Orientação sobre o relacionamento conjugal

 Em Deus Tudo é Possível

       Há uma considerável lista de fatores que contribuem para as dificuldades conjugais. Destacamos alguns dos problemas mais frequentes nas seções de aconselhamento como dificuldades financeiras; problemas sexuais; incompatibilidade de gênios; questões relacionadas a personalidade tais como a introversão e extroversão; nascimento de filhos, ou sua saída de casa com a maioridade; diferenças de educação; formação profissional; estilo de vida e objetivos; infidelidade conjugal; itens pertinentes à estética: beleza física; idade; etc.; problemas psicológicos e diferenças de credo e fé.

       Antes de abordar essas questões, mostraremos os elementos que são básicos para o fortalecimento da relação. Há três coisas básicas que considero como colunas  de sustentação do lar: a maturidade, a comunicação e o amor. Sem esses elementos, o relacionamento familiar torna-se prejudicado. Em seguida, abordaremos os principais conflitos e a maneira como resolvê-los.

AS TRÊS COLUNAS DE SUSTENTAÇÃO DO LAR

       A Bíblia é clara quando se trata da solidez da família e do matrimônio. Ela destaca os cuidados que se deve ter na construção de uma casa: “Quando algum de vocês construir uma casa nova, faça um parapeito em torno do terraço, para que não traga sobre a sua casa a culpa pelo derramamento de sangue inocente, caso alguém caia do terraço.” (Dt 22:8). Devemos dar sempre importância à segurança de nosso lar.

       Há textos que também falam da maturidade e da sabedoria indispensáveis para o bom relacionamento:

Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele. (Pv 29:20)

A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata derruba a sua. (Pv 14:1)

       Assim como uma casa precisa de colunas firmes para manter-se de pé, assim, também, o matrimônio precisa estar fundamentado em, pelo menos, três princípios, a fim de que o casamento resista às intempéries da vida. Maturidade, comunicação e amor são os três ingredientes indispensáveis para mantermos o lar bem estruturado e seguro.

I – A MATURIDADE EMOCIONAL

       A insegurança é um problema que atinge a maioria das pessoas. São inúmeras as situações que podem desencadear um sentimento de insegurança. Quem nunca se sentiu inseguro alguma vez em sua vida?

       Basta lembrar-se do primeiro na escola quando era criança, ou da primeira vez que teve que apresentar um trabalho diante da classe, ou então, do dia da formatura, da primeira viagem de avião, do primeiro dia no trabalho, ou ainda o dia do casamento, e assim sucessivamente.

       É natural sentirmo-nos inseguros diante de situações novas ou ameaçadoras. Existe, porém, uma forma extrema de insegurança, que é destrutiva e causada por um temor imaginário ou inexistente e algo amaçador. As pessoas que sentem esse tipo de problema criam as situações em sua mente e comportam-se como se elas de fato existissem desenvolvendo uma insegurança em relação a si mesma e ao mundo em sua volta.

       Há vários fatores que podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da insegurança emocional.

1 – A imaturidade e a estrutura da personalidade

       O problema da insegurança está mais relacionado à estrutura da personalidade de cada pessoa e a maneira como ela relaciona-se consigo mesma e com o seu mundo social (família, trabalho, igreja, amigos, etc.).

       Tudo depende do modo como a pessoa percebe as coisas e a valorização que dá a elas. Uma mulher insegura, com uma autoestima baixa, por exemplo, poderá sentir-se ameaçada ao ver o marido conversando com outra mulher, ou então se sentirá infeliz ao ver duas pessoas conversando  baixinho por acreditar que elas estejam falando a seu respeito.

       A insegurança mórbida e a carência efetiva produzem comportamentos instáveis que chamam a atenção de forma desagradável. Um exemplo claro desse tipo de insegurança é o ciúme doentio. O ciúme é externado por meio de atitudes imaturas como ira, ódio, decepção, tristeza, vergonha, humilhação, etc. A pessoa ciumenta desconfia do seu próprio valor, acha que não é tão importante ou que não é amada por seu parceiro(a).

2 – A imaturidade e os conflitos pessoais

       Outra demonstração de insegurança emocional está na manifestação de conflitos pessoais como os complexos. O complexo de inferioridade, por exemplo, leva a pessoa a sentir-se incapaz, pequena e indefesa diante dos outros, que passam a representar uma enorme ameaça. A pessoa sente-se inferiorizada, sem autoestima.

