A Reforma Protestante

Martinho Lutero 2017: 500 anos da Reforma Protestante. Uma busca de rastros.

Bretten fica entre as vinhas do Kraichgau e é cercado pelas colinas do Odenwald e da Floresta Negra. Este cenário encantador é sem dúvida uma das razões pelas quais Philipp Melanchthon sempre permaneceu firmemente ligado ao seu local de nascimento.

Melanchthon foi reitor da Universidade Wittenberg e é lembrado como “professor da Alemanha” (praeceptor Germaniae). As pessoas locais estão orgulhosas do famoso filho de Bretten, mesmo hoje. A casa de Melanchthon na praça do mercado, por exemplo, é um esplêndido edifício neogótico erguido como memorial no 400º aniversário de seu nascimento em 1897. Além de um museu, contém 450 dos manuscritos originais do grande erudito, bem como estátuas, casacos de armas, pinturas, moedas comemorativas e obras de arte. Através de seus escritos e como conselheiro em dietas imperiais e colóquios religiosos, Melanchthon era um reformador influente da igreja, bem como um dos amigos pessoais de Martinho Lutero.

Castelo de Giebichenstein Nier Halle Entre 1545 e 1546. Lutero pregou em várias ocasiões em Halle, uma antiga cidade ducal com uma história rica e colorida. O principal adversário de Lutero, o cardeal Albrecht, também morou na cidade da região de Saxônia-Anhalt.

De 1514 a 1541, o cardeal governou sua residência no Palácio de Moritzburg em Halle. Além de criticar o pomposo tribunal do cardeal, Lutero denunciou a venda de indulgências que era generalizada na igreja naquela época. Ao fazê-lo, ele fez um inimigo do mais alto dignitário da igreja no Sacro Império Romano após o Papa. O púlpito gótico tardio e o memorial na parede exterior entre as “torres do vigia” testemunham os sermões ardentes de Lutero na Igreja do Mercado. A máscara de morte original de Lutero e um elenco de suas mãos estão em exibição em uma sala da torre na igreja.

 

 

Lutero declarou uma vez que Erfurt, a capital da Turíngia, estava “na localização ideal, o lugar perfeito para uma cidade”. Ele conheceu bem Erfurt, tendo passado 10 anos lá como um monge.

De 1505 a 1511, Lutero viveu no mosteiro agostiniano de Erfurt, um edifício do século 13 arquitetonicamente e historicamente interessante que é hoje um importante site de Lutero. A exposição da Bíblia-Mosteiro-Lutero em exposição permanente no antigo dormitório monástico ilustra a vida do mosteiro e os anos de Erfurt de Lutero. O mosteiro também é um centro internacional de convenções. Sua biblioteca histórica é uma das mais importantes coleções de literatura eclesiástica da Alemanha. No verão, shows e peças são encenados no pátio da Renascença.

 

Speyer é uma cidade do Patrimônio Mundial da UNESCO graças à sua catedral, a maior igreja românica sobrevivente da Europa. Mas também é considerado o local de nascimento da fé protestante por causa da Protestação em Speyer de 1529.

Em abril daquele ano, os nobres representantes dos príncipes que eram partidários de Lutero se encontraram na Dieta de Speyer e protestaram contra a proibição dos ensinamentos de Lutero. Esse protesto levou à divisão da fé cristã em católicos e protestantes.

A Igreja Memorial Neo-Gótica em Speyer com sua estátua de Lutero comemora este evento importante. Após a queima de Speyer em 1689, a Igreja da Trindade barroca foi reconstruída como uma igreja luterana no início do século 18. As características interiores de madeira foram preservadas até hoje.

A história de Augsburg remonta a mais de 2.000 anos, tornando-se uma das cidades mais antigas da Alemanha. Era a sede das Dietas Imperiais, testemunhando a Paz Religiosa de Augsburg, o Festival da Paz e a Confissão de Augsburgo – tudo isso assegurou-lhe um lugar na história mundial.

A Dieta Imperial de Augsburg em que Lutero se recusou a revogar suas 95 teses é um dos principais pontos decisivos da história ocidental. O evento é comemorado no fascinante museu Lutherstiege na Igreja de Santa Ana com uma exposição de inestimáveis manuscritos, documentos e pinturas anteriores de Lutero.

Em 1530, a Confissão de Augsburgo foi declarada no Fronhof (centro econômico e administrativo no âmbito de uma associação judicial (Villikation)) no palácio episcopal, perto da Catedral de Augsburgo. Ainda hoje faz parte das confissões vinculativas das igrejas luteranas.

Lutero, Johann Sebastian Bach e Saint Elisabeth of Thuringia são alguns dos grandes nomes associados a Eisenach, a casa do castelo de Wartburg, na margem norte da Floresta da Turíngia.

O Castelo de Wartburg, Patrimônio Mundial da UNESCO, orgulhosamente ocupa uma colina e é visível por milhas ao redor. O castelo tem uma sala interna românica tardia. Lutero encontrou refúgio aqui em 1522 sob o pseudônimo de “Escudeiro George” e traduziu o Novo Testamento para o alemão. Ele conhecia bem Eisenach, tendo sido um erudito latino na St. George’s School de 1498 a 1501. Uma exposição sobre esse período formativo pode ser vista na casa onde ele hospedou-se na família Cotta, agora a Casa Lutero.

Há muito para encantar os visitantes de hoje em Worms, desde a catedral imperial românica até a exposição multimídia no Museu Nibelung. No entanto, para Martinho Lutero, esta cidade histórica do Reno mantinha associações muito menos agradáveis.

Em 1521, Lutero apareceu antes da Dieta Imperial em Worms, onde o Imperador Carlos V exigiu que ele recuasse seus ensinamentos. Quando Lutero recusou, Charles V emitiu um edital que proíbe Lutero e seus ensinamentos. Em uma tentativa de protegê-lo, Frederick the Wise, eleitor da Saxônia, ofereceu a Martinho Lutero (disfarçado de “escudeiro George”) um lugar para se esconder no castelo de Wartburg.

