Talmude doutrinas, costumes e tradições judaicas

Talmude (em hebraico: תַּלְמוּד, transl. Talmud significa estudo) é uma coletânea de livros sagrados dos judeus, um registro das discussões rabínicas que pertencem à leiética, costumes e história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico.

O Talmude é a fonte de onde se deriva a lei judaica. Os judeus ortodoxos estão na obrigação de segui-lo como regra de fé e prática. Contém o Halakhah, que são decretos legais e preceitos acompanhados de discussões elaboradas em virtude das quais os juízes chegaram às suas decisões. No Talmude toma-se a posição que a Lei de Moisés precisa ser adaptada às condições sempre mutáveis de Israel. A maior parte da discussão, no Talmude, assume a forma de diálogos. O diálogo introduz perguntas e procura as causas e as origens.

O Talmude tem dois componentes: a Mishná, o primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica; e o Guemará, uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos que frequentemente abordam outros tópicos.

O Mishná foi redigido pelos mestres tanaítas (Tannaim), termo que deriva da palavra hebraica que significa “ensinar” ou “transmitir uma tradição”. Os tanaítas viveram entre o século I e o século III d.C. A primeira codificação é atribuída ao Aquiba (50 d.C. – 130 d.C.), e uma segunda, ao Rabi Meir (entre 130 d.C. e 160 d.C.), ambas as versões tendo sido escritas no atual idioma aramaico, ainda em uso no interior da Síria.

Os termos Talmud e Guemará são utilizados freqüentemente de maneira intercambiável. A Guemará é a base de todos os códigos da lei rabínica, e é muito citada no resto da literatura rabínica; já o Talmude também é chamado freqüentemente de Shas (hebraico: ש”ס), uma abreviação em hebraico de shisha sedarim, as “seis ordens” da Mishná.

O Talmude, numa edição moderna impressa

Para entender o talmude devemos entender a sua formação. Os relatos antigos remetem que a Bíblia, mas na época apenas o velho testamento, separado em livros, e com o principal conjunto de livros chamados de Torá, que significa a lei, foi escrito por Moisés, e ditado e inspirado por Deus.
Com a formação do reino de Israel, formaram-se sacerdotes com a ideia de unificar as ideias sobre os textos bíblicos.
Como isso acontece? Podemos ver isso, por exemplo, com a igreja Católica, que tendo a bíblia, cria livros e regras interpretativas chamadas doutrinas da igreja católica, que coloca a opinião ou pareceres de seus líderes “notáveis”, no mesmo nível e autoridade das Escrituras Sagradas que nós os protestantes repudiamos, pois consideramos a Bíblia como única regra de fé e conduta.

Em média todas as igrejas criam suas doutrinas, baseadas em um conglomerado de pastores, ou líderes de sua igreja, e quase sempre quem não aceita tais doutrinas geradas por sua igreja é excluído ou deixado fora de posições na igreja.
E assim foi a formação do talmude, uma compilação de ideias doutrinárias geradas por líderes da religião judaica.
O talmude compreende várias tradições do Judaísmo, mas o sistema de ideologia remete-se a séculos antes de Cristo.
Nos textos de Mateus 15:3_9, encontramos que Jesus referia que as tradições anulavam os mandamentos. Neste caso Jesus referia que era mais valia ajudar a sanar a dificuldade dos pais, do que dar dinheiro para o santuário, e deixar os pais perecerem.
Assim tanto o talmude como vários livros doutrinários, costumam ter algumas normas que não tem o vínculo do amor, e muitos delas beiram a Esotérico.

História

Lei oral

Originalmente, o estudo acadêmico do judaísmo era oral. Os rabinos expunham e debatiam a lei (isto é, a Torá) e discutiam o Tanakh sem o benefício das obras escritas (além dos próprios livros bíblicos), embora alguns possam ter feito anotações privadas (meguilot setarim), por exemplo, a respeito das decisões de cortes. A situação mudou drasticamente, no entanto, principalmente como resultado da destruição da comunidade judaica no ano de 70 d.C., e os consequentes distúrbios nas normas legais e sociais judaicas. À medida em que os rabinos foram forçados a encarar uma nova realidade — principalmente a de um judaísmo sem um Templo (para servir como centro de estudo e ensino) e de uma Judeia sem autonomia — surgiu uma enxurrada de discursos legais, e o antigo sistema de estudos oral não pôde ser mantido. Foi durante este período que o discurso rabínico passou a ser registrado na escrita. A primeira lei oral registrada pode ter sido na forma dos Midrash, na qual a discussão haláquica está estruturada como comentários exegéticos sobre o Pentateuco. Uma forma alternativa, porém, organizada pelos tópicos de assuntos, em vez dos versos bíblicos, tornou-se dominante por volta do ano 200 d.C., quando o rabino Judá HaNasi redigiu a Mishná (משנה).

A lei oral estava longe de ser monolítica ,variando enormemente entre diversas escolas. As duas mais famosas eram a Escola de Shammai e a Escola de Hillel. No geral, todas as opiniões, mesmo as não-normativas, eram registradas no Talmude.

Mishná

Mixná ou Míxena, também chamada de Mishná, é uma compilação de opiniões e debates legais. As declarações contidas na Mixná são tipicamente concisas, registrando as opiniões breves dos rabinos debatendo algum tópico, ou registram apenas um veredito anônimo, que aparentemente representava uma visão consensual. Os rabinos registrados na Mixná são chamados de Tannaim.

Na medida em que suas leis estão ordenadas pelo assunto dos tópicos, e não pelo conteúdo bíblico, e a Mishná discute cada assunto, individualmente, de maneira mais extensa que os Midrash, e inclui uma seleção muito maior de assuntos haláquicos. A organização da Mishná tornou-se, desta maneira, a estrutura do Talmude como um todo. Porém nem todos os tratados da Mishná possuem uma Guemará correspondente. Além disso, a ordem dos tratados do Talmude difere, em muitos casos, da do Mishná.

“A Míxena judaica, uma coleção de ensinos e de tradições rabínicos, é um tanto mais explícita. Credita-se sua compilação ao rabino Judá, o Príncipe, que viveu no segundo e no terceiro séculos EC. Parte da matéria da Míxena relaciona-se claramente às circunstâncias anteriores à destruição de Jerusalém e do seu templo, em 70 EC. No entanto, certo perito diz a respeito da Míxena: “É extremamente difícil decidir que valor histórico devemos atribuir a qualquer tradição registrada na Míxena. O espaço de tempo, que talvez tenha contribuído para obscurecer ou distorcer as lembranças de épocas tão diferentes; as sublevações políticas, as mudanças e as confusões resultantes de duas rebeliões e de duas conquistas romanas; os padrões prezados pelo partido dos fariseus (cujas opiniões a Míxena registra), que não eram os do partido dos saduceus . . . — estes são fatores a que se deve dar o devido peso na avaliação do caráter das declarações da Míxena. Além disso, há muita coisa no conteúdo da Míxena que se encontra num ambiente de discussão acadêmica travada só pela discussão, (conforme parece) com pouca pretensão de registrar usos históricos.” (The Mishnah [A Míxena], traduzida para o inglês por H. Danby, Londres, 1954, pp. xiv, xv) – In Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2 publicado pelas Testemunhas de Jeová.

Baraita

Além da Mishná, outros ensinamentos tanaíticos eram correntes na mesma época, e por algum tempo depois. A Guemará frequentemente se refere a estas declarações tanaíticas, para compará-los àqueles contidos na Mishná e para apoiar ou refutar as proposições dos Amoraim. Todas estas fontes tanaíticas não-mishnaicas são denominadas de baraitot (singular baraita, ברייתא – literalmente “material de fora”, se referindo às obras externas ao Mishná).

Guemará

Nos três séculos que se seguiram à redação da Mishná, os rabinos de Israel e da Babilônia analisaram, debateram e discutiram aquela obra. Estas discussões foram a Guemará (גמרא). A palavra significa “completude”, em hebraico, do verbo gamar (גמר), “completar”, “aprender”. A Guemará se focaliza principalmente na elucidação e elaboração das opiniões dos Tannaim. Os rabinos do Guemará ficaram conhecidos como Amoraim (no singular Amora, אמורא).

Boa parte da Guemará consiste de análises legais. O ponto de partida para a análise é, costumeiramente, uma declaração legal existente em determinada Mixná. A declaração é então analisada e comparada com outras declarações, numa troca dialética entre dois disputantes (frequentemente anônimos, por vezes metafóricos), que são chamados de makshan (“questionador”) e tartzan (“respondendor”). Outra função importante da Guemará é identificar a base bíblica correta para determinada lei apresentada na Mishná, assim como o processo lógico que a conecta com outra: esta atividade era conhecida como talmud, muito antes da existência do Talmude como texto.

Estas trocas formam os componentes básicos da Guemará; o nome dado a cada passagem é sugya (סוגיא; plural sugyot). Uma Sugya costumeiramente contém uma elaboração cuidadosamente estudada e detalhada de uma declaração mishnaica.

Em determinada sugya, declarações escriturais, tanaíticas e amoraicas, são trazidos para reforçar as diversas opiniões. Ao fazê-lo, a Guemará levanta discordâncias semânticas entre os Tannaim e os Amoraim (frequentemente direcionando o ponto de vista para uma autoridade mais antiga, no sentido de como ele teria respondido a questão), e comparando as visões mishnaicas com as passagens da Baraitá. Raramente os debates são encerrados formalmente; em muitos casos, a palavra final determina a lei prática, embora existam diversas exceções a este princípio.

Halachá e Hagadá

O Talmude contém um material vasto, que aborda assuntos de naturezas muito diversas. Tradicionalmente, as declarações talmúdicas podem ser classificadas em duas categorias amplas, as declarações haláquicas e hagádicas. As declarações haláquicas são aquelas que se relacionam diretamente com as questões da prática e lei judaica (Halachá), enquanto as declarações agádicas são aquelas que não tem qualquer conteúdo legal, sendo de natureza mais exegéticahomiléticaética ou histórica.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Talmude

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O Cristo eterno é tanto Juiz como Salvador

Jo 5:26,27

“Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;
E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.”

       É somente por causa da encarnação que Deus, em sua sabedoria e graça, pode levar toda a humanidade ao ponto da responsabilidade de prestar contas. É algo com o qual podemos tanto nos alegrar quanto temer. Isto capacita o Senhor a levar toda a humanidade ao tribunal do Juízo.

       Independente do lugar que você ocupa no mundo, você irá deparar-se com o conceito de julgamento, com detalhes variantes. O conceito básico de julgamento ou juízo é simplesmente quê seres humanos são moralmente responsáveis por prestar contas. A base dessa responsabilidade é o fato de termos a vida derivada do outro, e não de nós mesmos. Tendo em vista que nossa vida provém do Criador, temos responsabilidade moral para com Aquele que nos concedeu essa dádiva. O Pai, como a Bíblia nos ensina, tem a vida em Si mesmo, portanto, ninguém pode julgá-lo. Deus não é derivado, Ele é o original. Por conseguinte, a Palavra diz: Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo (Jo 5:26), de modo que ninguém pode julgar o Filho. O Filho é do Pai apenas. Disso deriva o conceito de juízo universal; embora sejamos livres para fazer escolhas morais, temos necessidade de prestar contas por essas escolhas a alguma autoridade.

       Usei a palavra livres e a expressão temos necessidade, e uma parece cancelar a outra. Todavia não existe nada inconsistente aqui. Os homens são livres para fazer suas escolhas morais, mas também sentem necessidade de prestar contas a Deus por seus atos. Isso os faz livres e vinculados, porque estão vinculados a julgamento e à prestação de contas pelos atos praticados no corpo.

       Em um dos seus ensaios, Ralph Waldo Emerson desenvolve a ideia de que não existe um julgamento futuro. Tudo é julgado, sentenciado, recompensado ou punido hoje. Para ilustrar ele disse: “O ladrão rouba apenas de si mesmo”. Naturalmente, essa não é a crença universal nem do Antigo Testamento, tampouco o ensino do Novo Testamento e da Igreja. Foi tramado na cabeça de um homem famoso, que viveu em Concord, Massachusetts (EUA).

Conceitos inadequados sobre juízo

       Como qualquer um poderia esperar, há muitos conceitos errôneos e inadequados sobre juízo. Novamente, quando você tem duas ou mais pessoas reunidas, terá pelo menos dois ou três conceitos sobre juízo. É como o texto do antigo Testamento, que revela: Cada um fazia o parecia direito aos seus olhos (Jz 17:6b). Deixe-me nomear alguns conceitos de juízo que são populares, mas inadequados.

       O primeiro conceito é o da operação da lei da compensação. Tomo algo do meu bolso esquerdo e o coloco no bolso direito. Tudo o que você faz em uma direção tem de ser contrabalançado por algo na direção oposta.

       Outro conceito inadequado de juízo é que somos responsáveis por prestar contas à sociedade.  Seguramente, existe bastante verdade nisso, mas é parcialmente verdade. Quando fazemos algo contrário, devemos prestar contas à sociedade. No entanto, também somos responsáveis para com Deus e temos de prestar contas a Ele por nossas ações. Muito disso tem a ver com a opinião pública, que é o que julga; na verdade, já julgou as coisas que você faz. Prova do que estou dizendo me foi apresentada há anos.

       Certa vez, andando pela rua, um garoto ficou olhando para mim. Geralmente, sou simpático com as crianças, mas fiquei preocupado naquele dia. Quando me aproximei dele a uma distância que dava para ouvi-lo ele me disse: “Oi cara de picles”. Ele já me havia definido. Eu tinha cara de picles e era responsável perante a sociedade humana pelo próprio formato do meu rosto. Não fiquei zangado com ninguém, mas ele, evidentemente, achou que eu não era tão entusiasmado quanto parecia. Ele achou que devia provocar-me um pouco, e foi o que ele fez. Então somos responsáveis diante da sociedade por tudo o que fazemos.

       Há muitas maneiras de prestarmos contas à opinião pública. Simplesmente dirigir na estrada faz com que as pessoas concluam que você é um bom motorista e uma boa pessoa ou que você é um motorista descuidado — um ou outro. Seus vizinhos o julgarão como um bom ou mau vizinho com base na opinião pública.

       Outro conceito inadequado de julgamento é o de termos de prestar contas à lei humana. Desde a heterogênea população de Nova Guiné até a cultura mais industrializada da Inglaterra, dos EUA e da França, todas as nações estabelecem leis. As nações esperam que essas leis sejam respeitadas e mantidas; do contrário, os transgressores sofrem as consequências.

       Alguém pode apontar para outro que desrespeite a lei. Aqui está uma pessoa que não cumpre a lei, a fim de ganhar dinheiro. Rouba um banco, a fim de obter dinheiro para pagar os impostos ou algo mais. Ele está cumprindo uma lei e desrespeitando a outra para ganhar dinheiro. Assim, o fora da lei age dessa forma apenas em certos detalhes. Ele respeita a maioria das leis, mas desrespeita uma para proveito ou conveniência pessoal. Um fora da lei nunca é feliz, porque presta contas à lei enquanto a desrespeita e é infeliz mesmo quando a está burlando.

        Outro conceito inadequado de julgamento é o da responsabilidade de o homem prestar conta de si mesmo. De acordo com esse conceito, todas as pessoas ficam em pé diante do tribunal do juízo da sua própria razão e consciência, no qual seriam o juiz e o júri. A base é a ideia de relatividade dos costumes, que está sendo ensinada em muitas das nossas universidades hoje. Simplificando, esse princípio diz que cada homem é uma lei para si mesmo. Nada é realmente mau ou bom. Bom é tudo o que trouxer aprovação social, e mau é o que acarreta desaprovação. Algo pode ser bom hoje e mau amanhã.

       Esse é, provavelmente, o pior conceito de toda a sociedade. Porque, se for verdade, então haveria tantos códigos morais quanto os seres humanos, e cada um seria sua própria testemunha, seu promotor, juiz, júri e carcereiro. É tão estúpido, que raramente merece alguma consideração, mas nunca subestimo a capacidade humana de confundir as coisas. Qualquer um com eloquência pode convencer as pessoas a crer em qualquer coisa. Naturalmente, esse é o âmago de todas as seitas que surgiram no decurso dos anos.

       Como um homem pode ser responsável por prestar contas a si mesmo? Se for verdade, como isso termina? Alguém poderia dizer: “Ele é responsável por prestar contas à sua consciência”. Posso ver um argumento aqui, mas depois, a minha pergunta seria: a quem a consciência dele presta contas? Como é possível que eu seja meu próprio promotor, minha própria testemunha, meu próprio carcereiro e carrasco? Sei que parece muito erudito, místico, muito poético e ilusório, mas, quando você considera isso, é simplesmente ridículo. É um conceito de julgamento absolutamente inadequado, porque nunca conheci alguém que fosse exigente consigo mesmo e condenando-se. A maioria das pessoas é muito condescendente consigo. Sei que, se eu fosse meu juiz, júri, promotor e carrasco, perderia meu machado. Seguramente, não cortaria minha própria cabeça. Não teria coragem de fazer isso.

Responsável por prestar contas a Deus

       Compreendendo Deus do jeito que Ele é revelado nas escrituras, fica bastante claro que ele não deixará que os homens prestem contas ao seu ego. Ademais, Ele não fará com que você e eu prestemos contas à lei ou à sociedade. Devemos prestar contas, definitivamente, ao Único que nos deu a vida. Creio que seja a ausência dessa atitude que produz cristãos frágeis e alquebrados e igrejas que não têm sentido em si mesmas.

       A verdade simples é que a sociedade não pode alcançar-nos na esfera do nosso ser, no ponto em que somos mais vitalmente responsáveis por prestarmos contas a Deus e a nós mesmos. Como ser humano, presto contas à opinião pública e à lei da Terra. Por outro lado, também sou responsável por prestar contas a mim mesmo e ao meu Deus. A sociedade não pode interferir nisso, e as leis da Terra e a opinião pública vão somente até um ponto. Há verdade nelas, mas não a completa. Existe algo além delas.

       Tome por exemplo um homem que cometa suicídio. Ele apanha uma espingarda, mira na cabeça e estoura seu cérebro. Naquele ponto, ele não presta contas à opinião pública ou a lei da Terra. Ultrapassa isso e, agora, tem de prestar contas à autoridade mais elevada, porque, uma vez tendo morrido, a sociedade não pode puni-lo.

       Há muitas situações na sociedade e na lei humana com as quais não podemos lidar. Jesus entendeu isso quando disse: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela (Mt 5:27,28). A lei dos judeus podia lidar com o adultério, mas, quanto à luxúria do coração, não podia tocá-la.

       Essa espécie de falta de sentido tem invadido até mesmo nossas igrejas. Quando uma igreja se afasta da verdade e dá as costas para a autêntica Palavra de Deus, começa a estabelecer as próprias leis. Ouvi falar de uma igreja, outrora sólida e pregadora da Bíblia, a qual anunciou que, em determinada manhã de domingo, o tópico do sermão do reverendo seria sobre úlceras pépticas. Bem, imaginar o que isto tem a ver com a Bíblia e com Deus me deixa confuso. Se ficasse muito tempo naquela congregação, provavelmente eu desenvolveria uma úlcera péptica. É surpreendente ver a que profundidade caímos e como somos tolos quando nos tornamos uma lei para nós mesmos.

       Na cidade de Detroit, nos Estados Unidos, há alguns anos, o letreiro na frente de uma igreja anunciou que, na manhã do domingo seguinte, às 10:45 hs, o “grande” Ver. Fulano de Tal pregaria sobre o tema Quem Matou Cock Robin1. Como o reverendo sabia quem era o criminoso era a dúvida de todos.

       Um anônimo provérbio antigo diz: “Aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiro, eles o fazem loucos”. O julgamento de Deus começará com a Igreja. Quando deixarem de crer no julgamento divino, não será possível saber qual o próximo passo da Igreja ou para onde irá. Foi a crença na capacidade do homem de prestar contas ao seu Criador que fez os Estados Unidos grandiosos um dia.

      Um dos grandes líderes americanos foi o senador Daniel Webster2; sua sobrancelha volumosa e seus olhos flamejantes costumavam encantar o Senado, quando ele ficava em pé e conversava com os parlamentares, não com sarcasmos ou observações engraçadas. O senado naqueles dias não era composto de comediantes despreparados, mas de estadistas fortes e nobres, que carregavam nos ombros o peso de uma nação.

       Alguém perguntou: “Sr Webster, o que o senhor considera o pensamento mais sério que já passou pela sua mente?”. Ele respondeu; “O pensamento mais solene que já passou pela mente é a responsabilidade de prestar contas ao meu Criador”. Homens que falavam dessa forma não podiam ser corrompidos e comprados nem tinham de se envergonhar caso suas chamadas telefônicas fossem gravadas. Eles não ficavam tão preocupados com o que as pessoas pensavam quanto com o fato de que tinham de prestar contas a Deus.

Nosso justo Juiz

       A fim de que alguém julgue a humanidade, certos critérios devem ser estabelecidos; afinal, não é qualquer um que pode fazê-lo. Além disso, essa pessoa deve ter autoridade para executar o julgamento necessário. Outro critério seria que aqueles que fossem assim julgados prestassem contas ao juiz. Alguma espécie de relacionamento precisa ser estabelecida.

       Um grupo de homens estabelece uma lei há muito tempo. As pessoas são então julgadas hoje com base em leis estabelecidas há muitos anos, sem conhecerem realmente quem as regulamentou. Não é dessa maneira no Reino de Deus. De acordo com a Bíblia, o juiz tem de julgar os que devem prestar contas a ele mesmo. Não apenas por causa da lei imposta por outros, mas moral e vitalmente, em vez de pura e simplesmente no aspecto legal. Para ser um juiz justo da humanidade, a autoridade tem de possuir uma variedade de qualidades ou atributos (Sl 139:23,24  e Jr 17:9,10).

Onisciente

       O Juiz com o qual temos de lidar tem todo o conhecimento. Ele é onisciente. Para que esse juiz julgue corretamente, não existe espaço para erro. Em nosso sistema judiciário, muitos juízes têm cometido erros porque não dispõe de todas as provas necessárias. A justiça humana faz o seu melhor, mas porque não é de todo sábia, comete erros. Inclusive algumas pessoas estão na prisão hoje e cumprem sentenças durante a vida toda por causa de um erro.

       Quanto ao Onipotente, Ele nunca julgará alguém com informação parcial. O Senhor não comete erros nem permite que qualquer erro ou falta de informação interfira na situação. O juiz que nos julga deve ser o que tem tolda a sabedoria. Portanto, temos de eliminar Paulo, o apóstolo, Moisés, o que entregou a Lei, e até mesmo Elias. Esses foram homens bons, mas foram apenas homens e só possuíam conhecimento e sabedoria finitos. O Deus que nos julga é o Juiz que tem sabedoria infinita e é onisciente.

      No que diz respeito a julgar uma alma que viverá por toda eternidade, não há espaço para erros. O Juiz da humanidade terá de ser Aquele que nunca precisará do testemunho de uma terceira parte. Em uma audiência comum, são necessárias testemunhas; o juiz senta-se solenemente e ouve os depoimentos. A testemunha diz: “Vi que ele fez isso, ouvi quando ele disse aquilo”, e, se a testemunha estiver mentindo, o juiz é enganado. Mas o juiz da humanidade não depende do testemunho dos outros.

       Jesus Cristo disse: Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” (Jo 5:30). O critério básico para julgar toda a humanidade é, portanto, o conhecimento perfeito e completo.

Imparcial

       Outro critério entra em cena. O juiz deve ser absolutamente imparcial e desinteressado, sem levar qualquer benefício pessoal no caso.

       Muitos juízes têm sido rigorosos nos julgamentos por causa da proximidade das eleições ou porque a opinião pública estava fortalecendo-se. Os jornais os pressionavam e, para salvar a carreira política deles, deram um veredito severo ou abriram mão de uma decisão. Suas motivações foram escondidas e falsas. O Filho de Deus diz que Seu julgamento é justo, porque Ele não busca a sua vontade, mas a do Pai. Cristo pode ser o Juiz porque ele está diretamente ligado ao caso e, ainda assim, é desinteressado, não tendo nada a ganhar ou perder pelo seu julgamento. Mais uma vez, toda a glória pertence a Deus.

Compreensivo

       Outro critério importante para qualificar o juiz é a compreensão solidária. Eu não gostaria de ser julgado por algum arcanjo que nunca derramou uma lágrima, nem por um serafim que nunca sentiu dor, tampouco por um querubim que nunca conheceu a tristeza, o desapontamento ou a aflição humanos. Para ser juiz dos seres humanos, é preciso ser um deles. Jesus disse que o Pai deu ao Filho poder para executar o julgamento porque ele é um Filho do homem. Sendo assim, ele não pode ser o Advogado nas alturas, o Salvador no trono do amor, mas também o Juiz que Se assenta no trono.

       Com isso estabelecido, todas as falsas acusações são eliminadas. Então, não haverá como se esquivar, queixar-se, lamentar, chorar e dizer: “Senhor, Tu não me entendeste”. Ele entende, sim. Porque Se tornou um de nós e andou entre nós. Nunca houve uma lágrima que Ele não tivesse compartilhado, uma dor que ele não tivesse sofrido, uma tentação que não tivesse chegado até Ele nem uma situação de crítica que Ele não tivesse enfrentado.

       Isso nos leva ao Juiz supremo de toda a humanidade, o Único que Se qualifica para essa função. Esse é Jesus, porque é o Filho do homem; ele tem autoridade para executar o julgamento. Cristo qualifica-Se com todas as alegações para ser o Juiz da humanidade. As lágrimas que derramou, as dores que sofreu e a tristeza que suportou fizeram dEle não apenas um juiz justo, mas também um juiz da humanidade, que é compreensivo e sensível. Sua presença na humanidade é o nosso julgamento presente sobre o pecado. E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que veem sejam cegos (Jo 9:39).

Tanto Salvador como Juiz

       Essa é uma doutrina bíblica bastante incompreendida. Há muitas doutrinas importantes negligenciadas pelos mestres da Bíblia de hoje, como a que diz que Jesus Cristo é o juiz da humanidade, mas o Pai não julga o homem. “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;”
 (Mt 25:31, 32).

      Quando o Juiz da humanidade vier, terá os ombros e o rosto de um homem, o homem Cristo Jesus. Deus concedeu-lhe autoridade para julgar a humanidade, de modo que Ele é tanto o Juiz quanto o salvador do homem. Isso me faz amá-lo porque Ele é o meu Salvador, e temê-lo porque Ele é o meu Juiz.

       Infelizmente, o Jesus barato que está sendo pregado hoje por muitos homens não é Aquele que virá para julgar o mundo. Esse Cristo pintado, de plástico, que não tem fundamento nem justiça, mas é um amigo agradável e condescendente com todos, se esse for o único Cristo, então podemos fechar nossos livros, trancar nossas portas e abrir uma padaria ou um estacionamento nos prédios em que funcionam nossas igrejas.

      O Cristo popular que está sendo pregado hoje não é o de Deus, Nem o da Bíblia, nem Aquele com quem teremos de lidar no final. O Cristo de que tratamos tem olhos como chamas de fogo. Seus pés são como latão reluzente, e da Sua boca sai uma aguda espada de dois fios (veja Ap 1:14_16). Ele será o Juiz da humanidade. Você pode deixar seus amados nas mãos dEle, sabendo que: (1)Ele mesmo sofreu; (2) Ele conhece tudo; (3)nenhum erro é cometido por Ele e (4) não pode haver insucesso da justiça, porque Ele conhece tudo o que pode ser conhecido.

       Foi dito certa vez, como uma reflexão posterior, que Jesus não precisava que alguém testemunhasse do homem, porque Ele sabia o que estava no homem: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.
E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.”
 (Jo 5:28, 29).

       Essa saída dos sepulcros será pelo convite do próprio Filho de Deus. Como comandante do exército, Ele o fará ficar em pé para o julgamento, que sedará com base no tipo de vida que as pessoas levaram neste mundo. Essa é outra doutrina esquecida, mas ela está aqui. Os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação. Esse é o Juiz de todos!