       Há outras situações que demonstram insegurança emocional como, por exemplo, a timidez excessiva, a autocrítica, o medo do fracasso, etc. Todas essas situações estão relacionadas a uma autoestima baixa. Uma pessoa cuja autoestima é baixa está fadada ao insucesso, a carências e à insatisfação pessoal.

       Quem possui esse tipo de insegurança precisa alcançar a maturidade emocional. É possível encontrar o equilíbrio e agir de forma madura diante das situações que possam ameaçar a segurança emocional.

3 – Alcançando  maturidade

       Alcançar a maturidade é aprender a enfrentar a vida de maneira simples e direta, tomando consciência, de que o problema não está no outro, mas em si mesmo.  Há pessoas que sempre culpam alguém ou alguma coisa pelo seu comportamento, nunca assumindo a responsabilidade pelos seus próprios atos. Fundamentam-se numa visão determinista que tenta explicar o comportamento humano por meio do determinismo genético, psíquico e ambiental.

       O determinismo genético procura explicar a natureza humana a partir da herança genética que possuímos, admitindo que nossas atitudes foram herdadas de nossos ancestrais (avós, pais, tios, etc.). O determinismo psíquico culpa os pais pela formação da personalidade , atribuindo falhas na criação, educação e experiências vividas na infância. O determinismo ambiental responsabiliza o ambiente ou meio social onde a pessoa desenvolveu-se pela formação do seu caráter.

       Apesar de reconhecermos que somos influenciados por esses aspectos e que, em parte, somos condicionados pelo meio social, pela disposição genética, pela educação e pelas experiências vividas na infância, não podemos afirmar que essas coisas isoladamente determinam o que somos, ou que não temos nenhum controle sobre nossas atitudes.

       Dizer simplesmente  “Eu sou assim”, ou “Eu nasci assim”, ou “Eu não tenho culpa de ser assim” é uma maneira imatura de justificar suas ações negativas.

       Quando alcançamos a maturidade emocional, entendemos que podemos ter controle sobre nossas atitudes e, assim, adquirimos a capacidade de superarmos as experiências negativas ou traumáticas que tenhamos vivido durante nossa vida. Enquanto você não perceber que o problema está em si mesmo, não estará apto para mudar. Você continuará culpando as outras pessoas e tornando-se cada vez mais infeliz.

II – A COMUNICAÇÃO

       A comunicação nos relacionamentos conjugais  é uma ferramenta indispensável para a construção do bem-estar psíquico do indivíduo. Essa peça é condição imprescindível para o fortalecimento das necessidades no casamento. É necessário que haja uma troca de ideias, ideais, opiniões e ponto de vista.

       A comunicação é algo complexo que exige um exercício de paciência, autocontrole e, acima de tudo, uma vontade extrema de construir uma boa relação.

       Nos chamados tempos modernos, a comunicação torna-se cada vez mais rara, transformando-se numa tragédia para a humanidade. O pastor Antonio Gilberto afirma: “A chave para se conhecer qualquer coisa é o amor e a comunicação. Sem comunicação a pessoa começa a morrer por dentro”.

       Vivemos na era da informática – é poca de grande avanço tecnológico. Possuímos empresas com grande know-how, que estão entre as mais modernas em matéria de comunicação no mundo.

       Somos capazes de assistir ao vivo a um transmissão de algum evento, independentemente da distância e do local onde esteja ocorrendo. Ao nosso alcance, temos computadores de última geração que desenvolvem trabalhos com uma rapidez incrível. Através deles, podemos, via Internet, ter acesso a informações do mundo inteiro; porem, ao mesmo tempo, em que houve uma aparente aproximação dos povos através dessa evolução ímpar, há, também, o agravante de as pessoas estarem cada vez mais isoladas umas das outras.

       A máquina está substituindo o homem. Entre as pessoas, está ocorrendo uma perda de contato. A falta de tempo é um problema que acomete a maior parte da população mundial. Com isso, a interação entre as pessoas está cada vez mais virtual. O pouco tempo que se tem livre é um dos motivos que diminui ainda mais a disponibilidade das pessoas para saírem e se encontrar. (Suel Gevertz. Psicóloga e Psicanalista).

       O problema torna-se mais grave quando isso ocorre dentro de casa.  Há vários fatores que contribuem para o agravamento dessa situação. Dentre eles, está a luta pela sobrevivência, que provoca um desencontro entre os membros da família.

