Hong Kong tem manifestação contra proposta de extradições para a China

Entenda os motivos que levaram aos protestos em Hong Kong

http://g1.globo.com/mundo/videos/v/entenda-os-motivos-que-levaram-aos-protestos-em-hong-kong/7732806/

Críticos dizem temer perseguição política do regime

Milhares de pessoas foram às ruas de Hong Kong neste domingo (9) para protestar contra o domínio chinês e pedir mais democracia.

O principal alvo dos manifestantes é um novo projeto de lei de extradição feito pelo governo local que, segundo seus críticos, abriria a possibilidade de suspeitos serem enviados à China continental para serem julgados.

Protesto ocupa ruas de Hong Kong neste domingo (9); manifestantes criticam proposta que simplifica as extradições para a China

Protesto ocupa ruas de Hong Kong neste domingo (9); manifestantes criticam proposta que simplifica as extradições para a China – Dale de la Rey/AFP

A polícia disse que 240 mil pessoas participaram dos atos. Já os organizadores afirmaram ser mais de 1 milhão de pessoas nas ruas, o que faria dele o maior protesto já registrado desde que a antiga colônia britânica retornou para o controle chinês, em 1997 —manifestações por mais democracia em 2003 e 2014 ultrapassaram a marca de 500 mil pessoas. 

Embora oficialmente Hong Kong pertença à China, a região possui um sistema legal próprio e certa autonomia política em relação a Pequim, em um arranjo conhecido como “um país, dois sistemas”.

Nos últimos anos, porém, a ditadura do Partido Comunista vem tentando aumentar seu poder sobre o território, levando a oposição pró-democracia a organizar grandes manifestações.

Um dos responsáveis por organizar o ato, o ex-congressista Martin Lee afirmou ao jornal britânico The Guardian que, se a lei for aprovada, a democracia corre risco no território.

“Se perdermos desta vez, Hong Kong não será mais Hong Kong, será apenas uma cidade chinesa”, disse ele.

Aos gritos de “sem lei de extradição” e “sem leis malignas”, os manifestantes ocuparam as principais ruas do território e as estações de metrô ficaram lotadas.

Área 1.108 km² (semelhante a São José dos Campos) População 7.213.338 (pouco maior que o Rio) Línguas oficiais cantonês, inglês e mandarim PIB US$ 341,4 bi (Brasil é 2,055 tri) Fonte: CIA World Factboo

O principal alvo dos cartazes era executiva-chefe de Hong Kong (espécie de prefeita), Carrie Lam, defensora da lei de extradição e que conta com o apoio de Pequim. 

O protesto seguiu pacificamente na maior parte do dia, mas no final houve confronto entre as forças de segurança e os manifestantes. 

A confusão começou porque os organizadores só tinham autorização para protestar no domingo. Por isso, assim que o relógio deu meia-noite, os policiais passaram a usar bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para encerrar o ato. 

Os manifestantes, porém, responderam arremessando grades nos guardas, a quem chamaram de “cães comunistas”.

Um grupo tentou ainda entrar no Parlamento. O objetivo era permanecer na Casa até a próxima quarta (12), quando está marcada a nova rodada de votação da lei, mas os manifestantes foram retirados pela polícia. Não foi divulgado o número de pessoas feridas ou de detidos. 

https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/nova/1635861855328839-manifestantes-ocupam-ruas-de-hong-kong#foto-1635861855381000

“Ela tem de desistir da lei e renunciar. Toda Hong Kong está contra ela”, disse o congressista James To à multidão reunida do lado de fora do Parlamento e da sede do governo no distrito comercial do Almirantado, na noite de domingo (manhã no Brasil). 

As mudanças simplificariam os processos de extradições de suspeitos procurados para a China, Macau e Taiwan. Mas é a probabilidade de que essas pessoas sejam mandadas para o continente o que assusta a população de Hong Kong. 

A oposição ao plano reuniu diversos setores da comunidade local, como pessoas do mundo dos negócios, advogados, estudantes, personalidades pró-democracia e grupos religiosos.

Desde 1997, o governo de Hong Kong não aceita nenhum dos pedidos de transferência feitos por Pequim, de acordo com o Guardian. 

https://tv.uol/17u8b

Críticos da proposta questionam o sistema de Justiça chinês e demonstram preocupação com a possibilidade de que forças de segurança inventem acusações para embasar pedidos de extradição.