A corte dos bispos, onde a Dieta de Worms ocorreu, não existe mais hoje, mas, no majestoso lugar, é o maior monumento do mundo a Lutero. A Biblioteca de Lutero, com mais de 600 de suas obras, e a Igreja de Lutero, construída em 1912, também são símbolos proeminentes da Reforma.

Möhra é uma pequena comunidade com uma ótima história. Esta aldeia idílica, que tem uma população de menos de mil, é o lar dos antepassados de Lutero. A família de Lutero pode ser rastreada até o século 14 em Möhra.

Enquanto o pai de Lutero deixou Möhra depois de se casar, seu irmão “Hans the Younger”, que herdara a fazenda de seus pais, ficou na aldeia. Alguns de seus descendentes ainda vivem hoje na área e mantêm o nome de Lutero muito vivo.

Um exemplo é a casa de Lutero, restaurada amorosamente, que em sua forma atual remonta a Georg Luther, bisneto de Hans the Younger. O próprio Martinho Lutero disse ter visitado a aldeia em 1521 e pregar às pessoas sob uma limeira. A estátua de Lutero no centro da aldeia comemora este sermão.

Nuremberg era “os olhos e os ouvidos da Alemanha”. A cidade no rio Pegnitz era um “centro de mídia”, que abriga 21 casas de impressão, o que ajudou a circular rapidamente as mensagens da Reforma.

Pode ser por isso que as duas grandes igrejas de St. Lawrence e St. Sebaldus em Nuremberg foram uma das primeiras igrejas protestantes na Alemanha. Ele também diz algo sobre o nível de cabeça do povo de Nuremberg que a destruição de imagens religiosas prevalecentes no momento da Reforma não ocorreu aqui e ambas as igrejas reteve suas ricas pinturas decorativas. Um desses exemplos é o túmulo de St. Sebaldus, apenas completado em 1519, que permaneceu na igreja após a Reforma e hoje é considerado o seu maior tesouro.

Em 1532, a paz religiosa de Nuremberg foi assinada na cidade, que revogou a proscrição existente de protestantes no império.

A tranquila cidade de Mansfeld, no sopé do sul da Harz, formou a infância de Lutero. Naquela época, Mansfeld era um centro de mineração de cobre. Hoje, esta pequena cidade é um lugar popular para explorar os monumentos industriais locais desde os primeiros dias da mineração.

Uma das principais atrações da cidade é a casa dos pais de Martinho Lutero. Em frente à casa fica um novo museu moderno que exibe descobertas arqueológicas que vislumbram a vida da família de Lutero.

Mesmo os alicerces da escola onde o jovem Martinho Lutero aprendeu a ler e escrever ainda estão intactos e podem ser vistos hoje. Hoje em dia, no primeiro sábado após a Páscoa, a cidade comemora o primeiro dia do jovem Martin na escola.

Também vale a pena ver é o retrato único e completo do grande Reformador na igreja gótica tardia de São Jorge, igreja paroquial local de Lutero.

No início do ano, em 1524, mais de 2.000 pessoas reuniram-se para Allstedt para ouvir Thomas Müntzer pregar na Igreja de São João. Hoje, pessoas de todo o mundo vêm aqui para traçar a história deste revolucionário reformador da igreja.

Foi em Allstedt que Müntzer primeiro conduziu um serviço de igreja inteiro em alemão e não em latim. Os crentes viajaram de todo o lado para ouvi-lo pregar, embora Lutero se distanciasse de Müntzer porque ele estava atacando os poderes seculares também. Müntzer entregou seu sermão aos príncipes em Allstedt Castle & Palace em 1524 – marcando o início espiritual da Guerra dos camponeses.

Hoje, existem exposições no Allstedt Castle & Palace que ilustram a influência de Müntzer. A Igreja de São João, onde pregou, também pode ser visitada.

Depois da Igreja do Castelo, o segundo ponto de parada obrigatória aos que seguem os passos do reformador é um antigo mosteiro agostiniano. O prédio foi presenteado pelo príncipe-eleitor Frederico, o Sábio, ao seu protegido Martinho Lutero, que viveu ali 38 anos. A casa abrigou não só a sua família, como os muitos convidados e alunos, que viajavam para encontrar o célebre reformador de Wittenberg.

 

Lutherstadt Eisleben é uma das cidades mais antigas da região entre as montanhas Harz e o rio Elba. Inseparavelmente ligada à vida de Martinho Lutero, a cidade e seus locais de Lutero foram concedidos pelo Patrimônio Mundial pela UNESCO.

A casa onde nasceu Luther e a casa em que morreu ambos em Eisleben. Eles estão entre os mais importantes memórias de Lutero de todos e, graças a escavações recentes, fornecem insights excepcionais sobre a vida no final da Idade Média.

Uma visita às igrejas de Eisleben é como dar um passeio pela vida de Lutero: ele foi batizado na Igreja de São Pedro e São Paulo, foi vigário na Igreja de Santa Ana e ele realizou seu último sermão na Igreja de Santo André. O Luther Trail em Eisleben conecta todos os sites associados a Lutero e apresenta-os de forma envolvente.

Lutero e seu companheiro Kaspar Sturm pararam em Oppenheim, uma pequena cidade vitivinícola em Rheinhessen, em seu caminho de e para a Dieta de Worms em 1521.

Em sua viagem de Frankfurt a Worms, Lutero cruzou o Reno em Oppenheim em abril de 1521 para ficar na pousada de Zur Kanne, que ficou no que é agora a Mainzer Strasse, mas queimada em 1621. Aqui se encontrou com os enviados do Imperador. Eles queriam persuadi-lo a participar de uma reunião no castelo de Ebernburg para mantê-lo longe da Dieta Imperial, mas Lutero recusou.

