Jesus e as relações humanas

     Jesus deu um grande exemplo de relações humanas. Durante o seu ministério, Ele realizou vários discursos em grandes concentrações. O seu trabalho, porém, foi caracterizado pelo contato pessoal. 

            J.M. Price, abordando sobre o assunto, faz a seguinte declaração:

Jesus enfatizava outra coisa: o contato pessoal. “Em grande parte, Jesus empregou seu tempo a conversar com indivíduos, ou com aquele seu grupo de discípulos ou alunos.” É verdade também que lidou com multidões. Tanto que verdadeiras multidões o seguiam de Cafarnaum, de Jerusalém, de Decápolis e doutros mais lugares. Chegavam, às vezes, a quatro ou cinco mil. Jesus simpatizava com as multidões, dirigia-lhes a palavra, alimentava-as e as curava. Certas vezes sua atividade chegou mesmo a tomar o aspecto dum grande movimento popular, notadamente após certos períodos de curas e por ocasião de sua entrada triunfal em Jerusalém. (J.M.Price).

       Apesar de realizar grandes concentrações, Jesus não estimulou o movimento das massas populares. Em algumas ocasiões, ele desapareceu e fugiu da multidão. Fiegenbaum, em sua obra A Pedagogia de Jesus (2010), afirmou que “O Mestre interessava-se mais porque poucos o entendessem bem e se enchessem de seu Espírito do que por grandes multidões que o seguissem de modo superficial.”

       Jesus empregou a maior parte de seu tempo na lida com indivíduos. Os fatos mais brilhantes que ocorreram durante os três anos e meio do ministério de Jesus aconteceram através dessas atividades junto a indivíduos. Não foi por acaso que o texto áureo da Bíblia, João 3:16(∗), — o mais citado e mais pregado pela maioria dos evangelistas –, não foi dito para uma multidão, mas apenas para um homem.

O método empregado por Jesus para a redenção deste mundo não foi o de esperar grandes oportunidades ou momentos dramáticos, não. Foi o de utilizar qualquer oportunidade que se lhe apresentasse, no mais ordinário lugar-comum, aproveitando-se dos acontecimentos corriqueiros “da ida de cada dia, e daí tirava o que de mais proveitoso houvesse para qualquer alma necessitada.” (J.M. Price)

1 – Jesus, um modelo

       Jesus foi um mestre nas relações humanas. Além do exemplo que deu com suas atitudes, Ele ainda se preocupou em ensinar os homens a terem boas relações entre eles.

       Ao responder a um doutor da lei sobre o maior de todos os mandamentos, Ele acrescentou isto à nossa relação com Deus: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12:31)Jesus mostrava que esse mandamento resumia as três prioridades máximas da vida: a responsabilidade para com Deus, a responsabilidade para consigo mesmo e a responsabilidade para com os outros.

Mt 22:37,39

“Respondeu Jesus: ” ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’.
E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.”
 

AS TRÊS PRIORIDADES MÁXIMAS DA VIDA APRESENTADAS NO TEXTO

  • Sua responsabilidade para COM DEUS.
  • Sua responsabilidade para CONSIGO MESMO.
  • Sua responsabilidade para COM OS OUTROS.  

       Ao abordar a doutrina das recompensas na eternidade, Ele frizou o cuidado que precisamos ter com o próximo. Tais recompensas são baseadas no ter dado comida ao faminto, água ao sedento, roupas ao nu, no tratar bem ao estrangeiro, o enfermo e os presos (Mt 25:35,36). João, ratificando o que Jesus ensinara, disse: “Se alguém diz: Eu amo a Deus e odeia a seu irmão, é mentiroso” ( 1ªJo 4:20).

       A obra de Cristo, consistia em levar os homens a manter boas relações entre si. Ele pregou o evangelho do amor, como indica o mandamento já referido.

       J.M.Price (1954), abordando sobre o assunto, faz o seguinte comentário:

Jesus foi mais além, e disse: “…Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros”(Jo 13:34). Ele sabia que o verdadeiro amor derrubaria todas as barreiras. Assim alertou a todos contra o ódio, recomendando: “…orem por aqueles que os perseguem,”(Mt 5:44). Não podem existir boas relações quando reina o ódio. Na verdade, o ódio é o primeiro passo para o homicídio. Jesus enfatizou também, e muito, a necessidade do espírito pacifista, e disse: “Bem aventurado os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9).

       A ênfase que Jesus deu e sua atitude ajudam-nos a entender que precisamos fazer o mesmo.

2 – Agregando pessoas

       Jesus também nos deu um exemplo de inclusão. Ele não fazia acepção de pessoas; pelo contrário, Cristo conviveu com o povo de igual modo sem discriminar e condenar aqueles que se aproximavam dEle.

