurança precisa alcançar a maturidade emocional. É possível encontrar o equilíbrio e agir de forma madura diante das situações que possam ameaçar a segurança emocional.

3 – Alcançando  maturidade

       Alcançar a maturidade é aprender a enfrentar a vida de maneira simples e direta, tomando consciência, de que o problema não está no outro, mas em si mesmo.  Há pessoas que sempre culpam alguém ou alguma coisa pelo seu comportamento, nunca assumindo a responsabilidade pelos seus próprios atos. Fundamentam-se numa visão determinista que tenta explicar o comportamento humano por meio do determinismo genético, psíquico e ambiental.

       O determinismo genético procura explicar a natureza humana a partir da herança genética que possuímos, admitindo que nossas atitudes foram herdadas de nossos ancestrais (avós, pais, tios, etc.). O determinismo psíquico culpa os pais pela formação da personalidade , atribuindo falhas na criação, educação e experiências vividas na infância. O determinismo ambiental responsabiliza o ambiente ou meio social onde a pessoa desenvolveu-se pela formação do seu caráter.

       Apesar de reconhecermos que somos influenciados por esses aspectos e que, em parte, somos condicionados pelo meio social, pela disposição genética, pela educação e pelas experiências vividas na infância, não podemos afirmar que essas coisas isoladamente determinam o que somos, ou que não temos nenhum controle sobre nossas atitudes.

       Dizer simplesmente  “Eu sou assim”, ou “Eu nasci assim”, ou “Eu não tenho culpa de ser assim” é uma maneira imatura de justificar suas ações negativas.

       Quando alcançamos a maturidade emocional, entendemos que podemos ter controle sobre nossas atitudes e, assim, adquirimos a capacidade de superarmos as experiências negativas ou traumáticas que tenhamos vivido durante nossa vida. Enquanto você não perceber que o problema está em si mesmo, não estará apto para mudar. Você continuará culpando as outras pessoas e tornando-se cada vez mais infeliz.

II – A COMUNICAÇÃO

       A comunicação nos relacionamentos conjugais  é uma ferramenta indispensável para a construção do bem-estar psíquico do indivíduo. Essa peça é condição imprescindível para o fortalecimento das necessidades no casamento. É necessário que haja uma troca de ideias, ideais, opiniões e ponto de vista.

       A comunicação é algo complexo que exige um exercício de paciência, autocontrole e, acima de tudo, uma vontade extrema de construir uma boa relação.

       Nos chamados tempos modernos, a comunicação torna-se cada vez mais rara, transformando-se numa tragédia para a humanidade. O pastor Antonio Gilberto afirma: “A chave para se conhecer qualquer coisa é o amor e a comunicação. Sem comunicação a pessoa começa a morrer por dentro”.

       Vivemos na era da informática – é poca de grande avanço tecnológico. Possuímos empresas com grande know-how, que estão entre as mais modernas em matéria de comunicação no mundo.

       Somos capazes de assistir ao vivo a um transmissão de algum evento, independentemente da distância e do local onde esteja ocorrendo. Ao nosso alcance, temos computadores de última geração que desenvolvem trabalhos com uma rapidez incrível. Através deles, podemos, via Internet, ter acesso a informações do mundo inteiro; porem, ao mesmo tempo, em que houve uma aparente aproximação dos povos através dessa evolução ímpar, há, também, o agravante de as pessoas estarem cada vez mais isoladas umas das outras.

       A máquina está substituindo o homem. Entre as pessoas, está ocorrendo uma perda de contato. A falta de tempo é um problema que acomete a maior parte da população mundial. Com isso, a interação entre as pessoas está cada vez mais virtual. O pouco tempo que se tem livre é um dos motivos que diminui ainda mais a disponibilidade das pessoas para saírem e se encontrar. (Suel Gevertz. Psicóloga e Psicanalista).

       O problema torna-se mais grave quando isso ocorre dentro de casa.  Há vários fatores que contribuem para o agravamento dessa situação. Dentre eles, está a luta pela sobrevivência, que provoca um desencontro entre os membros da família.

       Em geral, nos grandes centros, as pessoas saem ara trabalhar cedo enquanto os seu filhos ainda estão dormindo. Ao voltar à noite, já os encontram dormindo. Às vezes, os filhos encontram os seus pais apenas no final de semana. Talvez seja essa a realidade da sua família.

       As transformações sociais que atingem nossa sociedade refletem principalmente a estrutura familiar. A falta de recursos, o desemprego e a pobreza têm levado muitas pessoas a buscar uma melhoria de vida nas grandes cidades. Muitos, não obtendo sucesso, passam a morar na periferia em condições precárias. Sabemos que esse problema é um verdadeiro caos social que tem contribuído para o aumento da violência, do vandalismo. As pessoas sentem medo, afastando-se uma das outras. E possível que isto esteja acontecendo com você ou com alguém muito próximo. As consequências são as mais drásticas possíveis. O medo, a solidão e uma sensação de vazio têm dominado a geração atual. É algo calamitoso!

       Como vai a comunicação no seu lar? Como é o seu relacionamento com os seus pais e com os seus irmãos? Existe problema de comunicação na sua casa? Existem vários elementos que estão contribuindo para essa quebra de comunicação. Observe-os e descubra como combatê-los.