A lenda diz que Lutero escreveu o hino “A Fortaleza Forte é nosso Deus” em Oppenheim naquele momento. Lutero certamente poderia ter se inspirado nesta canção das vistas da Igreja de St. Katharine e do Castelo de Landskron.

A cidade de Zeitz está associada aos sucessores de Martinho Lutero. Na verdade, os descendentes masculinos de Lutero deixaram sua marca na cidade. Em 1542, Lutero ordenou Nicolaus von Amsdorf como o primeiro bispo protestante na Catedral de São Pedro e São Paulo em Zeitz.

Johann Ernst Luther, um neto do grande reformador, casou-se na Igreja de São Miguel em Zeitz. Ele e sua esposa Martha tiveram oito filhos e estabeleceram a linha Zeitz da família Lutero. Sua lápide está embutida na parede do claustro na Catedral de São Pedro e São Paulo. Ainda há descendentes de Martinho Lutero que vivem em Zeitz hoje.

No final do século XIX, uma cópia das 95 teses de Lutero datadas de 1517 foi descoberta na biblioteca da Igreja de São Miguel. É um tesouro raro entre os documentos originais que datam da época da Reforma.

 

 

Lutherstadt Wittenberg, um lugar protestante de peregrinação, é considerado o berço da Reforma. Foi aqui que Martinho Lutero pregou suas 95 teses na porta da igreja do castelo em 31 de outubro de 1517.

*Igreja do Castelo de Wittenberg*Ainda hoje, Martinho Lutero encontraria seu caminho no centro histórico: as vielas, a praça do mercado, as casas – tudo está como há 500 anos. Também a Igreja do Castelo continua dominando a paisagem urbana da cidade localizada no centro da Alemanha e banhada pelo rio Elba.

Embora, de fato, não haja evidências históricas para apoiar a exibição pública das teses, a cidade foi claramente moldada pelo legado histórico da Reforma até o presente. Os famosos locais da Reforma em Wittenberg estão entre os lugares mais importantes da história alemã.

A antiga casa de Lutero é provavelmente o maior museu do mundo dedicado à história da Reforma. A Igreja de Santa Maria, onde Lutero pregou e compartilhou o pão e o vinho durante a Santa Comunhão pela primeira vez, e a igreja do castelo, onde está localizada a sepultura de Lutero, atrai visitantes de todo o mundo a cada ano.

Embora a Igreja Luterana de Nossa Senhora seja hoje um símbolo internacionalmente reconhecido da arquitetura protestante, bem como um famoso marco de Dresden, a Reforma inicialmente atraiu muito poucos apoiantes na cidade.

 

Lutero visitou Dresden em 1516 e 1518, um ano depois de pregar suas teses à porta da igreja em Wittenberg. Ele foi enviado pelo seu pedido ao mosteiro agostiniano, onde recebeu uma calorosa recepção, mas pouca simpatia por suas idéias. Esta rejeição foi apoiada pelo duque residente de Dresden, que teve em toda a Bíblia Luterana em seu território confiscado em 1523. Seguidores de Lutero posteriormente levaram a Reforma a Dresden, comemorada pela Igreja de Nossa Senhora, a estátua de Lutero fora da igreja e a Igreja de Lutero no distrito de Neustadt de Dresden.

 

Não há como negar a influência da reforma em nosso século. Qualquer livro de história que aborde o tema: idade média, tem obrigatoriamente a necessidade de discorrer sobre um dos principais marcos dessa época que veio a ser conhecido como “A Reforma Protestante”, liderada pelo monge agostiniano Martinho Lutero. Todavia, apesar de tão velho (quase 500 anos) ainda é um tema vivo em debate hoje em dia.

Mas o que venha a ser “A Reforma Protestante” ? Por que começou ? Quais foram as suas principais causas ? Quem foram seus líderes ? Não pretendendo ser prolixos ao analisarmos este assunto, mesmo porque, existem livros abalizados para tratar de forma exaustiva desse tema, desejamos dar apenas uma sinopse do mesmo.

UMA ÉPOCA PARA REFORMAS

Antes de adentrarmos ao tema proposto, vamos acentuar as razões que levaram à causa.

Os historiógrafos mostram que ao fim da idade média os fundamentos do velho mundo estavam ruindo. Houve várias transformações nessa época, mesmo antes, cuja importância não podem ser alienadas do pano de fundo histórico da reforma. As mudanças foram cada vez mais acentuadas com as descobertas de novos mundos por Colombo e Cabral . A ideia de um estado universal foi cedendo lugar ao conceito de nação-estado. Com a formação das cidades, a economia comercial tomou lugar da feudal. Isso teve consequências sociais, pois o estilo de vida das pessoas começou a ascender formando uma classe média forte – a burguesia. Também no campo da cultura e da arte com o surgimento do Renascimento as transformações intelectuais fizeram com que o protestantismo encontrasse apoio para seu desenvolvimento. Urge rememorar que todas essas mudanças afetavam direta ou indiretamente a Igreja Católica Romana. Mas nenhuma delas talvez, se fez sentir mais, do que as que ocorreram no campo religioso.

ANTECEDENTES DA REFORMA

É claro que de acordo com os pressupostos históricos que o historiador vier aplicar na interpretação da reforma, irá determinar a sua causa. Assim, temos várias correntes e escolas pelas quais os historiadores farão sua análise crítica da reforma de maneira puramente racionalista secular, tais como aquelas que só veem as causas da reforma nos fatores político-sociais, outros no fator da economia e outros ainda veem a reforma puramente como produto do intelectualismo. Entretanto, uma cosmovisão puramente racionalista tende a distorcer a definição e dar razões incompletas e deficientes à verdadeira origem da reforma. Ora, se analisarmos o assunto somente sob a ótica religiosa, ignorando a corroboração de todos esses fatores seculares e o impacto que tiveram sobre o movimento reformista é tão errado quanto analisar a reforma sem levar em conta a sua principal causa, qual seja, a religiosa. Na verdade, a reforma protestante nada mais é do que o cumprimento de um clamor por mudança religiosa, ainda que de maneira esporádica através dos anos anteriores à própria origem da reforma.

