Como vacinar em larga escala contra a COVID-19?

Gostei muito desse vídeo associado a logística de armazenamento, transporte e vacinação contra a COVID-19.

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Resumo dos acessos ao Blog

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       O mais importante é a dimensão do alcance das mensagens, isto sim é um indicativo de que as pessoas tem lido frequentemente os textos e tem se agradado.

       O Espírito de Deus afirma em:

Mt 7:16-29

“Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.

Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.

Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.

Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?

E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;

E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.

E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;

E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina;

Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas. “ 

Verdadeiramente, o blog  tem cumprido o seu propósito e alcançado números inimagináveis, pelo menos no meu entendimento,  ao tratar de assuntos relacionados ao reino de Deus.

Romanos 14:17

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.”

       Entre outras coisas, um lugar de testemunho, de considerações pessoais, estudo bíblico e onde posso lançar textos e periódicos de autores conhecidos dos cristãos em geral e outros assuntos semelhantes.

Louvado seja Deus. 

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Lições da Liderança de Neemias

E sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.” (Ne 1.4)

A igreja do século 21 necessita de líderes autênticos que se dediquem com afinco na obra do Senhor. Pode parecer sem sentido, em pleno século 21, buscarmos inspiração na lide­rança de um homem que viveu quase quinhentos anos antes de Cris­to, mas a igreja do Senhor Jesus, que se constitui dos que o aceitaram como Salvador, carece de modelos autênticos de liderança pautados nos princípios da sua Palavra. Neemias, então, é um dos grandes exemplos para os nossos dias. Neste capítulo apresentamos um resu­mo da sua liderança com base nos textos já comentados.

A ciência da administração oferece subsídios que podem ser apli­cados à liderança eclesiástica. Sem cair no tecnicismo, é possível exa­minar o que há de interessante nos compêndios de administração. Mas é na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, que os líderes devem buscar a inspiração para exercer sua gestão à frente das igrejas locais. Muitos modelos de igreja têm sido formulados e divulgados em publicações e editoriais em todos os lugares. E vários desses modelos não pas­sam de modismos que surgem, mas que em poucos anos não se ouve mais falar neles. Quando se examinam tais propostas de organização de igrejas, verifica-se que não passam de tentativas de apresentar algo inédito no que diz respeito à administração eclesiástica.

Contudo, verificando as páginas da Bíblia, observamos modelos especiais de liderança que servem de referência para os que desejam conduzir a igreja local conforme a vontade de Deus. O livro de Nee­mias é um desses exemplos de administração que podem e devem ser valorizados. Não obstante tratar-se de uma experiência de liderança desenvolvida há tantos séculos, contém princípios e orientações de grande valor para os líderes atuais.

Deus sempre Tem alguém para Usar

Neemias era um desconhecido. De acordo com alguns padrões estabelecidos, somente as pessoas que estão em evidência podem ser usadas por Deus. Contudo, segundo os mandamentos bíblicos, Deus usa quem se coloca a sua disposição. Quando quer, chama alguém que não tem relevância aos olhos dos homens. Ainda que o cargo de copeiro, exercido por Neemias, fosse de alta confiança, sua ação restringia-se às paredes do palácio. Entretanto, por causa de seu ca­ráter e relacionamento com Deus, foi chamado de forma especial para uma grande missão.

Ele era desconhecido para os homens, incluindo seus compatrio­tas que se achavam em Jerusalém sofrendo os resultados da grande crise que se abatera sobre eles. Mas não era desconhecido de Deus. Diz o salmista: “Quem é como o Senhor, nosso Deus, que habita nas alturas; que se curva para ver o que está nos céus e na terra; que do pó levanta o pequeno e, do monturo, ergue o necessitado, para o fazer assentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo” (SI 113.5-8).

Ester era uma desconhecida. O rei Assuero, da Pérsia, tomado de um acesso de vaidade, resolveu exibir os dotes físicos e a beleza de sua esposa, Vasti, perante os convidados na festa nacional celebra­da com pompas e luxo. Como sua esposa recusou-se a desfilar como uma “miss”, foi destituída do trono. Para seu lugar foi determinado que se convocassem as mais belas moças do reino. Provavelmente, entre as “beldades” convocadas havia jovens ricas e de elevado nível de instrução. Entretanto, Deus entrou em ação e fez com que uma jovem simples, órfã, criada por um primo, fosse a escolhida pelo rei. A jovem Ester, ou Hadassa, foi usada por Deus não apenas para ser rainha (Et 2.17), mas para ser instrumento em suas mãos a fim de livrar o seu povo da destruição.

Davi era um simples pastor de ovelhas. Quando o rei Saul per­deu a bênção de Deus em sua vida por ter desobedecido ao profeta Samuel, Deus determinou que o profeta fosse a Belém escolher um substituto para o desviado monarca. “Então, disse o Senhor a Sa­muel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei” (1ª Sm 16.1). Quem seria o escolhido? Abinadabe? Samá? O que tivesse uma boa aparência?

Não. O escolhido foi o jovem Davi, o filho mais novo de Jessé, que cuidava das ovelhas de seu pai. Não era conhecido entre seus concidadãos. Sua vida era apascentar ovelhas nas campinas verde- jantes, às margens de fontes de água, cuidando do rebanho de seu pai. Mas Deus pôs os olhos nele e o escolheu para ser um dos maio­res reis de Israel. “Então, mandou em busca dele e o trouxe (e era ruivo, e formoso de semblante, e de boa presença). E disse o Senhor: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é. Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi. Então, Sa­muel se levantou e se tornou a Ramá” (1ª Sm 16.13).

Poderíamos também discorrer sobre José, o filho de Jacó. Odia­do pelos irmãos, vendido a desconhecidos, caluniado por uma mu­lher ímpia e lançado no cárcere, contudo exaltado por Deus para ser o governador do Egito e salvar o seu povo da fome. Por que não falar de Elias, que imaginou ser o único sobrevivente, mas Deus tinha sete mil para fazer sua obra? Falaríamos também de Elizeu, Amós, Obadias, Pedro, Tiago, João e os demais apóstolos que foram homens simples, mas com qualidades que agradavam a Deus. Esses exemplos nos mostram que quando Deus decide usar alguém Ele não precisa de “pistolão” ou ser famoso. Para Deus o que de fato importa é disponibilidade do indivíduo, como já foi dito anteriormente.

Neemias um Líder Integro

Ele tinha integridade espiritual. Antes de tomar qualquer de­cisão, ele buscava a Deus em oração. “E sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Ne 1.4). Ele teve sensibilidade ao saber da realidade em que se encontrava seu povo. Ao tomar conhecimento da triste situação em que se encontrava Je­rusalém, ele não permaneceu como estava, como se nada estivesse acontecendo. Ele tomou uma atitude, que revela sentimento de inte­resse sincero e amor por seu povo.

“Assentei-me e chorei, e lamentei.” Neemias não tinha a cultu­ra machista do mundo ocidental que alardeia que “homem não cho­ra”. Ele interrompeu o que estava fazendo e aguardou o momento adequado, e assentou-se tomado de intensa emoção. Chorou e la­mentou a situação de seu povo. Não será isso o que está faltando em nossos dias? Homens de Deus que chorem e lamentem diante da situação trágica do nosso povo? Quando falamos “nosso povo”, referimo-nos à Igreja de Cristo em todo o mundo. O que estamos fazendo como líderes? Estamos chorando e lamentando pela Igreja? Em termos gerais, parece que não.

Ele tinha integridade moral. Dizem que três coisas podem der­rubar os líderes: dinheiro, sexo e poder. Ao observarmos a história e as experiências de Neemias como líder, não vemos qualquer referên­cia que desabone sua conduta.

1) Na área do dinheiro. Não obstante ter administrado recursos financeiros e patrimoniais na reconstrução dos muros de Jerusa­lém, não usou indevidamente das contribuições. Não foi deso­nesto, nem desviou recursos destinados à obra do Senhor para proveito pessoal. Quando percebeu os desmandos cometidos por administradores da obra, Neemias protestou: “Disse mais: Não é bom o que fazeis: Porventura, não devíeis andar no temor do nosso Deus, por causa do opróbrio dos gentios, os nossos inimigos? Também eu, meus irmãos e meus moços, a juro, lhes temos dado dinheiro e trigo. Deixemos este ganho. Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como também o centésimo do dinheiro, do trigo, do mosto e do azeite, que vós exigis deles. Então, disseram: Restituir-lhe-emos e nada procuraremos deles; faremos assim como dizes. Então, chamei os sacerdotes e os fiz jurar que fariam con­forme esta palavra” (Ne 5.9-12).

Silva acentua o caráter de Neemias como um líder exemplar: “Neemias não deixou que nenhuma tentação material, como a de fazer investimentos em terrenos, que lhe poderiam render boas rendas e dividendos, o desviasse de sua meta que era a tarefa de reconstruir o muro. Para isso Deus o houvera chamado e por isso ele teria que responder diante de Deus”.

2) Na área do sexo. À medida que lemos o livro de Neemias, não o vemos envolvido em relacionamentos ilícitos. Era comum os lí­deres buscarem muitas mulheres para si, pois a cultura da época permitia que o líder possuísse várias esposas e também concubinas, que lhe atendiam a qualquer hora em suas necessidades sexuais. Davi teve esposas e concubinas. Salomão perdeu-se ao formar um harém jamais visto na história de Israel. Contudo, Neemias soube portar-se como um verdadeiro líder, não se deixou levar pelos ins­tintos carnais buscando aproveitar-se dos prazeres do sexo. Hoje conhecemos dezenas de casos de líderes cristãos que se envolve­ram em escândalos sexuais corrompendo até menores de idade.

3) Na área do poder humano. Uma vez alguém declarou: “Quer saber quem é o homem? Dê-lhe poder”. A experiência geral parece confirmar essa idéia. Há pessoas que quando são simples congregados ou membros comportam-se de forma éti­ca, respeitosa e séria. Entretanto, ao assumirem um cargo na administração da igreja local, mudam completamente. Muitos se esquecem dos princípios bíblicos e se corrompem. Determinado líder de uma grande igreja passou a usar o dinheiro dos dízimos e das ofertas para proveito próprio. Adquiriu ter­renos, casa, postos de gasolina, moeda estrangeira, veículos, e registrou-os em seu nome. Contudo, esse mesmo homem era radical com a questão dos costumes. Disciplinava os seus mem­bros, sobretudo os jovens, por qualquer deslize, mas era um cor­rupto. No entanto, Deus o fez cair do “trono”.

Neemias soube administrar o poder que lhe fora conferido por Deus para ser o líder da restauração dos muros da Cidade Santa. Neemias não se corrompeu. Lord Acton, historiador católico, fez a seguinte declaração: “O poder corrompe e o poder abso­luto corrompe absolutamente”. A história, portanto, confirma esse pensamento, pois grandes ditadores e líderes tornaram-se corruptos.

Neemias foi um exemplo de integridade no período em que ad­ministrou a reconstrução dos muros: “Também desde o dia em que fui nomeado seu governador na terra de Judá, desde o ano vinte até ao ano trinta e dois do rei Artaxerxes, doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos o pão do governador. Mas os primeiros governadores, que foram antes de mim, oprimiram o povo e tomaram-lhe pão e vinho e, além disso, quarenta si­dos de prata; ainda também os seus moços dominavam sobre o povo; porém eu assim não fiz, por causa do temor de Deus” (Ne 5.14,15 – grifo nosso).

Eis a razão por que um homem de Deus não se corrompe no uso do seu cargo ou função: “Por causa do temor de Deus”. Se não houver esse temor, será grande a probabilidade da corrupção ad­ministrativa ou moral no desenvolvimento das funções eclesi­ásticas ou administrativas. Que Deus nos guarde desse péssimo exemplo.

4) Lição para os líderes de hoje. Com o crescimento dos evan­gélicos, grande parte dos líderes está comemorando. Entretanto, grandes ministérios parecem não se importar com os muros da moral e da ética arruinados. As portas espirituais estão queima­das em função do ecumenismo; o satanismo, por exemplo, tem boa aceitação nas altas esferas da sociedade. A corrupção está presente em todos os poderes do país. A pros­tituição e o homossexualismo já estão banalizados, isto é, as pessoas agem e reagem como se essas práticas fossem normais. Escândalos praticados por líderes evangélicos são divulgados, e nós não choramos e nem lamentamos diante de Deus. Ainda que pareça um jargão, podemos dizer que chorar é preciso! O pro­feta Joel também teve que chorar e exortar os sacerdotes de seu tempo por causa da calamidade espiritual de seu povo: “Cingi- vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar; entrai e passai, vestidos de panos de sacos, durante a noite, ministros do meu Deus; porque a oferta de manjares e a libação cortadas foram da Casa de vosso Deus” (Jl 1.13).

Neemias valorizava a vida devocional. É de fundamental im­portância que o líder reserve em sua agenda momentos para o cultivo de sua vida devocional, pois dessa forma estreita sua comunhão com Deus. Neemias era um líder que cuidava da sua vida secular, mas também zelava por sua vida espiritual.

1) À oração. “E sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assen­tei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Ne 1.4). Neemias sabia onde buscar o socorro ante os desafios da liderança. Há obreiros que são excelentes pregadores, ótimos cantores, mas são descuida­dos quanto à vida de oração. A oração é a base da vida ministe­rial ao lado da leitura bíblica.

O obreiro precisa orar todos os dias. Começar um dia de trabalho sem oração é correr um grande risco de enfrentar situações difíceis sem encontrar a solução para os elas. O exercício diário da oração é um reforço maravilhoso para a dinamização da igreja local. Há um ditado proferido nos púlpitos que declara: “Muita oração, muito po­der; pouca oração, pouco poder; nenhuma oração, nenhum poder”. A oração é a chave que abre as portas do sobrenatural quando o líder está buscando a unção do Espírito Santo. Neemias era homem de oração. Davi orava três vezes ao dia (SI 55.17); Daniel orava três vezes ao dia (Dn 6.10); Jesus orava diariamente (Mt 26.44a ). O salmista também tinha o costume de começar o dia orando e vigiando. Um hino antigo diz: “Bem de manhã, embora o céu se­reno pareça o dia a calma anunciar, vigia e ora o coração peque­no, que um temporal pode abrigar”. Segundo o Pr. David Young Cho, pastor da maior igreja pentecostal, o segredo para uma boa liderança está na oração, se possível, feita mais de uma vez ao dia. O obreiro que ora tem ao seu dispor a energia e o poder de Deus para desenvolver seu ministério.

2) O estudo da Bíblia Sagrada. No sétimo mês do ano, Ne­emias reuniu o povo, na praça principal da cidade, para ouvir a leitura da Palavra de Deus (Ne 8.1). “E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, assim de homens como de mulheres e de todos os entendidos para ouvirem, no primeiro dia do sétimo mês. E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne 8.2,3).

Neemias era homem de Deus dedicado à leitura e ao estudo da lei, por isso, estava entre os que ensinavam o povo a Palavra de Deus. Após a reconstrução dos muros ele percebeu que precisava reconstruir a vida espiritual do povo. “E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse. E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei” (Ne 8.8,9 – grifo nosso). Neemias era o tirsa­ta, ou seja, o governador da cidade. Seu tempo era ocupado nas atividades administrativas, legais e sociais. Mas ele não se descui­dava do cuidado com a Palavra de Deus. Para ensinar, ele gastava horas lendo e estudando a Palavra do Senhor.

3) Lição para os obreiros de hoje. Assim como Neemias, o obreiro precisa ler e estudar a Bíblia diariamente para que tenha o que transmitir à igreja. Os dias são maus, por isso há muitos motivos para que o obreiro dedique-se mais ao estudo da Palavra de Deus.

Meditação: O salmista tinha prazer em ler e meditar na Palavra de Deus: “Oh! Quanto amo a tua lei! E a minha meditação em todo o dia!” (SI 119.97). “Antecipei-me à alva da manhã e clamei; esperei na tua palavra” (SI 119.147). Thomas E. Trask: “Todos os dias, das cinco às sete da manhã, estudo a Bíblia e oro” (Trask, p. 17).

Prevenção: E necessário ter a palavra no coração para não pecar (SIl119.11).

Consolo: “Isto é a minha consolação na minha angústia, porque a tua palavra me vivificou” (SI 119.50).

Direção divina: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (SI 119.105).

Ordenamento ministerial: “Ordena os meus passos na tua pa­lavra, e não se apodere de mim iniquidade alguma” (Sl 119.133).

Espelhando-se em Neemias, o obreiro que lê a Bíblia diariamen­te torna-se sábio para dirigir o rebanho que lhe confiou o supremo Pastor.

O Obreiro e a Santificação

A vida espiritual do obreiro requer santificação, pois ela é condi­ção indispensável para chegar-se a Deus. Sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). Já vimos, no estudo do livro de Neemias, que ele era homem íntegro diante de Deus e do povo. A integridade é componente indispensável à santificação.

A santificação pessoal. Talvez seja uma das exigências que dê mais trabalho para ser alcançada. Normalmente, os obreiros en­volvem-se tanto com as tarefas eclesiásticas e ministeriais que se esquecem de cuidar da sua própria alma, e isso é um grande peri­go. Para santificação pessoal, o obreiro precisa considerar algumas coisas:

1) Apresentando-se a Deus. Antes de apresentar-se à igreja, às pessoas, o obreiro precisa ter consciência de que deve apresentar-se a Deus, e a Bíblia nos diz como devemos fazê-lo: “Procura apresen­tar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se enver­gonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade” (2ª Tm 2.15).

2) O cuidado de si mesmo. “Tem cuidado de ti mesmo, e da doutrina…” (1ª Tm 4.16). Esse versículo enfatiza dois aspectos importantes na vida do obreiro. Primeiro, o cuidado de si mes­mo. Segundo, o cuidado com a doutrina. Esses dois cuidados precisam andar juntos, um não pode ser bem-sucedido sem o outro. O cuidado de si mesmo pode ser visto de modo abrangen­te. O obreiro precisa cuidar de sua vida espiritual, moral, social, familiar e financeira.

O cuidado com a doutrina refere-se ao zelo na ministração da Palavra e pelo fiel cumprimento da doutrina do Senhor. Para alcançar esse objetivo (esse cuidado), faz-se necessário que o obreiro seja disciplinado consigo e zeloso.

Como ter a santificação. O líder precisa desenvolver a santifi­cação, que é o processo para alcançar a santidade. De acordo com a Bíblia, podemos anotar alguns cuidados a serem observados:

1)  Andar em espírito (G1 5.16,17);

2) Não deixar o pecado reinar em nosso corpo (Rm 6.12; 1ªTs 4.3);

3)Mortificar    as obras do corpo (Rm 8.13);

4) Apresentar o corpo em sacrifício vivo e agradável a Deus (Rm 12.1);

5) Glorificar a Deus no corpo (1ªCo 6.19,20).

6) Conservar o corpo irrepreensível para a vinda do Senhor (1ªTs 5.23).

O apóstolo Paulo declara: “Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a maldade, assim apre­sentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santi­ficação (Rm 6.19). “Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação” (1ªTs 4.7).

A santificação no ministério. O ministério pastoral é um dos maiores desafios na vida de um homem. É glorioso e espinhoso ao mesmo tempo. É agradável e pesado, de igual modo. Somos obreiros “chamados” e “separados” por Deus (Rm 1.5,6) para uma obra que muitos desejam, mas poucos possuem as características exigidas por Deus. Dentre essas características, a santidade apare­ce em destaque como condição indispensável para a realização da missão.

O grande problema do ministério é que o obreiro é um “vaso de barro” que pode se quebrar a qualquer momento, e que contém dentro dele um “tesouro” que lhe é entregue por Deus “para que a excelência do poder seja de Deus”, não do obreiro (cf. 2ªCo 4:7).Para que o vaso” (o obreiro) não se rache e não se quebre, é necessário que haja um exercício contínuo e permanente de santificação. Li o cuidado de si mesmo e da doutrina (cf. 1ªTm 4:16).

O adversário do ministério, o Diabo, está de plantão 24 horas por dia tentando derrotar obreiros, ministros e pastores. A santifica­ção do ministério exige do obreiro a crucificação com Cristo, e isso implica a crucificação do eu, de forma que tudo o que fazemos na igreja seja colocado em sacrifício santo e agradável a Deus no altar do serviço ao Senhor.

A santificação do ministério pode ser vista sob alguns ângulos das tarefas pastorais:

A santificação do ministério da palavra. Certamente, a mis­são do pastor é mais desenvolvida através da transmissão da Pa­lavra, da mensagem propriamente dita, para a igreja. Um obreiro, pastor ou líder, à frente do trabalho, precisa ter mensagens para transmitir ao rebanho. A verdadeira mensagem é aquela que vem de cima, que flui do Espírito de Deus para o espírito do mensagei­ro, e passa para a igreja, com unção e graça, de modo que todos são tocados pelo poder de Deus, transbordando em amor, temor e alegria espiritual.

Esse tipo de mensagem só pode existir se o obreiro buscar a pre­sença de Deus com oração e jejum. Certo pregador dizia que muitos lhe indagavam sobre o segredo de ter tanta unção para transmitir mensagens ao povo. Veja a sua resposta: “O segredo é que muitos oram cinco minutos para pregar uma hora; eu oro uma hora para pregar cinco minutos”.

Paulo, extraordinário pregador, não confiou em sua formação privilegiada aos pés de Gamaliel. Escrevendo aos coríntios, ele disse: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1ªCo 2.4). Ele confiava na eloquência do poder, em vez de se firmar no poder da eloquência. O ministério da palavra é santificado por uma vida pessoal de devoção e adoração a Deus. Sem exageros, podemos dizer que o livro de Neemias é um verdadeiro manual de liderança para os que têm a tarefa de estar à frente de uma igreja ou de um departamento. As lições daque­le homem de Deus são válidas para a administração eclesiástica nos nossos dias, em que os desafios são cada vez maiores e mais difíceis de serem confrontados. Contudo, com a graça de Deus e a unção do Espírito Santo, é possível alcançarmos os objetivos da obra do Senhor seguindo os padrões de liderança que emanam de sua Palavra.

Reflexão

1.   Por que Neemias foi chamado para uma grande missão?

2.   Em que áreas Neemias foi íntegro? Nos dias atuais, os líderes estão preocupados com essas áreas de suas vidas?

3.   Qual era o cargo público de Neemias? Os cristãos que ocu­pam cargos públicos têm honrado a Deus?

4.   Como o ministério da palavra é santificado? A santificação ainda é necessária para o povo e para os líderes na igreja local? (Veja Hb 12.14; 1ªPe 1.15)

https://nascidodenovo.org/v4/artigos/neemias-pt-13-licoes-da-lideranca-de-neemias/

Lições Bíblicas – 4º Trimestre de 2011. Adulto CPAD – Neemias – Integridade e coragem em tempos de crise e o Livro de Apoio das Lições Bíblicas.

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Descanso de 15-09-2020 à 14-12-2020

Estarei agora descansando na liberação de novos documentos ou postagens durante os dias de 15-09-2020 à 14-12-2020. Provavelmente, neste ínterim realizando algumas correções ou aperfeiçoando o blog.

É tempo de descanso. Ao longo de mais de vinte (20) anos, tenho postado no blog. Outrossim faço sistematicamente a inserção de novos posts, a cada trinta dias. Considero-me bem aventurado, pois pessoas de várias partes do mundo tem acessado o blog, e se agradado dos textos.

Entendo que agora chegou o tempo de descansar novamente.

O blog “Sal da Terra e Luz do Mundo” tem cumprido o seu propósito.

São até o momento 228.213 visualizações, com 142.244 visitantes e aproximadamente 1491 documentos publicados e 385 hinos ou louvores em 514 documentos publicados até 14-09-2020.

Maiores detalhes, basta clicar no link abaixo:

https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/relatorios-de-impactos-em-geral/visitas-no-blog/

Ou seja, há muito conteúdo de cunho cristocêntrico disponibilizado.

Durante alguns meses não farei inserção de novos textos, pois reiniciarei as postagens a partir do dia 14/12/2020. Talvez faça pequenas correções nas postagens ou paginas, durante este período.

Neste ínterim quem acessar o blog poderá clicar em qualquer link, pois há muitos textos e temas diversos para edificação e ensino bíblico além destes hinos ou louvores, visto que há um link específico (https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/louvor-e-adoracao-2/), contendo em ordem alfabética estes diversos hinos ou louvores, entre outras coisas.

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Deveres Civis, Morais e Espirituais

https://pt.slideshare.net/lelojr01/deveres-civis-morais-e-espirituais-do-cristo

https://pt.slideshare.net/andrewdaiane/lio-10-deveres-civis-morais-e-espirituais-62613839

CPAD Vídeo

Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2016 – Maravilhosa Graça – O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos

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Nunca antes neste país


Alderi Souza de Matos

Nunca antes na história nacional foram expostas tão abertamente as vísceras apodrecidas da desonestidade estatal, política e empresarial

Uma das características dos brasileiros é a constante preocupação em entender o seu país. Talvez em nenhum outro lugar do mundo se publiquem tantos livros que analisam e interpretam a história e a cultura nacional. Em especial, muitos se sentem desconcertados com as dificuldades que têm afligido a sociedade brasileira ao longo do tempo e se perguntam: O que houve de errado em nossa formação nacional? Por que não conseguimos superar males antigos e persistentes? Parece que estamos condenados a ocupar eternamente uma posição intermediária no cenário internacional: nem tão atrasados como muitas nações do terceiro mundo nem tão avançados como tantos países da Europa, Ásia e América do Norte.

