O controle nas emoções

       

Várias questões são levantadas em relação ao papel das emoções na vida civilizada, e, dentre elas, destacam-se as seguintes: “Será que as emoções ajudam na sobrevivência dos organismos, ou será que são principalmente fontes de perturbação, de desajustamento?”; “Será que a maturidade consiste fundamentalmente em reprimir a expressão emocional, de forma que a vida possa ser dirigida de maneira mais racional?” “Será que a expressão emocional é uma espécie de válvula de segurança essencial para um vida saudável?”. Como se vê, reprimir a expressão emocional ou expressá-la tem sido um ponto bastante discutido.

       Já vimos anteriormente que as emoções podem ser úteis ou prejudiciais; podem atender aos objetivos de ajustamento suave e solução de problemas, mas também podem interferir nessas intenções.

       A civilização exige a repressão de grande parte da expressão emocional porque ser civilizado é ser educado, moderado no comportamento; é não perder a cabeça, não perder o controle. Mas, como ser sempre educado e moderado diante das adversidades e conflitos que nos impõe a vida?

       O obreiro vive sob constantes pressões do dia a dia da igreja. Essas pressões são resultantes, na maioria das vezes, do excesso de atividades: construções, administração financeira da igreja, bem como conflitos entre membros e obreiros. Há pastores que nunca tiram férias, esquecem-se de que o corpo precisa de descanso, e é por isso que há uma grande incidência de infarto e AVC entre pastores.

       Em geral, consideramos a imperturbabilidade (a capacidade de suportar) como uma virtude; embora esqueçamos que a maioria das doenças é causada pela repressão das emoções. Pesquisas mostram que muitos pacientes com doenças graves – como cancerosos, por exemplo — passa por uma situação de estresse, entre seis a doze meses, antes dos primeiros sintomas.

       Algumas pessoas usam um mecanismo de defesa ao deslocar uma ação agressiva contra pessoas ou objetos “inocentes”. Isso ocorre frequentemente quando o indivíduo, estando frustrado, não consegue exprimir satisfatoriamente sua agressão contra a origem de sua frustração. Às vezes, o responsável pela frustração é tão poderoso que pode ser perigoso atacá-lo. Quando as circunstâncias impedem o ataque direto à causa da frustração , ocorre o que denominamos de “agressão deslocada“.

       Não é saudável negar a expressão emocional. Isso não significa que se devam exprimir de forma abusiva as emoções. É possível haver um controle sem a navegação da vida emocional.

        Uma das grandes virtudes de um líder é saber expressar as suas emoções sem exceder-se, usando o domínio próprio – a temperança, que é um dos elementos do Fruto do Espírito (Gl 5:22).

       O apóstolo Paulo ensinou-nos: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4:26)O apóstolo mostra que é possível expressar as emoções sem excessos. Tanto a explosão quanto a implosão dos sentimentos são prejudiciais à vida do indivíduo.

       Não adianta a pessoa tentar livrar-se das emoções negativas dissimulando os sentimentos diuturnamente ou tentando manter uma aparente tranquilidade se, em seu íntimo, ela está experimentando tais emoções. Quem assim procede pode, cedo ou tarde, provocar alterações patológicas na saúde.

       Por exemplo, se a pessoa enfrenta uma decepção ou uma perda, é natural ela sentir-se decepcionada e infeliz. Não é necessário ignorar a existência do fracasso ou negar que se sinta abatida. Entretanto, as decepções não precisam transformar-se em amargura a ponto de tornar a pessoa vítima de suas próprias emoções, mas, sim de aceitar a naturalidade de seus sentimentos sem sentir-se culpada por estar emocionalmente perturbada. Devemos dominar as emoções negativas e não deixar que elas nos dominem.

       Com relação à raiva, por exemplo, é importante não deixá-la descambar para a violência na hora em que a sentimos. É possível direcionar a expressão emocional sob formas socialmente aceitáveis, conseguindo um controle emocional sem a negação da vida emocional através de uma higiene de emoções, de forma que as pessoas maduras possam gozar a expressão emocional sem sofrer os danos devidos aos excessos emocionais.

       Compreender nossa vida emocional é importante para mantermos o equilíbrio e a confiança na nossa forma de agir diante dos desafios ou problemas que nos sobrevêm. Não precisamos perder o controle da situação para entendermos que precisamos manter o equilíbrio e tornamo-nos pessoas bem ajustadas.

       Não podemos deixar os conflitos perturbarem a nós e aos outros indevidamente. Devemos enfrentar os problemas de maneira realista, aceitar o inevitável, compreender e aceitar nossas limitações e também as daqueles com quem precisamos lidar.

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

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