O sacrifício de Jesus

       A encarnação de Jesus, foi apenas uma parte da obra de Cristo. Ela não seria completa se não envolvesse o ministério terreno, o desprezo, o sacrifício, o sofrimento e a morte de Jesus; esse conjunto é o que chamamos de obra de Cristo. Sua obra completou-se com sua ressurreição e ascensão aos céus (Jo 19:30; 1ªCo 15:1_4).

       No Antigo Testamento, a palavra para “sacrifício” é qorbãn, como aquilo que é trazido para perto e tem o propósito de fazer expiação (em hebraico, é kapper). Existem outras palavras correlatas e de menor importância como, por exemplo, zebhah (sacrifício), olã (oferta queimada, aquilo que acende) e outras variantes. Alguns sacrifícios eram expiação e ainda nas festas judaicas das Semanas, dos Tabernáculos (ou Cabanas) e também na festa da Páscoa. O principal propósito dos sacrifícios era fazer a expiação pelos pecados, mas também havia os de gratidão, de ação de graças, de paz e o de alguns outros rituais judaicos que não cabe descrição aqui. Todos esses variados sacrifícios apontam, ainda que comparativamente inadequados, para o sacrifício final e definitivo de Cristo.

       Além da Páscoa, com seu significado já abordado em capítulo anterior, o sacrifício com significado especial era o anual Dia da Expiação, quando o sumo sacerdote oferecia sacrifícios de animais e fazia expiação para si mesmo, para os outros levitas e para as demais tribos de Israel (Lv 16). A oferta teria que ser custosa, demonstrando que se oferecia a vida da vítima, derramando seu sangue para fazer expiação (Lv 17:11). Os diversos aspectos rituais e liturgias com seus significados incutiam na mente do povo a seriedade da condição pecaminosa e da necessidade que tinham de uma expiação completa. Todavia, os sacrifícios de animais eram incompletos e não podiam expiar o pecado humano por inteiro; por isso, o sacrifício de Cristo assume uma relevância de dimensões eternas por ser completo e perfeito.

       As Escrituras afirmam que foi necessária a morte sacrificial de Jesus para cumprir um propósito eterno (Ap 13:8) e para que Deus pudesse perdoar o pecado e garantir a salvação do homem. A serpente levantada no deserto também é comparada ao levantamento de Cristo na cruz 9Jo 3:14). Jesus foi rejeitado (cf. Lc 17:25) e Ele mesmo disse que lhe dera necessário sofrer, morrer e ressuscitar (Mt 16:21; At 17:3) e que estava consagrado para o sacrifício (Jo 17:19). nossa união com Cristo pela fé , possibilitada por seu sacrifício, manifestou o amor de Deus, libertando-nos do sofrimento causado pelo pecado em nós mesmos e no mundo.

       O problema do pecado não se resolve apenas com o arrependimento do pecador porque a justiça de Deus também precisa ser satisfeita. Dessa forma, torna-se necessário que o pecador cumpra a pena. Como o pecador não tinha as mínimas condições de pagar essa pena alguém, em condições de satisfazer a perfeição do sacrifício, entrasse em cena. Esse alguém somente poderia ser Deus, mas também teria de ser homem , e quem poderia cumprir essa exigência seria unicamente Jesus, o homem perfeito, o Deus encarnado. Assim, para Deus resolver o problema da exigência da Lei e da justiça divina, Ele fez com que seu filho pagasse a pena imposta. A pena imposta pela Lei foi a morte, pois era a pena máxima que alguém poderia pagar ou ofertar. Nenhum dinheiro seria suficiente para satisfazer a justiça, a não ser a morte de Cristo.

