Ética Cristã e Sexualidade

       A sexualidade tem sido fortemente desvirtuada na sociedade pós-moderna. De outro lado, alguns cristãos insistem em tratar o assunto como tabu. Embora o tema possa trazer desconforto para alguns, a sexualidade humana não pode ser subestimada. De acordo com Sigmund Freud (1856-1939), reconhecido como o pai da psicanálise, “o homem tem necessidades sexuais e, para explicá-las, a biologia lança mão do chamado instinto sexual da mesma maneira que, para explicar a fome, utiliza-se do instinto da nutrição. A esta necessidade sexual dá-se o nome de libido” (FREUD, 1970, vol. XVI p.336, 482). Freud atribuiu à libido uma natureza exclusivamente sexual e considerou a fase oral como a primeira na organização da libido da criança. As teorias de Freud contrastaram com o extremo moralismo da interpretação católica e produziram o extremo da licenciosidade, antinomianismo — desprezo à Lei de Deus — e a irresponsabilidade sexual (HENRY, 2007, p.551). Atualmente, a sexualidade da criança vem sendo estimulada e incentivada de modo precoce, e isso em detrimento do desenvolvimento natural e saudável, gerando transtornos comportamentais.

       Ressalta-se que, em virtude do avanço da tecnologia da informação e consequente globalização, nossas crianças têm acesso indiscriminado a todo tipo de conhecimento. E, por estarem em fase de desenvolvimento, tornaram-se alvo de quem as quer perverter. Por meio da inversão dos valores, ideologia de gênero e a erotização da infância, pretendem desconstruir a família tradicional e promover a luxúria, promiscuidade e a imoralidade. Portanto, pela sua abrangência e importância, faz-se necessário refletir sobre a sexualidade, seus conceitos, propósitos e limites éticos estabelecidos nas Escrituras Sagradas.

Introdução

       Se por um lado a sexualidade tem sido desvirtuada na sociedade pós-moderna, por outro lado alguns cristãos insistem em tratar o assunto como tabu. Embora o tema possa trazer desconforto para alguns, a sexualidade humana não pode ser subestimada. Por isso, estudaremos o conceito da sexualidade, o propósito do sexo segundo as Escrituras e o casamento como o parâmetro para o sexo.

Ponto Central

A sexualidade é uma dádiva divina.

I – SEXUALIDADE: CONCEITOS E PERSPECTIVAS BÍBLICAS

       Sexo e sexualidade possuem conceitos próprios, pois ambos constituem-se atos da criação divina.

       A sexualidade é uma das dimensões do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. A questão sexual estava presente no ato da criação quando Deus nos fez “macho e fêmea” (Gn 1:27). Doravante, após a queda, tornou-se um intrigante tema de pesquisa das ciências naturais (biologia, anatomia, etc.) e das ciências humanas (literatura, psicologia, etc.). O campo de abrangência perpassa pela identificação sexual, orientação/preferência sexual, erotismo, satisfação e prazer, imoralidade, prostituição e pornografia, dentre outros. Por meio da revolução sexual das últimas décadas, que relativizou e desvirtuou a liberdade sexual, surgiram novas questões nas áreas da ética, da moral e da religiosidade. Por conseguinte, os conceitos na perspectiva bíblica precisam ser restaurados. 

1 – Conceito de sexo e sexualidade

       A biologia define o “sexo” como um conjunto de características orgânicas que diferenciam o macho da fêmea. O sexo de um organismo é definido pelos gametas que produzem. Gametas são células sexuais que permitem a reprodução dos seres vivos. O sexo masculino produz gametas conhecidos como “espermatozoides” e o sexo feminino produz gametas chamados “óvulos”. A expressão “sexo” ainda  pode ser usada como referência aos órgãos sexuais ou a prática de atividades sexuais. Já o termo “sexualidade” representa o conjunto de comportamentos, ações e práticas dos seres humanos que estão relacionados com a busca da satisfação do apetite sexual, seja pela necessidade do prazer ou da procriação da espécie.