Certamente, nossos males são fruto de um processo histórico e resultam das clamorosas deficiências da nossa formação ética, política e cultural. Um dos fatores mais negativos dessa triste herança é a realidade da corrupção. Entre suas causas está o individualismo tão arraigado desde o período colonial, que levou a uma progressiva erosão do interesse pela coletividade. Como afirma o jurista Calil Simão, “A corrupção social ou estatal é caracterizada pela incapacidade moral dos cidadãos de assumir compromissos voltados ao bem comum […] os cidadãos mostram-se incapazes de fazer coisas que não lhes tragam uma gratificação pessoal”.

Particularmente grave é a corrupção no âmbito da administração pública, que desvia somas gigantescas dos orçamentos estatais e afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos, principalmente os mais carentes. A esse terrível mal também se dá o pomposo nome de patrimonialismo, ou seja, a diluição dos limites entre o patrimônio público e o privado. Referindo-se aos corruptos da sua época, já dizia no século 17 o famoso padre Antônio Vieira: “Os outros ladrões roubam um homem; estes roubam cidades e reinos”. Essa distorção maléfica e perniciosa tem estado presente na vida do país desde os seus primórdios, desde a implantação do governo geral na Bahia em meados do século 16.

Diante dessa realidade aparentemente imutável, cuja tônica foi sempre a impunidade, a sociedade brasileira está atônita com a Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014, a maior investigação sobre corrupção realizada até hoje no Brasil. Nunca antes na história nacional foram expostas tão abertamente as vísceras apodrecidas da desonestidade estatal, política e empresarial. Essa operação reúne as ações coordenadas de três importantes órgãos públicos: a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal do Paraná, cuja vara criminal tem como titular o célebre juiz Sérgio Moro. Os números são impressionantes: cerca de 150 inquéritos policiais, quarenta ações penais, quase quinhentas pessoas e empresas sob investigação, 120 prisões em caráter preventivo. Os recursos desviados sobem a bilhões de reais, que poderiam estar sendo usados na saúde, na educação, na segurança pública, na infraestrutura.

O que os cristãos têm a ver com tudo isso? Muito a ver, pois, em primeiro lugar, eles são cidadãos e devem se interessar pelos rumos de sua sociedade. Além disso, as Escrituras têm muita coisa a dizer sobre o assunto, a começar pelo fato de que dois conjuntos de valores sempre devem andar juntos: de um lado, a justiça, a misericórdia, a solidariedade e o altruísmo; do outro lado, a verdade, a integridade, a transparência e a honestidade. A literatura sapiencial e os profetas do Antigo Testamento exaltam os governantes que não somente são solidários com os pobres, mas também agem com probidade e lisura (ver Sl 72.4, 12-14; Sl 101.1, 3, 7).

As investigações e os procedimentos judiciais inéditos em curso estão revelando com maior clareza e profundidade a malversação de recursos públicos existente em amplos setores da vida nacional: grandes empreiteiras pagam propinas a políticos e a funcionários graduados de estatais em troca de contratos e privilégios, sendo o dinheiro sujo utilizado tanto para aumentar os patrimônios pessoais desses indivíduos quanto para financiar partidos políticos e campanhas eleitorais. Tudo em prejuízo da boa administração, das boas práticas de gestão, da eficiência na solução dos problemas do país.

Adicionalmente, as realidades atuais do cenário brasileiro mostram a falácia de se tentar fazer justiça social sem uma adequada sustentação econômica e sem transparência e lisura no trato da coisa pública. Precisamos de governantes que sejam, sim, atentos aos clamores da sociedade, principalmente dos excluídos, dos marginalizados, promovendo a justa distribuição das riquezas e oferecendo os serviços necessários para uma vida digna. Porém, isso nunca pode ser feito ao mesmo tempo em que são toleradas ou estimuladas algumas das práticas mais condenáveis da história nacional.

Os processos judiciais resultantes da Operação Lava Jato enchem de esperança os brasileiros que aspiram por um país mais íntegro, sejam eles cristãos ou não. Porém, ainda é uma incógnita qual será o desfecho de tais procedimentos. Devemos acompanhar atentamente como irão se comportar os magistrados das instâncias superiores e verificar se as penas aplicadas irão realmente corresponder à gravidade dos delitos. Como cidadãos, precisamos pressionar os legisladores a aprovarem leis anticorrupção mais rigorosas e eficazes. Finalmente, com o nosso voto, devemos afastar da vida pública políticos e partidos que não têm demonstrado compromisso com a verdade, a integridade e a lei, que agem segundo a máxima de que os fins justificam os meios.

Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e professor no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. É autor de “Erasmo Braga”, o “Protestantismo e a Sociedade Brasileira”, “A Caminhada Cristã na História” e “Fundamentos da Teologia Histórica”.

Artigos de sua autoria estão disponíveis em http://www.mackenzie.com.br/historia_igreja.html.

https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/359/nunca-antes-neste-pais

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Quero lhe conhecer. Qual a importância ou aplicação do blog em sua vida? Pode ser anonimo.

Fique a vontade para escrever algo, quer seja um elogio ou mesmo critica. Toda critica construtiva será sempre bem-vinda. É um tipo de feedback. Outrossim, o irmão(ã), pastor(a), evangelista, missionário, obreiro, etc… fique a vontade caso queira enviar uma foto ou imagem sua, igreja, localidade onde habita. Pretendo mais a frente inserir uma live bastante concisa com algumas imagens atualizadas minhas. Isto é bom. O objetivo sempre é estreitar o relacionamento interpessoal, ainda que seja a distância.

Por uma questão de segurança atualmente, o WordPress (local onde foi criado o blog) não oferece a opção de envio de imagens ou fotos. Como alternativa, peço que o envio de arquivos como fotos ou imagens seja feito por e-mail, isto é, que me enviem tudo para um destes respectivos e-mails, obviamente indicando quem está enviando:

1)rfbarbosa1963@gmail.com

2)fernandespetrobras@hotmail.com.

Ficarei grato, caso faça isto.

Pb Ricardo Fernandes Barbosa

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Como será a igreja evangélica brasileira de 2040?

Saiu nos jornais o resultado de uma pesquisa do IBGE com dados interessantes sobre a realidade evangélica no Brasil. O dado que mais nos chamou a atenção é o que diz respeito à categoria evangélica que mais cresce: o “evangélico sem igreja”. A maior parte desse grupo não é de evangélicos “nominais” (os que se autodenominam evangélicos, mas não frequentam uma igreja); antes, é composta pelos que se consideram evangélicos, mas não se identificam com denominação alguma. Longe de ser “nominal” ou “não praticante”, o evangélico sem igreja talvez frequente várias igrejas sem se definir por uma; ou pode ser que assista a uma igreja durante alguns meses, antes de passar facilmente a outra. Com isso, não chega a se sentir assembleiano ou batista ou presbiteriano ou quadrangular. Existe, então, um setor crescente de pessoas que se identificam como evangélicas, mas não como pertencentes a uma determinada denominação·. 

Há também outra tendência que logo vai aparecer. Ainda não temos os resultados religiosos do Censo de 2010, mas as pesquisas recentes indicam que a porcentagem de evangélicos continua crescendo — não no ritmo dos anos 90 (que foi inteiramente excepcional), mas voltando ao ritmo de crescimento que caracterizou os anos 50, 60, 70 e 80. Contudo, esse crescimento um dia vai parar. Tal afirmação não é uma questão de “falta de fé”! Mesmo estatisticamente, nenhum processo de crescimento pode durar para sempre. Percebemos, pelas tendências atuais, que o fim do crescimento evangélico no Brasil pode não estar distante. De cada duas pessoas que deixam de se considerar católicas, apenas uma passa a se considerar evangélica. Além disso, evidentemente, a Igreja Católica não está a ponto de desaparecer. Fenômenos como a Canção Nova e outros testemunham disso; ou seja, há formas de catolicismo que arrebanham muita gente. É verdade que o catolicismo continua diminuindo numericamente, mas principalmente entre adeptos nominais ou de vínculo fraco. Existe um núcleo sólido que não está desaparecendo e que constitui, provavelmente, em torno de 25 a 30% da população. Pelas tendências atuais, será difícil que os evangélicos, que hoje são em torno de 20%, passem de 35% da população·. 

Tudo isso significa que logo vivenciaremos uma nova fase da religião evangélica no Brasil. Estamos desde os anos 50 na fase do crescimento rápido. (Antes dos anos 50 as igrejas não cresciam tanto.) Crescimento rápido significa que a igreja média tem poucas pessoas que nasceram evangélicas, mas muitas que se converteram inclusive que acabaram de se converter. Essa situação é privilegiada sob muitos aspectos, mas também tem certas implicações. Quando terminar a fase do crescimento rápido — provavelmente nas próximas duas ou três décadas –, haverá outro perfil em uma igreja média: mais pessoas que “nasceram na igreja” e menos que se converteram ou que acabaram de se converter. Com isso,  muitas coisas mudarão. O perfil de liderança eclesiástica exigida mudará. O crescimento rápido privilegia certo tipo de líder: o que tem um ministério capaz de atrair novos membros. Isso, claro, é muito importante, e sempre haverá espaço para esse tipo de líder. Porém, com a estabilização da igreja, haverá mais espaço para outras modalidades de liderança. E, como sabemos pelo Novo Testamento, os ministérios na igreja são múltiplos e variados. Não devemos ter uma linha de montagem de líderes cristãos com todos exatamente iguais. Temos de abraçar a variedade de ministérios e de tipos de líder evangélico. 
 

Por que no futuro uma variedade de tipos de líder será ainda mais importante? Quando as igrejas crescem muito, a exigência é fazer bem o bê-á-bá, pois há sempre pessoas novas chegando. Entretanto, quando há uma comunidade estabilizada numericamente, com mais pessoas com muito tempo de vivência evangélica, outras exigências ganham força. “Entre a conversão e a morte, o que tenho de fazer? Como desenvolvo a minha fé? Como devo crescer nas mais variadas áreas? O que significa ser discípulo de Cristo em todas as dimensões da vida? O que a fé evangélica tem a dizer sobre as questões que agitam a sociedade?” Haverá, então, mais exigência por um ensino variado e por pessoas que saibam falar para a sociedade em nome da fé evangélica. Precisaremos de pessoas preparadas nas mais diversas áreas de interface com a sociedade; portanto, precisaremos de ministérios cada vez mais diversificados. Esse tipo de líder não aparece da noite para o dia, pois a formação leva tempo. O carisma e o autodidatismo não bastam nesses casos·. 

Além disso, será cada vez mais importante a questão da transparência: primeiro, porque é uma demanda do próprio evangelho e, segundo, porque (queira Deus!) o Brasil de 2040 terá uma democracia mais limpa e transparente. Os líderes evangélicos do futuro precisarão ter vida pessoal capaz de ser examinada. Haverá menos tolerância para o líder inacessível e opaco, que vive atrás das máscaras. Em vez disso, uma liderança mais exposta e vulnerável será exigida. E as técnicas não ajudam nisso. O que produz esse tipo de líder é um profundo processo de formação pessoal, que leva tempo. 

Se não houver pessoas à altura, é possível que, quando terminar o crescimento rápido, em vez de uma comunidade evangélica estabilizada em torno de 35% durante gerações e com um efeito benéfico profundo na vida do país, haja um decréscimo na porcentagem de evangélicos. A curva numérica que agora ascende rapidamente pode cair de forma igualmente rápida. O evangélico ingênuo, que acha que isso nunca poderá acontecer, desconhece a história da igreja cristã, pois isso aconteceu algumas vezes em outros países. Se não tivermos um olhar para o futuro, para perceber os desafios de amanhã e nos preparar hoje para eles, a probabilidade é que esse declínio aconteça. 

Portanto, o primeiro desafio de hoje em função do futuro é formar um leque de tipos de líder, com ministérios variados, mas sempre humildes e com vidas transparentes. E o segundo desafio é a recuperação da Bíblia. A identidade evangélica não deve estar ligada meramente a uma tradição que se chama evangélica. Antes, ser evangélico significa a vontade de ser verdadeiramente bíblico, em todas as dimensões da vida com Cristo. E a Bíblia é um grande país, um terreno vasto, que precisamos conhecer por inteiro. Todavia, perdemos muito o sentido de ser bíblico. É raro hoje ouvir sermões verdadeiramente embasados na Bíblia. São mais comuns aqueles que nem sequer partem da Bíblia, ou aqueles em que o pregador lê um texto bíblico para depois falar de outro assunto. É incomum a interação séria com o texto bíblico, em que se deixa o texto falar para depois se fazer as aplicações para a vida pessoal, comunitária e social. É raro porque é difícil. Esse tipo de mensagem requer formação, preparo, pensamento, meditação. Via de regra, na fase atual do crescimento rápido, é mais fácil não fazer tudo isso, se preocupar apenas em ter uma igreja cheia.

Em um futuro próximo, porém, esse enfoque será cada vez mais necessário. Se não recuperarmos a capacidade de interagir com o texto bíblico, de deixá-lo falar a nós e, a partir disso, tirar as implicações individuais, eclesiásticas e nacionais, nos mostraremos irrelevantes. Assim, é possível que a curva decline logo após a estabilização, pois a capacidade de estudar e ensinar a Bíblia é algo que não se constrói da noite para o dia. É necessário exigirmos de nossos líderes que ensinem a Palavra, que interajam profundamente com o texto bíblico, que não fujam! Contudo, o bom ensino na igreja precisa também ser complementado pela leitura individual. É fundamental adquirir menos livros água com açúcar ou triunfalistas e mais leituras que nos embasem biblicamente. 

O processo, portanto, tem de começar com os membros comuns exigindo uma melhor qualidade de ensino e de literatura. A nova liderança para fazer frente aos desafios de 2030 e 2040 só vai surgir se houver uma demanda articulada a partir dos membros das igrejas. 

Dentro do tema da recuperação da Bíblia, insisto na centralidade dos Evangelhos. Comenta-se que a fé evangélica se tornou prisioneira da cultura religiosa da barganha. Ora, uma das maneiras de superar a cultura da barganha é incentivar a dedicação a uma causa (como fazem os movimentos políticos mais ideológicos). O problema, neste caso, é a persistência ao longo do tempo, a capacidade de continuar dedicado a ela durante décadas e apesar dos contratempos. Porém, existe uma outra maneira de combatermos a cultura religiosa da barganha: encantando-nos com a figura de Cristo, com a humildade amorosa de sua figura humana retratada nos quatro Evangelhos. O melhor antídoto para a cultura da barganha é o fascínio por Cristo, que advém do estudo sério dos Evangelhos.
 

A igreja evangélica brasileira de 2040 precisará, portanto, de líderes mais diversos nos seus dons, profundos no seu conhecimento e sabedoria e transparentes nas suas vidas; e precisará ter redescoberto o verdadeiro sentido de ser evangélico, que é a vontade de ser profundamente bíblico em toda a nossa existência. Esses dois requisitos existirão se a igreja de hoje tomar as medidas necessárias.

 Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é professor colaborador do programa de pós-graduação em sociologia na Universidade Federal de São Carlos e professor catedrático de religião e política em contexto global na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá.

http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/333/como-sera-a-igreja-evangelica-brasileira-de-2040#extras

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Eleição e Predestinação

TEXTO ÁUREO

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4,5).

VERDADE PRÁTICA

Segundo a sua presciência, Deus elegeu e predestinou para a salvação os que creriam e perseverariam na fé em Cristo Jesus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Efésios 1.4-12.

4 — como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,

5 — e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

6 — para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.

7 — Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,

8 — que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência,

9 — descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,

10 — de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

11 — nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade,

12 — com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo;

OBJETIVO GERAL

Informar que Deus soube de antemão, por meio de sua presciência, quais pessoas creriam e que, em Cristo, seriam predestinadas a receber bênçãos espirituais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

  • I. Esclarecer a diferença bíblica entre eleição e predestinação;
  • II. Explicar como ocorreu a eleição divina desde antes à fundação do mundo;
  • III. Constatar que a predestinação bíblica retrata as bênçãos concedidas aos eleitos.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Eleição e predestinação são termos importantes no estudo sobre a doutrina da salvação. Por isso é preciso estudá-los detidamente a fim de apresentar uma aula com bom embasamento doutrinário no sentido de edificar a vida dos nossos alunos. A doutrina da Eleição em Cristo é gloriosa. Nele, fomos eleitos para a salvação e predestinados a desfrutar das mais ricas bênçãos espirituais. Que essa maravilhosa certeza seja uma verdade no coração dos nossos alunos. Que cresçamos mais no conhecimento da Palavra de Deus e na maturidade da fé.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

A eleição e a predestinação são termos importantes na compreensão da doutrina da salvação. Esses vocábulos ligados entre si elucidam o plano divino de salvar os pecadores. Nesta lição abordaremos os conceitos bíblicos e a interpretação pentecostal referente à eleição e à predestinação.

PONTO CENTRAL

A eleição é segundo a presciência de Deus.

I. ELEITOS PARA UMA VIDA SANTA E IRREPREENSÍVEL

A dádiva da eleição precede a nossa existência. Antes da fundação do mundo, Deus planejou salvar e capacitar para uma vida de santidade os que Ele elegeu de antemão.

1. A Eleição divina. 

Primeiramente, a eleição é um “ato soberano de Deus em graça”. Deus não tem a obrigação de escolher ninguém, visto que todos são igualmente pecadores, merecendo assim a condenação. Em segundo lugar[…], eleição é Cristocêntrica – “pelo qual escolheu em Jesus Cristo”. A eleição do indivíduo ocorre somente em união com Jesus Cristo pela fé. Não existe eleição fora de Cristo[…] a eleição contempla “aqueles que de antemão sabia que o aceitariam”. A compreensão da relação entre a eleição e a presciência de Deus é sumamente importante para o entendimento adequado da doutrina.

Essa conceituação fundamenta-se nas Escrituras Sagradas, e tal interpretação foi defendida por grandes parcelas dos Pais da Igreja e, no período da Reforma Protestante, foi sustentada por Jacó Armínio e boa parcela dos primeiros reformadores do século XVI. Mais tarde, em 1619, essa compreensão foi condenada pelos calvinistas por ocasião do Sínodo de Dort. E, apesar de a interpretação de Armínio ter sido ferozmente combatida pelo calvinismo, atualmente cerca de 80% dos evangélicos são de confissão soteriológica arminiana.

Eleição traz a ideia de escolha. Aos Efésios (1.4), Paulo menciona três aspectos dessa escolha: (1) Em quem fomos escolhidos? Em Jesus, por isso ela é Cristocêntrica; (2) Em que tempo se deu essa escolha? O tempo é dito como “antes da fundação do mundo”; (3) E qual a finalidade? Para que fôssemos “santos e irrepreensíveis”. Donald Stamps, editor da Bíblia de Estudos Pentecostal, afirma que a eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo e que ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé. O teólogo arminiano Henry Clarence Thiessen menciona três pontos importantes dessa doutrina bíblica da Eleição divina:

Esse entendimento da maioria dos cristãos também é a compreensão do pentecostalismo clássico. Além disso, o conceito de eleição entre os pentecostais “inclui previsão de Deus quanto aquilo que o homem irá fazer com a sua própria liberdade, mas depende, para sua realização, da graça soberana de Deus”. Nesse sentido, não há nenhum conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana. Outro detalhe a ser considerado na eleição é o seu aspecto corporativo, que inclui os indivíduos em associação com o corpo de Cristo, a Igreja. Eis a posição da Declaração de Fé das Assembleias de Deus: 

Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, antes da fundação do mundo [Ef [Ef 1:4], segundo a sua presciência [1ªPe 1.2; 2ªTs 2:13]. O Senhor estabeleceu um plano de salvação para toda a humanidade […] (Tt 1:2); pois essa é a sua vontade [1ªTm 2:3,4]. Assim como Deus não elegeu uma nação já existente, mas preferiu criar uma nova a partir do patriarca Abraão [Gn 12:2], o Senhor Jesus Cristo, da mesma forma, criou um novo povo formado por judeus e gentios (Ef 2:14[1ªCo 12:13]).

Esse enunciado atesta que a eleição é corporativa. Significa que e eleição em Cristo é, primeiramente coletiva, ou seja, trata-se da eleição de um povo, a igreja (1:4,5,7,9; 1ªPe 1:1; 2:9). Efésios menciona a eleição no plural: “nos elegeu”(1:4). Em toda a Epístola, os eleitos são tratados em conjunto: um corpo(1:23), um povo (2:14), uma família (2:19), um edifício (2:20_22) e a Igreja (3:10, 5:23ss). A Epístola assinala que Deus elegeu de antemão um conjunto de pessoas para a salvação, a Igreja. Nesse caso, “o foco da eleição não é o indivíduo, mas o grupo, o corpo, a Igreja, formada por todos aqueles que creram em Cristo e permanecerão até o fim”.

Desse modo ratifica-se que a eleição é corporativa (coletiva) e também cristocêntrica – pois somente é “eleito” quem estiver em Cristo. Esse também é o parecer de Donald Stamps, editor geral da Bíblia de Estudo Pentecostal: “[…] a eleição é coletiva e abrange o ser humano como indivíduo, somente à medida que este se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira”.

2. As condições da eleição. 

Bíblia de Estudo Pentecostal ensina que a eleição para a salvação em Cristo é oferecida a todos (Jo 3.16; 1ªTm 2.4-6), e torna-se uma realidade para cada pessoa de acordo com seu prévio arrependimento e fé (2.8; 3.17). Entretanto, esse meio não é meritório e ninguém pode cumpri-lo sem a graça de Deus. Desse modo, fomos eleitos por iniciativa divina por causa da graciosa Obra de Cristo e não pelas nossas obras (2.8-9).

A declaração arminiana afirma que “Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e por cada um dos homens, de modo que obteve reconciliação e remissão dos pecados por sua morte na cruz, porém, ninguém é realmente feito participante dessa remissão, exceto os crentes. Esse entendimento equivale a acreditar na revelação contida na Bíblia Sagrada, isto é, que Deus amou o mundo e enviou o seu filho “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus corrobora com esse ensino bíblico:

Por isso, o Pai enviou o seu amado filho Jesus Cristo [1ªJo 4:9] para morrer em nosso lugar [1ªCo 5:7], providenciando-nos uma salvação, eterna, completa e eficaz [Hb 5:9]. O evangelho contempla a todos e a ninguém exclui: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2:11). Por conseguinte a salvação está disponível a todos os que creem [Jo 3:15, 16]. Sim, todos nós, sem exceção, podemos ser salvos através dos méritos de Jesus Cristo, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus.

A doutrina calvinista, no entanto, discorda que Cristo morreu por todos. Para os seguidores de Calvino, “a expiação é limitada”, ou seja, Cristo morreu somente por alguns – apenas para os eleitos. Nessa visão, o sacrifício de Cristo é diminuído, e o calvário torna-se mera formalidade, uma vez que a salvação não está disponível a todos. A partir desse pressuposto, os calvinistas defendem que a eleição é “incondicional”. Conforme Calvino asseverou, significa acreditar que Deus elegeu uns para a salvação outros para a perdição.

Contrariando esse ensino calvinista, a Bíblia Sagrada apresenta cerca de 80 textos comprobatórios que apontam para a “expiação ilimitada” – a morte de Cristo em favor da salvação de todos os homens, e não somente para alguns (Is 53:6; Mt 11:28_30; 18:14; Jo 1:7;1:29; 3:16,17; 6:51; 12:47; Rm 3:23_24; 5:6; 5:15; 10:13; 1ªTm 2:3_6; 4:10; Tt 2:11; Hb 2:9; 2ªPe 3:9; 1ªJo 2:2; 4:14, etc.). Outro aspecto doutrinário refere-se ao ensino em que a eleição para a salvação é “condicional”, e não “incondicional”. Eleição condicional significa que Deus escolhe por meio das condições que ele próprio estabeleceu. Por isso, são eleitos somente aqueles que preenchem estas condições, e não de um modo arbitrário (incondicional). John Wesley (1703-1791), pregador anglicano, discordava do sistema calvinista, que transformava a eleição do Deus de amor em eleição de um Deus tirano e insensível para com os pecadores.

O ensino arminiano explica, como já dito, que “por meio da presciência divina, Deus sabe desde a eternidade, quais indivíduos creriam e perseverariam na fé, e a essas pessoas Deus elegeu”. Isso, portanto, não implica entender como calvino, ou seja, que Deus tenha elegido uns para a vida e outros para danação, porque segundo as Escrituras, Ele não quer “que alguns se percam, senão que todos venham arrepender-se” (2ªPe 3:9). Desse modo, ratifica-se que tanto a expiação ilimitada como a eleição condicional foram estabelecidas pelo próprio Deus.

Assim, a condição mais elementar para a salvação é estar em Cristo (Ef 1:1_4). Isso implica em ratificar que a eleição é cristocêntrica, isto é, ninguém é eleito sem estar unido a Cristo. A eleição torna-se uma realidade para cada pessoa consoante o seu prévio arrependimento e fé (2:8; 3:17). Entretanto esse meio não é meritório, e ninguém pode cumpri-lo sem a graça de Deus. Desse modo, fomos eleitos por iniciativa divina por causa da graciosa obra de Cristo, e não pelas nossas obras (2:8_9).

