BIOGRAFIA – William Carey

A vida e a obra do pai das missões modernas

Guilherme Carey (17 de agosto de 1761 – 9 de Junho de 1834) foi um ministroevangelista batista missionário inglês, conhecido como o “pai das missões modernas.” Carey foi um dos fundadores da Sociedade Batista Missionária de Londres, na Inglaterra. Como missionário na colônia dinamarquesa, SeramporeÍndia, evangelizou e fundou escolas, ele traduziu a Bíblia para o bengalisânscrito, e inúmeras outras línguas e dialetos.

Introdução

Carey, o mais velho dos cinco irmãos, era filho de Edmund e Elizabeth Carey, que eram tecelões no comércio na vila de Paulerspury em Northamptonshire. Guilherme foi levado à Igreja da Inglaterra, quando tinha seis anos, seu pai foi nomeado o secretário da paróquia e escola da aldeia. Quando criança era naturalmente curioso e muito interessado em ciências naturais, especialmente botânica. Ele possuía um dom natural para a linguagem, aprendendo latim sozinho. Com 14 anos de idade, seu pai levou-o para ser aprendiz com um sapateiro na aldeia vizinha de Hackleton, Northamtonshire. Seu mestre, Clarke Nichols, foi um religioso como ele, mas um outro aprendiz, John Warr, foi um Dissidente. Através de sua influência Carey acabaria por deixar a Igreja da Inglaterra e se juntar a outros dissidentes para formar uma pequena igreja Congregacional em Hackleton. Enquanto aprendiz de Nichols, ele também aprendeu grego apenas com a ajuda de um morador local, que teve uma educação universitária.

Apesar de nascer em um lar anglicano, sua primeira identificação com a fé genuína foi através de seu companheiro de trabalho, John Warr, filho de um desertor da Igreja Estatal. Em 1779, aos 18 anos, nasceu de novo, quando ainda estava identificado com a igreja oficial da Inglaterra, e uniu-se a uma pequena igreja batista. Logo começou a se preparar para pregar. Saturou-se de conhecimentos tornando-se poliglota, dominando o latim, grego, hebraico, italiano, francês e neerlandês, além de diversas ciências. Assim, aos poucos, entendeu que o mundo era bem maior do que as Ilhas Britânicas e sentiu, como todo o crente verdadeiro deve sentir, a perdição de uma humanidade sem um Salvador. Quando Nichols morreu em 1779, Carey foi trabalhar para outro sapateiro local, Thomas Old. Ele casou com Dorothy Plackett em 1781, com dezenove anos, cunhada de seu patrão. Dorothy era cinco anos mais velha do que Carey, não sabia ler e logo revelou um temperamento difícil. No casamento reinava pouca harmonia e, para dificultar ainda mais a vida familiar os problemas econômicos eram comuns, tornando-se mais intensos com o crescimento da família e a responsabilidade de Carey no cuidado de sua cunhada e de quatro sobrinhos, após a morte do seu patrão.

Ao contrário de William, Dorothy era analfabeta, sua assinatura no registro de casamento é uma cruz bruta. William e Dorothy Carey tiveram seis filhos: quatro meninos e duas meninas. As duas meninas morreram na infância, bem como o seu filho Pedro, que morreu aos 5 anos de idade. O próprio Old morreu logo depois, e Carey assumiu o seu negócio, durante o qual ele aprendeu sozinho hebraicoitalianoneerlandês e francês, muitas vezes estudando enquanto trabalhava em seus sapatos. No ano de 1775, foi atingido pelo avivamento trazido pelas mensagens de John Wesley e George Whitefield. Apesar de ter sido batizado quando criança, William Carey sentiu a necessidade de confessar sua fé publicamente. Sendo assim, foi batizado nas águas no dia 5 de Outubro de 1783, pelo pastor John Ryland. Em 1787, foi consagrado e começou a pregar sobre a necessidade missionária no mundo, e não só na Inglaterra. Como os membros de sua congregação eram pobres, Carey teve por necessidade continuar trabalhando para ganhar o seu sustento.

Durante certo tempo William Carey acumulou as funções de pastor, professor de tempo parcial e sapateiro na sua pequena aldeia. Na verdade, desde a juventude ele atuara como pregador leigo, mas só em 1785 recebeu o convite para ser pastor em uma pequena igreja batista. Mais tarde foi chamado para pastorear uma igreja maior em Leicester, mas mesmo assim ainda precisava trabalhar em outras atividades para sustentar a família.

