Descobridor do ebola comenta os impactos do clima no coronavírus

                         PANDEMIA

Veja o que se sabe até agora sobre o papel do clima na transmissão da doença e como outras pandemias se comportaram no mundo

Segundo ele, se compararmos com outras doenças provocadas por vírus, como uma gripe normal, estatisticamente é mais comum a transmissão em condições de clima mais frio. Em Singapura, os casos do Covid-19 foram mais limitados, e se trata de um país mais quente do que a Itália que registra o maior número de óbitos desta pandemia em pleno inverno. Nesta estação, o clima na Itália, principalmente no norte do país, se torna rigoroso, com temperaturas oscilando entre 2°C a -14°C (dependendo da região).

No entanto, a diminuição da transmissão de Singapura precisa ser relacionada também às medidas preventivas que foram tomadas no País, justamente por usar a China como exemplo, praticando o isolamento imediato de alguns infectados e o bom serviço de saúde local.

De acordo com as informações de Peter Piot, dependendo das condições climáticas, o número de casos pode declinar, mas eventualmente podem aumentar de novo com novas variações sazonais e da temperatura. Especialistas do clima acreditam que ainda existem muitas especulações porque não se sabe se a diminuição dos casos se dará por conta do fim do inverno no Hemisfério Norte ou ao ciclo da doença em diversos panoramas. Será que tem a ver com o ciclo do vírus ou o ciclo do clima? Independente de qualquer entendimento, é um erro concluir que por se tratar de um país tropical, os efeitos também não possam ser devastadores no Brasil.

As atitudes tomadas perante esta pandemia é que vão fazer toda a diferença para conter a disseminação da doença. Segundo Peter Piot, a única situação que ele se recorda da história que possa ser semelhante à que estamos passando hoje é a gripe espanhola que aconteceu há 100 anos e é considerada a mãe das pandemias.

A chamada gripe espanhola matou de 50 a 100 milhões de pessoas em 1918 e 1919. Esse número representa mais mortes do que o montante provocado pelas duas grandes guerras juntas. Mais do que o vírus HIVcausou em 40 anos. Foi e ainda é a maior pandemia de que se tem notícia. E o Brasil não passou ileso por ela. Por aqui foram cerca de 35 mil óbitos, entre eles o do presidente da época, Rodrigues Alves (1848-1919).

Já a atual pandemia não pode ser comparada ao ebola, segundo alguns especialistas, como o cientista de dados  Ricardo Cappra. Em 2015, quando o mundo assistia aos horrores da propagação do ebola na África Ocidental, o surto da doença matou cerca de 11.300 pessoas. “A principal dificuldade que estamos enfrentando agora é o excesso de informação.É a primeira vez que lidamos com um vírus dessa magnitude e está difícil classificar e organizar os dados mais importantes para fazer uma análise em âmbito global: um vírus que é transmitido por uma gripe, e isso nunca foi feito”,diz Cappra.

Ricardo Cappra acredita que teremos um contágio ainda maior quando o clima frio chegar. “Ainda estamos no início da crise, a doença está vindo de outro lugar. Os locais nos quais ela se alastrou mais rapidamente são justamente os que estão no inverno. E ainda vamos passar por isso”, diz ele. O outono começou nesta sexta-feira, dia 20, no Brasil.

Para muitos, mais do que graus centígrados, o grande problema será a infraestrutura e a dificuldade que mais de 13 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza vão passar. Não há como praticar o isolamento em áreas superpopulosas que já são mais afetadas até em casos muito mais simples como as chuvas de verão. Algumas mortes não são indicadores pluviométricos e, sim, sociais. Portanto, é preciso ter cuidado para relacionar graus centígrados com o número de mortes associados ao coronavírus. A pobreza sempre foi prestigiada nas grandes desgraças.

Ter mais qualidade de informação para que as pessoas lidem melhor com a doença é um dos papéis do jornalismo e do Canal Rural. Conscientização e medidas preventivas são necessárias, mas o pânico pode ser uma ferramenta ainda mais letal do que a própria pandemia. O pesquisador Peter Piot acredita que em alguns meses o Coronavírus estará em todos os lugares. Como vamos lidar com isso é que vai fazer toda a diferença. “É preciso montar a brigada de incêndio, antes da casa pegar fogo”, finaliza Peter Piot.

https://www.canalrural.com.br/noticias/tempo/descobridor-do-ebola-comenta-os-impactos-do-clima-no-coronavirus/

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