3. Vida Santa e irrepreensível. 

Paulo enfatiza que a eleição tem a finalidade específica de sermos “santos e irrepreensíveis diante dEle” (1.4). Nesse aspecto, o vocábulo grego hagios (santo) significa “separado do pecado” (1ªPe 1.15,16); o adjetivo grego amõmos (irrepreensível) expressa algo “sem defeito” ou “inculpável” (Fp 2.15). Os termos apontam para a santificação, isto é, o mais alto padrão ético e moral de vida para agradar a Deus, que nos elegeu em Cristo (5.1-3).

Nesse sentido, a eleição condicional (daqueles que atendem ao chamado divino) predestina (o destino desses escolhidos) para uma vida afastada do pecado e da conduta ilibada. O uso paulino dos termos “santo e irrepreensível” evidencia que as palavras mutuamente se correspondem e complementam-se. O ser santo denota um estado de pureza interior que reflete no ser irrepreensível – uma condição de pureza externa. O apóstolo reitera que fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (2:10 NAA).

Portanto, não se pode conceber que os salvos em Cristo ainda possam viver na prática do pecado (1ªJo 3:6; 5:18).

4. A nova vida dos eleitos. 

O tema é apresentado com exortações contra a velha conduta, tais como: mentira, furto, palavras torpes, amargura, ira e cólera (4.22,25, 28,29,31). E ainda severas advertências contra a fornicação, impureza, avareza e embriaguez (5.3,15,18). A finalidade é apresentar a Deus uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga… mas santa e irrepreensível” (5.27). Não obstante, somente o Espírito Santo capacita o crente para esse novo estilo de vida (Gl 5.22-25). Trata-se, portanto, de um processo contínuo de santificação até a glorificação final no dia de Cristo (2ªCo 3.18).

Nessa nova vida, segundo a Revelação das Escrituras, o crente salvo deve pautar as suas atitudes segundo a moral bíblica, baseada na integridade, e não de acordo com o contexto social em que se está inserido. Foi nesse diapasão que Paulo apresentou o primeiro contraste entre a nova e a velha vida: “Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo” (4:25). Esse ponto é nevrálgico para o autentico cristão que sempre dirá a verdade, ainda que a mentira possa trazer-lhe alguma vantagem pessoal ou favorecer a coletividade.

Na sequência de orientações para o viver em Cristo, Paulo faz severas advertências contra a prostituição, a impureza, a avareza e a embriaguez (5:3,15,18). O propósito é apresentar a Deus uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga[…], mas santa e irrepreensível” (5:27). Não obstante, ratifica-se que somente o Espírito Santo capacita o crente para esse viver (Gl 5:16_25). Trata-se de um processo contínuo até a glorificação final no dia de Cristo (2ªCo 3:18).

Desse modo, um crente fiel não só deve fazer a diferença, como também o seu comportamento deve ser referencial para a sociedade, como resultado, velhos hábitos são abandonados, condutas reprováveis são descartadas,, e nítidas mudanças comportamentais são percebidas. Assim, aqueles que desenvolvem “a nova natureza de Cristo adquirem caráter que não somente perdura, como também transforma”.

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

A eleição ocorre por iniciativa do próprio Deus, por causa da Obra de Cristo, sem mérito humano.

SUBSÍDIO DIDÁTICO—PEDAGÓGICO

O que é Eleição? Quais as condições da eleição bíblica? O que se espera da nova vida dos eleitos? A necessidade de se ter uma vida santa e irrepreensível é um dos propósitos da eleição? Essas são algumas perguntas que você pode fazer para introduzir a lição, mais especificamente, o primeiro tópico. O tema desta lição é muito importante para uma compreensão bíblica adequada acerca do desdobramento do milagre da salvação na vida do crente. Por isso, prepara-se para essa aula e, com o auxílio das perguntas anteriores, estimule a classe a refletir sobre a importância do assunto. Deixe claro que Deus nos elegeu em Cristo para a salvação, bem como para viver uma vida santa e irrepreensível.

II. PREDESTINADOS PARA FILHOS DE ADOÇÃO

A palavra “predestinar” mostra que o destino dos eleitos foi feito na eternidade.

1. A predestinação

O termo grego proorizõ , traduzido como predestinação (1.5a), é formado pelo vocábulo oridzõ que significa “determinar” e pela preposição pro que indica algo feito “antes”, ou seja, predestinar significa literalmente “determinar antes”. A Bíblia de Estudo Pentecostal esclarece que a predestinação se aplica aos propósitos de Deus inclusos na eleição. Que a eleição é a escolha feita por Deus, “em Cristo”, de um povo para si mesmo (1.4), e que a predestinação abrange o que acontecerá ao povo escolhido por Deus (1.5). Por conseguinte, nossa Declaração de Fé ensina que a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que diante do chamamento do Evangelho recebem a Cristo como seu Salvador pessoal e perseveram até o fim (Rm 8.29,30). Logo, foi vontade de Deus reconciliar os pecadores e torná-los seus filhos (1.5b).

Esse conceito ratifica que a predestinação não se refere à escolha de alguns para a salvação e de outros para a perdição. Não significa que Deus predestinou alguns para amá-lo e outros para desprezá-lo, ou, na melhor das hipóteses a ser indiferente à Ele. O ensino onde Deus aleatoriamente salva uns e condena os demais não é coerente com o testemunho bíblico. Nas escrituras, a salvação – com já enfatizado – é um chamado universal a toda humanidade (Is 45:21ss; Jo 7:37ss; Ap 22:17).

Não se trata de uma dádiva concedida arbitrariamente para alguns e negada para outros. A salvação é uma benção disponível a todos que cumprirem a condição de crer em Cristo (Mc 16:16; Jo 17:20; Rm 9:33; 10:11; Fp 1:29; 1ªTm 1:16; 1ªPe 2:6). Isso indica que Cristo morreu por todos e por cada um, todavia nem todos serão salvos, não por um ato arbitrário de Deus, mas por não preencherem as condições divinamente estabelecidas. Deus concedeu ao ser humano o livre-arbítrio; logo a oferta da salvação pode ser recusada (Jo 7:16,17).

Apesar de sobejarem textos bíblicos acerca dessa verdade, João Calvino, em uma interpretação particular em sua obra A Instituição da Religião Cristã – conhecida também como Institutas – define predestinação de forma absolutamente determinista:

Chamamos predestinação ao decreto eterno de Deus pelo qual determinou o que fazer de cada um dos homens. Porque Ele não os cria com a mesma condição, mas antes ordena a uns para a vida eterna, e a outros, para a condenação perpétua. Portanto, segundo o fim para o qual o homem é criado, dizemos que está predestinado à vida ou à morte.

Na Bíblia Sagrada, ao contrário da teologia de Calvino, a pré-destinação não abrange a condenação eterna de ninguém (2ªPe 3:9). Conquanto eleição e predestinação sejam intrinsecamente ligadas, elas não são a mesma coisa. Outro equívoco da teologia determinista é tratara predestinação como sendo dupla, isto é, tendo dois lados: a salvação e a condenação. Reiteramos que a Bíblia somente se refere a predestinação em relação aos salvos em Cristo. Conforme assevera Donald Stamps, “a predestinação abrange o que acontecerá ao povo de Deus – todos os crentes genuínos em Cristo.

Na eleição, Deus definiu como condição o crer em Cristo (eleição condicional); já na predestinação, Deus planejou o destino e as benesses dos crentes em Cristo que atenderam o chamado divino. No plano divino, a predestinação dos escolhidos, dentre outros, possui três objetivos específicos: (1)Serem filhos por adoção em Jesus Cristo; (2)Serem herdeiros com Cristo (1:11); e (3)Serem conforme a imagem de Cristo(Rm 8:29).

2. Filhos por adoção. 

Paulo é o único escritor do Novo Testamento que emprega o termo “adoção” (Rm 8.15,23; 9.4; Gl 4.5; Ef 1.5). Essa prática não fazia parte do sistema legal judaico, mas era comum entre os romanos e perfeitamente conhecida entre os gregos. Assim, o apóstolo enfatiza que foi agradável a Deus inserir, no plano da salvação, a adoção dos eleitos como filhos “segundo o beneplácito da sua vontade” (1.5b). Ele ainda assinala que o amor foi o que moveu o Pai a nos adotar (2.4,5). Se noutro tempo éramos estranhos e inimigos de Deus, agora estamos reconciliados com Ele em Cristo e somos Seus filhos (Cl 1.21; Rm 8.17). Essa posição nos é imerecida, contudo, aprouve ao Pai fazê-la assim (Mt 11.26). Nessa perspectiva, Mathew Henry apresenta a seguinte compreensão:

A predestinação se refere às bençãos para as quais estão destinados [os eleitos], especialmente a benção que nos predestinou para filhos de adoção. Era o propósito de Deus que no devido tempo chegássemos a ser seus filhos adotivos, e dessa forma tivéssemos o direito a todos os privilégios e à herança de filhos […]. O que enaltece essas bençãos é o fato de serem produto do desígnio eterno.

3. Os privilégios da adoção. 

Deus criou o ser humano para estar em comunhão com Ele, mas o pecado rompeu com essa dádiva (Gn 1.26; 3.23,24). Entretanto, em Cristo, o Pai reconciliou-se com os homens, adotando os escolhidos (1.5). Nesse sentido, o apóstolo Paulo usa uma analogia da adoção na sociedade romana, em que o filho adotado recebia o direito ao nome e aos bens de quem o adotava. Igualmente, na filiação divina, Deus predestinou as bênçãos de um novo nome e de uma nova imagem — a imagem de Cristo — aos eleitos (Rm 8.29; Ap 2.17). Então, Deus concede a redenção e a remissão de pecados (1.7,8) e restabelece a comunhão com o pecador, dando-lhe o direito de clamar “Aba, Pai” (Gl 4.6), isto é, o direito de ter intimidade com o Pai. Isso significa que passamos a ser herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm 8.17), das promessas a Abraão (Gl 3.29) e da vida eterna (Ef 3.6; Tt 3.7). Tendo sido aceitos por Deus, fomos transformados em filhos para Seu louvor e glória (1.6).

Aprofundando a comparação com a adoção civil, os adotados em Cristo tornam-se “povo de propriedade exclusiva de Deus” (1ªPe 2:9, ARA), eleitos segundo a presciência de Deus Pai para a obediência a Cristo (Rm 6:16; 16:26; 2ªCo 10:5; 1ªPe 1:2). Prosseguindo nessa simetria, Deus predestinou os eleitos às bençãos de um novo nome e uma nova imagem – a imagem de Cristo (Rm 8:29; Ap 2:17). A redenção e a remissão de pecados são concedidas (1:7,8), e a comunhão é restabelecida com a intimidade de clamar “Aba, Pai” (Gl 4:6). Passamos a ser herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm 8:17) das promessas a Abraão (Gl 3:29) e da vida eterna (Tt 3:7; Ef 3:6). E, tendo sido aceitos por Deus, fomos transformados em filhos para o seu louvor e glória (Ef 1:6. Nesse aspecto, a abrangência da filiação tem uma dimensão simultaneamente presente e futura:

Essa maravilhosa filiação em Cristo, bem como os benefícios que dela advém, já pode ser desfrutada no tempo presente e será plena por ocasião da segunda vinda do Senhor. A condição para fazer parte desse glorioso evento é estar em Cristo. A filiação também abrange deveres com o Pai e com a família de Cristo – Igreja (Hb 12:7_16).

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Em seus decretos eternos, Deus predestinou os eleitos em Cristo a serem filhos por adoção e herdeiros de todas as bênçãos espirituais.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A predestinação genuinamente bíblica diz respeito apenas à salvação, sendo condicionada à fé em Cristo Jesus, estando relacionada à presciência de Deus. Portanto, a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que, diante do chamamento do Evangelho, recebem a Cristo como o seu Salvador Pessoal e perseveram até o fim. A predestinação do crente leva-o a ser conforme a imagem de Cristo; assim sendo, todos somos exortados a perseverar até o fim: ‘aquele que perseverar até ao fim será salvo’ (Mt 24.13). A graça divina tanto salva quanto nos preserva a alma neste mundo corrupto e corruptor. A fé antecede a regeneração: ‘Porque pela graça sois salvos por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus’ (Ef 2.8); ‘Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado’ (Mc 16.16); ‘Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo’” (SOARES, Ezequias (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017, pp.110,111).

III. A SUBLIMIDADE DO PROPÓSITO DIVINO NA PREDESTINAÇÃO

A excelência da predestinação está na provisão de bênçãos espirituais aos eleitos pela vontade divina em Cristo e por seu incalculável amor.

1. Predestinação e salvação. 

O Soberano Deus não predestinou incondicionalmente pessoa alguma à condenação eterna, mas deseja que todos se arrependam e convertam-se de seus maus caminhos (At 17.30). Nas seis vezes que a palavra aparece no Novo Testamento (At 4.28; Rm 8.29,30; 1ªCo 2.7; Ef 1.5,11), nenhuma delas faz referência a condenação de pecadores. Portanto, não houve uma dupla predestinação em que Deus decretou e escolheu que uns vão para o céu e outros para o inferno. Nossa Declaração de Fé assevera que a predestinação bíblica diz respeito apenas à salvação, sendo condicionada ao arrependimento e à fé em Cristo Jesus segundo a presciência divina (1.4,5; 1ªPe 1.2). John Wesley, na sua obra Predestinação Calmamente Considerada, faz objeção à idéia de Calvino da predestinação arbitrária de alguns para a perdição:

A respeito daquele que, sendo capaz de livrar milhões da morte apenas com um sopro de sua boca, se recusasse a salvar mais do que um dentre cem e dissesse: “Eu não faço porque não o quero”, como exaltaremos a misericórdia de Deus se lhe atribuirmos tal procedimento?

Como Deus pode ser considerado um justo juiz se Ele condena o réu previamente? Como pode ser considerado benigno se Ele julga com parcialidade, permitindo que pelo mesmo erro, uns sejam absolvidos e outros condenados? Dessarte, se existe uma predestinação para condenação, então de que adianta a pregação? Nesse sistema, os que não são escolhidos estão fadados à danação, quer a Palavra seja pregada, quer não. A única resposta plausível, em conformidade com os atributos divinos, está em perceber o equívoco na interpretação de João Calvino e considerar a presença de equidade e igualdade no julgamento dos pecadores.

Por conseguinte – novamente – , reafirmamos pedagogicamente que predestinação não pode ser considerada dupla, isto é, não está relacionada com a condenação, mas diz somente respeito àqueles que são salvos, sendo condicionada à fé em Cristo Jesus e a presciência divina (1:4,5; 1ªPe 1:2). Essa interpretação está assim expressa no Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento: “A questão da predestinação não significa Deus decidindo antecipadamente quem será salvo ou não, mas decidindo antecipadamente o que planeja que os eleitos, em Cristo, sejam ou venham a ser”. Esse também é o parecer da Declaração de Fé das Assembleias de Deus:

O Soberano Deus não predestinou incondicionalmente pessoa alguma à condenação eterna, mas, sim, almeja que todos, arrependendo-se, convertam-se dos seus maus caminhos: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17:30). predestinação genuinamente bíblica diz respeito apenas à salvação […] A predestinação do crente leva-o a ser conforme à imagem de Cristo (Rm 8:29_30), assim sendo somos todos exortados a perseverar até o fim: “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24:13).

Diante dessas exaustivas citações e reiteradas afirmações quanto ao conceito bíblico da eleição e da predestinação, os salvos em Cristo devem resistir e fazer objeção a qualquer ensino contrário à revelação contida nas Escrituras Sagradas. Os dogmas elaborados pelo pensamento humano não podem sobrepor-se, em hipótese alguma, à autoridade da Palavra de Deus.

2. Predestinação e o amor. 

Antes de Deus criar qualquer coisa, o seu plano de redimir a humanidade e de definir o destino dos crentes estava estabelecido (1.4,5). Por conseguinte, a Bíblia mostra que a redenção divina não foi uma medida de emergência; ao contrário, era o plano imutável do amor de Deus desde sempre (2ªTs 2.13; 2ªTm 1.9). Aqui consiste a sublimidade dos propósitos eternos em prover a salvação: o amor de Deus (Jo 3.16, 1ªJo 4.10,19). Foi por amor que Ele nos elegeu e nos predestinou em Cristo (Rm 8.29, Ef 1.4,5). Isso implica dizer que a salvação, como “favor imerecido”, provém do amor de Deus (2.4,8). Não obstante, os que se achegam a Cristo não são coagidos, mas atraídos a Ele (Jo 12.32).

Acerca desse amor presente tanto na eleição quanto na predestinação, o Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal registra o seguinte:

A generosidade de Deus para conosco é concretizada pela nossa união com o seu muito amado Filho. Podemos dizer que o amor de Deus por seu único Filho o motivou a ter muito mais filhos – cada um dos quais seria igual a seu Filho (Rm 8:28_30) por estarem em seu Filho e por serem moldados à sua imagem.

Foi por amor que fomos eleitos por Deus e predestinados em Cristo (Rm 8:29; Ef 1:4,5). Isso implica dizer que o “favor imerecido”, a fé necessária para crer e o uso do livre-arbítrio para responder ao chamado, tudo isso provém do amor de Deus (2:4,8). Não obstante, os que se achegam a Cristo não são coagidos, mas atraídos a Ele (Jo 12:32).

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

A predestinação não se refere à condenação, mas a salvação de pecadores. O ato de prover a salvação está diretamente relacionado ao amor de Deus.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“O verbo ‘predestinar’ ( proorizo ) ocorre seis vezes no Novo Testamento, uma vez em Atos (4.28) e nas outras cartas de Paulo (Rm 8.29,30; 1ªCo 2.7; Ef 1.5,11). Esse verbo significa ‘decidir antecipadamente’ e se aplica ao propósito de Deus compreendido pela eleição. A eleição é Deus escolhendo ‘em Cristo’ um povo para si mesmo, e a predestinação diz respeito ao que Deus planejou, antecipadamente, fazer com aqueles que foram escolhidos. Dessa forma, a questão da predestinação não significa Deus decidindo antecipadamente quem será salvo ou não, mas decidindo antecipadamente o que planeja que os eleitos, em Cristo, sejam ou venham a ser. Deus predestinou como os eleitos (isto é, aqueles que estão sendo salvos em Cristo) deveriam ser: em primeiro lugar, conforme a semelhança de seu Filho (Rm 8.29) e em seguida serem chamados (8.30), justificados (8.30), glorificados (8.30), santos e irrepreensíveis (Ef 1.4), adotados como seus filhos (1.5), redimidos (1.7), para o louvor de sua glória (1.11,12), aqueles que receberiam o Espírito Santo (1.13), destinatários de uma herança (1.14) e serem criados para realizar as boas obras (2.10)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Volume 2. RJ: CPAD, 2017, pp.396,397).

CONCLUSÃO

Cristo morreu por todos e por cada um dos pecadores. Desde a eternidade, segundo a sua presciência, em Cristo, Deus elegeu e predestinou os que creriam e perseverariam na fé a viver em santidade, receber a filiação divina e a desfrutar de todas as bênçãos espirituais divinamente estipuladas.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

ELEIÇÃO E PREDESTINAÇÃO

Nesta semana, estudaremos sobre a Eleição e a Predestinação. Veremos que, em Cristo, fomos eleitos para a salvação e predestinados a desfrutar das bênçãos espirituais preparadas por Deus aos eleitos em Cristo. Nesse sentido, a lição tem o objetivo geral de informar que Deus soube de antemão, por meio de Sua presciência, quais pessoas creriam e que, em Cristo, seriam predestinadas a receberem essas bênçãos. Nesse aspecto, você deve trabalhar pontos bem específicos: (1) esclarecer a diferença entre eleição e predestinação; (2) explicar como ocorreu a eleição divina desde antes da fundação do mundo; (3) constatar que a predestinação bíblica retrata as bênçãos concedidas aos eleitos. Basicamente, esses são os assuntos que permearão a lição.

Resumo da lição

Toda lição culminará para mostrar que a eleição é segundo a presciência divina. Esse é o ponto central do assunto. Sendo isso em mente, você desenvolverá o primeiro tópico mostrando que a eleição para a salvação ocorreu por iniciativa de Deus em Cristo Jesus e não por causa da obra humana. Nesse sentido, nós destacamos aqui o amor de Deus pelo pecador.

Distinguindo a eleição da predestinação, no segundo tópico você deve desenvolver o conceito de predestinação mostrando que o Altíssimo predestinou os eleitos para serem filhos por adoção, serem feitos à imagem de Cristo e serem herdeiros das bênçãos espirituais. Aqui, deve fi car claro que na Bíblia não existe a ideia de uma dupla predestinação, onde Deus decretaria que uns fossem para o céu e outros para o inferno.

Logo, se a predestinação não se refere à condenação eterna, o terceiro tópico reafirma essa verdade mostrando que ela está ligada diretamente à salvação e que esse ato está diretamente ligado ao amor de Deus.

Uma dica importante

Os termos “eleição” e “predestinação” são importantíssimos para serem bem dominados a fim de que você tenha segurança quando for expor a lição. Por isso, sugerimos algumas obras para a sua consulta e preparo: (1) Bíblia de Estudo Pentecostal; (2) livro “Arminianismo Puro e Simples”; (3) livro “Arminianismo — A Mecânica da Salvação”; (4) obra “Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal”; (5) e o “Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento”. Essas obras são editadas pela CPAD. Portanto, prepare-se bem.

Lições Bíblicas CPAD – 2º Trimestre de 2020 – Adultos – A Igreja Eleita – Redimida pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa

Livro de Apoio das Lições Bíblicas CPAD – 2º Trimestre de 2020 – Adultos – A Igreja Eleita – Redimida pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa

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O ensino de ciências para os que não pretendem ser cientistas

       A missão de todo professor é a de preparar bem as novas gerações para o mundo em que vivem e convivem, mas também para o mundo em que irão viver. Mas, como o mundo atual muda rapidamente, também a escola necessita estar em contínuo estado de atenção para se adaptar a essas mudanças e construir um ensino, tanto em conteúdo quanto em metodologia, coerente com a evolução dessas mudanças. Se as aulas que ministramos assim não se colocarem, é natural que os alunos se sintam entediados e busquem conquistar por outros meios os conhecimentos que consideram essenciais para compreender o mundo em que irão viver.

       Não são poucos os estudantes brasileiros que, a exemplo de seus colegas de outros países, assumem o chamado “paradoxo de Ícaro”, afastando-se dos ensinamentos propostos pelos professores por acreditar em outras fantasias e, ao querer aplicá-las á sociedade, destruírem-se pelo derretimento de suas bases. Isso vale para qualquer disciplina do currículo escolar e não vale menos para Ciências, seja para os anos iniciais, seja em aulas do Ensino Médio.

      Por essas razões, todo ensino necessita continuar prescrito a todos, sempre se pensando que quem aprende deverá se formar como uma “pessoa comum” que irá necessitar de relativamente poucos conhecimentos específicos para sua ação no mundo do trabalho e das relações interpessoais, compreendendo, ainda que superficialmente, algumas bases essenciais e os fundamentos presentes nos objetivos do ensino de Ciências. É por essa razão que, quando se fala no bom ensino para todos, é importante definir qual a essência dos conteúdos conceituais, das competências e habilidades que são imprescindíveis para uso fora da escola, seja qual for a profissão que no futuro o aluno irá exercer. Uma coisa é se discutir o que “entra” nos exames vestibulares, e outra, mais importante, que uso se fará do saber específico futuros médicos, administradores, engenheiros ou outros profissionais de qualquer área, formados no Ensino Superior ou não.

       Essas considerações impõem a todos os professores, seja qual for a disciplina que ensinam, algumas e inadiáveis novas funções. Por exemplo:

  • Selecionar, entre todos os saberes de Ciências existentes, aqueles que possam ser úteis aos alunos em cada um dos diferentes níveis de sua educação. Uma coerente “leitura” do mapa mundial, a percepção da identidade de cada país e de seus compromissos com valores globais, o sentimento cívico de que preservar o ambiente é garantir também aos ainda não nascidos igual direito de usufruto da terra e da natureza que desfrutamos. Também o sentimento de que a busca da paz mundial sempre deve se sobrepor a interesses específicos da cada nação são itens que, estudados em Ciências, mostram-se imprescindíveis a todos os lugares.

       É bem verdade que na maior parte das vezes os livros didáticos usados pelos professores já organizam essa seleção, mas é importante, não esquecer que essas obras são preparadas para todo o país ou para toda a grandeza de uma região geográfica e que, desta forma, existe necessária mudança e adaptação no conteúdo específico que se ensina. O ensino de Ciências para os que pensam ser cientistas profissionais é relativamente mais simples, pois basta mostrar as grandes linhas e diversidades das Ciências para que o aluno as selecione a seu gosto e vocação.