       Em geral, nos grandes centros, as pessoas saem ara trabalhar cedo enquanto os seu filhos ainda estão dormindo. Ao voltar à noite, já os encontram dormindo. Às vezes, os filhos encontram os seus pais apenas no final de semana. Talvez seja essa a realidade da sua família.

       As transformações sociais que atingem nossa sociedade refletem principalmente a estrutura familiar. A falta de recursos, o desemprego e a pobreza têm levado muitas pessoas a buscar uma melhoria de vida nas grandes cidades. Muitos, não obtendo sucesso, passam a morar na periferia em condições precárias. Sabemos que esse problema é um verdadeiro caos social que tem contribuído para o aumento da violência, do vandalismo. As pessoas sentem medo, afastando-se uma das outras. E possível que isto esteja acontecendo com você ou com alguém muito próximo. As consequências são as mais drásticas possíveis. O medo, a solidão e uma sensação de vazio têm dominado a geração atual. É algo calamitoso!

       Como vai a comunicação no seu lar? Como é o seu relacionamento com os seus pais e com os seus irmãos? Existe problema de comunicação na sua casa? Existem vários elementos que estão contribuindo para essa quebra de comunicação. Observe-os e descubra como combatê-los.

       O primeiro elemento é o excesso de horas na frente da televisão. Esse tem sido um dos grandes vilões e responsáveis por esse problema. A televisão contribui para o afastamento entre os membros da família. Você já imaginou quanto é desagradável para a mãe que deseja a ajuda da filha escutá-la dizer: “Não posso atendê-la agora, mãe. Espera só a novela terminar!”, ou então o filho que deseja mostrar algo para o pai ou tirar alguma dúvida, escutar este dizer-lhe: “Por favor, não me incomode! Você não vê que estou assistindo o Jornal?”. Já pensou o quão é sentir-se menos importante do que a novela ou um programa jornalistico?

       Hoje, infelizmente, os programas televisivos interferem até mesmo no horário das refeições, momento em que, costumeiramente, as famílias reuniam-se e confraternizavam-se.

Existem alguns brinquedos eletrônicos, a exemplo do vídeo game, que também roubam tempo da família. Esses brinquedos são bastante atrativos; porém trazem, na maioria das vezes, alguns danos: incitam a violência, levam ao alheamento das atividades escolares, viciam e levam a preguiça e à ociosidade. Procure selecionar esses brinquedos e use-os moderadamente.

       O segundo elemento que vem contribuindo acentuadamente para a quebra da comunicação no lar é a internet. Talvez, essa seja uma das maiores criações do final do século XX e início desse novo milênio. Através da internet, você pode receber ou enviar mensagens de qualquer parte do planeta.

      A cada dia que passa a internet torna-se acessível a todos. Mesmo aqueles que não possuem um computador em casa já podem ter acesso no colégio, ou mesmo na casa de um amigo.

       Pesquisas mostram que 87% da população brasileira, já acessa  internet, nem que seja, em casa, no trabalho, na rua ou em LAN houses. As compras por Internet crescem a cada dia. O ano de 2010 fechou com 14,8 bilhões de vendas via internet¹.

       No entanto, um instrumento tão útil também pode ser bastante destrutivo. Basta visitar alguns sites para se deparar com situações de risco. Satanás tem usado esse meio para a difusão do pecado, da prostituição e de coisas semelhantes.

       O mais agravante é o tempo demasiado que algumas pessoas ficam na frente de um computador navegando na internet, isolando-se dos seus familiares. O vício em internet, assim como muitos outros vícios chamados de dependências comportamentais, podem causar danos físicos e emocionais ao portador do problema.

¹Disponível em:

http://www.avellareduarte.com.br/projeto/conceituacao/conceituacao1/conceituacao14_internetBrasil2011.htm

A busca por um ponto de equilíbrio

       Existe um equilíbrio para tudo! A internet é necessária para a comunicação na sociedade globalizada. A comunicação virtual, por exemplo, promove inúmeras vantagens, mas também pode ser ilusória. Ela não deve, por exemplo, tornar-se um meio de fuga e refúgio para os que tem dificuldades nas relações interpessoais, timidez excessiva, medo ou insegurança de expor-se ao outro. Isso poderá aumentar o distanciamento entre as pessoas e, consequentemente exacerbar as dificuldades de cada um, trazendo sentimentos de isolamento e solidão. 

