A culpa

       A culpa está relacionada a lembranças de algo no passado que são difíceis de serem esquecidas. O indivíduo sente-se culpado quando viola a sua consciência moral. Ela pode ser apenas um sinal de alerta para o indivíduo entender que está fazendo algo errado ou cometendo exageros e logo se corrigir. Torna-se, porém, doentia quando há repetição de atos não saudáveis dos quais não se consegue desvencilhar, gerando na pessoa o comportamento de réu ou transgressor.

       Com a culpa, o indivíduo sofre uma espécie de tortura que o leva a punir-se por não conseguir reagir ou gerenciar os conflitos que lhe causam sofrimento, mágoa, timidez, dor e medo.

A culpa segundo as teorias psicológicas   

      As teorias psicológicas negam a existência do pecado por desconsiderarem os princípios bíblicos. A Psicanálise, por exemplo, defende que, durante a infância desenvolvemos uma censura – superego – de acordo com o ambiente em que fomos criados. Segundo essa teoria, uma pessoa criada num ambiente castrador, onde foi intensamente cobrada, desenvolve uma propensão maior à culpa do que aquela criada com menos rigidez. A formação de uma consciência (ou superego) é excessivamente rígida; a consciência entra em conflito com os desejos normais (o id). Esse conflito serve como fonte das atuais dificuldades.

       Quando o indivíduo viola um “faça” ou “não faça”, ele sente-se culpado (não por ser culpado, mas, sim, por haver violado seu superego ou consciência rígida) em demasia.

       Ainda que exista um fundo de verdade nessa afirmação, não podemos aceitar essa visão integralmente sem considerarmos o que a Bíblia ensina; do contrário, chegaremos à conclusão de que pecado é algo relativo e de que depende daquilo que aprendemos sobre o certo e o errado.

       Biblicamente falando, a consciência é a marca da criação de Deus (Rm 2:15). Ela não está sujeita à vontade e nem aos sentimentos humanos, sendo capaz de aprovar ou desaprovar as ações do homem. Trata-se da faculdade que capacita o ser humano a conhecer e seguir os padrões morais do Criador. É por meio da consciência que Deus revela a sua vontade ao homem e, quando o homem desobedece a essa vontade, a sua consciência acusa-o.

      Na Bíblia, um dos exemplos mais marcantes de pessoas que vivenciaram o sentimento de culpa é o rei Davi. Isso se torna claro na sua declaração no Salmo 51:

Sl 51:3,4

“Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.”

       A Bíblia é clara quando trata do perdão para aqueles que se arrependem. O arrependimento leva o indivíduo à confissão: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1ªJo 1:9).

      Infelizmente, nem sempre a igreja ajuda pessoas que se sentem culpadas. Alguns líderes e membros posicionam-se como juízes legalistas do povo de Deus e usam a Bíblia apenas como código legal para excluir ou penalizar o membro.

      A culpa, quando não tratada, pode levar a pessoa a adoecer física e psicologicamente, além de fazer a pessoa sentir-se indigna ou incapaz: “faça o que fizer, nunca é suficiente”.

       Muitas pessoas têm dificuldades de sentirem-se perdoadas, prejudicando, assim, o relacionamento com Deus, mesmo depois de confessar os seus pecados sucessivas vezes, desencadeando, em alguns casos, a culpa neurótica (aquela que nos impede de aceitar o perdão divino).

Como lidar com a culpa

      Para lidar com a culpa, é necessário que a pessoa, primeiramente reconheça seus erros e seus traços de comportamento, assuma a responsabilidade pelos seus problemas e deixe de ficar pondo a culpa em outras pessoas por tudo o que lhe acontece. É bem verdade que não somos culpados pelos infortúnios da vida, mas, sim, responsáveis pelos nossos atos e, por isso, devemos assumir as consequências de nossos erros. Quando assumimos a responsabilidade pelas nossas dificuldades, torna-se mais fácil modificar uma situação, reparar algum dano e não ficar apenas punindo a si mesmo.

       Outro passo importante é arrepender-se dos erros, aceitar o perdão divino e perdoar a si mesmo.

       Existem dois aspectos do perdão: o perdão de Deus  o perdão a si mesmo. O perdão de Deus acontece instantaneamente diante do nosso arrependimento. O arrependimento não é o mesmo que remorso. O verdadeiro arrependimento só acontece quando existe:

  • Um reconhecimento do erro – Não pode haver arrependimento se não existe uma conscientização do erro cometido. Há, entretanto, muitos que reconhecem os seus erros, porém continuam neles.
  • Um sentimento de tristeza pelo pecado cometido – O apóstolo Paulo refere-se à tristeza, segundo Deus, que surge quando existe um arrependimento sincero: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2ª Co 7:10). É importante lembrarmos que, mesmo havendo um reconhecimento do erro e um sentimento de tristeza pelo pecado, não significa que houve um arrependimento completo, visto que se faz necessário ocorrer um terceiro estágio.
  • Mudança de atitude – O arrependimento leva a uma mudança de mente, conduzindo ao abandono do erro.

       O salmista Davi, no salmo 51, demonstra um verdadeiro arrependimento. Sua declaração mostra as três fases do arrependimento vivenciadas por ele:

  • Reconhecimento do seu erro: “Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” (vv. 3,4).
  • Demonstração de tristeza pelos seus pecados: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustem-me com um espírito voluntário” (v. 12).
  • Mudança de atitude: Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto” (v.10).

       Muitas pessoas têm dificuldades de sentirem-se perdoadas, prejudicando, assim, o seu relacionamento com Deus.

       Por que nos sentimos culpados? Muitos de nós fomos criados num ambiente punitivo onde o castigo seguia inevitavelmente a algo mal feito. Condicionou-se à estrutura emocional: culpa é igual à punição: “Se sou culpado, então mereço ser punido”.

       Nossos pais ensinaram-nos a sentirmos culpa, e nós ainda não vencemos esse hábito. Estamos treinados a sentir a culpa quando fracassamos. Sentimo-nos culpados porque estamos procurando resolver nossos problemas do pecado por nós mesmos.

       Para vencer a culpa é necessário:

  • Reconhecer que Deus o ama(Jo 3:16) Ele criou a todos e sabe o que sentimos. Ele compreende todos os nossos problemas. Conhece o nosso passado, sabe nossos nomes e quer que tenhamos o que for de melhor na vida. Ele deseja o nosso bem-estar. Ele ama cada um de nós!
  • Arrepender-se dos pecados e confessá-los (1ªJo 1:9) – Faça uma lista de coisas que o separavam de Deus, peça-lhe perdão agora e tome a deliberação de acertar tudo com as pessoas contra as quais cometeu algum erro e do qual se sente culpado.
  • Vencer o perfeccionismo (Sl 103:14) – Precisamos aceitar nossas limitações humanas. Não sejamos irreais, perfeccionistas e grandiosos.

       É importante reconhecer que não somos bons nem maus ao afirmar repetidamente que somos aceitos, amados e perdoados por Deus.

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Lidando com as emoções e sentimentos – O caminho para a maturidade emocional

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

“Não há mancha alguma de vida ao pecado que o sangue de Jesus não possa apagar; nenhuma situação, por emaranhada que seja, que não possa restaurar”.

Hugh Edward Alexander, pastor

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