O Que é Cristologia?

Cristologia é a matéria da teologia sistemática que estuda a pessoa e a obra de Cristo. Então o significado de “Cristologia” diz respeito ao estudo de Cristo, ou seja, a cristologia basicamente é a doutrina de Cristo conforme revelada na Escritura.

É uma parte da teologia cristã que estuda e define a natureza de Jesus, a doutrina da pessoa e da obra de Jesus Cristo, com uma particular atenção à relação com Deus, às origens, ao modo de vida de Jesus de Nazaré, visto que estas origens e o papel dentro da doutrina de salvação tem sido objeto de estudo e discussão desde os primórdios do cristianismo.

Os estudiosos têm concordado que a cristologia é uma das disciplinas mais intimidadoras da teologia sistemática. Um erro na cristologia de uma pessoa pode determinar se ela é cristã ou não. Isso porque o estudo da pessoa e obra de Cristo está bem no centro da teologia cristã. Não é por menos que àqueles que creem em Cristo são chamados de “cristãos” e que a fé que professam é chamada de “Cristianismo”.

Quais são os temas estudados na cristologia?

Os temas da cristologia podem ser organizados em duas grandes partes: 1) a pessoa de Cristo; e 2) a obra de Cristo.

Na primeira parte ­– o estudo da pessoa de Cristo – a cristologia aborda principalmente a plena humanidade e plena divindade de Cristo. No que diz respeito à humanidade de Cristo, a cristologia considera seu nascimento virginal e as implicações de Ele ser plenamente homem possuindo corpo humano, mente humana, alma e emoções humanas; bem como suas respectivas limitações e fraquezas (sentir dor, fome, frio, cansaço, aprender coisas, chorar, ficar angustiado, etc.).

Parte importante da cristologia nesse ponto é a doutrina da impecabilidade de Jesus, que afirma que Jesus nunca pecou, embora Ele fosse plenamente homem assim como nós. Esse tópico da cristologia também combate falsas doutrinas que negam que Jesus era humano, como o docetismo.

Já no que diz respeito à divindade de Cristo, a cristologia considera como o ensino bíblico afirma que Jesus é Deus, e como essa verdade é fundamental para a Fé Cristã. Essa verdade condena heresias como o arianismo e o adocionismo que basicamente negam a plena divindade de Jesus.

Depois a cristologia também aborda a unidade da pessoa de Cristo no mistério da encarnação. Nesse ponto o estudo enfoca a importância da afirmação de que a plena divindade e a plena humanidade de Cristo são combinadas numa só pessoa. Em outras palavras, são duas naturezas distintas, cada uma com seus próprios atributos, unidas inseparavelmente na única pessoa de Cristo.

Por isso a boa cristologia também consegue responder eficazmente as heresias que surgiram ao longo da história da Igreja com o propósito de atacar a pessoa de Cristo. Entre essas heresias temos:

  • Nestorianismo ­– que dizia que Cristo possui duas pessoas, uma humana e outra divina.
  • Apolinarismo – que dizia que Cristo possuía apenas um corpo humano, enquanto que sua mente e seu espírito provinham da natureza divina.
  • Monofisismo ­­– que dizia que Cristo possuía uma só natureza que misturava elementos divinos e humanos. Nessa concepção a natureza humana de Jesus supostamente teria sido absorvida por sua natureza divina formando então uma nova e única natureza.

Na segunda parte – o estudo da obra de Cristo – a cristologia estuda tudo o que envolve o ministério do Senhor Jesus. Nesse ponto são abordados os diferentes estágios da obra de Cristo, seus ofícios (profeta, sacerdote e rei) e o significado da expiação (envolvendo sacrifício, propiciação, substituição, reconciliação e redenção).

A importância da cristologia bíblica

Na Bíblia encontramos o próprio Senhor Jesus fazendo uma pergunta decisiva aos seus discípulos. Em certo momento de seu ministério terreno Ele perguntou: “Quem os homens dizem que o Filho do homem é?” (Mateus 16:13). Os discípulos de Jesus então responderam dizendo que algumas pessoas diziam que Ele era João Batista; outras, o profeta Elias; e, ainda outras, o profeta Jeremias ou qualquer um dos demais profetas (Mateus 16:14).

Dois mil anos depois, as respostas de muitas pessoas permanecem muito parecidas com as respostas das pessoas do tempo de Jesus. Elas pesam que Jesus foi um grande exemplo de homem; uma pessoa comprometida com a paz e com o amor; apenas um profeta notável que marcou a história da humanidade etc.

Mas todas essas respostas falham em reconhecer quem de fato é a pessoa de Jesus. Após ter feito essa pergunta aos seus discípulos, Jesus direcionou a mesma pergunta a eles: “E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” (Mateus 16:15). Então pela revelação divina, o apóstolo Pedro ofereceu a resposta correta: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16).

A pergunta de Jesus e a resposta de Pedro apontam para a importância da cristologia na vida do crente. A resposta de Pedro fica ainda mais significativa quando nos lembramos que ele declarou isso a respeito de um homem com quem ele convivia diariamente. Pedro, naquele momento, não estava diante do Cristo exaltado, mas diante do Cristo humilhado. É por isso que sua resposta e o contexto que a envolve, apontam para a síntese da doutrina bíblica a respeito de Cristo: Ele é plenamente Deus e plenamente homem, em uma só pessoa.

Então através da cristologia podemos entender que Jesus Cristo é absolutamente suficiente para todas as questões que envolvem a nossa existência e salvação. Conforme o apóstolo Paulo escreve, “em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9). Sem a cristologia bíblica não há Cristianismo.