  • Conhecer em profundidade o que o aluno sabe e dentro de qual esfera cultural cresceu e cresce, para ajustar o que necessita a aprendizagem que efetivamente pode ampliar. Um aluno que provém de uma família razoavelmente culta, e que está habituada a leituras e a programas eruditos, possui uma prontidão de aprendizagem diferente de outros que, egressos de famílias culturalmente carentes, não cresceram desafiados a pensar e a conviver com outras culturas.
  • Partir do pressuposto que se deve “ensinar o programa”, seja qual for o nível cultural do aluno, constitui tolice pedagógica que cansa o professor e esmaga os resquícios da autoestima de alguns mais limitados.
  • Hoje já não pode mais ser assim e, por este motivo, e importante refletir e experimentar sobre os saberes que possam ser suficientes ao aluno para atuar no mundo que encontram à porta da escola. Mais do que nunca, é essencial que se recomende que seja sempre preferível saber pouco e bem, a cérebros entupidos de teorias carentes da lógica ou significação. Impossível esquecer que atualmente os mecanismos computacionais e de memórias permitem alunos que, sabendo pouco e bem, disponham de uma bagagem eletrônica volumosa em informações.
  • A aprendizagem permanente é ferramenta essencial a todos, e, por este motivo, é impossível se abrir mão da finalidade de se ensinar o aluno a aprender. Assim, o ensino de Ciências deve ser imprescindível ferramenta para que o aluno, independente de sua série ou nível, aprenda a pesquisar, argumentar, possuir uma visão sistêmica dos fatos, administrar formas e tipos diferentes de pensamentos, a cessar novas informações relacionando-as ao que sabe e ao que busca saber e, sobretudo, saber se socializar no vasto conceito a que esse verbo se refere.
  • Outro tema essencial para qualquer disciplina escolar é a introdução, quanto antes, no pleno domínio da computação, não somente para busca de informações, mas para um uso específico desse instrumento em todas as utilizações possíveis.
  • Finalmente, é sempre desejável que em Ciências, todos os alunos possam dominar e usufruir as competências e habilidades discriminadas no quadro seguinte:
Realizem leitura compreensiva Domínio integral da leitura escrita, lidando com seus símbolos e signos e beneficiando-se da compreensão integral e significação dos textos lidos.  
Dominem múltiplas linguagens. Ampliem a capacidade de expressão na argumentação oral e escrita e no uso de outras linguagens, como o desenho, a mímica, a interpretação de gráficos etc.
Desenvolvam a capacidade de solucionar problemas. Sintam-se estimulados para resolver problemas, seguindo raciocínio lógico e abstrato e sabendo expressar de forma diversificada os problemas solucionados ou pesquisados.
Saibam utilizar habilidades operatórias. Desenvolvam habilidades para compreender, interpretar, relacionar, conhecer, analisar, comparar e sintetizar dados, fatos e situações ligados a significação dos saberes escolares no cotidiano.
Conquistem uma visão integradora e sistêmica. Compreendam um fato ou fenômeno em todas as suas dimensões e saibam administrar as muitas redes de relações sociais que envolvem o viver e o conviver.
Alcancem capacidade de argumentação e diálogo. Exercitar e dominar estratégias de argumentação e valorizar o diálogo, a negociação positiva e as relações interpessoais.
Desenvolvam a iniciativa e criatividade. Possam estabelecer linhas de procedimentos que instigam a iniciativa e a criatividade e associar essas capacidades aos conteúdos escolares.
Conquistem a capacidade de pesquisar e acessar  informações. Aprendam a localizar, acessar, selecionar, classificar, contextualizar e usar melhor as informações disponíveis.
Desenvolvam plenamente a capacidade crítica. Descubram o sentido positivo da crítica, visando o domínio da cidadania e descobrindo meios e processos para se trabalhar e respeitar o pluralismo.
Desenvolvam a capacidade de cooperação e socialização. Aprendam o verdadeiro sentido da cooperação nas relações interpessoais, desenvolvendo a empatia e compreensão do outro e sabendo trabalhar solidariamente.


Não existe qualquer dúvida que o professor de Ciências não estará violando nenhuma regra sagrada em optar por bons livros ou apostilas didáticos, mas é essencial que encare esses recursos como instrumento auxiliar de sua pratica pedagógica, e não como depósito de verdades indiscutíveis para que o aluno se force a aprendê-las. Aprender ciências significa também aprender a duvidar, saber comparar, dispor de lucidez para analisar, de serenidade para sintetizar e de coragem para aplicar, e esses fundamentos devem ser mostrados em todas as séries para todos os alunos.

CIÊNCIAS E DIDÁTICA

COLEÇÃO COMO BEM ENSINAR

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Talmude doutrinas, costumes e tradições judaicas

Talmude (em hebraico: תַּלְמוּד, transl. Talmud significa estudo) é uma coletânea de livros sagrados dos judeus, um registro das discussões rabínicas que pertencem à leiética, costumes e história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico.

O Talmude é a fonte de onde se deriva a lei judaica. Os judeus ortodoxos estão na obrigação de segui-lo como regra de fé e prática. Contém o Halakhah, que são decretos legais e preceitos acompanhados de discussões elaboradas em virtude das quais os juízes chegaram às suas decisões. No Talmude toma-se a posição que a Lei de Moisés precisa ser adaptada às condições sempre mutáveis de Israel. A maior parte da discussão, no Talmude, assume a forma de diálogos. O diálogo introduz perguntas e procura as causas e as origens.

O Talmude tem dois componentes: a Mishná, o primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica; e o Guemará, uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos que frequentemente abordam outros tópicos.

O Mishná foi redigido pelos mestres tanaítas (Tannaim), termo que deriva da palavra hebraica que significa “ensinar” ou “transmitir uma tradição”. Os tanaítas viveram entre o século I e o século III d.C. A primeira codificação é atribuída ao Aquiba (50 d.C. – 130 d.C.), e uma segunda, ao Rabi Meir (entre 130 d.C. e 160 d.C.), ambas as versões tendo sido escritas no atual idioma aramaico, ainda em uso no interior da Síria.

Os termos Talmud e Guemará são utilizados freqüentemente de maneira intercambiável. A Guemará é a base de todos os códigos da lei rabínica, e é muito citada no resto da literatura rabínica; já o Talmude também é chamado freqüentemente de Shas (hebraico: ש”ס), uma abreviação em hebraico de shisha sedarim, as “seis ordens” da Mishná.

O Talmude, numa edição moderna impressa

Para entender o talmude devemos entender a sua formação. Os relatos antigos remetem que a Bíblia, mas na época apenas o velho testamento, separado em livros, e com o principal conjunto de livros chamados de Torá, que significa a lei, foi escrito por Moisés, e ditado e inspirado por Deus.
Com a formação do reino de Israel, formaram-se sacerdotes com a ideia de unificar as ideias sobre os textos bíblicos.
Como isso acontece? Podemos ver isso, por exemplo, com a igreja Católica, que tendo a bíblia, cria livros e regras interpretativas chamadas doutrinas da igreja católica, que coloca a opinião ou pareceres de seus líderes “notáveis”, no mesmo nível e autoridade das Escrituras Sagradas que nós os protestantes repudiamos, pois consideramos a Bíblia como única regra de fé e conduta.

Em média todas as igrejas criam suas doutrinas, baseadas em um conglomerado de pastores, ou líderes de sua igreja, e quase sempre quem não aceita tais doutrinas geradas por sua igreja é excluído ou deixado fora de posições na igreja.
E assim foi a formação do talmude, uma compilação de ideias doutrinárias geradas por líderes da religião judaica.
O talmude compreende várias tradições do Judaísmo, mas o sistema de ideologia remete-se a séculos antes de Cristo.
Nos textos de Mateus 15:3_9, encontramos que Jesus referia que as tradições anulavam os mandamentos. Neste caso Jesus referia que era mais valia ajudar a sanar a dificuldade dos pais, do que dar dinheiro para o santuário, e deixar os pais perecerem.
Assim tanto o talmude como vários livros doutrinários, costumam ter algumas normas que não tem o vínculo do amor, e muitos delas beiram a Esotérico.

História

Lei oral

Originalmente, o estudo acadêmico do judaísmo era oral. Os rabinos expunham e debatiam a lei (isto é, a Torá) e discutiam o Tanakh sem o benefício das obras escritas (além dos próprios livros bíblicos), embora alguns possam ter feito anotações privadas (meguilot setarim), por exemplo, a respeito das decisões de cortes. A situação mudou drasticamente, no entanto, principalmente como resultado da destruição da comunidade judaica no ano de 70 d.C., e os consequentes distúrbios nas normas legais e sociais judaicas. À medida em que os rabinos foram forçados a encarar uma nova realidade — principalmente a de um judaísmo sem um Templo (para servir como centro de estudo e ensino) e de uma Judeia sem autonomia — surgiu uma enxurrada de discursos legais, e o antigo sistema de estudos oral não pôde ser mantido. Foi durante este período que o discurso rabínico passou a ser registrado na escrita. A primeira lei oral registrada pode ter sido na forma dos Midrash, na qual a discussão haláquica está estruturada como comentários exegéticos sobre o Pentateuco. Uma forma alternativa, porém, organizada pelos tópicos de assuntos, em vez dos versos bíblicos, tornou-se dominante por volta do ano 200 d.C., quando o rabino Judá HaNasi redigiu a Mishná (משנה).

A lei oral estava longe de ser monolítica ,variando enormemente entre diversas escolas. As duas mais famosas eram a Escola de Shammai e a Escola de Hillel. No geral, todas as opiniões, mesmo as não-normativas, eram registradas no Talmude.

Mishná

Mixná ou Míxena, também chamada de Mishná, é uma compilação de opiniões e debates legais. As declarações contidas na Mixná são tipicamente concisas, registrando as opiniões breves dos rabinos debatendo algum tópico, ou registram apenas um veredito anônimo, que aparentemente representava uma visão consensual. Os rabinos registrados na Mixná são chamados de Tannaim.

Na medida em que suas leis estão ordenadas pelo assunto dos tópicos, e não pelo conteúdo bíblico, e a Mishná discute cada assunto, individualmente, de maneira mais extensa que os Midrash, e inclui uma seleção muito maior de assuntos haláquicos. A organização da Mishná tornou-se, desta maneira, a estrutura do Talmude como um todo. Porém nem todos os tratados da Mishná possuem uma Guemará correspondente. Além disso, a ordem dos tratados do Talmude difere, em muitos casos, da do Mishná.

“A Míxena judaica, uma coleção de ensinos e de tradições rabínicos, é um tanto mais explícita. Credita-se sua compilação ao rabino Judá, o Príncipe, que viveu no segundo e no terceiro séculos EC. Parte da matéria da Míxena relaciona-se claramente às circunstâncias anteriores à destruição de Jerusalém e do seu templo, em 70 EC. No entanto, certo perito diz a respeito da Míxena: “É extremamente difícil decidir que valor histórico devemos atribuir a qualquer tradição registrada na Míxena. O espaço de tempo, que talvez tenha contribuído para obscurecer ou distorcer as lembranças de épocas tão diferentes; as sublevações políticas, as mudanças e as confusões resultantes de duas rebeliões e de duas conquistas romanas; os padrões prezados pelo partido dos fariseus (cujas opiniões a Míxena registra), que não eram os do partido dos saduceus . . . — estes são fatores a que se deve dar o devido peso na avaliação do caráter das declarações da Míxena. Além disso, há muita coisa no conteúdo da Míxena que se encontra num ambiente de discussão acadêmica travada só pela discussão, (conforme parece) com pouca pretensão de registrar usos históricos.” (The Mishnah [A Míxena], traduzida para o inglês por H. Danby, Londres, 1954, pp. xiv, xv) – In Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2 publicado pelas Testemunhas de Jeová.

Baraita

Além da Mishná, outros ensinamentos tanaíticos eram correntes na mesma época, e por algum tempo depois. A Guemará frequentemente se refere a estas declarações tanaíticas, para compará-los àqueles contidos na Mishná e para apoiar ou refutar as proposições dos Amoraim. Todas estas fontes tanaíticas não-mishnaicas são denominadas de baraitot (singular baraita, ברייתא – literalmente “material de fora”, se referindo às obras externas ao Mishná).

Guemará

Nos três séculos que se seguiram à redação da Mishná, os rabinos de Israel e da Babilônia analisaram, debateram e discutiram aquela obra. Estas discussões foram a Guemará (גמרא). A palavra significa “completude”, em hebraico, do verbo gamar (גמר), “completar”, “aprender”. A Guemará se focaliza principalmente na elucidação e elaboração das opiniões dos Tannaim. Os rabinos do Guemará ficaram conhecidos como Amoraim (no singular Amora, אמורא).

Boa parte da Guemará consiste de análises legais. O ponto de partida para a análise é, costumeiramente, uma declaração legal existente em determinada Mixná. A declaração é então analisada e comparada com outras declarações, numa troca dialética entre dois disputantes (frequentemente anônimos, por vezes metafóricos), que são chamados de makshan (“questionador”) e tartzan (“respondendor”). Outra função importante da Guemará é identificar a base bíblica correta para determinada lei apresentada na Mishná, assim como o processo lógico que a conecta com outra: esta atividade era conhecida como talmud, muito antes da existência do Talmude como texto.

Estas trocas formam os componentes básicos da Guemará; o nome dado a cada passagem é sugya (סוגיא; plural sugyot). Uma Sugya costumeiramente contém uma elaboração cuidadosamente estudada e detalhada de uma declaração mishnaica.

Em determinada sugya, declarações escriturais, tanaíticas e amoraicas, são trazidos para reforçar as diversas opiniões. Ao fazê-lo, a Guemará levanta discordâncias semânticas entre os Tannaim e os Amoraim (frequentemente direcionando o ponto de vista para uma autoridade mais antiga, no sentido de como ele teria respondido a questão), e comparando as visões mishnaicas com as passagens da Baraitá. Raramente os debates são encerrados formalmente; em muitos casos, a palavra final determina a lei prática, embora existam diversas exceções a este princípio.

Halachá e Hagadá

O Talmude contém um material vasto, que aborda assuntos de naturezas muito diversas. Tradicionalmente, as declarações talmúdicas podem ser classificadas em duas categorias amplas, as declarações haláquicas e hagádicas. As declarações haláquicas são aquelas que se relacionam diretamente com as questões da prática e lei judaica (Halachá), enquanto as declarações agádicas são aquelas que não tem qualquer conteúdo legal, sendo de natureza mais exegéticahomiléticaética ou histórica.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Talmude

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Apostilas Completas NT_Seminário Betel

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O Cristo eterno é tanto Juiz como Salvador

Jo 5:26,27

“Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;
E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.”

       É somente por causa da encarnação que Deus, em sua sabedoria e graça, pode levar toda a humanidade ao ponto da responsabilidade de prestar contas. É algo com o qual podemos tanto nos alegrar quanto temer. Isto capacita o Senhor a levar toda a humanidade ao tribunal do Juízo.

       Independente do lugar que você ocupa no mundo, você irá deparar-se com o conceito de julgamento, com detalhes variantes. O conceito básico de julgamento ou juízo é simplesmente quê seres humanos são moralmente responsáveis por prestar contas. A base dessa responsabilidade é o fato de termos a vida derivada do outro, e não de nós mesmos. Tendo em vista que nossa vida provém do Criador, temos responsabilidade moral para com Aquele que nos concedeu essa dádiva. O Pai, como a Bíblia nos ensina, tem a vida em Si mesmo, portanto, ninguém pode julgá-lo. Deus não é derivado, Ele é o original. Por conseguinte, a Palavra diz: Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo (Jo 5:26), de modo que ninguém pode julgar o Filho. O Filho é do Pai apenas. Disso deriva o conceito de juízo universal; embora sejamos livres para fazer escolhas morais, temos necessidade de prestar contas por essas escolhas a alguma autoridade.

       Usei a palavra livres e a expressão temos necessidade, e uma parece cancelar a outra. Todavia não existe nada inconsistente aqui. Os homens são livres para fazer suas escolhas morais, mas também sentem necessidade de prestar contas a Deus por seus atos. Isso os faz livres e vinculados, porque estão vinculados a julgamento e à prestação de contas pelos atos praticados no corpo.

       Em um dos seus ensaios, Ralph Waldo Emerson desenvolve a ideia de que não existe um julgamento futuro. Tudo é julgado, sentenciado, recompensado ou punido hoje. Para ilustrar ele disse: “O ladrão rouba apenas de si mesmo”. Naturalmente, essa não é a crença universal nem do Antigo Testamento, tampouco o ensino do Novo Testamento e da Igreja. Foi tramado na cabeça de um homem famoso, que viveu em Concord, Massachusetts (EUA).

Conceitos inadequados sobre juízo

       Como qualquer um poderia esperar, há muitos conceitos errôneos e inadequados sobre juízo. Novamente, quando você tem duas ou mais pessoas reunidas, terá pelo menos dois ou três conceitos sobre juízo. É como o texto do antigo Testamento, que revela: Cada um fazia o parecia direito aos seus olhos (Jz 17:6b). Deixe-me nomear alguns conceitos de juízo que são populares, mas inadequados.

       O primeiro conceito é o da operação da lei da compensação. Tomo algo do meu bolso esquerdo e o coloco no bolso direito. Tudo o que você faz em uma direção tem de ser contrabalançado por algo na direção oposta.

       Outro conceito inadequado de juízo é que somos responsáveis por prestar contas à sociedade.  Seguramente, existe bastante verdade nisso, mas é parcialmente verdade. Quando fazemos algo contrário, devemos prestar contas à sociedade. No entanto, também somos responsáveis para com Deus e temos de prestar contas a Ele por nossas ações. Muito disso tem a ver com a opinião pública, que é o que julga; na verdade, já julgou as coisas que você faz. Prova do que estou dizendo me foi apresentada há anos.

       Certa vez, andando pela rua, um garoto ficou olhando para mim. Geralmente, sou simpático com as crianças, mas fiquei preocupado naquele dia. Quando me aproximei dele a uma distância que dava para ouvi-lo ele me disse: “Oi cara de picles”. Ele já me havia definido. Eu tinha cara de picles e era responsável perante a sociedade humana pelo próprio formato do meu rosto. Não fiquei zangado com ninguém, mas ele, evidentemente, achou que eu não era tão entusiasmado quanto parecia. Ele achou que devia provocar-me um pouco, e foi o que ele fez. Então somos responsáveis diante da sociedade por tudo o que fazemos.

       Há muitas maneiras de prestarmos contas à opinião pública. Simplesmente dirigir na estrada faz com que as pessoas concluam que você é um bom motorista e uma boa pessoa ou que você é um motorista descuidado — um ou outro. Seus vizinhos o julgarão como um bom ou mau vizinho com base na opinião pública.

       Outro conceito inadequado de julgamento é o de termos de prestar contas à lei humana. Desde a heterogênea população de Nova Guiné até a cultura mais industrializada da Inglaterra, dos EUA e da França, todas as nações estabelecem leis. As nações esperam que essas leis sejam respeitadas e mantidas; do contrário, os transgressores sofrem as consequências.

       Alguém pode apontar para outro que desrespeite a lei. Aqui está uma pessoa que não cumpre a lei, a fim de ganhar dinheiro. Rouba um banco, a fim de obter dinheiro para pagar os impostos ou algo mais. Ele está cumprindo uma lei e desrespeitando a outra para ganhar dinheiro. Assim, o fora da lei age dessa forma apenas em certos detalhes. Ele respeita a maioria das leis, mas desrespeita uma para proveito ou conveniência pessoal. Um fora da lei nunca é feliz, porque presta contas à lei enquanto a desrespeita e é infeliz mesmo quando a está burlando.

        Outro conceito inadequado de julgamento é o da responsabilidade de o homem prestar conta de si mesmo. De acordo com esse conceito, todas as pessoas ficam em pé diante do tribunal do juízo da sua própria razão e consciência, no qual seriam o juiz e o júri. A base é a ideia de relatividade dos costumes, que está sendo ensinada em muitas das nossas universidades hoje. Simplificando, esse princípio diz que cada homem é uma lei para si mesmo. Nada é realmente mau ou bom. Bom é tudo o que trouxer aprovação social, e mau é o que acarreta desaprovação. Algo pode ser bom hoje e mau amanhã.

       Esse é, provavelmente, o pior conceito de toda a sociedade. Porque, se for verdade, então haveria tantos códigos morais quanto os seres humanos, e cada um seria sua própria testemunha, seu promotor, juiz, júri e carcereiro. É tão estúpido, que raramente merece alguma consideração, mas nunca subestimo a capacidade humana de confundir as coisas. Qualquer um com eloquência pode convencer as pessoas a crer em qualquer coisa. Naturalmente, esse é o âmago de todas as seitas que surgiram no decurso dos anos.

       Como um homem pode ser responsável por prestar contas a si mesmo? Se for verdade, como isso termina? Alguém poderia dizer: “Ele é responsável por prestar contas à sua consciência”. Posso ver um argumento aqui, mas depois, a minha pergunta seria: a quem a consciência dele presta contas? Como é possível que eu seja meu próprio promotor, minha própria testemunha, meu próprio carcereiro e carrasco? Sei que parece muito erudito, místico, muito poético e ilusório, mas, quando você considera isso, é simplesmente ridículo. É um conceito de julgamento absolutamente inadequado, porque nunca conheci alguém que fosse exigente consigo mesmo e condenando-se. A maioria das pessoas é muito condescendente consigo. Sei que, se eu fosse meu juiz, júri, promotor e carrasco, perderia meu machado. Seguramente, não cortaria minha própria cabeça. Não teria coragem de fazer isso.

Responsável por prestar contas a Deus

       Compreendendo Deus do jeito que Ele é revelado nas escrituras, fica bastante claro que ele não deixará que os homens prestem contas ao seu ego. Ademais, Ele não fará com que você e eu prestemos contas à lei ou à sociedade. Devemos prestar contas, definitivamente, ao Único que nos deu a vida. Creio que seja a ausência dessa atitude que produz cristãos frágeis e alquebrados e igrejas que não têm sentido em si mesmas.

       A verdade simples é que a sociedade não pode alcançar-nos na esfera do nosso ser, no ponto em que somos mais vitalmente responsáveis por prestarmos contas a Deus e a nós mesmos. Como ser humano, presto contas à opinião pública e à lei da Terra. Por outro lado, também sou responsável por prestar contas a mim mesmo e ao meu Deus. A sociedade não pode interferir nisso, e as leis da Terra e a opinião pública vão somente até um ponto. Há verdade nelas, mas não a completa. Existe algo além delas.

       Tome por exemplo um homem que cometa suicídio. Ele apanha uma espingarda, mira na cabeça e estoura seu cérebro. Naquele ponto, ele não presta contas à opinião pública ou a lei da Terra. Ultrapassa isso e, agora, tem de prestar contas à autoridade mais elevada, porque, uma vez tendo morrido, a sociedade não pode puni-lo.

       Há muitas situações na sociedade e na lei humana com as quais não podemos lidar. Jesus entendeu isso quando disse: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela (Mt 5:27,28). A lei dos judeus podia lidar com o adultério, mas, quanto à luxúria do coração, não podia tocá-la.

       Essa espécie de falta de sentido tem invadido até mesmo nossas igrejas. Quando uma igreja se afasta da verdade e dá as costas para a autêntica Palavra de Deus, começa a estabelecer as próprias leis. Ouvi falar de uma igreja, outrora sólida e pregadora da Bíblia, a qual anunciou que, em determinada manhã de domingo, o tópico do sermão do reverendo seria sobre úlceras pépticas. Bem, imaginar o que isto tem a ver com a Bíblia e com Deus me deixa confuso. Se ficasse muito tempo naquela congregação, provavelmente eu desenvolveria uma úlcera péptica. É surpreendente ver a que profundidade caímos e como somos tolos quando nos tornamos uma lei para nós mesmos.

       Na cidade de Detroit, nos Estados Unidos, há alguns anos, o letreiro na frente de uma igreja anunciou que, na manhã do domingo seguinte, às 10:45 hs, o “grande” Ver. Fulano de Tal pregaria sobre o tema Quem Matou Cock Robin1. Como o reverendo sabia quem era o criminoso era a dúvida de todos.

       Um anônimo provérbio antigo diz: “Aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiro, eles o fazem loucos”. O julgamento de Deus começará com a Igreja. Quando deixarem de crer no julgamento divino, não será possível saber qual o próximo passo da Igreja ou para onde irá. Foi a crença na capacidade do homem de prestar contas ao seu Criador que fez os Estados Unidos grandiosos um dia.

      Um dos grandes líderes americanos foi o senador Daniel Webster2; sua sobrancelha volumosa e seus olhos flamejantes costumavam encantar o Senado, quando ele ficava em pé e conversava com os parlamentares, não com sarcasmos ou observações engraçadas. O senado naqueles dias não era composto de comediantes despreparados, mas de estadistas fortes e nobres, que carregavam nos ombros o peso de uma nação.

       Alguém perguntou: “Sr Webster, o que o senhor considera o pensamento mais sério que já passou pela sua mente?”. Ele respondeu; “O pensamento mais solene que já passou pela mente é a responsabilidade de prestar contas ao meu Criador”. Homens que falavam dessa forma não podiam ser corrompidos e comprados nem tinham de se envergonhar caso suas chamadas telefônicas fossem gravadas. Eles não ficavam tão preocupados com o que as pessoas pensavam quanto com o fato de que tinham de prestar contas a Deus.