       Teremos de lidar com nosso Senhor, o Juiz com os olhos flamejantes. Não podemos escapar. Podem dar de ombros e afastá-lo em uma nuvem de fumaça, mas todos devem voltar a lidar com Ele no final. Tenha certeza disto: ou Ele será Salvador agora ou Ele irá julgar. A doçura e a simpatia do Salvador de agora serão deixadas de lado quando a justiça e a severidade do Juiz vierem à frente. Sem anular um dos papéis, Ele exercitará ambos, de tal modo que Cristo é tanto Senhor e o Juiz dois homens como o Salvador deles.

       Isaac Watts, em seu hino Not all the blood of beasts [Nem todo o sangue das feras, tradução livre], ilustra essa mesma verdade: 

Nem todo o sangue das feras

Mortos nos altares judeus

Poderia dar paz à consciência culpada

Ou lavar sua mancha.

 

Mas Cristo, o Cordeiro celestial,

Leva todos os nossos pecados;

Um sacrifício de nome mais nobre

E de sangue mais rico do que o delas.

 

Minha fé colocaria a sua mão

Na cabeça querida de Jesus,

Enquanto me ponho como penitente

E confesso o meu pecado.

 

Minha alma olha para trás

E vê os fardos que Ele levou sobre Si,

Quando pendurado no madeiro maldito,

E sabe que a culpa dela ali estava.

Crendo nós nos rejubilamos

Por vermos removida a maldição

 

Bendizemos o Cordeiro com voz alegre

E cantamos Seu amor, que sangra.

       No Antigo Testamento, os pecadores iam até o sacerdote e diziam; “Pequei e trago um cordeiro”, ou alguma oferta. Então, os pecadores colocavam a mão na cabeça do animal e o matavam, e o sacerdote espargia o sangue sobre o altar. Dessa forma, seriam perdoados do pecado que tivessem cometido.

       Neste momento, aqueles que não querem Jesus como juiz devem reavaliar sua posição e pensar seriamente nEle como Salvador e se colocar como penitentes, ou se ajoelhar como tal e confessar seus pecados. “Minha alma olha para trás e vê os fardos que Ele levou sobre Si, quando pendurado no madeiro maldito? “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (veja 2ª Co 5:21). Ressalto do hino de Watts: “Crendo, nós nos rejubilamos por vermos removida a maldição” (veja Gl 3:13,14).

       Tenho visto essa canção editada e revirada. Algum editor instruído e sofisticado que não gostava da palavra maldição removeu-a. ele a consertou, mas não a cantarei. Canto esta aqui: Crendo, nós nos rejubilamos, por vermos removida a maldição. Qual maldição? A maldição da quebra da Lei. A maldição do pecado. Bendizemos o Cordeiro com voz alegre e cantamos seu amor, que sangra. Que maravilhoso é tudo isso! Que maravilha é essa canção de triufo! Que canção cheia de Teologia, significado e Evangelho! O sangue de Cristo fez e está fazendo o que o sangue de bodes não conseguiu fazer.

       Qual deles Ele será para você: Salvador ou Juiz? Ele será um ou outro. Se for o primeiro, não será o segundo. De minha parte, não posso dar-me ao luxo de encará-lo como meu juiz. Preciso ter o seu sangue protetor e olhá-Lo como meu Salvador agora. Ele sabe muito sobre mim para que eu me apresente descaradamente na Sua presença e deixe que ele me julgue.

       As escrituras falam-nos de alguns que mandaram seu pecado embora antes do julgamento. Você pode mandar seus pecados embora antes do Grande dia; eles podem ser julgados, liquidados e descartados agora, enquanto você ainda está na Terra. O Salvador cobrirá seus pecados. Como disse um irmão mais idoso; “Se Jesus cobriu nossos pecados quando entregou sua vida, eles foram expostos, mas Cristo os cobriu com sua morte. Pela sua morte, Ele colocou para sempre os meus pecados onde eles não podem ser encontrados, por causa do sangue da eterna Aliança”.

       Olhe para trás e veja o fardo que Jesus levou, coloque a mão sobre a Sua cabeça santa e confesse seus pecados. A maldição será removida, e você poderá dizer; “Crendo, eu me rejubilo por ver removida a maldição”. “Bendigo o Cordeiro com voz alegre a canto Seu amor, que sangra”.

1Cock Robin é um personagem de uma canção popular inglesa.

2Daniel Webster (1782 —1852) foi um político estadunidense e senador por Massachusetts durante o período que antecedeu a Guerra Civil. Inicialmente, ganhou destaque regional por meio de sua defesa dos interesses marítimos da Nova Inglaterra. (Fonte: Wikipédia) 

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

A.W. Tozer

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O messias do antigo testamento versus o Cristo do novo

Jo 1:29, 30

“No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.”
 

       Um dos registros mais bonitos que eu conheço nas Escrituras é o de como João Batista, com toda a Palestina ouvindo, atingiu um momento da vida em que disse: “Minha obra terminou, e Aquele que eu antecedi chegou. Devo diminuir, e Ele deve crescer. Eu desapareço e, agora, ele brilha em todo o seu esplendor” (Jo 3:30).

       João Batista estava prestes a sair do cenário para não mais brilhar. Ele havia dito muitas coisas sobre Aquele que viria, mas ainda não o tinha visto. É um erro acreditar que João e Jesus estavam familiarizados um com o outro, embora fossem parentes. Se estavam familiarizados um com o outro, João Batista não tinha a mais remota ideia de que Jesus era Aquele sobre quem estava pregando. O profeta havia dito muitas vezes sobre Aquele que viria e coroou todo o seu discurso, afirmando: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

       O que aquilo significava para um judeu? Você teria de ser judeu, comum histórico de compreensão da religião judaica, para seu coração ser atingido pelo raio de sol brilhante que os atingiu, quando João Batista disse: Eis o cordeiro de Deus.

       Eles conheciam a história de Abel, o jovem que sacrificou o primogênito de suas ovelhas ao Senhor. O fogo divino caiu, e Deus testificou a Abel que aceitara a sua oferta (Gn 4:4). Conheciam a história de Abraão preparando seu sacrifício (Gn 22:7_14). Estavam perfeitamente familiarizados com aquele da Páscoa imolado para a salvação da humanidade e com aquela longa linhagem de sacerdotes que ofereciam cordeiros, ano após ano, naquela ocasião. Quando João disse: Eis o cordeiro de Deus, foi como se dissesse: “Agora que estamos na base da coluna, acrescentamos Este. Todos os cordeiros que já passaram, desde o primeiro cordeiro de Abel até o presente, recebem seu cumprimento no Cordeiro de Deus”.

       O cordeiro de Abel, de Abraão, de Isaque, de Judá e o cordeiro da Páscoa foram apresentados por homens. Agora, no entanto, vem o cordeiro que ninguém mais pode apresentar. Ele é o cordeiro do Deus Todo-Poderoso, a Soma e a Conclusão de todos os cordeiros que já foram ou estão para ser. Essa é a soma plena, introdutória, do que todos os cordeiros queriam dizer durante séculos. Isto deve ter significado algo maravilhoso para os judeus: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1:29b).

       João Batista testifica: este era aquele de quem eu dizia: o que vem depois de mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu (v. 15b). Nessa passagem, existe um pequeno artifício de linguagem contraditória que deve ser anulado. “O que vem depois de mim”, no tempo, “é antes de mim”, em honra, porque Ele estava antes de mim na hierarquia. Este é aquele que vem após mim (v.27a), isto é, “Eu vim primeiro e como um arauto anunciando o que vem depois de mim. Mas o que veio depois de mim no tempo me procede em honra, porque Ele está antes de mim na hierarquia e é o próprio Filho de Deus”.

       Naturalmente, o grande problema foi como Ele seria identificado. Multidões estavam sendo batizadas. Então, como Aquele que viria seria reconhecido? Para provar que era o Messias, ele tinha de passar por certos por certos testes rígidos. Tinha de nascer da semente de Abraão. Ninguém podia reivindicar ser o Filho de Deus ou o Salvador da humanidade – o Messias de Israel – e não ser alguém da semente de Abraão.  Era preciso ser capaz de ter uma linhagem que remontasse a Abraão. De outra forma, se não pudessem provar que ele não era o Cristo, ele não conseguiria provar que era.

       As exigências estreitavam-se ainda mais; ele tinha de ser nascido da semente de Isaque e Jacó. Jacó. Jacó teve 12 filhos, e o messias teria de vir por intermédio de um único homem, Davi. Não apenas tinha de ser nascido da linhagem de Abraão por intermédio do rei Davi, mas também nascer em um tempo aproximado. Se tivesse nascido 300 anos antes, como foi Buda, não serviria.  Se tivesse nascido de um árabe ou de um japonês, não serviria, porque teria perdido o elemento da linhagem.

       Então, o Salvador precisava nascer em determinado país. Não era um país importante aos olhos do mundo – apenas um pequeno país inserido, de algum modo empurrado entre os continentes –, mas, se ele tivesse nascido em outro lugar, Roma, Egito ou Índia, por exemplo, não serviria. Tinha de nascer naquele pequeno país.

       Além de tudo isso, Sua terra natal também tinha de ser designada com precisão em um lugar real; uma pequena cidade que não tivesse mais do que uma estalagem. As Escrituras são muito específicas e dizem que não havia lugar para Ele na estalagem (Lc 2:7). Não é possível ir a Nova Iorque ou Chicago, por exemplo, e dizer que não havia acomodação de hotel. Você poderia dizer: “Não consegui quarto em nenhum hotel”, já que há vários estabelecimentos desse tipo.

       Na pequena Belém de Judá, foi falado que não havia acomodação para Ele na estalagem. Só havia uma estalagem, e eles raramente faziam uso dela. Porém, aconteceu que precisaram usar uma naquela ocasião, por causa de um decreto de César Augusto. Então, Jesus teve de nascer naquela cidadezinha (Lc 2:1_7).

      Se estivéssemos encarregados do nascimento do Messias, nós O teríamos feito nascer em Roma, por ser a cidade eterna, ou então O teríamos feito nascer em Atenas, certamente, por ser a cidade dos pensadores. Teríamos escolhido uma capital de algum modo grande e importante o suficiente para se impor na consciência humana.

       Deus trabalha de modo silencioso, quieto e modesto. Ele está virando o mundo ‘de cabeça para baixo’, mas faz isso tão silenciosamente que ninguém percebe. Seu Messias nasceu na pequena Belém de Judá. Vale ressaltar que as cidades de Judá não eram muito grandes; somente Jerusalém podia ser considerada uma megalópole. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.”
 (Mq 5:2).

       João Batista conhecia tudo isso, mas ainda não bastava. Muitos homens nascidos da semente de Abraão estavam vivendo naquela época. Homens descendentes do Leão de Davi estavam vivendo naquele tempo. Não sei se havia algum nascido em Belém, mas pode ter existido.

       Quando Jesus se apresentou às margens do Jordão, houve algo diferente acerca do homem, mas não uma diferença suficiente. João olhou para, sentiu-se inferior e disse: ”Não acho certo batizar você. Acho que você deve batizar-me”. Ele ainda não sabia quem era Aquele homem, e nosso Senhor disse: “Porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3:15b).

       Quando Jesus foi batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele, e João disse: E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. (Jo 1:33). Assim, Jesus passou por todos aqueles rígidos testes.

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

A.W. Tozer

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Sua busca, nosso resgate

Jo 6:2

“E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos”.

       Quando você vê Jesus nos evangelhos, geralmente Ele está rodeado de gente. Houve uma exceção, quando Ele se retirou e foi com os seus discípulos ao monte. Isso foi típico dAquele que veio andar entre os homens para ser o Salvador da humanidade.

       Aceitamos tantas coisas como naturais na Bíblia e não reservamos tempo para perguntar sobre elas. Com isso, deixamos de adquirir a ajuda que nos seria dada se fizéssemos a pergunta: “Por que Ele estava constantemente com as pessoas?”. A pergunta torna-se mais vívida quando percebemos que toda lógica está contra Ele estar com Elas. Observe quem Ele era e quem eram elas. Você verá que a lógica e o senso comum, a expectativa baseada na razão, estariam do outro lado. Esse era o Jesus, que João descreveu tão cuidadosamente para nós no primeiro capítulo, como sendo o Verbo que Se fez carne (Jo 1:14). Antes do princípio e no princípio, Ele era Deus, e ainda é Deus; da eternidade, Ele tinha contemplado Deus e Ele mesmo tinha recebido a adoração dos poderes celestiais.

SUA BUSCA, NOSSO RESGATE

       Jesus levou nossa tristeza, nossa dor, nossos pecados, nosso futuro e nosso destino e carregou-os no seu coração e sobre os Seus ombros, e não houve retorno a partir disso (Is 53:5_6). Ele deixou a Terra, mas não deixou a humanidade; Ele levou a sua humanidade junto de Si para a Divindade, e ambos estão à direita de Deus. O irmão mais velho tinha vindo resgatar os irmãozinhos.

       Alguém uma vez me censurou por dizer no rádio que Jesus foi o nosso grande Irmão. Ele disse que eu nunca deveria ter falado isso. Não discuti, mas não deixei de dizer que a Bíblia relata que ele é o Primogênito entre muitos irmãos (veja Rm 8:29). Os irmos foram perdidos, mas o primogênito veio e os encontrou. Em outras palavras, o Pastor veio aqui buscar Suas ovelhas.

       A razão diz ao pastor: “Por que você está aqui nas trevas entre as sarças? Olhe para a sua veste, está rasgada. Por que existe um arranhão no seu queixo e outro na sua mão? Por que você está aqui? A noite está descendo, há feras ai fora”. A lógica diz: “Você não devia estar aqui. Daqui a 3 km, há uma cabana. Naquela cabana, então sua mulher e seu três filhos, todos esperando por você. Há uma chaleira no fogão, leite na caneca, o jantar esperando. Por que você está aqui?”. E ele diria: “Em alguma caverna, estão as ovelhas, e é por isso que eu estou aqui”.

       É toda a razão e toda lógica de que preciso. Os filósofos dizem que um homem  deve voltar para casa à noite. Voltar para onde existe uma cama, uma mesa e um calor suficiente. A lógica diz que Deus não podia estar aqui, mas Ele estava. O Pastor veio para o rebanho. Onde mais o Pastor encontraria as ovelhas? Se as ovelhas pudessem chegar até Ele, não seria necessário ele ter vindo. Porém, como não podiam ir até Ele, Ele veio até elas. A maravilha da encarnação foi mais do que uma proposição teológica. Foi um ato altamente emocional.

       A razão diz: “Por que o Santíssimo estaria entre os mais pecadores? Por que o Altíssimo estaria entre os inferiores? Por que o Deus da glória estaria entre homens da vergonha?”.

       Ele nunca responde. Ele diz que uma ovelha está perdida e que Ele a está buscando. Isso é tudo! Nenhuma das redimidas soube como foi profunda a água pela qual Ele atravessou ou como estava escura a noite que o Senhor passou para encontrar Sua ovelha perdida. “No deserto, Ele ouviu seu grito; doente, desesperada e pronta para morrer”. Assim escreveu Elizabeth Clephane1, no hino The ninety and nine [As noventa e nove]:

Havia 99 seguras

No abrigo do rebanho,

Mas uma estava fora, nos montes,

Longe dos portões de ouro,

Longe do cuidado meigo do Pastor,

Longe do cuidado meigo do Pastor,

Longe do cuidado meigo do Pastor.

Senhor, tu tens aqui 99,

Não são suficientes para Ti?

Mas o Pastor respondeu:

“Essa minha ovelha afastou-se de Mim,

E, embora a estrada seja difícil e íngreme,

Vou ao deserto encontrar minha ovelha,

Vou ao deserto encontrar minha ovelha”.

Mas nenhuma das resgatadas soube

Como eram profundas as águas atravessadas,

Nem como estava escura a noite

Que o Senhor passou

No lugar em que encontrou Sua ovelha perdida.

No deserto, Ele ouviu seu grito;

Doente, desesperada e pronta para morrer,

Doente, desesperada e pronta para morrer.

Senhor, de onde são essas gotas de sangue por todo o caminho,

Que marcam uma trilha na montanha?

Foram derramadas por uma que se afastou,

Antes que o Pastor a trouxesse de volta.

Senhor, por que Tuas mãos estão assim arranhadas e dilaceradas?

Foram perfuradas esta noite por muitos espinhos,

Foram perfuradas por muitos espinhos.

E pelos montes, por tempestades violentas,

E no alto do abismo pedregoso,

Levantou-se um brado feliz do portão do céu:

“Alegrem-se! Encontrei minha ovelha!”

E os anjos ecoavam ao redor do trono,

Alegrem-se, porque o Senhor traz de volta os Seus!

Alegrem-se, porque o Senhor traz de volta os Seus!

 

Jo 3:16

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Você pode pesquisar as bibliotecas do mundo inteiro e investigar todos os livros em todas as línguas, mas nunca encontrará um texto que se compare a João 3:16. Mesmo que você reúna as grandes mentes de todos os filósofos, pensadores e escritores desde o princípio dos tempos e os coloque juntos em uma sala, todos os seus talentos combinados não conseguiriam produzir um texto que signifique tanto para a humanidade. Não digo isso de modo descuidado, mas afirmo ponderadamente e com grande convicção, depois de uma vida inteira lendo, pensando e orando.

A.W. Tozer

1Elizabeth Clephane (1830-1869) foi uma autora escocesa de diversos hinos cristãos.

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A Maravilha e o Mistério da Identificação do Cristo

A.W. Tozer

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Olhe para a santidade

Jo 14:10_11

“Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra.

Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras.”

      Se aprendemos algo com a História, sabemos que nenhuma nação se levantou acima da sua religião. Não acho que seja muito difícil provar essa afirmação. Quer a nação seja pura ou impura, superior ou inferior, ela depende da espécie de religião que tem.

       Durante um tempo, pode parecer que uma nação seja maior do que a sua religião. Pode, inclusive, ter uma religião inferior e, mesmo assim, atingir altos níveis. Nas qualidades que dizem respeito ao melhor da nossa humanidade, nenhuma nação conseguiu levantar-se acima da sua religião. …

       Uma segunda coisa é que nenhuma religião subiu mais alto do que seu conceito de Deus. Isso é o mais vital que pode ser conhecido sobre qualquer igreja, qualquer homem e nação. Toda religião, elevada ou não, pura ou impura, nobre ou pagã, depende totalmente do que ela pensa sobre Deus.

       Existiram no passado religiões pagãs que, embora não fossem cristãs – não eram redimidas –, conseguiram ter uma sociedade e alguma espécie de adoração pagã estáveis porque tinham um conceito elevado de Deus. Se tiverem um deus básico, terão uma religião básica. Se tiverem um Deus superior, terão uma religião elevada.

       Estou falando das religiões que não crêem em Jesus como o Salvador. Tem havido grandes religiões, mas todas elas têm sido dependentes do seu conceito de Deus. Um conceito elevado do altíssimo significa que todos os homens lutarão por coisas mais elevadas e farão o melhor que puderem, mesmo que estejam fora de Cristo e não tenham nascido de novo. Embora não sejam redimidos, tentarão algo melhor, se seu conceito de Deus for mais elevado.

OLHE PARA A SANTIDADE

       A terrível paródia com a qual nos deparamos hoje é o cristianismo sem santidade. Se você diz que aceita Jesus, mas leva uma vida desregrada, você não aceitou Jesus coisíssima nenhuma. Você é um homem iludido, pois não é melhor do que quando não tinha ouvido falar de Deus. As primeiras qualidades do cristianismo são santidade, pureza e retidão de vida, de pensamento e de aspirações. Temos um cristianismo hoje sem santidade. O Filho de Deus foi um Filho santo, o Pai é o Pai santo no Céu, e o Espírito Santo é o Espírito Santo. Nossa Bíblia é a Bíblia Sagrada, santa, e a Igreja é chamada da santa. O Céu é santo, e os anjos também são santos. Por conseguinte, devemos levar a sério a doutrina bíblica da espiritualidade e da santidade. As igrejas evangélicas resvalaram, de certa forma, para a sujeira.

       Jesus amava a todos. Ele os amava de um modo tranqüilo, sereno e maravilhoso. As pessoas iam até Ele, e isso tornava aqueles teólogos fariseus tão malignos quanto o diabo. Eles deveriam se perguntar por que as pessoas não iam até eles. Não os seguiam porque não encontravam calor humano. Um pássaro, por exemplo, sempre irá para o lado quente do telhado no começo da primavera. Uma codorniz costumava voar ao redor da casa na fazenda quando período de neve se findava. Você poderia andar pelo lado do monte onde estava a neve e não encontraria nenhum pássaro. No entanto, se subisse o monte e descesse onde o sol estava brilhante, encontraria uma ninhada de filhotes de codornizes esperado pelo calor. Todos gostam do sol quente quando está frio. Jesus atraia as pessoas porque ele era Deus andando ao redor, agindo como Deus em amor. As pessoas não iam com os fariseus porque estes não tinham amor. Eram fogo extinto no fogão. Ninguém quer ficar ao redor do fogão quando o fogo se apaga.

       Muitos não conhecem a alegria que costumávamos ter na fazenda, no inverno. Ligávamos um pequeno fogão a lenha arredondado até que estivesse bem quente, a ponto de ficar vermelho como um tomate. Você vinha meio congelado, esquentava as costas na cadeira e punha os pés naquela proteção ao redor do fogão. Não era tão quente, não a ponto de queimar os sapatos. Nenhum aparelho moderno podia superar aquele prazer tão simples. Hoje em dia, colocam-se saídas de ar quente embutidas na parede e fazem toda espécie de sistema de aquecimento. É mais conveniente, admito, mas falta graça, de alguma maneira. Você não pode simplesmente se encantar por um aparelho.

       Ninguém vai ao fogão quando o fogo se extingue. Jesus tinha amor em seu coração, e o amor é sempre quente. O amor é sempre atrativo. As pessoas vão às igrejas onde existe calor. Vão até os cristãos que são amigáveis.     

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

***A importância do conceito adequado a respeito de Deus***

A.W. Tozer

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O lado trágico de Cristo fazer-se carne

Jo 1:11

“[Ele]Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

      Como é maravilhoso Deus ter vindo em carne, habitado entre nós e caminhado entre nós. Seguramente, isso esta repleto de prodígio e mistério, mas há um lado da Sua vinda mais trágico do que Willian Shakespeare poderia descrever com suas habilidades.

        Estas duas palavras, [Ele] veio, têm um fascínio maravilhoso sobre mim. No início do evangelho de João, descobrimos o que Cristo estava fazendo antes da criação do mundo. João usa palavras muito simples: “Ele estava”, “nEle estava”, “Ele estava com”, “Ele era Deus”, “Ele estava em’. Embora sejam palavras muito simples, são a raiz da Teologia e de toda a verdade. Depois, em João 1:11, pela primeira vez nos é dada uma sugestão da encarnação. [Ele] veio é a primeira indicação. Antes disso, tinha estado no passado eterno ou existido desde a criação, mas antes da encarnação. “Nele estava a vida”, “no princípio Ele era”, “no princípio era Deus”, “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”, “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo”.

       Não consigo afastar-me da maravilha destas palavras: “[Ele] veio”. A história da piedade, da misericórdia e do amor redentor está toda aqui. Toda a piedade que deus é capaz de sentir, toda a misericórdia que Ele é capaz de demonstrar e toda a graça redentora que ele podia derramar do Seu coração estão no mínimo sugeridas nessas duas palavras simples. As esperanças, aspirações, os desejos e sonhos de imortalidade que residem no peito humano tiveram seu cumprimento nessas duas palavras.

       Imagino que isto nos deva sugerir que; (1) a simplicidade é sempre melhor; (2) é possível dizer mais com palavras curtas do que com as longas e (3) a brevidade derrota a enxurrada interminável da prolixa fala a que são dados os pregadores. A Bíblia diz: “[Ele] veio”; com isso, vieram todas as esperanças da humanidade. O homem sempre foi uma criatura esperançosa.

       Em Essay on man [Ensaio sobre o homem], Alexander Pope escreveu; “A esperança jorra eternamente no peito humano. O homem nunca é, mas sempre será abençoado”. Ele capturou a essência do que está sempre presente no peito humano. O homem no seu pior dia, arrastando-se na sujeira e deitado no chiqueiro, possui um coração que aspira a coisas melhores. O filho pródigo que estava no chiqueiro lembrou-se da casa do pai e disse: “O que estou fazendo aqui?” O ser humano pode ficar lá e nunca se levantar, mas sempre aspira; ele se lembra. Toda a humanidade tem sonhos de imortalidade.

       Ninguém quer ouvir: “Os restos mortais de Fulano serão enterrados na travessa Tal”. Existe algo em nós que luta contra a morte até o amargo fim. Nossa mente não a aceitará. Todos sabem que vão morrer, mas não acreditam que isso realmente lhes possa acontecer. Toda a humanidade abriga esperança de imortalidade e sonhos de uma vida futura. De onde veio esse sonho? Porque ele invade toda a humanidade? Muito simples: porque fomos criados à imagem de Cristo. Sepultado no interior da nossa alma criada, está o eco da imortalidade. Tudo se resume a estas duas palavras: “[Ele] veio”, que ocupam um pequeno espaço de uma linha. Contudo, o que Ele nos diz aqui é mais profundo do que toda a Filosofia.

       Reúna em um único lugar toda a grande Filosofia de todas as culturas, desde o começo dos tempos, e nenhuma delas remotamente se aproximará da maravilha e da profundidade das palavras “[Ele] veio”.

       Altamente subestimadas, essas palavras são mais bonitas e eloqüentes do que toda a oratória, são mais musicais do que toda a música e mais líricas do que todas as canções, porque elas nos dizem que nós, que estávamos em trevas, fomos visitados pela Luz. Eu gostaria que, quando cantássemos Jesus é a luz do mundo, tivéssemos no rosto um olhar que faria o mundo crer que dizemos a verdade. Gostaria que ficássemos tão estimulados com isso quanto os da Antiguidade.

       John Milton1 celebrou a vinda de Jesus ao mundo no poema On the morning of Christ’s nativity [Na manhã do nascimento de Cristo], uma das odes mais lindas já escritas:

Este é o mês, e esta, a manhã feliz

Em que o Filho do Rei eterno dos céus,

Nascido de moça grávida, de mãe virgem,

Nossa grande redenção de cima trouxe.

Pois assim cantaram os santos sábios,

De que Ele nos libertaria da nossa perda mortal,

E, com Seu Pai, operaria em nós paz perpétua.

 

Aquela Forma gloriosa, aquela luz insuperável

E aquela Majestade que brilha desde longe,

Com que Ele Se habituou na Mesa do Conselho dos Céus,

Para assentar-Se na Unidade Trina,

Ele deixou de lado, para estar conosco aqui.

Abandonou as Cortes do dia eterno,

E escolheu casa lúgubre de barro mortal, como a nossa.

       Essa foi a descrição que Milton fez da encarnação, e eu me deleito com sua beleza.

       Embora “[Ele] veio” carregue em si fascínio e prazer que ultrapassam qualquer descrição, João diz posteriormente que Ele veio “para o que era Seu”. Tão rica e linda quanto a primeira parte, essa dá um passo adiante. A palavra seu é a mesma da nossa língua. Contudo, é completamente diferente quando usada por João. A primeira palavra seu é traduzida como suas próprias coisas. Seu próprio mundo, seu próprio lar. “[Ele] veio para seu próprio mundo; “[Ele] veio para aqueles de quem tinha posse”: “[Ele] veio para Suas próprias coisas”.