       O melhor a fazer é enfrentar a verdadeira experiência humana, tomar consciência de que temos problemas e que estes devem ser tratados.

Lições práticas

       Torna-se importante sabermos utilizar os recursos da mídia, particularmente da Internet, a nosso favor, com sabedoria e discernimento, aproveitando os benefícios que cada tipo de relacionamento promove, de modo que possamos viver mais plenamente e próximos daqueles que amamos.

       Faça uma autoavaliação e veja quantas horas por dia você permanece na frente da televisão, do vídeo game e/ou da Internet. Proponha a si mesmo uma diminuição deste tempo. Aceite, por exemplo, o desafio para não assistir televisão as domingos durante certo tempo, usando esse período para outra atividade como: a leitura de um livro, um dia de evangelismo, visitas nos lares, orfanatos, hospitais, etc. Em seguida ore a Deus e peça a ele que o ajude a cumprir esse propósito.

       Outro elemento que tem contribuído para a quebra na comunhão no lar, tem sido as desavenças, brigas e desentendimentos, gerando algumas vezes, intrigas entre irmãos até mesmo entre pais e filhos. Se essa é a sua realidade, deixe Deus, através de de você, abençoar seu lar. Para isso descubra o valor do perdão e reconcilie-se com seu irmão ou com seus pais; assim, você estará abrindo um espaço para a operação de Deus.

III – O AMOR

       Amar não é uma opção, mas, sim, um mandamento bíblico. Vejamos o que a Bíblia diz: .”Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela.” (Ef 5:25).

       O amor é mais do que a expressão de um sentimento. É a manifestação de ações positivas e incondicionais. O amor é a base para um bom relacionamento.

A Bíblia ensina que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. (Mt 22:37_39). Nossa relação com Deus é determinante para que tenhamos um bom relacionamento com as pessoas e com o mundo em que vivemos.

Devemos amar as pessoas sem distinção, independentemente da cor ou da posição social. A prática do amor deve começar em casa. Há pessoas que tratam os amigos, colegas e outros que não fazem parte do seu círculo familiar com muita atenção e simpatia, mas tratam aos de casa asperamente e com indiferença. Para termos um lar abençoado, é necessário mantermos, um bom relacionamento com nossa família.

Amar não é uma opção, mas um mandamento bíblico (Ef 5:25). O amor é manifestado através de nossas atitudes. O livro de Provérbios mostra como praticar o amor:  “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber.
Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você.” (Pv 25:21,22).

       O amor é algo que não apenas beneficia quem recebe, mas também reconforta quem oferece. Amar é fazer ao outro aquilo que você deseja para si (Lc 6:31). Quem ama dá o melhor de si para o outro. Quando agimos assim, conseguimos resgatar o amor e desfrutar da benção de Deus.

RESOLVENDO OS CONFLITOS DO LAR

       Para resolvermos os conflitos que surgem no dia a dia da família, precisamos inicialmente compreender o que significa um verdadeiro lar e como devemos cultivar um bom relacionamento em casa.

       A palavra LAR tem origem do latim: “Parte da cozinha onde se acende o fogo“. Posteriormente, o termo passou a ser reconhecido como “Ambiente onde vive uma família”.

       Do sentido original, temos a idéia de um lugar aconchegante. Infelizmente algumas famílias já não desfrutam desse aconchego do lar, pois harmonia e a união da família deram lugar para conflitos e desavenças.

       Deus deseja que tenhamos um lar feliz e abençoado. A seguir, veremos os principais tipos de conflitos e a maneira como resolvê-los.

I – TIPOS DE CONFLITOS

       Já vimos que há, pelo menos, três tipos de conflitos: O Conflito Intraindividual ou Intrapessoal; o Conflito Interpessoal; e o Conflito Extrapessoal.

            • O Conflito Intrapessoal é um conflito que pode interferir no relacionamento conjugal e familiar. Essa forma de conflito pode estar relacionada a traumas da infância como abuso sexual, culpa e má formação da personalidade.
            • O Conflito Interpessoal é um conflito entre duas ou mais pessoas que ocorre, na maioria das vezes, por falta de maturidade e de habilidade para se relacionar com os outros, tendo-se um comportamento individualista.
            • O Conflito Extrapessoal é um conflito oriundo de situações externas que interferem no relacionamento como, por exemplo: dívidas ou má administração financeira, doenças, viagens, ciúmes, etc.