Como pastor, Carey revelava uma preocupação muito grande com o estudo. Quem chegasse em sua humilde casa, caracterizada pelas lindas flores que ele mesmo cultivava, sempre o encontraria com um livro. Foi durante seus anos de pastorado, marcados especialmente pela leitura, que Carey passou a desenvolver sua visão missionária, concluindo, para surpresa da igreja e dos ministros cristãos de seus dias, que a evangelização do mundo era a principal responsabilidade da noiva de Cristo.

Seus Primeiros Desafios

Na sua pequena oficina pendurou um mapa mundial feito pelas suas próprias mãos. Neste mapa, ele incluíra todas as informações disponíveis: população, flora, fauna, características dos indígenas, etc. Enquanto trabalhava, olhava para ele, orava, sonhava e agia! Foi assim que sentiu mais e mais a chamada de Deus em sua vida. A denominação que Carey pertencia achava-se em grande decadência espiritual. Quando quis introduzir o assunto de missões numa sessão de ministros, foi repreendido pelo venerável presidente John Ryland, que lhe disse: “Jovem assente-se. Quando Deus resolver converter os pagãos, fa-lo-á sem a sua e a minha ajuda.” Mas Carey continuou a sua propaganda pró-missões estrangeiras, e tomando Isaías 54.2 como texto, pregava sobre o tema: “Esperai grandes coisas de Deus; praticai proezas para Deus.”

Sua Chamada

O resultado foi que um grupo de doze pastores batistas, reunidos na casa da Ir. Wallis, formaram a Sociedade Missionária Batista, no dia 2 de Outubro de 1792. Carey se ofereceu para ser o primeiro missionário. Através do testemunho do Dr. Thomas, um missionário e médico que trabalhou por vários anos em Bengali, na Índia, Guilherme Carey recebeu confirmação de sua chamada no dia 10 de Janeiro de 1793. Apesar de Carey ter certeza de sua chamada, sua esposa recusou deixar a Inglaterra. Isto muito doeu em seu coração. Foi decidido, no entanto, que seu filho mais velho, Felix, o acompanharia à Índia. Além deste fator, outro problema que parecia insolúvel, era a proibição de qualquer missionário na Índia. Sob tais circunstâncias era inútil pedir licença para entrar, mas mesmo assim, conseguiram embarcar sem o documento no dia 4 de Abril de 1793. Ao esperar na ilha de Wight por outro navio que os levaria à Índia, o comandante recusou levá-los sem a permissão necessária. Com lágrimas nos olhos e o coração apertado, William Carey viu o navio partir e ele ficar. Sua jornada missionária para Índia parecia terminar ali. Porém, ele acreditava que Deus tinha todas as coisas sob controle.

Ao regressar a Londres, a sociedade missionária conseguiu granjear dinheiro e comprar as passagens em um navio dinamarquês. Uma vez mais, Carey rogou à sua esposa que o acompanhasse. Ela ainda persistia na recusa e ao despedir-se pela segunda vez disse: “Se eu possuísse o mundo inteiro, daria alegremente tudo pelo privilégio de levar-te e os nossos filhos comigo; mas o sentido do meu dever sobrepuja todas as outras considerações. Não posso voltar atrás sem incorrer em culpa a minha alma.” Ao se preparar para partir, um dos amigos que iria viajar com Carey, Dr. Thomas, voltou e conversou com Dorothy, esposa de Guilherme Carey, e milagrosamente ela decidiu acompanhá-lo. Que alegria não foi para ele ver sua esposa e filhos com as malas prontas a lhe acompanhar! Agora acreditava compreender a razão de não ter viajado no primeiro navio.

O NOTÁVEL MISSIONÁRIO

Uma das dificuldades que William Carey teve que enfrentar para incutir a necessidade do envio de missionários às nações pagãs foi o hipercalvinismo reinante em seus dias, segundo o qual a conversão dos pagãos ocorreria, caso o Senhor quisesse, sem o auxílio de quem quer que fosse.

Foi para quebrar essa mentalidade que o pai das missões modernas escreveu um tratado intitulado “Uma investigação sobre o dever dos cristãos de empregarem meios para a conversão dos pagãos” (1792). Tratava-se de uma exposição e análise do mundo de seus dias que refletia a necessidade urgente da pregação do evangelho às nações de todos os continentes. Nesse tratado, Carey também expõe argumentos lógicos e teológicos apresentando-os como fundamentos para o envio de missionários aos pagãos, frisando especialmente que o Reino de Cristo tem que ser proclamado a toda a terra.

Num sermão sobre Isaías 54.2-3, dirigido a um grupo de pastores batistas em Nottingham, no dia 31 de maio de 1792, Carey reforçou os apelos constantes da sua “Investigação” e pronunciou a frase que se tornou célebre como a filosofia de trabalho do grande missionário: “Realizar grandes coisas para Deus; esperar grandes coisas de Deus.”

