Como distinguir um distúrbio mental de uma possessão demoníaca

       Há uma corrente de teóricos cristãos que desconsidera os problemas emocionais, interpretando-os como problemas espirituais. Jay Adams, fundador da Associação Nacional de Conselheiros Noutéticos, considera que a raiz de todos os problemas humanos reside no pecado. Para ele, as doenças e o sofrimento sinalizam uma vida de rebeldia, sendo consequência do afastamento de Deus. A cura resume-se na obediência aos preceitos bíblicos, que são entendidos a partir de uma moralidade fundamentalista.

       Adams desconsidera a existência dos problemas emocionais. Para ele, existem apenas três fontes que dão origem aos problemas humanos: doenças físicas, pecados e atividades de demônios.

       Algumas pessoas, buscando fundamentar a ideia de que as doenças mentais são oriundas de atividades demoníacas, interpretam erroneamente os textos bíblicos, citando exemplos como os textos de Mateus 4:24 e 17:15 que falam da cura de um epiléptico. A moléstia da qual sofria o jovem não era um simples desarranjo mental ou demência e nem a doença crônica do sistema nervoso central chamada, hoje em dia, epilepsia, mas sim, uma possessão demoníaca.

 

1 – Discernimento espiritual

       O melhor caminho para distinguir um distúrbio mental de uma possessão demoníaca é a capacidade o dom do discernimento. Sabemos que o discernimento é uma habilidade ou capacidade dada por Deus de reconhecermos a ação dos espíritos que estão por trás de diferentes manifestações ou atividades. 

       A falta desse dom tem levado algumas pessoas a confundirem um problema comum como uma abstinência de álcool ou drogas com uma possessão demoníaca, assim como tem levado outros a achar que uma possessão demoníaca trata-se de um distúrbio mental como a esquizofrenia.

 

2 – As evidências

       Outra forma de distinguir um distúrbio mental de uma possessão demoníaca é observar as evidências e os fatos. É importante conhecer a história da pessoa, se ela tem envolvimento com práticas exotéricas, ou participa de cultos em que faz algum tipo de pacto demoníaco.

       Certa vez, participando de uma escola bíblica, fui chamado para orar por uma pessoa que diziam estar “possessa”. O irmão do rapaz que estava em crise listou os obreiros e pessoas que haviam passado por ali e orado sem êxito pelo seu irmão. Ao ver o estado do rapaz, que se contorcia no chão e dava berros estrondosos, perguntei desde quando ele estava naquele estado. Seu irmão relatou que aproximadamente há uns oito dias. Perguntei também como era a vida do rapaz antes dos sintomas da crise.

       É importante traçarmos um divisor de águas entre o antes e o depois. Saber quando ocorreram os primeiros sintomas, como era a vida da pessoa e se houve alguma mudança significativa antes de o problema surgir. Seu irmão relatou que isso estava ocorrendo desde o dia em que o rapaz aceitou a Cristo e que era o Diabo que não queria que ele servisse a Deus.

       Estranhei o fato de que ele nunca tivera essa crise antes. Como isso veio surgir exatamente depois que ele aceitou a Jesus? Sendo assim, perguntei se ele praticava esoterismo ou estava envolvido com ocultismo, satanismo ou algo semelhante, e a resposta foi negativa.

       Ora, se ele nunca tivera essas crises antes de aceitar a Jesus e nem estava envolvido com o espiritismo – considerando que Cristo liberta o homem da escravidão do pecado — logo, dificilmente ele tinha uma possessão.

       Perguntei, então, como era a vida deste rapaz antes de aceitar a Jesus. Foi daí que descobri ele era viciado em drogas e álcool e que tinha largado o vício assim que aceitara a Jesus. Imediatamente conclui, pelas evidências e sintomas apresentados, que aquele rapaz estava tendo uma crise de abstinência e precisava ser imediatamente levado a um hospital para ser desintoxicado.

 

3 – Os sintomas

        Outro aspecto importante na distinção entre um distúrbio mental de uma possessão demoníaca são os sintomas apresentados. Há muita semelhança entre um surto psicótico e uma possessão demoníaca. Porém, uma pessoa em crise, ao ser medicada, reage ao efeito do medicamento. O mesmo não ocorre com uma pessoa possessa.

       Há distúrbios que causam alteração da personalidade. Um tumor cerebral, por exemplo, pode manifestar-se através de várias mudanças de personalidade, como a intensificação de certos comportamentos ou excentricidades preexistentes.

       Uma pessoa relatou que sua filha de quatro anos estava apresentando um comportamento agressivo. A criança acordava à noite gritando, xingando os pais, debatendo-se na cama, contorcendo-se. Antes era dócil, muito calma e tranquila, mas agora demonstrava agitação e impaciência.

       O pai mencionou que um grupo do circulo de oração vinha orando e jejuando, pois a garota estava possessa de demônios. Esse grupo havia feito uma varredura na casa, jogando fora ursos de pelúcia e brinquedos da criança, alegando ser este o motivo da possessão.

       Procurei investigar o histórico familiar desde quando surgiram os primeiros sintomas e as providências que os pais haviam tomado, além de o pai ter convidado as irmãs do circulo de oração para orar.

       Detectei que não havia motivos palpáveis para que aquela criança estivesse possessa. Aconselhei aos pais que procurassem um neurologista e um psicólogo para que a menina tivesse uma avaliação desses profissionais. Algumas semanas depois, tomei conhecimento que, após um exame neurológico, foi detectado um tumor maligno. A criança foi submetida a uma cirurgia, mas infelizmente não resistiu. Talvez um exame precoce pudesse ter salvado aquela vida.

       Precisamos te cuidado para não espiritualizarmos os problemas psíquicos, demonizando todo e qualquer problema mental. De igual modo, temos que ter discernimento para não interpretarmos uma possessão demoníaca como sendo um problema mental.

        Como líderes, precisamos buscar conhecimento e orientação de Deus para ajudarmos as pessoas enfermas e também aquelas que precisam de libertação.

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

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