A deturpação da sexualidade

      Dentro dos conceitos modernos da sexualidade, o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) discorreu na obra História da Sexualidade que a postura cristã é repressiva e envolve “proibições, recusas, censuras e negações discursivas” que são impostas à sociedade (FOUCAULT, 1988, p.16). Confabula o filósofo que, ao mesmo tempo em que o radicalismo cristão levava as pessoas a detestar o corpo, também tornou o sexo cobiçado  mais desejável; por conseguinte, a austeridade cristã deve ser combatida em busca de “liberação” sexual (FOUCAULT, 1988, p.149).

      Foucault afirma que essa liberação surgiu quando Freud dissociou a sexualidade do sexo que era baseado na anatomia e suas funções de reprodução restringida aos aspectos biológicos (FOUCAULT, 1988, p.141). Assim, Foucault considera a sexualidade como uma produção discursiva, e, portanto, um construto sócio-histórico de uma sociedade. Por isso, o apelo e o discurso ofensivo na construção da ideologia de gênero, identidade sexual, iniciação sexual precoce, homo afetividade e a nova moda de se falar em sexualidade no plural, como existindo “sexualidades”. A partir daí, o conceito foi deturpado e, em busca de “liberação”, ensina-se que a sexualidade depende da cultura inserida em determinado grupo social. Desse modo, toda e qualquer escolha ou opção sexual passa a ser válida, tais como, homossexualismo, zoofilia, pedofilia, necrofilia e incesto.

2 – O sexo foi criado por Deus

       No ato da criação Deus fez o homem e a mulher sexualmente diferentes: “macho e fêmea os criou” (Gn 1:27). Portanto, o sexo faz parte da constituição anatômica e fisiológica dos seres humanos. Homens e mulheres, por exemplo, possuem órgãos sexuais distintos que os diferenciam sexualmente. Sendo criação divina, o sexo não pode ser tratado como algo imoral ou indecente. As Escrituras ensinam que ao término da criação “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gn 1:31). Desse modo, o sexo não deve ser visto como algo pecaminoso, sujo ou proibido. Tudo o que Deus fez é bom. O pecado não está no sexo, mas na perversão de seu propósito.

A reprodução sexuada e dioica

     Ao criar o ser humano, Deus o dotou de órgãos específicos e especialmente destinados à reprodução da espécie, chamados de órgãos sexuais ou genitais. A esse processo de perpetuação da espécie humana dá-se o nome de “reprodução sexuada”. A reprodução sexuada dos seres humanos é classificada, quanto ao sexo, de “dioica“, ou seja, requer a participação de dois seres da mesma espécie, sendo obrigatório que um deles seja “macho” e outro seja “fêmea”. E isso pelo fato inequívoco de que homem e mulher foram criados com órgãos sexuais apropriados à reprodução. Trata-se de um processo em que há a troca de gametas (masculinos e femininos) para a geração de um ou mais indivíduos da mesma espécie. Percebe-se, então, que Deus não criou meio termo; definitivamente, o ser humano é formado de macho e fêmea. Deus não formou o homem com possibilidades sexuais de desempenhar o papel da mulher no ato sexual, e nem vice-versa. O nosso Jesus Cristo, ao discorrer sobre esse tema, associou a anatomia dos sexos com o propósito divino da sexualidade e da reprodução. O Mestre fundiu o texto da criação e da procriação (Gn 1:27,28) ao texto do relacionamento conjugal (Gn 2:24) indicando que os textos bíblicos se complementam, isto é, a reprodução humana é sexuada e dioica:

Mc 10:6-8

“Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.
Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher,
E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne.”

3 – A sexualidade é criação divina

       Ao criar o homem e a mulher, Deus também criou a sexualidade: “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra…”(Gn 1:28). O relacionamento sexual foi uma dádiva divina concedida ao primeiro casal, bem como às gerações futuras: “deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:24). Sempre fez parte da criação original de Deus a união sexual entre um homem e a sua mulher, formando assim, ambos uma só carne. O livro poético de Cantares exalta a sexualidade e o amor entre o marido e a sua esposa (Ct 4:10_12). Portanto, não é correto “demonizar” o desejo e a satisfação sexual. Assim como o sexo, a sexualidade também não é má e nem pecaminosa. O pecado está na depravação sexual que contraria os princípios estabelecidos nas Escrituras Sagradas.