       O primeiro elemento é o excesso de horas na frente da televisão. Esse tem sido um dos grandes vilões e responsáveis por esse problema. A televisão contribui para o afastamento entre os membros da família. Você já imaginou quanto é desagradável para a mãe que deseja a ajuda da filha escutá-la dizer: “Não posso atendê-la agora, mãe. Espera só a novela terminar!”, ou então o filho que deseja mostrar algo para o pai ou tirar alguma dúvida, escutar este dizer-lhe: “Por favor, não me incomode! Você não vê que estou assistindo o Jornal?”. Já pensou o quão é sentir-se menos importante do que a novela ou um programa jornalistico?

       Hoje, infelizmente, os programas televisivos interferem até mesmo no horário das refeições, momento em que, costumeiramente, as famílias reuniam-se e confraternizavam-se.

Existem alguns brinquedos eletrônicos, a exemplo do vídeo game, que também roubam tempo da família. Esses brinquedos são bastante atrativos; porém trazem, na maioria das vezes, alguns danos: incitam a violência, levam ao alheamento das atividades escolares, viciam e levam a preguiça e à ociosidade. Procure selecionar esses brinquedos e use-os moderadamente.

       O segundo elemento que vem contribuindo acentuadamente para a quebra da comunicação no lar é a internet. Talvez, essa seja uma das maiores criações do final do século XX e início desse novo milênio. Através da internet, você pode receber ou enviar mensagens de qualquer parte do planeta.

      A cada dia que passa a internet torna-se acessível a todos. Mesmo aqueles que não possuem um computador em casa já podem ter acesso no colégio, ou mesmo na casa de um amigo.

       Pesquisas mostram que 87% da população brasileira, já acessa  internet, nem que seja, em casa, no trabalho, na rua ou em LAN houses. As compras por Internet crescem a cada dia. O ano de 2010 fechou com 14,8 bilhões de vendas via internet¹.

       No entanto, um instrumento tão útil também pode ser bastante destrutivo. Basta visitar alguns sites para se deparar com situações de risco. Satanás tem usado esse meio para a difusão do pecado, da prostituição e de coisas semelhantes.

       O mais agravante é o tempo demasiado que algumas pessoas ficam na frente de um computador navegando na internet, isolando-se dos seus familiares. O vício em internet, assim como muitos outros vícios chamados de dependências comportamentais, podem causar danos físicos e emocionais ao portador do problema.

¹Disponível em:

http://www.avellareduarte.com.br/projeto/conceituacao/conceituacao1/conceituacao14_internetBrasil2011.htm

A busca por um ponto de equilíbrio

       Existe um equilíbrio para tudo! A internet é necessária para a comunicação na sociedade globalizada. A comunicação virtual, por exemplo, promove inúmeras vantagens, mas também pode ser ilusória. Ela não deve, por exemplo, tornar-se um meio de fuga e refúgio para os que tem dificuldades nas relações interpessoais, timidez excessiva, medo ou insegurança de expor-se ao outro. Isso poderá aumentar o distanciamento entre as pessoas e, consequentemente exacerbar as dificuldades de cada um, trazendo sentimentos de isolamento e solidão. 

       O melhor a fazer é enfrentar a verdadeira experiência humana, tomar consciência de que temos problemas e que estes devem ser tratados.

Lições práticas

       Torna-se importante sabermos utilizar os recursos da mídia, particularmente da Internet, a nosso favor, com sabedoria e discernimento, aproveitando os benefícios que cada tipo de relacionamento promove, de modo que possamos viver mais plenamente e próximos daqueles que amamos.

       Faça uma autoavaliação e veja quantas horas por dia você permanece na frente da televisão, do vídeo game e/ou da Internet. Proponha a si mesmo uma diminuição deste tempo. Aceite, por exemplo, o desafio para não assistir televisão as domingos durante certo tempo, usando esse período para outra atividade como: a leitura de um livro, um dia de evangelismo, visitas nos lares, orfanatos, hospitais, etc. Em seguida ore a Deus e peça a ele que o ajude a cumprir esse propósito.

       Outro elemento que tem contribuído para a quebra na comunhão no lar, tem sido as desavenças, brigas e desentendimentos, gerando algumas vezes, intrigas entre irmãos até mesmo entre pais e filhos. Se essa é a sua realidade, deixe Deus, através de de você, abençoar seu lar. Para isso descubra o valor do perdão e reconcilie-se com seu irmão ou com seus pais; assim, você estará abrindo um espaço para a operação de Deus.

III – O AMOR

       Amar não é uma opção, mas, sim, um mandamento bíblico. Vejamos o que a Bíblia diz: .”Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela.” (Ef 5:25).

       O amor é mais do que a expressão de um sentimento. É a manifestação de ações positivas e incondicionais. O amor é a base para um bom relacionamento.

A Bíblia ensina que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. (Mt 22:37_39). Nossa relação com Deus é determinante para que tenhamos um bom relacionamento com as pessoas e com o mundo em que vivemos.

Devemos amar as pessoas sem distinção, independentemente da cor ou da posição social. A prática do amor deve começar em casa. Há pessoas que tratam os amigos, colegas e outros que não fazem parte do seu círculo familiar com muita atenção e simpatia, mas tratam aos de casa asperamente e com indiferença. Para termos um lar abençoado, é necessário mantermos, um bom relacionamento com nossa família.

Amar não é uma opção, mas um mandamento bíblico (Ef 5:25). O amor é manifestado através de nossas atitudes. O livro de Provérbios mostra como praticar o amor:  “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber.
Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você.” (Pv 25:21,22).

       O amor é algo que não apenas beneficia quem recebe, mas também reconforta quem oferece. Amar é fazer ao outro aquilo que você deseja para si (Lc 6:31). Quem ama dá o melhor de si para o outro. Quando agimos assim, conseguimos resgatar o amor e desfrutar da benção de Deus.

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

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