       Há um registro imenso de pessoas que se aproximaram dEle. Dentre as pessoas com quem lidou pessoalmente, encontramos Nicodemos, Zaqueu, a mulher de Samaria, a mulher apanhada em adultério, o homem que queria receber sua parte da herança, o jovem rico, o crítico rabino, o fidalgo de Cafarnaum e muitos outros.

      J.M.Price mostra um quadro geral daqueles que se aproximaram de Jesus. Eram pessoas que possivelmente seriam excluídas da sociedade, mas Ele, ao contrário, procurou agregar a todos.

Afora o círculo dos doze, vemos Zaqueu, o coletor de impostos, homem que tinha grande amor pelo dinheiro e que cobrava mais do que era devido, roubando assim ao povo necessitado. E também Maria Madalena, com sete demônios a seu crédito. E ainda a mulher pecadora que lhe lavou os pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos. E ainda a mulher de vida livre a quem ensinou à beira do poço, a qual tivera um rosário de cinco maridos. E ainda aqueles acusadores da mulher adúltera, os quais desapereceram quando Jesus lhes disse que quem estivesse sem pecado fosse o primeiro a começar a apedrejá-la, conforme ordenava a lei. Não; aqui vemos perfeitamente que a classe de alunos ensinada por Jesus em nada apresentava aquelas condições ideais para um mestre ideal. Ao contrário, eram tais alunos gente das mesmas paixões nossas, e de paixões que não poucas vezes os dominavam por completo. Orgulho, ambição e luxúria argamassavam a vida deles, e tudo aquilo desafiava os preceitos e a influência de Jesus. (J.M.Price (1954))

J.M. Price mostra que Cristo recebia pessoas como elas apresentavam-se a Ele, buscando, assim, levá-las para onde Ele queria que fossem.

Quando um doutor da lei lhe perguntou  o que devia fazer para herdar a vida eterna, Jesus lhe citou a lei dele (Lc 10:25, 26). Na conversa com a mulher decaída, junto ao poço de Jacó, Jesus começou a falar em “água” — coisa em que ela estava interessada, e a levou às “águas vivas” (Jo 4:10). Levantando-se na sinagoga para ler e proclamar o programa do seu ministério, Jesus começou com aquela passagem familiar de Isaías que trata da expectativa messiânica (Lc 4:16_30). Assim, por este processo, Jesus atraía a atenção e  interesse dos ouvintes. “No propósito de levar seus discípulos a aprender alguma coisa, ele não se cingiu a programas formais, nem a currículos forjados de antemão.” (J.M. Price 1954)

       Apesar das cíticas que recebeu, Jesus, no entanto, continuou servindo o povo, ajudando-o nas suas necessidades.

3 – Enxergando as coisas boas nos outros

       Às vezes, é mais fácil observarmos os defeitos dos outros do que as suas virtudes. Todos nós, porém, temos virtudes e defeitos. J. M. Price, tecendo um comentário sobre o assunto, faz a seguinte declaração:

Há pessoas que só olham para aquilo que de mau existe em seus semelhantes. Assim, tomam uma atitude e tratam de coisas desagradáveis que só podem colher respostas desfavoráveis. Levantam desse modo, forte barreira e resistência entre eles e a pessoa com quem estão lidando, amiúde se criam mesmo antagonismos e inimizades. Assim agem não poucas vezes pessoas bem intencionadas que sinceramente buscam acertar e ajudar; mas é claro que lhes falta discernimento e também tato. Um colega de ginásio, a quem este escritor levou a Cristo, disse depois de sua conversão: “Eu teria dado este passo há muito se certas pessoas não me tivessem criticado tanto.”

       J. M.Price ainda mostra que, com Jesus, tudo era diferente. Como nosso exemplo, Ele sempre enxergava algo de bom e apreciável nos homens.

Mesmo lidando com um fariseu empavonado e cheio de justiça própria, com um coletor ladino e sem escrúpulos, ou com uma decaída, Jesus sempre apelava para aquilo que de bom houvesse no íntimo deles, e trazia à tona algumas de suas boas qualidades. E assim tratava Jesus não só aqueles que viviam chafurdados no pecado, mas também os que apenas se mostravam imaturos e inexperientes. Parece-nos mesmo que o Mestre se especializou em apanhar aqui e ali pessoas indesejáveis e desprezíveis para fazer delas caracteres esplêndidos e extraordinários, como fez com os onze. 

       Ao receber as pessoas, Jesus mostrava a possibilidade de mudança de vida, salientando as futuras possibilidade deles, interessando-se por eles e inspirando-os a prosseguir no bem: “Ele cria que o meio de se criar nos homens fé e confiança é mostrar que temos fé neles; e Jesus nunca se afastou deste grande princípio de tratamento eficiente. ” (J.M. Price (1954)).

       Sigamos o exemplo de Jesus! 

(∗)=”Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Psicologia Pastoral – A Ciência do Conhecimento Humano como Aliada Ministerial

Jamiel de Oliveira Lopes – CPAD

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