Vivendo uma vida cristã autêntica

1ª e 2ª Tessalonicenses

       As cartas de Paulo à igreja em Tessalônica constituem-se um importante testemunho a respeito da fé na Igreja Primitiva, e por vários motivos. Em primeiro lugar, porque 1ª Tessalonicenses é, provavelmente, o primeiro texto paulino em ordem cronológica, e também o mais antigo texto neotestamentário canonizado. Temos também, nessa primeira epístola, uma série de referências à Trindade, mais especificamente às obras exclusivas realizadas pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Esses registros nos ajudam a ratificar a ideia de que a crença na Trindade era algo amplamente conhecido naquele contexto histórico, assim como a entender como os primeiros irmãos acreditavam na Doutrina da Trindade.

       Há, nas duas epístolas à Tessalônica, importantes reflexões sobre os acontecimentos finais da história humana — discute-se nesses textos a questão do Arrebatamento, da manifestação do Anticristo e da segurança salvífica daqueles que já dormem em Cristo. O registro do debate sobre estas questões naquela comunidade  local informa-nos muito sobre aqueles novos cristãos.

       Todavia, o cerne das epístolas são questões práticas, do cotidiano, em alguns casos reflexões sobre os fundamentos mais basais da fé cristã. Esta peculiaridade literária das epístolas aos tessalonicenses pode ser esclarecida por meio de um auxílio bíblico-histórico: A presença do apóstolo Paulo entre os tessalonicenses foi breve – limitando-se a semanas ou, no máximo alguns meses -, pois como aponta-nos Lucas em Atos 17:1_14, e o próprio apóstolo em 1ª Tessalonicenses 1:6, levantou-se uma grande perseguição promovida por judeus incomodados com o acolhimento que a mensagem de Paulo recebeu naquela cidade.

       O fato de ter tido uma rápida passagem naquela cidade não impediu que uma grande obra fosse estabelecida; houve sinceras conversões, constituiu-se uma igreja local e até mesmo fiéis auxiliares de Paulo nasceram em Tessalônica, como Aristarco (At 20:4; 27:2; Cl 4:10; Fm 24). Mas é evidente que lacunas doutrinárias ficaram, a princípio, em aberto naquela igreja. Esta talvez seja uma razão plausível para justificar o envio, num curto espaço de tempo, de duas cartas a mesma igreja local tratando de assuntos muito semelhantes. Por esta última questão apresentada é que para alguns a autoria paulina de 2ª Tessalonicenses é posta em suspeita (deve-se destacar que quanto a 1ª Tessalonicenses ser um texto de Paulo isto é ponto pacífico). Entretanto, as semelhanças estilométricas e linguísticas, a proximidade das temáticas, assim como uma contundente declaração final em 2ªTessaloniceses 3:17, corroboram a tese desta epístola ser uma produção epistolar do ministério paulino.

       Podemos afirmar que a comunidade cristã em Tessalônica na época de Paulo era majoritariamente composta por novos convertidos, os quais eram facilmente atribulados tanto por ingênuas dúvidas como por perniciosos discursos heréticos que procuravam se impor ali. Os tessalonicenses tinham dúvidas sobre questões introdutórias da fé, tais como: Aqueles que morreram antes de Jesus voltar, já que ele prometeu que iria retornar, foram para o céu ou para o inferno? Uma vez que o retorno de Cristo é certo, e que acontecerá de modo iminente e repentino a qualquer momento, não é melhor que cada um abandone o seu trabalho e viva exclusivamente numa preparação espiritual para o advento de Jesus?

       Paulo, como um líder atencioso e amoroso, responde minuciosamente estas e outras questões levantadas por aquele grupo de irmãos; mas, como já afirmado anteriormente, é sobre uma reflexão acerca da conduta social, do testemunho vivo e de uma espiritualidade que restaura à imagem de Cristo que o apóstolo concentra-se ao falar para os crentes em Tessalônica.

       Ora, se os tessalonicenses enfrentavam crises e dificuldades relativas a problemas daquele momento histórico, a juventude de hoje que está em nossas igrejas locais – a partir de seu entorno sócio-espiritual – também vivência seus desafios.

       A partir desta compreensão podem surgir várias questões, por exemplo: Como podemos obedecer a orientação de Paulo em 1ª Ts 5:25, quanto à santificação integral (espírito, alma e corpo), se vivemos numa sociedade pós-cristã, relativista ao extremo, a qual tem cada vez mais normalizado práticas abomináveis segundo as Sagradas Escrituras?

       E a sexualidade, ainda é um tabu dentro de nossas igrejas, lares e salas de EBD (por isso não deve ser tratada, discutida, apresentada em seus princípios bíblicos) ou já é uma temática  sobre a qual a Igreja entendeu que precisa conversar com seus jovens, se não estes aprenderão exclusivamente segundo o padrão do mundo?

       Que tipo de liderança precisa se levantar para apresentar as verdades do Evangelho aos jovens do nosso Brasil para que tenhamos  um real avivamento nesta nação? Sim, é necessário o estabelecimento de um avivamento nacional verdadeiro, pois um país como o nosso, em que somos a sétima nação que mais mata jovens no mundo, ficando à frente apenas de países como Iraque e Síria, devastados pela guerra, não pode reconhecer-se como vivendo um avivamento de Deus. A presença de Deus produz paz e vida, No Brasil, todavia, quanto mais multiplicam-se as igrejas, mais jovens morrem. Segundo a ONU/UNICEF a cada sete minutos um jovem é morto no mundo(*). Agência da ONU aponta que o Brasil é o sétimo país que mais mata jovens. E a Igreja o que está fazendo?

NOTA: (*)Segue abaixo o link para acesso do texto:

https://nacoesunidas.org/brasil-tem-7a-maior-taxa-de-homicidios-de-jovens-de-todo-o-mundo-aponta-unicef/

Ensinador Cristão Ano 19 – nº 74 – cpad.com.br 

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