O Desenvolvimento da Personalidade

Segundo Jung (1981), a personalidade é uma semente que só pode se desenvolver em pequenas etapas durante a vida. Acrescenta que não é a criança, mas o adulto que pode alcançar a personalidade como fruto de uma vida cheia, orientada para este fim (MOSQUERA, 1984). 

Em uma visão do desenvolvimento humano podemos dizer que sua possibilidade interpretativa decorre de compreendermos toda a vida como um contínuo desenvolvimento. De acordo com Arnold (1972) é importante conhecer aspectos como: crescimento, maturação, desenvolvimento e aprendizagem. Estes são básicos para o entendimento da existência humana. Observa-se que o crescimento se dá a partir do desenvolvimento do indivíduo em seus aspectos físicos (MOSQUERA, 1984). 

Crescimento não é simples aprendizagem ou aculturação, tampouco a simples maturação; se aproxima mais ao produto das duas, especialmente visando o desenvolvimento físico. Neste sentido, a maturação responde ao critério que poderíamos apontar como prontidão orgânica, fazendo com que o indivíduo apresente aspectos comportamentais de acordo com a sua idade física em determinada etapa do desenvolvimento (MOSQUERA, 1984). 

Se crescimento se refere ao todo, o desenvolvimento indica a personalidade nos seus variados aspectos. É importante compreender que a criatura humana se desenvolve desde o nascimento até a morte (MOSQUERA, 1984). 

O conceito de personalidade é bastante amplo, pois inclui conceitos e termos como sejam os de traços, estados, qualidades e atributos, todos eles variáveis na constância ou nas alterações de comportamento, referem-se estes, por exemplo, às motivações, aos estilos de atenção, às manifestações emotivas ou à eficácia (AUWEELE, CUYPER, MELE E RZEWNICKL, 1993). 

Nenhum ser humano mostrará traços que já não existam em outros indivíduos, como uma espécie de patrimônio do ser humano, ou seja, a todos os indivíduos de uma mesma espécie são atribuídos os traços característicos dessa espécie. Porém, a combinação individual desses traços em proporções variadas numa determinada pessoa caracterizará sua personalidade ou sua maneira de ser (AUWEELE, CUYPER, MELE E RZEWNICKL, 1993). 

Referências aos traços particulares ajudam a especificar a natureza de uma pessoa. Algumas destas expressões são utilizadas no senso comum de um sistema sociocultural. Costuma-se elaborar uma relação extensa de adjetivos utilizados para a arguição dos indivíduos, como: sincero, honesto, compreensivo, inteligente, cálido, amigável, ambicioso, pontual, tolerante, irritável, responsável, calmo, artístico, científico, ordeiro, religioso, falador, excitado, moderado, calado, corajoso, cauteloso, impulsivo, oportunista, radical, pessimista, e por aí afora (SINGER, 1977). 

Podemos considerar o traço predominante da pessoa em apreço a característica que melhor a define, como se, entre tantos traços tipicamente e caracteristicamente humanos, este traço específico predominasse sobre os demais. 

Os traços não agem independentemente uns dos outros. Uma pessoa é o que ela é devido à combinação e interação de muitos traços, cujo número ainda não foi determinado. O conceito de traço é uma pedra central da construção da personalidade do indivíduo e os traços psicológicos podem ser definidos como estruturas internas estáveis que servem como predisponentes do comportamento e, consequentemente, podem ser “indicadores” de futuros comportamentos (AUWEELE, CUYPER, MELE E RZEWNICKL, 1993). 

Além disso, uma análise subjetiva da personalidade de outra pessoa é usualmente distorcida pela percepção da pessoa que está fazendo a análise. Frequentemente, vemos os outros usando-nos como um sistema de referência. Embora seja possível descrever certas características, a extensão em que estas estão presentes numa pessoa é julgada com base na presença destas em outro ser, em um grupo particular ou em uma norma da sociedade (SINGER, 1977). 

Quando o comportamento é demonstrado, o resultado puro é reflexo do nível em que uma variedade de traços de personalidade existe. Desde que tantos fatores ditam o comportamento a qualquer momento, não é nenhum assombro o fato dos psicólogos geralmente apoiarem a ideia de que personalidade é uma questão individual. É uma forma única de alguém se expressar. O arranjo dos sistemas psicofísicos de cada pessoa dita suas tendências a responder de uma forma previsível, quando estimulada (SINGER, 1977). 

Tais tendências são construídas por meio dos anos. A genética determina a predisposição para agir, mas os comportamentos específicos não são herdados. Entretanto, a transmissão genética fornece a estrutura, enquanto as experiências de vida trazem à tona ou reprimem as tendências comportamentais. Aparentemente, as situações ambientais da infância são as mais cruciais no desenvolvimento da personalidade. Os comportamentos em certas situações se tornam estabilizados com a experiência e o passar dos anos. Muitos parecem ser habituais. Eles são mais resistentes à mudança ou modificações, na medida em que a força do hábito aumenta. São aqueles padrões de comportamento usualmente consistentes e previsíveis, que tendem a sugerir a personalidade do indivíduo (SINGER, 1977). 

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/o-desenvolvimento-da-personalidade-humana/25574

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