O líder e sua relação com a igreja e o ministério

       O líder precisa saber relacionar-se bem com seus liderados e colegas de ministério, aprendendo a trabalhar como uma equipe unida numa única força. A Bíblia mostra-nos que:

Ec 4:9,10,12b

“É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas.
Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se![…] Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.”

       Formar uma boa equipe de trabalho é o primeiro passo para alcançarmos o sucesso naquilo que desenvolvemos. Quando trabalhamos em equipe, produzimos mais, distribuímos melhor as tarefas e temos um esforço individual menor. Esse foi um dos princípios que Moisés, no deserto, precisou aprender (Ex 18:13_26).

       O líder não deve criar uma distância entre si mesmo e os seus liderados, considerando-se superior a eles, dificultando o acesso das pessoas a ele, ou discriminando os mais humildes. Jesus deixou-nos um grande exemplo. Ele aproximava-se da multidão e tratava a todos indistintamente. Da mesma forma que ouviu a Nicodemos, um doutor da lei, Cristo, do mesmo modo, ouviu ao cego Bartimeu, que esmolava à beira da estrada.

1 – Desenvolvendo uma interação adequada

       Um bom relacionamento depende de duas coisas básicas:

                    -Primeiro: de conhecermos as características da personalidade do outro;

                    -Segundo: de respeitarmos o modo de o outro pensar e interpretar as coisas. Uma relação não funciona quando tentamos modificar a outra pessoa sem que ela queira ou quando desejamos que o outro seja exatamente como queremos.

       Já vimos anteriormente que é necessário compreendermos o indivíduo – sua personalidade, seu comportamento e, consequentemente, para o sucesso no trabalho que estamos realizando.

       Precisamos compreender o outro como ele é e conhecer os traços de personalidade que caracterizam essa pessoa. Cada indivíduo é único. Existem características explícitas que podem ser observadas facilmente e também outras mais profundas que só podem ser observadas mediante uma relação mais profunda com a pessoa.

2 – Aceitando o outro como ele é

       Já vimos que a formação da personalidade é um processo gradual, complexo e único a cada pessoa. Trata-se do resultado de um conjunto de características inatas que o indivíduo traz consigo ao nascer, acrescido das experiências adquiridas no decorrer da vida. A personalidade é mostrada através de tudo aquilo que a pessoa é capaz de produzir ou ser.

      Existem aspectos da personalidade que dificilmente mudam, como por exemplo, o temperamento. Precisamos entender como as pessoas funcionam para agirmos adequadamente com elas, aceitando-as incondicionalmente. Não se trata de aceitar os pecados, desvios de comportamentos e atitudes antissociais das pessoas, mas, sim, entendê-las e respeitá-las. Cada pessoa tem o seu próprio ritmo e modo de fazer as coisas. Não adianta exigir praticidade de alguém que costuma ser metódico ou esperar que uma pessoa muito extrovertida permaneça calada numa reunião social. São esses aspectos que diferenciam uma pessoa da outra. Se formos capazes de compreender isso, conseguiremos um relacionamento melhor com os outros.

       Quando não somos capazes de perceber quais as características de personalidade com as quais devemos interagir, agimos inadequadamente com o outro, provocando neste, algumas vezes, feridas emocionais difíceis de cicatrizar.

3 – Compreendendo as necessidades interpessoais

       De acordo com estudos da psicologia apresentados por Bergamini (1996), cada indivíduo possui, pelo menos, três tipos de necessidades interpessoais:

  • Necessidade de inclusão;
  • Necessidade de controle;
  • Necessidade de afeição.

       Essas necessidades constituem um conjunto de áreas que dizem respeito ao comportamento interpessoal.

       É necessário haver um equilíbrio no desenvolvimento dessas necessidades. Há pessoas que valorizam excessivamente alguma necessidade interpessoal, gerando, às vezes, determinados comportamentos que dificultam o relacionamento. Se formos capazes de perceber e compreender esse processo, com certeza nos relacionaremos melhor com as outras pessoas.

3.1 – Necessidade interpessoal de inclusão

       Todos nós possuímos uma necessidade de inclusão. Sentimos interesse por outras pessoas e desejamos que elas também tenham interesse por nós. Queremos manter um relacionamento satisfatório e esperamos que o outro nos veja como uma pessoa significante, de valor.

