Convivendo com as diferenças de papéis, personalidades e comportamentos entre casais

Precisamos convir que é impossível admitir que “pensamos da mesma maneira”, “somos iguais”, “estamos sempre afinados”, “nossos gostos são os mesmos”, entre outras expressões que ouvimos quando se trata da questão conjugal.

Podemos dizer, sem medo de errar, que nos relacionamentos conjugais não há uniformidade na vida do casal, assim como ninguém é igual, mas podemos afirmar que entre os casais há afinidades, sentimentos comuns. 

Essa ambiguidade não constitui um problema, como às vezes pensamos e vivemos, mas uma riqueza nas diferenças de papéis, personalidades e comportamentos entre os cônjuges. O casamento não é uma fusão de duas personalidades. Isso é impossível, e o texto bíblico de Gênesis 2.24b – “e os dois se tornam uma só pessoa ou uma só carne” – precisa ser bem interpretado. O sentido aqui é de complementaridade, respeito, comunhão, compartilhar. O próprio Deus está anunciando que é importante conviver com as diferenças; no meu entendimento, crescemos na diversidade da vida.

O projeto do Criador é estimulante e não há espaço para a estagnação e uniformização. O corpo é belo porque manifesta a dinâmica da vida com os seus mais variados movimentos. Nas variações dos membros do corpo está a beleza da vida. 

Qual é a importante chave do título deste artigo? É o verbo conviver, que advém do latim convivere e tem muitos desdobramentos e significados, por exemplo, ter convivência, convívio, viver em comum, viver em proximidade, habitar, partilhar, viver no mesmo espaço. Nesse sentido, o grande desafio passa pela experiência da convivência. Conviver em uma sociedade competitiva, consumista e do prazer individualista tem grandes implicações no relacionamento conjugal. 

Nesta linha de raciocínio, o psicoterapeuta Rodrigo Fernando Meireles, em seu artigo “Educar no amor”, sublinha: “Não obstante o aumento do acesso e da circulação de informação, alguns pensadores, como Gilles Lipovetsky e Zygmunt Bauman, destacam que a pós-modernidade nos levou a uma individualização dos valores, proporcionando uma ‘era do vazio’, ou ainda a uma enfermidade das relações. Cada um produz a sua própria linha de valores e escolhe como viver. Com isso, palavras como respeito, tolerância e confiança vão sendo revistas à luz de perspectivas individuais, ameaçando destruir a importância das relações significativas, como as relações familiares. Numa sociedade que valoriza o próprio bem-estar e a felicidade pessoal, o outro passa a ter sentido apenas como meio para o desenvolvimento do próprio eu”.

Numa perspectiva bíblica, dentro dos valores do evangelho, a convivência tem o sabor da ternura, do aprendizado coletivo, do suporte, do perdão e da graça de Deus, que nos ensina a doar, a entregar e abrir mão das nossas atitudes, muitas vezes mesquinhas, para o bem maior da qualidade de vida relacional do casal. 

Para refletir 

Na vivência do casal, há áreas que precisam ser corrigidas, fortalecidas, e às vezes precisamos abrir mão daquilo que consideramos “inegociável”. Convido o casal a fazer uma revisão nessas área.

ADRIEL MAIA

https://www.revistalarcristao.com.br/

EDIÇÃO 162 – MAIO/JUNHO 2018

Uma resposta para Convivendo com as diferenças de papéis, personalidades e comportamentos entre casais

  1. Hoje são 20/07/2018, e observando o site da Revista Lar Cristão, encontrei este texto. Muito bom e atual o tema.

    Em função disto, estou disponibilizando o mesmo.

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