Violência anticristã na Europa bate recorde em 2019, diz instituto

3 mil igrejas, escolas, cemitérios e monumentos cristãos foram alvos de vandalismo, saques, profanação e destruição, em 2019

 

  • A retrospectiva de 2019 mostra que o ano foi o de maior perseguição aos cristãos na Europa Ocidental, com cobertura tímida da imprensa. Em fevereiro, vândalos atacaram nada menos que nove igrejas em duas semanas, mas o tema só ganhou os jornais de maneira mais contundente com o incêndio que destruiu a Catedral de Notre Dame, em Paris, ainda sem explicação. As informações foram levantadas pelo Gatestone Institute.

De acordo com levantamento, a França lidera os ataques a símbolos e templos cristãos, seguida pela Alemanha. Imigrantes muçulmanos, na França, e anarquistas e feministas radicais, em países como a Espanha, estão entre os principais agressores. O levantamento mostra ainda que o aumento das agressões se dá em um clima de completa impunidade, onde crimes de ódio são classificados como crimes comuns, produzindo indiferença na população.

O levantamento é do Gatestone Institute, entidade que observa a perseguição aos cristãos e a política internacional. Com base em análise combinada de boletins de ocorrência policial, notificações de blogs, notícias e reportagens, além de vídeos e postagens nas redes sociais, o levantamento chegou ao número de 3 mil alvos, entre igrejas, escolas, cemitérios e monumentos cristãos em seis países europeus, com especial destaque para a França.

Na França, ataques contra símbolos cristãos ocorrem, em média, três vezes por dia, segundo estatísticas do governo. Já na Alemanha são duas vezes, em média, e os autores quase nunca são identificados e os poucos capturados têm os dados e identidade ocultados pela polícia, com a justificativa de não gerar discriminação ou represálias a minorias étnicas. Como a maioria acaba sendo classificada como portadores de transtornos mentais, os crimes dificilmente são considerados crimes de ódio, mantendo uma espiral de impunidade que favorece o crescimento dos ataques.

Juan Pedro Quiñonero correspondente em Paris há mais de 35 anos do jornal espanhol ABCexplica:

“as profanações abrigam o evidente caráter anticristão. Embriagados de ódio, repletos de fúria, os vândalos querem dar aos seus atos a clara dimensão antirreligiosa. De uns meses para cá gangues antissemitas profanaram cemitérios judaicos, ‘assinando’ seus atos com suásticas. No caso da profanação de igrejas católicas, o vandalismo não é ‘assinado’. Ele fala por si: zombarias desaforadas da figura de Cristo na cruz e profanação de altares-mores”.

Mas a tendência dos jornalistas e editores responsáveis pela seleção dos fatos a serem noticiados, em geral, tenta disfarçar os crimes de ódio dando-os um caráter de “crimes menores”. O jornal francês Le Monde, por exemplo, contestou o uso do termo “atos anticristãos” pelo governo, alertando os políticos para não “instrumentalizar” a questão:

“Mais de mil atos de vandalismo por ano, uma média de três por dia: o número é alto, mas qual é a natureza desses atos? Podemos realmente falar de ‘profanações’, um termo forte, que significa ataques ao caráter sagrado de um lugar de culto religioso?

“As motivações ideológicas são minoria: trata-se principalmente de roubos e vandalismo. Os perpetradores são, na maioria dos casos, menores de idade”.

Políticos conservadores e cristãos estão preocupados com o aumento da violência contra cristãos e pedem providências. A deputada Annie Genevard, membro do parlamento francês do partido Os Republicanos de centro-direita, pediu uma investigação parlamentar para melhor entender a natureza e as motivações dos ataques anticristãos. Em entrevista ao jornal francês Le Figaro ela ressaltou:

“Recentemente, dois atos de vandalismo extremamente graves foram cometidos em locais emblemáticos que me chocaram profundamente. Alguns dias atrás, o incêndio na Igreja de Saint Sulpice, igreja que abriga obras impressionantes: os danos somam quase um milhão de euros, as obras estão irremediavelmente perdidas! E há pouco tempo, vândalos invadiram a Basílica de Saint Denis e danificaram os vitrais e o órgão. Saint Denis não é apenas um local de culto cristão, é a necrópole dos reis da França! É um ponto de encontro entre nossa história nacional e as nossas raízes cristãs. O simples fato de alguém ousar atacar esse monumento já é realmente estarrecedor, não só para os cristãos, mas para muitos cidadãos, quaisquer que sejam suas convicções. Quando se comete um ato anticristão, damos as costas à história da França, que tem uma íntima ligação com a religião cristã.”

“Atacar um túmulo ou uma igreja cristã, seja qual for a motivação do responsável, é uma maneira de atacar uma parcela da nossa identidade coletiva porque o cristianismo e seus monumentos moldaram nossa cultura, nossa história e nossas paisagens. Procurar destruir ou danificar obras cristãs é uma maneira de ‘destruir tudo e começar do zero’. Numa época em que reina o mais absoluto relativismo cultural, é gravíssimo o fato de alguns de nossos marcos mais antigos e valiosos estarem na linha de fogo. Uma civilização que nega e se afasta do seu passado é uma civilização perdida. Eu acho isso preocupante, há a necessidade de uma forte resposta política”.

Em entrevista concedida à revista italiana Il Timone, o Bispo de Fréjus-Toulon, Dominique Rey, sustentou que os ataques às igrejas da Europa estão ocorrendo no contexto de uma sociedade europeia marcada pelo secularismo, niilismo, hedonismo, relativismo cultural e moral, consumismo e perda generalizada do sentido do sagrado. Ele salientou:

“No passado, mesmo os que diziam não serem cristãos viviam num contexto cultural marcado pelo cristianismo… raízes que foram abandonadas pela nossa cultura e pelas nossas sociedades. Uma vez removidas as raízes cristãs, que eram o denominador comum, as pessoas se voltaram para uma forma de vida social em comunidades, o que levou a uma fragmentação social que está levando à ruptura. Para encontrar uma base comum de valores e pontos de referência, a Europa precisa recuperar a centralidade em suas raízes cristãs…”

“Há uma evolução nos atos de profanação contra monumentos e também contra a própria fé católica. No passado, mesmo se alguém não era cristão, a expressão do sagrado era respeitada. Estamos enfrentando uma séria ameaça à expressão de liberdade religiosa O secularismo não precisa ser a rejeição do religioso, mas um princípio de neutralidade que dá a todos a liberdade de expressar sua fé.”

“Estamos testemunhando a convergência do laicismo, concebido como secularismo, que relega os fiéis apenas à esfera privada, onde qualquer denominação religiosa é considerada banal ou é estigmatizada. O surgimento esmagador do Islã ataca os infiéis e aqueles que rejeitam o Alcorão. De um lado, somos ridicularizados pela mídia… do outro, há o fortalecimento do fundamentalismo islâmico. São duas realidades interligadas.”

Manifestações de ódio anticristão invadem o Ocidente

O escritor espanhol Luis Antequera, autor do livro Cristofobia: a perseguição aos cristãos no século XXI, lembra que a violência anticristã, no Ocidente, surge em uma atmosfera de ódio à religião. Antes da violência propriamente dita, há o assédio religioso e a hostilização à religião. O mais importante, porém, é que a militância ideológica que se apresenta como ateia ou agnóstica, segundo Antequera, é, na verdade, teofóbica. A postura ateia ou agnóstica tradicional se identificava pela indiferença, embora respeitosa, com o sagrado.

Antequera defende que seus membros têm, no fundo, uma crença ainda maior em Deus, mas o culpam pelos males do mundo e, por isso, o odeiam e o querem destruir, retirar da vida humana, da sociedade. Por isso desejam ver banidos os símbolos que evocam a fé neste Deus que eles imaginam destruidor.

https://www.estudosnacionais.com/20484/violencia-anticrista-na-europa-bate-recorde-em-2019-diz-instituto/

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s