A força dos argumentos de Carey e o vigor do seu entusiasmo resultaram na formação da Sociedade Missionária Batista, organizada em setembro de 1792. Menos de um ano depois, em junho de 1793, ele e sua família partiram para a Índia como membro da referida sociedade. Carey chegou em Hooghly no dia 11 de novembro de 1793, marcando o início da grande era das missões além mar, promovidas pela Inglaterra e Estados Unidos.

Em virtude da oposição da Companhia das Índias Orientais, a família Carey foi para o interior da Índia e, logo depois, para Malda. Ali, William Carey de dedicou a aprender a língua bengali e se aventurou numa tradução do Novo Testamento para essa língua. O trabalho, contudo, revelou-se um fracasso, pois Carey não tinha habilidade em redação, conhecia muito pouco da dinâmica da língua e a tradução tornou-se ininteligível. Isso não desanimou o infatigável missionário que refez a tradução até que pudesse ser compreendida pelo povo bengalês.

Trabalhando em Malda numa fábrica de anil, enfrentando terríveis problemas familiares como se verá a seguir, Carey não desanimou. Além de se empenhar firmemente na tradução da Bíblia, Carey também atuava como pregador, fundava escolas e, em 1795, inaugurou uma igreja batista em Malda que contava com quatro membros ingleses. É verdade que o povo bengalês comparecia às centenas para ouvir a mensagem do evangelho, mas ao fim de sete anos de trabalho em Malda, Carey não tinha sequer um convertido que pudesse apresentar como fruto do seu ministério.

Em 1800, William Carey deixou Malda e transferiu-se para Serampore, um território dinamarquês perto de Calcutá. Ali ele permaneceu até o fim de sua vida. A lado de Josué Marshman e William Ward, Carey passou a viver um tempo maravilhoso de trabalho em equipe marcado por oração, respeito, mútua cooperação e compromisso sério com a obra do Senhor. Marshman, Ward e Carey formavam o conhecido “Trio de Serampore” que conduziu a missão a um notável sucesso.

Com dedicação sem igual, disposto a sacrificar seus bens, tempo e qualquer outra coisa a que pudesse se apegar, dono de um caráter dócil e uma vida santa, Carey organizava escolas (ele organizou, inclusive, o colégio Serampore para treinamento de evangelistas nativos), ensinava línguas orientais no colégio de Fort William em Calcutá e continuava seus esforços na tradução da Bíblia que verteu inteira para três idiomas: bengalês, sânscrito e marathi. Além disso, traduziu porções da Bíblia para inúmeras outras línguas, ainda que a qualidade de seu trabalho não fosse muito apreciada pelos críticos.

Em Serampore o trabalho evangelístico era intenso. Apesar disso, as conversões aconteciam muito lentamente. Ruth Tucker escreve:

A evangelização era também uma parte importante do trabalho em Serampore e um ano após o estabelecimento da missão os missionários se alegraram com o primeiro convertido. No ano seguinte houve mais convertidos, mas de modo geral a evangelização progrediu lentamente. Cerca do ano 1818, depois de 25 anos de missões batistas na Índia, havia mais ou menos 600 convertidos batizados e mais alguns milhares que compareciam às aulas e cultos.

Dorothy Carey morreu em 1807 e, seis meses depois do seu sepultamento, o viúvo se casou com Charlotte Rumohr. O casamento foi feliz e durou até 1821, quando Charlotte morreu. Durante seu tempo de convivência o casal dedicou-se ao trabalho de tradução, pois Charlotte tinha grande habilidade lingüística. Após sua morte, Carey, aos 62 anos de idade, se casou com Grace Hughes, dezessete anos mais jovem do que ele e que demonstrou-se extremamente solícita no cuidado do marido que passara a ter freqüentes problemas de saúde.

O trabalho de Carey na Índia foi extraordinário. O pai das missões modernas, além das realizações mencionadas acima lutou contra a queima de viúvas e o assassinato de crianças. Ele tinha uma visão missionária muito à frente do seu tempo, dedicando-se à causa cristã sem desrespeitar os aspectos da cultura local que não feriam os valores revelados por Deus nas páginas da Bíblia. Ademais, lutou pela formação de uma igreja autóctone, com a Bíblia na língua do povo, com uma liderança nativa e traços distintivos que não fossem importados da Europa.