      Uma tradução diz: “[Ele] veio para o seu lar, mas seu próprio povo não o recebeu”. Aqui, “Seu próprio” quer dizer que: “[Ele] veio ao seu mundo, e seu próprio povo não soube quem Ele era e não lhe recebeu”. A premissa aqui é: “[Ele] veio para o seu próprio mundo”, pois este é o mundo de Cristo. Este mundo em que nós compramos, vendemos, caminhamos sem rumo, abusamos do poder e tomamos pela força das armas –este mundo é o mundo de Cristo. Ele o fez e o possui por completo.

       Certas pessoas acham o máximo Deus ser “o convidado de honra hoje à noite”. Às vezes, vão longe demais e dizem: “Deus é nosso parceiro sênior”. Isso, claro, é totalmente ridículo. Aqueles que proclamam que Deus é seu parceiro sênior gerem um negócio e, além disso, só se sentem satisfeitos quando o nome deles está escrito na porta. Nosso Senhor Jesus não é um convidado, tampouco um parceiro sênior. Ele é aquele que possui tudo!

  • Perto do natal, as pessoas falam palavras bonitas sobre o bebê Jesus até a mídia secular bajula o Cristo criança com ar condescendente. No entanto, Ele não precisa da nossa condescendência e de alguém que aja como Seu relações-públicas. Ele não é um convidado, mas o anfitrião, e nós somos os convidados. Estamos aqui por seu consentimento e por sua bondade. Estamos neste mundo porque ele nos fez e nos trouxe aqui. Este mundo é dEle. Ele pode fazer o que quiser com o mundo, e ninguém pode censurá-Lo. Ele pode fazer o que desejar com a vida, a morte e a natureza. Ele pode fazer o que quiser naquele tempo catastrófico que chamamos de juízo.
  • Embora pareça estranho que algumas pessoas pensem nisso, Jesus não precisa da nossa defesa nem que nos desculpemos por Ele. É bem capaz de defender-se e falar por si. Um deus que criou todas as coisas, inclusive o chão em que pisamos e no qual construímos nossas habitações temporárias, não precisa de gente que corra por aí se desculpando por Ele.
  • Ele também não precisa que alguém assuma Sua parte, dizendo: “Ei, espere um minuto! Não é isto que Ele quer dizer. Ele enviou juízo sobre Sodoma e Gomorra, mas não foi bem assim; isso quer dizer algo mais”. Quer dizer exatamente o mesmo, e , quando o Deus Onipotente fez da mulher de Ló uma coluna de sal, quis dizer exatamente isto. Quando a Bíblia nos conta que existe um inferno para onde o s ímpios estão indo, ela quer dizer exatamente isto, e não outra coisa.
  • Deus não precisa de mim nem de mais ninguém para esse assunto. Ele não quer que ninguém se levante e se desculpe em Seu lugar, tentando esclarecer as coisas de tal forma que o mundo compreenda. Meu papel é arrastar-me até Seus pés, como um pecador cheio de feridas e dizer: “Toca-me e cura-me”. Ergo-me, olho para o céu e digo: “Antes eu era pecador, mas agora sou redimido; o Senhor me salvou. Agora sou Seu filho e posso manter a cabeça erguida”.
  • Deus fez este mundo no qual vivemos, portanto, o mundo é dEle. Se sou cristão, então este é o mundo do meu Pai. Pertence a Trindade. Não é meu, e eu vivo aqui pela boa graça divina. Todas as coisas com que lido e tudo em que toco pertencem ao meu pai. Todo o ar, os ventos, as nuvens, o milho, a seara de trigo ondulante, as florestas altas e nobres, os rios que correm – são todos dEle.

       George Campbell Morgan, em seu livro The crises of the Christ [As crises de Cristo], mostra que muitas pessoas fazem um conceito errado de Jesus no deserto. Quando Ele foi para lá a fim de ser tentado pelo diabo, ficou naquele local durante 40dias e 40 noites, com as feras selvagens. Morgan disse que havia um conceito errôneo sobre isso. Temos pena dEle e imaginamos como o Mestre suportou estar com as feras. Imaginamos que estas poderiam ter desejado atacá-lo e Ele tenha necessitado de proteção de anjos.

       Morgan afirmou com muita propriedade: “Não, não foi verdade. As feras reconheceram seu Rei e rastejavam aos seus pés; elas o lambiam, sem dúvida, e deitavam-se ao lado dEle. Reconheceram seu Senhor e Criador. O leão abanou a juba e ajoelhou-se ao lado daquele que lhe dera a vida. O mesmo urso que poderia ter devorado qualquer pessoa ajoelhou-se e bramiu aos pés do homem que estava jejuando por 40 dias e 40 noites.

       Em vez de ter pena de Jesus pelas horas terríveis que Ele passou com as feras, devemos lembrar que Ele estava perfeitamente a salvo ali, pois nenhuma garra afiada arrancaria a pele do homem que Era Deus. O próprio vento soprou para Seu prazer. Ele cresceu em estatura e sabedoria. A própria terra, na qual Ele caminhava, sorria. As estrelas, à noite, olhavam para baixo, para a cabana do carpinteiro humilde. Ele estava em harmonia com a natureza. O mundo natural não estava contra ele, somente o mundo humano.

       Como cristão, é inteiramente possível estar mais em harmonia com a natureza do que o mundo não salvo. São Francisco de Assis estava em harmonia com a natureza, e o mundo admirava-se por causa dele. Alguns riam, zombavam, e outros levantavam a sobrancelha e perguntavam se ele era mentalmente são. Na verdade, São Francisco estava tão completamente sujeito a Deus, repleto por dentro e tomado pela presença do Espírito Santo, que toda a natureza era sua amiga.

       A Bíblia diz: Até as estrelas desde os lugares dos seus cursos pelejaram contra Síse ra (Jz 5:20b). Se as estrelas, em seus cursos, pelejaram contra o inimigo, então aquelas mesmas estrelas pelejam a favor do amigo de Deus. Acho que é possível estar tão sintonizado com o Altíssimo, que as próprias estrelas e seus cursos ficam do nosso lado. A natureza sorri e reconhece seu rei. Deus, que fez Adão, disse: “Agora você vai tomar conta de tudo”. No entanto, o pecado entrou, e tudo naufragou. Quando o pecado é removido, posso compreender por que São Francisco pregava aos pássaros, chamava o vento e a chuva de seus amigos, a lua de sua irmã, e teve uma vida prazerosa, porque o mundo abençoado de Deus o recebeu.

       Veja a humanidade hoje; quantos carregam fardos com um senso profundo de vergonha? Do que estão envergonhados? Que negócio é esse de nós, que fomos criados à imagem de Deus, ficarmos envergonhados? Devemos nos envergonhar apenas do pecado, e não do mundo que Deus criou.

       Se o pecado fosse removido do mudo, não haveria medo nem do que se envergonhar. Nunca haveria doentes, ninguém seria vítima de crime hediondo. Não haveria criminoso atrás das grades ou gente mentalmente insana vivendo em manicômios. Não haveria evidência do mal. Se você removesse o pecado do mundo, deixaria sua casa sem precisar trancá-la. Poderia levar o dinheiro no bolso da calça e não colocaria em um banco atrás de guichês, com um policial vigiando. Poderíamos andar em qualquer local da cidade, sem medo de ataque, se ao menos pudéssemos remover o pecado do mundo.

       No relato do Evangelho, vemos que Jesus nunca ficou doente nem nada estava errado com Ele, O Senhor levou um corpo perfeito ao Calvário. Embora levasse todas as nossas enfermidades, elas foram, em primeiro lugar, lançadas sobre Ele. O Deus Todo-Poderoso levou o barril nojento do suco venenoso chamado pecado, que borbulha e vicia, e o derramou sobre o corpo de Jesus. Ele morreu sob o peso de nossos pecados e nossas enfermidades, mas nunca pecou nem teve doença alguma.

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

A.W. Tozer

Graça EDITORIAL

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Peixe como símbolo do Cristianismo, Por quê?

  • O peixe é um símbolo do cristianismo e muito usado em igrejas e representações religiosas; mas o porquê desse simbolismo por traz dessa figura? Temos muitos versículos nos evangelhos do novo Testamento, porém não temos como afirmar que foi esse o motivo que transformou o símbolo numa figura tão forte e importante para o cristianismo como foi e o é nos dias de hoje.

peixe como simbolo do cristianismo - logos princípios do reino

Nos tempos de Jesus e em Israel o peixe era algo muito comum na cultura existente, alguns dos próprios discípulos, foram pescadores, mesmo após seguirem a Jesus, pois O mesmo os intitulou “Pescadores de homens” (Mt 4:19), para que com as técnicas da pesca, detalhes que se aprendia apenas com o tempo de exercício na atividade, eles se tornassem pescadores de almas para o Reino; o mesmo símbolo também encontramos nos milagres ocorridos através das mãos de Jesus, quando houve a multiplicação que alimentou multidões, nos recordando que tudo é possível ao que crer.

 

A figura já teve uma variedade de significados e importâncias no decorrer da história, sendo um dos símbolos mais fortes e antigos do cristianismo, começando a ser utilizado mais ou menos no final do século 1 DC, e muito provavelmente antes da cruz, ele era usado pelos cristãos como meio de identificação entre eles nos tempos de perseguição do Império Romano, significando um sinal secreto de fé, quando um cristão encontrava outra pessoa que julgava professar a mesma fé, ele desenhava o arco ao contrário, formando assim a metade do peixe, e caso o julgamento fosse correto, o outro completava com a outra parte do arco, formando assim a figura de fé e esperança num Cristo Vivo.

O símbolo foi oficialmente associado ao cristianismo, tornando-se algo de uma grande intolerância para o estado Romano, onde por causa desse símbolo, muitos cristãos eram severamente punidos, torturados e mortos.

Mais por que o Peixe como símbolo do cristianismo?

Significado

Quando você era criança você certamente já deve ter brincado disso, é o que chamamos de “Acróstico¹” quando você pega um nome, e em cada letra do nome você descreve uma palavra, foi assim que fizeram com a palavra Peixe.

A palavra grega para peixe é “ΙΧΘΥΣ” “ICHTHYS” ou “ICHTHUS” (do grego antigo ἰχθύς, em maiúsculas ΙΧΘΥΣ ou ΙΧΘΥC, significando “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador“) e as suas letras formam o acrônimo (IESOUS + CHRISTOS +THEO +HYIÓS + SOTER ), (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), que era escrita com uma palavra abaixo da outra, formando-se o acróstico ichthus (peixe). É um símbolo que consiste em dois arcos que se cruzam para formar o perfil de um peixe, sendo um dos símbolos mais antigos do cristianismo.

Trata-se de um acrônimo, utilizado pelos cristãos primitivos, da expressão “Iēsous Christos Theou Yios Sōtēr”, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” (em grego antigo, Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ ͑Υιός, Σωτήρ). Foi um dos primeiros símbolos cristãos, juntamente com o crucifixo e continua a ser usado pelas igrejas cristãs.

Histórico

Ichthys também era utilizado para marcar catacumbas cristãs na época da perseguição aos cristãos, pois era um símbolo que não era tão explicitamente cristão (como a cruz, por exemplo). Outra utilidade era o uso para comunicação: um cristão marcava um lugar com uma meia-lua para baixo, se o outro também fosse cristão, marcava a meia lua para cima, formando o símbolo também era desenhado por crianças nas portas de casa para que mostrasse aos outros cristãos que aquela era uma casa de família crista.

Acróstico ΙΧΘΥΣ/Peixe.

  • I – Iota de Iesous – Jesus em grego
  • X – Chi de Christos – Cristo em grego
  • È – Theta de Theou – Deus em grego
  • Y – Upsilon de Yios/Huios – Filho em grego
  • Ó – Sigma de Soter – Salvador em grego

peixe como simbolo do cristianismo ICHTHYS, logos princípios do reino

Vocábulo:

¹ Os acrósticos são formas textuais onde a primeira letra de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase. Podem ser simples, com frases ou palavras que não tenham ligação entre si ou podem mesmo ser o encerramento de uma poesia . – Wikipedia

Ichthys

Ichthys, ou símbolo do peixe, representa o Cristianismo.

Uma outra versão contendo o acrônimo ΙΧΘΥΣ.

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Descanso – O Silêncio também é resposta

LINDO FUNDO MUSICAL PARA ORAR E REFLETIR

É tempo de descansar. Brevemente retornarei com uma sequência de novas postagens  e/ou postagens revisadas e atualizadas. Neste ínterim quem acessar o blog poderá clicar em qualquer link, pois há muitos textos e temas diversos para edificação e ensino bíblico.

Outrossim, estarei alterando após este período de descanso,  de 20 dias o tempo para liberação de novas postagens e/ou Revisões, atualizações e comentários nas postagens para cada 30 dias, intercalados.

É tempo de descanso

Cansaço é coisa séria!

Falar sobre cansaço é mais complexo do que pode parecer à primeira vista. Não existe apenas um tipo de cansaço, e ele tem causas e consequências diversas, além de diferentes níveis de intensidade. Pode inclusive mesclar-se àquela sensação de satisfação após a conclusão de uma difícil tarefa intelectual, depois de um árduo dia de trabalho no campo, ou após o cuidado exigente do filho recém-nascido.

Cansaço é coisa séria. Ele altera o modo como vemos as coisas e nos leva a agir de maneira diferente da que agiríamos se estivéssemos descansados. Parece que vivemos uma epidemia de cansaço – é o que dizem alguns estudos. Uma pesquisa IBOPE Inteligência realizada há alguns anos apontou que 98% dos brasileiros dizem ter algum nível de cansaço físico ou mental. Os jovens – entre 20 e 29 anos – são os mais cansados: 99% dos entrevistados nessa faixa etária afirmaram estar exaustos.

Certamente todos nós temos experimentado algum tipo de cansaço e nos identificamos com o cântico do povo de Judá: “Os carregadores já estão cansados, e ainda há muito entulho para carregar. A construção desta muralha quando vamos terminar?” (Ne 4.10). Graças a Deus, podemos contar com as promessas de cuidado e de renovação de forças e com os expedientes que o Senhor criou para vivermos uma vida plena. Podemos começar resgatando e ampliando o significado do mandamento do repouso sabático: “Nestes dias difíceis, formemos o hábito de dar ‘domingos’ à nossa mente; momentos nos quais ela não faça trabalho algum, mas simplesmente esteja quieta, olhe para cima e se estenda diante do Senhor como o velo de Gideão – para ficar embebida do orvalho do Céu” (Mananciais no Deserto).

 

https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/380/cansaco-e-coisa-seria

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Quero conhecer o seu perfil – vale mais de uma opção – É anônimo

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BIOGRAFIA – Jacó Armínio

Uma breve história sobre Armínio, e o arminianismo.

I-ARMÍNIO E O LIVRE-ARBÍTRIO

Breve histórico de Jacó Armínio

Jacob Harmensen, (*1560-1609) que transliterou seu nome para o latim transformando-se em , Jacobus Armínius, em português – Jacó Armínio, também é conhecido nos países de língua portuguesa, pela versão inglesa de seu nome – James ou Jacob Arminius.

Nascido em na cidade Holandesa de Oudewater, numa ambiência totalmente calvinista, estudou em Leyden, na Universidade Marburg (1575-1581) recebendo o título de doutor em teologia, na Basiléia (1582-1583), e em Genebra na Suíça (1584-1586).

Nem sempre Armínio nutria as idéias que hoje são conhecidas como arminianismo, era ele, um adepto do calvinismo, sendo inclusive, influenciado por Teodoro de Beza o sucessor de Calvino.

A controvérsia se deu, não por uma sublevação direta de Armínio, pelo contrário, a princípio o teólogo de Leiden preparou-se, por escolha de um sínodo local, a defender e teologia reformada, professada pela Igreja Holandesa, que vinha sendo atacada pelo teólogo Dirck Koornhet tendo como alvo principal de seus ataques, a doutrina da predestinação absoluta.

No afã de responder com propriedade as assertivas de KoornhetArmínio se lançou a pesquisas tendo como fonte de pesquisa, além das Escrituras, as obras teológicas dos Pais da Igreja. Todo esta empresa, produziu um efeito contrário, ou seja, Jacó Armínio terminou sua pesquisa corroborando as teses de Dirck Koornhet .

Sua principal característica é a defesa do livre-arbítrio humano. Por esse posicionamento, enfrentou forte oposição, perseguição e falsas acusações por parte dos teólogos calvinistas. Entretanto, esse teólogo holandês sempre apresentou uma postura tolerante e não combativa, embora convicto de suas opiniões.

O problema não terminou por aí, alias, absorver as idéias contrarias a teologia dominante, foi apenas o início. Exercendo o ofício pastoral (1588-1603), e nas atividades de professor em Leydem, a partir de 1603, suas questões começaram a ser publicamente divulgadas. Nas publicações de suas idéias e no conseqüente choque com a ala reformada mais radical, principalmente na figura de Franciscus Gomarus, que fora seu professor, que antojou o antiarminianismo, começou na vida de Armínio, uma intensa e enfadonha perseguição teológica e intelectual.

Uns dos pontos centrais da divergência de Armínio e Gomarus, era na doutrina da predestinação, que segundo o primeiro, Deus conhecia de antemão aqueles que recepcionariam a graça de Deus, em Cristo Jesus, já Gomarus defendia que Deus só levava em conta sua absoluta vontade, predestinando assim aqueles que, por única e inquestionável vontade, decidiu eleger. Em 1607, essas diferenças foram transformadas em protestos por parte dos calvinistas, tendo o sínodo holandês convocado Armínio e Gomarus a exporem suas divergências – outra conferência foi agendada em 1609, sem nenhum avanço, sendo que neste mesmo ano, Armínio morreu de tuberculose.

A morte de Jacó Armínio, não esfriou a controvérsia, sendo o seu ideário defendido, principalmente por Johannes Uitenbogaard e Simon Episcopius.
Em 1910 a controvérsia desencadeou em um sínodo, conhecido como Sínodo de Dort. A primeira reunião do sínodo foi realizada no dia 13 de Novembro de 1618 e a finda, a 154ª deu-se no dia 9 de Maio de 1619.

Como já dito, ambiência teológica da Holanda era calvinista, sendo que até seu príncipe regente, Mauricio de Nassau, numa medida política, destituiu e imprimiu uma vil intolerância contra vários ministros arminianos, que, além de serem acusados de hereges, perderam suas propriedades e foram exilados. É importante lembrar também que a intolerância da Igreja Reformada Holandesa, sob o manto do estado holandês, também produziu morte, pois, Van Oldenbarnevelt foi executado. Hugo Grocio, um dos maiores juristas da história, foi condenado a prisão perpétua, mas, graças ao auxílio de sua esposa, conseguiu escapar escondido em um baú, aparentemente cheio de livros.

O calvinismo foi beneficiado pelo estado holandês, porque, estando a Holanda em guerra com a católica Espanha, acreditava Maurício Nassau que o sentimento calvinismo era mais eficaz para impedir que seus patrícios fossem influenciados pelo catolicismo da Espanha.

Com a morte de Maurício de Nassau, e a conseqüente perda de poder dos calvinistas, os arminianos conquistaram liberdade de expressão, e isso ocasionou na fundação de igrejas e do Seminário Remonstrante, existente na Holanda até hoje.

*Eleição divina e livre-arbítrio
“Na Bíblia temos tanto a pré-destinação divina como a livre escolha humana, em relação à salvação; mas  não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros à perdição eterna. […]. Por outro lado, a ênfase inconsequente à livre vontade do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas.”

1-Salvação e livre-arbítrio

Livre-arbítrio significa a tomada de decisão humana para a salvação conquistada por Jesus na cruz do calvário. A salvação é oferecida a todos os seres humanos indistinta e gratuitamente (Ap 22:17) e por uma escolha pessoal e livre de cada um. Todos os que o aceitam serão salvos e predestinados à vida eterna, pois Ele quer que todos sejam salvos (2ªPe 3:9). Essa maneira de pensar a Soteriologia é professada pelos pentecostais e teve sua origem em Jacó Armínio (1560-1609), sendo também explicada depois por JohnWesley (1709-91) e John William Fletcher (1729-85). Logo, com a teologia pentecostal, não necessariamente por não poder conviver com esta, mas especialmente porque  o calvinismo nega algumas dinâmicas do pentecostalismo, como será visto adiante, sendo, assim, irreconciliáveis. Essa declaração é necessária porque o calvinismo é, majoritariamente, cessacionista¹ (https://youtu.be/MIn74klWuKA). Portanto, de forma subjetiva, estão fazendo os pentecostais abdicarem da doutrina mais cara ao pentecostalismo, que é o batismo no Espírito Santo.

  • ¹Os cessacionistas não podem crer na revelação e inspiração interior porque isso vai contra suas teorias e teologias dogmatizadas e afirmadas há séculos. Essas teorias não têm mais respostas às perguntas modernas. Certamente que a ortodoxia é necessária, bem como a antiguidade dos preceitos religiosos diante da volatilidade e liquidez da atualidade, em que nada mais é estável, causando grande desconforto e insegurança nesse sentido. A religião cristalizada — nesse caso o calvinismo — é importante, pois estabiliza o sujeito e torna-se uma da últimas instituições não afetadas pelo pós-modernismo.  

       Os pentecostais também rejeitam a doutrina de Calvino por ela ser fatalista, muito acomodatícia quanto ao evangelismo, supondo certa injustiça em Deus, além de sugerir uma robotização humana; pode levar à acomodação quanto ao evangelismo, supondo certa injustiça em Deus, além de sugerir uma robotização humana; pode levar a acomodação humana quanto a santificação e ao empenho para a salvação de outros. Por isso, aproximam-se mais da doutrina de Armínio, mas isso não significa que toda a Teologia arminiana possa ser aceita sem qualquer problema. Este material, entretanto, não se propõe a encontrar estas falhas, mas simplesmente apontar a coerência existente entre a doutrina arminiana e a Teologia Pentecostal.

       É bom recomendar que não se façam disputas entre calvinismo e arminianismo, mas que se exercite a tolerância cristã e o respeito nas questões divergentes, que são muitas. Até porque os irmãos calvinistas são acusados por alguns, dada a ênfase fundamentalista de suas doutrinas, que são intolerantes; eles são levados ao orgulho espiritual por serem os predestinados;²   sua ação evangelística é quase nula e isolam-se das demais igrejas³. O calvinismo também confessa uma pureza doutrinária acimas das demais teologias evangélicas, pureza esta que acaba tornando-se um meio de auto-salvação.Apesar disso, há também, alguns pontos de contacto entre as doutrinas. Silas Daniel afirmou “que o calvinismo honra a Deus tanto quanto o arminianismo, claramente estou me referindo ao calvinismo majoritário, compatibilista (o outro extremo é o fatalista)”. Há pontos de contato especialmente no pentecostalismo mais popular, onde há “certo fatalismo quando se trata de ‘causas e consequências'”, especialmente diante de grandes tragédias. A frase “Deus assim quis” é muito comum sem levar em conta a lógica da afirmação em alguns contextos”.

  • ² Muito embora se afirme em alguns círculos pentecostais, especialmente no Brasil, que os calvinistas praticam o “parisitismo teológico”, ou seja, para sobreviver teologicamente e enquanto igreja, precisam firmar-se numa teologia diferente, eles nesse sentido, estão “evangelizando” os pentecostais. Deve-se destacar também que a ortodoxia cristã tem uma grande dívida para com a teologia reformada na luta contra as teologias liberais.
  • ³ Algumas correntes neocalvinistas podem ser mais moderadas e possíveis de um diálogo com pentecostais, mas não deixam de afirmar o cessacionismo.

Armínio escreveu que não poderia concordar com o calvinismo, chamando-o, então, de repugnante, tendo em vista algumas contrariedades que são: Deus jamais criaria algo, como a predestinação, para a condenação, com o propósito de não ser unicamente bom, ou seja, “que Deus criou algo para a perdição eterna para o louvor da sua justiça”; se Deus predestinasse alguém à perdição, seria para demonstrar a glória de sua misericórdia e da sua justiça, mas Ele não pode demonstrar tal glória através de um ato contrário à sua misericórdia e justiça, como a predestinação à condenação; se Deus condenasse os seres humanos desde a criação, Ele quereria o maior mal para as suas criaturas e teria predeterminado, desde a eternidade, o mal para elas, mesmo antes de conceder-lhes qualquer bem; assim, Deus quis condenar e, para que pudesse fazer isso, Ele quis criar, embora a própria criação é uma demonstração de sua bondade; entretanto, contrariando essa ideia espúria, Deus confere bençãos e benefícios sobre o mal e o injusto e até sobre aqueles que são merecedores de punição; o pecado é chamado de desobediência e rebelião; logo, Deus teria colocado alguns sob uma necessidade inevitável de pecar, o que seria impossível; a condenação é consequência do pecado; este entretanto, sendo causa, não pode ser colocado como meio pelo qual Deus executa o decreto ou a vontade de reprovação dos seres humanos; a predestinação tem um paradoxo intransponível, que é o fato de os pecadores destinados à condenação terem sido condenados antes mesmos de Jesus ter sido predestinado, muito embora Ele tenha sido morto desde a fundação do mundo para ser o salvador; isso desonra a Cristo e sua obra; se a salvação de alguns já tinha sido preordenada, Ele, então, foi apenas um ministro e um instrumento para dar-nos a salvação, assumindo um protagonismo secundário, e sua morte foi desnecessária, pois, quem fosse destinado à salvação teria sido salvo do mesmo jeito.

        Recentemente, tem havido uma aproximação ao calvinismo por parte de alguns pentecostais mais intelectualizados, mas isso se deve mais a uma lacuna pentecostal histórica quanto a educação teológica sólida, que deixou uma classe intelectualizada mais abandonada, do que propriamente a habilidade de fazer coadunar as duas teologias.

A ELEIÇÃO BÍBLICA É SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA

        Eleição é a escolha que Deus faz com grupos ou indivíduos com fins específicos determinados por Ele — no caso aqui abordado, para a salvação. Uma das palavras hebraicas para eleição, yãdha’¹,  tem uma conotação amorosa no sentido de que Deus elege não simplesmente por uma mera escolha, mas especialmente porque seus afetos levam-no a escolher as pessoas para a salvação. Essa mesma palavra é usada quando o Antigo Testamento refere-se a um casal que teve relações sexuais, ou seja, há um envolvimento de afetos. A eleição amorosa também está presente num tero grego usado por Paulo (Rm 8:29), proginõskõ, que expressa o sentido de que Deus amou de antemão. Tendo em vista esse amor, Paulo escreveu poeticamente: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome ou a nudez, ou o perigo ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:35_37). Assim, segundo a doutrina arminiana, Deus elegeu e destinou todos para a salvação (Jo 3:14_16; 1ªPe 2:9), “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:15).

       No Antigo Testamento, a eleição tem um significado mais específico do que no Novo Testamento. Exemplo disso é a escolha de Abraão e sua descendência, que, depois vieram a formar a nação de Israel. Deus chamou o patriarca e fez-lhe promessas, e este livremente respondeu o chamado; porém, diante dele, estava a possibilidade de não atender ao convite. A eleição de Israel (Is 51:2; Os 11:1) e alguns indivíduos dela, de maneira específica, é pontual na história porque Deus tinha o propósito de, através dessa nação, trazer o Salvador. Por ser uma eleição pontual, ela não pode servir de base, em se tratando de salvação, para estabelecer uma eleição absoluta e específica apenas para determinadas pessoas e outras não. A liberdade de escolha para obedecer que Deus deu para Israel e a desobediência e rebeldia do povo fizeram eles perderem algumas das bençãos prometidas (Jr 6:30; 7:29) , assim, servissem-nos de exemplo para não repetirmos os mesmos erros. (1ª Co 10:6,11).

        Por mais que pareça, a eleição não trouxe privilégios para a nação de Israel, mas, sim, responsabilidades. No entanto, por não conseguir cumprir sua parte na eleição, Israel nunca deixou de ser alvo do amor de Deus, embora sofresse as consequências (destruição da nação) por não agirem como povo escolhido.