Nosso justo Juiz

       A fim de que alguém julgue a humanidade, certos critérios devem ser estabelecidos; afinal, não é qualquer um que pode fazê-lo. Além disso, essa pessoa deve ter autoridade para executar o julgamento necessário. Outro critério seria que aqueles que fossem assim julgados prestassem contas ao juiz. Alguma espécie de relacionamento precisa ser estabelecida.

       Um grupo de homens estabelece uma lei há muito tempo. As pessoas são então julgadas hoje com base em leis estabelecidas há muitos anos, sem conhecerem realmente quem as regulamentou. Não é dessa maneira no Reino de Deus. De acordo com a Bíblia, o juiz tem de julgar os que devem prestar contas a ele mesmo. Não apenas por causa da lei imposta por outros, mas moral e vitalmente, em vez de pura e simplesmente no aspecto legal. Para ser um juiz justo da humanidade, a autoridade tem de possuir uma variedade de qualidades ou atributos (Sl 139:23,24  e Jr 17:9,10).

Onisciente

       O Juiz com o qual temos de lidar tem todo o conhecimento. Ele é onisciente. Para que esse juiz julgue corretamente, não existe espaço para erro. Em nosso sistema judiciário, muitos juízes têm cometido erros porque não dispõe de todas as provas necessárias. A justiça humana faz o seu melhor, mas porque não é de todo sábia, comete erros. Inclusive algumas pessoas estão na prisão hoje e cumprem sentenças durante a vida toda por causa de um erro.

       Quanto ao Onipotente, Ele nunca julgará alguém com informação parcial. O Senhor não comete erros nem permite que qualquer erro ou falta de informação interfira na situação. O juiz que nos julga deve ser o que tem tolda a sabedoria. Portanto, temos de eliminar Paulo, o apóstolo, Moisés, o que entregou a Lei, e até mesmo Elias. Esses foram homens bons, mas foram apenas homens e só possuíam conhecimento e sabedoria finitos. O Deus que nos julga é o Juiz que tem sabedoria infinita e é onisciente.

      No que diz respeito a julgar uma alma que viverá por toda eternidade, não há espaço para erros. O Juiz da humanidade terá de ser Aquele que nunca precisará do testemunho de uma terceira parte. Em uma audiência comum, são necessárias testemunhas; o juiz senta-se solenemente e ouve os depoimentos. A testemunha diz: “Vi que ele fez isso, ouvi quando ele disse aquilo”, e, se a testemunha estiver mentindo, o juiz é enganado. Mas o juiz da humanidade não depende do testemunho dos outros.

       Jesus Cristo disse: Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” (Jo 5:30). O critério básico para julgar toda a humanidade é, portanto, o conhecimento perfeito e completo.

Imparcial

       Outro critério entra em cena. O juiz deve ser absolutamente imparcial e desinteressado, sem levar qualquer benefício pessoal no caso.

       Muitos juízes têm sido rigorosos nos julgamentos por causa da proximidade das eleições ou porque a opinião pública estava fortalecendo-se. Os jornais os pressionavam e, para salvar a carreira política deles, deram um veredito severo ou abriram mão de uma decisão. Suas motivações foram escondidas e falsas. O Filho de Deus diz que Seu julgamento é justo, porque Ele não busca a sua vontade, mas a do Pai. Cristo pode ser o Juiz porque ele está diretamente ligado ao caso e, ainda assim, é desinteressado, não tendo nada a ganhar ou perder pelo seu julgamento. Mais uma vez, toda a glória pertence a Deus.

Compreensivo

       Outro critério importante para qualificar o juiz é a compreensão solidária. Eu não gostaria de ser julgado por algum arcanjo que nunca derramou uma lágrima, nem por um serafim que nunca sentiu dor, tampouco por um querubim que nunca conheceu a tristeza, o desapontamento ou a aflição humanos. Para ser juiz dos seres humanos, é preciso ser um deles. Jesus disse que o Pai deu ao Filho poder para executar o julgamento porque ele é um Filho do homem. Sendo assim, ele não pode ser o Advogado nas alturas, o Salvador no trono do amor, mas também o Juiz que Se assenta no trono.

       Com isso estabelecido, todas as falsas acusações são eliminadas. Então, não haverá como se esquivar, queixar-se, lamentar, chorar e dizer: “Senhor, Tu não me entendeste”. Ele entende, sim. Porque Se tornou um de nós e andou entre nós. Nunca houve uma lágrima que Ele não tivesse compartilhado, uma dor que ele não tivesse sofrido, uma tentação que não tivesse chegado até Ele nem uma situação de crítica que Ele não tivesse enfrentado.

       Isso nos leva ao Juiz supremo de toda a humanidade, o Único que Se qualifica para essa função. Esse é Jesus, porque é o Filho do homem; ele tem autoridade para executar o julgamento. Cristo qualifica-Se com todas as alegações para ser o Juiz da humanidade. As lágrimas que derramou, as dores que sofreu e a tristeza que suportou fizeram dEle não apenas um juiz justo, mas também um juiz da humanidade, que é compreensivo e sensível. Sua presença na humanidade é o nosso julgamento presente sobre o pecado. E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que veem sejam cegos (Jo 9:39).

Tanto Salvador como Juiz

       Essa é uma doutrina bíblica bastante incompreendida. Há muitas doutrinas importantes negligenciadas pelos mestres da Bíblia de hoje, como a que diz que Jesus Cristo é o juiz da humanidade, mas o Pai não julga o homem. “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;”
 (Mt 25:31, 32).

      Quando o Juiz da humanidade vier, terá os ombros e o rosto de um homem, o homem Cristo Jesus. Deus concedeu-lhe autoridade para julgar a humanidade, de modo que Ele é tanto o Juiz quanto o salvador do homem. Isso me faz amá-lo porque Ele é o meu Salvador, e temê-lo porque Ele é o meu Juiz.

       Infelizmente, o Jesus barato que está sendo pregado hoje por muitos homens não é Aquele que virá para julgar o mundo. Esse Cristo pintado, de plástico, que não tem fundamento nem justiça, mas é um amigo agradável e condescendente com todos, se esse for o único Cristo, então podemos fechar nossos livros, trancar nossas portas e abrir uma padaria ou um estacionamento nos prédios em que funcionam nossas igrejas.

      O Cristo popular que está sendo pregado hoje não é o de Deus, Nem o da Bíblia, nem Aquele com quem teremos de lidar no final. O Cristo de que tratamos tem olhos como chamas de fogo. Seus pés são como latão reluzente, e da Sua boca sai uma aguda espada de dois fios (veja Ap 1:14_16). Ele será o Juiz da humanidade. Você pode deixar seus amados nas mãos dEle, sabendo que: (1)Ele mesmo sofreu; (2) Ele conhece tudo; (3)nenhum erro é cometido por Ele e (4) não pode haver insucesso da justiça, porque Ele conhece tudo o que pode ser conhecido.

       Foi dito certa vez, como uma reflexão posterior, que Jesus não precisava que alguém testemunhasse do homem, porque Ele sabia o que estava no homem: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.
E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.”
 (Jo 5:28, 29).

       Essa saída dos sepulcros será pelo convite do próprio Filho de Deus. Como comandante do exército, Ele o fará ficar em pé para o julgamento, que sedará com base no tipo de vida que as pessoas levaram neste mundo. Essa é outra doutrina esquecida, mas ela está aqui. Os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação. Esse é o Juiz de todos!

       Teremos de lidar com nosso Senhor, o Juiz com os olhos flamejantes. Não podemos escapar. Podem dar de ombros e afastá-lo em uma nuvem de fumaça, mas todos devem voltar a lidar com Ele no final. Tenha certeza disto: ou Ele será Salvador agora ou Ele irá julgar. A doçura e a simpatia do Salvador de agora serão deixadas de lado quando a justiça e a severidade do Juiz vierem à frente. Sem anular um dos papéis, Ele exercitará ambos, de tal modo que Cristo é tanto Senhor e o Juiz dois homens como o Salvador deles.

       Isaac Watts, em seu hino Not all the blood of beasts [Nem todo o sangue das feras, tradução livre], ilustra essa mesma verdade: 

Nem todo o sangue das feras

Mortos nos altares judeus

Poderia dar paz à consciência culpada

Ou lavar sua mancha.

 

Mas Cristo, o Cordeiro celestial,

Leva todos os nossos pecados;

Um sacrifício de nome mais nobre

E de sangue mais rico do que o delas.

 

Minha fé colocaria a sua mão

Na cabeça querida de Jesus,

Enquanto me ponho como penitente

E confesso o meu pecado.

 

Minha alma olha para trás

E vê os fardos que Ele levou sobre Si,

Quando pendurado no madeiro maldito,

E sabe que a culpa dela ali estava.

Crendo nós nos rejubilamos

Por vermos removida a maldição

 

Bendizemos o Cordeiro com voz alegre

E cantamos Seu amor, que sangra.

       No Antigo Testamento, os pecadores iam até o sacerdote e diziam; “Pequei e trago um cordeiro”, ou alguma oferta. Então, os pecadores colocavam a mão na cabeça do animal e o matavam, e o sacerdote espargia o sangue sobre o altar. Dessa forma, seriam perdoados do pecado que tivessem cometido.

       Neste momento, aqueles que não querem Jesus como juiz devem reavaliar sua posição e pensar seriamente nEle como Salvador e se colocar como penitentes, ou se ajoelhar como tal e confessar seus pecados. “Minha alma olha para trás e vê os fardos que Ele levou sobre Si, quando pendurado no madeiro maldito? “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (veja 2ª Co 5:21). Ressalto do hino de Watts: “Crendo, nós nos rejubilamos por vermos removida a maldição” (veja Gl 3:13,14).

       Tenho visto essa canção editada e revirada. Algum editor instruído e sofisticado que não gostava da palavra maldição removeu-a. ele a consertou, mas não a cantarei. Canto esta aqui: Crendo, nós nos rejubilamos, por vermos removida a maldição. Qual maldição? A maldição da quebra da Lei. A maldição do pecado. Bendizemos o Cordeiro com voz alegre e cantamos seu amor, que sangra. Que maravilhoso é tudo isso! Que maravilha é essa canção de triufo! Que canção cheia de Teologia, significado e Evangelho! O sangue de Cristo fez e está fazendo o que o sangue de bodes não conseguiu fazer.

       Qual deles Ele será para você: Salvador ou Juiz? Ele será um ou outro. Se for o primeiro, não será o segundo. De minha parte, não posso dar-me ao luxo de encará-lo como meu juiz. Preciso ter o seu sangue protetor e olhá-Lo como meu Salvador agora. Ele sabe muito sobre mim para que eu me apresente descaradamente na Sua presença e deixe que ele me julgue.

       As escrituras falam-nos de alguns que mandaram seu pecado embora antes do julgamento. Você pode mandar seus pecados embora antes do Grande dia; eles podem ser julgados, liquidados e descartados agora, enquanto você ainda está na Terra. O Salvador cobrirá seus pecados. Como disse um irmão mais idoso; “Se Jesus cobriu nossos pecados quando entregou sua vida, eles foram expostos, mas Cristo os cobriu com sua morte. Pela sua morte, Ele colocou para sempre os meus pecados onde eles não podem ser encontrados, por causa do sangue da eterna Aliança”.

       Olhe para trás e veja o fardo que Jesus levou, coloque a mão sobre a Sua cabeça santa e confesse seus pecados. A maldição será removida, e você poderá dizer; “Crendo, eu me rejubilo por ver removida a maldição”. “Bendigo o Cordeiro com voz alegre a canto Seu amor, que sangra”.

1Cock Robin é um personagem de uma canção popular inglesa.

2Daniel Webster (1782 —1852) foi um político estadunidense e senador por Massachusetts durante o período que antecedeu a Guerra Civil. Inicialmente, ganhou destaque regional por meio de sua defesa dos interesses marítimos da Nova Inglaterra. (Fonte: Wikipédia) 

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

A.W. Tozer

Graça EDITORIAL

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O messias do antigo testamento versus o Cristo do novo

Jo 1:29, 30

“No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.”
 

       Um dos registros mais bonitos que eu conheço nas Escrituras é o de como João Batista, com toda a Palestina ouvindo, atingiu um momento da vida em que disse: “Minha obra terminou, e Aquele que eu antecedi chegou. Devo diminuir, e Ele deve crescer. Eu desapareço e, agora, ele brilha em todo o seu esplendor” (Jo 3:30).

       João Batista estava prestes a sair do cenário para não mais brilhar. Ele havia dito muitas coisas sobre Aquele que viria, mas ainda não o tinha visto. É um erro acreditar que João e Jesus estavam familiarizados um com o outro, embora fossem parentes. Se estavam familiarizados um com o outro, João Batista não tinha a mais remota ideia de que Jesus era Aquele sobre quem estava pregando. O profeta havia dito muitas vezes sobre Aquele que viria e coroou todo o seu discurso, afirmando: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

       O que aquilo significava para um judeu? Você teria de ser judeu, comum histórico de compreensão da religião judaica, para seu coração ser atingido pelo raio de sol brilhante que os atingiu, quando João Batista disse: Eis o cordeiro de Deus.

       Eles conheciam a história de Abel, o jovem que sacrificou o primogênito de suas ovelhas ao Senhor. O fogo divino caiu, e Deus testificou a Abel que aceitara a sua oferta (Gn 4:4). Conheciam a história de Abraão preparando seu sacrifício (Gn 22:7_14). Estavam perfeitamente familiarizados com aquele da Páscoa imolado para a salvação da humanidade e com aquela longa linhagem de sacerdotes que ofereciam cordeiros, ano após ano, naquela ocasião. Quando João disse: Eis o cordeiro de Deus, foi como se dissesse: “Agora que estamos na base da coluna, acrescentamos Este. Todos os cordeiros que já passaram, desde o primeiro cordeiro de Abel até o presente, recebem seu cumprimento no Cordeiro de Deus”.

       O cordeiro de Abel, de Abraão, de Isaque, de Judá e o cordeiro da Páscoa foram apresentados por homens. Agora, no entanto, vem o cordeiro que ninguém mais pode apresentar. Ele é o cordeiro do Deus Todo-Poderoso, a Soma e a Conclusão de todos os cordeiros que já foram ou estão para ser. Essa é a soma plena, introdutória, do que todos os cordeiros queriam dizer durante séculos. Isto deve ter significado algo maravilhoso para os judeus: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1:29b).

       João Batista testifica: este era aquele de quem eu dizia: o que vem depois de mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu (v. 15b). Nessa passagem, existe um pequeno artifício de linguagem contraditória que deve ser anulado. “O que vem depois de mim”, no tempo, “é antes de mim”, em honra, porque Ele estava antes de mim na hierarquia. Este é aquele que vem após mim (v.27a), isto é, “Eu vim primeiro e como um arauto anunciando o que vem depois de mim. Mas o que veio depois de mim no tempo me procede em honra, porque Ele está antes de mim na hierarquia e é o próprio Filho de Deus”.

       Naturalmente, o grande problema foi como Ele seria identificado. Multidões estavam sendo batizadas. Então, como Aquele que viria seria reconhecido? Para provar que era o Messias, ele tinha de passar por certos por certos testes rígidos. Tinha de nascer da semente de Abraão. Ninguém podia reivindicar ser o Filho de Deus ou o Salvador da humanidade – o Messias de Israel – e não ser alguém da semente de Abraão.  Era preciso ser capaz de ter uma linhagem que remontasse a Abraão. De outra forma, se não pudessem provar que ele não era o Cristo, ele não conseguiria provar que era.

       As exigências estreitavam-se ainda mais; ele tinha de ser nascido da semente de Isaque e Jacó. Jacó. Jacó teve 12 filhos, e o messias teria de vir por intermédio de um único homem, Davi. Não apenas tinha de ser nascido da linhagem de Abraão por intermédio do rei Davi, mas também nascer em um tempo aproximado. Se tivesse nascido 300 anos antes, como foi Buda, não serviria.  Se tivesse nascido de um árabe ou de um japonês, não serviria, porque teria perdido o elemento da linhagem.

       Então, o Salvador precisava nascer em determinado país. Não era um país importante aos olhos do mundo – apenas um pequeno país inserido, de algum modo empurrado entre os continentes –, mas, se ele tivesse nascido em outro lugar, Roma, Egito ou Índia, por exemplo, não serviria. Tinha de nascer naquele pequeno país.

       Além de tudo isso, Sua terra natal também tinha de ser designada com precisão em um lugar real; uma pequena cidade que não tivesse mais do que uma estalagem. As Escrituras são muito específicas e dizem que não havia lugar para Ele na estalagem (Lc 2:7). Não é possível ir a Nova Iorque ou Chicago, por exemplo, e dizer que não havia acomodação de hotel. Você poderia dizer: “Não consegui quarto em nenhum hotel”, já que há vários estabelecimentos desse tipo.

       Na pequena Belém de Judá, foi falado que não havia acomodação para Ele na estalagem. Só havia uma estalagem, e eles raramente faziam uso dela. Porém, aconteceu que precisaram usar uma naquela ocasião, por causa de um decreto de César Augusto. Então, Jesus teve de nascer naquela cidadezinha (Lc 2:1_7).

      Se estivéssemos encarregados do nascimento do Messias, nós O teríamos feito nascer em Roma, por ser a cidade eterna, ou então O teríamos feito nascer em Atenas, certamente, por ser a cidade dos pensadores. Teríamos escolhido uma capital de algum modo grande e importante o suficiente para se impor na consciência humana.

       Deus trabalha de modo silencioso, quieto e modesto. Ele está virando o mundo ‘de cabeça para baixo’, mas faz isso tão silenciosamente que ninguém percebe. Seu Messias nasceu na pequena Belém de Judá. Vale ressaltar que as cidades de Judá não eram muito grandes; somente Jerusalém podia ser considerada uma megalópole. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.”
 (Mq 5:2).

       João Batista conhecia tudo isso, mas ainda não bastava. Muitos homens nascidos da semente de Abraão estavam vivendo naquela época. Homens descendentes do Leão de Davi estavam vivendo naquele tempo. Não sei se havia algum nascido em Belém, mas pode ter existido.

       Quando Jesus se apresentou às margens do Jordão, houve algo diferente acerca do homem, mas não uma diferença suficiente. João olhou para, sentiu-se inferior e disse: ”Não acho certo batizar você. Acho que você deve batizar-me”. Ele ainda não sabia quem era Aquele homem, e nosso Senhor disse: “Porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3:15b).

       Quando Jesus foi batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele, e João disse: E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. (Jo 1:33). Assim, Jesus passou por todos aqueles rígidos testes.

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

A.W. Tozer

Graça EDITORIAL

 

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Sua busca, nosso resgate

Jo 6:2

“E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos”.

       Quando você vê Jesus nos evangelhos, geralmente Ele está rodeado de gente. Houve uma exceção, quando Ele se retirou e foi com os seus discípulos ao monte. Isso foi típico dAquele que veio andar entre os homens para ser o Salvador da humanidade.

       Aceitamos tantas coisas como naturais na Bíblia e não reservamos tempo para perguntar sobre elas. Com isso, deixamos de adquirir a ajuda que nos seria dada se fizéssemos a pergunta: “Por que Ele estava constantemente com as pessoas?”. A pergunta torna-se mais vívida quando percebemos que toda lógica está contra Ele estar com Elas. Observe quem Ele era e quem eram elas. Você verá que a lógica e o senso comum, a expectativa baseada na razão, estariam do outro lado. Esse era o Jesus, que João descreveu tão cuidadosamente para nós no primeiro capítulo, como sendo o Verbo que Se fez carne (Jo 1:14). Antes do princípio e no princípio, Ele era Deus, e ainda é Deus; da eternidade, Ele tinha contemplado Deus e Ele mesmo tinha recebido a adoração dos poderes celestiais.

SUA BUSCA, NOSSO RESGATE

       Jesus levou nossa tristeza, nossa dor, nossos pecados, nosso futuro e nosso destino e carregou-os no seu coração e sobre os Seus ombros, e não houve retorno a partir disso (Is 53:5_6). Ele deixou a Terra, mas não deixou a humanidade; Ele levou a sua humanidade junto de Si para a Divindade, e ambos estão à direita de Deus. O irmão mais velho tinha vindo resgatar os irmãozinhos.

       Alguém uma vez me censurou por dizer no rádio que Jesus foi o nosso grande Irmão. Ele disse que eu nunca deveria ter falado isso. Não discuti, mas não deixei de dizer que a Bíblia relata que ele é o Primogênito entre muitos irmãos (veja Rm 8:29). Os irmos foram perdidos, mas o primogênito veio e os encontrou. Em outras palavras, o Pastor veio aqui buscar Suas ovelhas.

       A razão diz ao pastor: “Por que você está aqui nas trevas entre as sarças? Olhe para a sua veste, está rasgada. Por que existe um arranhão no seu queixo e outro na sua mão? Por que você está aqui? A noite está descendo, há feras ai fora”. A lógica diz: “Você não devia estar aqui. Daqui a 3 km, há uma cabana. Naquela cabana, então sua mulher e seu três filhos, todos esperando por você. Há uma chaleira no fogão, leite na caneca, o jantar esperando. Por que você está aqui?”. E ele diria: “Em alguma caverna, estão as ovelhas, e é por isso que eu estou aqui”.

       É toda a razão e toda lógica de que preciso. Os filósofos dizem que um homem  deve voltar para casa à noite. Voltar para onde existe uma cama, uma mesa e um calor suficiente. A lógica diz que Deus não podia estar aqui, mas Ele estava. O Pastor veio para o rebanho. Onde mais o Pastor encontraria as ovelhas? Se as ovelhas pudessem chegar até Ele, não seria necessário ele ter vindo. Porém, como não podiam ir até Ele, Ele veio até elas. A maravilha da encarnação foi mais do que uma proposição teológica. Foi um ato altamente emocional.

       A razão diz: “Por que o Santíssimo estaria entre os mais pecadores? Por que o Altíssimo estaria entre os inferiores? Por que o Deus da glória estaria entre homens da vergonha?”.

       Ele nunca responde. Ele diz que uma ovelha está perdida e que Ele a está buscando. Isso é tudo! Nenhuma das redimidas soube como foi profunda a água pela qual Ele atravessou ou como estava escura a noite que o Senhor passou para encontrar Sua ovelha perdida. “No deserto, Ele ouviu seu grito; doente, desesperada e pronta para morrer”. Assim escreveu Elizabeth Clephane1, no hino The ninety and nine [As noventa e nove]:

Havia 99 seguras

No abrigo do rebanho,

Mas uma estava fora, nos montes,

Longe dos portões de ouro,

Longe do cuidado meigo do Pastor,

Longe do cuidado meigo do Pastor,

Longe do cuidado meigo do Pastor.

Senhor, tu tens aqui 99,

Não são suficientes para Ti?

Mas o Pastor respondeu:

“Essa minha ovelha afastou-se de Mim,

E, embora a estrada seja difícil e íngreme,

Vou ao deserto encontrar minha ovelha,

Vou ao deserto encontrar minha ovelha”.

Mas nenhuma das resgatadas soube

Como eram profundas as águas atravessadas,

Nem como estava escura a noite

Que o Senhor passou

No lugar em que encontrou Sua ovelha perdida.

No deserto, Ele ouviu seu grito;

Doente, desesperada e pronta para morrer,

Doente, desesperada e pronta para morrer.

Senhor, de onde são essas gotas de sangue por todo o caminho,

Que marcam uma trilha na montanha?

Foram derramadas por uma que se afastou,

Antes que o Pastor a trouxesse de volta.

Senhor, por que Tuas mãos estão assim arranhadas e dilaceradas?

Foram perfuradas esta noite por muitos espinhos,

Foram perfuradas por muitos espinhos.

E pelos montes, por tempestades violentas,

E no alto do abismo pedregoso,

Levantou-se um brado feliz do portão do céu:

“Alegrem-se! Encontrei minha ovelha!”

E os anjos ecoavam ao redor do trono,

Alegrem-se, porque o Senhor traz de volta os Seus!

Alegrem-se, porque o Senhor traz de volta os Seus!

 

Jo 3:16

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Você pode pesquisar as bibliotecas do mundo inteiro e investigar todos os livros em todas as línguas, mas nunca encontrará um texto que se compare a João 3:16. Mesmo que você reúna as grandes mentes de todos os filósofos, pensadores e escritores desde o princípio dos tempos e os coloque juntos em uma sala, todos os seus talentos combinados não conseguiriam produzir um texto que signifique tanto para a humanidade. Não digo isso de modo descuidado, mas afirmo ponderadamente e com grande convicção, depois de uma vida inteira lendo, pensando e orando.

A.W. Tozer

1Elizabeth Clephane (1830-1869) foi uma autora escocesa de diversos hinos cristãos.

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

A Maravilha e o Mistério da Identificação do Cristo

A.W. Tozer

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Olhe para a santidade

Jo 14:10_11

“Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra.

Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras.”

      Se aprendemos algo com a História, sabemos que nenhuma nação se levantou acima da sua religião. Não acho que seja muito difícil provar essa afirmação. Quer a nação seja pura ou impura, superior ou inferior, ela depende da espécie de religião que tem.

