Fatores somáticos

      Outra concepção bastante difundida acerca da personalidade, entretanto questionada por alguns teóricos, é a teoria baseada na constituição biotipológica, segundo a qual a genética não estaria limitada exclusivamente à cor dos olhos, dos cabelos, da pele, à estatura, aos distúrbios metabólicos e, às vezes, às malformações físicas, mas também determinaria as peculiares maneiras de o indivíduo relacionar-se com o mundo: seu temperamento, seus traços afetivos, etc.

      Como vimos no tópico anterior, não existe dúvida alguma de que as diferenças quanto à constituição física, bem como o funcionamento fisiológico, podem ter efeitos na personalidade.

       Sheldon realizou um trabalho na Universidade de Harvard na tentativa de mostrar a relação entre físico e temperamento. Depois de ter estudado e medido fotografias de homens nus, ele concluiu que toda constituição física pode ser identificada em função das respectivas quantidades de três  componentes:

  • Endomorfia – componente gorduroso e visceral (firmes e obesos);
  • Mesomorfia – componentes ósseos e muscular (dominância de musculatura desenvolvida);
  • Ectomorfia – componente cutâneo (pele – fragilidade estrutural).

       Para Sheldon, a constituição física do indivíduo estava diretamente relacionada com o temperamento. Para comprovar sua teoria, ele isolou três grupos fundamentais de traços que considerou como satisfatórios, para dar conta de todas as diferenças individuais quanto ao temperamento. Esses grupos foram chamados por ele de viscerotonia, somatonia e cerebrotonia.

       Na sua correlação, ele afirmava existir uma tipologia temperamental na qual se incluem três componentes:

  • Viscerotonia – gregaridade, expressão fácil de sentimentos, dependência de aprovação social;
  • Somatonia – assertividade, energia física, ansiedade baixa, coragem, indiferença à dor, necessidade de poder;
  • Cerebrotonia – contenção, autoconsciência, introversão, retirada social, solidão.

Alguns críticos acharam que as correlações de Sheldon eram demasiadamente altas para serem verdadeiras. Comprovou-se, também, que algumas mudanças significativas no tipo somático do indivíduo aconteciam devido às diferenças quanto à alimentação, à má saúde, etc. Além do mais, o problema da interpretação das correlações encontradas entre os traços da personalidade e a constituição física sofre a interferência do fator e reações sociais. Entretanto, sabe-se que, de alguma forma, a personalidade pode ser influenciada pelos fatores somáticos.

Bibliografia:

Psicologia Pastoral

Jamiel de Oliveira Lopes

CPAD

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