        A eleição divina é o ato pelo qual Deus chama os pecadores para a salvação em Cristo e torna-os santos (Rm 8:29,30). Essa eleição é proclamada através da pregação do evangelho (Jo 1:11; At 13:46; 1ªCo 1:9), e Deus deseja que todos sejam salvos e respondam afirmativamente ao chamado para a salvação (At 2:37; 1ªTm 2:4; 2ªPe 3:9). Os que crerem serão salvos; os que não crerem, porém, serão condenados (Mc 16:16). Alguns, ao ouvirem o evangelho, se endurecem ainda mais em seus pecados (Jo 1:11; At 17:32) e perdem a oportunidade de salvação.

       Presciência é a capacidade que Deus tem de saber todas as coisas de antemão (At 22:14; Rm 9:23) e também de interferir na história humana(Ne 9:21; Sl 3:5; 9:4; Hb 1:3). Ele é soberano (Jó 42, provedor (Sl 104) e também sabe quem irá responder positivamente ao convite para a salvação (Rm 8:30; Ef 1:5). Ele proveu a salvação para todos, mas nem todos atendem ao seu convite, pois Ele mesmo, em sua bondade, deu para seus filhos a possibilidade da escolha. Assim, Deus cortou Israel (Mt 21:43 por escolha deles e enxertou os salvos em seu lugar, e foram esses salvos que se tornaram o Israel de Deus (Rm 11:17_24). Em sua soberania, estamos sob os cuidados e a presciência de Deus, mas também desfrutamos paradoxalmente da liberdade do livre -arbítrio dado por Ele, e isso aumenta a responsabilidade humana em obedecer aos seus mandamentos (Ap 3:20). “Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hb 10:38).

       Eleição é uma decisão de Deus desde a eternidade, mas é condicionada à vontade humana. Entretanto, essa vontade não prejudica em nada a vontade de Deus. Ele não é pego de surpresa diante da livre vontade humana, pois ele previu essa vontade. Podemos com toda a certeza afirmar que o que Deus predestinou foi, de fato, a vontade humana, no sentido de ela ser completamente livre, ou seja, Ele criou o homem determinando que este teria liberdade de escolhas. “Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade”(2ªTs 2:13).

       Antonio Gilberto ensina que “na Bíblia, mencionam-se a eleição divina coletiva, como a de Israel (Is 45:4; 41:8_9) e a da Igreja (Ef  1:4);e a individual, como a de Abraão (Ne 7:9) e a de cada crente (Rm 8:29).” Severino Pedro propõe outra forma. Ele classifica a eleição de quatro maneiras: preventiva, quando Deus usa de vários meios para impedir o mal na vida dos que são chamados e atendem à sua salvação (Gn 20:6); permissiva, que diz respeito às coisas que Deus não proíbe nem restringe, mas fica na vontade do homem (Dt 8:2); diretiva, que se baseia na vontade perfeita de Deus dirigindo a vontade humana (Gn 50:20); e determinativa, que é quando Deus decide e executa conforme a sua soberana vontade (Jó 2:2).

¹Outro termo hebraico utilizado é bãhar, que significa selecionar deliberadamente alguém.  

 2- O livre-arbítrio na Bíblia

       Deus nos criou à sua imagem e semelhança (Gn 1:26). Logo, por Ele ser naturalmente livre, também seus filhos possuem a faculdade de escolherem livremente. Por isso, o Criador sempre incentivou a nação a escolher o caminho da vida (Dt 30:19,20). Assim, segundo as Escrituras, se em Adão todos são predestinados para a perdição, em Cristo, todos são predestinados para a salvação: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim, todos serão vivificados em Cristo” (1ªCo 15:22; cf. Jo 1:12), pois, “se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, será salvo” (Rm 10:9).

       O livre-arbítrio é a possibilidade que os seres humanos têm de fazer escolhas e tomar decisões que afetam seu destino eterno, especificamente, se tratando da salvação. Isso quer dizer que cabe a cada um deixar-se convencer pelo Espírito Santo para ser salvo por Jesus ou não, embora Deus dê a todos a oportunidade. No jardim do Éden, o criador outorgou o livre-arbítrio ao homem (Gn 2:16, 17); a Israel deu também esta prerrogativa(Dt 30:19); e à humanidade o Altíssimo possibilitou escolha entre o caminho da salvação ou o da perdição (Mc 16:16).

A principal característica do arminianismo é o livre-arbítrio.

PONTOS BÁSICOS DA DOUTRINA DE ARMÍNIO

  1. A predestinação depende da forma de o pecador corresponder ao chamado da salvação. Logo, acha-se fundamentada na presciência divina; não é um ato arbitrário de Deus.
  2. Cristo morreu, indistintamente, por toda a humanidade, mas somente serão salvos os que crerem.
  3. Como o ser humano não tem a capacidade de crer, precisa da assistência da graça divina.
  4. Apesar de sua infinitude, a graça pode ser resistida.
  5. Nem todos os que aceitaram a Cristo perseverarão.

CONHEÇA MAIS

Eleição divina e livre-arbítrio

“Na Bíblia temos tanto a predestinação divina como a livre escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros à perdição eterna. […]. Por outro lado, a ênfase inconsequente à livre vontade do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas. “

II – ELEIÇÃO DIVINA E O LIVRE-ARBÍTRIO

1 – A eleição divina.

A eleição é uma escolha soberana de Deus (Ef 1:5,9) que tem como objetivo de seu amor todos os seres humanos (1ªTm 2:3,4). Não é uma obra que leva em conta o mérito humano, mas que é feita exclusivamente em Cristo (Ef 1:4). Em Jesus, Deus nos elegeu com propósitos específicos: para pertencer-mos a Cristo (Rm 1:6; 1ªCo 1:9); para a santidade (Rm 1:7; 1ª Pe 1:15; 1ªTs 4:7); para a liberdade (Gl 5:13); para a paz (1ª Co 7:15); para o sofrimento (Rm 8:17, 18); e para a sua glória (Rm 8:30; 1ªCo 10:31).

2 – Escolha humana e fatalismo

A graça comum (Rm 5:18) é estendida a todos os seres humanos, abrindo-lhes a oportunidade para crerem no Evangelho, o que descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus – Fatalismo: acontecimentos que operam independentemente da nossa vontade, e das quais não podemos escapar. Ora, a eleição de Deus não é destinada somente a alguns indivíduos, enquanto os outros, por escolha divina, vão para o inferno. Isso vai contra a natureza amorosa e misericórdia do criador. Por isso, indistintamente. Ele dá oportunidade para que todos se salvem (At 17:30, pois Deus não fz acepção de pessoas (At 10:34).

3 – A possibilidade da escolha humana

Há vários textos bíblicos que apontam para o fato de o ser humano ser livre para escolher:”todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16); o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6:37); “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10:13). Uma das coisas mais belas da Palavra de Deus é que, embora o altíssimo seja soberano, Ele não criou seus filhos como robôs autômatos milimetricamente controlados. O nosso Deus deseja que todo o ser humano, espontânea e livremente, o ame de todo o coração e mente.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

…’Se Deus leva em conta nossos pecados, porque não nossas súplicas?’ Isso significa que a oração, a súplica, move a Deus. Numa palavra, ‘Deus e o homem não se excluem mutuamente, como o homem exclui ao seu semelhante no ponto de junção, por assim dizer, entre Criador e criatura; no ponto em que o mistério da criação — infinito para Deus e incessante no tempo para nós — ocorre de fato’. Isso significa que, ‘Deus fez (ou disse) tal coisa’ e ‘eu fiz (ou disse) tal coisa’ podem ambos ser verdadeiros’. Esta, inclusive é a forma arminiana e pentecostal de crer. A soberania divina coexiste com o livre-arbítrio e qualquer tentativa de explicar como isso ocorre leva e equívocos e discussões desnecessárias.

       Abaixo, segue um quadro comparativo entre as três principais correntes da doutrina da salvação, quanto a vários temas que demonstram as tensões e questões conflitantes entre elas:

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CONCLUSÃO

       O Evangelho é um presente oferecido a todas as pessoas, independente de méritos pessoais. Por isso o Senhor convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28). Os que aceitam a esse convite estão predestinados a “serem conforme a imagem de seu filho”, Jesus Cristo (Rm 8:29). Deus deseja que todo ser humano seja salvo!

Lailson Castanha.

http://teologiaarminiana.blogspot.com.br/2009/01/uma-breve-histria-sobre-armnio-e-o.html

A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Livro de Apoio das Lições Bíblicas do 4ºT 2017 Adulto CPAD e Revista – Lições Bíblicas

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As Seitas e as Regras de Hermenêutica

por Prof. Paulo Cristiano da Silva

O que constitui uma heresia? Grosso modo, heresia é um ensino errôneo acerca da Palavra de Deus. Portanto, podemos afirmar que existe uma falha hermenêutica no amago da heresia. Quando as regras da sagrada hermenêutica são ignoradas, surgem os mais variados tipos de teologias particulares que muitas vezes levará a pessoa longe do conhecimento verdadeiro sobre Deus e sua Doutrina. Nesta palestra queremos mostrar algumas regras básicas de hermenêutica para uma boa interpretação das Escrituras, usando para tanto, exemplos da má interpretação retiradas das próprias seitas para contrastar com cada uma destas regras. Boa palestra!

O que é Hermenêutica?

Do grego Hermenêutike que por sua vez, se deriva do verbo Hermeneuo (Interpretar)

Hermenêutica, é pois, a ciência que nos ensina os princípios, as leis e os métodos de interpretação.

Porque precisamos de hermenêutica?

A hermenêutica é algo que se pratica no cotidiano. É que aprendemos hermenêutica durante toda a nossa vida, desde o dia em que nascemos. Afinal, a falha em compreender o piscar dos olhos de alguém poderia significar um desastre em certas circunstâncias.

Será  que  é  necessário  interpretar  a  Bíblia?

Pedro e as cartas paulinas (2ª Pedro 3:15b – 16 ARA).

Aqui vemos Pedro afirmando três verdades importantes:

  1. Nem tudo nas cartas de Paulo era complicado.
  2. Mas havia certas coisas “difíceis de entender” nas cartas dele.
  3. Sempre existe a possibilidade de alguém “deturpar” a Palavra de Deus.

Principais Regras de Hermenêutica

Passaremos agora às principais regras de interpretação.

Regra Nº 1 – Análise textual

  • Leia toda a passagem no mínimo três vezes para se familiarizar com o assunto;
  • Leia todo o capítulo da passagem;
  • Marque as palavras difíceis do texto;
  • Observe as palavras que se repetem no texto.


Exemplos de má interpretação: Testemunhas de  Yeshuah – “Eia, Sus” (deus-cavalo)no salmo 35:25 – Teologia Popular “adúltera por adultera”,

Regra nº 2 – Análise Contextual

  • Leia todo o contexto; o que vem antes e depois da passagem que você está lendo para ter uma; compreensão total da mensagem.

Exemplos de má interpretação: Adventistas – “a guarda do sábado” em Ezequiel 20.12

Testemunhas de Jeová – “

Regra nº 3 – Análise Literária

  • Descobrir que gênero literário pertence o texto que se está lendo: poético, apocalíptico, histórico, epistolar, parábola.
  • Exemplos de má interpretação: Adventista “descanso de Deus” em Gênesis, mórmons – “a corporificação de Deus” nos Salmos etc…

Regra nº 4 – Análise Histórico Cultural

  • Na análise histórico-cultural o interprete procura descobrir o contexto histórico, político, econômico, cultural e religioso no qual os envolvidos estão inseridos.
  • Exemplos de má interpretação: Testemunhas de Jeová – “Jesus e a estaca”, “geena como sepultura”, etc…

Conclusão

Como você pôde perceber, os erros de interpretação que se tornam heresias são por causa do descuido para com as regras básicas da hermenêutica. Portanto, ao analisar uma literatura de seita ou conversar com algum adepto de grupos heréticos tenha em mente as noções aprendidas nesta palestra para não se tornar também presa fácil do ardil exegético (ou eisegético) das mesmas.

http://www.cacp.org.br/o-desafio-hermeneutico-das-seitas/

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Por que a Bíblia condena o Espiritismo?

Existem pelo menos seis razões simples e diretas porque o Espiritismo é condenado pelas Escrituras. Apesar dos esforços de alguns em querer usar a Bíblia para defendê-lo, na verdade estão utilizando um livro que os condena. O Kardecismo é contrário à Palavra de Deus.

Por que Deus condena o Espiritismo?

  • 1. Porque Deus abomina qualquer pessoa que consulta os mortos

“Não haja em teu meio nem adivinhador, nem agoureiro, nem magos…nem quem consulte aos mortos. O Senhor abomina aquele que faz estas coisas” (Deuteronômio 18.10-12)

  • 2. Porque na verdade os mortos não voltam nem se relacionam com os vivos

“Pois os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma. Não têm jamais recompensa mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. O seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram. Já não têm parte em coisa alguma que se faz embaixo do sol (Eclesiastes 9.5,6)

  • 3. Porque milhares têm sido enganados e escravizados pelo diabo, através dessas experiências

“É não é de admirar, pois o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (2 Coríntios 11,14)

  • 4. Porque a Bíblia nos adverte contra ensinos e práticas enganosas

”Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé dando ouvidos a espíritos enganadores e ensinos de demônios” (1º Timóteo 4.1)

  • 5. Porque a verdade não vem através dos mortos, mas através da Palavra de Deus

“Porém Abraão lhe disse: Se eles não dão ouvido a Moisés e aos Profetas (a Palavra de Deus), tão pouco eles acreditarão, ainda que algum dos mortos volte a vida” (Lucas 16.31)

  • 6. Porque a reencarnação é um engano

“Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hebreus 9.27)

por Pr Eguinaldo Helio de Souza

http://www.cacp.org.br/por-que-a-biblia-condena-o-espiritismo/

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Homilética – Conceito, Definição e O que é Homilética

Homilética é um substantivo feminino. O termo vem da palavra homilia, do Latim homilia, do Grego homilia, que significa “reunião, sermão”, de homilos, que quer dizer “grupo, multidão”, mais o sufixo grego –etikos, que é utilizado para adjetivos correspondentes a substantivos.

A homilética é a teoria e a arte de pregar um sermão. Ela envolve técnicas para tornar a mensagem transmitida pelo orador mais fácil de ser compreendida por aqueles que o ouvem. Ao lidar com textos sagrados e com o anúncio da Palavra de Deus, o orador deve investir tempo para preparar-se tanto espiritualmente quanto intelectualmente, tendo por objetivo entregar um sermão que fale à consciência das pessoas, que seja relevante, edificante e transformador. Para isso, é essencial que o orador alie às técnicas de preparação do sermão, a oração, a dependência do Espírito Santo e o testemunho de uma vida pautada pela obediência às Escrituras.

Antes de preparar um sermão, o orador deve conhecer o público para o qual o direcionará. Isso fará com que escolha o vocabulário apropriado para a exposição, tornando-a mais acessível aos ouvintes. Conhecer a ocasião e o tempo reservado para a pregação é importante, pois um sermão entregue em um casamento com restrições de horário, por exemplo, será diferente daquele entregue em uma celebração dominical ou em um funeral. 

Saber manejar elementos da hermenêutica (a correta interpretação dos textos sagrados) e da exegese (investigação do texto bíblico dentro de seu contexto, buscando descobrir o significado do texto em si mesmo) é fundamental. Ler bastante e consultar diferentes traduções das Escrituras, gramáticas, comentários e dicionários teológicos ajudará a tornar a pesquisa prévia mais rica e apurada.

Escolher o tipo ou o método do sermão é outro passo a ser dado. Entre as diversas definições, destacam-se o sermão textual, o sermão temático e o sermão expositivo:

Sermão textual: os argumentos e divisões partem do próprio texto bíblico. Extrai-se as ideias a partir das Escrituras. Por meio desse modelo, o público pode acompanhar passo a passo a exposição do conteúdo consultando sua própria Bíblia.  

Sermão temático: os argumentos partem de um tema escolhido, de um mote externo. A partir do tema, o orador se debruça sobre a Bíblia para encontrar elementos que embasem o sermão.

Sermão expositivo: assim como o sermão textual, parte do próprio texto bíblico. Exigente, demanda mais tempo para a transmissão do conteúdo. Os argumentos giram em torno da exposição exegética e hermenêutica da Bíblia, buscando a ideia central do texto e a sua aplicação no momento presente.

Feito isso, é hora de organizar as ideias e pensar na introdução, no desenvolvimento e na conclusão do sermão. Buscar ferramentas que facilitam a compreensão, como ilustrações e histórias elucidativas é um bom recurso. No entanto, é fundamental que o orador tenha cuidado para que esses recursos não tirem a atenção do público de seu foco principal. Ajudar os ouvintes a entender a aplicação das verdades transmitidas também é um passo a ser considerado. A aplicação pode ser trabalhada ao final das divisões do sermão ou quando houver oportunidade dentro do esboço preparado.

Ao entregar um sermão ao público, é importante zelar para que a comunicação seja fluída e coerente, atentando para a postura, os gestos, o tom de voz, entre outros elementos. Após a pregação, dedicar tempo à oração, clamando a Deus para que frutifique as sementes lançadas, é uma atitude bem acertada, pois revela a dependência da unção de Deus para que o sermão seja de fato eficaz. 

Resumindo:  Homilética é a arte de pregar.

Homilética é o termo utilizado quando se faz uso dos princípios da retórica aplicados sobre o conteúdo da Bíblia (é ter como foco central a mensagem bíblica que se colhe ao estudar as Escrituras). Pode-se entender a homilética como a arte de discursar ou pregar com a finalidade de agradar.

Atualmente, o termo é raramente utilizado, pois foi substituído pela palavra “sermão”.

De toda forma, a homilética tem uma ideia bem precisa: é uma exposição oral, geralmente breve, sobre algum evangelho ou assunto doutrinário, realizada pelo sacerdote durante a missa, em uma linguagem de aspecto familiar e acessível.

Portanto, a homilética seria a arte da eloquência sagrada.

A homilética surgiu através do Cristianismo, ainda no século XVII, fazendo-se uso dos aspectos básicos da retórica desenvolvida pelos gregos.

O estudo da homilética vai da pesquisa ao púlpito, isto é, há desde o aprendizado do modo como compor e expor um sermão ou pregação bíblica até as formas de pregação, a preparação e qual a maneira mais eficaz e que torna mais interessante para chamar atenção do público.

Não somente essa vantagem, mas a homilética faz com que o ouvinte tenha uma compreensão completa do pregador e do que é transmitido por ele, além dele próprio ganhar uma maior orientação sobre sua leitura.

A hermenêutica é um termo que possui relação com a homilética, pois é conceituada como uma técnica ou arte de explicar e interpretar um discurso ou texto.

Para tanto, a homilética seria uma matéria da Teologia que orienta na organização dos estudos bíblicos para que sejam formatados como uma pregação, facilmente entendível e guardada pela Igreja. É, de um modo simples de ser entendido, como a melhor forma de comunicar – isto é, de maneira compreensível – a palavra de Deus a quem escuta, sempre tomando o devido cuidado para que a essência da verdade bíblica não seja perdida durante este processo.

Homilética e hermenêutica

Podemos perceber então que as características da homilética estão relacionadas de uma forma muito intima com as características da hermenêutica, na qual tem como objetivo desenvolver, através de técnicas, formas de entender, se expressar e explicar com facilidade e boa absorção do ouvindo, um texto ou fala.

Ambos trazem um ótimo estudo que desenvolve a percepção humana, levando o estudioso a níveis diferenciados de intelectualidade.

Não é difícil encontrar, nos dias de hoje, workshops e cursos que visem o ensinamento e treinamento de pessoas com o único objetivo de melhorar ou aprender a arte da homilética, transformando-os em ótimos oradores e interpretes de conteúdo.

https://www.significadosbr.com.br/homiletica

https://www.meusdicionarios.com.br/homiletica

http://mundocristao.com.br/conteudo/914/Voce-sabe-o-que-é-homiletica

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Quando devemos pregar a Cristo?

A questão da Cristocentricidade

Podemos defender com vigor a autoridade das Sagradas Escrituras – e na verdade devemos fazer isso –, mas perder tudo na hora da hermenêutica, a arte e a ciência da interpretação (Hermes era o mensageiro dos deuses gregos, vindo daí a palavra hermenêutica). A Bíblia é verdadeira, mas esse fato em si não tem nenhuma consequência se não prosseguirmos perguntando: “Sim, mas o que ela diz?”.

       Historicamente, a hermenêutica tem lidado com os princípios e as regras pelas quais os vários gêneros literários das escrituras devem ser compreendidos. Essas são as ferramentas com as quais o pregador escava o texto. Geralmente procuramos compreender a Bíblia como o fazemos com qualquer outro livro. Levando em conta o referencial do autor e sua intenção, damos ao texto uma leitura literal, plana e normal, levando em consideração obviamente, as figuras de linguagem. A pregação bíblica, como definimos, baseia-se fortemente nas habilidades dadas pelo Espírito Santo para o intérprete consciente.

       Uma das grandes belezas e glórias das Escrituras é ser vista em toda sua clareza. A Bíblia foi escrita para ser compreendida, não é obscura e muito menos ambígua. Certamente existem “algumas coisas difíceis de entender” (2ªPe 3:16). J. I. Packer nos ajuda nessa questão trazendo uma citação de um puritano do século XVII chamado William Bridge:

Para um homem piedoso, deveria ser como Moisés. Quando o homem piedoso vê a Bíblia em aparente contradição com as informações seculares, deve fazer o que Moisés fez quando viu um egípcio lutando com um israelita: mata o egípcio. Ele desconsidera o testemunho secular, sabendo que a Palavra de Deus é verdadeira. Mas quando vê uma aparente incoerência entre duas passagens das Escrituras, ele faz o que Moisés fez quando viu dois israelitas discutindo: tenta reconciliá-los. Diz: “Ah, esses dois são irmãos. Preciso fazer com que fiquem em paz”. É isso o que faz o homem piedoso.

       Como disse Agostinho, “a Bíblia é como um rio em que uma criança pode nadar e um elefante atravessa com dificuldade por causa da correnteza”. Qualquer crente sincero e orientado pelo Espírito Santo pode compreender e lidar com a Palavra. O estudo e a meditação são exigidos e devem continuamente ser aprimorados com mais e mais ferramentas que permitam aprofundamento constante e compreensão cada vez mais satisfatória.

       Nos últimos anos, a hermenêutica se envolveu com questões filosóficas e teológicas sobre a própria Escritura. A nova hermenêutica surgida a partir de Rudolf Bultimann e Martin Heidegger afirma que a própria linguagem é uma interpretação e não pode ser compreendida em relação aos textos antigos como se, de alguma maneira, incorporasse uma verdade objetiva. Compreender é essencial, envolvendo um “círculo hermenêutico” em que a personalidade e o texto se encontram numa vida diária contemporânea (é o “campo de consciência” de David G. Buttrick). Numa profunda discussão dessas questões, Anthony Thiselton insiste que, se o texto antigo deve ser vivo hoje para que de fato atinja seu objetivo, dois horizontes devem ser usados conjuntamente, tanto o do texto quanto o do intérprete moderno, e isso deve acontecer num nível mais conceitual.

       Não há problema de nos lembrarem de que não existe essa coisa de “exegese sem pressuposição”. J. D. Smart argumenta que a afirmação de uma objetividade absolutamente científica ao interpretar as Escrituras “envolve o intérprete numa ilusão tal sobre si mesmo que sua objetividade é inibida”. A hermenêutica não é uma ciência exata. Todos nós trazemos nossos sistemas, tradições, preconceitos e pecado para a tarefa de interpretar as Escrituras. Essa é uma das razões elas quais nossa compreensão difere e, em muitos casos, é simplesmente errada. Contudo, conscientes de nossas predileções e humildemente ansiosos pela instrução do Espírito Santo, podemos nos aproximar do texto das Escrituras para compreendê-lo.

       A postura diante do texto é muito diferente da de rendição a um Deus transcendente, que nos fala por meio de verdades objetivas. A nova hermenêutica tem perdido essencialmente o significado bíblico porque dá ênfase muito grande à auto compreensão. O fruto tem sido a confusão hermenêutica, um pluralismo ardiloso sem foco. O pregador deve manter a confiança na Bíblia que temos nas mãos como um conhecimento objetivo. A Bíblia tem status de verdade revelada independentemente da pessoa que se aproxima dela e de como a faz. Ela tem vida independentemente de minha compreensão. Não é uma verdade instável.

       Nossa tarefa ao pregar é averiguar o significado do texto bíblico. Eric D. Hirsch Jr. Fez a importante distinção entre significado e significância:

Significado é o que é representado por um texto; é o que o autor queria dizer com o uso de uma sequência particular de sinais; é o que os sinais representam. Por outro lado, a significância específica a relação entre o significado e uma pessoa, um conceito ou uma situação.

       A busca pelo significado é plenamente fundamental para o pregador que deseja comunicar a significância do texto bíblico no mundo de hoje.

Pontos de tensão na hermenêutica evangélica

Por trás do significado do texto está a intensão do autor. Precisamos fazer uso de todas as ferramentas disponíveis para a tarefa da compreensão do texto em seu contexto: gramática e sintaxe, informações arqueológicas e históricas (com bons comentários que sirvam de ajuda e verificação no processo), apenas para citar algumas. Algumas passagens apresentam mais claramente a intenção do autor do que outras. Em todas essas situações, estamos lidando com probabilidades. As passagens narrativas de maior dificuldade podem ser menos presumíveis do que certas seções didáticas em que a intenção básica parece ser afirmada de maneira bastante clara. É onde vemos que a hermenêutica não é uma ciência exata, uma vez que intérpretes piedosos nem sempre enxergarão o assunto do mesmo modo. Não existe um livro infalível que forneça o propósito do autor em toda e qualquer passagem. Uma salvaguarda importante para nós na interpretação é a analogia Scriptura, ou aquilo que as Escrituras ensinam como um todo, e a analogia fidei, aquilo que a igreja como um todo acredita sobre aquele assunto. Devemos ser cuidadosos para não impor categorias e conceitos da revelação posterior sobre os textos antigos, porque acreditamos na revelação progressiva. Contudo, nenhuma parte ou segmento da revelação divina pode jamais contradizer outra parte ou segmento. Os posteriores se baseiam nos anteriores em bela harmonia, como vemos no venerável sistema sacrificial do AT substituído pelo sacrifício definitivo de Jesus Cristo.

       Não se deve presumir que o significado que o autor quis dar ao texto deva ser sempre simples, pois a intencionalidade nem sempre é simples. Qualquer escritor ou agente (bíblico ou de outra área) pode ter uma intenção bastante complexa. Jesus realizou milagres como expressão de sua compaixão, mas também com o intuito de dar crédito ao seu ministério e ensinar lições e verdades (Lc 5:24). A narrativa da ressurreição tem vários propósitos. Em algumas passagens, pode ser mais difícil compreendermos o intuito único do autor, enquanto em outras compreendemos facilmente a possibilidade das múltiplas intenções. Seja qual for o caso, as descobertas da hermenêutica devem ser todas justificadas pelo próprio texto analisado dentro do seu contexto.

       Outra questão crítica na hermenêutica evangélica é como distinguir, dentro das próprias Escrituras, as proposições universais normativas para todos os tempos e os elementos culturais que partem de um âmbito temporal definido. Estamos lidando aqui com a parte da “significância” da definição de Hirsch. Pode haver implicações para nós até numa mensagem bastante específica para um rei antigo, mesmo se a situação como um todo não tiver relevância.  Na segunda reunião de cúpula do Conselho Internacional sobre a Inerrância da Bíblia, realizado em 1982, J. Robertson Mc Quilken apresentou a posição de que “todo ensinamento das Escrituras é universal, a não ser que as próprias Escrituras o tratem como limitado”. Mc Quilken levanta sete importantes perguntas para o intérprete:

  1. O contexto limita o receptor ou a aplicação?
  2. A revelação subsequente limita o receptor ou a aplicação?
  3. Este ensinamento específico está em conflito com outro ensinamento bíblico?
  4. A razão para determinada norma é apresentada nas Escrituras? Essa razão é tratada como normativa?
  5. O ensinamento específico é normativo assim como o princípio por trás dele?
  6. A Bíblia trata o contexto histórico como normativo?
  7. A Bíblia trata o contexto cultural como limitado? 