       Durante um tempo, pode parecer que uma nação seja maior do que a sua religião. Pode, inclusive, ter uma religião inferior e, mesmo assim, atingir altos níveis. Nas qualidades que dizem respeito ao melhor da nossa humanidade, nenhuma nação conseguiu levantar-se acima da sua religião. …

       Uma segunda coisa é que nenhuma religião subiu mais alto do que seu conceito de Deus. Isso é o mais vital que pode ser conhecido sobre qualquer igreja, qualquer homem e nação. Toda religião, elevada ou não, pura ou impura, nobre ou pagã, depende totalmente do que ela pensa sobre Deus.

       Existiram no passado religiões pagãs que, embora não fossem cristãs – não eram redimidas –, conseguiram ter uma sociedade e alguma espécie de adoração pagã estáveis porque tinham um conceito elevado de Deus. Se tiverem um deus básico, terão uma religião básica. Se tiverem um Deus superior, terão uma religião elevada.

       Estou falando das religiões que não crêem em Jesus como o Salvador. Tem havido grandes religiões, mas todas elas têm sido dependentes do seu conceito de Deus. Um conceito elevado do altíssimo significa que todos os homens lutarão por coisas mais elevadas e farão o melhor que puderem, mesmo que estejam fora de Cristo e não tenham nascido de novo. Embora não sejam redimidos, tentarão algo melhor, se seu conceito de Deus for mais elevado.

OLHE PARA A SANTIDADE

       A terrível paródia com a qual nos deparamos hoje é o cristianismo sem santidade. Se você diz que aceita Jesus, mas leva uma vida desregrada, você não aceitou Jesus coisíssima nenhuma. Você é um homem iludido, pois não é melhor do que quando não tinha ouvido falar de Deus. As primeiras qualidades do cristianismo são santidade, pureza e retidão de vida, de pensamento e de aspirações. Temos um cristianismo hoje sem santidade. O Filho de Deus foi um Filho santo, o Pai é o Pai santo no Céu, e o Espírito Santo é o Espírito Santo. Nossa Bíblia é a Bíblia Sagrada, santa, e a Igreja é chamada da santa. O Céu é santo, e os anjos também são santos. Por conseguinte, devemos levar a sério a doutrina bíblica da espiritualidade e da santidade. As igrejas evangélicas resvalaram, de certa forma, para a sujeira.

       Jesus amava a todos. Ele os amava de um modo tranqüilo, sereno e maravilhoso. As pessoas iam até Ele, e isso tornava aqueles teólogos fariseus tão malignos quanto o diabo. Eles deveriam se perguntar por que as pessoas não iam até eles. Não os seguiam porque não encontravam calor humano. Um pássaro, por exemplo, sempre irá para o lado quente do telhado no começo da primavera. Uma codorniz costumava voar ao redor da casa na fazenda quando período de neve se findava. Você poderia andar pelo lado do monte onde estava a neve e não encontraria nenhum pássaro. No entanto, se subisse o monte e descesse onde o sol estava brilhante, encontraria uma ninhada de filhotes de codornizes esperado pelo calor. Todos gostam do sol quente quando está frio. Jesus atraia as pessoas porque ele era Deus andando ao redor, agindo como Deus em amor. As pessoas não iam com os fariseus porque estes não tinham amor. Eram fogo extinto no fogão. Ninguém quer ficar ao redor do fogão quando o fogo se apaga.

       Muitos não conhecem a alegria que costumávamos ter na fazenda, no inverno. Ligávamos um pequeno fogão a lenha arredondado até que estivesse bem quente, a ponto de ficar vermelho como um tomate. Você vinha meio congelado, esquentava as costas na cadeira e punha os pés naquela proteção ao redor do fogão. Não era tão quente, não a ponto de queimar os sapatos. Nenhum aparelho moderno podia superar aquele prazer tão simples. Hoje em dia, colocam-se saídas de ar quente embutidas na parede e fazem toda espécie de sistema de aquecimento. É mais conveniente, admito, mas falta graça, de alguma maneira. Você não pode simplesmente se encantar por um aparelho.

       Ninguém vai ao fogão quando o fogo se extingue. Jesus tinha amor em seu coração, e o amor é sempre quente. O amor é sempre atrativo. As pessoas vão às igrejas onde existe calor. Vão até os cristãos que são amigáveis.     

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

***A importância do conceito adequado a respeito de Deus***

A.W. Tozer

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O lado trágico de Cristo fazer-se carne

Jo 1:11

“[Ele]Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

      Como é maravilhoso Deus ter vindo em carne, habitado entre nós e caminhado entre nós. Seguramente, isso esta repleto de prodígio e mistério, mas há um lado da Sua vinda mais trágico do que Willian Shakespeare poderia descrever com suas habilidades.

        Estas duas palavras, [Ele] veio, têm um fascínio maravilhoso sobre mim. No início do evangelho de João, descobrimos o que Cristo estava fazendo antes da criação do mundo. João usa palavras muito simples: “Ele estava”, “nEle estava”, “Ele estava com”, “Ele era Deus”, “Ele estava em’. Embora sejam palavras muito simples, são a raiz da Teologia e de toda a verdade. Depois, em João 1:11, pela primeira vez nos é dada uma sugestão da encarnação. [Ele] veio é a primeira indicação. Antes disso, tinha estado no passado eterno ou existido desde a criação, mas antes da encarnação. “Nele estava a vida”, “no princípio Ele era”, “no princípio era Deus”, “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”, “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo”.

       Não consigo afastar-me da maravilha destas palavras: “[Ele] veio”. A história da piedade, da misericórdia e do amor redentor está toda aqui. Toda a piedade que deus é capaz de sentir, toda a misericórdia que Ele é capaz de demonstrar e toda a graça redentora que ele podia derramar do Seu coração estão no mínimo sugeridas nessas duas palavras simples. As esperanças, aspirações, os desejos e sonhos de imortalidade que residem no peito humano tiveram seu cumprimento nessas duas palavras.

       Imagino que isto nos deva sugerir que; (1) a simplicidade é sempre melhor; (2) é possível dizer mais com palavras curtas do que com as longas e (3) a brevidade derrota a enxurrada interminável da prolixa fala a que são dados os pregadores. A Bíblia diz: “[Ele] veio”; com isso, vieram todas as esperanças da humanidade. O homem sempre foi uma criatura esperançosa.

       Em Essay on man [Ensaio sobre o homem], Alexander Pope escreveu; “A esperança jorra eternamente no peito humano. O homem nunca é, mas sempre será abençoado”. Ele capturou a essência do que está sempre presente no peito humano. O homem no seu pior dia, arrastando-se na sujeira e deitado no chiqueiro, possui um coração que aspira a coisas melhores. O filho pródigo que estava no chiqueiro lembrou-se da casa do pai e disse: “O que estou fazendo aqui?” O ser humano pode ficar lá e nunca se levantar, mas sempre aspira; ele se lembra. Toda a humanidade tem sonhos de imortalidade.

       Ninguém quer ouvir: “Os restos mortais de Fulano serão enterrados na travessa Tal”. Existe algo em nós que luta contra a morte até o amargo fim. Nossa mente não a aceitará. Todos sabem que vão morrer, mas não acreditam que isso realmente lhes possa acontecer. Toda a humanidade abriga esperança de imortalidade e sonhos de uma vida futura. De onde veio esse sonho? Porque ele invade toda a humanidade? Muito simples: porque fomos criados à imagem de Cristo. Sepultado no interior da nossa alma criada, está o eco da imortalidade. Tudo se resume a estas duas palavras: “[Ele] veio”, que ocupam um pequeno espaço de uma linha. Contudo, o que Ele nos diz aqui é mais profundo do que toda a Filosofia.

       Reúna em um único lugar toda a grande Filosofia de todas as culturas, desde o começo dos tempos, e nenhuma delas remotamente se aproximará da maravilha e da profundidade das palavras “[Ele] veio”.

       Altamente subestimadas, essas palavras são mais bonitas e eloqüentes do que toda a oratória, são mais musicais do que toda a música e mais líricas do que todas as canções, porque elas nos dizem que nós, que estávamos em trevas, fomos visitados pela Luz. Eu gostaria que, quando cantássemos Jesus é a luz do mundo, tivéssemos no rosto um olhar que faria o mundo crer que dizemos a verdade. Gostaria que ficássemos tão estimulados com isso quanto os da Antiguidade.

       John Milton1 celebrou a vinda de Jesus ao mundo no poema On the morning of Christ’s nativity [Na manhã do nascimento de Cristo], uma das odes mais lindas já escritas:

Este é o mês, e esta, a manhã feliz

Em que o Filho do Rei eterno dos céus,

Nascido de moça grávida, de mãe virgem,

Nossa grande redenção de cima trouxe.

Pois assim cantaram os santos sábios,

De que Ele nos libertaria da nossa perda mortal,

E, com Seu Pai, operaria em nós paz perpétua.

 

Aquela Forma gloriosa, aquela luz insuperável

E aquela Majestade que brilha desde longe,

Com que Ele Se habituou na Mesa do Conselho dos Céus,

Para assentar-Se na Unidade Trina,

Ele deixou de lado, para estar conosco aqui.

Abandonou as Cortes do dia eterno,

E escolheu casa lúgubre de barro mortal, como a nossa.

       Essa foi a descrição que Milton fez da encarnação, e eu me deleito com sua beleza.

       Embora “[Ele] veio” carregue em si fascínio e prazer que ultrapassam qualquer descrição, João diz posteriormente que Ele veio “para o que era Seu”. Tão rica e linda quanto a primeira parte, essa dá um passo adiante. A palavra seu é a mesma da nossa língua. Contudo, é completamente diferente quando usada por João. A primeira palavra seu é traduzida como suas próprias coisas. Seu próprio mundo, seu próprio lar. “[Ele] veio para seu próprio mundo; “[Ele] veio para aqueles de quem tinha posse”: “[Ele] veio para Suas próprias coisas”.

      Uma tradução diz: “[Ele] veio para o seu lar, mas seu próprio povo não o recebeu”. Aqui, “Seu próprio” quer dizer que: “[Ele] veio ao seu mundo, e seu próprio povo não soube quem Ele era e não lhe recebeu”. A premissa aqui é: “[Ele] veio para o seu próprio mundo”, pois este é o mundo de Cristo. Este mundo em que nós compramos, vendemos, caminhamos sem rumo, abusamos do poder e tomamos pela força das armas –este mundo é o mundo de Cristo. Ele o fez e o possui por completo.

       Certas pessoas acham o máximo Deus ser “o convidado de honra hoje à noite”. Às vezes, vão longe demais e dizem: “Deus é nosso parceiro sênior”. Isso, claro, é totalmente ridículo. Aqueles que proclamam que Deus é seu parceiro sênior gerem um negócio e, além disso, só se sentem satisfeitos quando o nome deles está escrito na porta. Nosso Senhor Jesus não é um convidado, tampouco um parceiro sênior. Ele é aquele que possui tudo!

  • Perto do natal, as pessoas falam palavras bonitas sobre o bebê Jesus até a mídia secular bajula o Cristo criança com ar condescendente. No entanto, Ele não precisa da nossa condescendência e de alguém que aja como Seu relações-públicas. Ele não é um convidado, mas o anfitrião, e nós somos os convidados. Estamos aqui por seu consentimento e por sua bondade. Estamos neste mundo porque ele nos fez e nos trouxe aqui. Este mundo é dEle. Ele pode fazer o que quiser com o mundo, e ninguém pode censurá-Lo. Ele pode fazer o que desejar com a vida, a morte e a natureza. Ele pode fazer o que quiser naquele tempo catastrófico que chamamos de juízo.
  • Embora pareça estranho que algumas pessoas pensem nisso, Jesus não precisa da nossa defesa nem que nos desculpemos por Ele. É bem capaz de defender-se e falar por si. Um deus que criou todas as coisas, inclusive o chão em que pisamos e no qual construímos nossas habitações temporárias, não precisa de gente que corra por aí se desculpando por Ele.
  • Ele também não precisa que alguém assuma Sua parte, dizendo: “Ei, espere um minuto! Não é isto que Ele quer dizer. Ele enviou juízo sobre Sodoma e Gomorra, mas não foi bem assim; isso quer dizer algo mais”. Quer dizer exatamente o mesmo, e , quando o Deus Onipotente fez da mulher de Ló uma coluna de sal, quis dizer exatamente isto. Quando a Bíblia nos conta que existe um inferno para onde o s ímpios estão indo, ela quer dizer exatamente isto, e não outra coisa.
  • Deus não precisa de mim nem de mais ninguém para esse assunto. Ele não quer que ninguém se levante e se desculpe em Seu lugar, tentando esclarecer as coisas de tal forma que o mundo compreenda. Meu papel é arrastar-me até Seus pés, como um pecador cheio de feridas e dizer: “Toca-me e cura-me”. Ergo-me, olho para o céu e digo: “Antes eu era pecador, mas agora sou redimido; o Senhor me salvou. Agora sou Seu filho e posso manter a cabeça erguida”.
  • Deus fez este mundo no qual vivemos, portanto, o mundo é dEle. Se sou cristão, então este é o mundo do meu Pai. Pertence a Trindade. Não é meu, e eu vivo aqui pela boa graça divina. Todas as coisas com que lido e tudo em que toco pertencem ao meu pai. Todo o ar, os ventos, as nuvens, o milho, a seara de trigo ondulante, as florestas altas e nobres, os rios que correm – são todos dEle.

       George Campbell Morgan, em seu livro The crises of the Christ [As crises de Cristo], mostra que muitas pessoas fazem um conceito errado de Jesus no deserto. Quando Ele foi para lá a fim de ser tentado pelo diabo, ficou naquele local durante 40dias e 40 noites, com as feras selvagens. Morgan disse que havia um conceito errôneo sobre isso. Temos pena dEle e imaginamos como o Mestre suportou estar com as feras. Imaginamos que estas poderiam ter desejado atacá-lo e Ele tenha necessitado de proteção de anjos.

       Morgan afirmou com muita propriedade: “Não, não foi verdade. As feras reconheceram seu Rei e rastejavam aos seus pés; elas o lambiam, sem dúvida, e deitavam-se ao lado dEle. Reconheceram seu Senhor e Criador. O leão abanou a juba e ajoelhou-se ao lado daquele que lhe dera a vida. O mesmo urso que poderia ter devorado qualquer pessoa ajoelhou-se e bramiu aos pés do homem que estava jejuando por 40 dias e 40 noites.

       Em vez de ter pena de Jesus pelas horas terríveis que Ele passou com as feras, devemos lembrar que Ele estava perfeitamente a salvo ali, pois nenhuma garra afiada arrancaria a pele do homem que Era Deus. O próprio vento soprou para Seu prazer. Ele cresceu em estatura e sabedoria. A própria terra, na qual Ele caminhava, sorria. As estrelas, à noite, olhavam para baixo, para a cabana do carpinteiro humilde. Ele estava em harmonia com a natureza. O mundo natural não estava contra ele, somente o mundo humano.

       Como cristão, é inteiramente possível estar mais em harmonia com a natureza do que o mundo não salvo. São Francisco de Assis estava em harmonia com a natureza, e o mundo admirava-se por causa dele. Alguns riam, zombavam, e outros levantavam a sobrancelha e perguntavam se ele era mentalmente são. Na verdade, São Francisco estava tão completamente sujeito a Deus, repleto por dentro e tomado pela presença do Espírito Santo, que toda a natureza era sua amiga.

       A Bíblia diz: Até as estrelas desde os lugares dos seus cursos pelejaram contra Síse ra (Jz 5:20b). Se as estrelas, em seus cursos, pelejaram contra o inimigo, então aquelas mesmas estrelas pelejam a favor do amigo de Deus. Acho que é possível estar tão sintonizado com o Altíssimo, que as próprias estrelas e seus cursos ficam do nosso lado. A natureza sorri e reconhece seu rei. Deus, que fez Adão, disse: “Agora você vai tomar conta de tudo”. No entanto, o pecado entrou, e tudo naufragou. Quando o pecado é removido, posso compreender por que São Francisco pregava aos pássaros, chamava o vento e a chuva de seus amigos, a lua de sua irmã, e teve uma vida prazerosa, porque o mundo abençoado de Deus o recebeu.

       Veja a humanidade hoje; quantos carregam fardos com um senso profundo de vergonha? Do que estão envergonhados? Que negócio é esse de nós, que fomos criados à imagem de Deus, ficarmos envergonhados? Devemos nos envergonhar apenas do pecado, e não do mundo que Deus criou.

       Se o pecado fosse removido do mudo, não haveria medo nem do que se envergonhar. Nunca haveria doentes, ninguém seria vítima de crime hediondo. Não haveria criminoso atrás das grades ou gente mentalmente insana vivendo em manicômios. Não haveria evidência do mal. Se você removesse o pecado do mundo, deixaria sua casa sem precisar trancá-la. Poderia levar o dinheiro no bolso da calça e não colocaria em um banco atrás de guichês, com um policial vigiando. Poderíamos andar em qualquer local da cidade, sem medo de ataque, se ao menos pudéssemos remover o pecado do mundo.

       No relato do Evangelho, vemos que Jesus nunca ficou doente nem nada estava errado com Ele, O Senhor levou um corpo perfeito ao Calvário. Embora levasse todas as nossas enfermidades, elas foram, em primeiro lugar, lançadas sobre Ele. O Deus Todo-Poderoso levou o barril nojento do suco venenoso chamado pecado, que borbulha e vicia, e o derramou sobre o corpo de Jesus. Ele morreu sob o peso de nossos pecados e nossas enfermidades, mas nunca pecou nem teve doença alguma.

E Ele Habitou entre nós – Ensinamentos do evangelho de João

A.W. Tozer

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Peixe como símbolo do Cristianismo, Por quê?

  • O peixe é um símbolo do cristianismo e muito usado em igrejas e representações religiosas; mas o porquê desse simbolismo por traz dessa figura? Temos muitos versículos nos evangelhos do novo Testamento, porém não temos como afirmar que foi esse o motivo que transformou o símbolo numa figura tão forte e importante para o cristianismo como foi e o é nos dias de hoje.

peixe como simbolo do cristianismo - logos princípios do reino

Nos tempos de Jesus e em Israel o peixe era algo muito comum na cultura existente, alguns dos próprios discípulos, foram pescadores, mesmo após seguirem a Jesus, pois O mesmo os intitulou “Pescadores de homens” (Mt 4:19), para que com as técnicas da pesca, detalhes que se aprendia apenas com o tempo de exercício na atividade, eles se tornassem pescadores de almas para o Reino; o mesmo símbolo também encontramos nos milagres ocorridos através das mãos de Jesus, quando houve a multiplicação que alimentou multidões, nos recordando que tudo é possível ao que crer.

 

A figura já teve uma variedade de significados e importâncias no decorrer da história, sendo um dos símbolos mais fortes e antigos do cristianismo, começando a ser utilizado mais ou menos no final do século 1 DC, e muito provavelmente antes da cruz, ele era usado pelos cristãos como meio de identificação entre eles nos tempos de perseguição do Império Romano, significando um sinal secreto de fé, quando um cristão encontrava outra pessoa que julgava professar a mesma fé, ele desenhava o arco ao contrário, formando assim a metade do peixe, e caso o julgamento fosse correto, o outro completava com a outra parte do arco, formando assim a figura de fé e esperança num Cristo Vivo.

O símbolo foi oficialmente associado ao cristianismo, tornando-se algo de uma grande intolerância para o estado Romano, onde por causa desse símbolo, muitos cristãos eram severamente punidos, torturados e mortos.

Mais por que o Peixe como símbolo do cristianismo?

Significado

Quando você era criança você certamente já deve ter brincado disso, é o que chamamos de “Acróstico¹” quando você pega um nome, e em cada letra do nome você descreve uma palavra, foi assim que fizeram com a palavra Peixe.

A palavra grega para peixe é “ΙΧΘΥΣ” “ICHTHYS” ou “ICHTHUS” (do grego antigo ἰχθύς, em maiúsculas ΙΧΘΥΣ ou ΙΧΘΥC, significando “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador“) e as suas letras formam o acrônimo (IESOUS + CHRISTOS +THEO +HYIÓS + SOTER ), (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), que era escrita com uma palavra abaixo da outra, formando-se o acróstico ichthus (peixe). É um símbolo que consiste em dois arcos que se cruzam para formar o perfil de um peixe, sendo um dos símbolos mais antigos do cristianismo.

Trata-se de um acrônimo, utilizado pelos cristãos primitivos, da expressão “Iēsous Christos Theou Yios Sōtēr”, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” (em grego antigo, Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ ͑Υιός, Σωτήρ). Foi um dos primeiros símbolos cristãos, juntamente com o crucifixo e continua a ser usado pelas igrejas cristãs.

Histórico

Ichthys também era utilizado para marcar catacumbas cristãs na época da perseguição aos cristãos, pois era um símbolo que não era tão explicitamente cristão (como a cruz, por exemplo). Outra utilidade era o uso para comunicação: um cristão marcava um lugar com uma meia-lua para baixo, se o outro também fosse cristão, marcava a meia lua para cima, formando o símbolo também era desenhado por crianças nas portas de casa para que mostrasse aos outros cristãos que aquela era uma casa de família crista.

Acróstico ΙΧΘΥΣ/Peixe.

  • I – Iota de Iesous – Jesus em grego
  • X – Chi de Christos – Cristo em grego
  • È – Theta de Theou – Deus em grego
  • Y – Upsilon de Yios/Huios – Filho em grego
  • Ó – Sigma de Soter – Salvador em grego

peixe como simbolo do cristianismo ICHTHYS, logos princípios do reino

Vocábulo:

¹ Os acrósticos são formas textuais onde a primeira letra de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase. Podem ser simples, com frases ou palavras que não tenham ligação entre si ou podem mesmo ser o encerramento de uma poesia . – Wikipedia

Ichthys

Ichthys, ou símbolo do peixe, representa o Cristianismo.

Uma outra versão contendo o acrônimo ΙΧΘΥΣ.

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Descanso – O Silêncio também é resposta

LINDO FUNDO MUSICAL PARA ORAR E REFLETIR

É tempo de descansar. Brevemente retornarei com uma sequência de novas postagens  e/ou postagens revisadas e atualizadas. Neste ínterim quem acessar o blog poderá clicar em qualquer link, pois há muitos textos e temas diversos para edificação e ensino bíblico.

Outrossim, estarei alterando após este período de descanso,  de 20 dias o tempo para liberação de novas postagens e/ou Revisões, atualizações e comentários nas postagens para cada 30 dias, intercalados.

É tempo de descanso

Cansaço é coisa séria!

Falar sobre cansaço é mais complexo do que pode parecer à primeira vista. Não existe apenas um tipo de cansaço, e ele tem causas e consequências diversas, além de diferentes níveis de intensidade. Pode inclusive mesclar-se àquela sensação de satisfação após a conclusão de uma difícil tarefa intelectual, depois de um árduo dia de trabalho no campo, ou após o cuidado exigente do filho recém-nascido.

Cansaço é coisa séria. Ele altera o modo como vemos as coisas e nos leva a agir de maneira diferente da que agiríamos se estivéssemos descansados. Parece que vivemos uma epidemia de cansaço – é o que dizem alguns estudos. Uma pesquisa IBOPE Inteligência realizada há alguns anos apontou que 98% dos brasileiros dizem ter algum nível de cansaço físico ou mental. Os jovens – entre 20 e 29 anos – são os mais cansados: 99% dos entrevistados nessa faixa etária afirmaram estar exaustos.

Certamente todos nós temos experimentado algum tipo de cansaço e nos identificamos com o cântico do povo de Judá: “Os carregadores já estão cansados, e ainda há muito entulho para carregar. A construção desta muralha quando vamos terminar?” (Ne 4.10). Graças a Deus, podemos contar com as promessas de cuidado e de renovação de forças e com os expedientes que o Senhor criou para vivermos uma vida plena. Podemos começar resgatando e ampliando o significado do mandamento do repouso sabático: “Nestes dias difíceis, formemos o hábito de dar ‘domingos’ à nossa mente; momentos nos quais ela não faça trabalho algum, mas simplesmente esteja quieta, olhe para cima e se estenda diante do Senhor como o velo de Gideão – para ficar embebida do orvalho do Céu” (Mananciais no Deserto).

 

https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/380/cansaco-e-coisa-seria

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Quero conhecer o seu perfil – vale mais de uma opção – É anônimo

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BIOGRAFIA – Jacó Armínio

Uma breve história sobre Armínio, e o arminianismo.

I-ARMÍNIO E O LIVRE-ARBÍTRIO

Breve histórico de Jacó Armínio

Jacob Harmensen, (*1560-1609) que transliterou seu nome para o latim transformando-se em , Jacobus Armínius, em português – Jacó Armínio, também é conhecido nos países de língua portuguesa, pela versão inglesa de seu nome – James ou Jacob Arminius.

Nascido em na cidade Holandesa de Oudewater, numa ambiência totalmente calvinista, estudou em Leyden, na Universidade Marburg (1575-1581) recebendo o título de doutor em teologia, na Basiléia (1582-1583), e em Genebra na Suíça (1584-1586).

Nem sempre Armínio nutria as idéias que hoje são conhecidas como arminianismo, era ele, um adepto do calvinismo, sendo inclusive, influenciado por Teodoro de Beza o sucessor de Calvino.

A controvérsia se deu, não por uma sublevação direta de Armínio, pelo contrário, a princípio o teólogo de Leiden preparou-se, por escolha de um sínodo local, a defender e teologia reformada, professada pela Igreja Holandesa, que vinha sendo atacada pelo teólogo Dirck Koornhet tendo como alvo principal de seus ataques, a doutrina da predestinação absoluta.