II – SOLUÇÕES PARA OS CONFLITOS NO LAR

       Toda família tem os seus conflitos, quer sejam conflitos intrapessoais, interpessoais ou extrapessoais. A vida das pessoas é uma eterna sucessão de conflitos. É basicamente impossível evitá-los; eles, porém, podem ser administrados e solucionados.

       Quando o conflito é intrapessoal, a pessoa precisa buscar uma ajuda pastoral ou profissional. Em muitos casos, é necessário um tratamento médico e/ou psicológico. Às vezes, a pessoa consegue melhorar por meio de um aconselhamento pastoral.

       Se o conflito está relacionado a causas externas, essas situações precisam ser resolvidas, ou, pelo menos, minimizadas, para que ocorra uma solução do problema, salvo nas situações como doenças ou mortes.

       Agora, se o conflito é interpessoal, faz-se necessário uma mudança no relacionamento ou mesmo na dinâmica familiar. Não podemos perder de vista a orientação do Senhor na resolução dos problemas. Devemos usar a Palavra de de Deus como regra para a solução dos conflitos.

       O conflito é basicamente um problema de percepção, porque as partes envolvidas devem perceber que existe um conflito entre elas. Se ninguém está consciente do conflito, então ele não existe; mas no momento em que uma das partes percebe que a outra a afeta negativamente ou está a ponto de afetá-la, inicia-se, nesse momento, o processo de conflito. Os conflitos podem ir desde um ato sutil de desacordo até a oposição violenta.

       A seguir, apresentamos alguns elementos indispensáveis para a solução de conflitos:

I – O Amor

       Já vimos que amar não é uma opção, mas, sim, um mandamento bíblico. Como, então praticar o amor, ou amar o conjugue, ou a pessoa que o magoou? Para compreendermos isso, mostramos inicialmente como o amor é interpretado.

       Há quatro definições no grego para a palavra “amor”:

Phileo – é o amor fraterno, o de irmãos; daí vem a palavra “filantropia”.

Eros – é o amor físico, erótico, o amor-sentimento, o amor-desejo; daí vem a palavra “erotismo”;

Storgé – é amor afetivo (amor/amizade); que não se baseia na atração física, mas conta com a confiança mútua e os valores compartilhados.

Ágape – é o amor abnegado, altruísta, generoso. O amor verdadeiro (Ágape) é diferente do “amor” explicito nas telas do cinema ou da televisão. Amor é ação (Mt 5:39-45; Rm 12:20; 1ªCo 13). O amor “Ágape” é o que deve existir entre os membros do Corpo de Cristo, pois esse amor flui diretamente de Deus, transcendendo barreiras. Trata-se do amor de Deus derramado no coração do homem. É a busca do melhor para com o próximo sem exigir nada em troca. É o amor de Cristo por nós: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1ªJo 3:16 – ARA).

       O amor é como uma planta que deve ser cultivada a cada dia. quanto mais você alimenta o amor, mas ele cresce. Leiamos uma história impressionante que pode servir omo exemplo do que estamos falando.

Há muito tempo, uma jovem Lili casou-se e foi viver com o marido e a sogra. Depois de alguns dias, passou a não se entender com a sogra. As personalidade delas eram muito diferentes, e Lili irritava-se com os hábitos da sogra que frequentemente a criticava. Meses se passavam e Lili e sua sogra cada vez discutiam e brigavam mais. Lili já não suportando mais conviver com a sogra, decidiu tomar uma atitude e foi visitar um sábio que vendia ervas. Ela contou ao sábio tudo o que estava acontecendo e pediu que ele lhe desse algum veneno para que ela desse à sua sogra e dessa forma pudesse resolver o problema.

O sábio pensou por algum tempo e entrou no quarto dos fundos e voltou alguns minutos depois com um pacote de ervas e disse: – Você não poderá usá-las de uma só vez para se libertar de sua sogra porque isto causaria suspeitas. Vou dar a você várias ervas que irão lentamente envenenar sua sogra. A cada dois dias, ponha um pouco dessas ervas na comida dela. Agora, para ter certeza de que n inguém suspeitará de você, tenha muito cuidado e tente agira de forma muito amigável. Não discuta, obedeça-a em tudo e a trate da melhor forma possível.

Lili ficou muito contente e voltou apressada a casa para começar o projeto de assassinar a sua sogra.