       É obvio que essas perguntas são importantíssimas para quem deseja se contextualizar com nossa cultura e, em especial, no contexto missionário em outros países.

       Poucas áreas têm sido mais difíceis para nós do que as questões relacionadas ao NT e como elas podem ser usadas no AT. Parece-me que é desnecessário argumentar que os escritores do AT entendiam plenamente tudo aquilo sobre o que eles profetizaram. A ideia de múltiplos cumprimentos da profecia do AT seria reconhecer a possibilidade de que um autor do AT não tivesse entendido plenamente a importância do que escreveu. Um escritor qualquer tem total compreensão das consequências do que escreve? Não perdemos controle da interpretação reconhecendo que os profetas não entendiam plenamente o momento em que suas profecias deveriam cumprir-se (1ªPe 1:10_12). Daniel escreveu sobre períodos de tempo (como em Dn 9:24_27) e tão claramente sobre coisas que ele não compreendia. Será que um leitor do Salmo 16 poderia compreender que esse texto é uma profecia sobre alguém que morreria e voltaria à vida novamente? Quanto Davi entendia de si mesmo? Teria Balaão compreensão clara das duas vindas de Cristo quando profetizou (v. Nm 24:17, 18)? Será que Abraão compreendeu a real extensão da sua descendência conforme lhe fora prometido?

       Existe um tipo de sensus plenior (significado maior das escrituras) a ser visto quando a revelação progressiva se completa. É por isso que J. I. Packer argumenta que se o significado e a mensagem de Deus

excedem o que o escritor humano tinha em mente, esse significado extra é apenas extensão e desenvolvimento dele, um esboço das implicações e o estabelecimento de relações entre suas palavras e as de outros, talvez declarações bíblicas posteriores de uma maneira que o próprio escritor, diante do caso, não poderia fazer.

       Esse reconhecimento não visa a introduzir nenhum elemento arbitrário em nossa peregrinação em busca do significado e da significância do texto das Escrituras.

       Em última análise, permanecemos ao lado dos reformadores, acreditando, que o todo das Escrituras deve interpretar as partes das Escrituras. Embora tenhamos dificuldades com Daniel, um profeta do sexto século antes de Cristo, e pesemos com cuidado suas profecias à luz da situação histórica e de seu conhecimento, terminas por mesclar Daniel e Apocalipse quando, como futuristas, falamos dos acontecimentos dos últimos dias. Acreditamos na unidade da revelação divina porque embora haja quarenta autores humanos diferentes, existe apenas um autor divino. Associamos Daniel, Joel, Zacarias, o Sermão do Monte, 2ª Tessalonicenses e Apocalipse. Desse modo, o NT, de acordo com a compreensão geral da igreja por todos os séculos deve finalmente ser decisivo para nossa compreensão do AT.  

A centralidade de Cristo

        Um foco crítico para várias dessas questões hermenêuticas é a própria questão prática de quando Cristo deve ser pregado no AT.

       “Ouço poucos sermões sobre Jesus” diz o início de um recente e interessante lamento da ala liberal. O pregador cristão, quer esteja pregando a partir do AT, quer do NT, deve apresentar Cristo como o referencial. O pregador cristão não pode pregar nenhum texto do AT como se fosse um rabino, porque o cumprimento das promessas se deu em Cristo, e vivemos debaixo da nova aliança. O pregador cristão tem um caso de amor eterno com o AT, a Bíblia que Cristo e os apóstolos tanto presavam. A nossa pregação de qualquer parte das Escrituras deve inserir-se dentro de uma clara percepção do constructo teológico e, para o pregador cristão, esse constructo é cristocêntrico.

       Nesse sentido, toda pregação bíblica é doutrinária. A nossa pregação está dentro de um sistema de compreensão. Esse constructo teológico deve ser o produto da exegese, da teologia bíblica, da teologia histórica e da teologia sistemática. A fraqueza da pregação sem essa consciência de construção é dolorosa para a congregação com o passar do tempo, embora talvez os membros não sejam capazes de mostrar exatamente qual é o problema. A falta de continuidade e coesão e a incoerência geral encontrada em muitas pregações somente ratificam que, embora haja análise, não tem havido uma quantidade significativa de síntese.

       A Declaração de Chicago sobre a Hermenêutica Bíblica (1982) afirma de maneira inequívoca: “A pessoa e a obra de Jesus Cristo são o foco central de toda a Bíblia. Afirmamos que não é correto nenhum método de interpretação que rejeite ou obscureça a centralidade de Cristo na Bíblia”. É desse modo que nosso Senhor via as Escrituras do AT: “E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras” (Lc 24:27). Jesus disse sobre o AT: “São as Escrituras que testemunham a meu respeito” (Jo 5:39). Os pregadores apostólicos viram o cumprimento do AT em Cristo e pregaram a Cristo conforme ele foi anunciado no AT (At 2:31; 3:24, 25; 8:35 e outras passagens). Paulo via o AT de maneira cristológica (2ªCo 1:20). Hebreus é um exemplo particularmente vivo de enxergar o AT a partir da plenitude da revelação em Cristo presente no NT (p.ex. Hb 10:7).

       Não possuímos um manual de interpretação do AT escrito pelos apóstolos, como Richard N. Longnecker mostrou tão brilhantemente na obra Biblical exegeses in the apostolic period [Exegese bíblica no Período apostólico]. Mais uma vez ficamos impressionados com o fato de que a hermenêutica não é uma ciência exata. O que está claro é que Jesus Cristo, como o unigênito filho de Deus, está no centro do “eterno plano” de Deus. É a vontade de Deus que “em tudo [Cristo] tenha a supremacia” (Cl 1:18). É o contínuo e fiel ministério do Espírito Santo para glorificar e dar testemunho de Cristo. Ele é o único caminho para o Pai, o único e suficiente mediador, por meio de quem podemos ser salvos, como se afirma em João 14:6, 1ªTm 2:5 e At 4:12. Desse modo, Paulo insistia frequentemente que pregava a Jesus Cristo, o Senhor crucificado. O tema mais perfeito do pregador cristão deve ser o Senhor Jesus Cristo. Charles Haddon Spurgeon disse que a verdadeira magnificência da pregação é exaltar nela a pessoa de Cristo. A história da pregação corrobora a alegação de Ronald Ward: “Se o pregador se abstém de comunicar a Cristo, ele não está pregando”. O que era verdadeiro para os pais da igreja, os reformadores, os puritanos, para John Wesley e Alexander Maclaren não é menos verdadeiro para nós. Um sermão sem Jesus é um jardim sem flores.

A centralidade de Cristo no Antigo Testamento

Existe hoje em dia muita discussão frutífera sobre a relação entre os dois testamentos (v. os livros recentes de Walter C. Kaiser Jr. e de Thomas E. McComiskey, assim como o clássico de S. Lewis Johnson). Ninguém é mais claro que John Bright quando afirma: “Cristo é para nós, na verdade, a coroa da revelação, por meio de quem a verdadeira significância do Antigo Testamento se torna finalmente evidente”. Essa é a estrutura fundamental dentro da qual o pregador de Cristo vai ao AT. Vamos analisar os depósitos de verdade incomparavelmente ricos que constituem o AT separando-os em três categorias.

       Profecias de Cristo no Antigo Testamento. O minério cristológico mais óbvio a ser garimpado no AT são as profecias messiânicas diretas. A Bíblia tem um corpo singular de profecia preditiva e de promessas. Isso tem imenso valor apologético, mas também é rico e cheio de verdades práticas para nós. O Talmude afirma que “todos os profetas profetizaram somente sobre o Messias” (Sanhedrin [Sinédrio] 99a). Afirma-se que cerca de 456 referências ao Messias foram identificadas no AT na sinagoga. Arthur T. Pierson falou do que Ele chamava de estágio mosaico ou germinal, estágio davídico ou embrionário e o estágio profético ou adulto. Canon Henry P. Liddon chama o livro de Isaías de “A mais rica mina da profecia messiânica”. A grande obra Cristologia do Antigo Testamento, de Ernest W. Hengstenberg, ainda é uma ferramenta muito útil na busca de tesouros relativos ao que o AT prediz sobre a pessoa e a obra do “Desejado de todas as nações” (Almeida Revista e Corrigida).   

       Figuras de Cristo no Antigo Testamento. Menos precisas e determinadas do que as verdadeiras profecias de Cristo são os tipos ou figuras de Cristo no AT. Johnson afirma com proveito que “tipologia é o estudo das correspondências espirituais entre pessoas, eventos e coisas dentro do plano histórico da revelação especial de Deus”. Isso pressupõe uma compreensão linear da história. Johnson cita B. F. Westcostt, que diz que “um tipo pressupõe um propósito na história de uma era para outra”.

       Certamente houve alguns excessos na tipologia a ponto de se achar que cada prego do tabernáculo de Israel e todo fio de cabelo da barba e um bode em Daniel são considerados como possuidores de muito significado. Mas a reação a esses excessos têm sido tão forte que parece haver um retorno a uma visão mais equilibrada que enfatiza a existência de pessoas, ventos, instituições, ofícios e ações pictóricos. As Escrituras falam de tipos e nos dizem que a “rocha era Cristo” (1ªCo 10:4). O livro de Hebreus usa a tipologia como sua hermenêutica básica. É certo que estamos pisando em terreno seguro quando o NT estabelece de maneira explicita a correspondência – seja com Adão, com dilúvio, seja com Melquisedeque. Não há questionamento sobre a serpente abrasadora, o maná, a Páscoa, Jonas dentro do peixe ou o casamento de Oséias. No caso das cidades, de refúgio, da vida de José, do sábado judaico e do calendário religioso, o bom senso e o julgamento cuidadoso nos ajudam a perceber aspectos e nuanças da obra redentora de nosso Salvador.

       Preparações para Cristo no Antigo Testamento.  A obra salvadora de Deus está em todo o AT. Nesse sentido holístico, tudo o que acontece no AT prepara para Cristo e se cumpre nele. Não podemos pregar o AT como se não houvesse um cumprimento futuro. Muito da pregação contemporânea em ambos os testamentos tende a ser fortemente exortativa, tendo apenas uma fina camada devocional. A Bíblia é vista hoje basicamente como fonte de instrução moral, com segredos para o sucesso, modelos de liderança e de ajuda. Fazer isso é se afastar do motivo principal das Escrituras: a intervenção divina por intermédio de Jesus Cristo. É dentro desse arcabouço que a responsabilidade ética e social se torna significativa e realizável. Os Dez Mandamentos são proclamados nesse contexto: “Eu sou o SENHOR, o teu Deus que te tirou do Egito, da terra da escravidão” (v. Ex 20:2_17). À parte dos atos redentores de Deus, só nos resta o tormento de um ideal não alcançado A lei é o tutor que nos leva a Cristo (Gl 3:24). Não existe nenhuma seção ou parte do AT que não seja messiânica no sentido mais crítico. O expositor não pode encerrar sua participação deixando apenas um aforismo moralista ou um imperativo, ainda que seja necessário. São privilégio e alegria nossos colocar a moldura de Cristo em volta da passagem. O propósito de Deus em Cristo é criativo, redentor, providencial e escatológico, ou seja, ele faz salva, cuida e completa. É em Jesus Cristo que tudo isso acontece. Cristo é o ponto principal.

       É nesse mesmo sentido que eu compreendo a exortação que Charles Haddon Spurgeon fez a um jovem pregador:

Você não sabe, meu jovem, que de toda a cidade, de todo o vilarejo e de toda a aldeia na Inglaterra, onde quer que se possa estar, existe uma estrada que vai para Londres? Do mesmo modo, em todos os textos das Escrituras existe uma estrada para Cristo. Meu caro irmão, ao se aproximar de um texto, sua função é dizer qual é a estrada para Cristo. Nunca encontrei um texto que não tivesse uma estrada para Cristo dentro dele mesmo e, se encontrar um, irei aos trancos e barrancos, mas chegarei até meu Mestre, pois o sermão não pode fazer outro bem que não seja conter um sabor de Cristo dentro de si mesmo. 

       O fato é que, se você pegar uma melancia, não importa por onde você a corte: ela continua sendo uma melancia. Robert Capon acusa os teólogos do século XX de, por vezes, jogarem “imensas quantidades da mais perfeitamente alinhada idiotice”. O exercício que Buttrick faz sobre a teologia homilética na obra Preaching Jesus Christy [Pregando Jesus Cristo] é bastante útil para testar a validade de algumas de nossas críticas. Para alguém, cuja “nova homilética” se encaixa perfeitamente na “nova hermenêutica”, não é de surpreender que por toda a sua obra ele seja historicamente séptico e agnóstico. Ele acha que os fatos da vida de Jesus, seus milagres e ensinamentos, não podem ser certificados. A cristologia parece horizontalizada. Existe um horizontalismo opressivo na pregação.

       A literatura apocalíptica é desprezada como destituída de significado para o homem moderno (em minha opinião, uma curiosa má interpretação de nossos tempos apocalípticos). “Cristo é sempre uma figura misteriosa e simbólica.” Ao destilar seu barthianismo, Buttrick parece ter perdido grande parte do elemento transcendente do Senhor Jesus. Como salvador pessoal, Jesus recebe as costas da mão. Nossa proclamação deve ser a salvação social. As imagens apocalípticas da ressurreição passada e futura devem ser postas de lado para descobrir o núcleo que permanece, a noção de uma nova era que está nascendo.

       Alguns dos velhos pais da igreja descambaram para a alegoria da pior espécie. Um deles entendeu que os três cestos do sonho que o padeiro contou a José eram a Santa Trindade e que o cabelo da noiva em Cântico dos Cânticos era a “massa de nações convertidas ao cristianismo”. Outro enxergava os quatro barris de água do confronto de Elias com os profetas de Baal como os quatro evangelhos. Um luminar posterior via o navio no mar da Galiléia como a igreja da Inglaterra e os “outros barcos” como os não conformistas. Os amigos de Jó eram hereges, seus sete filhos eram os doze apóstolos (?), suas sete mil ovelhas eram o povo fiel de Deus e seus três mil camelos eram os gentios depravados. Que caricatura! Contudo Bernard Ramm observa que foi a cristocentricidade da exegese alegórica que impediu que ela se tornasse um material descartável. É triste, mas deve ser dito que, nos caminhos da nova hermenêutica, a cristologia foi desonrada e reduzida. A questão principal da igreja sempre foi o que pensamos de Cristo. Ele é o ponto principal de toda a história. Que nossa pregação reflita e irradie com fidelidade e ardor a doutrina bíblica de Jesus Cristo. Ele ainda salva! 

Anatomia da Pregação – Identificando os aspectos relevantes para a pregação de hoje

David L. Larsen

Editora Vida

 

 

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Hermenêutica

Interpretação bíblica

Por Pr. Natanael Rinaldi

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O QUE É HERMENÊUTICA

    • A palavra hermenêutica significa: “interpretação do sentido das palavras; interpretação dos textos sagrados; arte de interpretar leis” (Dicionário Aurélio).
    • Em relação ao estudo bíblico: “Hermenêutica é o estudo de princípios de interpretação bíblica e a aplicação destes princípios no estudo bíblico”.
    • Nas Escrituras é usada em quatro versículos: Jo 1.42; 9.7; Hb 7.2 e Lc 24.27. Esse termo pode ser traduzido por explicar ou expor.

A LIBERDADE DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA.

    • É um princípio defendido por nós, evangélicos, o direito de todas as pessoas interpretarem por si mesmas o significado do conteúdo da Bíblia Sagrada.
    • Este princípio foi um dos fundamentos da Reforma Protestante do século XVI.
    • Essa liberdade não nos dá o direito de interpretá-la da maneira que quisermos que mais nos agrade ou conforme os nossos interesses.

Observações:

1) Quando a sua interpretação particular o conduzir a uma conclusão diferente da posição evangélica histórica, deve ser considerada suspeita. Na maioria das vezes, depois de mais amplo estudo, você verá que errou em sua interpretação.

2) Somos devedores à história da igreja que registra o que os crentes do passado malharam na bigorna da sondagem da alma, da investigação escriturística e do debate.

3) A história da igreja é importante, mas não decisiva na interpretação da Escritura (cuidado!).

A IMPORTÂNCIA DA BOA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA.

    • Não podemos interpretar a Bíblia de forma irresponsável. Ela contém material muito sério, não pode-ser tratada com desdém.
    • Da boa interpretação bíblica depende o fazermos ou não aquilo que Deus espera de nós.
    • Os perigos nos últimos dias exigem uma hermenêutica sólida (2ªTm 4.1-4; 1ªTm 4.1-6; 2ªPe 3.16).
    • Somos encorajados a “manejar bem” a Palavra de Deus (2ªTm 2.15). A palavra traduzida “manejar bem” literalmente significa “cortar direito”.

Observação: Estejamos atentos para descobrir o real significado da mensagem bíblica para que não venhamos a ouvir, nós mesmos, a seguinte repreensão ouvida por alguns profetas contemporâneos de Jeremias: “Eis que sou contra esses profetas, diz o Senhor, que pregam a sua própria palavra, e afirmam: Ele disse”. (Jr 23.31).

MANEIRAS DE DISTORCER A MENSAGEM BÍBLICA.

  • Existem três maneiras de distorcer a mensagem bíblica:

1 – Acrescentando algo à sua mensagem (Ap 22.18).

2 – Omitindo parte dela (Ap 22.19).

3 – Forçando uma interpretação (Mt 4.1-11; 2ªCo 4.1-2; 2ªPe 3.16).

REGRAS BÁSICAS PARA SE OBTER UMA BOA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA.

1) Pedir constantemente a orientação divina.

    • Deus nos deu a sua Palavra, a Bíblia, para que conheçamos os seus planos para as nossas vidas. Desta forma, ninguém mais apropriado para explicar o significado da Palavra de Deus do que o próprio Deus (1ªCo 2.14-16).
    • Deve o intérprete permanecer em oração antes, durante e depois do estudo de qualquer passagem bíblica.
    • Deus providencia uma maneira para o intérprete entender o texto bíblico Inclusive poderá providenciar pessoas mais capazes e experientes para ajudá-lo nesta tarefa.

Exemplo: O caso do etíope em relação a Filipe (At 8.26-40).

Obs. O deus deste mundo, Satanás, faz o máximo que pode para impedir que as pessoas compreendam a verdade espiritual (2ªCo 4.14).

2)  Abordar todas as passagens com humildade.

    • Ao tratar com a palavra de Deus, seja humilde, esteja consciente de que dificilmente alguém atinge um completo conhecimento de qualquer texto bíblico.
    • Sempre pode haver mais alguma coisa que Deus deseja mostrar através dele, e você só aprenderá quando concluir que existe a possibilidade de desconhecer alguma parte.
    • O intérprete ao pensar que já sabe tudo, de forma arrogante, acaba por não enxergar as verdades ainda não descortinadas para a sua mente.
    • O conselho bíblico é claro: seja humilde, porque “adiante da honra vai a humildade” (Pv 33b), da mesma forma que “a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16.18b). Em suma, só aprendemos quando sabemos que não sabemos.
    • Notamos muitas vezes que passagens bem familiares da Bíblia são interpretadas de forma errada, simplesmente porque o intérprete está acostumado com elas. Talvez até as conheça de cor, só que não percebeu o significado verdadeiro. Trata-as com descuido, na ilusão de que já as conhece muito bem, não precisa se esforçar para aprender mais nada a respeito delas.

Exemplo: Mt 6.25-34 – Existe um Cântico que diz o seguinte: “Buscai primeiro o reino de Deus e toda a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas, aleluia, aleluia”. O texto bíblico não contém a frase “e todas as coisas vos serão acrescentadas”, mas sim “e todas estas coisas”. Lendo o texto, desde o versículo 25 até o 34, percebemos que a conversa é em torno do que comer, beber e vestir, nada mais do que isto, e Jesus está dizendo que seus discípulos não devem ficar ansiosos por estas coisas. Devem é buscar em primeiro lugar, o seu reino e também a justiça, confiantes que todas estas coisas: comida, bebida e vestuário serão acrescentados.

3) Observar o texto com muita atenção.

    • A falta de atenção é um dos principais fatores que levam à má interpretação bíblica no meio do povo de Deus.
    • Os membros das igrejas, em muitos casos, fazem uma leitura rápida do texto e tiram conclusões mais apressadas ainda, baseados não naquilo que está escrito, mas sim naquilo que eles acham estar escrito.
    • O texto deve ser observado de todos os ângulos, buscando-se as palavras-chave, aquelas que mostram a base central do assunto, e o significado da passagem como um todo.

Exemplos:

1) Zc 12,13 e 14. Observe a repetição da expressão “naquele dia”. Isto pode estar mostrando que o assunto básico destes três capítulos, tão difíceis, não é outro senão os acontecimentos daquele dia. O que vem a ser isto já é outro assunto e dificuldade, mas, chegando a essa conclusão, ainda que parcial, estamos no caminho certo para a interpretação correta e final.

2) SI 101.6. O salmista é quem afirma que procuraria encontrar pessoas fieis para serem seus companheiros. Não é Deus quem faz esta citação.

3) Lm 3.22-23. Observe que são as misericórdias do Senhor que são novas a cada manhã e não a sua Palavra, como muitos afirmam citando estes versículos.

4) Observar o contexto com muito cuidado.

    • Observar os versículos que precedem e seguem ao texto que se estuda;
    • Em qualquer trabalho de interpretação devemos levar em conta o contexto:

1) Imediato. Capítulo ou passagem completa.

2) Próximo. O livro que se encontra.

3) Geral. A Bíblia como um todo.

Exemplos:

1) Filipenses 4.13. Uma gravura de uma pequena formiga carregando uma enorme maçã, citando “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Essa forma de utilização do texto fora do contexto não passa de um pensamento positivo, sem base bíblica aceitável. O texto bíblico dentro de seu contexto (Fp. 4.10-13) mostra que Paulo podia, ou estava acostumado, a suportar qualquer situação, fosse ela de fartura ou de escassez, o que é muito diferente de poder fazer o que quiser.

2) Lucas 10.4-7. Alguns defendem a idéia de que todos os verdadeiros pregadores da mensagem de Cristo devem partir para os campos missionários sem levar nada para a própria sobrevivência. Observando esta passagem dentro do seu contexto:

– Contexto imediato (Lc 10.1-12). Esclarece que Jesus não estava dando uma fórmula fechada de como devem comportar-se os missionários de todos os tempos e, sim, passando orientações para apenas um pequeno grupo que deveria ir adiante Dele nos lugares e cidades por onde Ele mesmo passaria em seguida.

– Contexto próximo (Lc 22.35-38). Esclarece que a mensagem aos setenta discípulos, em Lc 10.1-12, e também aos doze, em Mt 10.5-15 e Lc 9.1-6, não são regras fixas em todos os tempos. Eram instruções para tarefas imediatas e bem definidas.

– Contexto geral (a Bíblia toda). A Bíblia nos esclarece que a igreja que envia deve manter de forma digna seu obreiro (1ªCo 9.7-14). Em Jo 13.21-30 observamos a presença de um tesoureiro no próprio grupo de Jesus.

3) João 9.3: “Nem ele pecou, nem seus pais”. O contexto limita o sentido da frase a que não havia pecado para que sofresse de cegueira como conseqüência, segundo erroneamente pensavam os discípulos. Entendemos pelo contexto que se trata da cura do corpo e não da saúde da alma, como pretendem os católicos, que deixando de lado o contexto imaginam encontrar aqui apoio para a extrema unção.

4) Mateus 26.27-29. Compreendemos pelo contexto que a palavra ‘sangue’ deve ser tomada em sentido figurado, desde o momento que Jesus, no dito contexto, volta a chamar ao vinho de fruto da videira, embora o tivesse abençoado. Percebemos que não vem de Jesus o ensino da transformação do vinho em sangue verdadeiro de Cristo.

5) Descobrir o pano de fundo da passagem.

    • Não basta conhecermos o texto em si. Precisamos conhecer muito daquilo que não está no texto, mas, sim por trás do mesmo, na tentativa de interpretá-lo corretamente.
    • Quanto mais pormenores o intérprete conseguir do pano de fundo da passagem, maior a possibilidade de um bom entendimento.
    • Deve-se procurar determinar, no mínimo, quem foi o autor da passagem, em que ocasião a proferiu, em que época viveram os personagens envolvidos, em que época foi escrito, por que foi escrito, qual a localização geográfica, qual a situação econômica, social, religiosa e política da época dos acontecimentos e além de outros itens esclarecedores.
    • Devemos buscar estas informações nos dicionários bíblicos, comentários disponíveis na atualidade e nas boas introduções, já publicadas.

Exemplo: Amós 4.1 “Ouvi esta palavra, vós, vacas de Basã, que estais no monte de Samaria, que oprimis os pobres, que esmagais os necessitados, que dizeis a vossos maridos: dai cá, e bebamos”. Pelo contexto imediato, percebemos que Amós está dirigindo a palavra às mulheres de Samaria, que faziam parte da classe alta, e que oprimiam o pobre cada vez mais, com a intenção de manter intacta a própria situação social que era extremamente vantajosa para elas. O problema é descobrir o porquê de ele as tratar pelo título “Vacas de Basã”. Seria isto uma forma de xingamento? Quando descobrimos ainda, por outros textos, que Amós era boiadeiro antes de ter sido chamado por Deus para ser profeta, e que Basã era uma região conhecida em Israel como excelente para a criação de gado, fica mais fácil de entender o apelido. Ele estava se referindo às mulheres bem tratadas de Samaria, aquelas que se alimentavam do bom e do melhor e conseguia com isto uma aparência exuberante, na mente de Amós, o boiadeiro, semelhantes às vacas criadas na região de Basã.

6)  Identificar os tipos de literatura

    • A Bíblia é composta de diferentes gêneros literários.
    • A variação nos métodos de transmissão não altera a qualidade e a procedência da mensagem bíblica.
    • Cada gênero literário tem suas particularidades que influenciem na interpretação.
    • A atenção ao gênero literário impede-nos de transformar uma passagem no que ela não é. Entre os gêneros literários que fazem parte da Bíblia temos: leis, relatos históricos, alegorias, provérbios, parábolas, orações, cartas, cânticos, visões, dramatizações, profecias, narrativas, genealogia etc.

Exemplos:

1) Interpretar Ez 37.1-14 como sendo uma narrativa histórica. Trata-se de uma visão.

2) A dramatização é uma forma de se transmitir uma mensagem bíblica (Jr 13.1-13; Ez 4.1-13).

    • Não interpretar passagens figuradas como literais e vice-versa.
    • Uma passagem literal não tem mais importância do que uma figurada.
    • Podemos ensinar uma verdade descrevendo-a literalmente ou de forma figurada, sem com isso diminuir o seu valor.
    • Alguns interpretam passagens literais como figuradas, porque elas não se enquadram na sua tendência teológica preconcebida.
    • Todas as vezes que interpretamos passagens figuradas como se fossem literais, e literais como se fossem figuradas, não estamos dizendo aquilo que a Bíblia diz.
  • Exemplos:

1) Zacarias 4.10 (Figurada). A passagem não descreve Deus como um ser monstruoso, possuidor de sete olhos. O que ele está mostrando é a capacidade divina de observar toda a terra.

2) Malaquias 4.5-6 (Profecia figurada). Verificar Mt 11.13-14 e Mt 17.10-13.

3) Mateus 14.13-21 (Literal). Alguns intérpretes afirmam que o real significado da passagem é que Jesus extraiu das multidões um latente espírito de generosidade. Quando viram que o menino compartilhou o seu almoço, seguiram o seu exemplo tirando os alimentos de sob os seus mantos.