A sexualidade no livro de Cantares

No judaísmo, a interpretação alegórica de Cantares faz alusão ao amor entre Deus e Israel, e na tradição cristã aparece como uma metáfora do amor existente entre Cristo e sua Igreja. Porém, quanto ao seu gênero literário, Cantares de Salomão é reconhecido pelos intérpretes como sendo um poema de amor. A linguagem é franca, mas também é pura. O livro louva o relacionamento conjugal regido pelo mútuo amor entre marido e mulher. Cantares exalta a sexualidade e não despreza o prazer sexual no âmbito  do matrimônio. O livro narra a celebração do amor na noite de núpcias (Ct 4:1_16) e na vida matrimonial do casal eternamente enamorado (Ct 5:2_6). Nota-se que o livro desmistifica a sexualidade e condena a licenciosidade, enaltece a paixão e desqualifica a promiscuidade, exalta o amor e despreza a lascívia. Assim, Cantares apresenta a sexualidade humana sem depravação e sem malícia. A mensagem denota o ideal divino para a sexualidade: bela, santa e pura.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

       “[…] O Cristianismo não está só quando coloca implicações religiosas no sexo. No mundo antigo a prostituição religiosa celebrava a fertilidade da natureza. No outro extremo, o celibato ainda é adotado como vocação religiosa. Mais pertinente ao sexo é o rito da circuncisão no Antigo Testamento, adotado como sinal de que a aliança de Deus estava sobre os filhos de Abraão, de geração em geração. Os próprios órgãos genitais deviam ser uma lembrança permanente de que a sexualidade é concedida pelo Senhor e que somos responsáveis perante Ele pelo uso do sexo.

       A união sexual e a reprodução fazem parte da criação e foi ordenada por Deus desde o princípio, pela instituição do casamento. O sexo não pode ser retirado desse contexto e tratado de forma meramente biológica ou psicológica, como ocorre na sociedade contemporânea. Seu principal significado não deve ser encontrado em si mesmo, no ato, na experiência ou mesmo em suas consequências sociais. Como em qualquer coisa vista teisticamente, seu significado principal deve ser encontrado em relação a Deus e seus propósitos”.

II – O PROPÓSITO DO SEXO SEGUNDO AS ESCRITURAS

O sexo como criação divina possui finalidades específicas. Holmes afirma que a “história da ética cristã é bastante clara nesse particular. A psicologia do sexo indica o seu potencial de união, e sua biologia indica um potencial reprodutivo” (HOLMES, 2013, p.130). Portanto, o relacionamento sexual conforme idealizado pelo Criador prevê uma realização completa entre macho e fêmea na busca do prazer conjugal e na procriação da espécie.

1 – Multiplicação da espécie humana.

       A finalidade primordial do ato sexual refere-se à procriação. Deus abençoou o primeiro casal e disse-lhes: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 1:28). Tal como o Criador ordenara a procriação dos animais (Gn 1:22), também ordenou a reprodução do gênero humano. Neste ato, Deus concedeu ao ser humano os meios para se multiplicar, assegurando-lhe a dádiva da fertilidade. Depois da queda no Éden (Gn 3:11,23), e a consequente corrupção geral (Gn 6:12,13), o Altíssimo enviou o dilúvio para eliminar o gênero humano (Gn 6:17), exceto Noé e sua família (Gn 7:1). Passado o dilúvio, Noé recebeu a mesma ordem recebida por Adão: E abençoou Deus a Noé e a seus filhos e disse-lhes: frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 9:1). A terra, que outrora fora despovoada, agora deveria ser repovoada por Noé a fim de dar continuidade aos desígnios divinos (Gn 3:15, cf. Rm 16:20).

A benção da fertilidade

       Como já visto, a ordem divina para a procriação da espécia humana é precedida pela benção da fertilidade (Gn 1:28). A partir dessa dádiva e ordenança divina, as narrativas bíblicas registram a busca pela maternidade e paternidade como anseio geral tanto de mulheres quanto de homens. A fertilidade passa a ser indispensável para o cumprimento do preceito divino. Desse modo, os registros das Escrituras quanto à sexualidade estão intrinsecamente relacionados com a reprodução e procriação da vida humana. Após a queda do homem no Jardim do Éden, Deus avisa que, por causa da desobediência, a bênção da fertilidade trará também sofrimento: “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua conceição; com dor terás filhos” (Gn 3:16). Apesar desse novo ingrediente, mulheres e homens, por meio da união heterossexual e do casamento monogâmico, anseiam cumprir a multiplicação da espécie e prover descendência para a família. 

