A Nova Jerusalém

       

Depois da visão do novo céu e da nova terra, João viu a nova Jerusalém: “E eu, vi a  Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada, como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2). Ela é a nossa pátria, como disse o apóstolo Paulo: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20). Há diversas descrições da nova Jerusalém na literatura apocalíptica do período inter-bíblico e nos pseudoepígrafos (como o Testamento de 5:12; 2ª Baruque 32:2_4; 2ª Esdras 7:26; 10:49). É bom lembrar que o evento aqui é o pós-milênio. A Jerusalém do Milênio é em Israel, portanto, na terra (Is 2:2-3; 65:18_20), mas a nova Jerusalém, o apóstolo a viu descendo do céu; ela é celestial, e seu arquiteto e construtor é Deus (Hb 11:10). Não é ela a mesma do Milênio. Não é essa a primeira vez que ela é mencionada no Novo Testamento: “Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós” (Gl 4:26). “Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos” (Hb 12:22). É a cidade que esperamos (Hb 13:14), a cidade de Deus (Ap 3:12).

       A descrição da cidade é incompatível com a do Milênio, e as características são completamente fora de qualquer realidade terrena. Deus habitará com o seu povo: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21:3). O tabernáculo foi construído no deserto porque é a vontade de Deus habitar no meio do seu povo: “E me farão um santuário, e habitarei no meio dele” (Ex 25:8). Era a presença de Deus no meio dos filhos de Israel (Lv 26:11; Ez 37:27). Em Cristo, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). O verbo grego para “habitar” aqui é skēnoō, que significa “habitar em tenda” ou “em tabernáculo”; isso fala de habitação temporária, mas o substantivo para “tabernáculo” é skēnē. Do verbo skēnoō. A presença de Deus é contínua na igreja, a sua habitação (1ª Co 3:16; Ef 2:22). Mas, na nova Jerusalém, o “mesmo Deus”, ou seja, o próprio Deus estará com os salvos, homens e mulheres, de forma literal (1ª Jo 3:2). Trata-se da eterna morada dos santos.

       As palavras “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4), mostram que os benefícios aqui transcendem a qualquer período da história e até mesmo do Milênio. Trata-se de uma nova ordem de coisas, por isso a profecia diz que o sofrimento é coisa do passado, pois Satanás e a morte já estão definitivamente fora de ação, vencidos e para sempre no lago de fogo e enxofre.

       Depois da descrição externa da nova Jerusalém, do formato e dimensão, dos muros e portões, e do material de construção (Ap 21:9_21), temos a informação de que a cidade não necessita de sol e nem de lua, pois a glória de Deus a alumia e o Senhor Jesus é a sua lâmpada (Ap 21:23). Essa declaração mostra que aqui já estamos na eternidade. A presença de nações e “reis da terra” fora da Jerusalém celestial depois do Juízo Final (vv. 24_26) tem levado muita gente a confundir o mundo vindouro dos santos com o Milênio. Na verdade, há certo paralelismo entre os benefícios e as bênçãos do Milênio com o lar eterno e definitivo dos santos do Senhor. Mas isso são prenúncios da benção vindoura e não significam dois períodos.

A Razão da Nossa Fé – Assim cremos, assim vivemos – Livro de Apoio das Lições Bíblicas do 3ºT 2017 Adulto CPAD

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