A Pedagogia Divina

O apologista reflete em sua retórica a convicção de uma verdade fundamental. Quando esta verdade é estabelecida, uma seqüência de raciocínios será desenvolvido na defesa desta verdade. O pensamento desenvolvido leva as pessoas a uma conclusão, onde o objetivo do orador é defender uma verdade. As pessoas se impressionam mais pela retórica do apologista, do que pela essência daquilo que ele defende. Alguns erros nunca são combatidos, não pelo fato de sua legitimidade, mas pela impossibilidade de uma refutação a altura da exposição apologética daquele que o defende, portanto se aquele que defende uma verdade não souber debater a sua verdade, pode perder o debate não pela veracidade daquilo que o outro defende, mas por não conseguir publicamente, ou através de uma refutação literária convincente, contradizer o posicionamento antagônico.

Falar em público é uma arte e dependendo da desenvoltura da oratória, pode-se levar a coletividade a um entendimento que exercerá influencia no individual. Pode-se agir no aspecto cognitivo, afetivo e psicomotor.

Quando o orador trabalha o aspecto cognitivo, as pessoas ouvem e assimilam a informação. O porquê fica em alguns casos desapercebido, pois as pessoas são levadas a aceitar a ideologia como verdade, pois a identidade daquele que ensina, atesta o conteúdo como verídico, enfim, aquilo que se demonstra ser, fala muito mais alto do que aquilo que se fala durante a oratória. A imagem e o currículo fazem uma diferença na audição da platéia, pelo menos até o momento da exposição do orador. Depois disto o que vale é a desenvoltura pessoal no confronto público.

As pessoas podem defender uma grande ideologia, contudo esta ideologia pode ser um tremendo erro, mas isto deixa de ser a questão principal, pois aqueles que o atestam são colocados acima de qualquer suspeita. Neste princípio verificamos que a instituição defendida terá um papel muito importante, pois os seus defensores alegarão uma autoridade que não depende deles, mas principalmente pelo poder do nome da instituição que defendem. Enfim, exaltando a instituição daremos crédito ao homem, que agora para aumentar o prestígio próprio, exalta a instituição.

Nesta defesa verificamos o triunfalismo. O massacre dos diferentes e a apologia do descrédito da ideologia alheia, ao invés da exaltação das verdades que se defende. Apaga-se a luz do outro no intuito da hegemonia iluminaria. Denigre-se a imagem do outro para desacreditar aquilo que ele defende.

Entendendo estes princípios chegamos a uma conclusão: a verdade depende da fonte e mesmo assim pode ser circunstancial.

Neste grande dilema vive o homem, buscando a verdade e uma instituição onde possa confiar o seu instinto investigativo para aprender corretamente. Pois quando se crê naquilo que se é ensinado, o homem entende que terá não apenas a sua condição existencial temporária satisfeita, mas a possibilidade de um futuro onde aquilo que ele é hoje, está muito aquém daquilo que ele será no amanhã.

Quando verificamos os fundamentalistas do erro, que mesmo com uma retórica perfeita, uma ideologia coerente, uma instituição acima de qualquer suspeita e homens dignos de honra, ainda assim têm os seus fundamentos na mentira, sendo toda a sua defesa contribuinte para o malefício dos seus adeptos e simpatizantes.

Ao verificarmos a história da igreja ficamos tristes com alguns grupos que se dizem cristãos na atualidade, pois muito embora os fatos atestem a sua loucura, são desapercebidos pelos que os defendem, pois conseguem ignorar a realidade explícita para viver a fantasia do erro.

Neste princípio estes homens anularam toda apologia e qualquer literatura que contradiga a sua prática, inclusive as escrituras, alegando que apenas a sua instituição pode interpretar corretamente as verdades tidas como fundamentais, só que estas verdades estão de acordo com os seus regulamentos internos, que são passados de geração em geração e aceitos como corretos pela história.

Uma antiga instituição existe não por sua utilidade ou apologia correta, mas por possuir influencia que anula a contestação dos seus fundamentos. Sempre existirão pessoas dispostas a defenderem uma causa tida como fundamental, principalmente se esta estiver alicerçada na história e aludir com a mística humana.

Gostaria de meditar na pedagogia de Deus, que nada tem relacionado com esta pedagogia humana, pois a igreja tornou-se um palco de vaidades, onde precisamos reaprender a aprender. Faz-se necessário começar tudo de novo. Aquilo que está escrito precisa ter a sua pedagogia ensinada no campo afetivo, onde os valores serão modificados, onde as pessoas não entenderão mais a palavra de Deus pela letra que mata, mas pelo espírito que vivifica!

A pedagogia divina mata o ego, pois não busca a glória dos homens e das instituições, pelo contrário exalta a pessoa do único que é digno de honras que é Jesus Cristo. Mas até isto é problemático, pois uns dizem que são de Apolo e outros dizem que são de Paulo, mas os santarrões dizem que são de Cristo, só que o Cristo que defendem, não condiz com o verbo que era Deus e habitou entre nós, mas sim uma espécie de anjo ou santo que merece uma devoção maior através da instituição verdadeira que ele deixou, ou até um grande mágico que faz a platéia feliz, distribuindo dinheiro, dando carros novos, casas e bens materiais.