2 – Satisfação e prazer conjugal.

       Por muito tempo ensinou-se que a procriação era o único propósito da relação sexual. O Concílio de Trento (1545 – 1563) disciplinou a pratica sexual com fins exclusivos de reprodução e proibiu o sexo aos domingos, nos dias santos e no jejum quaresmal. Não obstante, a Bíblia também se refere ao sexo como algo prazeroso e satisfatório entre o marido e a sua esposa: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade…” (Pv 5:18,19); e ainda: “Goza a vida com a mulher que amas” (Ec 9:9). Assim, na união conjugal, como também ensina o Novo Testamento, o homem e a sua mulher devem buscar a satisfação sexual (1ªCo 7:5).

       O prazer e o deleite sexual não devem servir para a satisfação promíscua e egoísta de um dos cônjuges. A satisfação conjugal deve ser precedida do sentimento mútuo de amor entre macho e fêmea (1ªCo 7:3_5). Apesar das afirmações equivocadas da atualidade que associam amor, sexualidade e casamento como sendo uma invenção da era burguesa do século XVI, a Bíblia Sagrada ensina desde os primórdios o mútuo cuidado, carinho e o respeito entre um homem e uma mulher casados (Ef 5:21_28). Desse modo, a completa satisfação sexual envolve emoções, sentimentos, carícias e prazer para ambos os cônjuges. De acordo com as Escrituras, o romance e o dom da sexualidade devem ser usados para o prazer mútuo dentro do contexto do casamento monogâmico e heterossexual.  

3 – O correto uso do corpo.

       No ato sexual ocorre a fusão de corpos: “Assim não são mais dois, mas uma só carne (Mt 19:6). O sexo estabelece um vínculo tão forte entre os corpos que os torna uma só pessoa. Como os nossos corpos são membros de Cristo (1ªCo 6:15), e templo do Espírito Santo (1ªCo 3:16), as Escrituras proíbem o uso do corpo para práticas sexuais ilícitas (1ªCo 6:16). São condenadas, dentre outras, as relações incestuosas (Lv 18:6_18), o coito com animal (Lv 18:23), o adultério (Ex 20:14) e a homossexualidade (Rm 1:26_27). O corpo não pode servir a promiscuidade (1ª Co 6:13), mas deve glorificar a Deus, o nosso Pai (1ªCo 6:20).

Templo do Espírito Santo

       Escrevendo à Igreja em Corinto, Paulo menciona vários tipos de pessoas que pecam contra o corpo e são sexualmente imorais, tais como, “os devassos”, “os adúlteros”, “os efeminados” e “os sodomitas”, os quais, afirma o apóstolo, não herdarão o reino de Deus (1ªCo 6:10). Em seguida o texto paulino questiona a igreja acerca do uso indevido do corpo: “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo?” (1ªCo 6:15). Por conseguinte, Paulo ensina que o corpo não pertence ao crente e sim a Deus; por isso, o corpo não pode ser objeto da imoralidade sexual (1ªCo 6:18). O ensino assevera que a imoralidade sexual é pecado que afronta o próprio corpo, que é templo do Espírito Santo (1ªCo 6:19). Por essa razão, o crente não deve contaminar o corpo, pois é santuário de Deus. Por fim, exorta-nos o texto bíblico: “[…] glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1ªCo 6:20). Conclui a Escritura que o nosso corpo foi comprado por bom preço, e, por essa razão, pertence ao Senhor que nele habita e requer do crente salvo que mantenha o templo do Espírito Santo em pureza sexual.

CONHEÇA MAIS

*Prevenção moral

“Não permitamos que o adultério, a prostituição, o homossexualismo, o aborto e a injustiça, nos invadam os lares pelos meios de comunicação. Levantemo-nos contra tais fortalezas. Forcemos os portais do inferno até que as suas trancas se arrebentem.”

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Por que Deus criou o sexo?

       A Bíblia nos dá três razões específicas para o sexo:

1.Procriação

       Provavelmente você já conhece a primeira razão por que Deus criou o sexo. Chama-se procriação. Em Gênesis 1:28, Deus revelou a Adão e Eva seu propósito para o sexo quando disse: ‘Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a”. Deus nos deu uma capacidade de criar vida semelhante à dEle por meio do ato sexual. O início desse versículo nos conta que Deus pretendia que os resultados do sexo fossem uma bênção.