OS OBSTÁCULOS NO MINISTÉRIO DE WILLIAM CAREY

O primeiro obstáculo que William Carey teve que enfrentar para realizar seu alvo de evangelização dos pagãos foi a sua própria igreja. Reinava em seu tempo a idéia de que a Grande Comissão não se aplicava aos cristãos em geral, mas exclusivamente aos apóstolos diante de quem o Senhor ressurreto a enunciou. Esse pensamento estava fortemente associado a uma teologia hipercalvinista que tirava da igreja o dever de anunciar as boas novas aos perdidos das nações distantes. Conta-se que quando o jovem pastor apresentou as suas idéias revolucionárias para a época a um grupo de ministros, um deles lhe disse: “Jovem, sente-se. Quando Deus quiser converter os pagãos, ele o fará sem a sua ajuda ou a minha”.

Na sua “Investigação”, Carey reagiu contra essas idéias. Realçou o dever da igreja de evangelizar os povos e disse que se a Grande Comissão se restringisse aos apóstolos, então a ordem de batizar também estaria restrita a eles. Ademais, argumentou, se só aos apóstolos se aplicam as determinações da Grande Comissão, os ministros que têm pregado o evangelho a outros povos têm agido sem autorização de Deus para tanto e a presença constante de Cristo prometida na Grande Comissão também não se aplica a ninguém além dos ouvintes originais.

Como se vê, os argumentos de Carey eram irrefutáveis e provocaram uma mudança na mentalidade da igreja de seus dias que se estabeleceu por mais de quarenta anos.

Um segundo obstáculo ao ministério de William Carey foi a Companhia das Índias Orientais. Stephen Neill escreve:

O momento da chegada de Carey à Índia não era propício para a fundação de uma missão. A Companhia das Índias Orientais, companhia comercial que se transformara gradualmente num império e que era então o poder dominante da Índia, suspeitava dos missionários e hostilizava sua chegada, não tanto por questões religiosas, mas por temer as perturbações provocadas pelo Evangelho, o que poderia abalar o controle sempre incerto de determinadas regiões. Carey e sua família viram-se, de fato, na situação de imigrantes ilegais, sujeitos de um momento para outro a serem deportados.

O problema com a Companhia das Índias Orientais foi resolvido quando Carey e sua família se mudaram para o interior, desaparecendo da vista de todos.

O terceiro obstáculo ao ministério de Carey (e talvez o mais difícil) foi a sua esposa. Desde o início Dorothy se opusera á ida de Carey à Índia e se recusara a ir com ele. Juntamente com um outro missionário, John Thomas, Carey chegou a partir sem a esposa. A viagem, porém, foi interrompida por motivos burocráticos quando o navio ainda estava na Inglaterra. Por esse tempo, Dorothy mudou de idéia e resolveu partir com o marido e seus quatro filhos pequenos (um deles com apenas três semanas).

Estando já na Índia, Carey, como já dito, se viu forçado a partir para o interior em face da oposição da Companhia das Índias Orientais. Na ocasião, Dorothy, mais uma vez, revelou-se uma mulher inadequada como esposa de missionário. Ela se mostrou cada vez mais abalada psicologicamente. Ademais, instalada em meio a pântanos, a família viu-se em circunstâncias deploráveis e Dorothy ficou muito doente, exigindo, juntamente com os filhos, a total atenção do marido. A situação só melhorou quando ele conseguiu se transferir para Malda onde foi trabalhar como capataz numa fábrica de anil. Ali, porém, Dorothy demonstrava que sua saúde mental estava em notável declínio. Com a morte de um dos filhos, que então contava com cinco anos, a esposa de Carey enlouqueceu totalmente.

A demência de Dorothy teve resultados trágicos para a família. Um deles se fez sentir na educação dos filhos. Carey, além de viver constantemente ocupado com inúmeras tarefas, era um homem muito dócil, incapaz de ser rígido com as crianças. A mãe, no estado em que se encontrava, não tinha condições de suprir a ausência e falhas do pai na correção dos meninos que cresceram como vadios indisciplinados. Foi a interferência firme da Sra. Marshman e a posterior dedicação de Charlotte Rumohr, a segunda esposa de Carey, que impediram que os filhos de Carey se perdessem totalmente.

A grande luta de Carey com a doença de sua esposa findou-se em 1807, quando Dorothy faleceu aos 51 anos de idade. Foi o fim de um triste obstáculo para a obra missionária que jamais contou com o real apoio daquela mulher, mesmo em seus dias de saúde física e psíquica.

O quarto fator que pode ser citado como obstáculo ao trabalho de William Carey foi sua chocante dificuldade com traduções. Como visto acima, Carey não conseguia se fazer entender quando escrevia uma sentença, de forma que sua obra sofria sérios e justos ataques de qualquer pessoa que tivesse paciência para avaliá-la. Para piorar a situação, em 1812 ocorreu um incêndio que destruiu anos de seu intenso e difícil trabalho de tradução.

