ALEM – Associação Linguística Evangélica Missionária.

A ALEM é uma organização missionária que tem como finalidade preparar pessoas para o ministério da tradução da Bíblia.

A Missão ALEM foi fundada em 1982, sob a inspiração da Wycliffe bible Translators (Associação Wycliffe para a Tradução da Bíblia)

QUEM SOMOS?

A Missão ALEM (Associação Linguística Evangélica Missionária) é uma organização missionária que tem traduzido a Bíblia há mais de 35 anos para a língua materna de diferentes povos. Por meio desse trabalho, temos visto comunidades sendo transformadas pelo uso da palavra de Deus. 

Acreditamos que o uso da bíblia na língua materna é a forma mais eficaz de fortalecer os novos convertidos e formar líderes de igreja autóctones.

Dos projetos realizados atualmente no Brasil, temos porções da Palavra de Deus publicadas e em processo de tradução para diferentes línguas. Também mantemos, em parceria com agências que fazem parte da AGW (Aliança Global Wycliffe), projetos de tradução e educação na língua materna em países da Ásia Meridional, Sudeste Asiático e África Ocidental.

NOSSA HISTÓRIA

A criação da ALEM nasceu do coração de um de nossos fundadores, o pastor Rinaldo de Mattos, que queria dar continuidade ao trabalho do Curso de Metodologia Linguística (CML), encerrado no ano de 1983. Quando a então Associação Wycliffe para a Tradução da Bíblia (AWTB) informou a suspensão, o pastor não conseguiu ficar em paz e pensou na criação de uma associação que preparasse, enviasse e acompanhasse tradutores da Bíblia para os povos indígenas no Brasil. Ao compartilhar esse sonho com sua igreja, amigos, pastores e missionários envolvidos com o trabalho dentro e fora do país, percebeu que Deus estava abençoando e direcionando essa decisão. A partir daí, o pastor Rinaldo, junto a Gilberto Pickering e Gerson Camargo, fundaram a Associação Linguística Evangélica Missionária, a ALEM, nos dias 12 e 13 de agosto de 1982. E ela passou a ser não apenas uma associação que dirigia um curso de linguística, mas uma agência missionária que enviava e apoiava missionários nesse serviço.

POR QUE A TRADUÇÃO?

Hoje, mais de 180 milhões de pessoas não têm nem ao menos um versículo traduzido em sua língua materna. O número de idiomas em que a tradução da Bíblia ainda é necessária é de 2.184*. No Brasil, de um total de 344 etnias indígenas, temos 94 que são isoladas ou necessitam de mais pesquisas. Dentre os 250 povos conhecidos, apenas 6 contam com a Bíblia completa, 39 com o Novo Testamento completo e há ainda alguns povos que possuem apenas porções bíblicas. De acordo com o Relatório do DAI atualizado em 2018**, existem 164 etnias não-alcançadas no país e há claramente a necessidade de tradução bíblica para 11 línguas indígenas. 

Como afirma Ronaldo Lidório, “o desafio vai muito além das estatísticas e das palavras, pois e composto por faces, historias e culturas milenares, as quais tem sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição socioeconômica, etnofagias e perdas culturais irreversíveis”. 

* Baseado no relatório da Aliança Global Wycliffe de Out 2018, que inclui as diferentes línguas de sinais no mundo.

** DAI – AMTB. Relatório Indígenas do Brasil –Atualização 2018. 

Contexto brasileiro

Nosso país possui a maior densidade linguística e diversidade genética dentro do contexto sul-americano e, paradoxalmente, uma das menores concentrações demográficas por língua falada. As 181línguas indígenas são distribuídas em 41 famílias, dois troncos e uma variedade desconhecida de línguas isoladas . Em meio a esta gritante diversidade apenas 3 etnias (Tikuna, Kaingang e Kaiwá) possuem mais de 20.000 pessoas e a média de falantes por língua é de 196 pessoas. 53 povos têm menos de 100 indivíduos e há aqueles com menos de 10 representantes como os Akunsu, com 7 pessoas, os Aruá com 6 e os Juma também com 7 indivíduos. 

Tais grupos minoritários também precisam de nossa atenção para que seja cumprir nosso chamado de fazer o Evangelho conhecido em todos os povos, línguas e nações. Para alcançá-los, assim como as demais etnias sem presença missionaria ou igreja indígena, precisamos de mais obreiros (estrangeiros, brasileiros e indígenas) dispostos a se esmerar no estudo linguístico e se preparar da melhor forma possível para transmitir o evangelho para estes grupos. 

Como explica o pastor Ronaldo Lidorio, o “bloco indígena” em nosso país estava totalmente desassociado do movimento de crescimento de Igreja do restante da nação e a maior prova disto é que segundo o missiólogo Enoque Faria temos hoje o mesmo número de missionários entre indígenas que tínhamos 10 anos atrás, mostrando que este é um movimento colocado à parte pela grande massa de igrejas brasileiras. A obra missionária bem como os missionários que trabalham em países além mar possuíam mais reconhecimento, ou status ministerial, do que missionários que atuavam entre indígenas brasileiros mostrando que em nossa prática missionária quanto mais longe melhor. Além disso, pelo menos 80% dos candidatos à obra missionária transcultural em seminários e cursos bíblicos com os quais me deparava possuíam um forte desejo de servir ao Senhor além mar e poucos pensavam na possibilidade indígena.

Preservação cultural e linguística

O Apelo da Subsistência Linguística Michael Kraus afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. Significa que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia. Isto possui raízes diferenciadas que vão desde a imposição socioeconômica nas tribos mais próximas dos vilarejos e povoados até a falta de uma proposta educacional na língua materna, fazendo-os migrar para o Português ou outra língua indígena predominante na região. Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1273 línguas, ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade linguística em 500 anos. 

Luciana Storto delata uma crise sociolinguística no estado de Rondônia onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais usadas pelas crianças e por terem um numero pequeno de falantes. Precisamos perceber que a perda linguística está associada a perdas culturais irreparáveis como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. Perde-se também a ponte de comunicação para um pleno entendimento do evangelho. 

No processo de perda linguística e migração para o Português, os grupos indígenas normalmente passam por um processo de adaptação quando não possuem mais fluência na antiga língua materna e também não aprenderam o suficiente do novo idioma, para uma comunicação mais profunda. Este é um momento de perigo e perdas quando a identidade indígena é autoquestionada, seus valores substituídos e, sobretudo, seu poder de comunicação diminuído.

“A presença missionária catalogando, analisando e registrando a língua indígena a valoriza perante seu próprio povo e abre caminho para sua preservação. O evangelho, assim, não apenas responde os questionamentos da alma mas contribui para a sobrevivência cultural”.

VISÃO 2025

Adotada em 1999, a Visão 2025 tem como alicerce a necessidade de fazer a Palavra de Deus acessível a todos os povos e línguas. Caminhamos com a missão de que, até o ano de 2025, todos os grupos linguísticos restantes contem com um trabalho de tradução iniciado. Essa visão tem motivado e inspirado muitas pessoas e organizações a criar e se unir. 

Lembramos que ainda existem cerca de 2.184 línguas esperando pela tradução da Bíblia. Junte-se a nós, nessa missão! 

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