A sinceridade

       Imagine uma situação de guerra quando todo mundo vive desconfiado achando que o outro pode ser seu próprio inimigo. Era essa a situação que vivia a nação de Israel. Jeú fora designado por Deus para fazer justiça a casa de Acabe – rei de Israel por causa dos seus pecados e abominações contra Deus. Jeú vinha de uma batalha de onde exterminara a casa de Acabe e a todos que encontrou pelo seu caminho. Logo à frente, encontrou Jonadabe, um aliado seu que vinha ao encontro. Ao saudá-lo, desconfiado perguntou: “O teu coração é sincero para comigo como o meu o é para contigo? Respondeu Jonadabe: É. Então, se é, disse Jeú, dá-me a tua mão. E ele lhe deu a mão; e Jeú fê-lo subir consigo ao carro.” Tal cena repete-se ainda hoje. Infelizmente a falta de sinceridade entre as pessoas vem gerando desconfiança e insegurança a ponto de muitos interrogarem: “Em quem podemos confiar?”.

       Vivemos numa época em que a falta de sinceridade, a hipocrisia e a necessidade de trapacear o outro passou a ser algo tão constante na sociedade atual que as pessoas passaram a viver desconfiadas umas das outras.

       A sinceridade é um atributo inerente ao caráter cristão e deve ser cultivada. O apóstolo Paulo, na sua segunda epístola aos Coríntios 1:12, mostra-nos que a sinceridade é a glória do cristão neste mundo: “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo particular convosco.” Que venhamos, pois, aprender esse princípio e colocá-lo em prática. O verdadeiro cristão ousa ser absolutamente sincero.

       A Bíblia ainda nos diz que  “o que anda na sua sinceridade teme ao Senhor” (Pv 14:2); os filhos são abençoados pela sinceridade dos pais (Pv 20:7); a sinceridade é a glória do cristão neste mundo (2ªCo 1:12); devemos ter um coração sincero (Ef 6:5); devemos ser um exemplo em sinceridade (Tt 2:7); devemos falar com sinceridade (2ªCo 1:17) devemos ser sinceros até o dia de Cristo (Fp 1:10).

1 – A falta de sinceridade

        “Como cristãos, devemos ser sinceros uns com os outros.” Creio que essa expressão seja tão evidente que dispensa comentários. Mas, se temos consciência de que a sinceridade é algo tão necessário à vida cristã, então por que se torna tão difícil a prática deste princípio?

       A falta de sinceridade pode ser um problema de caráter. Isso ocorre quando a pessoa age conscientemente com hipocrisia, não falando a verdade, com o intuito de tirar proveito das situações, ganhar prestígios ou obter ganhos ilícitos.

       A falta de sinceridade também pode estar relacionada a não compreensão do que realmente seja sinceridade. É comum ouvirmos pessoas perguntarem: “O que significa sinceridade?”, “Para ser sincero, preciso exteriorizar a verdade, seja ela boa ou ruim, doa a quem doer?”, “Como ser sincero quando vivemos rodeados de tanta hipocrisia?”. Talvez seja esse um dos maiores obstáculos à prática deste princípio.

       Às vezes, achamos que ser sinceros é sair corrigindo todo mundo, dando opinião onde não fomos chamados. Essa atitude gera muitas vezes revoltas, brigas, mágoas. Não devemos omitir a verdade com medo da reprovação do outro, mas também não devemos ser duros e rudes com as pessoas.

2 – Sinceridade significa autenticidade

       Ser autêntico não significa sair por ai machucando as pessoas em nome da verdade. Alguns acham que sinceridade é “rasgar o verbo” e dizer tudo o que sente sem pensar no outro. Ser sincero não significa ser grosseiro e indelicado. O que mais dói quando se ouve uma verdade ou uma crítica não é, na maioria das vezes, o que se diz, mas o modo como esta verdade é transmitida. Eu posso falar a verdade sem ofender a outra pessoa ou humilhá-la.

       Precisamos, sim, ser autênticos, mas também devemos ter o cuidado para não confundirmos indelicadeza com autenticidade. Se algo esta ruim, não preciso dizer que está bom. Porém posso falar a verdade sem ofender a outra pessoa. Veja o exemplo que nos deu o profeta Natã ao se dirigir a Davi diretamente, mesmo tendo sido designado por Deus para repreendê-lo. Quando acusamos a alguém diretamente, podemos ferir o orgulho dessa pessoa, tornando-a irada. O profeta, ao contrário, fez uma ilustração levando o rei a refletir sobre sua atitude. Davi aceitou a repreensão porque esta foi dada com sabedoria.

       Quem é autêntico  não precisa usar máscaras; pelo contrário, deve sempre expressar o que sente. Há pessoas que mascaram os seus sentimentos. Às vezes, está com raiva de alguém, mas ao encontrar essa pessoa, finge estar tudo bem. Não estamos afirmando que devemos sair e bater nas pessoas, mas, sermos sinceros em relação ao que sentimos.

       Os sentimentos devem ser expressos com controle e equilíbrio. Alguns sentimentos como a ira podem ser altamente destrutivos. Aprendamos a ser autênticos e verdadeiros, expressando o que sentimos com controle e equilíbrio; assim, estaremos agindo de acordo com a vontade de Deus.

3 – Sinceridade é uma expressão de amor e respeito pelo outro

       Agir com sinceridade é uma expressão de amor. Quando amamos alguém, procuremos não prejudicar essa pessoa. Imagine um professor cujo aluno lhe apresenta uma prova com as questões erradas, mas, por ele ser bem comportado e atencioso nas aulas, o professor resolve dar nota 1o a ele. O aluno ficará radiante pelo “10” que recebeu, porém, futuramente, ao participar de um concurso ou de uma seleção para emprego, ficará frustrado ao descobrir que não aprendeu nada sobre o assunto. Uma nota baixa poderia ter sido recebida com tristeza por esse aluno, porém levaria ele a estudar mais para aprender o assunto.

       Nem sempre quem é sincero é compreendido. A transparência e a coragem de expressar o que pensa ou sente às vezes pode não ser visto com bons olhos pelos outros, principalmente se formos de encontro às conveniências alheias.

      Quando amamos, sabemos agir com prudência, escolhendo à hora certa para falar. A Bíblia é clara ao nos ensinar que há tempo para falar e tempo para ficarmos calados (Ec 3:7). A imprudência ou a precipitação pode gerar sérios prejuízos numa relação.

       Quem ama não sai atacando as pessoas abertamente; muito pelo contrário, espera o momento oportuno para falar o que é necessário, buscando a possibilidade de enriquecer o outro ajudando no seu crescimento.

      Para sabermos aplicar a dose certa de sinceridade, basta tratarmos ao outro da mesma maneira que desejamos ser tratados (Lc 6:31). O próximos deve ser amado na mesma intensidade que amamos a nós mesmos: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39).

      Basta de omissões e chega de verdades desastrosas. Que venhamos aprender a praticar a sinceridade com amor, pensando sempre na edificação do outro e não na sua condenação ou destruição. Uma crítica tanto pode contribuir para o crescimento de alguém, como pode servir para a sua destruição. Depende do modo como esta será transmitida. Portanto, lembre-se: sinceridade significa a expressão da verdade, e ser verdadeiro não significa ser indelicado. A sinceridade é uma expressão verdadeira do amor e respeito pelo outro.

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

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