4) Mateus 26.26 (Figurada). Jesus partiu pão e não seu próprio corpo, e portanto ele mesmo, santo e inteiro, lhes deu o pão, e não parte de sua carne. Usa, pois, Jesus, a palavra em sentido simbólico, dando-lhes a compreender que o pão representa seu corpo.

5) Mateus 16.19 (Figurada). O reino dos céus não é um lugar terreno onde se penetra mediante chaves materiais. As chaves estão simbolizando autoridade. Veja Jo 20.23 e Mt 18.18).

6) Salmo 91.4; Salmo 8.3;  2ªCrônicas 16.9 (Figuradas). Deus não tem corpo tangível – Jo 4.24; Lc 24.39.

7) Mateus 8.22 (Figurada). Aqueles que estão mortos, no sentido espiritual da palavra, podem assistir aos funerais dos que têm falecido no aspecto físico.

7) Descobrir os diversos significados de uma palavra.

    • Na linguagem bíblica, como em outra qualquer, existem palavras que variam muito em seu significado, segundo o sentido da frase ou argumento em que ocorrem.
    • Uma palavra só pode ter um significado correto dentro do contexto que ocorre. Seria um grande erro atribuir-lhe outros sentidos, ainda que verdadeiros em outros locais.

Exemplos:

1) A palavra manga, em português. Isoladamente ela não diz de forma clara a que se refere. Dentro do contexto poderemos descobrir se descreve uma fruta, uma parte do vestuário, um filtro afunilado, ou outra coisa qualquer.

2) Sangue:

. At 17.24-26 – significa um grupo de pessoas;

. Mt 27.25 – sentido de culpa e suas conseqüências, por matar um inocente;

. Hb 9.6,7 – se refere ao fluído que circula nas veias e artérias dos animais levando nutrição ao corpo;

Ef 1.7 e Rm 5.9 – aqui a palavra sangue equivale à morte expiatória de Cristo na cruz.

3) 1ªCoríntios 7.1Este versículo fala da necessidade de abstenção da imoralidade sexual. Seria errôneo concluir que o homem nunca deve tocar mulher, como um aperto de mãos cumprimentando-a.

4) Rins: Sl 16.7; Sl 7.9; Ap 2.23; Pv 23.16. Os hebreus costumavam dizer que os desejos vinham dos rins (BLH ‘a minha consciência’).

5) Coração (órgão): 2ªSm 18.4; At 16.14; 2ªCo 3.3; Ef 6.6: o centro de nossas emoções.

6) Lombos: Lc 12.35; 1ªPe 1.13 – A expressão “cingidos os lombos” vem do hábito dos judeus de amarrar suas roupas compridas quando queriam trabalhar ou andar depressa, para que não lhes atrapalhassem. Essa ação de amarrar as roupas significa estar preparado, pronto para agir – BLH – ‘… estejam prontos para agir’.

7) Camelo: Mt 19.24; Mc 10.25; Lc 18.25. O Dr. Jorge M. Lamsa explica que a palavra aramaica ‘gamla’ pode significar uma corda grossa, um camelo ou uma viga, e afirma que a palavra camelo é uma tradução errada, primeiro do aramaico para o grego e posteriormente para outras línguas, entre elas o português. Acrescenta que o Senhor quis dizer foi o seguinte: “Mas eu vos digo, que trabalho mais leve é passar uma corda grossa pelo fundo de uma agulha, que entrar um rico no reino dos céus”.

8) Buscar o significado para o receptor original.

    • Devemos buscar o significado da mensagem no seu contexto antigo ou próprio em que foi revelada, e separar aquilo que é a vontade de Deus para todos os tempos daquilo que dizia respeito somente ao receptor original.
    • Se não descobrirmos o sentido primário, não teremos como aplicar o ensino de forma correta.

Exemplos:

1) Lucas 18.18-22. Jesus não estava ensinando que para herdar a vida eterna é preciso vender tudo o que temos e dar aos pobres. Ele viu, naquele caso específico, a necessidade do jovem desfazer-se de tudo aquilo que o estava atrapalhando para obter a vida eterna. Embora a ordem para vender tudo tenha sido dada somente àquele jovem, a mensagem do valor do Reino de Deus, o qual ultrapassa qualquer riqueza, e vale mais do que tudo que venhamos a perder ou ter que deixar é para todos, em todos os lugares e em todos os tempos.

2) Atos 5.35-40. Os primeiros ouvintes desta história entenderam que Deus estava ao lado dos discípulos, que Ele tem poder para livrar e que os próprios discípulos eram um grande exemplo de obediência ao Senhor, a qualquer preço. Em nossos dias, porém, alguns têm fechado os olhos para estes ensinos tão claros que os receptores originais receberam, e têm procurado aplicar para situações atuais as palavras nos versículos 38 e 39, com o sentido de que, em matéria de religião, a obra procedente de Deus prospera e que não procede dEle não prospera. Não é difícil perceber, inclusive em nosso país, o quanto estão prosperando falsas seitas, como por exemplo, o Espiritismo, entre outras, totalmente contrárias à Bíblia e, sendo assim, não procedentes de Deus.

    • Tirar idéias do texto e não buscar textos para as conclusões.
    • Tenhamos todo o cuidado possível para não fazer da Bíblia um instrumento de apoio para as nossas próprias mensagens, idéias e pensamentos.
    • Os pregadores são os que mais correm o risco de apresentar suas próprias idéias como se fossem da Bíblia.
    • Não fale em nome dEle aquilo que Ele não disse. Isso pode render-lhe o desonroso título de falso profeta e as conseqüências dele decorrentes.

Exemplo: Basta ligarmos o rádio ou a televisão e sintonizarmos em algum dos canais ou das estações chamadas “evangélicas”, para percebermos o quanto isto é praticado em nossos dias.

    • Lembrar que a Bíblia é um livro de religião e não de ciência.
    • E um erro tratar a Bíblia como se fosse um livro de ciências, e, mais ainda, um livro de ciências que está sempre atualizado, sem necessidade de nenhum acerto, independentemente da época e do local em que está sendo utilizado.
    • Os autores humanos da Bíblia não eram cientistas e falaram de maneira compreensível, dentro dos conhecimentos da época.
  • A Bíblia é livro de religião e não de ciências. Esteja de acordo ou não com as ciências modernas ou futuras, ela continua sendo a mesma em matéria de religião.

Exemplos:

1) Levítico. 11.13-19 (morcego é mamífero ou ave?).

2) Jó 38.29 (a geada vem do céu ou ela se forma no próprio local em que a notamos quando pronta?).

    • Não valorizar em demasia as divisões oferecidas pelas versões bíblicas.
    • Os textos originais da Bíblia não tinham pontos, vírgulas, capítulos, assim como vários títulos de passagens bíblicas.
    • Estas divisões foram colocadas no texto bíblico para facilitar a nossa compreensão e são muito úteis para isto.
    • Estas divisões podem levar o intérprete a conclusões erradas. Busque sempre a unidade da mensagem e o significado de cada porção da Palavra de Deus.

Exemplos:

1) Jó 3.1-3. O versículo dois esta incompleto, não tendo sentido se for lido separadamente dos três. Os dois juntos deveriam formar apenas um.

2) Gênesis 1,2. O capítulo primeiro se encerra com o versículo trinta e um falando do sexto dia da criação, deixando, arbitrariamente, de fora o sétimo dia que vem logo em seguida. Para manter a unidade da mensagem, a divisão deveria ser feita após o versículo três do segundo capítulo. Veja como os próximos versículos não dão seqüência aos anteriores, mas iniciam um novo assunto.

3) Salmo 42,43. Não são dois Salmos como a divisão sugere, mas apenas um.

4) 2ªCoríntios 7.1 está ligado ao fim do capítulo 6.

5) Isaías 52.13-15 devia fazer parte do capítulo 53.

9) Interpretar textos difíceis à luz de textos fáceis.

    • Entre a interpretação de uma passagem mais obscura e a de mais clara, sobre o mesmo assunto, preferimos a interpretação da mais clara para explicar a partir desta a mais obscura.
    • Passagens difíceis, com termos raros, ou aparentemente contraditórios, devem ser interpretadas à luz de outros mais abundantes e claros, nos quais se percebem facilmente os ensinos gerais da Bíblia.
    • A Bíblia é o seu melhor intérprete. Este princípio segue naturalmente e necessariamente a pressuposição de que a Bíblia não se contradiz, e que Deus é o autor deste livro divino.

Exemplos:

1) Lamentações 2.1-6. Interpretando à luz do que está escrito de forma tão clara em Lm. 3.22-26, e do ensino geral da Bíblia, entendemos que para o autor de Lamentações Deus continua sendo bom, mesmo derramando sua ira sobre o povo de Jerusalém.

2) Atos 2.38. Lendo At 10.43-48 entendemos que o dom do Espírito Santo pode ser recebido por pessoas que ainda não se batizaram nas águas.

3) Lucas 14.26. Se esta declaração fosse tomada em forma literal, constituiria uma completa contradição com outras Escrituras que nos ensinam que devemos amar a nossos familiares Ef 5.28. Lendo Mt 10.37 já não só desaparece a contradição, mas compreendemos o verdadeiro sentido do texto.

Bibliografia:

  • Princípios de Interpretação da Bíblia – Walter A . Hennchsen . (Ed. Mundo Cristão).
  • Hermenêutica – E. Lund/ P. C. Nelson. (Ed. Vida).
  • Como Entender a Bíblia – Antonio Renato Gusso (Ed. E. D. Santos).
  • Bíblia Apologética (ICP Editora).

http://www.cacp.org.br/hermeneutica-interpretacao-biblica/

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Os perigos que confrontam a Igreja Evangélica

A IRREPRIMÍVEL LEI DAS CONSEQUÊNCIAS

Ag 1:7

“Assim diz o SENHOR dos exércitos: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram”!”.

       A mente humana é constituída de tal modo, que precisa pôr-se a contemplar algo, sendo assim, compromete-se a ponderar o caminho dos outros. Os fariseus eram uma classe de pessoas que levava em consideração os erros de todos, menos os seus. Eles julgavam os pecados da meretriz, do coletor de impostos e do beberrão, mas jamais as próprias iniquidades. Uma voz dos altos céus nos está falando por meio da Palavra de Deus, dizendo: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram!” – observe-os com atenção e os considere seriamente.

       Tudo conspira a nos impedir de fazê-lo. A sociedade quer que façamos de tudo, exceto considerar nossos caminhos. Entretanto isso é mais importante do que qualquer outro aspecto que demande a nossa atenção. Você pode meditar acerca de uma casa, um carro, uma viagem ou a sua saúde – ou quaisquer dessas inúmeras opções legítimas. Contudo, mais importante do que o ramo de aprendizado com o qual você possa se envolver em qualquer lugar e hora, deve ser refletir sobre os seus caminhos de maneira cuidadosa, séria, inteligente e honesta. Quando as Escrituras advertem: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram!”, referem-se às nossas escolhas morais. Observe que você deve analisar os próprios caminhos, colocando o foco de sua atenção na obra do Espírito Santo, o que é contrário ao que nos habituamos a fazer.  

A LEI DAS CONSEQUÊNCIAS

       De fato, tudo está relacionada ao seu passado e ao seu futuro. Os atos cometidos, tudo o que existe, toda palavra que proferimos à obra que fazemos estão relacionados ao passado como consequência e ao futuro como causa, a qual produz outra consequência. Uma ilustração simples é a de um ovo no ninho. O ovo que está ali é um efeito de outro ato anterior, da ave que o botou. Enquanto é uma consequência, também é uma causa: um novo pássaro que irá nascer. É uma conexão entre o que era e o que será. O mesmo se aplica a todos os seus pensamentos e a todas as suas obras, formando um elo entre aquilo que o levou a fazer, pensar ou dizer algo e o resultado de tê-lo dito, pensado ou agido.

      Sempre há uma consequência. A maldição e a benção não chegam sem causa (Pv 26:2). Tudo [o que acontece] é um efeito de algo praticado. Cada acontecimento não é, simplesmente, um resultado de outro ato, mas também implica novas consequências. A palavra mais simples que você proferiu hoje surgiu de algum condicionamento da sua mente ou do eu coração no passado. Do mesmo modo, suas palavras terão consequências amanhã. Talvez, as implicações sejam brandas, mas haverá consequências. Tudo o que você é, diz, faz ou pensa remonta a alguma escolha do passado e, consequentemente, levará você a dizer, fazer, ser ou pensar outros fatores no futuro.

       Existem consequências de importância dupla. Os acontecimentos são importantes pelo que são em si mesmos e também pelo que causarão. Sendo criaturas inteligentes e morais, somos responsáveis por nossos atos. Se nos lembrássemos de que, um dia, teremos de prestar contas a Deus de todas as nossas obras e palavras, crendo nisso, esse fato faria uma diferença maravilhosa em nossa vida.

       Não tenho certeza, mas talvez este seja o aspecto mais importante sobre consequências, atitudes, efeitos e causas: a existência das implicações que incorrem sobre a nossa estrutura moral, ou seja, aquilo que recai sobre nós, porque o que somos determinará o nosso destino. O posicionamento que assumimos definirá se iremos para o Céu ou para o inferno.

      O ato de aceitar Jesus, quando verdadeiro, tem um efeito instantâneo sobre toda a nossa vida moral, transformando alguém mau em bom. Deus não irá, por algum artifício da graça, levar pessoas más, e mentes sórdidas, cheias de justiça própria e vis para o Seu Céu. Quando resgata um homem, Ele o redime do pecado. Se um indivíduo não for liberto da iniquidade, não é salvo de modo algum! Não existe qualquer ato de graça, ardil piedoso ou justificação, que possam levar um homem profano e impiedoso até a presença de Deus e ao santo Céu do Senhor. Ele não veio para chamar os justos, mas sim, os pecadores ao arrependimento (Mt 9:13). Nem, porventura, para aqueles que se achavam justos, mas sim se manifestou aos que reconheciam sua impiedade. Quando Cristo nos chama para si mesmo e nos salva, justifica-nos do nosso passado e da nossa maldade e, por um ato triplo, por meio da justificação, regeneração e santificação, torna-nos aptos para o Céu.

       É uma ideia errada pensar que a justificação é uma vestimenta concedida e colocada sobre um sujeito sujo e malcheiroso, precisando terrivelmente de um banho, e tomado por piolhos e sujeira acumulada em uma vida inteira, o qual se apresenta ousadamente no santo Céu do Deus Todo-Poderoso, entre serafins, querubins, arcanjos e os espíritos de homens justos e glorificados, e, então, displicente e petulantemente, diz: “O meu lugar é no inferno. Sou um homem imundo, mas o que você vai fazer a respeito disso? Estou vestido com as vestes de justiça de Cristo, e isso é o suficiente”.

      O Senhor só salva pecadores e apenas resgata aqueles que reconhecem sua iniquidade. Livra-os quando admitem quem são. Contudo, Ele os redime e os transforma em homens bons e cheios do Espírito Santo. Quando há qualquer outro ensino a respeito disso, não passa de uma heresia. Jon Newton1 era um puritano e ficaria horrorizado ao escutar as doutrinas que ouvimos hoje.

      Para todo ato há consequências que afetam nossa estrutura moral, ou seja, quem somos, o que é o mais importante sobre nós. Ninguém me engana com suas vestimentas. E é claro que também não o faz ao Espírito Santo. Não há quem possa pressioná-lo por sua boa aparência ou pela cor da sua pele, tampouco com seu grau de instrução, diplomas ou pelos lugares que frequentou. Nossas escolhas têm consequências que afetam nossa estrutura, seja para fortalecer uma virtude ou para corrompê-la. Você certamente, já conheceu pessoas cuja honra foi corrompida na essência, tal como uma árvore [podre] que está prestes a cair. No chão.

       Além disso, existe um efeito secundário relacionado ao que cada atitude causa em outras pessoas. Ninguém vive para si mesmo. Seja direta ou indiretamente, você está sempre influenciando profundamente os outros. Se estiver levando uma vida cristã displicente, talvez alguns indivíduos acabem usando o seu comportamento como escudo, um lugar onde possam ocultar-se da própria iniquidade, a que [certamente] é bem mais séria do que a sua. Talvez, alguns se ajoelhem à noite e digam: “Senhor, fazei com que eu seja parecido ao irmão fulano, ou à irmã Beltrana”. Isso vale para os dois lados, já que os atos têm consequências e resultam de escolhas, quer sejam impulsivas ou cuidadosamente calculadas. 

O ATO VITAL DA ESCOLHA

       Nenhum ato tem consequências tão abrangentes quanto a ação de escolher. Tudo o que somos resulta daquilo que elegemos por importante. Quem somos é um resultado do que escolhemos antes. Tudo o que faremos amanhã será um resultado das escolhas de hoje, que podem ser boas ou ruins, ignorantes ou calculadas, impulsivas ou surgirem de muita ponderação, como também, podem ser feitas por causa da amargura.

       Um jovem casal discute, e a moça resolve terminar o relacionamento. Então casa-se com outro e diz: “Vou mostrar o que é bom àquele idiota!”. Ela passa a viver a segunda escolha e, durante toda a vida, sussurra para as pessoas: “Esse foi o maior erro que cometi!”. Escolhas egoístas, covardes ou provocadas pelo medo de fazermos outras opções. Podemos decidir com sabedoria, altruísmo, visão, coragem, humildade, inspirados pela fé e obediência a Deus.

       As escolhas de um indivíduo distinguem-no como sábio ou tolo. Quem decide sabiamente tem consciência de que precisa prestar contas de todos os atos praticados com o corpo o tolo não procede assim. Na Bíblia a palavra tolo não descreve alguém com deficiência mental, mas como aquele que age sem pensar nas consequências.

       Entretanto, trata-se de algo mais profundo do que uma [mera] questão moral, já que envolve a ética, a justiça e o nosso relacionamento com os outros e nós mesmos. Está presente no espírito humano. Na Bíblia, o sábio não é necessariamente alguém instruído ou com alto nível cultural, embora possa ser o caso. Contudo, é um indivíduo que age com os olhos voltados às consequências. Ele pensa, “Quais serão os efeitos disso?”. Então, comporta-se de maneira que lhe traga resultados dos quis não precisará envergonhar-se ou temer no futuro. Isso explica a diferença entre a sabedoria e a tolice aos olhos de Deus.

      Alguém instruído, que desfruta de certa reputação na vizinhança, rico e que pensa no futuro, mas que nunca pondera o que acontecerá quando o seu coração para de bater é um tolo. Certa vez o Mestre também falou sobre isso (Lc 12:16_20). O inferno está cheio de imprudentes, e o Céu de sábios. Jamais haverá um tolo no Céu, bem como nunca, um sábio no inferno. De acordo com a definição de Deus, tolo é aquele que age de modo inconsequente, tomando decisões sem pensar na eternidade. Qualquer que aja assim não irá para o Céu. Lá, será repleto do oposto.

       A ideia de que Deus ama homens maus e não pode suportar um homem decente é uma heresia moderna. Isso não é e nunca foi verdade. Na Bíblia, não há sinal que nos leve a crer que isso seja verdade. Entretanto, se aquele que é mau, se tornar sábio a tempo hábil para fazer sua escolha à luz das consequências eternas, escolhendo Deus, Cristo e seu sangue, bem como o arrependimento e a libertação do pecado, transforma-se em sábio, e Deus o vê como tal. O Céu estará cheio de pessoas que procedem assim.

       Os tolos escolheram com quem se casar, mas não vislumbraram a eternidade quando o praticaram. Decidiram o que fazer com o seu dinheiro e assim o empenharam. Resolveram o que iriam dizer e pensaram: “A boca é minha. Essa língua me pertence. Quem pode ditar o que digo com ela?”. Portanto, disseram o que queriam, mas não pensaram no amanha, no dia do Juízo, na terrível face de Deus ou no Julgamento do Grande Trono Branco. Eles foram néscios.

       O inferno será um lugar para tolos, e o Céu, para os sábios. Haverá na Glória, aqueles que agiram sabiamente e, contudo, não sabiam ler ou escrever. Tal como na perdição, estarão homens instruídos, com tantos títulos junto aos seus nomes quanto a rabiola de uma pipa. Sabiam de tudo, exceto disto: foram inconsequentes.

ESCOLHA BEM HOJE

       A escolha mais importante a ser feita é entre a vida e a morte. O que decidiremos foi deixado por nossa conta. “Escolhei hoje”, diz o Espírito Santo. Fica a nosso critério. Se um homem não pode pecar, de modo algum pode ser santo. Se não pode optar em errar, não é livre e, se assim não for, jamais será santo. O livre-arbítrio é tão essencial à santificação quanto ao pecado. A santidade é a liberdade de escolha moral que resulta na decisão certa da santidade e da justiça. Ninguém escolhe a morte deliberadamente. Conforme disse Tennyson2:

Não importa o que diga o louco pesar

Nenhum homem que já teve nas narinas o fôlego mortal

Jamais desejou realmente a morte.

É a vida, e não a morte que ele almeja encontrar.

       Não há quem anseie pela morte; alguns simplesmente, escolhem o caminho que leva a ela. Determinam isso por meio de uma série de pequenas escolhas. A tolice moral foi sua deliberação definitiva, então, optaram por morrer. Não que tenham olhado para a morte e dito: “Escolho você!”, mas se voltaram a todos os caminhos prazerosos que conduzem a ela e disseram: “Essa é a minha escolha”.

       Cidades não escolhem apodrecer e sucumbir, simplesmente decidem por aquilo que as leva a essa situação. Assim como os homens não escolhem viver ou morrer, não optam pela vida em si mesma. Ninguém pode se levantar e afirmar: “Escolho a vida”. A pessoa pode declarar: “Escolho aquilo que dá vida. Decido pelo caminho da vida. Escolho a vida repudiando a morte”.

       A Bíblia adverte: escolhe, pois, a vida (Dt 30:19). Entretanto, você precisa ir até onde a vida está. Se quer água, precisa ir até onde ela está e bebê-la. Se escolhe ser salvo, precisa ir até onde o nosso Senhor e Salvador está para sê-lo e se entregar em Suas mãos. Nós fazemos a escolha certa começando pelo arrependimento.

       Há muitos que querem influenciá-lo. Alguns seriam cristãos melhores se não estivessem sob a influência daqueles que não são bons servos; por isso, são aconselhados a fazerem escolhas erradas. Esses mentores estão cegos, endurecidos, calejados ou moralmente desorientados e não poderão ajuda-los no último dia.

       Naquele dia, o camarada que está a guia-lo, influenciando-o dirá; “O que eu tenho com isso? Não posso responder por você. Dê seu jeito!”. Aquele sócio que tenta persuadi-lo a tomar atalhos e a ser um tanto desonesto nos negócios sorri, cumprimenta-o e diz a todos: “O bom e velho Joe… Ele é um cara sensacional! (Risos)”. Contudo, um dia, Joe terá de se apresentar sozinho [diante de Deus] – estamos falando de você –, e o seu sócio não poderá ajuda-lo.

       Se você tem uma vida cristã casual, aconselho-o a considerar os seus caminhos, optando por uma postura que envergonhará o Diabo e agradará a Deus. Gostaria de colocá-lo no caminho de uma vida vitoriosa, um serviço frutífero e um caráter santo.

      Você precisa fazer uma escolha, a qual resultará em atitudes que determinarão seu destino. Deus lhe deu a honra de poder escolher. Já escolheu o único que dá a vida?  

A GRAÇA E AS CONSEQUÊNCIAS COEXISTEM

       Uma das características da letargia espiritual é um entendimento falho da lei das consequências. Por alguma razão, muitos cristãos acham que, quando nascem de novo, não precisam mais lidar com o resultado de suas escolhas. Por isso, muitos encaram com desdém a ideia de arcar com esses efeitos. Afinal, eles dizem: “Estou vivendo pela graça”.

       Ninguém jamais questionaria o fato de que o rei Davi fora um homem piedoso. A Bíblia chega a afirmar que Ele era um homem segundo o coração de Deus (ver Atos 13:22). Entretanto, esse líder sofreu intensamente quanto a consequências. Com todas as vitórias que obteve, poderíamos facilmente presumir que ele não precisava se preocupar com isso.

       A história de Davi e Bate-Seba é bem conhecida por todos aqueles que leem as Escrituras (ver 2ª Samuel 11 e 12). Esse foi um dos momentos mais obscuros na vida de Davi. Ele fez determinadas escolhas, e, por causa disso, certas consequências se materializaram. Para cada ação, há um efeito correspondente.

       No caso de Davi, o ato foi o seu relacionamento adúltero com Bate-Seba. Esse comportamento foi uma escolha que o rei fez sozinho, pela qual teve de assumir a responsabilidade. A consequência foi a morte do filho que Bate-Seba esperava. Por mais que Davi tivesse implorado a Deus que poupasse a vida da criança, ela morreu. Um princípio bíblico que, muitas vezes, é interpretado erroneamente está registrado em Galatas 6:7 – ARA: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” Trata-se da irreprimível lei das consequências.

       Por causa da crescente apatia espiritual entre muitos cristãos, algumas vezes fazemos escolhas sem qualquer consideração aos efeitos que incorrerão. Também cultivamos um espírito de expectativa imprópria. Quero dizer com isso que não associamos nossas expectativas às nossas ações. Não se engane: neste momento, você terá de enfrentar as consequências das escolhas que fez ontem. Amanhã terá de lidar com os efeitos das decisões tomadas hoje. 

VICTÓRY THROUGH GRACE

[VITÓRIA PELA GRAÇA]

Fanny J. Crosby3

Cavalga o Rei com poder,

Levando Seu grande exército

à batalha renhida vencer;

Veja-os avançar com valor,

vestidos de vestes de luz,

Aclamando o Nome do Mestre,

ouça-os bradar com vigor:

 

A batalha não pertence ao forte,

nem ao veloz a corrida,

mas ao sincero e fiel a vitória

pela graça é prometida.

 

Vencendo agora e para sempre,

quem é esse Rei majestoso

que lidera os grandes exércitos

dos que cantam o Seu louvor?

Ele é o nosso Deus e Senhor,

Salvador e Monarca divino;

Eles, estrelas fulgentes,

Filhos do Reino do seu amor.

 

Vencendo agora e para sempre,

Sobre todos és soberano,

Tronos e cetros perecem,

coroas perdem seu resplendor

Mas as tropas que Tu lideras

Permanecem fiéis e sinceras,

E encontrarão o repouso eterno

Quando aqui terminar a guerra.

1John Newton (1725-1807) foi um pastor anglicano e convertido traficante de escravos. Foi autor de muitos hinos, incluindo Amazing Grace. Fonte: Wikipédia.

2Alfred Tennyson (1809-1892) foi um poeta inglês. Uma de suas obras mais famosas é Idylls of de King (1885), um conjunto de poemas narrativos com base nas aventuras do Rei Artur e dos seus Cavaleiros da Távola Redonda. Fonte: Wikipédia.

3Frances Jane Crosby (1820-1915), também conhecida como Fanny Crosby, foi uma compositora lírica conhecida por se tornar a mais prolífera autora de hinos sacros conhecida, a despeito de ter ficado cega ainda criança. Fonte: Wikipédia. 

Os Perigos de uma Fé Superficial – Desperte da letargia espiritual

A.W.Tozer

Graça Editorial

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O caminho para a superação desses desafios

VIVENDO COMO UM CRISTÃO INTENCIONAL

Hb 12:2

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.”

       O grande obstáculo para a vida cristã é a concepção de que, uma vez que aceitamos Jesus Cristo como nosso Salvador e acreditamos que tudo se resume a João 3:16, nossa vida esteja no piloto automático, e possamos, simplesmente, relaxar e desfrutar da viagem. Essa ideia é a fonte de muita desilusão e leva ao desânimo espiritual.

       Não existe um piloto automático em nossa experiência com Cristo. Cada passo é uma operação de fé que será furiosamente contestada pelo inimigo de nossa alma. Esse conceito leva a letargia espiritual. Libertar-se dessa tirania – custe o que custar – deveria ser a prioridade de todo cristão.