       A morte de Cristo satisfez ainda outra necessidade: De que forma tirar o pecado do homem como se ele nunca o tivesse praticado? Lançando esse pecado sobre o ser perfeito, que é Cristo. Portanto, trata-se de uma morte vicária que nos representando na cruz (2ª Co 5:14), resgatando-nos da “maldição da Lei, fazendo-se, Ele próprio, maldição em nosso lugar” (Gl 3:13). No Antigo Testamento, foi afirmado, que quem fosse morto num madeiro seria maldito de Deus (Dt 21:22,23).

       O sistema de sacrifícios do Antigo Testamento  foi instituído para tentar alcançar méritos diante de Deus, mas esse sistema tonou-se antiquado (Hb 8:13) com a nova aliança, que foi instituída com o sacrifício de Cristo. Não existem mais méritos pessoais, mas apenas e exclusivamente o mérito de Cristo (Gl 2:21). Ele, sim, é capaz de cobrir todo e qualquer pecado e restabelecer a comunhão do ser humano com Deus. Dessa forma, o único mérito aceito por Deus nesse novo relacionamento com a humanidade é, exclusivamente, o sacrifício de Cristo.

       A morte de Cristo tem algumas conotações que é preciso esclarecer. Ela é o ato de redenção do pecador através de obra vicária de Cristo, que possibilitou a expiação e a propiciação e por fim, promoveu nossa reconciliação com Deus. Cada um desses aspectos  será abordado neste e no próximo capítulo.

       Ela é vicária, isto é, substitutiva, no sentido de alguém que toma o lugar de outro, como bem afirma Isaías: “[…]mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53:6 – conforme ainda 2ªCo 5:21; 1ª Pe 2:24; 3:18). Portanto, Cristo morreu pelos nossos pecados; Ele, porém, era sem pecado. O sistema sacrificial e a Lei apenas nos mostraram o caminho perfeito para a obra de Cristo (Gl 3:24) que foi tão completa que Ele mesmo foi o sacerdote, o ofertante, (Ele deu a si mesmo)e a oferta. A cruz é o sinal que aponta para essa realidade. A centralidade da cruz está presente até mesmo no Apocalipse, pois retrata a Jesus como o “primogênito dos mortos” (1:5) e aquele que foi morto , mas agora vive para sempre (1:18). “Àquele que nos ama e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre ” (1:5,6). As palavras ditas na atmosfera de adoração que João vê diante do Trono são: “foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo e nação” (5:9). João também chama a Jesus 28 vezes de “o Cordeiro”, numa clara alusão à sua morte vicária. Povos de todas as tribos, línguas e nações, “toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas  que neles há” (5:13), bem como “muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos” (5:11) proclamam dizendo o que está assentado no trono  que Ele “é o Cordeiro” e “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ação de graças” (5:12).

       Sua morte também é a propiciação (Rm 3:25; 1ªJo 2:2; Hb 2:17) do pecado, cujo sentido do hebraico kipper e do latim propitio é afastar a ira através de um sacrifício; num sentido pagão, significaria que se está pacificando ou apaziguando um deus irado e vingativo; teologicamente, porém, significa o cumprimento da Lei divina que havia sido violada, permitindo, agora,o transbordar do amor de Deus e também de suas bênçãos sobre o pecador (Sl 7:38). Dessa forma, a propiciação não apenas satisfaz a Lei,, mas também torna Deus magnânimo  para com o pecador. A propiciação torna o ser humano pecador arrependido favorável diante de Deus. Paulo afirma que “[…]sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5:9). A ira de Deus é o que provoca o desespero e o terror do pecado no homem pecador  e leva-o ao arrependimento. Ora, a santidade da ira de Deus não suporta o pecado; entretanto Ele mesmo tomou a providência para que a sua própria ira fosse aplacada, demonstrando mais uma vez seu amor e misericórdia, pois “[…] que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1ªJo 4:10). Dessa forma, a propiciação é um resultado da expiação, pois somente a morte de Jesus supera o paradoxo entre o amor e a ira de Deus.

A Obra da Salvação — Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Livro de Apoio das Lições Bíblicas do 4ºT 2017 Adulto CPAD

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