Vejamos então:

Nas últimas décadas da Idade Média, a igreja ocidental viveu um período de decadência que favoreceu o desenvolvimento do grande cisma do Ocidente, registrado entre 1378 e 1417, e que teve entre suas principais causas a transferência da sede papal para a cidade francesa de Avignon e a eleição simultânea de dois e até de três pontífices. O surgimento do “conciliarismo” – doutrina decorrente do cisma, que subordinava a autoridade do papa à comunidade dos fiéis representada pelo concílio – bem como o nepotismo e a imoralidade de alguns pontífices demonstraram a necessidade de uma reforma radical no seio da igreja. Por outro lado, já haviam surgido no interior da igreja movimentos reformistas que pregavam uma vida cristã mais consentânea com o Evangelho. No século XIII surgiram as ordens mendicantes, com a figura de são Francisco de Assis. Outros movimentos reformistas surgiram em aberta oposição à hierarquia eclesiástica. No século XII os valdenses, conhecidos como “os pobres de Lyon” ou “os pobres de Cristo”, questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. Os cátaros ou albigenses defenderam nos séculos XII e XIII um ascetismo exacerbado, considerando a si mesmos os únicos puros e perfeitos. Os Petrobrussianos rejeitavam a missa e defendiam o casamento dos padres. No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu ideias que seriam reconhecidas pelo movimento protestante, como a posse do mundo por Deus, a secularização dos bens eclesiásticos, o fortalecimento do poder temporal do rei como vigário de Cristo e a negação da presença corpórea de Cristo na eucaristia. As ideias de Wycliffe exerceram influência sobre o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia, os hussitas e os taboritas, nos séculos XIV e XV. Entre essas vozes protestantes estava também a do monge dominicano Girolamo Savanarola o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado.

Em posição intermediária entre a fidelidade e a crítica à igreja romana situou-se Erasmo de Rotterdam. Seu profundo humanismo, conciliatório e radicalmente oposto à violência, embora não isento de ambiguidade, levou-o a dar passos importantes em direção à Reforma, como a tradução latina do Novo Testamento, afastando-se da versão oficial da Vulgata; ou a sátira contra o papa Júlio II, de 1513.

O ESTOPIM PARA A REFORMA

A faísca veio em 1517, ocasião em que a campanha das indulgências para a basílica de São Pedro em Roma estava a todo vapor. Tetzel um padre dominicano, pregava sobre as indulgências com grande exibicionismo: diz que cada vez que cai a moeda na bolsa do frade, uma alma sai do purgatório.

Diante disso, Lutero resolveu protestar fixando suas 95 teses condenando o uso das indulgências. A resposta do papa Leão X, veio na bula “Exsurge Domine” ameaçando Lutero de excomunhão. Mas já era tarde demais pois as teses de Lutero já haviam sido distribuídas por toda a Alemanha. Lutero então foi chamado a comparecer a dieta de Worms para se retratar. Porém respondeu ele que não poderia se retratar de nada do que disse. Foi na dieta de Spira em 1529 que os cristãos reformistas foram apelidados pela primeira vez de “protestantes”, devido ao protesto que os príncipes alemães fez ante o autoritarismo do catolicismo.

Nessa época, os ideais da reforma já estavam estourando em diversas partes como em Zurique sob o comando de Zuinglio, na França sob a liderança de Calvino e nos países baixos.

Em todos estes países houve perseguição aos reformadores e aos novos protestantes. A perseguição veio se intensificar ainda mais com a chamada “Contra Reforma” promovida pelo catolicismo, como método de represália. O movimento de reforma foi seguido de cem anos de guerras religiosas dos reis católicos contra os protestantes. Mas a reforma prosperou pois não era obra de homem mas de Deus! Igrejas protestantes foram fundadas em todas as partes do mundo. Hoje graças a Deus, uma grande parcela da população Ocidental é protestante. E o Brasil caminha a passos largos para ser conquistado totalmente pelo protestantismo.

REFORMADORES

Martinho Lutero: Nasceu na cidade Eisleben, em 10 de Novembro de 1483. Veio de uma família humilde, seus pais Hans Luther e sua mãe Margarete Ziegler Luther eram camponeses. Teve uma próspera carreira acadêmica: foi ordenado sacerdote em 1507 entrando na ordem agostiniana, estudou filosofia na Universidade de Erfurt, doutorou-se em teologia e lecionou como professor em Wittemberg. Também recebeu o grau de mestre em artes. Lutero deixou oficialmente a igreja romana em 1521.

Huldreich Zwinglio: Nasceu em 1484 no povoado de Wildhaus, da família de fazendeiros, Zwinglio, recebeu o grau de bacharel em artes estudando nas Universidades de Viena e Basiléia. Antes disso, havia se tornado sacerdote católico onde Glarus foi sua primeira paróquia. Por volta de 1519, já sob a influencia dos escritos de Erasmo e Lutero, começou a pregar em Zurique, contra certos abusos da Igreja Católica e logo em seguida a deixou, convertendo-se.

João Calvino: Nasceu em 1509 na cidade francesa de Nóyon na Picardia. Seu pai era cidadão abastado e por isso se valeu do benefício de estudar na Universidade de Paris. Depois foi estudar advocacia na Universidade de Orleans e em Bourgs. Calvino converteu-se às ideias reformadas em 1533. Foi forçado a abandonar a França por colaborar com a reforma, instalando-se em Basiléia onde terminou sua obra “As Institutas da Religião Cristã”.