Aprendemos que enquanto Cristo não voltar devemos ser servidos por ele, mas a verdade é contrária, mas nem sempre é aceita, pois aqueles que estão no poder estão em melhor condição de eloqüência.

Sabemos que o Senhor fundou a sua igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Sabemos que as igrejas primitivas foram destruídas e os pais da igreja morreram para que hoje o evangelho chegasse até nós, muitos tiveram de perseverar até o fim, para que a bíblia estivesse disponível para todos.

Crentes sinceros foram jogados as feras e morreram nas arenas diante dos gladiadores para diversão de Roma e o engraçado é que o mesmo César recebe o culto no mundo, como se fosse um deus e as pessoas não percebem, pois a sua história confundiu-se com a dos pais da igreja, encarnando a cora do bispo de Roma com a coroa do César romano, adorado como infalível e em lugar de Cristo(vicários cristus), reflexo do desejo satânico de ser Deus e muitos megas apóstolos, phd, dd e tudo quanto é título que se pode imaginar, coloca o arauto da palavra em um patamar de perfeição, causando uma expectativa ao ouvinte, que não permite aos ouvidos atentos perceberem o sotaque do pastor que deu a vida pelas suas ovelhas, pois em muitos lugares o senhor já não fala há muito tempo, apesar de todo o alvoroço e ativismo, pois em Jerusalém muitas vezes o senhor passava de fora, enquanto o culto acontecia lá dentro.

A pedagogia divina nos ensina que em primeiro lugar precisamos ter Deus em nós para podermos compreender as coisas espirituais, sem ser habitação do Espírito Santo não podemos discernir as escrituras, teologia ou doutrina. Faz-se necessário nascer do alto, nascer de Deus, para quando selado pelo Espírito receber a revelação que não é dada ao mundo, mas apenas a igreja que é um corpo tendo como cabeça, o Senhor Jesus. Ter o nome escrito em um rol de membros ou ser formado em teologia, ou trabalhar em missões é importante, mas não implica ser de Deus, pois muitos já se desviaram no campo missionário e muitos desistiram do ministério para abraçar uma ideologia defendida pelos apologistas do erro.

A pedagogia divina acontece na mudança dos nossos valores interiores, onde a alma e o espírito agem segundo os propósitos, não de uma força ativa ou das decisões de homens, mas por uma ordem direta daquele que tem toda a autoridade no céu e na terra: o Senhor Jesus.

A pedagogia divina nos ensina que apesar das variantes teológicas existe apenas uma verdade e está em/com Cristo, pois ele é a verdade, e não em/com homens e suas instituições, mas os homens motivados pelo Espírito falam das verdades espirituais para aqueles que são espirituais e sós estes podem julgar a todos e não são julgados por ninguém, pois possuem a mente de Cristo.

A pedagogia divina nos ensina que as nossas decisões acontecem no nível espiritual, onde aquilo que queremos e desejamos está em Deus e não naquilo que queremos e não necessitamos, pois repousa na satisfação da carne e seus vícios.

Ser livre é mais do que deixar os vícios e maus costumes é ser santo, é odiar o pecado, é odiar as heresias, é odiar aquilo que rouba a glória de Deus, é ter um coração aquebrantado, que ao invés de ver o pecado do outro, confessa o próprio pecado ao Senhor, é além de deixar o mau caminho, também se voltar para o Senhor.

A pedagogia divina nos dá autoridade para pregar fundamentado não em uma ideologia de Paulo, ou de Pedro, ou de seja lá quem for que morreu, mas é falar movido pelo Espírito Santo as verdades que não são reveladas ao mundo, mas apenas aqueles que receberam o direito de chamá-lo de pai e por isto ele ensina apenas aos filhos, pois segundo o Senhor apenas as suas ovelhas ouvem a sua voz e o seguem, ele roga não pelo mundo, mas por aqueles que um dia ouviriam a sua palavra e o seguiram, pois estes foram tirados do mundo, pois nunca pertenceram ao mundo e por isto o mundo os odiou.

A pedagogia divina nos ensina que seremos instruídos no caminho que deveremos andar, pois sob a sua direção receberemos conselho. Não seremos como o cavalo ou como a mula que precisam de cabrestos e freios para ser dominado, pois a nossa obediência não será a homens, mas ao próprio Deus, por isto somos crentes, por isto somos loucos, por isto não confiamos na nossa carne ou no nosso braço e na força de carros e cavaleiros e sim naquele que vive e reina em glória e majestade, este mesmo que nos enviou o seu espírito que nos revelaria e nos conduziria a sua verdade.

A pedagogia divina nos faz desejar andar na presença de Deus, pois neste lugar encontramos a segurança que as religiões não podem dar, encontramos as respostas que o mundo não pode dar, encontramos perdão e reconciliação, encontramos os tesouros da sabedoria, encontramos o Senhor Jesus.

por Carlos Alberto Siqueira

http://www.cacp.org.br/a-pedagogia-divina/

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