2.Unidade

       Como seres humanos, somos dotados de um profundo desejo por intimidade. Ansiamos por nos unir a outros seres humanos e a Deus. O Senhor nos criou com esse desejo. Parte do seu projeto para o sexo inclui satisfazer essa necessidade de relacionar-se de modo pessoal. Está provado cientificamente que o sexo cria um laço entre duas pessoas, mais os níveis mais profundos de união e intimidade só podem ser atingidos com a busca pelo plano de Deus para o sexo. Gênesis 2:24 diz: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne’. Essa passagem fala sobre o vínculo entre  marido e mulher fortalecendo-se a ponto de eles se tornarem uma só carne. O escritor de Gênesis sabia intuitivamente o que a ciência confirmou há pouco tempo. Pesquisadores descobriram um hormônio chamado ‘ocitocina’, ou ‘hormônio do amor’. A ocitocina é uma substância química que nosso cérebro libera durante o sexo e a atividade que precede o ato. Quando essa substância é liberada, produz sentimentos de empatia, confiança e profunda afeição. Cada vez que você faz sexo, seu corpo sofre uma reação química que lhe diz para ‘apegar-se’. Deus criou os meios para satisfazer nosso desejo por intimidade em um nível biológico.

3.Recreação 

       Uma das razões por que Deus criou o sexo foi para o nosso prazer. Vemos isso claramente em:

Pv 5:18,19

“Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade.
Como a cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente.”

Essa passagem fala de um marido sendo satisfeito pelo corpo de sua esposa. O texto original pode ser lido como: ‘Que você fique inebriado pelo sexo com ela’. Deus planejou o sexo para ser divertido e prazeroso. Está claro que Deus planejou o sexo para o nosso benefício e para sua glória. Quando se desfruta o sexo de acordo com o plano divino, o resultado é maravilhoso. Quando saímos dos limites estabelecidos por Deus para a nossa vida sexual, o prazer diminui, a intimidade é rebaixada, e as bênçãos que Deus planejou como resultados de nossos encontros sexuais podem se deteriorar”.

III – O CASAMENTO COMO LIMITE ÉTICO PARA O SEXO

      O casamento é o legítimo limite ético dos impulsos sexuais que podem ser satisfeitos sem que se incorra em atos pecaminosos.

      No casamento, os impulsos sexuais podem ser satisfeitos sem que se incorra em atos pecaminosos. No entanto, o casamento não é autorização para a prática de atos pervertidos, devassidão ou escravidão sexual de um cônjuge sobre o outro. Ainda que o casamento seja um inibidor de práticas moralmente ilícitas, percebe-se na cultura pós-moderna o enfraquecimento de sua eficácia no combate à imoralidade. A antiga lei moral exigia a abstinência extraconjugal por temor de uma gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis ou medo de ser descoberto e ter uma reputação manchada. Atualmente, esses antigos fatores de inibição das relações extraconjugais sofreram mutações: a pílula reduziu grandemente o primeiro temor, as drogas modernas o segundo e as mudanças sociais o terceiro” (HOLMES, 2013, p.128).

       Contudo, para o cristão, o propósito divino para o casamento não pode ser alterado e seus princípios devem ser observados em todos os lugares. 

1.Prevenção contra a fornicação

A fornicação está relacionada ao contacto sexual entre pessoas solteiras, ou seja, não casadas. Para prevenir este pecado, o apóstolo Paulo orienta os cristãos a se casarem: “por causa da prostituição [ou fornicação], cada um tenha a sua própria mulher, e cada um tenha o seu próprio marido.”(1ªCo 7:2). Os ensinos de Paulo ratificam o propósito divino do casamento, ou seja, “um homem para cada mulher”(Gn 2:24). Este princípio também foi defendido por Jesus: “deixará o homem, pai e mãe, e se unirá à sua mulher” (Mt 19:5). Deste modo, a legitimidade cristã para a satisfação dos apetites sexuais entre um homem e uma mulher restringe-se ao casamento monogâmico heterossexual (1ªCo 7:9). Toda prática sexual realizada fora destes moldes constitui-se em sexo ilícito.