João Knox: (1515-72) era padre escocês, cerca de 1540, começou a pregar ideias da Reforma. Em 1547 foi preso pelo exercito Francês e mandado para a França. Passou por Genebra onde absorveu de modo completo a doutrina de Calvino. Em 1559 voltou a Escócia para liderar um movimento de Reforma Nacional.

Esses e muitos outros servem de exemplo para o povo de Deus!

por Pr. João Flávio Martinez

http://www.cacp.org.br/a-reforma-protestante/

COMEMORAÇÃO 500 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE 2017

ORGANIZAÇÃO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL

       Há 500 anos, o mundo religioso foi abalado pelo monge Martinho Lutero ao afixar 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg na Alemanha.

Até aquele momento da história, somente as lideranças eclesiásticas e os nobres tinham acesso às Sagradas Escrituras, e em latim. A Bíblia era exclusiva de uma minoria e a fé era usada como instrumento de manipulação. Além de discordar da postura adotada pela liderança da igreja romana, o movimento iniciado por Lutero defendia, além da liberdade individual para a interpretação dos textos bíblicos, que cada pessoa deveria ter o texto sagrado em seu próprio idioma.

      Lutero enfatizava que os homens não são justificados pelas obras, mas sim pela fé em Cristo. Também sempre asseverou que a Bíblia é infalível por ser inspirada pelo Espírito Santo.

       Por isso o legado da Reforma Protestante é a centralidade e a soberania da Palavra de Deus, a salvação pela fé na obra expiatória de Cristo e a graça em nosso Senhor Jesus.

       A luta de Martinho Lutero não foi nada fácil, mas graças ao movimento que ele iniciou, os protestantes se tornaram aceitos e respeitados em todo o mundo.

       No Brasil, o protestantismo está representado em 25% da população, por meio da igreja evangélica. Em 2017, as Assembleias de Deus do Brasil se unem aos protestantes de todo o mundo para render graças a Deus por este marco histórico da humanidade: os 500 anos da Reforma Protestante, cuja data oficial é 31 de outubro de 2017.

 

   O legado da Reforma Protestante é a centralidade e a soberania da Palavra de Deus, a salvação pela fé na obra expiatória de Cristo e a graça em nosso Senhor Jesus.

 

Ensinador Cristão Ano 18 – Nº 70 cpad.com.br

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Eu participei deste congresso que ocorreu no RIOCENTRO localizado na cidade do Rio de Janeiro. Obviamente que estive presente em algumas plenárias e seminários.

Foi inesquecível e tirei algumas imagens, que reproduzo abaixo.

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Já se passaram 500 anos desde que Martinho Lutero afixou suas 95 Teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Apesar de historicamente não confirmado, foi um acontecimento que mudou o mundo – e um grande jubileu, que em 2017 será devidamente comemorado não só nas cidades de Lutero Wittenberg e Eisleben. Martinho Lutero, monge, professor e reformador, é a principal figura de toda uma década: a Alemanha celebra um dos seus filhos mais ilustres.

Acompanhe os caminhos percorridos por Martinho Lutero na Alemanha – faça uma viagem emocionante nos tempos passados e memoráveis da Reforma Protestante!

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33 respostas para A Reforma Protestante

  1. Excelente e completa a reportagem que acabei de ler da FOLHA DE SÃO PAULO, sobre os 500 anos da REFORMA PROTESTANTE.
    Vale a leitura.

    Segue abaixo o link para acesso.

    http://arte.folha.uol.com.br/poder/2017/500-anos-de-reforma-protestante/de-lutero-a-universal/

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  2. O que quer dizer Reforma?

    O historiador Católico Romano entende-a apenas como uma Reforma de Protestantes contra a Igreja Universal.
    O historiador protestante considera-a como uma reforma que fez a vida religiosa voltar aos padrões do Novo Testamento.
    O historiador secular interpreta-a como um movimento revolucionário.
    Historiadores protestantes como Chaff, Grimm e Baiton, interpretam a Reforma amplamente como um movimento religioso que procurou redescobrir a pureza do cristianismo primitivo como descrito no Novo Testamento.

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  4. Vozes femininas na Reforma

    Por Rute Salviano Almeida

    Tiveram as mulheres alguma participação na Reforma Protestante?

    Tiveram as mulheres alguma participação na Reforma Protestante

    A história positivista, escrita por mãos masculinas e enfocando grandes acontecimentos e personagens, esqueceu ou não se importou de mencionar a participação das mulheres na reforma religiosa do século XVI. Foram poucas e pequenas as menções sobre elas. Portanto, para uma escrita mais verdadeira da História é necessário resgatar essa valiosa contribuição feminina, porque quando a história é contada pela metade não está completa.

    Na época da Reforma, bastava que as mulheres soubessem fiar, cuidar dos trabalhos da casa e de maneira alguma se intrometer em assuntos da fé. Porém, o sentimento religioso estava presente em muitas delas e, ao tomarem conhecimento das novas da Reforma, as aceitaram e batalharam por divulgar sua mensagem.

    Contudo, embora relevante, a participação feminina no movimento foi diferente, pois não produziu grandes tratados teológicos e nem atuou em sérios debates. As mulheres preferiram uma abordagem mais branda, através de uma literatura mais íntima.
    Nesse artigo serão apresentadas algumas mulheres que realmente contribuíram para a divulgação do movimento por seu envolvimento no meio eclesiástico ou político. Suas vozes serão ouvidas através de suas frases.

    Marie Dentière (1495-1562), teve seu nome inscrito no muro dos reformadores em Genebra, em 2002. Ex-prioresa das agostinianas, após ficar viúva, casou-se com o companheiro de Farel, o reformador Froment, com quem foi para Genebra defender a causa reformista. A carta que escreveu para rainha Margarida de Navarra foi considerada um tratado teológico. Nela discorreu sobre a importância de mulheres não enterrarem seus talentos: “Se Deus tem dado graça a algumas boas mulheres, revelando-lhes algo santo e bom através de suas Escrituras Sagradas, podem elas, por causa dos difamadores da fé, absterem-se de pôr no papel, falar ou declarar isto umas às outras? Ah! Pode ser muito imprudente esconder o talento que Deus nos tem dado, nós que deveríamos ter a graça de perseverar até o fim”.

