O conceito de família

     Os dois principais termos hebraicos para “família” no Antigo Testamento são mishpāhâ, “família, clã, parentes”, e bayît, “casa, lar, templo, família”. Mas o termo “família” na Bíblia tem significado amplo; pode indicar o lar, o clã, a tribo e a própria nação, como também uma dinastia e até a Igreja. Mas o sentido que nos interessa aqui é família composta de pai e mãe ou pai, mãe e filhos, a família nuclear (Gn 35:2; Hb 11:7). No entanto, a família nuclear é também identificada como “casa” nas Escrituras Sagradas: “Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js 24:15); “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16:31).

       O significado de mishpāhâ está claro em Josué 7:14_18, no caso do pecado de Acã, na ordem para determinar por sorteio o culpado, primeiro a tribo [shebet], depois a família [mishpāhâ], em seguida a casa [bayît] (vv. 14, 17, 18). Essa mesma ordem reaparece mais adiante: “Fazendo chegar a tribo de Benjamim pelas suas famílias, tomou-se a família de Matri; e dela tomou Saul, filho de Quis” (1ªSm 10:21); “Não sou eu o menor da tribo de Benjamim? E a minha família, a menor de todas as famílias da tribo de Benjamin?” (1ªSm 9:21). A tribo é a shebet de Benjamin, a família ou clã é a mishpāhâ de Matri, de onde procedeu o pai de Saul, Quis. A ordem é a seguinte: tribo, clã e família nuclear. O clã é a família estendida. A palavra bahît indica geralmente os moradores de uma única casa, ao passo que mishpāhâ é uma subdivisão da tribo.

       A família no contexto deste capítulo é a nuclear, composta de pai, mãe e filhos (Sl 128:1_4). Nem todos os casais têm filhos, ou seja, não é sempre que a família tem filhos. Abraão e Sara só tiveram Isaque já avançados em idade e em cumprimento das promessas de Deus (Gn 18:9_15); da mesma forma, Zacarias e Isabel, só tiveram João Batista na velhice (Lc 1:5_25). O termo “família” expressa em si mesmo a ideia de que o homem não foi criado para viver só, isolado e na solidão, mas em amor, companheirismo e responsabilidade de pacto, que une um homem e uma mulher (Ml 2:14). O casamento é o início de uma nova família, um novo lar, uma nova vida que começa como realização dos sonhos dos noivos.

       O casamento é uma instituição estabelecida pelo Criador (Gn 2:18_24) e sancionada pelo Senhor Jesus Cristo, com sua presença nas bodas de Caná da Galileia (Jo 2:1_6). Consiste na união  de um homem e uma mulher que se amam e se respeitam. É a melhor e a mais sólida estrutura social que Deus estabeleceu, com três propósitos, a saber:

a)para que o casal edifique um altar de adoração a Deus em seu lar;

b)para a felicidade humana;

c)para conservar a raça humana sobre a terra – a procriação. 

       O apóstolo Paulo ressaltou a pureza e a santidade do ato conjugal ao compará-lo com a união mística entre Cristo e a sua Igreja (2ª Co 11:2; Ef 5:22_33).

       A família não é invenção humana; ela é sagrada e foi instituída por Deus na criação: “E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhe disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 1:27,28) e ratificada e santificada pelo Senhor Jesus com a sua presença no casamento de Caná da Galileia (Jo 2:1_11). As palavras “macho e fêmea os criou” mostram que o homem, ´ādām, em hebraico aqui, significa ser humano. A recente edição da Bíblia, Nova Versão Transformadora (NVT), traduz assim o v. 27: “Assim, Deus os criou seres humanos à sua própria imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou”, explicando no rodapé o significado ´ādām. Sem dúvida, o relato da criação aqui remete à igualdade ontológica de ambos (Gl 3:28), pois ambos são portadores da imagem divina; a diferença é em sexualidade (1ªPe 3:7).

       A Bíblia ilustra essa união entre um homem e uma mulher com a comunhão de Deus com seu povo Israel (Is 54:5) e de Cristo com a sua Igreja (2ªCo 11:2; Ef 5:22_33). Deus instituiu a família para a procriação do gênero humano sobre a terra, para a multiplicação da espécie humana: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra”, e para o bem-estar espiritual, emocional e físico, o companheirismo e a felicidade do casal, isto é, do homem e da mulher (Gn 2:18_25). Ao unir esse casal, Adão e Eva, estava Deus instituindo o casamento. É de Myer Pearlman essa declaração: “A natureza dessa união foi instituída por Deus com o primeiro casal humano, Adão e Eva, lá no jardim do Éden; seu propósito foi proporcionar felicidade à raça humana. Desde então os seres humanos a têm praticado, e, para dar-lhe consistência, a têm legalizado. Pode dizer-se que o matrimônio é o contrato legal de uma união espiritual” (PEARLMAN, 1987, pp. 6,7).

       A família é um dos temas importante da Bíblia. A atenção que Deus dá  a família não deve passar despercebida. A família consta desde o relato da criação. O Gênesis é o livro das origens de todas as coisas; dos céus e da terra, do homem e do pecado, do sacrifício e da promessa de redenção, do casamento e da família, do homicídio, das nações, das línguas e da nação de Israel. A historicidade dos seus três primeiros capítulos é confirmada em toda a Bíblia. Há no Decálogo pelo menos três preceitos  em defesa da família – o quinto: “Honra a teu pai e a tua mãe” (Êx 20:12; Dt 5:16), o sétimo: “Não adulterarás (Ex 20:14; Dt 5:18), e o último: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo” (Êx 20:17; Dt 5:21). A Lei de Moisés dispõe de diversos preceitos para proteger a família. O Antigo Testamento traz diversos conselhos e orientações para a harmonia e a alegria no lar. O Novo Testamento não é diferente. Quando o Sr Jesus Cristo trata do assunto do divórcio, condenando o adultério e toda a formação de prostituição, e mencionando os preceitos do Decálogo, está na mesma linha do Antigo Testamento. O apóstolo Paulo é mais específico no aconselhamento de casais e no relacionamento de pais e filhos (1ªCo 7:1_40; Ef 5:22_33; 6;1_4; Cl 3:18_21; 1ªTm 2:9_15; 3:4,5, 8_16; Tt 2:1_8). O apóstolo Pedro também aconselha os casais (1ªPe 3:1_7).

       O ensino transmitido pelas famílias cristãs aos filhos é uma contribuição importante na construção de uma sociedade justa e solidária. Mas o mundo espera uma solidariedade sem Deus, e paz e justiça sem Jesus; o modelo mundano é uma afronta a Deus, por isso os expoentes ateus e incrédulos veem na família uma ameaça e assim procuram eliminá-la com suas leis. Tudo o que é de Deus ou provém dele é odiado pelo reino das trevas. Jesus disse: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim” (Jo 15:18). Daí esse desprezo pela família cristã.  

A Razão da Nossa Fé – Assim cremos, assim vivemos – Livro de Apoio das Lições Bíblicas do 3ºT 2017 Adulto CPAD

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