O sexo pré-matrimonial

       Nos textos vetero-testamentários, a fornicação ou o sexo pré-matrimonial eram punidos severamente. Se um marido descobrisse após o casamento que sua esposa não era virgem, o caso era levado aos anciãos da cidade, que conduziriam a mulher até a porta da casa de seu pai e os homens a apedrejariam até a morte (Dt 22:20,4).

       Na lei mosaica, também estavam previstas outra punições para os casos de sexo pré-matrimonial (Ex 22:16, 17; Dt 22:23,24). Se a moça fosse violentada e não pudesse fazer nada para evitar o ato sexual ilícito, ela seria inocentada e o agressor seria apedrejado (Dt 22:25_27). O Novo Testamento mantém a fornicação e o sexo pré-matrimonial como pecado (1ªTs 4:3). No entanto, a pena de morte física não é aplicada; a punição é na esfera espiritual que implica morte eterna (Tg 1:15).

O problema da incontinência sexual

       Ao tratar das questões de imoralidade sexual e o comportamento cristão no casamento, o apóstolo Paulo fazia frente a dois movimentos presentes na igreja de Corinto. O primeiro era formado pelos libertinos ou antinomianos e o segundo era partidário do asceticismo. Os libertinos ensinavam que não existe problema algum com o uso do corpo, isto é, o que alguém faz com o corpo é moralmente indiferente. Os adeptos do ascetismo de modo geral consideravam que o corpo é inerentemente mau e que cada um deve afligir e castigar seu próprio corpo negando-lhe qualquer prazer físico.

       Logo depois de escrever condenando a fornicação, Paulo também ensina à igreja que, após casados, o marido e a mulher não podem negar o prazer sexual ao seu cônjuge, pois ambos tem o dever mútuo de satisfazerem-se e manterem a fidelidade matrimonial (1ªCo 7:3). Por essa razão, as Escrituras explicam que o corpo do homem está sob o domínio da sua esposa e que o corpo da mulher esta sob o domínio do marido (1ªCo 7:4). Isso significa que o corpo do marido só pode buscar prazer e satisfação sexual no corpo de sua esposa, e vice-versa. Desse modo, ratifica-se a união monogâmica e heterossexual e reafirma-se a condenação das demais práticas como imoralidade sexual.

       Em seguida, o texto bíblico alerta que a privação ou abstinência sexual dentro do casamento pode ser usada pelo adversário como meio de tentação para as práticas sexuais ilícitas (1ªCo 7:5). Por isso, o texto orienta os casais a não privarem um ao outro do ato sexual, exceto de comum acordo e temporariamente para algum propósito espiritual. O casal não deve ser ingênuo a ponto de imaginar que não serão tentados ou traídos por seus impulsos sexuais. Deus instituiu o casamento tanto para a procriação quanto para evitar o pecado da imoralidade por meio do prazer mútuo entre marido e mulher.

2.O casamento e o leito sem mácula

As Escrituras ensinam que o casamento é digno de honra (Hb 13:4) e que a união conjugal deve ser respeitada por todos (Mt 19:6) O leito conjugal não pode ser maculado por ninguém. Quem o desonrar não escapará do juízo divino (Hb 13:4b) Aqui a desonra refere-se ao uso do corpo para práticas sexuais extraconjugais (1ªCo 6:10). Inclui também as relações conjugais resultante de divórcios e de segundo casamentos antibíblicos (Mt 19:9). Embora muitas vezes os imorais escapem da reprovação humana, não poderão fugir da ira divina (Na 1:3). A práxis da sociedade e a condescendência de muitas igrejas não invalidam a Palavra de Deus.

O modelo bíblico de casamento

Pallister define o casamento como “ato público em que a pessoa deixa a primeira família em que cresceu para se unir, pelo resto de sua vida, com uma pessoa do sexo oposto com a finalidade de constituir uma nova família” (PALLISTER, 2005, p.168). Esta conceituação constitui um ato de obediência ao ensino bíblico: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2:24, NVI). Nos registros bíblicos, é possível identificar que, ao menos em alguns casamentos, a união conjugal era precedida pelo sentimento de amor. Jacó amava tanto a Raquel que nem viu o tempo passar enquanto trabalhou durante sete anos para pagar o dote dela (Gn 29:18_20). Mical amava tanto a Davi que o ajudou a fugir, livrando-o da morte certa, e não temeu a ira de seu Pai Saul (1ªSm 18:20,28; 19:11_17). Dessa maneira, o modelo bíblico não se restringe à procriação, mas também inclui o romantismo e o ato sexual como fonte de satisfação e prazer.