    Catherine Zell (1497-1562), esposa do pastor luterano Matheus Zell, escreveu panfletos para propaganda da Reforma. Com inteligência e sabedoria, ela confrontava perspicazmente com a Bíblia a doutrina do sacerdócio de todos os crentes. Ao ser considerada uma perturbadora da paz, declarou: “Eu sou uma perturbadora da paz? Sim, de fato, da minha própria paz. Vocês chamam isso de paz? A perturbadora que ao invés de gastar seu tempo em divertimentos frívolos, visitou os infestados pela praga e realizou enterros? Tenho visitado os presos sob sentença de morte. Passo, muitas vezes, três dias e três noites sem comer e dormir. Eu nunca usurparia o púlpito, mas eu tenho feito mais do que qualquer ministro ao visitar os miseráveis. É isto que perturba a paz da igreja? Como fez o apóstolo Paulo em 2ª Coríntios, as falsas acusações forçam a ‘loucura da auto-defesa’, mas sempre com o propósito de defender um direito da mulher ao ministério bíblico”.

    Árgula von Grumbach (1492-1554), bávara erudita, escritora de panfletos, que defendeu veementemente a Reforma e os reformadores. Em sua apologia argumentou à Universidade de Ingolstadt: “Vocês desejam destruir toda a obra de Lutero. Nesse caso destruiriam o Novo Testamento que ele traduziu. Nos escritos de Lutero e Melanchton, não existe nenhuma heresia (…). Estou disposta a ir à Alemanha discutir com vocês e não precisam usar a tradução da Bíblia de Lutero. Podem usar a católica que foi escrita há 31 anos”.

    Margarida de Navarra

    Margarida de Navarra (1492-1549), irmã do rei Francisco I da França e esposa do rei Henrique II de Navarra. Ela acolheu em seu reino reformadores e eruditos perseguidos, entre eles o próprio Calvino. Entre suas obras, encontram-se um poema espiritual: O Espelho das almas pecadoras e um livro de contos O Heptameron, no qual denunciou a imoralidade de clérigos que, indignados, tentaram matá-la. Fez mudanças eclesiásticas em seu reino: celebração da ceia em duas espécies, cultos na língua do povo, abolição do celibato e das roupas litúrgicas dos ministros. Seu maior destaque, contudo, foi sua grande humanidade, a ponto de preferir ser chamada a primeira-ministra dos pobres. Sobre ela foi escrito: “Lembremo-nos sempre dessa graciosa Rainha de Navarra em cujos braços nosso povo, ao fugir da prisão ou da fogueira, encontrou segurança, honra e amizade. Nossa gratidão a vós, querida Mãe de nossa Renascença!. Vossa casa foi a casa de nossos santos e vosso coração o ninho de nossa liberdade”.

    Joana d’Albret (1528-1572), filha de Margarida de Navarra e mãe do rei Henrique IV, que concedeu a liberdade religiosa na França. Foi a reformadora do seu reino e líder dos huguenotes. Ela confiscou os bens da igreja e distribuiu aos pobres, aboliu as procissões públicas, retirou imagens e suprimiu missas. Fundou a Faculdade em La Rochelle, um centro de piedade evangélica. Foram suas palavras: “A Reforma parece tão verdadeira e necessária que considero deslealdade e covardia para com Deus, com minha consciência e com meu povo permanecer mais tempo indecisa”.

    As mulheres na Reforma propagaram uma religião de amor: sem debates ostensivos, sem rituais e sem violências. Elas contribuíram com amparo aos perseguidos, visitas aos presos, cuidados dos doentes e necessitados. Intelectualmente também cooperaram com seus panfletos, poesias, cartas, contos e pregações sobre a salvação pela fé.

    Essas mulheres do passado nos inspiram sobremodo por sua criatividade, discernimento, conhecimento bíblico e teológico e, principalmente, por seu grande amor ao Reino de Deus.

    Rute Salviano é licenciada em Estudos Sociais, bacharel em Teologia (especialização em Educação Cristã), mestre em Teologia (concentração em História Eclesiástica), pós-graduada em História do Cristianismo pela UNIMEP e autora de Uma Voz Feminina na Reforma, Uma Voz Feminina Calada Pela Inquisição e Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, publicados pela Editora Hagnos.

    http://www.ultimato.com.br/conteudo/vozes-femininas-na-reforma?

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  5. Pingback: Revisões, atualizações e correções nas postagens | Sal da Terra e Luz do Mundo

  6. Uma reforma religiosa de 500 em 500 anos

    Quando acaba o primeiro amor, quando acaba a noção da dependência de Deus, quando acaba a vigilância, quando acaba a pobreza, quando já não se lê nem se ouve a Palavra de Deus, quando já não se dobra o joelho diante do Todo-poderoso – então o que resta é uma tragédia de grandes proporções e de duração imprevisível. A regra geral é: “A desgraça está um passo depois do orgulho e logo depois da vaidade vem a queda” (Pv 16.18, BV).

    Todavia, assim como a soberba chama a desgraça, a desgraça acaba chamando novos tempos: tempos de arrependimento, tempos de confissão, tempos de perdão, tempos de restauração, tempos de reforma. Assim acontecia na história do povo eleito e tem acontecido na história da Igreja de Jesus Cristo.