O modo como Carey superou tudo isso foi através da perseverança. De fato, Carey era um homem que nunca desistia. Nada fazia com que ele interrompesse sua obra. Se ao final de uma tradução  ele descobria que o texto era de difícil compreensão, ele retomava pacientemente o trabalho e fazia tudo outra vez, até que o resultado fosse satisfatório para os leitores. Mesmo quando suas traduções foram queimadas em 1812, esse incansável missionário aceitou o fato como manifestação da vontade de Deus e iniciou tudo outra vez com zelo ainda mais intenso.

O último obstáculo que Carey enfrentou em seu trabalho missionário foi decorrente da chegada de novos missionários enviados da Inglaterra a Serampore pela Sociedade Missionária Batista. De fato, com a chegada desses missionários a paz da missão de Serampore chegou ao fim.

Os novos obreiros se recusaram a se submeter à liderança dos veteranos e também não aceitaram adotar o estilo de vida e filosofia de trabalho do “Trio de Serampore”. Assim, o resultado inevitável foi a divisão. Então, os missionários mais novos se afastaram e formaram a União Missionária de Calcutá.

A Sociedade Missionária Batista, a que Carey estava ligado desde que fora fundada por sua própria influência, tinha por esse tempo líderes que sequer o conheciam pessoalmente. Esses líderes deram apoio aos missionários jovens que eles próprios haviam nomeado. Por tudo isso, em 1826, a Missão de Serampore cortou relações com a Sociedade Missionária Batista.

Como resultado desse rompimento, terríveis problemas financeiros começaram. Não havia como a missão de Carey se sustentar e também suprir as necessidades dos diversos postos missionários ligados a ela sem o apoio da Inglaterra.

Carey, como em outras ocasiões, também soube lidar com esse obstáculo ao trabalho do Senhor. A solução foi simples: auto-humilhação. Carey e Marshman, vendo que não havia meios de continuar sem o sustento da Sociedade, se submeteram novamente e ela. Assim, foi dada continuidade ao trabalho até que a morte, o último oponente, se levantou. Contra esse obstáculo o corajoso missionário não teve como lutar. William Carey morreu em 1834.

CONCLUSÃO

Da consideração dos fatos expostos nesta monografia, conclui-se primeiramente que a obra de Deus não carece necessariamente de ministros que apresentam os padrões de grandeza que o mundo exalta. Carey era apenas um pobre sapateiro, com limitações notáveis oriundas de problemas familiares e até mesmo carente de certos dotes intelectuais. Foi ele, contudo, que deu o impulso inicial ao grande século das missões transculturais, tornando-se famoso em todo o mundo e influenciando vidas até os dias modernos.

Vê-se também, a partir da história apresentada, quão essencial é a perseverança na vida do ministro de Cristo. As informações fornecidas no item 4 levam facilmente à conclusão de que William Carey sequer teria saído da Inglaterra caso não fosse dono de um espírito perseverante, capaz de enfrentar pacientemente qualquer obstáculo e  prosseguir sem esmorecer na perseguição de seus ideais. Não resta dúvida que, sob o ponto de vista humano, o sucesso de Carey foi devido à sua firmeza e pertinácia.

No presente trabalho também é possível vislumbrar a seguinte verdade: o trabalho do Senhor muitas vezes revela-se lento e tardio em frutificar. Todo homem de Deus deveria atentar para esse fato e não nutrir no coração a danosa tendência de se comparar com outros que, aparentemente, têm tido mais sucesso no ministério, nem se sentir frustrado em expectativas muitas vezes vaidosas de ver multidões diante de si, sedentas por ouvi-lo. A história das missões e, especificamente, a vida de William Carey mostram que muitas vezes o plano de Deus na obra missionária não é a conversão numerosa dos ouvintes, mas o fortalecimento da fidelidade dos pregadores. Muitas vezes, o campo de trabalho de Deus é seu próprio servo.

Assim, a história do pai das missões modernas, se afigura como fonte de instrução, estímulo, exemplo e correção. Por meio dela não somente se detecta parte do que Deus realizou no grande século das missões ultramar, mas também é possível sentir o coração inclinado para novos desafios e para a expectativa de que ainda nesta geração o Senhor reavive a sua obra em todo o mundo.

https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Carey

http://www.igrejaredencao.org.br/william-carey-a-vida-e-a-obra-do-pai-das-missoes-modernas-pr-marcos-granconato:monografias (Pr. Marcos Granconato).

 

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