Eixo central da cristologia

A Cristologia tem sido debatida incansavelmente durante séculos, em várias nações, dentro de várias correntes cristãs, com pontos de vista semelhantes, divergentes e mesmo com algumas controvérsias. Alguns aspectos deste assunto muito debatidos no eixo central da cristologia no decurso da história do cristianismo são:

  • A Natureza divino-humana de Jesus (União hipostática);
  • A Divindade de Jesus;
  • A Humanidade de Jesus;
  • A Encarnação;
  • A Revelação de Deus;
  • Os Milagres;
  • Os Ensinamentos;
  • A Morte expiatória;
  • A Ressurreição;
  • A Ascensão;
  • A Intercessão em nosso favor;
  • A Parousia;
  • A Posição como Cabeça de todas as coisas;
  • A Centralidade dentro do mistério da vontade de Deus, dentro da restauração;
  • A Volta ao mundo para reinar sobre aqueles que creem nele.

Disputas

Talvez a disputa mais antiga dentro do cristianismo centrou-se sobre se Jesus era Deus. Um número de cristãos primitivos acreditavam que Jesus não era divino, mas fora simplesmente o Messias humano prometido no Antigo Testamento, tal como o vê os fariseus contrariamente à vista mais geral dos outros judaico-cristãos. A inclusão da Genealogia de Jesus em Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38 são explicadas às vezes por esta opinião.

Uma explanação alternativa é que eram uma oposição às doutrinas dos Cristãos Gnósticos que afirmavam que Jesus Cristo teve somente a ilusão de um corpo humano e, assim, nenhuma ancestralidade humana, como o via o docetismo.

A opinião de que Jesus era somente humano, como afirmava o adopcionismo, foi oposta por líderes da igreja tais como São Paulo, e veio eventualmente a serem aceitas somente por seitas como a dos ebionitas e (de acordo com São Jerônimo), mas logo subjugadas pelas igrejas ortodoxas de uma forma ou outra.

A natureza de Cristo

A natureza de Jesus Cristo é uma questão da busca por determinar se Cristo era um homem com a tendência para pecar igual à de Adão antes do pecado (pré-lapsarianismo) ou uma tendência ao pecado, igual à de Adão depois do pecado (pós-lapsarianismo), ambas diretamente relacionadas com o Plano da Salvação, visto que o ministério de Cristo, se caracterizava pelo exemplo na superação do pecado, mostrando que era possível o homem viver sem pecar.

Entre as principais escolas que buscaram determinar a natureza de Cristo temos:

  • Arianismo, que crê que Jesus, apesar de um ser superior, seja inferior ao Pai sendo uma criatura sua;
  • Docetismo, defende que Jesus era um mensageiro dos céus e que seu corpo era “carnal” apenas na aparência e sua crucificação teria sido uma ilusão;
  • Ebionismo, que crê em Jesus como um profeta, nascido de Maria e José, que teria se tornado Cristo no ato do batismo;
  • Elcasaismo – recusam a divindade de Cristo, consideram-no o último dos profetas e chamam-lhe anjo Jesus;
  • Monofisismo, segundo a qual Cristo teria uma única natureza composta da união de elementos divinos e elementos humanos;
  • Nestorianismo, segundo a qual Jesus Cristo é, na verdade, duas entidades vivendo no mesmo corpo: uma humana (Jesus) e uma divina (Cristo);
  • Miafisismo, que defende que em Jesus Cristo há a natureza humana e a natureza divina, mas que estas duas naturezas se unem natural e completamente para formar uma única e unificada Natureza de Cristo;
  • Sabelianismo, o qual defendia que Jesus e Deus não eram pessoas distintas, mas sim “aspectos” ou “modos” diferentes do trato da Divindade com a humanidade;
  • Trinitarianismo, que crê em Jesus como a segunda pessoa da Trindade divina.

Cristologia Ortodoxa

Mosaico retratando o Cristo Pantocrator, na Igreja de Daphne, AtenasGrécia. A imagem foi terminada entre os anos de 1090 e 1100.

A Cristologia ortodoxa, defendida pelas Igrejas CatólicaOrtodoxas e protestantes, tem por base o Concílio de Calcedônia (em 451 d.C., o qual estabelece as bases desta corrente, na qual o Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem (união hipostática) e se apresenta em duas naturezas sem distinção, indivisíveis e inseparáveis, de tal forma que as propriedades de cada uma permanecem ainda mais firmes quando unidas numa só pessoa. Para os defensores desta cristologia, o termo “Filho de Deus” aplicado a Jesus deve ser interpretado com a natureza de Deus, gerado já desde o início de tudo e, portanto co-eterno.

Cristologia monofisita

Discordando da Cristologia Ortodoxa, os miafisitas afastaram-se para compor as Igrejas ortodoxas orientais da Síria, da Armênia, do Egito, da Etiópia e da Índia do Sul. Para eles a natureza divina em Jesus era muito mais forte e preponderante daquela natureza humana.

Mas, estas mesmas Igrejas dissidentes rejeitam o rótulo de monofisita, porque elas afirmam que defendem na verdade o miafisismo, que é a crença de que em Jesus há a natureza humana e a natureza divina, mas que estas duas naturezas se unem para formar uma única e unificada Natureza de Cristo. Estas Igrejas afirmam que o miafisismo é diferente do monofisismo, mas esta doutrina cristológica igualmente se diverge da doutrina ortodoxa da união hipostática.

Cristologia ariana

arianismo, que recebeu este nome por ser derivado da doutrina de Ário, apresenta uma distinção clara entre o Cristo e o Logos como razão divina. O Cristo é apresentado como uma criatura pré-temporal, super-humana, a primeira das criaturas, não Deus, porém mais que homem. “O logos é a própria razão divina a qual Deus pai admitiu sair de si mesmo sem a diminuição do seu próprio ser.” (Justino Martir)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristologia

https://estiloadoracao.com/o-que-e-cristologia/

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