Governos estrangeiros alertaram ainda para os impactos na reputação de Hong Kong como um centro financeiro internacional, afirmando que estrangeiros procurados pela China poderiam ser presos no território e extraditados para Pequim.

Grupos de defesa dos direitos humanos também se manifestaram expressando preocupação com o uso de tortura, detenções arbitrárias e confissões forçadas.

Representantes do governo defenderam os planos, dizendo que as leis possuem garantias adequadas e que ninguém será extraditado se estiver enfrentando perseguição política e religiosa.

Na noite de domingo, o governo de Lam disse em comunicado que a nova lei é necessária para que o território não se transforme em um paraíso para criminosos. Ela prometeu ainda que “continuará ouvindo e acalmando as preocupações [sobre a legislação] por meio de discussões calmas e racionais”. 

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/06/hong-kong-tem-manifestacao-contra-proposta-de-extradicoes-para-a-china.shtml?utm_source=newsletter

4 respostas para Hong Kong tem manifestação contra proposta de extradições para a China

  1. Hong Kong, protestos

    Onda de protestos reforça identidade de Hong Kong

    Cresce no território parcela da população que não se vê como chinesa

    Um salto em relação a números do ano passado, que mostravam 40% de honcongueses. O sentimento de valorização da identidade local é ainda mais forte entre jovens.

    Há controle de fronteira e passaporte separado. Os sete milhões de habitantes vivem sob regras distintas, graças a um judiciário independente.

    Hong Kong é ainda o destino no exterior mais procurado pelos turistas vindos da China continental. Um recorde de 65 milhões de chineses visitaram o território no ano passado, de acordo com dados do Departamento de Turismo.

    Atualmente, nas regiões chinesas de Tibete e Xinjiang, o governo adota política de repressão em larga escala contra minorias étnicas vistas pela China como um desafio para a unidade territorial do país.

    Na quarta-feira (17/07/2019), 8.000 idosos, segundo o número divulgado pelos organizadores, saíram às ruas em defesa dos protestos em que jovens estão na linha de frente.

    A efervescência política domina os diálogos cotidianos na cidade, seja no táxi ou na fila. O espaço urbano está minado de referências às manifestações em mensagens, pichações, pôsteres ou nas grades de metal usadas pela polícia.

    https://headtopics.com/br/onda-de-protestos-reforca-identidade-de-hong-kong-7006403

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  2. Manifestantes tentam entrar no Parlamento durante protesto em Hong Kong

    Ativistas contrários ao governo tentaram entrar à força nesta segunda-feira no Parlamento de Hong Kong e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo, antes de uma manifestação prevista por ocasião do 22º aniversário da devolução do território à China.

    A polícia usou gás lacrimogêneo e mobilizou uma unidade anti-distúrbios dentro do edifício, foco das manifestações nas últimas semanas, em reação a um projeto de lei do governo para autorizar extradições à China continental.

    As manifestações refletem o temor dos moradores de Hong Kong ante a crescente influência do governo da China, com a ajuda dos líderes do mundo das finanças na cidade.

    Na madrugada desta segunda-feira, jovens encapuzados ocuparam e bloquearam as três principais avenidas de Hong Kong com grades de metal.

    Policiais, equipados com cassetetes e escudos, se posicionaram diante dos manifestantes. Os agentes usaram gás lacrimogêneo e os ativistas responderam com o lançamento de ovo.

    O movimento, que nasceu da rejeição ao projeto de lei sobre extradições, ganhou força e passou a denunciar as ações do governo local, depois que muitos cidadãos de Hong Kong perderam a confiança ao considerar que o Executivo tem permitido a erosão de suas liberdades.

    Hong Kong foi transferida do Reino Unido para a China em 1997, mas o território ainda é administrado sob um acordo conhecido como “um país, dois sistemas”.

    Desta maneira, os habitantes do território desfrutam de direitos raramente vistos na China continental. Muitas pessoas, no entanto, sentem que lentamente Pequim vai deixando o acordo de lado.

    A cada aniversário da retrocessão, os ativistas locais organizam grandes manifestações para exigir direitos democráticos, incluindo a possibilidade de escolher o Executivo local por sufrágio universal.

    Em anos recentes, os ativistas conseguiram mobilizar grandes multidões – incluindo uma ocupação de dois meses em 2014 -, mas não conseguiram qualquer concessão importante por parte de Pequim.