No afã de responder com propriedade as assertivas de KoornhetArmínio se lançou a pesquisas tendo como fonte de pesquisa, além das Escrituras, as obras teológicas dos Pais da Igreja. Todo esta empresa, produziu um efeito contrário, ou seja, Jacó Armínio terminou sua pesquisa corroborando as teses de Dirck Koornhet .

Sua principal característica é a defesa do livre-arbítrio humano. Por esse posicionamento, enfrentou forte oposição, perseguição e falsas acusações por parte dos teólogos calvinistas. Entretanto, esse teólogo holandês sempre apresentou uma postura tolerante e não combativa, embora convicto de suas opiniões.

O problema não terminou por aí, alias, absorver as idéias contrarias a teologia dominante, foi apenas o início. Exercendo o ofício pastoral (1588-1603), e nas atividades de professor em Leydem, a partir de 1603, suas questões começaram a ser publicamente divulgadas. Nas publicações de suas idéias e no conseqüente choque com a ala reformada mais radical, principalmente na figura de Franciscus Gomarus, que fora seu professor, que antojou o antiarminianismo, começou na vida de Armínio, uma intensa e enfadonha perseguição teológica e intelectual.

Uns dos pontos centrais da divergência de Armínio e Gomarus, era na doutrina da predestinação, que segundo o primeiro, Deus conhecia de antemão aqueles que recepcionariam a graça de Deus, em Cristo Jesus, já Gomarus defendia que Deus só levava em conta sua absoluta vontade, predestinando assim aqueles que, por única e inquestionável vontade, decidiu eleger. Em 1607, essas diferenças foram transformadas em protestos por parte dos calvinistas, tendo o sínodo holandês convocado Armínio e Gomarus a exporem suas divergências – outra conferência foi agendada em 1609, sem nenhum avanço, sendo que neste mesmo ano, Armínio morreu de tuberculose.

A morte de Jacó Armínio, não esfriou a controvérsia, sendo o seu ideário defendido, principalmente por Johannes Uitenbogaard e Simon Episcopius.
Em 1910 a controvérsia desencadeou em um sínodo, conhecido como Sínodo de Dort. A primeira reunião do sínodo foi realizada no dia 13 de Novembro de 1618 e a finda, a 154ª deu-se no dia 9 de Maio de 1619.

Como já dito, ambiência teológica da Holanda era calvinista, sendo que até seu príncipe regente, Mauricio de Nassau, numa medida política, destituiu e imprimiu uma vil intolerância contra vários ministros arminianos, que, além de serem acusados de hereges, perderam suas propriedades e foram exilados. É importante lembrar também que a intolerância da Igreja Reformada Holandesa, sob o manto do estado holandês, também produziu morte, pois, Van Oldenbarnevelt foi executado. Hugo Grocio, um dos maiores juristas da história, foi condenado a prisão perpétua, mas, graças ao auxílio de sua esposa, conseguiu escapar escondido em um baú, aparentemente cheio de livros.

O calvinismo foi beneficiado pelo estado holandês, porque, estando a Holanda em guerra com a católica Espanha, acreditava Maurício Nassau que o sentimento calvinismo era mais eficaz para impedir que seus patrícios fossem influenciados pelo catolicismo da Espanha.

Com a morte de Maurício de Nassau, e a conseqüente perda de poder dos calvinistas, os arminianos conquistaram liberdade de expressão, e isso ocasionou na fundação de igrejas e do Seminário Remonstrante, existente na Holanda até hoje.

*Eleição divina e livre-arbítrio
“Na Bíblia temos tanto a pré-destinação divina como a livre escolha humana, em relação à salvação; mas  não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros à perdição eterna. […]. Por outro lado, a ênfase inconsequente à livre vontade do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas.”

1-Salvação e livre-arbítrio

Livre-arbítrio significa a tomada de decisão humana para a salvação conquistada por Jesus na cruz do calvário. A salvação é oferecida a todos os seres humanos indistinta e gratuitamente (Ap 22:17) e por uma escolha pessoal e livre de cada um. Todos os que o aceitam serão salvos e predestinados à vida eterna, pois Ele quer que todos sejam salvos (2ªPe 3:9). Essa maneira de pensar a Soteriologia é professada pelos pentecostais e teve sua origem em Jacó Armínio (1560-1609), sendo também explicada depois por JohnWesley (1709-91) e John William Fletcher (1729-85). Logo, com a teologia pentecostal, não necessariamente por não poder conviver com esta, mas especialmente porque  o calvinismo nega algumas dinâmicas do pentecostalismo, como será visto adiante, sendo, assim, irreconciliáveis. Essa declaração é necessária porque o calvinismo é, majoritariamente, cessacionista¹ (https://youtu.be/MIn74klWuKA). Portanto, de forma subjetiva, estão fazendo os pentecostais abdicarem da doutrina mais cara ao pentecostalismo, que é o batismo no Espírito Santo.

  • ¹Os cessacionistas não podem crer na revelação e inspiração interior porque isso vai contra suas teorias e teologias dogmatizadas e afirmadas há séculos. Essas teorias não têm mais respostas às perguntas modernas. Certamente que a ortodoxia é necessária, bem como a antiguidade dos preceitos religiosos diante da volatilidade e liquidez da atualidade, em que nada mais é estável, causando grande desconforto e insegurança nesse sentido. A religião cristalizada — nesse caso o calvinismo — é importante, pois estabiliza o sujeito e torna-se uma da últimas instituições não afetadas pelo pós-modernismo.  

       Os pentecostais também rejeitam a doutrina de Calvino por ela ser fatalista, muito acomodatícia quanto ao evangelismo, supondo certa injustiça em Deus, além de sugerir uma robotização humana; pode levar à acomodação quanto ao evangelismo, supondo certa injustiça em Deus, além de sugerir uma robotização humana; pode levar a acomodação humana quanto a santificação e ao empenho para a salvação de outros. Por isso, aproximam-se mais da doutrina de Armínio, mas isso não significa que toda a Teologia arminiana possa ser aceita sem qualquer problema. Este material, entretanto, não se propõe a encontrar estas falhas, mas simplesmente apontar a coerência existente entre a doutrina arminiana e a Teologia Pentecostal.

       É bom recomendar que não se façam disputas entre calvinismo e arminianismo, mas que se exercite a tolerância cristã e o respeito nas questões divergentes, que são muitas. Até porque os irmãos calvinistas são acusados por alguns, dada a ênfase fundamentalista de suas doutrinas, que são intolerantes; eles são levados ao orgulho espiritual por serem os predestinados;²   sua ação evangelística é quase nula e isolam-se das demais igrejas³. O calvinismo também confessa uma pureza doutrinária acimas das demais teologias evangélicas, pureza esta que acaba tornando-se um meio de auto-salvação.Apesar disso, há também, alguns pontos de contacto entre as doutrinas. Silas Daniel afirmou “que o calvinismo honra a Deus tanto quanto o arminianismo, claramente estou me referindo ao calvinismo majoritário, compatibilista (o outro extremo é o fatalista)”. Há pontos de contato especialmente no pentecostalismo mais popular, onde há “certo fatalismo quando se trata de ‘causas e consequências'”, especialmente diante de grandes tragédias. A frase “Deus assim quis” é muito comum sem levar em conta a lógica da afirmação em alguns contextos”.

  • ² Muito embora se afirme em alguns círculos pentecostais, especialmente no Brasil, que os calvinistas praticam o “parisitismo teológico”, ou seja, para sobreviver teologicamente e enquanto igreja, precisam firmar-se numa teologia diferente, eles nesse sentido, estão “evangelizando” os pentecostais. Deve-se destacar também que a ortodoxia cristã tem uma grande dívida para com a teologia reformada na luta contra as teologias liberais.
  • ³ Algumas correntes neocalvinistas podem ser mais moderadas e possíveis de um diálogo com pentecostais, mas não deixam de afirmar o cessacionismo.

Armínio escreveu que não poderia concordar com o calvinismo, chamando-o, então, de repugnante, tendo em vista algumas contrariedades que são: Deus jamais criaria algo, como a predestinação, para a condenação, com o propósito de não ser unicamente bom, ou seja, “que Deus criou algo para a perdição eterna para o louvor da sua justiça”; se Deus predestinasse alguém à perdição, seria para demonstrar a glória de sua misericórdia e da sua justiça, mas Ele não pode demonstrar tal glória através de um ato contrário à sua misericórdia e justiça, como a predestinação à condenação; se Deus condenasse os seres humanos desde a criação, Ele quereria o maior mal para as suas criaturas e teria predeterminado, desde a eternidade, o mal para elas, mesmo antes de conceder-lhes qualquer bem; assim, Deus quis condenar e, para que pudesse fazer isso, Ele quis criar, embora a própria criação é uma demonstração de sua bondade; entretanto, contrariando essa ideia espúria, Deus confere bençãos e benefícios sobre o mal e o injusto e até sobre aqueles que são merecedores de punição; o pecado é chamado de desobediência e rebelião; logo, Deus teria colocado alguns sob uma necessidade inevitável de pecar, o que seria impossível; a condenação é consequência do pecado; este entretanto, sendo causa, não pode ser colocado como meio pelo qual Deus executa o decreto ou a vontade de reprovação dos seres humanos; a predestinação tem um paradoxo intransponível, que é o fato de os pecadores destinados à condenação terem sido condenados antes mesmos de Jesus ter sido predestinado, muito embora Ele tenha sido morto desde a fundação do mundo para ser o salvador; isso desonra a Cristo e sua obra; se a salvação de alguns já tinha sido preordenada, Ele, então, foi apenas um ministro e um instrumento para dar-nos a salvação, assumindo um protagonismo secundário, e sua morte foi desnecessária, pois, quem fosse destinado à salvação teria sido salvo do mesmo jeito.

        Recentemente, tem havido uma aproximação ao calvinismo por parte de alguns pentecostais mais intelectualizados, mas isso se deve mais a uma lacuna pentecostal histórica quanto a educação teológica sólida, que deixou uma classe intelectualizada mais abandonada, do que propriamente a habilidade de fazer coadunar as duas teologias.

A ELEIÇÃO BÍBLICA É SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA

        Eleição é a escolha que Deus faz com grupos ou indivíduos com fins específicos determinados por Ele — no caso aqui abordado, para a salvação. Uma das palavras hebraicas para eleição, yãdha’¹,  tem uma conotação amorosa no sentido de que Deus elege não simplesmente por uma mera escolha, mas especialmente porque seus afetos levam-no a escolher as pessoas para a salvação. Essa mesma palavra é usada quando o Antigo Testamento refere-se a um casal que teve relações sexuais, ou seja, há um envolvimento de afetos. A eleição amorosa também está presente num tero grego usado por Paulo (Rm 8:29), proginõskõ, que expressa o sentido de que Deus amou de antemão. Tendo em vista esse amor, Paulo escreveu poeticamente: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome ou a nudez, ou o perigo ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:35_37). Assim, segundo a doutrina arminiana, Deus elegeu e destinou todos para a salvação (Jo 3:14_16; 1ªPe 2:9), “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:15).

       No Antigo Testamento, a eleição tem um significado mais específico do que no Novo Testamento. Exemplo disso é a escolha de Abraão e sua descendência, que, depois vieram a formar a nação de Israel. Deus chamou o patriarca e fez-lhe promessas, e este livremente respondeu o chamado; porém, diante dele, estava a possibilidade de não atender ao convite. A eleição de Israel (Is 51:2; Os 11:1) e alguns indivíduos dela, de maneira específica, é pontual na história porque Deus tinha o propósito de, através dessa nação, trazer o Salvador. Por ser uma eleição pontual, ela não pode servir de base, em se tratando de salvação, para estabelecer uma eleição absoluta e específica apenas para determinadas pessoas e outras não. A liberdade de escolha para obedecer que Deus deu para Israel e a desobediência e rebeldia do povo fizeram eles perderem algumas das bençãos prometidas (Jr 6:30; 7:29) , assim, servissem-nos de exemplo para não repetirmos os mesmos erros. (1ª Co 10:6,11).

        Por mais que pareça, a eleição não trouxe privilégios para a nação de Israel, mas, sim, responsabilidades. No entanto, por não conseguir cumprir sua parte na eleição, Israel nunca deixou de ser alvo do amor de Deus, embora sofresse as consequências (destruição da nação) por não agirem como povo escolhido.

        A eleição divina é o ato pelo qual Deus chama os pecadores para a salvação em Cristo e torna-os santos (Rm 8:29,30). Essa eleição é proclamada através da pregação do evangelho (Jo 1:11; At 13:46; 1ªCo 1:9), e Deus deseja que todos sejam salvos e respondam afirmativamente ao chamado para a salvação (At 2:37; 1ªTm 2:4; 2ªPe 3:9). Os que crerem serão salvos; os que não crerem, porém, serão condenados (Mc 16:16). Alguns, ao ouvirem o evangelho, se endurecem ainda mais em seus pecados (Jo 1:11; At 17:32) e perdem a oportunidade de salvação.

       Presciência é a capacidade que Deus tem de saber todas as coisas de antemão (At 22:14; Rm 9:23) e também de interferir na história humana(Ne 9:21; Sl 3:5; 9:4; Hb 1:3). Ele é soberano (Jó 42, provedor (Sl 104) e também sabe quem irá responder positivamente ao convite para a salvação (Rm 8:30; Ef 1:5). Ele proveu a salvação para todos, mas nem todos atendem ao seu convite, pois Ele mesmo, em sua bondade, deu para seus filhos a possibilidade da escolha. Assim, Deus cortou Israel (Mt 21:43 por escolha deles e enxertou os salvos em seu lugar, e foram esses salvos que se tornaram o Israel de Deus (Rm 11:17_24). Em sua soberania, estamos sob os cuidados e a presciência de Deus, mas também desfrutamos paradoxalmente da liberdade do livre -arbítrio dado por Ele, e isso aumenta a responsabilidade humana em obedecer aos seus mandamentos (Ap 3:20). “Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hb 10:38).

       Eleição é uma decisão de Deus desde a eternidade, mas é condicionada à vontade humana. Entretanto, essa vontade não prejudica em nada a vontade de Deus. Ele não é pego de surpresa diante da livre vontade humana, pois ele previu essa vontade. Podemos com toda a certeza afirmar que o que Deus predestinou foi, de fato, a vontade humana, no sentido de ela ser completamente livre, ou seja, Ele criou o homem determinando que este teria liberdade de escolhas. “Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade”(2ªTs 2:13).

       Antonio Gilberto ensina que “na Bíblia, mencionam-se a eleição divina coletiva, como a de Israel (Is 45:4; 41:8_9) e a da Igreja (Ef  1:4);e a individual, como a de Abraão (Ne 7:9) e a de cada crente (Rm 8:29).” Severino Pedro propõe outra forma. Ele classifica a eleição de quatro maneiras: preventiva, quando Deus usa de vários meios para impedir o mal na vida dos que são chamados e atendem à sua salvação (Gn 20:6); permissiva, que diz respeito às coisas que Deus não proíbe nem restringe, mas fica na vontade do homem (Dt 8:2); diretiva, que se baseia na vontade perfeita de Deus dirigindo a vontade humana (Gn 50:20); e determinativa, que é quando Deus decide e executa conforme a sua soberana vontade (Jó 2:2).

¹Outro termo hebraico utilizado é bãhar, que significa selecionar deliberadamente alguém.  

 2- O livre-arbítrio na Bíblia

       Deus nos criou à sua imagem e semelhança (Gn 1:26). Logo, por Ele ser naturalmente livre, também seus filhos possuem a faculdade de escolherem livremente. Por isso, o Criador sempre incentivou a nação a escolher o caminho da vida (Dt 30:19,20). Assim, segundo as Escrituras, se em Adão todos são predestinados para a perdição, em Cristo, todos são predestinados para a salvação: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim, todos serão vivificados em Cristo” (1ªCo 15:22; cf. Jo 1:12), pois, “se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, será salvo” (Rm 10:9).

       O livre-arbítrio é a possibilidade que os seres humanos têm de fazer escolhas e tomar decisões que afetam seu destino eterno, especificamente, se tratando da salvação. Isso quer dizer que cabe a cada um deixar-se convencer pelo Espírito Santo para ser salvo por Jesus ou não, embora Deus dê a todos a oportunidade. No jardim do Éden, o criador outorgou o livre-arbítrio ao homem (Gn 2:16, 17); a Israel deu também esta prerrogativa(Dt 30:19); e à humanidade o Altíssimo possibilitou escolha entre o caminho da salvação ou o da perdição (Mc 16:16).

A principal característica do arminianismo é o livre-arbítrio.

PONTOS BÁSICOS DA DOUTRINA DE ARMÍNIO

  1. A predestinação depende da forma de o pecador corresponder ao chamado da salvação. Logo, acha-se fundamentada na presciência divina; não é um ato arbitrário de Deus.
  2. Cristo morreu, indistintamente, por toda a humanidade, mas somente serão salvos os que crerem.
  3. Como o ser humano não tem a capacidade de crer, precisa da assistência da graça divina.
  4. Apesar de sua infinitude, a graça pode ser resistida.
  5. Nem todos os que aceitaram a Cristo perseverarão.

CONHEÇA MAIS

Eleição divina e livre-arbítrio

“Na Bíblia temos tanto a predestinação divina como a livre escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros à perdição eterna. […]. Por outro lado, a ênfase inconsequente à livre vontade do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas. “

II – ELEIÇÃO DIVINA E O LIVRE-ARBÍTRIO

1 – A eleição divina.

A eleição é uma escolha soberana de Deus (Ef 1:5,9) que tem como objetivo de seu amor todos os seres humanos (1ªTm 2:3,4). Não é uma obra que leva em conta o mérito humano, mas que é feita exclusivamente em Cristo (Ef 1:4). Em Jesus, Deus nos elegeu com propósitos específicos: para pertencer-mos a Cristo (Rm 1:6; 1ªCo 1:9); para a santidade (Rm 1:7; 1ª Pe 1:15; 1ªTs 4:7); para a liberdade (Gl 5:13); para a paz (1ª Co 7:15); para o sofrimento (Rm 8:17, 18); e para a sua glória (Rm 8:30; 1ªCo 10:31).

2 – Escolha humana e fatalismo

A graça comum (Rm 5:18) é estendida a todos os seres humanos, abrindo-lhes a oportunidade para crerem no Evangelho, o que descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus – Fatalismo: acontecimentos que operam independentemente da nossa vontade, e das quais não podemos escapar. Ora, a eleição de Deus não é destinada somente a alguns indivíduos, enquanto os outros, por escolha divina, vão para o inferno. Isso vai contra a natureza amorosa e misericórdia do criador. Por isso, indistintamente. Ele dá oportunidade para que todos se salvem (At 17:30, pois Deus não fz acepção de pessoas (At 10:34).

3 – A possibilidade da escolha humana

Há vários textos bíblicos que apontam para o fato de o ser humano ser livre para escolher:”todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16); o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6:37); “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10:13). Uma das coisas mais belas da Palavra de Deus é que, embora o altíssimo seja soberano, Ele não criou seus filhos como robôs autômatos milimetricamente controlados. O nosso Deus deseja que todo o ser humano, espontânea e livremente, o ame de todo o coração e mente.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

…’Se Deus leva em conta nossos pecados, porque não nossas súplicas?’ Isso significa que a oração, a súplica, move a Deus. Numa palavra, ‘Deus e o homem não se excluem mutuamente, como o homem exclui ao seu semelhante no ponto de junção, por assim dizer, entre Criador e criatura; no ponto em que o mistério da criação — infinito para Deus e incessante no tempo para nós — ocorre de fato’. Isso significa que, ‘Deus fez (ou disse) tal coisa’ e ‘eu fiz (ou disse) tal coisa’ podem ambos ser verdadeiros’. Esta, inclusive é a forma arminiana e pentecostal de crer. A soberania divina coexiste com o livre-arbítrio e qualquer tentativa de explicar como isso ocorre leva e equívocos e discussões desnecessárias.

       Abaixo, segue um quadro comparativo entre as três principais correntes da doutrina da salvação, quanto a vários temas que demonstram as tensões e questões conflitantes entre elas:

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CONCLUSÃO

       O Evangelho é um presente oferecido a todas as pessoas, independente de méritos pessoais. Por isso o Senhor convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28). Os que aceitam a esse convite estão predestinados a “serem conforme a imagem de seu filho”, Jesus Cristo (Rm 8:29). Deus deseja que todo ser humano seja salvo!

Lailson Castanha.

http://teologiaarminiana.blogspot.com.br/2009/01/uma-breve-histria-sobre-armnio-e-o.html

A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Livro de Apoio das Lições Bíblicas do 4ºT 2017 Adulto CPAD e Revista – Lições Bíblicas

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As Seitas e as Regras de Hermenêutica

por Prof. Paulo Cristiano da Silva

O que constitui uma heresia? Grosso modo, heresia é um ensino errôneo acerca da Palavra de Deus. Portanto, podemos afirmar que existe uma falha hermenêutica no amago da heresia. Quando as regras da sagrada hermenêutica são ignoradas, surgem os mais variados tipos de teologias particulares que muitas vezes levará a pessoa longe do conhecimento verdadeiro sobre Deus e sua Doutrina. Nesta palestra queremos mostrar algumas regras básicas de hermenêutica para uma boa interpretação das Escrituras, usando para tanto, exemplos da má interpretação retiradas das próprias seitas para contrastar com cada uma destas regras. Boa palestra!

O que é Hermenêutica?

Do grego Hermenêutike que por sua vez, se deriva do verbo Hermeneuo (Interpretar)

Hermenêutica, é pois, a ciência que nos ensina os princípios, as leis e os métodos de interpretação.

Porque precisamos de hermenêutica?

A hermenêutica é algo que se pratica no cotidiano. É que aprendemos hermenêutica durante toda a nossa vida, desde o dia em que nascemos. Afinal, a falha em compreender o piscar dos olhos de alguém poderia significar um desastre em certas circunstâncias.

Será  que  é  necessário  interpretar  a  Bíblia?

Pedro e as cartas paulinas (2ª Pedro 3:15b – 16 ARA).

Aqui vemos Pedro afirmando três verdades importantes:

  1. Nem tudo nas cartas de Paulo era complicado.
  2. Mas havia certas coisas “difíceis de entender” nas cartas dele.
  3. Sempre existe a possibilidade de alguém “deturpar” a Palavra de Deus.

Principais Regras de Hermenêutica

Passaremos agora às principais regras de interpretação.

Regra Nº 1 – Análise textual

  • Leia toda a passagem no mínimo três vezes para se familiarizar com o assunto;
  • Leia todo o capítulo da passagem;
  • Marque as palavras difíceis do texto;
  • Observe as palavras que se repetem no texto.


Exemplos de má interpretação: Testemunhas de  Yeshuah – “Eia, Sus” (deus-cavalo)no salmo 35:25 – Teologia Popular “adúltera por adultera”,

Regra nº 2 – Análise Contextual

  • Leia todo o contexto; o que vem antes e depois da passagem que você está lendo para ter uma; compreensão total da mensagem.

Exemplos de má interpretação: Adventistas – “a guarda do sábado” em Ezequiel 20.12

Testemunhas de Jeová – “

Regra nº 3 – Análise Literária

  • Descobrir que gênero literário pertence o texto que se está lendo: poético, apocalíptico, histórico, epistolar, parábola.
  • Exemplos de má interpretação: Adventista “descanso de Deus” em Gênesis, mórmons – “a corporificação de Deus” nos Salmos etc…

Regra nº 4 – Análise Histórico Cultural

  • Na análise histórico-cultural o interprete procura descobrir o contexto histórico, político, econômico, cultural e religioso no qual os envolvidos estão inseridos.
  • Exemplos de má interpretação: Testemunhas de Jeová – “Jesus e a estaca”, “geena como sepultura”, etc…

Conclusão

Como você pôde perceber, os erros de interpretação que se tornam heresias são por causa do descuido para com as regras básicas da hermenêutica. Portanto, ao analisar uma literatura de seita ou conversar com algum adepto de grupos heréticos tenha em mente as noções aprendidas nesta palestra para não se tornar também presa fácil do ardil exegético (ou eisegético) das mesmas.

http://www.cacp.org.br/o-desafio-hermeneutico-das-seitas/

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Por que a Bíblia condena o Espiritismo?

Existem pelo menos seis razões simples e diretas porque o Espiritismo é condenado pelas Escrituras. Apesar dos esforços de alguns em querer usar a Bíblia para defendê-lo, na verdade estão utilizando um livro que os condena. O Kardecismo é contrário à Palavra de Deus.

Por que Deus condena o Espiritismo?