       A necessidade de inclusão leva a, pelo menos, três tipos de comportamentos:

  •     O supersocial – Uma pessoa supersocial desenvolve muita atividade, principalmente no sentido de tomar grandes iniciativas de incluir pessoas no grupo. São excelentes recepcionistas. 
  •     O social – O social tem uma moderada preocupação de ser incluído e incluir os outros no grupo.
  •       O hipossocial – O hipossocial, por sua vez, espera que os demais tomem toda a iniciativa de incluí-los, desenvolvendo por si mesmos pouca atividade nesse sentido. Essas pessoas precisam de um pouco mais de atenção.

       O pastor precisa aproximar-se das pessoas mais distantes e isoladas na igreja, evitando que alguém se sinta excluído. Às vezes o simples acenar com a mão para alguém é o suficiente para ela sentir-se valorizada.

3.2 – Necessidade interpessoal de controle

       A necessidade de poder é algo inerente ao ser humano. Talvez seja esse um dos maiores motivos que leva as pessoas a divergirem e desentenderem-se. Na relação entre as pessoas, frequentemente surge o famoso jogo psicológico dominador – dominando. Aquela velha história sobre quem manda mais. A necessidade de mandar e controlar os outros de uma maneira desordenada poderá trazer sérios prejuízos numa relação.

      A necessidade de controle leva a, pelo menos, três tipos de comportamentos:

  • O autocrata – O autocrata procura, sobre maneira, estar sempre no controle de tudo. Geralmente, essas pessoas sentem dificuldade de ficarem submetidas ao comando de outras pessoas.
  • O democrata – A pessoa democrata, quando necessário, assume o controle, mas aceita naturalmente o controle de outra pessoa.
  • O abdicrata – O abdcrata é caracteristicamente um tipo submisso. Uma pessoa que prefere ser controlada, que não tem iniciativa alguma e não consegue assumir a liderança de um grupo.

       O pastor precisa lidar com esses tipos de comportamento, inclusive com a sua própria necessidade de poder, evitando o surgimento de tensões e conflitos. Às vezes, perdemos alguém muito útil à obra por não entendermos o comportamento dessa pessoa.

       Sem percebermos, começamos a competir com ela, não a deixando opinar ou participar de alguma atividade na igreja. Sentimos como se estivéssemos sendo ameaçados e acabamos transformando essa pessoa num inimigo. De uma forma imatura, desejamos que todos sejam subservientes. Ultrapassar isso poderá ser um passo além da maturidade que poderá trazer vantajosos benefícios para a obra de Deus.

3.3 -Necessidade interpessoal de afeição

       Todos nós possuímos uma necessidade de afiliação. Desejamos sentir-nos dignos de ser amados e esperamos receber aprovação social, respeito, status, prestígio e consideração. A afetividade desempenha um papel essencial em nossa vidas, levando-nos a uma busca de afeto, carinho, atenção e estima.

       A necessidade de afeição leva a, pelo menos, três tipos de comportamento:

  1. O superpessoal – O superpessoal busca a afeição de uma forma intensa. Sua conduta caracteriza-se pela necessidade de grande intimidade e pessoalidade nas relações. Quando não se sente correspondido, frustra-se e fica magoado.
  2. O pessoal – O pessoal adapta-se facilmente tanto aos relacionamentos próximos como àqueles que exijam um maior distanciamento e impessoalidade.
  3. O impessoal – O impessoal, ao contrário, não evidencia sinais de proximidade  ou intimidade. Comporta-se de forma distante e não demonstra  estar emocionalmente próximo de ninguém.

O líder precisa agir com sabedoria, tratando a todos indistintamente e esforçando-se ao máximo para ser carismático com as pessoas, sendo atencioso com todos, porém respeitando o comportamento de cada um.

4 – A criação de um vínculo  social        

      Se o líder deseja sucesso na sua relação com os outros, precisa aprender a estabelecer um vínculo com as pessoas. O vínculo é um poderoso determinante dos níveis do sentimento de autoestima de cada pessoa. Segundo Bergamini, a formação do vínculo social ocorre a partir do momento em que as pessoas empenham-se para alcançarem uma interação produtiva. O líder precisa ter sabedoria para saber relacionar-se bem com as pessoas, tendo o cuidado para não se envolver emocionalmente com elas.

       O líder deve preparar-se para saber lidar com as necessidades dos seus liderados e ser capaz de compreender o comportamento deles. Não basta apenas se preparar teológica e espiritualmente para assistir o grupo que lidera. É necessário um mínimo de conhecimento na área do comportamento para que haja uma interação produtiva.

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

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