    Logo após a tragédia provocada pelos escândalos dos não celibatários sacerdotes Hofni e Finéias, que, entre outros delitos, “estavam tendo relações com as mulheres que trabalhavam na entrada da Tenda Sagrada” (lugar de culto antes da construção do templo em Jerusalém) – o povo de Israel experimentou, sob a liderança de Samuel, uma reforma de ordem religiosa e moral que durou por algum tempo, até a cambalhota seguinte (1ª Sm 2.22; 7.2-4).

    Bem no início do segundo milênio a Igreja estava num estado miserável. Era possível fazer um inventário dos escândalos: os desmandos da Santa Sé Apostólica, a simonia clerical, os abusos da vida monástica, as falhas do celibato e a ausência de vida simples nos próprios mosteiros. Essa situação provocou a chamada Reforma Gregoriana, cujo líder de maior expressão foi o monge italiano Pedro Damião (1007-1072). O lema adotado pelo papa de então (Gregório VII) era o versículo bíblico: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!” (Jr 48.10).

    Bem na metade do segundo milênio, a Igreja estava outra vez em bancarrota. Os vícios eram os mesmos de 500 anos atrás e mais alguns. O celibato estava de pé, mas não impedia a prática de uniões secretas. As Escrituras Sagradas estavam jogadas nas bibliotecas dos mosteiros. Como da vez anterior, essa situação provocou a chamada Reforma Religiosa do Século 16, sob a liderança do monge alemão Martinho Lutero (1483-1546). Foi a reformatio in capite et in membris (reforma na cabeça e nos membros), tanto doutrinária como moral, que projetou outra vez só a fé como instrumento para se obter a salvação (sola fide), só a graça como providência de Deus para franquear a salvação (sola gratia) e só a Bíblia como revelação da salvação de Deus (sola scriptura). Além da Reforma Protestante, houve também a Contra-Reforma, ou Reforma Católica, uma reação católica ao crescimento do protestantismo, que se fez por meio da Sociedade de Jesus, da Inquisição e do Concílio de Trento. Muito embora a motivação mais forte tenha sido o combate ao protestantismo, a Contra-Reforma produziu resultados muito positivos, inclusive no que diz respeito à reforma da então corrupta hierarquia da Igreja Católica Romana.

    Agora, bem no início do terceiro milênio, 500 anos depois da Reforma Protestante e da Reforma Católica, e 1.000 anos depois da Reforma Gregoriana, a Igreja (tanto o ramo católico como o ramo protestante) está, mais uma vez, necessitada de uma reforma urgente e profunda, antes que todos os escandalizados se afastem dela e de Jesus Cristo, o que é muito mais grave, tornando-se anti-religiosos e anticristãos.

    Em seu precioso livro Um Espinho na Carne, o padre italiano Gino Nasini, há 25 anos no Brasil, transcreve a seguinte informação extraída do National Catholic Reporter, dos Estados Unidos:

    Em qualquer tempo, 6% dos padres católicos devem ter-se envolvido com menores. Quatro vezes esse número de padres envolve-se sexualmente com mulheres e duas vezes esse número de padres envolve-se tanto com crianças quanto com homens (p. 174).

    A conclusão do padre Nasini não poderia ser mais oportuna: “Essas estimativas devem impelir a Igreja a buscar a verdade e realmente encarar o problema do abuso entre o seu clero” (p. 174).

    Nesse mesmo livro, o autor dá uma boa notícia: “Alguns acreditam que dias de sofrimento e purificação estão aproximando-se depressa” (p. 231).

    A atual desgraça tem de ceder terreno a novos tempos. Tempos de lágrimas, de pano de saco, de confissão, de volta, de reforma, de mudanças, de reestruturação e de redescoberta de Jesus Cristo, o Senhor inquestionável e absoluto da Igreja!

    http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/277/uma-reforma-religiosa-de-500-em-500-anos

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  7. O Protestantismo tem futuro?
    A Reforma Protestante do Século XVI foi um acontecimento decisivo na construção do mundo moderno. Para além das disputas teológicas, ela contribuiu para o surgimento de liberdades que seriam antes impossíveis.

    A Reforma foi decisiva para o avanço da ciência e para o desenvolvimento do método científico, bem como para o desenvolvimento do estado moderno e posteriormente da democracia moderna, e uma sociedade de mercado. A igreja romana condenava o empréstimo a juros e o anseio de lucro como formas de pecado. O protestantismo tornou possível o desenvolvimento do empreendedorismo e a constituição do sistema bancário moderno. Também desenvolveu uma ética do trabalho em que vigoram valores como a honestidade, a boa mordomia, a moderação, a poupança e o sentimento de vocação. E a consequência foi uma forma de ascetismo mundano que gerou todo um estilo de vida que foi o fundamento da moralidade e da cultura ocidentais nos últimos 300 anos.

    Quanto às questões da fé, o protestantismo trouxe racionalidade ao culto, à interpretação bíblica e à teologia, eliminou superstições e apocalipticismos, limitou as possibilidades do fanatismo religioso, e democratizou o governo eclesiástico.

    É uma pena que o movimento evangélico tenha abandonado o protestantismo, rejeitado suas conquistas, medievalizando-se, retornando às superstições e a uma fé alienada e apocalíptica, preocupada com o sobrenatural e a vida após a morte, em vez de fomentar uma igreja envolvida na construção de um futuro melhor para a humanidade, comprometida com os problemas sociais e com os valores éticos da Reforma.

    Sim, ao que tudo indica, o tempo do Protestantismo acabou, e o que resta das igrejas protestantes é um escombro irrelevante, sustentando uma modernidade em crise.
    Vivemos hoje tempos pós-modernos em que a religião persiste, mas cresce apenas ao valorizar a irracionalidade e o fanatismo, as interpretações literalistas dos textos sagrados, e a alienação que separa a religião das questões políticas, em vez de, como no protestantismo, apenas separar a igreja e o estado.