O catolicismo classificou o casamento como sacramento(**) – rito sagrado instituído para dar, confirmar ou aumentar a graça. Os teólogos da Reforma Protestante entenderam que o casamento  não é um sacramento, e sim, uma aliança, isto é, o casamento não é apenas um ato formal, mas “uma aliança, assumida diante de Deus, de natureza permanente e fonte de conforto e alegria ao longo de toda a vida” (PALLISTER, 2005, p.174). Em consequência, o amor é um princípio moral do casamento. Porém o amor não é o único; a justiça é igualmente princípio relevante para a união matrimonial. A justiça requer igualdade para todos e se manifesta contra o abuso sexual de qualquer parte. A Declaração de Fé das Assembleias de Deusao tratar dos propósitos do matrimônio, descreve o seguinte:

O casamento tem por propósitos: a instituição da família matrimonial; compensação mútua do casal; a procriação; o auxílio mútuo e continência e satisfação sexual. Entendemos que o homem é unido sexualmente à sua esposa, como resultado do amor conjugal, não só para procriar, mas também uma vivencia afetuosa, agradável e prazerosa. (SOARES, 2017, p.204)

(**)=https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/igreja-crista-2/sacramento/

Diante destas assertivas, deve-se reconhecer que o casamento monogâmico entre um homem e uma mulher é o modelo bíblico para escapar da impureza sexual. Também é possível perceber que Deus, ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança, os fez macho e fêmea (Gn 1:27) demonstrando a sua conformação heterossexual. E, ainda, que a diferenciação dos sexos visa à complementaridade mútua na união conjugal.

Leito sem mácula

       A expressão “leito sem mácula” é um eufemismo usado para suavizar os aspectos que envolve a intimidade, o erotismo, os desejos sexuais entre o marido e a esposa no contexto da união matrimonial. O leito conjugal não pode ser manchado pela imoralidade sexual. Aqui estão incluídos como transgressão os pecados sexuais cometidos dentro ou fora do casamento. O sexo e a sexualidade são atos da criação divina, e não podem ser tratados como algo pecaminoso e nem como mero elemento de procriação ou fonte de prazer. Cabe ao cristão cumprir o propósito estabelecido por Deus para a sexualidade (Gn 2:24). Aqueles que contaminam o casamento ao ultrapassar os limites divinamente instituídos  para o ato sexual devem estar certos de que enfrentarão um severo juízo (Hb 13:4).

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

       “A intimidade sexual é limitada ao matrimônio. Somente nesta condição ela é aceita e abençoada por Deus. Mediante o casamento, marido e mulher tornam-se uma só carne, segundo a vontade de Deus. Os prazeres físicos e emocionais normais, decorrentes do relacionamento conjugal fiel, são ordenados por Deus e por Ela honrados.

       O adultério, a fornicação, o homossexualismo, os desejos impuros e as paixões degradantes são pecados graves aos olhos de Deus por serem transgressões da lei do amor e profanação do relacionamento conjugal. Tais pecados são severamente condenados nas Escrituras e colocam o culpado fora do reino de Deus.

       Imoralidade e a impureza sexual não somente incluem o ato sexual ilícito, mas também qualquer prática sexual contra outra pessoa que não seja seu cônjuge.

CONCLUSÃO

O sexo e a sexualidade são atos da criação divina e não podem ser tratados como algo pecaminoso e nem como mero elemento de procriação ou fonte de prazer. Cabe ao cristão cumprir o propósito estabelecido por Deus para a sexualidade (Gn 2:24). O desvirtuamento desse padrão implicará punição aos que praticam a imoralidade (Hb 13:4). Portanto, vivamos para a glória de Deus!

Valores Cristãos – Enfrentando as questões morais do nosso tempo – Livro de Apoio das Lições Bíblicas do 2ºT 2018 e Revista – Lições Bíblicas Adulto CPAD

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