Semanas se passaram e, a cada dois dias, Lili servia a comida “especialmente tratada” à sua sogra. Ela mudou o tratamento para com a sogra e tratou-a como se fosse a própria mãe. Depois de seis meses, a casa inteira estava com outro astral. Lili tinha controlado o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Nesses seis meses não tina ido nenhuma discussão com a sogra, que agora parecia muito mais amável e mais fácil de lidar. As atitudes da sogra também mudaram e ela passaram a se tratar como mãe e filha. Um dia, Lili foi novamente procurar o sábio para pedir-lhe ajuda e disse: – Por favor, me ajude a evitar que o veneno mate minhas sobra! Ela se transformou numa mulher agradável, e eu a amo como se fosse a minha mãe. O sábio sorriu e acenou com a cabeça. – Lili , não precisa se preocupar. As ervas que dei eram vitaminas para melhorar a saúde dela. O veneno estava na sua mente e na sua atitude, mas foi jogado fora e substituído pelo amor que você passou a dar a ela.

2 – Comunicação (Hb 13:16)

       A solução dos conflitos depende do resgate da comunicação. Um dos grandes problemas na comunicação familiar é que não paramos para escutar o que o outro tem a dizer a nós, nem ficamos interessados em dar atenção às suas queixas; apenas falamos  exigimos que o outro entenda o nosso lado. Há vários elementos que impedem a comunicação no lar. Vejamos alguns exemplos no relacionamento do casal:

       A explosão – Essa é uma arma usada principalmente pelos homens. Quando eles gritam, elas geralmente se intimidam e se calam. Se isso se torna uma prática, ela deixará de expressar o que sente para evitar os gritos dele, ou então gritará mais alto para ser ouvida, tornando a relação perturbada por brigas e discussões.

       O choro – Essa é uma arma mais usada por elas, que incomoda muito a eles. Toda vez que ele reclama, ela chora. Se isso se torna uma prática, ele deixará de expressar o que sente para evitar o choro dela.

       O silêncio – Essa é uma arma usada por ambos. O silêncio é uma forma de mascarar o sentimento ou a expressão de uma atitude infantil de birra, que atrapalha, e muito, a relação.

       Há alguns elementos que são imprescindíveis na comunicação:

       Primeiro – devemos ouvir com empatia, colocando-se sempre no lugar da outra pessoa ao ouvi-la.

       Segundo – não devemos tirar conclusões precipitadas;antes, devemos compreender o que a pessoa esta tentando falar.

       E finalmente – devemos cultivar uma boa comunicação, nunca se esquecendo de dizer “Eu te amo” ou “Desculpe-me”.

       É impossível termos uma boa comunicação no lar, com o próximo ou com a igreja se não nos relacionamos bem com Deus. Para que exista comunicação, é necessário um emissor, um receptor e um canal que leva a mensagem. Você é o emissor, Deus o receptor, e a sua oração o meio de comunicação entre você e Deus. Orar é algo mais do que um obrigação.

       Algumas pessoas têm o hábito de orar quando acordam, ou quando levantam, , ou ainda, antes das refeições. Fazem tudo tão mecanicamente que, às vezes, não percebem o significado daquilo que estão fazendo. Orar, porém, é um privilégio que temos. Orar é comunicar-se com Deus. Experimente isso diariamente e torne-se um agente de Deus para abençoar sua casa.

3 – Maturidade

       Um dos maiores problemas que afetam o relacionamento á falta de maturidade. Muitas pessoas, apesar de se amarem, não conseguem viver bem por falta de maturidade. 

       Já vimos que a imaturidade emocional gera sentimentos como insegurança, ciúmes, traumas, complexos, timidez excessiva, medo do fracasso, autocrítica. Uma pessoa alcança a maturidade emocional, quando percebe que o problema não está no outro, mas em si mesma. Quando agimos com maturidade, conseguimos aceitar o outro como ele é.

       Um dos princípios citados por Stephen R. Covey em seu livro “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” é: “Procure primeiro compreender, depois ser compreendido”. Nenhum relacionamento funciona quando tentamos mudar a outra pessoa. Às vezes, criamos um padrão ou uma espécie de forma e tentamos encaixar  o outro nela. Quando o outro não se encaixa nesse modelo que estabelecemos, acabamos rejeitando-o, desconsiderando todas as qualidades e virtudes que a pessoa possui, passando, muitas vezes, a hostilizá-la.

       Um bom relacionamento depende de duas coisas básicas:  

 

  …

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

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