       Procurei enumerar alguns princípios para lidarmos com os diversos aspectos desse comportamento apático, principal condição entre os evangélicos hoje e responsável por inúmeros problemas. Permita que eu conclua este estudo com um conselho encorajador para aqueles que gostariam de ser libertos dessa escravidão espiritual, sob a luz gloriosa do propósito deleitável de Deus.

COMECE POR SUAS PRÓPRIAS FRAQUEZAS 

       O primeiro passo é reconhecer o perigo da letargia espiritual. Se você não sabe que determinada situação é perigosa, não irá manter-se afastado dela e nada fará para evita-la. Em vez disso, sua atitude será negligente e indiferente – a fórmula perfeita para se chegar à condição de apatia.

      Certifique-se de começar por si mesmo. Muitos acham fácil enxergar problemas nos outros. Aliás, a maioria dos cristãos é muito habilidosa em reconhecer as falhas alheias, enquanto permanece totalmente cega à sua condição de vida. Nós nos tornamos especialistas nas fraquezas dos outros, mas extremamente ingênuos quanto a nossa condição diante de Deus. Foi exatamente disso que Jesus acusou os líderes religiosos de Sua época: 

Lc 6:41_42

E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?”

Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão”.

      É importante que cada um de nós reconheça esses sintomas em nossa vida e, depois, faça um voto solene de fazer algo a respeito. Um bom lema que encontrei nessa área é: “Seja tolerante com os outros e duro consigo mesmo”. Muitas vezes, somos culpados de aceitar em nós aquilo que condenamos veementemente nos outros. Para tanto, dependa da fidelidade do Espírito Santo para lidar com isso e, então permita que Ele faça tudo o que for preciso para trata-lo. Deus o ama demais para permitir que essa condição permaneça incontestada.

       O Espírito Santo é fiel para expor a sua condição espiritual. Sua responsabilidade é ouvi-lo, corresponder à Sua atuação e fazer um voto solene de quebrar a letargia a qualquer custo. Lembre-se do que Salomão disse sobre isso: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o” (Ec 5:4).

       Lady Julian de Norwich1 entendia isso tão bem quanto qualquer outro autor que já li. Ela escreveu: “Ó Senhor, por favor, dê-me três feridas: a ferida da contrição, a da compaixão e a daqueles que anelam por Deus”. Então, ela acrescentou este pequeno pós—escrito, o que de mais belo já li: “Isso eu peço sem condições: Pai, faça o que peço e, depois, mande-me a conta. Qualquer que seja o preço, concordo em pagá-lo.”

       Nós evangélicos queremos que Deus faça todo o trabalho enquanto tomamos um caminho fácil para a Glória. Certamente, Cristo já pagou o preço por nossa redenção, mas nossa caminhada diária com Deus nos custará caro. Será que estamos dispostos a pagar alegremente esse preço? 

NÃO DEIXE DE SE REUNIR COM OS SANTOS

       O que nos atrapalha nesse processo é o nosso relacionamento com outros cristãos. Acredito que todos devam se associar a uma comunidade cristã, todavia, jamais deveríamos permitir que essa congregação dite o nosso crescimento espiritual. Os norte-americanos têm dificuldade de entender que o cristianismo não é uma democracia. O segredo da nossa caminhada cristão é entrega plena a Jesus Cristo e a ninguém mais. Algumas vezes, para seguir a direção do Espírito Santo, precisamos andar sozinhos, o que vai de encontro à nossa inclinação natural. Às vezes, precisamos nos afastar da multidão, até mesmo da multidão cristã.

       Quando o Espírito Santo começa a se mover em nós, acreditamos que podemos mudar os outros. Entretanto, como sempre, o “tiro sai pela culatra”, permitindo que a comunidade nos mude e estabeleça os nossos padrões. A psicologia grupal, às vezes, infesta até mesmo a igrejas, o que talvez explique por que muitas delas estão mortas em nosso país.

       Você não pode mudar a comunidade, pois está além do alcance e das possibilidades, mas tem como transformar a si mesmo. Ou, melhor dizendo, pode permitir que o Espírito Santo o faça, e esse renovo acontece bem no núcleo da sua vida. Então essa reviravolta interior, pouco a pouco, começará a afetar o exterior.

       O tipo certo de mudança pode afetar todos ao seu redor. Esse despertamento espiritual não depende de um grupo, mas é capaz de afetá-lo drasticamente. A renovação em sua vida pode modificar a comunidade. Tal qual uma chama possibilita inflamar tudo ao seu redor, o fogo do despertamento espiritual interior flui por nosso intermédio e toca todos os que estão à nossa volta, transformando, de fato, nossa comunidade.

UMA VIDA CONSAGRADA E CHEIA DE PROPÓSITO

       Denominamos essa influência intencional de vida cristã. Com isso, quero dizer que temos vivido os princípios e os mandamentos das Escrituras de maneira dedicada e propositada. A letargia espiritual resulta em um estilo de vida acidental e preguiçoso, por isso, nosso compromisso como cristão é ter um viver que se espelhe em Cristo. Não nos devemos parecer com os outros ou agir como eles, temos de ser igual a Jesus, agir como Ele e fazer o que faria no poder e na demonstração do Espírito Santo.

       Uma vida cristã motivadora é renovada pelo Espírito Santo e nos motiva a adotar um estilo de vida contrário a tudo o que está à nossa volta e em nossa cultura. Conforme as gerações anteriores costumavam ensinar, somos um povo consagrado. Somos separados do mundo para [servir a] Deus. Diversos aspectos são importantes para que possamos manter um estilo de vida cristã santificado.

A FÉ

       A fé não é uma fórmula ou um ritual mágico, mas sim, o resultado de um compromisso consistente e sacrificial com a litura bíblica e a oração. Muitos se satisfazem apenas com um versículo por dia, achando que será o suficiente para manter o diabo afastado. Isso é uma superstição sem sentido que precisa ser abandonada a todo custo. Nada jamais poderá substituir a simples leitura da Palavra de Deus, de preferência de joelhos. É claro que os calendários de leitura bíblica são importantes e, certamente, têm sua utilidade. Algumas vezes em minha leitura bíblica, um versículo ou uma palavra monopoliza o meu tempo e me arrebata, impedindo-me de ler outro versículo. São nesses momentos que preciso jogar fora todos os compromisso e esperar no Espírito de Deus de modo silencioso e paciente enquanto Ele ministra sobre mim aquela passagem, atraindo-me à Sua doce comunhão.

       Muito tem sido dito a respeito da fé nestes dias, cujo foco não está nas Escrituras. Precisamos rejeitar tudo o que seja contrário à Palavra. A fé não é o segredo para obter o que se quer. Além disso, não é uma fórmula mágica a qual, independente de quem a use, seja salvo ou não, obriga Deus a agir. Isso é insanidade religiosa e beira a bruxaria. Acredito firmemente que a verdadeira fé brota na alma do homem ou da mulher que se prostra com o rosto diante de uma Bíblia aberta e deixa Deus ser Deus em sua vida.

A OBEDIÊNCIA E A RENDIÇÃO

      Outro aspecto de uma vida cristã intencional é a obediência. Estou certo de que é aí que muitos fracassam. Para obter completamente, é preciso ouvir a voz de Deus com clareza. Novamente, isso está enraizado no meu relacionamento com a Palavra. Abraão ouviu o Senhor claramente e pôde obedecer-lhe de forma plena. Se quisermos desfrutar de uma vida de obediência, precisamos ter ouvidos para ouvir (Mt 11:15).

       Juntamente a essa questão, está a rendição, que é um ato claro de temor à Palavra de Deus. Quando falo de sujeição, invoco a ideia de entregar minha vida em absoluto e por completo a Deus, seja o que for que isso implique, sem qualquer condição. Alguns se dispõem a entregar 99% de sua vida ao Senhor, retendo o último um por cento. Ou nos rendemos integralmente, ou não fizemos nada que seja aceitável a Ele. O nosso Pai não aceitará uma entrega parcial. Ele zela por nós, deseja-nos por inteiro.

A PUREZA

       A pureza é um aspecto importante da vida cristã consagrada. Diz respeito à ausência de misturas. Todavia, a Igreja Evangélica tem se tornado extremamente habilidosa quanto a esse aspecto. Temos nos sobrecarregado tanto, que o cristão comum vive oprimido por obrigações religiosas, a ponto de nunca conseguir desfrutar da vida que Cristo planejou para ele. Ter uma vida pura é o mesmo que viver sem aditivos, ou seja, não se deixar diluir por elementos da cultura ou da religião. Significa, simplesmente, estar sob a autoridade do próprio Senhor Jesus Cristo. Nenhum outro nível de santificação é aceitável. À medida que desfruto intencionalmente da vida cristã, mantenho meu foco na pureza do Mestre, e, por Sua vida, vivo sem o jugo de outros assuntos ou interesses.

       Superficialmente, isso parece impossível. E, para falar francamente, é avesso à carne. Quanto mais tentamos ter uma vida cristã, mais somos sobrecarregados por elementos exteriores. Entretanto, colocando isso de lado, a fim de me recusar a ser afetado ou influenciado por tais fatores, abro caminho para que Deus trabalhe por intermédio de mim de acordo com Seus interesse e propósitos. O apóstolo Paulo tratou desse assunto da seguinte forma: Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que vivo agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim (Gl 2:20). Não sou mais eu, mas Cristo em mim, a esperança da Glória (Cl 1:27).  

DESFRUTANDO DO FAVOR DE DEUS

       Aqueles dentre nós que estão absolutamente comprometidos a levar uma vida cristã cheia de propósito possuem uma grande vantagem. Tal benefício diz respeito ao que Deus pensa de nó: Ele quer o melhor para nós o tempo todo.

       O que o Altíssimo está fazendo na sua vida e na minha hoje não tem implicações apenas para o presente, mas por toda a eternidade. Quando Jesus Cristo estava na cruz, Ele pensava em nós. As lágrimas que fluíram no Calvário foram por nossa causa.

       O autor de Hebreus se refere ao fato de que Jesus suportou a cruza por causa da alegria que lhe estava proposta: Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus (Hb 12:2). Qual foi essa satisfação? Todos aqueles que viriam a colocar a sua fé e a sua confiança nEle e se tornariam parte da Noiva de Cristo. Ele está sempre pensando em nós.

       Deus deseja colocar nossa vida debaixo da plena luz do seu favor. Isso requer que não sirvamos a nós mesmos nem agrademos aos outros ou a nós, mas nos entreguemos completamente, em absoluta rendição a Deus, por intermédio de Jesus, nosso Salvador. O resultado disso é uma vida cristã intencional.  

EM JESUS TENS A PALMA DA VITÓRIA2

Horatio Richmond Palmer3

Tentado, não cedas, ceder é pecar,

Melhor e mais nobre, será triunfar,

Coragem, ó crente, domina o teu mal.

Deus pode livrar-te de queda fatal.

 

Em Jesus tens a palma

Da vitória, minha ‘alma;

E também doce calma

Pelo sangue da cruz!

 

Evita o pecado, procura agradar

A Deus, a quem deves no corpo exaltar;

Não manches teus lábios com impura voz;

Defende tua alma do vício atroz.

 

Sê manso e benigno, qual morto até.

Na rocha eterna, firma tua fé;

Veraz é teu dito: de Deus é teu ser?

T’espera a coroa, tu podes vencer.

1Julian de Norwich (1342-1416, aproximadamente) é considerada um dos cristãos místicos (designação relacionada aos cristãos muito preocupados com a santificação e a devoção pessoal, a ponto de buscarem intensamente uma vida de oração e meditação nas Escrituras, ainda que isto lhes custasse certo isolamento da vida comum) mais importantes. Ela é venerada nas igrejas anglicanas e luteranas, como também na Igreja Católica.

Fonte: Wikipédia.

2Canção de número 75 do hinário Harpa Cristã.

3Horatio Richmond Palmer (1834-1907) nasceu em Sherburne, Nova York. Pertencia a uma família de músicos, sendo seu pai e sua tia seus primeiros professores. Formou-se pela Academia de Música Rushford, em Chicago, e, aos 20 anos, tornou-se seu diretor (1855-1865). 

Os Perigos de uma Fé Superficial – Desperte da letargia espiritual

A.W.Tozer

Graça Editorial

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Revisões, atualizações e comentários nas postagens

Segue abaixo, o link de mais cinco (5) postagens e comentários corrigidos e/ou revisados:

Descobri na wikipédia uma lista de denominações protestantes no Brasil, que disponibilizo neste documento.

Dando sequência ao estudo um pouco mais detalhado de algumas denominações, estou postando agora, algo sobre a Igreja Cristã Maranata.
Esta denominação segue os cinco solas da reforma protestante.

Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria

por Declaração de Cambridge

Muito interessante e instrutivo este texto, especialmente para quem está ou pretende ir  para o campo missionário.

Acrescentei este texto associado à religião e  política ”Estado religioso e igreja política”.

Muito bom o texto e facilmente entendido no contexto de nossa vida cotidiana.

Já a algum tempo, tenho observado que a frequência de visualizações das postagens no blog tem crescido em vários lugares, principalmente nos EUA e Europa. Obviamente que o blog tem seguidores frequentes em nações como Portugal, Angola e Moçambique, que acredito eu, serem nações cujos cidadãos falem a língua portuguesa, mas também em Hong Kong, um arquipélago localizado no extremo sul da China e tem um sistema político diferente do da China continental. O judiciário independente de Hong Kong funciona no âmbito da common law, e permite que os chineses do continente participem de congressos, seminários, etc. 

Em função destas características, procurei dados, ou informações concretas acerca do esfriamento do cristianismo nestas localidades e encontrei este excelente artigo, que disponibilizo a todos. 

Obviamente que estou procurando traçar um paralelo entre o esfriamento do cristianismo nestes continentes com o aumento de visualizações de postagens do blog.  

NOTA

Ao longo dos últimos meses tenho acrescentado páginas diversas contextualizadas com as postagens já liberadas ou material de cunho cristológico associado aos diversos links do blog. Nem sempre as coloco como “Revisões, atualizações  comentários nas postagens”. O mais importante é que estes materiais ou documentos complementam outros. 

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Os desafios que confrontam a Igreja Evangélica

O PERIGO DA VITÓRIA E DA DERROTA

Pv 24:16

“Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal.”

        Muitos cristãos têm abraçado a filosofia da vitória a qualquer preço. O que quer que eu precise fazer para me tornar vitorioso deve ser permitido. Então, as pessoas que ilustram esse tipo de triunfo desfilam diante de nós até ficarmos envergonhados de quaisquer derrotas que possamos ter na vida. De acordo com os especialistas, a vida é uma longa sucessão de conquistas.

      O problema é que ninguém jamais experimentou uma vida de vitória absoluta, sem qualquer derrota, exceto o próprio Senhor. Até mesmo a expectativa do êxito, às vezes, pode criar um espírito de fracasso em nosso coração. Esse é um dos perigos que ameaçam os espiritualmente letárgicos, e ninguém parece estar advertindo quanto a isso. Sem conhecer os seus perigos, muitas pessoas já adoraram avidamente diante do altar da vitória.

       Permita apenas que eu mencione o seguinte: a vitória pode nos corromper, e a derrota pode nos destruir.

O PERIGO DA VITÓRIA

        A vitória, certamente, é um dos objetivos da vida cristã, mas que definição dela, temos usado? Lutamos para desfrutá-la, entretanto, quem nos diz o que realmente significa ser um vencedor? Precisamos examinar diligentemente as Escrituras para descobrir como Deus delineia uma vida cristã vitoriosa, para então nos comprometermos alcança-la. Qualquer outra definição é inaceitável ao cristão. Por ser isso demasiadamente importante, não devemos entender mal o seu significado.

       Permita-me dizer que há quem pense que uma vida cristã vitoriosa está isenta de quaisquer problemas, dificuldades ou derrotas. Na realidade, o contrário é verdadeiro. Ser vencedor consiste em derrotar os inimigos e as situações com as quais nos deparamos no caminho a cada dia ou momento. É por isso que a Palavra de Deus diz: Porque sete vezes cairá o justo (Pv 24:16a). Nós, às vezes, abraçamos a ideia de que um justo jamais cai. Assim sendo, enfrentamos o perigo da prepotência.

       A arrogância é o pecado que se segue ao sucesso. Já vi alguns comprarem o seu estilo de vida, dominando a todos. Tinham dinheiro para pagar, por isso a empregada, o jardineiro e todos os demais se tornaram seus escravos.

       Certa vez, liguei para um pregador famoso a fim de convidá-lo para ministrar em nossa igreja. Não consegui sequer falar com ele. A secretária informou que ele estava ocupado e não podia me atender. Isso aconteceu há muitos anos, e eu não sei se, após tanto tempo, ele falaria ou não comigo, em virtude de uma atitude condescendente à minha idade avançada. Deus sempre nos exortará por esse tipo de comportamento, Ele jamais permitirá que você tenha uma atitude intolerante com relação a alguém, se você for cristão. O Senhor o ama demais para deixá-lo agir assim impunemente. A arrogância sucede à vitória.

       Nosso Senhor entrou pelas portas de Jerusalém em um domingo. “Ele era filho de um carpinteiro” pensaram eles. Não fora educado em escolas, não conhecia nem usava os jargões dos corredores acadêmicos. Jesus falava a linguagem simples das ruas e dos povoados.

       Enquanto andava sobre o jumentinho pelas ruas de Jerusalém, com todo o povo aclamando e bradando Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas! (Mt 21:9b), o Mestre poderia muito bem ter nutrido pensamentos de sucesso e vitória. Aquele teria sido o momento perfeito para que ele, de repente, pensasse: “Talvez o diabo tivesse razão. Eu poderia ser o rei do mundo. Meus amigos que queriam que eu fosse rei talvez estivessem certos quanto a isso”.

       É sempre uma grande tentação permitir que suas vitórias assumam proporções exageradas e lhe deem uma ideia errônea de quem você realmente é. Cuide-se quando sua reputação for celebrada. É fácil demais acreditar no que as pessoas estão dizendo a seu respeito. Jesus não permitiu que qualquer tipo de sucesso O desviasse de Seu propósito. Ele sabia em que direção estava indo e manteve-se nesse caminho. Atente-se caso você venha a estabelecer-se, sendo aceito em sua área de atuação como alguém vitorioso e bem-sucedido. Quando isso acontece, pode ser muito perigoso. Se sobrevierem reconhecimentos acerca de sua vida cristã, tome cuidado.

       A mesma multidão que disse: “Hosana!” bradou: “Seja crucificado!”. Tenha isso em mente. O grande político de hoje poderá estar na cadeia amanhã. A multidão que o acha digno de aclamação hoje poderá lhe dar as costas amanhã.

O PERIGO DA DERROTA OU DO FRACASSO

       O perigo da derrota é oposto ao da vitória. Você se lembra da famosa batalha que Israel travou diante de Jericó e de como as muralhas caíram? O povo de Deus se tornou autoconfiante demais, achando-se responsável pela própria vitória, então, partiu para Ai. Ele levou apenas alguns milhares de soldados, pensando: “Ah, olhem só o que Israel fez a Jericó!”, quando tudo o que havia feito fora gritar e tocar as buzinas de chifre de carneiro. Deus fizera tudo, mas o povo achava que o tinha realizado.

       Os israelitas devem ter imaginado que o ar das buzinas derrubara as muralhas. Na batalha seguinte, pensaram; “Ah, venceremos a cidade de Ai. Será fácil”. Eles se vangloriaram arrogantemente: “Estamos com tudo agora, nada faz mais sucesso do que o nosso próprio sucesso, por isso tomaremos Ai da mesma forma que fizemos com Jericó”. Então saíram com o peito estufado e cabeça erguida, mas logo tiveram de fugir vergonhosamente do povo de Ai, perdendo valiosos 35 mil soldados. Sua derrota sucedeu à sua vitória, do mesmo modo que os efeitos às causas.

      O perigo é que a vitória faz crescer um espírito arrogante dentro de nós, fazendo-nos pensar que somos invencíveis. Então, o inevitável acontece; de repente mergulhamos no fracasso, o que gera um espírito de desânimo, o qual, muitas vezes, leva, ao abatimento. A velha expressão shakespeariana “ele não tem estômago para isso” indica que uma pessoa não tem disposição para determinado trabalho, já que pode ser desagradável a ela. A perda de resistência, ou o desânimo, pode se comparar a alguém doente que perdeu completamente o apetite.

      No Reino de Deus, uma ou duas derrotas e alguns reveses, muitas vezes, podem nos levar ao ponto de não termos mais estômago para nada. Oramos, mas estamos indispostos, não há mais prazer nessa prática. Vamos à igreja, porém não tiramos qualquer proveito disso. Nada tem significado para nós. Os hinos parecem sem graça e insípidos, os sermões são enfadonhos. Tudo parece desenxabido porque perdemos o entusiasmo. Estamos abatidos e desanimados.

      Muitos dos escolhidos de Deus já experimentaram isso. Eles não perderam a vida eterna, ou mudaram seu relacionamento com o Pai, ainda são seus filhos. Cristo continua intercedendo por eles à destra do Pai. O Céu ainda é o seu lar, mas perderam, momentaneamente, o estômago. Eles não têm apetite. Foram derrotados, e, por isso, o fracasso tomou conta deles. Já fui a igrejas nas quais era perceptível que ninguém esperava que algo pudesse acontecer, e o resultado disso, é claro, é o que se poderia esperar… Nada.

       Existe um perigo real na derrota. Suponha que alguém escorregasse em uma calçada coberta de gelo, vindo a cair e dissesse: “Acho que não adianta tentar de novo”. Então, após finalmente ter conseguido erguer-se, andaria por mais um quarteirão, cairia novamente e diria: “Há algo de errado com o meu equilíbrio, terei de aceitar o fato de que jamais conseguirei ficar de pé novamente”. Em algum momento, é evidente que ele teria de ir para casa. Essa é uma atitude derrotista, ou seja, quando permitimos que um fracasso implante um retrocesso permanente em nosso coração.

       Certa vez, enquanto participava de uma conferência, deparei-me com um jovem pregador, sentado ao pé da porta principal. Era um rapaz forte e robusto, mas, naquela manhã, estava visivelmente cabisbaixo. Tentei conversar, brincar um pouco, mas ele não reagiu. Não sorriu nem respondeu. Disse apenas: “Sr Tozer, algo terrível me aconteceu”.

       Eu perguntei:

      -Qual é o problema? O que aconteceu?

      -Acabo de fazer a minha prova de ordenação e fui reprovado – disse ele. – Fui reprovado no exame, e, agora, eles não querem me ordenar.

       Eu sabia o que aquele jovem estava passando, e ele corria o risco de desenvolver um espírito de derrotismo.

       Então, procurei encorajá-lo e mudar um pouco o seu estado de espírito.

       -Abraham Lincoln foi derrotado duas vezes antes de ser eleito. Se Deus o chamou, vá até a sua junta examinadora e descubra no que você errou. Compre alguns livros, estude e peça uma nova chance.

       Ele levantou o rosto e perguntou:

       –É isso que o Senhor sugere?

       Eu respondi:

       É claro! Não se deixe derrotar por isso. O Senhor o escolheu e não revogará o seu chamado por causa de algumas questões que você não soube responder. Estude, descubra qual foi o problema, supere-se, aprenda, ore e peça que o Altíssimo o ajude. Da próxima vez você vai passar.

       Foi exatamente isso que aconteceu. Ele se tornou um jovem pastor bem-sucedido, e tudo ficou bem. Entretanto, se alguém não o tivesse encorajado, aquele poderia ter sido o fim do seu ministério. Provavelmente, ele teria entrado em seu carro, ido para casa e pensado: “Não adianta. Deus me abandonou, o Espírito Santo me desamparou, e eu não sei o suficiente para passar no exame”.

      Suponha que você ore por algo, não o receba, e pareça óbvio que não o receberá. Não permita que isso acabe com as suas forças. Talvez, o seu viver não esteja procedendo com retidão e ore de forma egoísta, ou ainda, tenha compreendido mal a vontade de Deus. Examine as Escrituras, acerte-se com o Senhor, entregando-lhe a chance de trabalhar em você e, só então, tente novamente. Desse modo, o Senhor lhe fará aguardar ou dirá que você está orando pela motivação errada, instruindo-o a orar por algo, o qual lhe concederá. Ainda é possível que Ele lhe entregue aquilo pelo qual você orava desde o início. De qualquer modo, não fique derrotado. 

REGRAS PARA VIVER UMA VITÓRIA OU UMA DERROTA

        Eu já treinei a mim mesmo, por meio da Palavra de Deus e da oração, a jamais olhar para o que acontece dessa maneira. Preciso permanecer ao lado de Deus, junto à ressurreição e á vitória, e assim viver. Permita que eu enumere quatro regras que o ajudarão a passar por uma vitória ou uma derrota.

NÃO CONFIE EM UM CORAÇÃO DESANIMADO

         Jamais confie em um coração quando você está se sentindo desanimado ou quando acaba de conquistar uma grande vitória. Se tiver acabado de sofrer uma derrota horrível, simplesmente aquiete o seu coração e não tome decisão alguma. Lembre-se de que isto passará.

       Sendo cristão, o Espírito Santo habita em você. Ele não o rejeitou. Se todos acreditam que você não é tão bom assim no que faz, se a sua voz não é tão gloriosa como gostaria que fosse, se o seu intelecto e a sua sabedoria, quem sabe, não são tão exemplares o quanto gostaria, ou, ainda, se souberam da sua derrota e a espalharam a todos, entristecendo-o, deixe que pensem o que quiserem a seu respeito.

       Um coração desiludido sempre exagera. Não confie em um espírito desanimado, pois ele jamais lhe dará um panorama real sobre você ou a sua situação.

 ADIE QUALQUER TOMADA DE DECISÃO IMEDIATA

        Muito pouco precisa ser decidido imediatamente. Dê tempo a você mesmo. Não há qualquer pastor que em algum momento já não tenha escrito sua carta de resignação em um sábado e, então, após receber a benção no domingo, tenha acabado por rasga-la. Não renuncie nem desista de algo quando estiver desanimado. Sentindo-se deprimido e triste, não tome qualquer atitude.

       Quantos, em momentos de profundo desânimo, já não se resignaram, desistiram, decidiram-se e tiveram de se arrepender por isso pelo resto da vida. Outros já passaram pelo vale do desânimo e perseveraram até saírem dele e entrarem na maravilhosa luz do deleite divino.

       Toda decisão que tomamos para o Senhor tem seu momento certo. Tomar atitudes prematuramente, às vezes, significa perder a benção de Deus. Então, quando você estiver no topo do mundo e disser: Posso todas as coisas naquele que me fortalece (Fp 4:13), tome a sua decisão. 

REFLITA SOBRE O SEU RELACIONAMENTO COM DEUS

        Independente da sua vitória ou derrota, o seu relacionamento com Deus não muda. Você não é menos amado por Deus quando fracassa do que quando é bem-sucedido.

       O convívio com os outros pode mudar, dependendo do seu status de vitória ou derrota, mas não é assim com o Senhor. Posso suportar a desconfiança dos meus amigos, mas não conseguirei aguentar o mesmo de Deus. À medida que examino as Escrituras, descubro, para o meu deleite, que o Todo-Poderoso me tem em altíssima estima. Embora cometa erros e tropece, ainda sou filho do Deus vivo. Ele olha para mim com um sorriso radiante de graça e misericórdia. Eu sou a menina de seus olhos afetuosos.

 SATURE-SE DAS PROMESSAS DE DEUS

        Passar um tempo a sós com Deus, mantendo a sua Bíblia aberta, pode transformar um coração triste e cheio de derrota em alegre, por causa das imutáveis promessas do Senhor. A Palavra de Deus não muda conforme nossos sucessos ou nossas derrotas. O Senhor é a sua rocha, a sua fortaleza, o seu Libertador, o seu Escudo, a sua Força e a sua Torre forte. Ele enviou desde o alto a Sua mão, segurando-o, e o retirou das muitas águas. Livrou-o de seu inimigo e dos que o aborreciam. O Altíssimo o transportou para um lugar espaçoso e o guardou, porque tem prazer em você (Sl 18:16_19).