    Os protestos deste ano, no entanto, acontecem após três semanas de manifestações contra o polêmico projeto de lei que permitiria a extradição de detidos em Hong Kong para processo na justiça da China continental.

    Os manifestantes também exigem a renúncia da chefe de Governo local, Carrie Lam, assim como a retirada das acusações contra as pessoas detidas nos protestos das últimas semanas.

    Depois de perceber a dimensão da insatisfação popular, Carrie Lam decidiu suspender temporariamente a análise do polêmico projeto de lei.

    No domingo, dezenas de milhares de simpatizantes do governo expressaram apoio à polícia, uma demonstração da brecha crescente que divide a sociedade de Hong Kong.

    https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/07/01/interna_internacional,1066042/manifestantes-tentam-entrar-no-parlamento-durante-protesto-em-hong-kon.shtml

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  3. 15/06/2019

    Manifestação

    Organizações civis de Hong Kong afirmaram neste sábado (15) que continuarão protestando até que a chefe do governo local, Carrie Lam, retire definitivamente sua polêmica proposta de lei de extradição, que gerou uma oposição em massa nas ruas.

    A coalizão Civil Human Rights Front convocou hoje os cidadãos de Hong Kong a comparecer maciçamente no domingo em um novo protesto para exigir a renúncia de Lam, a quem também pedem que condene o excessivo uso da força por parte da polícia durante as manifestações da última quarta-feira.

    Lam disse neste sábado em entrevista coletiva que a segunda leitura da legislação, que poderia permitir à China o acesso a “fugitivos” em território de Hong Kong, fica “suspensa” até novo aviso, mas não estabeleceu nenhum prazo para retomá-la.

    “A suspensão não é aceitável porque o governo poderia retomar o projeto de lei em cinco dias, em qualquer momento”, indicou Jimmy Sham, coordenador da organização.

    Sham, que agradeceu à comunidade internacional por falar em defesa do povo de Hong Kong, disse que a greve geral prevista para a próxima segunda-feira está desconvocada, dado que não há reunião do legislativo.

    Outro de seus pedidos é que Lam deixe de considerar como “revolta” as manifestações de quarta-feira na sede parlamentar, que a polícia dispersou à força — usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha — deixando 81 feridos (dois deles em estado grave) e um saldo de 11 detidos, segundo as forças de segurança locais.

    Por sua vez, a líder opositora Claudia Mo pediu hoje a Lam que retire “completamente” a lei e sua renúncia porque “perdeu toda a sua credibilidade”, diz a imprensa local.

    Enquanto isso, o advogado James To, do Partido Democrático, ressaltou que Lam ainda não se desculpou pela violência e que o povo de Hong Kong “não ficará quieto”.

    Lam reconheceu hoje que criou um grande conflito, que o povo está “decepcionado e triste”, e acrescentou que seu governo escutará aberto às opiniões sobre o projeto legislativo.

    No entanto, defendeu a atuação da polícia porque “dezenas de pessoas provocaram enfrentamentos que causaram lesões em policiais, jornalistas e residentes”.

    Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, mostrou hoje seu “apoio, respeito e compreensão” a Lam e ao governo de Hong Kong em prol da “estabilidade e da prosperidade” da ex-colônia britânica.

    “Desde o seu retorno à China, os direitos e liberdades dos residentes de Hong Kong foram respeitados de acordo com a lei. Os fatos estão aí para quem quiser vê-los. Manter a estabilidade em Hong Kong serve aos interesses da China e de todos os países do mundo”, disse o porta-voz, que apontou que os assuntos de Hong Kong são “de índole interna” e que “nenhum país deve interferir neles”.

    O projeto de lei teve a oposição de um amplo espectro social, de estudantes a empresários, que expressaram preocupação com o risco de residentes em Hong Kong acusados de crimes sejam transferidos à parte continental da China.

    Os opositores temem que, com a nova lei, ativistas locais, jornalistas críticos ou dissidentes residentes em Hong Kong também possam ser enviados à China continental para serem julgados.

    https://noticias.r7.com/internacional/hong-kong-opositores-nao-aceitam-suspensao-e-convocam-protestos-15062019

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  4. Hong Kong tem nova crise política após grande protesto contra lei de extradição

    Centenas de milhares de pessoas foram às ruas

    Jornal do Brasil

    HONG KONG (Reuters) – Uma nova crise política teve início em Hong Kong na noite deste domingo, após centenas de milhares de pessoas terem ido às ruas para desafiar uma proposta de lei de extradição que permitiria o envio de suspeitos para enfrentar julgamento na China.