  • 1. Porque Deus abomina qualquer pessoa que consulta os mortos

“Não haja em teu meio nem adivinhador, nem agoureiro, nem magos…nem quem consulte aos mortos. O Senhor abomina aquele que faz estas coisas” (Deuteronômio 18.10-12)

  • 2. Porque na verdade os mortos não voltam nem se relacionam com os vivos

“Pois os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma. Não têm jamais recompensa mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. O seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram. Já não têm parte em coisa alguma que se faz embaixo do sol (Eclesiastes 9.5,6)

  • 3. Porque milhares têm sido enganados e escravizados pelo diabo, através dessas experiências

“É não é de admirar, pois o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (2 Coríntios 11,14)

  • 4. Porque a Bíblia nos adverte contra ensinos e práticas enganosas

”Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé dando ouvidos a espíritos enganadores e ensinos de demônios” (1º Timóteo 4.1)

  • 5. Porque a verdade não vem através dos mortos, mas através da Palavra de Deus

“Porém Abraão lhe disse: Se eles não dão ouvido a Moisés e aos Profetas (a Palavra de Deus), tão pouco eles acreditarão, ainda que algum dos mortos volte a vida” (Lucas 16.31)

  • 6. Porque a reencarnação é um engano

“Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hebreus 9.27)

por Pr Eguinaldo Helio de Souza

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Homilética – Conceito, Definição e O que é Homilética

Homilética é um substantivo feminino. O termo vem da palavra homilia, do Latim homilia, do Grego homilia, que significa “reunião, sermão”, de homilos, que quer dizer “grupo, multidão”, mais o sufixo grego –etikos, que é utilizado para adjetivos correspondentes a substantivos.

A homilética é a teoria e a arte de pregar um sermão. Ela envolve técnicas para tornar a mensagem transmitida pelo orador mais fácil de ser compreendida por aqueles que o ouvem. Ao lidar com textos sagrados e com o anúncio da Palavra de Deus, o orador deve investir tempo para preparar-se tanto espiritualmente quanto intelectualmente, tendo por objetivo entregar um sermão que fale à consciência das pessoas, que seja relevante, edificante e transformador. Para isso, é essencial que o orador alie às técnicas de preparação do sermão, a oração, a dependência do Espírito Santo e o testemunho de uma vida pautada pela obediência às Escrituras.

Antes de preparar um sermão, o orador deve conhecer o público para o qual o direcionará. Isso fará com que escolha o vocabulário apropriado para a exposição, tornando-a mais acessível aos ouvintes. Conhecer a ocasião e o tempo reservado para a pregação é importante, pois um sermão entregue em um casamento com restrições de horário, por exemplo, será diferente daquele entregue em uma celebração dominical ou em um funeral. 

Saber manejar elementos da hermenêutica (a correta interpretação dos textos sagrados) e da exegese (investigação do texto bíblico dentro de seu contexto, buscando descobrir o significado do texto em si mesmo) é fundamental. Ler bastante e consultar diferentes traduções das Escrituras, gramáticas, comentários e dicionários teológicos ajudará a tornar a pesquisa prévia mais rica e apurada.

Escolher o tipo ou o método do sermão é outro passo a ser dado. Entre as diversas definições, destacam-se o sermão textual, o sermão temático e o sermão expositivo:

Sermão textual: os argumentos e divisões partem do próprio texto bíblico. Extrai-se as ideias a partir das Escrituras. Por meio desse modelo, o público pode acompanhar passo a passo a exposição do conteúdo consultando sua própria Bíblia.  

Sermão temático: os argumentos partem de um tema escolhido, de um mote externo. A partir do tema, o orador se debruça sobre a Bíblia para encontrar elementos que embasem o sermão.

Sermão expositivo: assim como o sermão textual, parte do próprio texto bíblico. Exigente, demanda mais tempo para a transmissão do conteúdo. Os argumentos giram em torno da exposição exegética e hermenêutica da Bíblia, buscando a ideia central do texto e a sua aplicação no momento presente.

Feito isso, é hora de organizar as ideias e pensar na introdução, no desenvolvimento e na conclusão do sermão. Buscar ferramentas que facilitam a compreensão, como ilustrações e histórias elucidativas é um bom recurso. No entanto, é fundamental que o orador tenha cuidado para que esses recursos não tirem a atenção do público de seu foco principal. Ajudar os ouvintes a entender a aplicação das verdades transmitidas também é um passo a ser considerado. A aplicação pode ser trabalhada ao final das divisões do sermão ou quando houver oportunidade dentro do esboço preparado.

Ao entregar um sermão ao público, é importante zelar para que a comunicação seja fluída e coerente, atentando para a postura, os gestos, o tom de voz, entre outros elementos. Após a pregação, dedicar tempo à oração, clamando a Deus para que frutifique as sementes lançadas, é uma atitude bem acertada, pois revela a dependência da unção de Deus para que o sermão seja de fato eficaz. 

Resumindo:  Homilética é a arte de pregar.

Homilética é o termo utilizado quando se faz uso dos princípios da retórica aplicados sobre o conteúdo da Bíblia (é ter como foco central a mensagem bíblica que se colhe ao estudar as Escrituras). Pode-se entender a homilética como a arte de discursar ou pregar com a finalidade de agradar.

Atualmente, o termo é raramente utilizado, pois foi substituído pela palavra “sermão”.

De toda forma, a homilética tem uma ideia bem precisa: é uma exposição oral, geralmente breve, sobre algum evangelho ou assunto doutrinário, realizada pelo sacerdote durante a missa, em uma linguagem de aspecto familiar e acessível.

Portanto, a homilética seria a arte da eloquência sagrada.

A homilética surgiu através do Cristianismo, ainda no século XVII, fazendo-se uso dos aspectos básicos da retórica desenvolvida pelos gregos.

O estudo da homilética vai da pesquisa ao púlpito, isto é, há desde o aprendizado do modo como compor e expor um sermão ou pregação bíblica até as formas de pregação, a preparação e qual a maneira mais eficaz e que torna mais interessante para chamar atenção do público.

Não somente essa vantagem, mas a homilética faz com que o ouvinte tenha uma compreensão completa do pregador e do que é transmitido por ele, além dele próprio ganhar uma maior orientação sobre sua leitura.

A hermenêutica é um termo que possui relação com a homilética, pois é conceituada como uma técnica ou arte de explicar e interpretar um discurso ou texto.

Para tanto, a homilética seria uma matéria da Teologia que orienta na organização dos estudos bíblicos para que sejam formatados como uma pregação, facilmente entendível e guardada pela Igreja. É, de um modo simples de ser entendido, como a melhor forma de comunicar – isto é, de maneira compreensível – a palavra de Deus a quem escuta, sempre tomando o devido cuidado para que a essência da verdade bíblica não seja perdida durante este processo.

Homilética e hermenêutica

Podemos perceber então que as características da homilética estão relacionadas de uma forma muito intima com as características da hermenêutica, na qual tem como objetivo desenvolver, através de técnicas, formas de entender, se expressar e explicar com facilidade e boa absorção do ouvindo, um texto ou fala.

Ambos trazem um ótimo estudo que desenvolve a percepção humana, levando o estudioso a níveis diferenciados de intelectualidade.

Não é difícil encontrar, nos dias de hoje, workshops e cursos que visem o ensinamento e treinamento de pessoas com o único objetivo de melhorar ou aprender a arte da homilética, transformando-os em ótimos oradores e interpretes de conteúdo.

https://www.significadosbr.com.br/homiletica

https://www.meusdicionarios.com.br/homiletica

http://mundocristao.com.br/conteudo/914/Voce-sabe-o-que-é-homiletica

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Quando devemos pregar a Cristo?

A questão da Cristocentricidade

Podemos defender com vigor a autoridade das Sagradas Escrituras – e na verdade devemos fazer isso –, mas perder tudo na hora da hermenêutica, a arte e a ciência da interpretação (Hermes era o mensageiro dos deuses gregos, vindo daí a palavra hermenêutica). A Bíblia é verdadeira, mas esse fato em si não tem nenhuma consequência se não prosseguirmos perguntando: “Sim, mas o que ela diz?”.

       Historicamente, a hermenêutica tem lidado com os princípios e as regras pelas quais os vários gêneros literários das escrituras devem ser compreendidos. Essas são as ferramentas com as quais o pregador escava o texto. Geralmente procuramos compreender a Bíblia como o fazemos com qualquer outro livro. Levando em conta o referencial do autor e sua intenção, damos ao texto uma leitura literal, plana e normal, levando em consideração obviamente, as figuras de linguagem. A pregação bíblica, como definimos, baseia-se fortemente nas habilidades dadas pelo Espírito Santo para o intérprete consciente.

       Uma das grandes belezas e glórias das Escrituras é ser vista em toda sua clareza. A Bíblia foi escrita para ser compreendida, não é obscura e muito menos ambígua. Certamente existem “algumas coisas difíceis de entender” (2ªPe 3:16). J. I. Packer nos ajuda nessa questão trazendo uma citação de um puritano do século XVII chamado William Bridge:

Para um homem piedoso, deveria ser como Moisés. Quando o homem piedoso vê a Bíblia em aparente contradição com as informações seculares, deve fazer o que Moisés fez quando viu um egípcio lutando com um israelita: mata o egípcio. Ele desconsidera o testemunho secular, sabendo que a Palavra de Deus é verdadeira. Mas quando vê uma aparente incoerência entre duas passagens das Escrituras, ele faz o que Moisés fez quando viu dois israelitas discutindo: tenta reconciliá-los. Diz: “Ah, esses dois são irmãos. Preciso fazer com que fiquem em paz”. É isso o que faz o homem piedoso.

       Como disse Agostinho, “a Bíblia é como um rio em que uma criança pode nadar e um elefante atravessa com dificuldade por causa da correnteza”. Qualquer crente sincero e orientado pelo Espírito Santo pode compreender e lidar com a Palavra. O estudo e a meditação são exigidos e devem continuamente ser aprimorados com mais e mais ferramentas que permitam aprofundamento constante e compreensão cada vez mais satisfatória.

       Nos últimos anos, a hermenêutica se envolveu com questões filosóficas e teológicas sobre a própria Escritura. A nova hermenêutica surgida a partir de Rudolf Bultimann e Martin Heidegger afirma que a própria linguagem é uma interpretação e não pode ser compreendida em relação aos textos antigos como se, de alguma maneira, incorporasse uma verdade objetiva. Compreender é essencial, envolvendo um “círculo hermenêutico” em que a personalidade e o texto se encontram numa vida diária contemporânea (é o “campo de consciência” de David G. Buttrick). Numa profunda discussão dessas questões, Anthony Thiselton insiste que, se o texto antigo deve ser vivo hoje para que de fato atinja seu objetivo, dois horizontes devem ser usados conjuntamente, tanto o do texto quanto o do intérprete moderno, e isso deve acontecer num nível mais conceitual.

       Não há problema de nos lembrarem de que não existe essa coisa de “exegese sem pressuposição”. J. D. Smart argumenta que a afirmação de uma objetividade absolutamente científica ao interpretar as Escrituras “envolve o intérprete numa ilusão tal sobre si mesmo que sua objetividade é inibida”. A hermenêutica não é uma ciência exata. Todos nós trazemos nossos sistemas, tradições, preconceitos e pecado para a tarefa de interpretar as Escrituras. Essa é uma das razões elas quais nossa compreensão difere e, em muitos casos, é simplesmente errada. Contudo, conscientes de nossas predileções e humildemente ansiosos pela instrução do Espírito Santo, podemos nos aproximar do texto das Escrituras para compreendê-lo.

       A postura diante do texto é muito diferente da de rendição a um Deus transcendente, que nos fala por meio de verdades objetivas. A nova hermenêutica tem perdido essencialmente o significado bíblico porque dá ênfase muito grande à auto compreensão. O fruto tem sido a confusão hermenêutica, um pluralismo ardiloso sem foco. O pregador deve manter a confiança na Bíblia que temos nas mãos como um conhecimento objetivo. A Bíblia tem status de verdade revelada independentemente da pessoa que se aproxima dela e de como a faz. Ela tem vida independentemente de minha compreensão. Não é uma verdade instável.

       Nossa tarefa ao pregar é averiguar o significado do texto bíblico. Eric D. Hirsch Jr. Fez a importante distinção entre significado e significância:

Significado é o que é representado por um texto; é o que o autor queria dizer com o uso de uma sequência particular de sinais; é o que os sinais representam. Por outro lado, a significância específica a relação entre o significado e uma pessoa, um conceito ou uma situação.

       A busca pelo significado é plenamente fundamental para o pregador que deseja comunicar a significância do texto bíblico no mundo de hoje.

Pontos de tensão na hermenêutica evangélica

Por trás do significado do texto está a intensão do autor. Precisamos fazer uso de todas as ferramentas disponíveis para a tarefa da compreensão do texto em seu contexto: gramática e sintaxe, informações arqueológicas e históricas (com bons comentários que sirvam de ajuda e verificação no processo), apenas para citar algumas. Algumas passagens apresentam mais claramente a intenção do autor do que outras. Em todas essas situações, estamos lidando com probabilidades. As passagens narrativas de maior dificuldade podem ser menos presumíveis do que certas seções didáticas em que a intenção básica parece ser afirmada de maneira bastante clara. É onde vemos que a hermenêutica não é uma ciência exata, uma vez que intérpretes piedosos nem sempre enxergarão o assunto do mesmo modo. Não existe um livro infalível que forneça o propósito do autor em toda e qualquer passagem. Uma salvaguarda importante para nós na interpretação é a analogia Scriptura, ou aquilo que as Escrituras ensinam como um todo, e a analogia fidei, aquilo que a igreja como um todo acredita sobre aquele assunto. Devemos ser cuidadosos para não impor categorias e conceitos da revelação posterior sobre os textos antigos, porque acreditamos na revelação progressiva. Contudo, nenhuma parte ou segmento da revelação divina pode jamais contradizer outra parte ou segmento. Os posteriores se baseiam nos anteriores em bela harmonia, como vemos no venerável sistema sacrificial do AT substituído pelo sacrifício definitivo de Jesus Cristo.

       Não se deve presumir que o significado que o autor quis dar ao texto deva ser sempre simples, pois a intencionalidade nem sempre é simples. Qualquer escritor ou agente (bíblico ou de outra área) pode ter uma intenção bastante complexa. Jesus realizou milagres como expressão de sua compaixão, mas também com o intuito de dar crédito ao seu ministério e ensinar lições e verdades (Lc 5:24). A narrativa da ressurreição tem vários propósitos. Em algumas passagens, pode ser mais difícil compreendermos o intuito único do autor, enquanto em outras compreendemos facilmente a possibilidade das múltiplas intenções. Seja qual for o caso, as descobertas da hermenêutica devem ser todas justificadas pelo próprio texto analisado dentro do seu contexto.

       Outra questão crítica na hermenêutica evangélica é como distinguir, dentro das próprias Escrituras, as proposições universais normativas para todos os tempos e os elementos culturais que partem de um âmbito temporal definido. Estamos lidando aqui com a parte da “significância” da definição de Hirsch. Pode haver implicações para nós até numa mensagem bastante específica para um rei antigo, mesmo se a situação como um todo não tiver relevância.  Na segunda reunião de cúpula do Conselho Internacional sobre a Inerrância da Bíblia, realizado em 1982, J. Robertson Mc Quilken apresentou a posição de que “todo ensinamento das Escrituras é universal, a não ser que as próprias Escrituras o tratem como limitado”. Mc Quilken levanta sete importantes perguntas para o intérprete:

  1. O contexto limita o receptor ou a aplicação?
  2. A revelação subsequente limita o receptor ou a aplicação?
  3. Este ensinamento específico está em conflito com outro ensinamento bíblico?
  4. A razão para determinada norma é apresentada nas Escrituras? Essa razão é tratada como normativa?
  5. O ensinamento específico é normativo assim como o princípio por trás dele?
  6. A Bíblia trata o contexto histórico como normativo?
  7. A Bíblia trata o contexto cultural como limitado? 

       É obvio que essas perguntas são importantíssimas para quem deseja se contextualizar com nossa cultura e, em especial, no contexto missionário em outros países.

       Poucas áreas têm sido mais difíceis para nós do que as questões relacionadas ao NT e como elas podem ser usadas no AT. Parece-me que é desnecessário argumentar que os escritores do AT entendiam plenamente tudo aquilo sobre o que eles profetizaram. A ideia de múltiplos cumprimentos da profecia do AT seria reconhecer a possibilidade de que um autor do AT não tivesse entendido plenamente a importância do que escreveu. Um escritor qualquer tem total compreensão das consequências do que escreve? Não perdemos controle da interpretação reconhecendo que os profetas não entendiam plenamente o momento em que suas profecias deveriam cumprir-se (1ªPe 1:10_12). Daniel escreveu sobre períodos de tempo (como em Dn 9:24_27) e tão claramente sobre coisas que ele não compreendia. Será que um leitor do Salmo 16 poderia compreender que esse texto é uma profecia sobre alguém que morreria e voltaria à vida novamente? Quanto Davi entendia de si mesmo? Teria Balaão compreensão clara das duas vindas de Cristo quando profetizou (v. Nm 24:17, 18)? Será que Abraão compreendeu a real extensão da sua descendência conforme lhe fora prometido?

       Existe um tipo de sensus plenior (significado maior das escrituras) a ser visto quando a revelação progressiva se completa. É por isso que J. I. Packer argumenta que se o significado e a mensagem de Deus

excedem o que o escritor humano tinha em mente, esse significado extra é apenas extensão e desenvolvimento dele, um esboço das implicações e o estabelecimento de relações entre suas palavras e as de outros, talvez declarações bíblicas posteriores de uma maneira que o próprio escritor, diante do caso, não poderia fazer.

       Esse reconhecimento não visa a introduzir nenhum elemento arbitrário em nossa peregrinação em busca do significado e da significância do texto das Escrituras.

       Em última análise, permanecemos ao lado dos reformadores, acreditando, que o todo das Escrituras deve interpretar as partes das Escrituras. Embora tenhamos dificuldades com Daniel, um profeta do sexto século antes de Cristo, e pesemos com cuidado suas profecias à luz da situação histórica e de seu conhecimento, terminas por mesclar Daniel e Apocalipse quando, como futuristas, falamos dos acontecimentos dos últimos dias. Acreditamos na unidade da revelação divina porque embora haja quarenta autores humanos diferentes, existe apenas um autor divino. Associamos Daniel, Joel, Zacarias, o Sermão do Monte, 2ª Tessalonicenses e Apocalipse. Desse modo, o NT, de acordo com a compreensão geral da igreja por todos os séculos deve finalmente ser decisivo para nossa compreensão do AT.  

A centralidade de Cristo

        Um foco crítico para várias dessas questões hermenêuticas é a própria questão prática de quando Cristo deve ser pregado no AT.

       “Ouço poucos sermões sobre Jesus” diz o início de um recente e interessante lamento da ala liberal. O pregador cristão, quer esteja pregando a partir do AT, quer do NT, deve apresentar Cristo como o referencial. O pregador cristão não pode pregar nenhum texto do AT como se fosse um rabino, porque o cumprimento das promessas se deu em Cristo, e vivemos debaixo da nova aliança. O pregador cristão tem um caso de amor eterno com o AT, a Bíblia que Cristo e os apóstolos tanto presavam. A nossa pregação de qualquer parte das Escrituras deve inserir-se dentro de uma clara percepção do constructo teológico e, para o pregador cristão, esse constructo é cristocêntrico.

       Nesse sentido, toda pregação bíblica é doutrinária. A nossa pregação está dentro de um sistema de compreensão. Esse constructo teológico deve ser o produto da exegese, da teologia bíblica, da teologia histórica e da teologia sistemática. A fraqueza da pregação sem essa consciência de construção é dolorosa para a congregação com o passar do tempo, embora talvez os membros não sejam capazes de mostrar exatamente qual é o problema. A falta de continuidade e coesão e a incoerência geral encontrada em muitas pregações somente ratificam que, embora haja análise, não tem havido uma quantidade significativa de síntese.

       A Declaração de Chicago sobre a Hermenêutica Bíblica (1982) afirma de maneira inequívoca: “A pessoa e a obra de Jesus Cristo são o foco central de toda a Bíblia. Afirmamos que não é correto nenhum método de interpretação que rejeite ou obscureça a centralidade de Cristo na Bíblia”. É desse modo que nosso Senhor via as Escrituras do AT: “E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras” (Lc 24:27). Jesus disse sobre o AT: “São as Escrituras que testemunham a meu respeito” (Jo 5:39). Os pregadores apostólicos viram o cumprimento do AT em Cristo e pregaram a Cristo conforme ele foi anunciado no AT (At 2:31; 3:24, 25; 8:35 e outras passagens). Paulo via o AT de maneira cristológica (2ªCo 1:20). Hebreus é um exemplo particularmente vivo de enxergar o AT a partir da plenitude da revelação em Cristo presente no NT (p.ex. Hb 10:7).

       Não possuímos um manual de interpretação do AT escrito pelos apóstolos, como Richard N. Longnecker mostrou tão brilhantemente na obra Biblical exegeses in the apostolic period [Exegese bíblica no Período apostólico]. Mais uma vez ficamos impressionados com o fato de que a hermenêutica não é uma ciência exata. O que está claro é que Jesus Cristo, como o unigênito filho de Deus, está no centro do “eterno plano” de Deus. É a vontade de Deus que “em tudo [Cristo] tenha a supremacia” (Cl 1:18). É o contínuo e fiel ministério do Espírito Santo para glorificar e dar testemunho de Cristo. Ele é o único caminho para o Pai, o único e suficiente mediador, por meio de quem podemos ser salvos, como se afirma em João 14:6, 1ªTm 2:5 e At 4:12. Desse modo, Paulo insistia frequentemente que pregava a Jesus Cristo, o Senhor crucificado. O tema mais perfeito do pregador cristão deve ser o Senhor Jesus Cristo. Charles Haddon Spurgeon disse que a verdadeira magnificência da pregação é exaltar nela a pessoa de Cristo. A história da pregação corrobora a alegação de Ronald Ward: “Se o pregador se abstém de comunicar a Cristo, ele não está pregando”. O que era verdadeiro para os pais da igreja, os reformadores, os puritanos, para John Wesley e Alexander Maclaren não é menos verdadeiro para nós. Um sermão sem Jesus é um jardim sem flores.

A centralidade de Cristo no Antigo Testamento

Existe hoje em dia muita discussão frutífera sobre a relação entre os dois testamentos (v. os livros recentes de Walter C. Kaiser Jr. e de Thomas E. McComiskey, assim como o clássico de S. Lewis Johnson). Ninguém é mais claro que John Bright quando afirma: “Cristo é para nós, na verdade, a coroa da revelação, por meio de quem a verdadeira significância do Antigo Testamento se torna finalmente evidente”. Essa é a estrutura fundamental dentro da qual o pregador de Cristo vai ao AT. Vamos analisar os depósitos de verdade incomparavelmente ricos que constituem o AT separando-os em três categorias.

       Profecias de Cristo no Antigo Testamento. O minério cristológico mais óbvio a ser garimpado no AT são as profecias messiânicas diretas. A Bíblia tem um corpo singular de profecia preditiva e de promessas. Isso tem imenso valor apologético, mas também é rico e cheio de verdades práticas para nós. O Talmude afirma que “todos os profetas profetizaram somente sobre o Messias” (Sanhedrin [Sinédrio] 99a). Afirma-se que cerca de 456 referências ao Messias foram identificadas no AT na sinagoga. Arthur T. Pierson falou do que Ele chamava de estágio mosaico ou germinal, estágio davídico ou embrionário e o estágio profético ou adulto. Canon Henry P. Liddon chama o livro de Isaías de “A mais rica mina da profecia messiânica”. A grande obra Cristologia do Antigo Testamento, de Ernest W. Hengstenberg, ainda é uma ferramenta muito útil na busca de tesouros relativos ao que o AT prediz sobre a pessoa e a obra do “Desejado de todas as nações” (Almeida Revista e Corrigida).   

       Figuras de Cristo no Antigo Testamento. Menos precisas e determinadas do que as verdadeiras profecias de Cristo são os tipos ou figuras de Cristo no AT. Johnson afirma com proveito que “tipologia é o estudo das correspondências espirituais entre pessoas, eventos e coisas dentro do plano histórico da revelação especial de Deus”. Isso pressupõe uma compreensão linear da história. Johnson cita B. F. Westcostt, que diz que “um tipo pressupõe um propósito na história de uma era para outra”.

       Certamente houve alguns excessos na tipologia a ponto de se achar que cada prego do tabernáculo de Israel e todo fio de cabelo da barba e um bode em Daniel são considerados como possuidores de muito significado. Mas a reação a esses excessos têm sido tão forte que parece haver um retorno a uma visão mais equilibrada que enfatiza a existência de pessoas, ventos, instituições, ofícios e ações pictóricos. As Escrituras falam de tipos e nos dizem que a “rocha era Cristo” (1ªCo 10:4). O livro de Hebreus usa a tipologia como sua hermenêutica básica. É certo que estamos pisando em terreno seguro quando o NT estabelece de maneira explicita a correspondência – seja com Adão, com dilúvio, seja com Melquisedeque. Não há questionamento sobre a serpente abrasadora, o maná, a Páscoa, Jonas dentro do peixe ou o casamento de Oséias. No caso das cidades, de refúgio, da vida de José, do sábado judaico e do calendário religioso, o bom senso e o julgamento cuidadoso nos ajudam a perceber aspectos e nuanças da obra redentora de nosso Salvador.

       Preparações para Cristo no Antigo Testamento.  A obra salvadora de Deus está em todo o AT. Nesse sentido holístico, tudo o que acontece no AT prepara para Cristo e se cumpre nele. Não podemos pregar o AT como se não houvesse um cumprimento futuro. Muit