 NÓS ESTAMOS DO LADO DE DEUS

        Existe um versículo que eu amo: Porque tu acenderás a minha candeia; o SENHOR, meu Deus, alumiará as minhas trevas (Sl 18:28). Talvez a pequena chama tenha se extinguido. Mesmo assim, Deus a reacenderá para nós. Ele a inflamará e alumiará as nossas trevas. Creia nisso.

       O Senhor é o nosso Refúgio, e nós não deixaremos a vitória nos corromper nem permitiremos que a derrota nos desanime. Seguiremos adiante, permaneceremos acima de tudo isso, alegres em Deus, pois estamos vencendo, quer percebamos isso ou não; essa é a prerrogativa daqueles que vivem pela fé.

 

ON TO VICTORY

[AVANTE PARA A VITÓRIA]

Elisha A. Hoffman1

 

Cristãos, coloquem a armadura

Há uma vitória a ser ganha

Para o Senhor, para o Senhor

Tomem o capacete, o escudo e a espada

E avancem para a batalha

Munidos de Sua Palavra.

 

Desfraldem a Sua bandeira,

Arvorem-na sobre a Terra,

Proclamem a Sua verdade

Até que todas as nações

Reconheçam que Ele é o Rei

Por toda a Eternidade.

 

Quando findar a peleja,

E alcançarmos nossa vitória,

Os conflitos hão de cessar

E, em sua celeste morada,

A Igreja será coroada

De eterna e divina glória.

 

Será um momento de gozo,

Nossas línguas se encherão de louvor

Cada vez mais, cada vez mais

Ao contemplarmos o nosso Senhor

Por toda a eternidade.

Prossigamos para a vitória

 

Com Jesus, nosso General,

Com Jesus, nosso General

Prossigamos para a vitória,

Uma vitória gloriosa e final.

1Elisha Albright Hoffman (1839-1929), nascido na Pensilvânia (EUA), foi um pastor presbiteriano que compôs mais de dos mil hinos. Filho de ministro evangélico, cresceu cantando hinos sacros, tanto na igreja quanto em seu lar. Fonte: Wikipédia.

Os Perigos de uma Fé Superficial – Desperte da letargia espiritual

A.W.Tozer

Graça Editorial .

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Há Momentos – Banda Kadoshi

Há momentos que, na vida, pensamos em olhar atrás,
É preciso pedir ajuda para poder continuar.
E clamamos o nome de Jesus (2x)
E clamamos o nome, o nome de Jesus,
Ele nos ajuda a carregar a cruz.

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Alcançando a Índia

Resolvi disponibilizar estes dois vídeos que complementam  o estudo e conhecimento da nação indiana, com as suas castas e religiões diversas

Acrescentei também um material em power point da SEPAL com dados gerais sobre a Índia, contendo onze slides. Excelente e de fácil visualização, bastando clicar abaixo:

 

dados_sobre_a_india_sepal

Localização da Índia

Localização da Índia em verde escuro.
Território disputado da Caxemira (que inclui reivindicações de Paquistão e China) em verde-claro.

Índia (em hindiभारतBhāratpronunciado: [ˈbʱaːrət̪]; em inglêsIndiapronunciado: [ˈɪndiə]), oficialmente denominada República da Índia (em hindiभारत गणराज्यBhārat Gaṇarājya; em inglêsRepublic of India), é um país da Ásia Meridional. É o segundo país mais populoso, o sétimo maior em área geográfica e a democracia mais populosa do mundo. Delimitada ao sul pelo Oceano Índico, pelo mar da Arábia a oeste e pelo golfo de Bengala a leste, a Índia tem uma costa com 7 517 km de extensão. O país faz fronteira com Paquistão a oeste;[nota 1]ChinaNepal e Butão ao norte e Bangladesh e Mianmar a leste. Os países insulares do Oceano Índico — Sri Lanka e Maldivas— estão localizados bem próximo da Índia.

Lar da Civilização do Vale do Indo, de rotas comerciais históricas e de vastos impérios, o subcontinente indiano é identificado por sua riqueza comercial e cultural de grande parte da sua longa história. Quatro grandes religiões — hinduísmobudismojainismo e siquismo — originaram-se no país, enquanto o zoroastrismo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo chegaram no primeiro milênio d.C. e moldaram a diversidade cultural da região. Anexada gradualmente pela Companhia Britânica das Índias Orientais no início do século XVIII e colonizada pelo Império Britânico a partir de meados do século XIX, a Índia tornou-se uma nação independente em 1947, após uma luta social pela independência que foi marcada pela extensão da resistência não violenta.

O governo da Índia também considera o Afeganistão como um país fronteiriço. Isso ocorre porque os indianos consideram todo o estado de Jammu e Caxemira como parte da Índia, incluindo a porção que faz fronteira com o território afegão. Um cessar-fogo promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948 congelou as negociações sobre o território reivindicado pelo Paquistão e pela Índia. Como consequência, a região que faz fronteira com o Afeganistão é administrada pelo governo paquistanês.

A Índia é uma república composta por 28 estados e sete territórios da união, com um sistema de democracia parlamentar. O país é a sétima maior economia do mundo em Produto Interno Bruto (PIB) nominal, bem como a terceira maior do mundo em PIB medido em Paridade de Poder de Compra. As reformas econômicas feitas desde 1991 transformaram o país em uma das economias de mais rápido crescimento do mundo; no entanto, a Índia ainda sofre com altos níveis de pobreza, analfabetismo, violência de género, doenças e desnutrição. Uma sociedade pluralistamultilíngue e multiétnica, a Índia também é o lar de uma grande diversidade de animais selvagens e de habitats protegidos.

Mapa da Índia

Etimologia

O nome Índia é derivado de Indus, que por sua vez é derivado da palavra Hindu, em persa antigo. Do sânscrito Sindhu, a denominação local histórica para o rio Indus. Os gregos clássicos referiam-se aos indianos como Indoi (Ινδοί), povos do Indus. A Constituição da Índia e o uso comum em várias línguas indianas igualmente reconhecem Bharat como um nome oficial de igual statusHindustão (ou Indostão), que é a palavra persa para a “terra do Hindus” e historicamente referida ao norte da Índia, é também usada ocasionalmente como um sinônimo para toda a Índia.

No interior do território indiano vive cerca de 1,2 bilhão de pessoas, isso coloca o país em segundo lugar entre os países mais populosos do mundo, sendo superado somente pela China, cuja população é de aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes. A Índia apresenta uma taxa de crescimento vegetativo anual de cerca de 1,3%, percentual que preocupa, pois esse aumento na população representa muito. 

A numerosa população indiana possui uma grande diversidade cultural, étnica e religiosa. Há uma grande complexidade étnico-linguístico na Índia. A população é formada a partir de povos como: dravidianos e arianos, incluindo ainda grupos humanos de menor expressão. Quanto à língua, são aceitos como oficiais 18 idiomas, além de pelo menos 1 600 dialetos. Na índia cerca de 74% da população é de religião hinduísta, além de aproximadamente 12% de mulçumanos, e o restante, cerca de 14%, praticam outras religiões. 

Informações diversas

Nome: República da Índia. 

Capital: Nova Délhi. 

Cidade mais populosa: Bombaim (16,6 milhões). 

Religiões: Hindu, islamismo, cristã, sith, budismo, entre muitas outras. 

Mortalidade infantil: 34,61 mortos/1000 nascidos. 

Expectativa de vida: 65 anos. 

Independência: 15 de agosto de 1947. 

Subdivisões políticas: 28 Estados e 7 territórios da união. 

PIB: 2,9 trilhões de dólares. 

Gentílico: indiano (a). 

Moeda: rupia indiana. 

Religiões indianas

As religiões da Índia, são o conjunto das tradições religiosas correlatas que se originaram no subcontinente indiano, mais precisamente o hinduísmo, o budismo, o jainismo e o sikhismo (repare que são religiões originárias da Índia, mas não necessariamente maioritárias no país). Há também o Zoroastrismo , o Judaismo, o Cristianismo e o Islamismo embora estas quatro não tenham nascido na Índia.

Formam o subgrupo da classe maior das “filosofias orientais“. As religiões da Índia tem similaridades em credos, modos de adoração e práticas associadas, principalmente devido à sua história de origem comum e influência mútua.

https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndia

https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/india.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%B5es_indianas

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Os Grupos menos evangelizados no Brasil – Projeto mapeia presença evangélica em comunidades amazonenses

 

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Revista-Passatempos-Missionarios-2

Esta edição da revistinha PASSATEMPOS MISSIONÁRIOS é totalmente dedicada aos grupos menos evangelizados no Brasil. Além dos tradicionais caça palavras, palavras cruzadas, quizes e as Reflexões Missionárias.
Passatempos Missionários é uma publicação do blog Veredas Missionárias, e objetiva transmitir informações relevantes, direta e indiretamente ensinando e despertando a Igreja sobre a importância e a urgência da causa missionária, tudo isso através de divertidos passatempos.
Este é um material totalmente gratuito, sem cores denominacionais, concebido para ser livremente distribuído entre a membresia de igrejas evangélicas, seminários, classes de escola dominical, grupos e células, cultos e eventos de Missões etc.
A revista possui 20 páginas, em tamanho A5, e está em formato PDF.

Fonte: Veredas Missionaria

Devido às especificidades da região, sempre foi um grande desafio reunir dados e informações quantitativas exatas e confiáveis sobre o trabalho missionário no Amazonas. Tendo em vista suprir essa necessidade, um grupo de cristãos, formado por missionários, pastores, pesquisadores e voluntários, iniciou em abril de 2012 o Projeto Fronteiras, que tem entre seus objetivos pesquisar e processar informações sobre as etnias indígenas a respeito das quais pouco se sabe, as migrações indígenas nos principais rios e os bolsões ribeirinhos menos evangelizados e socialmente carentes na Amazônia.

Após estabelecer uma metodologia e uma estratégia de pesquisa, os pesquisadores estiveram durante três anos em campo levantando e catalogando os dados, que podem ser acessado no site do Projeto.

O Projeto Fronteiras é resultado da parceria entre algumas organizações. Entre elas estão a Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB ), Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI), Projeto Amanajé e Instituto Antropos.

Confira a seguir o mapa criado pelo Fronteiras que identifica por cores a presença evangélica no estado do Amazonas

 

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Cores de acordo com a presença evangélica nas comunidades

  • Vermelho: 0 a 10%.
  • Laranja: 11 a 20%.
  • Amarelo: 21 a 30%.
  • Verde: 31 a 40%.
  • Azul: acima de 41%.

De acordo com pesquisas, estima-se que o Amazonas tem em torno de 7.500 comunidades tradicionais. Se apenas 20% das comunidades tradicionais do Estado do Amazonas tem presença evangélica identificada, significa que os 80% restantes são 6.000 comunidades sem presença evangélica – que representa mais de 500.000 pessoas a serem alcançadas.

Revista Passatempo Missionários

Ultimato | Paralelo 10 ultimato@ultimato.com.br

Indígenas no Brasil — um universo pouco conhecido

O EVANGELHO ESTÁ ALCANÇANDO POVOS E NAÇÕES INCLUSIVE NAÇÕES INDÍGENAS … GLÓRIAS AO REI DA GLÓRIA… VEJA O FERVOR DESSE POVO!!! – Pr Isaías Gomes de Oliveira

Não há como negar que a realidade dos indígenas brasileiros é pouco conhecida pela maioria de nós.

Na introdução do livro Indígenas do Brasil, Ronaldo Lidório, o organizador, inicia assim o tema: “[Este livro] é uma convocação para percebermos que há vários universos sociais paralelos neste país. Um deles é a sociedade indígena” e, mais à frente, denuncia: “Por anos assistimos às injustiças mais profundas contra a sociedade indígena sem nutrirmos sentimento algum de revolta ou ao menos desconforto. Era um mundo à parte, responsabilidade de outros; a dor dos sofridos não era nossa luta”.

Eli Ticuna, um dos autores do livro A Questão Indígena — Uma luta desigual, concorda: “Quando pensamos no índio, a primeira imagem que vem à mente é aquela do homem nu, guerreiro com arco e flecha nas mãos, de olhos puxados, cabelos lisos e de rosto e corpo pintados. Há nessa imagem um misto de belo e exótico, ora idealizador, ora preconceituoso” e, em seguida, completa: “O índio brasileiro é cidadão que tem anseios, carências e necessidades específicas, que precisam ser supridas”. De um lado, idealizações; de outro, injustiça.

O texto da Equipe Curatorial da mostra “Dja Guata Porã — Rio de Janeiro indígena”, em exposição no Museu de Arte do Rio (MAR) desde outubro, salienta que, apesar do fato de que “ser carioca” seja inseparável de sua herança indígena — inclusive o próprio termo “carioca” vem da aldeia tupinambá Kariók, localizada no Outeiro da Glória –, esta presença não é amplamente reconhecida: “A história indígena do Rio de Janeiro ainda se mantém encoberta, silenciando a presença dos povos indígenas e sua enorme contribuição à nossa vida cotidiana e à nossa capacidade de imaginar o futuro”.

O que não sabemos sobre os indígenas do Brasil? 

Primeiro que é um universo diversificado e multicultural, com 340 diferentes etnias, falantes de 181 diferentes línguas. Algumas das etnias possuem uma população inferior a cem pessoas e existem pelo menos 27 grupos isolados, etnias que possuem pouco ou nenhum contato com outros indígenas ou não indígenas. Há uma crescente migração urbana — praticamente 50% dos indígenas brasileiros já vivem em áreas urbanas e para estes há acelerada perda da língua materna. Para os que permanecem em ambientes de aldeamento os problemas de saúde, educação e subsistência se intensificam. 

Houve uma explosão dos que passaram a se autodeclarar indígenas nas últimas décadas: em 1991, eram 294 mil. Em 2000, a pesquisa do IBGE contabilizou 734 mil indígenas e, em 2010, 900 mil.

O evangelho está em franco crescimento no grupo, sendo que 150 etnias possuem presença de igreja indígena. São dezesseis seminários e cursos com ênfase no preparo indígena. Segundo o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI), 270 obreiros indígenas passaram por seminários entre 2007 e 2016; 182 etnias possuem presença missionária evangélica, representando mais de trinta agências e quase cem diferentes denominações. A tradução da Bíblia também avança, mas ainda há 69 línguas sem nenhuma porção bíblica traduzida.

Enquanto a expectativa de vida do brasileiro é de 73 anos, a dos indígenas é de 45. A mortalidade infantil média brasileira é de quinze crianças em cada mil nascidas vivas, entre os indígenas é de 43,46 e entre os ianomâmis é de 149. O suicídio entre jovens de 10 a 19 anos entre os indígenas é oito vezes maior do que entre jovens brancos e negros. A demarcação de terras indígenas é de vital importância para os índios. Veja no quadro subsequente a situação atual do processo demarcatório.

infográfico das páginas seguintes lança luz sobre o pouco conhecido universo indígena do Brasil. Ultimato espera provocar empatia que se traduza em envolvimento por meio de ações concretas.

Boa parte das informações contidas no infográfico foi extraída do banco de dados do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais do Brasil (DAI/AMTB). Fontes governamentais e de outras organizações foram consultadas. 

http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/368/indigenas-no-brasil-um-universo-pouco-conhecido

 

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Tudo tem seu tempo certo

Família

Jaime Kemp

Cada família precisa aprender a desenvolver a arte de permanecer juntos, amadurecer… e ajustar-se diante das circunstâncias

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Primavera, verão, outono e inverno. Cada estação tem suas características próprias. Temperaturas, cores, flores e fauna diferentes. Quando eu era criança, entre oito e dez anos, enquanto crescia nas montanhas, na zona rural do norte da Califórnia, nos Estados Unidos, sempre gostei mais do verão. Não que eu não gostasse das outras estações, como, por exemplo, o inverno. O frio daquela região da América vinha acompanhado de muita neve, e isso me incentivou a aprender a esquiar com apenas sete anos de idade.
Ah, mas o verão! O verão anunciava o final do período escolar, além de colocar à disposição de um menino levado e cheio de energia a inesgotável diversão da vida no campo. Eu nadava nos lagos e pescava trutas nos rios, acampava ao lado do riacho com meu melhor amigo, Grant Landenslager, caçava faisão, coelhos e esquilos. O verão era, sem dúvida, a minha estação predileta.
Assim como o transcorrer do ano é marcado por diferentes estações, também no casamento existem diferentes fases, com suas alegrias e prazeres, lutas e dificuldades. Creio que posso mencionar pelo menos sete fases entre o dia do casamento e o dia da morte de um dos cônjuges. Todas elas carregam desafios, tentações, contentamentos e lutas.
Cada casamento é único, singular, entretanto cada casal, cada família precisa aprender a desenvolver a arte de permanecer juntos e amadurecer, enfrentar crises, tomar decisões, resolver problemas e ajustar-se diante das circunstâncias, sejam elas adversas ou não. Como disse o sábio rei Salomão em Eclesiastes 3.1: “Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião”. E no versículo 11, ele afirma: “Deus marcou o tempo certo para cada coisa…”.

As fases do casamento

Casamento é para ser um dueto, mas às vezes mais parece um duelo. O casal precisa aprender a viver em harmonia sob o mesmo teto, a fazer refeições juntos à mesma mesa e dormir na mesma cama.

Adaptação

Para alguns, o primeiro ano de casamento pode ser o mais difícil. Por quê? Bem, ao unir a “família Pereira” à “família Oliveira” eles percebem que cada uma tem suas tradições, suas idiossincrasias e sua maneira de encarar a vida. Dependendo da maturidade de cada cônjuge será mais tranquilo ou não conviver em harmonia. Mas, infelizmente, alguns casais não conseguem ajustar-se nesta primeira fase e logo no início da vida conjugal decidem separar-se.

Filhos pequenos

A segunda fase do casamento é aquela que anuncia a chegada dos filhos. Ela pode perdurar entre 5-10 anos, mas para alguns pode durar bem mais. Conheço casais que, depois de terem dois ou três filhos já nos primeiros cinco anos de casados, estão certos de que “fecharam a fábrica”, porém passados alguns anos, surpresa! Inesperadamente são presenteados com “uma raspinha de tacho”, como o povo gosta de dizer.
Essa fase projeta uma época de grande alegria, pois “os filhos são um presente do Senhor; eles são uma verdadeira bênção” (Salmos 127.3 – NTLH). Bebê e crianças pequenas são egoístas por natureza e querem (às vezes até mesmo exigem) que suas necessidades sejam satisfeitas imediatamente. Como costumo dizer, se não fosse pelo fato de as crianças serem pequenas e frágeis, a maioria estrangularia os pais num acesso de raiva descontrolada.
A responsabilidade de educar os filhos pequenos, associada à sabedoria de saber lidar com os quase constantes momentos de raiva descontrolada, urgências e emergências que eles têm, pode corroer o romantismo que o casal viveu serenamente durante a primeira fase do seu casamento. Algumas vezes uma criança pode unir mais o casal ou distanciá-lo, conforme a maneira como, de comum acordo, ambos decidem criar os filhos e do tempo que reservam e dedicam para cultivar e desenvolver seu relacionamento.
 

Filhos adolescentes

Esta é uma época, entre 10-17 anos, de mudanças e desafios para os filhos. Ela também pode ser uma fase de alegria para os pais, enquanto observam o amadurecimento gradual dos filhos, esforçando-se sempre para compreender e respeitar a velocidade de desenvolvimento e a facilidade ou dificuldade apresentada por cada um.
De uma coisa tenho certeza: os pais devem dobrar seus joelhos constantemente e pedir que Deus lhes dê sabedoria, muita paciência e graça para lidar com os filhos.
Muitas vezes, o que também pode dificultar essa fase é o fato de o homem, marido e pai deparar-se com o que chamamos de crise da meia-idade, entre os 35-45 anos. É um período difícil, quando aparentemente muitos homens vivem uma “segunda adolescência”, em geral justamente na época em que seus filhos estão chegando à primeira, na idade adequada. Isso explica a faísca de atrito que passa a existir entre eles. Também a mulher, esposa e mãe, pouco mais tarde, entra na menopausa, que, para muitas, causa desconforto e depressão.
Uma definição de maturidade é a habilidade de aceitar a vida como ela é, contudo nem todos são capazes. As pessoas lutam contra suas perdas, sonhos não realizados, frustração sexual, situação financeira e a monotonia do cotidiano.
 

Filhos jovens

A quarta fase pode predizer algum alívio. Os filhos estão cursando o colegial, a faculdade ou procurando emprego. Mas ela também traz desafios: a dificuldade de abertura de mercado para os filhos encontrarem um emprego, a responsabilidade de pagar a faculdade, que, geralmente, sobrecarrega o orçamento financeiro dos pais. Sei bem o que isso significa, pois paguei os quatro anos de faculdade para cada uma de minhas três filhas, sem falar nas despesas dos seus casamentos. Não é fácil. Mas isso não quer dizer que, além de desafios, existem muitas alegrais nessa fase. 

O ninho vazio

Quero alertar os casais a manterem a chama do amor bem viva ou correrão o perigo de chegar a essa fase bem distanciados emocionalmente. Talvez esse distanciamento seja o motivo por que muitos casais que vivem a realidade do ninho vazio, isto é, com os filhos praticamente ou já fora de casa, se separam, pois não têm mais nada para compartilhar, não cultivaram seu relacionamento durante as fases anteriores e então preferem terminar o casamento.
Embora os filhos sejam adultos, esse tipo de solução é tremendamente prejudicial a eles. Eu sei, pois foi exatamente isso que aconteceu com os meus pais. Por esse motivo, todo casamento precisa se reabastecer, do início ao fim, por meio do companheirismo, do romantismo, do amor e compartilhamento, especialmente quando o ninho fica vazio.

O casal fica sozinho novamente

As estatísticas provam que quando o ninho fica vazio, um grande número de casais desiste do casamento porque são surpreendidos pela triste constatação de que não têm mais nada em comum, que, com os filhos criados e assumindo sua própria vida, mais nada restou para uni-los.
Sempre digo que não existe nada mais bonito do que o amor e o romantismo demonstrados por dois jovens no dia do casamento, esperando com ansiedade a sua lua de mel. Não há nada mais bonito a não ser o amor e o carinho de duas pessoas idosas experimentando essa nova proposta de vida conjugal com adequação e conscientização, amor e afeto, aproveitando ao máximo seu “anos dourados”, dedicando-se juntos ao crescimento dos netos.

Missão cumprida

No início deste artigo contei que quando o inverno chegava com a neve, eu me divertia esquiando, com toda a energia de uma criança. Mas os anos passaram e agora estou vivendo a sétima e última fase da minha vida e do meu casamento com a minha querida esposa, Judith. Porém, meus 74 anos de idade não me impedem de sonhar e colocar minha esperança e o que resta da minha energia no ministério. Estamos atentos, na expectativa, aguardando o que Deus vai nos propor em relação a isso.
Olho para trás e penso em tudo o que vivi ao lado de minha esposa, minhas filhas, meus amigos e no meu ministério e sinto-me feliz. Quero continuar assim até o dia em que o Senhor nos chamar, eu e Judith, e nos “promover” para viver junto d’Ele.
Realmente não tenho mais a energia daquele menino que se acabava de tanto brincar, descendo a montanha em alta velocidade, destemido, num skate rudimentar, mas muito resistente, que meu pai fez para mim. Ainda me sinto animado e forte para viajar pelo Brasil e ensinar 200, 300 adolescentes e jovens sobre namoro, noivado, casamento e sexo.
 

Alguns segredos

Quero finalizar dizendo que cada fase do casamento e da vida familiar necessita de alguns fatores essenciais para sua estabilidade e harmonia:
1. O amor entre os cônjuges precisa ser cultivado em cada fase do casamento;
2. O compromisso de fidelidade deve ser respeitado, não importa a tempestade que venha desabar sobre a relação;
3. As expectativas devem ser reais e plausíveis em cada fase;
4. É necessário haver uma visão bíblica, séria, prática e acordada entre ambos a respeito de finanças;
5. Uma vida sexual sem egoísmo, que realize os dois;
6. Uma comunicação aberta, autêntica e crescente;
7. Uma vida espiritual sólida em que ambos desenvolvam o hábito de compartilhar a Palavra de Deus e a prática da oração.

Oro para que, seja qual for a sua idade, sejam quais forem as circunstâncias que o rodeiam, seu passado ou situação atual, você se sinta encorajado a encarar a vida como um atraente desafio e tenha a capacidade e a determinação de viver e aproveitar cada fase dela e do seu casamento segundo a vontade de Deus. Só dessa maneira você poderá desfrutar verdadeiramente de tudo o que ela pode lhe oferecer.

 Edição 138
Maio . Junho | 2014

http://www.revistalarcristao.com.br/138_materia.html

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É tempo de descansar

Cobre-me
Com Tuas mãos
Com poder
Vem me esconder, Senhor

Se o trovão e o mar se erguendo vêm

Sobre a tempestade eu voarei
Sobre as águas Tu também és Rei
Descansarei, pois sei que és Deus

Minh’alma está
Segura em Ti
Sabes bem
Que em Cristo firme estou

Se o trovão e o mar se erguendo vêm
Sobre a tempestade eu voarei
Sobre as águas Tu também és Rei
Descansarei, pois sei que és Deus

Estou neste momento entrando em um período razoável de descanso. De 14/09/2018 à 14/12/2018 não farei atualizações ou inserções de novas postagens. Talvez faça pequenas correções nas postagens durante este período, mesmo porque no geral trabalho desde o final da minha adolescência (+/- 38 anos), tendo apenas os períodos de férias pré-estabelecidas nos regimes de trabalho como estatutário e celetista e os afastamentos por motivo de saúde. Sinceramente, não sei se realmente vou ter atividades diversas fora do uso do blog. E não sei se viajarei, mesmo por que apesar de aposentado pelo inps (Petrobras) continuo na ativa no magistério a noite.

Imaginem…. Um homem com 55 anos, aposentado sem muitos afazeres domésticos… não sei… vou tentar… espero em Deus conseguir….. mas de qualquer maneira este período de aproximadamente três meses não farei novas postagens no geral.

O blog “Sal da Terra e Luz do Mundo” tem cumprido o seu propósito.

https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/2016/01/30/visitas-no-wordpress/

 

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São até o momento 157.556 visualizações de pessoas em 103 países  diferentes no blog. Selecionei as dez nações que mais visitam o blog:

 

 

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IMPORTANTE: Se você, caro visitante esta ou é de uma destas nações acima, gostaria de lhe conhecer, saber um pouco das suas necessidades e procurar ser útil a ti em algo. Basta clicar nos links abaixo, ok.

Obrigado.

Pb Ricardo Fernandes Barbosa ADJ25A (Assembléia de Deus do Jardim 25 de Agosto, localizada na cidade de Duque de Caxias, RJ, Brasil).

https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/minhas-preferencias-no-blog-sal-da-terra-e-luz-do-mundo/

https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/minhas-preferencias-no-blog-sal-da-terra-e-luz-do-mundo/quero-lhe-conhecer-2/

Neste ínterim quem acessar o blog poderá clicar em qualquer link, pois há muitos textos e temas diversos para edificação e ensino bíblico.

 É tempo de descanso

Sair para um lugar deserto implica, literalmente, parar tudo, cessar todos os afazeres.

 

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Casamento do meu filho, Thiago e Phabyola

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Em meus comentários associados a mocidade, juventude falei algo da celebração do casamento do meu filho, lá em Brasília (DF) no Espaço Florativa(https://www.casamentos.com.br/sitio-casamento/espaco-florativa–e104593), domingo passado, dia 02/09/2018. Para ouvir, basta clicar no link abaixo. O áudio está um pouquinho longo (pouco mais de 40 minutos), mais acredito que está completo. Outrossim, pode ser ouvido por partes.

https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/lar-cristao/jovens-mocidade/meus-comentarios-associados-a-mocidade-juventude/

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