    Após sete horas de manifestação, os organizadores estimavam que 1.030.000 pessoas participaram, ultrapassando de longe um protesto com quase metade desse tamanho que tomou as ruas em 2003 e teve êxito ao impedir planos do governo para leis de segurança nacional mais severas.

    Um porta-voz da polícia estimou que havia 240 mil pessoas na marcha “em seu ápice”.

    Reuters

    Protesto em Hong Kong
    Protesto em Hong Kong (Foto: REUTERS/Tyrone Siu)

    O movimento deste domingo já aumentou a pressão sobre a administração da executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, e seus apoiadores oficiais em Pequim.

    “Ela tem que desistir da lei e renunciar”, disse o veterano congressista do Partido Democrático, James To, à multidão reunida do lado de fora do parlamento e da sede do governo no distrito comercial do Almirantado na noite de domingo.

    “Toda Hong Kong está contra ela.”

    Depois do discurso de To, milhares ainda estavam chegando– e a marcha, iniciada cinco horas antes, ocupava quatro faixas de uma importante via.

    Alguns estavam sentados em um parque próximo cantando “aleluia” , mas em uma estrada próxima as tensões estavam crescendo depois de horas de protestos pacíficos.

    De outro lado, policiais armados com cassetetes e capacetes usaram spray de pimenta em seis homens mascarados que tentavam bloquear a estrada, segundo a emissora estatal RTHK.

    Lam ainda não fez comentários sobre a manifestação e o futuro do projeto, que deve ser debatido no Conselho Legislativo na quarta-feira e poderia ser aprovado até o final de junho.

    Lam alterou emendas do projeto, mas recusou-se a retirá-lo de pauta, dizendo que ele é vital para consertar uma “brecha” de longa data.

    A manifestação aconteceu após semanas de crescente indignação nos meios empresariais, diplomáticos e jurídicos, que temem a corrosão da autonomia legal de Hong Kong e a dificuldade de garantir proteções judiciais básicas na China continental.

    Autoridades norte-americanas e européias emitiram advertências formais – preocupação acompanhada por empresas internacionais e defensores dos direitos humanos que temem que as mudanças afetem o Estado de Direito de Hong Kong.

    A ex-colônia britânica foi devolvida ao governo chinês em 1997, em meio a garantias de autonomia e várias liberdades, incluindo um sistema legal separado, que muitos diplomatas e líderes empresariais acreditam ser o ativo remanescente mais forte da cidade.

    A incomum ampla oposição ao projeto vista neste domingo ocorreu em meio a uma série de medidas do governo para aprofundar os laços entre o sul da China continental e Hong Kong.

    Os manifestantes caminhavam enquanto entoavam cantos de “sem extradição da China, sem lei do mal” pelas ruas da cidade. Eles também pediam a renúncia de Lam e outras autoridades.

    Alguns carregam guarda-chuvas amarelos – um símbolo dos protestos pró-democracia que sufocaram as principais ruas da cidade por 79 dias em 2014.

    CRÍTICAS AO PROJETO

    O projeto simplificaria a extradição de suspeitos procurados para jurisdições incluindo a China continental, Macau e Taiwan, além das 20 com as quais Hong Kong já possui tratados de extradição.

    Os oponentes do projeto questionam a justiça e a transparência do sistema judiciário chinês e levantam preocupações com as forças de segurança chinesas que elaboram as acusações.

    Chris Patten, o último governador britânico de Hong Kong, disse na quinta-feira que o projeto de lei “será um golpe terrível … contra o Estado de Direito, contra a estabilidade e segurança de Hong Kong, contra a posição de Hong Kong como um grande centro comercial internacional”.

    Governos estrangeiros também expressaram preocupação, alertando para o impacto da lei sobre a reputação de Hong Kong como um centro financeiro internacional, e observando que estrangeiros procurados na China correm o risco de serem aprisionados em Hong Kong.

    A Reuters informou anteriormente que vários juízes de Hong Kong estão preocupados com as mudanças, observando a falta de confiança nos tribunais do continente, bem como a natureza limitada das audiências de extradição.

    https://www.jb.com.br/internacional/2019/06/1003928-hong-kong-tem-nova-crise-politica-apos-grande-protesto-contra-lei-de-extradicao.html

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