    O cristianismo continua, mas o protestantismo está em coma. O movimento evangélico, associado ao movimento pentecostal, são movimentos cristãos, mas já não são mais movimentos verdadeiramente protestantes. Daí talvez que a maioria nem mais se lembre, como num ato de bruxaria, do dia 31 de outubro como dia da Reforma Protestante. O resto são abóboras!

    • Ricardo Quadros Gouvêa é pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão (São Paulo) e professor do programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

    http://www.ultimato.com.br/conteudo/o-protestantismo-tem-futuro

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  8. rfbarbosa1963 disse:

    A Reforma Protestante e a tradução da Bíblia

    Norval da Silva (Missão ALEM)

    “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus” (Rm 10:17)

    A Reforma Protestante do século 16 foi um movimento sociopolítico que representou o rompimento com os poderes absolutos de Roma. Porém, mais que sociopolítico, foi um movimento de renovação espiritual, de retorno aos princípios ensinados por Jesus e seus apóstolos. Os clássicos sola (sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide.) marcaram os pilares do movimento da Reforma. Dentre estes, destacarei um e a sua importância para o movimento missionário subsequente, Sola Scriptura.

    Traduzir a Bíblia de suas línguas originais para línguas vernáculas sempre foi uma prática do povo de Deus. Antes mesmo de o Novo Testamento ser escrito, o povo judeu já havia traduzido o Antigo Testamento para a língua grega. Esta tradução ficou conhecida como Septuaginta ou versão dos setenta. Nos primeiros séculos da igreja cristã a Bíblia inteira foi traduzida para línguas como siríaco, armênio, latim, copta, etíope, etc.

    Com o fortalecimento da igreja no Ocidente e a adoção do latim como língua da igreja, o processo de tradução ficou esquecido. Anglada, falando sobre o assunto diz: “A Igreja Católica havia se dado por satisfeita com a versão latina de Jerônimo e não estimulava sua tradução para outros idiomas, por considerar a Bíblia um livro obscuro e não apropriado para ser lido por leigos”.

    Assim, a Igreja Católica passou a usar quase que exclusivamente o latim. Como o povo comum não falava esta língua nem a entendia, a compreensão do texto bíblico passava totalmente pelas mãos do clero. Os padres liam e interpretavam à sua maneira os ensinos sagrados. Nesse período, o que a igreja dizia tinha peso igual ou maior ao que a Bíblia dizia.

    Lutero, Calvino e outros defendiam as Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática para todos os cristãos. Havia, porém um problema. Como o povo poderia ler e interpretar as Escrituras se elas estavam acessíveis quase que somente em latim ou em suas línguas originais? Foi então que um esforço enorme pela tradução da Bíblia foi feito. Neste período inúmeras traduções surgiram. Lutero mesmo traduziu as Escrituras para o Alemão. A sua tradução foi tão importante para o povo do seu país que estudiosos tem considerado Lutero como o pai da língua alemã. Um primo de Calvino traduziu a Bíblia para o francês. A famosa versão King James foi produzida na Inglaterra o sínodo de DORT, na Holanda, promoveu a tradução para o holandês. Meio século mais tarde, mais ainda como fruto da Reforma, João Ferreira de Almeida traduziu a Bíblia para a língua Portuguesa. Desde então centenas de línguas têm recebido o texto sagrado.

    Foi acesso à Bíblia traduzida e sua comparação com os ensinos da igreja de Roma que provocaram as maiores perdas no rol de membros da Igreja Oficial. Á medida que as pessoas descobriam o verdadeiro ensino bíblico se rebelavam contra todo e qualquer ensino que o contradissesse. Não é a toa que a Igreja de Roma tenha feito um esforço enorme para destruir cópias das Escrituras traduzidas. A tradução para línguas de povos considerados não-cristãos, também provocou um grande avanço do evangelho em países como Índia, China, Coréia, etc.

    Mais recentemente, as organizações Wycliffe para tradução da Bíblia (da qual a ALEM faz parte) e as diversas Sociedades Bíblicas tem produzido traduções em muitas outras línguas do mundo. A Reforma mostrou que não pode haver verdadeiro cristianismo sem acesso às Escrituras. Mostrou também que somente as Escrituras devem ser a regra de fé e prática para o cristão.

    Apesar de todo esforço por parte dos reformadores, hoje, em pleno século 21, há ainda mais ou menos 2 mil línguas sem qualquer tradução das Escrituras, nem seques João 3:16. Creio piamente que é tarefa da nossa igreja traduzir e promover as Escrituras para essas línguas.

    A ênfase que os reformadores deram ao uso das Escrituras nas línguas vernáculas pode ser considerada como um dos maiores ganhos para a cristandade, tanto do ponto de vista educacional e cultural, como de uma perspectiva missionária. Quantos não aprenderam a ler porque queriam ler as Escrituras. Quantos não se tornaram crentes ao lerem alguma porção bíblica. Quantas não são as histórias de colportores no Brasil que ganharam centenas de pessoas para o Senhor simplesmente por venderem-lhes a Bíblia.

    Finalmente, promover o acesso do povo à Bíblia em sua língua materna deve ser uma tarefa prioritária em nosso empreendimento missionário. Plantar uma igreja e não promover o acesso dessa igreja às Escrituras na língua materna do povo é correr o risco de ver essa igreja nunca amadurecer, ou ainda pior, enveredar por tradições e costumes que não só não estão contidos no texto bíblico, mais ainda o contradizem. Portanto, para cada programa de implantação de igreja, deve haver um programa simultâneo de tradução das Escrituras.

    Sola Scriptura!

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  9. rfbarbosa1963 disse:

    “Podemos dizer, sem medo de errar, que se quisermos uma reforma da sociedade em que vivemos será necessário começar com uma reforma espiritual dos homens que a compõem. Porém, fazer discípulos – homens que andam com Cristo, que vivem como Cristo e trabalham para Cristo – constitui uma árdua tarefa e um passo além.” (Do Livro – Homens além do churrasco e futebol).

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